Os últimos quatorze anos de aumento no pagamento de dízimo
Anthon H. Lund
Sinto a necessidade de vossa simpatia e de vossas orações ao apresentar-me perante esta grande congregação. Regozijei-me com as boas palavras proferidas por nosso presidente. O discurso edificante e inspirador que ele nos proferiu, sei que será lembrado por todos os presentes. Sinto, como ele nos disse, que todos estamos na presença de nosso Pai Celestial, que tem meios pelos quais pode saber tudo a nosso respeito, até mesmo de nossos pensamentos mais íntimos. Saber disso deveria nos tornar cuidadosos em andar em Seus caminhos e obedecer a Seus mandamentos. ¶
Também tive o prazer de ouvir os números lidos pelo Presidente, informando-nos o que foi feito durante os últimos quatorze anos. Pensei que muitas pequenas quantias se somaram em grandes somas. Milhões foram gastos na edificação desta obra, e os livros estão abertos para mostrar aonde foi cada centavo que foi pago aos fundos da Igreja, e creio que todos vós aprovais os propósitos para os quais o dinheiro foi despendido. Milhões foram destinados aos pobres, à erguição de casas de adoração onde os Santos possam ir e ser edificados em sua santa fé; grandes quantias foram pagas para os templos, para as missões, e assim por diante. Sinto-me grato porque os Santos abriram seus corações e contribuíram de seus meios para os propósitos que acabamos de ouvir declarados. Sentiram-se levados a obedecer à lei do dízimo que o Senhor nos deu, e tiveram plena confiança de que o dinheiro seria gasto na edificação do Reino de Deus. ¶
É um grande número de pessoas que se filiaram à Igreja no curto tempo em que o Presidente Smith esteve à frente desta administração, e um grande número também que passou pelos templos. É animador ouvir do aumento em nossas diferentes associações; pois todas são úteis no fortalecimento da fé de seus membros. ¶
As últimas estatísticas lidas declararam que as Classes de Religião aumentaram oitenta e cinco por cento. Alegro-me em ouvir isso, pois tenho pensado que os Santos mal sabem o que representa a Classe de Religião, e em muitos lugares a consideraram um fardo adicional sobre os bispos e professores. Ora, creio que, quando for plenamente compreendida, os Santos verão a grande necessidade de sustentar e apreciar essas classes. ¶
No início da administração do Irmão Woodruff, a Primeira Presidência sentiu-se impressionada a iniciar mais escolas da Igreja. Sentiram que deveriam ser preparados lugares onde nossos jovens pudessem receber um treinamento sistemático nos princípios do Evangelho. Organizou-se uma Junta de Educação da Igreja, cujos membros se reuniram e discutiram o problema de qual seria o melhor plano para educar nossas crianças no ramo da teologia, que não poderia ser ensinado nas escolas seculares. As escolas da Igreja foram iniciadas e organizadas segundo o plano da Academia Brigham Young. O diretor dessa escola, o hábil e devotado professor, o Irmão Maeser, foi nomeado superintendente do sistema de escolas da Igreja. Sabeis quão fielmente ele trabalhou para organizar as escolas da Igreja, e quão gratos são centenas e milhares de nossos jovens por terem tido o privilégio de receber educação nessas instituições. Essas escolas continuaram a prosperar, e sua matrícula alcança um número tão alto quanto conseguimos acomodar. Elas têm feito, e continuam fazendo, um imenso bem entre nossos jovens. Gostaríamos que todas as nossas crianças fossem educadas em uma instituição onde não apenas a mão e o cérebro pudessem ser treinados, mas onde as questões espirituais também pudessem ser atendidas; mas não nos é possível alcançar tanto com os meios de que dispomos, embora milhões já tenham sido gastos, dos dízimos, para sustentar as escolas da Igreja. ¶
Temos um esplêndido sistema de escolas públicas neste Estado. Nossas escolas primárias, nossas escolas secundárias, nosso colégio agrícola e nossa universidade ocupam lugar de destaque. Creio que se comparam favoravelmente com quaisquer outras no país. Certamente há instituições de ensino superior, em outros estados, muito mais bem providas do que nossa universidade, e capazes de fazer mais; mas, pelos meios que são investidos e que têm sido gastos aqui no estado, penso que vemos bons resultados. No ano passado, disse-me nosso Governador, gastamos em educação nas escolas estaduais de oitenta e seis a oitenta e oito por cento dos impostos estaduais. Isso mostra o grande interesse que se tem pela educação. Duvido que qualquer outro estado da União possa mostrar percentual tão elevado de meios estaduais destinados a fins educacionais quanto o têm feito as legislaturas de Utah. Mas, embora o sistema escolar de Utah esteja tão elevado quanto qualquer outro, há um defeito nas escolas que são conduzidas sem instrução religiosa. Educadores do leste e do oeste que estudaram essa questão chegaram a essa conclusão. ¶
Recentemente realizou-se em Chicago uma grande convenção, na qual educadores discutiram o problema de ensinar religião em nossas escolas públicas. Não é tão fácil fazer isso aqui como o é em países onde existe uma religião de estado, e que, por conseguinte, podem ensinar essa religião em suas instituições educacionais; mas aqui, onde as escolas públicas estão abertas a filhos de pais pertencentes a diferentes denominações, é mais difícil. Alguns dos educadores presentes nessa convenção sugeriram que certo período para o estudo da religião pudesse ser incluído no currículo das escolas, e que as crianças fossem para salas onde professores ou ministros pudessem ensinar-lhes a religião de seus pais. Não sei a que conclusão se chegou, pois não li as atas completas da convenção, mas a sugestão referida era algo semelhante ao que se faz no Canadá. Lá existe uma lei que prevê a educação religiosa nas escolas públicas, e aqueles que a ensinam são pagos pelo estado. Seus homens de estado sabem que é para o bem das crianças não apenas ter o intelecto treinado, mas também o coração e as emoções, e aprender a respeito de Deus e de Sua vontade para com os homens. No Canadá, a escola pública é igual à daqui, livre e aberta a todas as denominações, e os ministros destas têm recebido o direito de reunir as crianças ao seu redor na própria escola e ensinar-lhes os princípios em que seus pais creem. ¶
Reconhecemos o defeito de uma educação sem instrução religiosa e moral, e desejamos prover algum meio pelo qual essa lacuna possa ser remediada. Em alguns lugares reunimos as crianças uma vez por semana nas Classes de Religião para ensinar-lhes religião prática. Em outros lugares essas classes se reúnem cinco vezes por semana, ou em cada dia letivo. A objeção que se tem levantado, de que impõe fardo demasiado às crianças frequentar essas classes, porque já têm tanto que aprender na escola diurna que não podem atender aos estudos que as Classes de Religião lhes dariam, não tem muito peso, pois não se pede às crianças que estudem essas lições fora das Classes de Religião. Quando se reúnem nas classes, são ensinadas por meio de exemplos concretos, e de modo que exige delas apenas sua atenção enquanto estão nas classes; e os professores dessas crianças dizem que elas são mais facilmente conduzidas e prestam mais atenção do que antes de frequentarem os estudos nas Classes de Religião. ¶
Como essas classes faziam parte do sistema de escolas da Igreja, o Irmão Maeser foi também encarregado delas, e durante seus últimos anos trabalhou arduamente para torná-las bem-sucedidas. Toda a sua alma estava absorta em estudar a melhor maneira de alcançar o coração das crianças. Certa vez, quando ia a um lugar organizar a Classe de Religião, perguntou a si mesmo: "Qual há de ser o procedimento?" Orou a esse respeito, e o método que seguimos, chamado os seis passos, veio-lhe à mente, e temos considerado esse modo muito bem-sucedido. ¶
Gostaríamos que vós, que não tendes assistido a uma sessão das Classes de Religião, o fizésseis, e vísseis como nossos irmãos e irmãs ensinam os jovens que frequentam as classes. As classes são abertas com cânticos, dirigidos pelo professor ou por uma das crianças, conforme ele ou ela o determine. O cântico não é acompanhado de música instrumental. Gostamos que sejam independentes desse auxílio e capazes de entoar o tom correto por si mesmos. Quando nossos jovens são chamados a sair para o campo missionário, sabeis que bênção lhes é poder cantar. Quando estão na esquina da rua, com as costas voltadas a um poste de luz e uma grande congregação diante deles, não têm instrumento algum para ajudá-los a iniciar o cântico; é bom para eles se conseguem fazê-lo corretamente. Quantos de vós, irmãos, não tivestes experiência dessa natureza? ¶
Depois que as crianças cantam um hino, seus corações se preparam para o segundo passo, que é a oração. Aqui, um dos meninos ou meninas se oferece voluntariamente para orar quando o professor os chama para isso, e o menino ou a menina escolhido para conduzir profere uma frase curta ou uma expressão breve, que todos repetem em conjunto, e então a próxima frase é dada e repetida, e assim por diante até que a oração termine. Repetir as palavras proferidas por quem oferece a oração assegura a atenção, pois todos estão atentos para se unir às orações e pronunciar as palavras que o condutor proferiu. ¶
O terceiro passo é aprender uma joia de memória, ou bom pensamento. O professor começa com uma pequena parte da citação, e as crianças a repetem depois dele. Quando ela é aprendida, dá-se a parte seguinte da citação, e assim até o fim dela. Por este método, um grande número de pensamentos preciosos fica guardado na mente das crianças, o que as ajudará no tempo vindouro. ¶
Vem então o quarto passo, que é a lição propriamente dita, e que ocupa o maior tempo. A lição e a joia de memória geralmente se relacionam de tal modo que uma explica a outra. As lições geralmente consistem em narrativas e exemplos concretos, que as crianças adoram ouvir, e que causarão tal impressão em suas mentes que se lembrarão deles, e procurarão pôr em prática o que lhes foi ensinado. ¶
O quinto passo é dar testemunho. Pedimos às crianças que testifiquem daquilo que elas mesmas experimentaram, do que sabem da bondade de Deus, da bondade de seus pais e de outros, da alegria que veio a seus corações ao praticar um bom ato, um ato desinteressado em favor de outrem. Tudo isso consideramos bom material para o testemunho, e, se ouvirdes essas crianças dando seu testemunho, muitas vezes isso vos comoverá o coração, pois sabeis que elas são inocentes e sinceras no que dizem, e podemos ver como o Espírito do Senhor está operando em seus jovens corações. Contarão de haver visitado um colega doente e o consolado, talvez levando-lhe flores; contarão de haver participado do corte da lenha de uma viúva para uso no inverno, e de tantas outras coisas que fizeram. O objetivo da Classe de Religião é imbuir seus corações de religião prática, isto é, como Tiago o define, "visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se imaculado do mundo". O sexto passo é o cântico e a oração, conduzidos como o foram os exercícios de abertura. ¶
Não deveis negligenciar o envio de vossos filhos às Classes de Religião, pois eles necessitam da instrução ali dada. Tenho ouvido muitos exemplos mencionados em nossa Junta em que essas crianças pequenas conseguiram levar seus pais a renovada diligência no cumprimento de seu dever, e até mesmo trazer famílias para a Igreja que antes não haviam compreendido o Evangelho. Alegra-nos ouvir essas coisas, e hei de suplicar-vos, meus irmãos e irmãs, que sustenteis o movimento de nossas Classes de Religião. As crianças serão edificadas e encorajadas a bem fazer, e o tempo que ali passam não interfere em seus outros estudos. Espero que venha o tempo em que os educadores em toda a terra possam conceber algum plano pelo qual tal ensino religioso, como os pais desejam que seus filhos recebam, possa ser-lhes dado nas escolas públicas. ¶
Há pouco tempo assisti à dedicação do Seminário Teológico de Brigham City. Foi erguido com o propósito de dar aos estudantes de nossa fé, que frequentam a escola secundária ali, a oportunidade de estudar a história da Bíblia e os princípios do Evangelho. Mais de duzentos estudantes estão matriculados, e demonstram entusiasmo por esse ramo de estudo. Ter um edifício escolar em lote contíguo ao da escola secundária confere aos estudantes que o frequentam quase todos os benefícios de uma educação em escola da Igreja. Há alguns outros seminários situados de modo semelhante, na vizinhança de escolas secundárias, que também estão realizando um excelente trabalho. Não desejamos induzir os filhos de pais que não pertencem à nossa fé a frequentar essas classes, mas gostaríamos que nossos próprios estudantes o fizessem, pois vemos grande necessidade de fortalecer seus corações contra as muitas teorias que lhes serão apresentadas, e que tendem a lhes tirar a fé. Queremos que estejam fortalecidos contra as sugestões insinuantes que possam ouvir de homens instruídos, de que o mundo é uma máquina autossustentável e que, por conseguinte, não há necessidade de um Deus, de que não há espírito no homem e, portanto, não haverá ressurreição; de que tudo é regido pela lei e, portanto, a oração é inútil. Ora, queremos que um fundamento de fé em Deus seja lançado tão firmemente no coração de nossos filhos que não possa ser abalado. Mas alguns perguntam: temeis, então, a evolução e outras teorias tão amplamente ensinadas? Não temos medo de que o Evangelho revelado seja provado falso por qualquer coisa que os homens possam descobrir; pois a verdade sempre se conformará com a verdade, mas as teorias dos homens nem sempre são verdadeiras; os cientistas frequentemente tomam hipóteses como fatos comprovados, e presumem que foram necessários milhões de anos para produzir as mudanças que afirmam terem ocorrido gradualmente nas plantas e nos animais, durante os diferentes períodos da terra. ¶
Cremos que tudo é regido pela lei. Somos gratos por que assim seja, pois, do contrário, viveríamos num mundo de acaso, numa temível incerteza do que aconteceria a seguir. Creio que as leis materiais que se podem rastrear na criação tinham por trás de si uma vontade inteligente, que essas próprias leis jamais foram superiores à vontade de Deus. Ele fez essas leis, e por Seu poder elas se tornaram eficazes para realizar Seus propósitos. É a Ele que oramos, e sabemos que Ele é onipotente e de fato ouve as orações, e, embora use leis materiais para executar Seus planos, Sua vontade jamais esteve sujeita às leis, mas as leis sempre estiveram subordinadas a Ele. Que ninguém pense que Deus é impotente, que as leis que Ele fez impedem que Ele ouça Seus filhos e responda às suas orações. ¶
Vejo que o tempo está passando. Sinto-me grato por estar aqui convosco, irmãos e irmãs, para dar meu testemunho da verdade do Evangelho, que é que Jesus é o Salvador e Redentor do mundo, e que Ele é o Unigênito do Pai. Que o Senhor nos ajude a sermos sempre verdadeiros e fiéis nos convênios que fizemos com Ele, é minha oração em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶