Ao registrar uma série de visões
B. H. Roberts
Ao registrar uma série de visões que lhe foram concedidas quando era prisioneiro na Ilha de Patmos, o amado discípulo do Senhor, João, registrou isto: ¶
"Vi outro anjo voar pelo meio do céu, tendo o evangelho eterno, para proclamá-lo aos que habitam sobre a terra, e a toda nação, e tribo, e língua e povo, ¶
"Dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória, porque vinda é a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas." ¶
Duas coisas muito grandiosas estão implícitas nessa escritura. Antes de tudo, é evidente que naturalmente pensamos em "a hora do juízo de Deus" como estando de algum modo ligada a uma grande época em relação à terra e à sua história. "Na hora do juízo de Deus", parece, segundo essa escritura, que os homens estariam sem o Evangelho — toda nação, tribo, língua e povo — ou então por que haveria necessidade de o Senhor enviar um anjo para restaurar esse Evangelho ao mundo na hora de Seu juízo, se ele já estivesse na terra? No tempo de Seu juízo, também parece que toda nação, tribo, língua e povo estariam adorando alguma outra Divindade que não o Deus que criou os céus e a terra, e os mares e as fontes das águas; ou então por que esse chamado a todas as nações para que retornem à adoração do Deus verdadeiro e vivo, criador do céu e da terra? ¶
A outra grande coisa implícita nessa profecia é o fato de que, na hora do juízo de Deus, Ele restauraria o Evangelho à terra por meio do ministério de um anjo. ¶
Essas duas coisas, penso eu, destacam-se fortemente nessa escritura, e creio que geralmente se compreende, na Igreja, que a dispensação do Evangelho que nos foi dada, trazida em nossa época pelo ministério de anjos, é o cumprimento da visão de João, embora haja alguns entre os Santos dos Últimos Dias que pensam que essa passagem nada tem a ver com a introdução do Evangelho à terra em nossos dias; e houve um homem muito alto em autoridade na Igreja que zombava um tanto da ideia de os élderes usarem aquela passagem de escritura como profecia da vinda da obra do Senhor nestes dias. No entanto, o assunto está decididamente resolvido por uma revelação na Doutrina e Convênios chamada de "Apêndice". A propósito, nosso modo de tratar essa revelação, quanto à sua colocação no Livro de Doutrina e Convênios, talvez seja um tanto enganoso; foi uma revelação dada em 3 de novembro de 1831, e então chamada de "Apêndice" de uma pequena coletânea das revelações que haviam sido dadas ao Profeta até novembro de 1831; e essa revelação é o "Apêndice" daquela pequena coletânea, e não de todo o Livro de Revelações na Doutrina e Convênios; mas, porque foi chamada de "Apêndice" daquela pequena coletânea, temos continuado a movê-la para trás, no livro, nas edições sucessivas, admitindo as revelações subsequentes, ainda a chamando de "Apêndice"; mas, de fato, era o "Apêndice" somente da primeira coletânea de revelações que foi feita e que se pretendia publicar, e que foi parcialmente publicada, na cidade de Independence, em 1833. Nessa revelação ocorre esta passagem: ¶
"Pois eis que o Senhor Deus enviou o anjo clamando no meio do céu, dizendo: Preparai o caminho do Senhor e endireitai as suas veredas, porque a hora de sua vinda está próxima." ¶
E, novamente: ¶
"Agora, em verdade diz o Senhor, para que estas coisas sejam conhecidas entre vós, ó habitantes da terra, enviei meu anjo" — isto é em 1831, lembre-se — "voando pelo meio do céu, com o evangelho eterno, que apareceu a alguns, e o entregou ao homem, que aparecerá a muitos que habitam na terra; ¶
"E este evangelho será pregado a toda nação, e tribo, e língua e povo, ¶
"E os servos de Deus irão avante, dizendo em alta voz: Temei a Deus e dai-lhe glória, porque chegada é a hora de seu julgamento; ¶
"E adorai aquele que fez o céu e a terra e o mar e as fontes das águas." ¶
A linguagem desta revelação moderna, ao descrever o cumprimento da visão de São João, é tão quase idêntica à do Livro do Apocalipse que penso não poder haver engano quanto a isto, a saber, que esta dispensação do Evangelho que nos foi confiada é o cumprimento da grande visão de João. E agora, sendo isso verdade, eis que fardo, embora alegre fardo, é colocado sobre a Igreja de Cristo! Pois, com a aceitação desta dispensação do Evangelho, e a organização da Igreja como o meio de proclamar esse Evangelho ao mundo, vem o dever de pregar esse Evangelho a toda nação, tribo, língua e povo. A Igreja tem duas grandes funções a desempenhar, isto é, pode-se generalizar suas responsabilidades e seus deveres para com o mundo sob dois títulos gerais, a saber, a proclamação da verdade que Deus depositou com ela, a todos os habitantes da terra; e o outro grande dever da Igreja é aperfeiçoar a vida daqueles que aceitam essas verdades. Nessas duas coisas se resumem toda a lei e todos os profetas, por assim dizer. ¶
Desejo apenas chamar vossa atenção para uma parte dessa grande missão, que é a responsabilidade de proclamar a verdade que Deus restaurou à terra, e depositou com Sua Igreja. Esse fardo repousa sobre toda a Igreja de Cristo; não sobre uma só parte dela. Podeis usar, e estamos despertando para a compreensão do fato de que foi evidentemente intenção de Deus que usássemos, os setentas da Igreja como o meio para a proclamação deste Evangelho. Ora, podeis usá-los como o instrumento principal para esta obra, mas o dever e o fardo de cumprir essa parte da missão da Igreja repousa sobre todo o corpo da Igreja de Cristo, e não sobre os setentas somente. Estamos começando a perceber que, ao enviar esta mensagem ao mundo, estamos sem dúvida usando jovens demais, inexperientes, de mentes ainda pouco amadurecidas; jovens cujo juízo ainda não se firmou em pleno, viril discernimento. Em outras palavras, talvez tenhamos negligenciado a admoestação que o Profeta deu sobre este assunto bem no início da história da Igreja. Por exemplo, ele diz, numa carta dos élderes em Kirtland a seus irmãos no exterior, em 1833: ¶
"Tende cuidado ao enviar rapazes para pregar o Evangelho ao mundo; se forem, que sejam acompanhados por alguém capaz de guiá-los pelo caminho apropriado, para que não se ensoberbeçam e caiam em condenação, e no laço do diabo." ¶
Achamos necessário voltar a este conselho, ou sermos admoestados por ele; e, embora possamos continuar a chamar jovens, espero que o façamos, ao mesmo tempo sentimos uma necessidade urgente de homens de juízo maduro, e de conhecimento abrangente das grandes verdades que devemos apresentar aos filhos dos homens. De passagem, permiti-me dizer que a Igreja não tem dever mais elevado a cumprir do que este dever de ensinar o Evangelho. A organização da Igreja é tal que nos proclama, se apenas a contemplarmos, quão altamente o Senhor considera o dever de Sua Igreja em fazer proclamação de Sua mensagem aos habitantes da terra, visto que Ele separa e faz do dever especial dos Doze Apóstolos e do grande corpo dos setenta — agora dez mil fortes — o cumprimento dessa tarefa. É um trabalho digno da melhor virilidade, e do mais alto talento, na Igreja; e é digno dos maiores sacrifícios, a fim de enviar a mensagem de Deus aos habitantes da terra. Esta Igreja tem prosperado na proporção de seu zelo e empenho em cumprir este elevado dever que deve tanto a Deus quanto aos filhos dos homens. Quando nuvens sombrias se reuniram sobre a Igreja em Kirtland, e parecia que os poderes do mundo mais profundo estavam combinados num esforço para derrubar o Profeta e a obra que ele estava fundando, aconteceu algo estranho. Numa reunião de conselho do sacerdócio, o Profeta levantou-se, atravessou a sala e foi até Heber C. Kimball, e disse-lhe que o Espírito lhe havia sussurrado que, para a salvação da Igreja, era necessário que o servo do Senhor, Heber C. Kimball, atravessasse as grandes águas e fizesse proclamação do Evangelho na Inglaterra. Uma estranha maneira de salvar a Igreja, não é mesmo? E, no entanto, teve esse efeito; pois, a partir da introdução do Evangelho naquela época na Inglaterra, começou aquela grande procissão de novos membros na Igreja, que tão poderosamente a fortaleceu. Deram-lhe nova vida, vigor e poder no mundo. Os novos discípulos tomaram o lugar dos que estavam dispostos a apostatar. ¶
Novamente, suporíeis naturalmente que, após as experiências no Missouri, quando os Santos dos Últimos Dias que se haviam reunido naquele estado se achavam, como povo, dispersos e despojados, privados de todos os seus bens terrenos, e expulsos do estado do Missouri, todos em aflição, em enfermidade e em pobreza — suporíeis naturalmente, digo eu, que ninguém pensaria então em obra missionária; e, no entanto, em meio a essas provações, a palavra do Senhor veio ao Profeta, dirigindo que os Doze Apóstolos partissem da terra de Sião, da praça pública de Far West, e atravessassem as águas e pregassem o Evangelho novamente na Inglaterra: e assim, em meio à mudança do Missouri e ao estabelecimento em Nauvoo, esta missão foi empreendida; e, novamente, a obra deu um grande passo à frente como resultado da missão dos Apóstolos àquelas terras estrangeiras. Dezenas de milhares foram trazidos para a Igreja, e os meios essenciais para a continuação da obra do Senhor vieram daquela missão, e fortaleceram as mãos dos irmãos em Nauvoo. Em cada uma dessas crises, vedes, a Igreja voltou-se para seu grande dever de fazer proclamação do Evangelho, com os mais felizes resultados. ¶
Quando nosso povo foi expatriado dos Estados Unidos e havia sido maravilhosamente conduzido através do deserto até estes vales das montanhas, com grande parte da Igreja ainda sobre rodas no deserto, e em acampamentos ao longo da rota entre estas montanhas e o rio Missouri, suporíeis naturalmente que aquele era um tempo em que todo homem de força, sabedoria, fé e poder espiritual seria necessário em Israel para estabelecer o povo nestes vales das montanhas; contudo, o profeta do Senhor, então dirigindo os assuntos de Israel, em 1849, na Conferência de Outubro daquele ano, antes que alguém estivesse muito bem estabelecido no novo lar, iniciou uma grande obra missionária estrangeira e doméstica — que levou à fundação de diversas missões estrangeiras que têm continuado até hoje. ¶
Addison Pratt, um ex-missionário das ilhas do Pacífico Sul, visto que a Igreja não tinha templo naquela época, foi levado ao cume do Pico Ensign e recebeu suas investiduras, para que pudesse retornar àquelas ilhas do mar nas quais havia trabalhado, com maior poder espiritual, e, com seus outros dois companheiros, prosseguir com a obra que havia sido aberta naquelas terras distantes. ¶
O Élder Amasa M. Lyman e Charles C. Rich, este último um apóstolo recém-ordenado do Senhor Jesus Cristo, foram enviados à costa do Pacífico, à Califórnia, para reunir os que se haviam extraviado, e salvar as ovelhas dispersas da casa de Israel. ¶
Orson Pratt, em 1848, havia sido enviado à Inglaterra, para presidir aquela missão; e nesta maravilhosa conferência, de 1849, Franklin D. Richards, na época um apóstolo recém-ordenado, e então um jovem, foi enviado para se juntar ao Élder Pratt na missão britânica. ¶
O Élder Lorenzo Snow foi chamado para abrir a porta do Evangelho na Itália e em outras terras da Europa e da Índia. ¶
Erastus Snow foi chamado ao mesmo tempo para abrir a porta do Evangelho às nações escandinavas. ¶
O Élder John Taylor foi enviado para abrir a porta do Evangelho aos grandes impérios da França e da Alemanha. Esses irmãos tiveram sucesso maravilhoso, pois Deus estava com eles, ao estabelecerem periódicos nas línguas das nações para as quais foram enviados; também ao traduzirem algumas das obras-padrão da Igreja — o Livro de Mórmon, a Doutrina e Convênios, e outras obras. Fizeram ampla proclamação do Evangelho naqueles dias, e fundaram as missões que continuaram até o presente naquelas várias terras. A obra sob os Élderes Pratt e Richards, na Inglaterra, teve um desenvolvimento maravilhoso. Em pouco menos de três anos em que Orson Pratt presidiu naquela terra, a "Millennial Star" aumentou sua circulação de três mil e setecentos para vinte e dois mil exemplares. Em cerca do mesmo período, pouco menos de três anos, nas Ilhas Britânicas, vinte e dois mil foram acrescentados à Igreja de Cristo, e cinco mil e quinhentos emigraram para a terra de Sião. Vedes como Deus abençoa maravilhosamente Sua Igreja quando ela dedica atenção plena e completa a este santo ofício de fazer proclamação da palavra de Deus aos habitantes da terra. É a fonte de força, vida e progresso para a Igreja. ¶
Digo-vos tudo isto porque creio que, embora não tenhamos sido negligentes, penso eu, em momento algum — considerando nossas circunstâncias e condições — não temos sido negligentes em momento algum na atenção a esta nossa grande missão; e, no entanto, de tempos em tempos surgem, aparentemente, aberturas especiais, oportunidades especiais, exigindo maior esforço de nossa parte, e, talvez, a realização daquilo que chamamos de sacrifícios por esta obra. Creio que o cenário do mundo está sendo reajustado para maiores oportunidades de fazermos proclamação desta mensagem que nos foi confiada; que as nações estão a caminho daquela humilhação, daquela condição, em que darão ouvidos ao que temos a dizer. Ora, meu ponto é este: que, enquanto elas se preparam para a chegada de condições em que estarão mais dispostas a ouvir nossa mensagem, convém a nós que nos preparemos para a oportunidade ampliada que é prometida para uma proclamação frutífera do Evangelho de Jesus Cristo, novamente restaurado à terra. ¶
Em conformidade com essas ideias, estamos indo entre nossos setentas, e as autoridades locais das estacas e alas estão sendo solicitadas a dar mais atenção aos setentas como os oficiais mais apropriados na Igreja para atender ao chamado de serviço missionário no exterior. O serviço missionário da Igreja necessita de homens de bom senso, homens de peso de caráter. Não há nada mais verdadeiro na psicologia das coisas do que isto: que, se quereis apelar a homens de caráter, homens que são chefes de família, homens de pensamento maduro, e sérios no cumprimento dos propósitos da vida, se quereis alcançar essas classes — e são elas, suponho, as que estamos ansiosos por alcançar, porque, ao alcançarmos um deles, alcançaremos não uma unidade, mas um grupo, uma família, e são elas as que devemos buscar com o apelo mais sério. Ora, digo eu, se quereis alcançar essa classe de homens, então deveis enviar-lhes essa classe de homens, ou não os alcançareis — pelo menos não de maneira tão eficaz, não os alcançareis. Esse é o tipo de homens que queremos; e, se isso exige sacrifício, então façamos o sacrifício necessário, com sabedoria, é claro, e bom senso. ¶
Há apenas mais uma coisa relacionada a esse importante assunto para a qual gostaria de chamar a atenção, embora tema estar invadindo o tempo de outros, mas é esta: o Senhor dos céus não se orgulha da ignorância. Todo o Seu propósito é distribuir inteligência e salvar os homens por meio do conhecimento da doutrina correta e da verdade. Ele não se orgulhará de um ministério ignorante. Quando vários élderes se reuniram em Kirtland e aguardavam a realização de uma conferência antes de voltarem a seus campos de trabalho, perguntaram ao profeta qual era a vontade do Senhor a respeito deles, e o Senhor deu esta instrução: ¶
"E dou-vos um mandamento de que vos ensineis a doutrina do reino uns aos outros; ¶
"Ensinai diligentemente e minha graça acompanhar-vos-á, para que sejais instruídos mais perfeitamente em teoria, em princípio, em doutrina, na lei do evangelho, em todas as coisas pertinentes ao reino de Deus, que vos convém compreender; ¶
"Tanto as coisas do céu como da Terra e de debaixo da Terra; coisas que foram, coisas que são, coisas que logo hão de suceder; coisas que estão em casa, coisas que estão no estrangeiro; as guerras e complexidades das nações e os julgamentos que estão sobre a terra; e também um conhecimento de países e reinos." ¶
E por quê? Eis representado aqui um campo de conhecimento muito extenso. Ele abrange todo campo possível de conhecimento; por que são os élderes admoestados, e até mesmo mandados a familiarizarem-se com todas essas coisas? O Senhor responde a essa pergunta: ¶
"Para que estejais preparados em todas as coisas, quando eu vos enviar outra vez para magnificardes o chamado com o qual vos chamei e a missão com a qual vos comissionei." ¶
E, novamente, na mesma revelação: "Como nem todos têm fé —" como nem todos são capazes de alcançar o conhecimento pela fé — nem todos dotados para beber da própria fonte — "e como nem todos têm fé, buscai diligentemente e ensinai-vos uns aos outros palavras de sabedoria; sim, nos melhores livros buscai palavras de sabedoria; procurai conhecimento, sim, pelo estudo e também pela fé." ¶
Essa foi a instrução do Senhor aos élderes que contemplavam sua missão ao mundo, e isso foi o que lhes foi exigido. Novamente digo, visto que o cenário do mundo está sendo preparado para uma proclamação mais ampla do Evangelho, permiti-me admoestar os setentas, entre os quais me encontro, e com quem trabalho mais especialmente; permiti-me dizer-lhes: ide, enchei agora vossas mentes de conhecimento e também de fé, e atraiamos para nós aquele poder espiritual que vem da observância das leis do Evangelho; para que, quando a grande guerra mundial cessar, quando seus terrores não mais aterrorizarem o povo, e quando se estabelecerem na contemplação sóbria das verdades eternas, como o farão, estejamos preparados para ensinar-lhes a verdade tal como Deus a revelou, e assim ajudar no grande período de reconstrução que virá ao mundo, e que será absolutamente necessário ao mundo. Essa é minha admoestação a vós, em nome de Jesus. Amém. ¶
O Élder Horace S. Ensign cantou um solo de barítono, intitulado "Que Tenhamos Paz." ¶