A palavra viva de Deus
Charles W. Penrose
Eu já teria sido bem recompensado por ter vindo a esta conferência se tivesse apenas o prazer, que agora desfruto, de contemplar este vasto auditório composto principalmente de Santos dos Últimos Dias, membros da Igreja de Jesus Cristo, que Ele estabeleceu nos últimos dias e pela última vez; mas aprecio o privilégio que me é concedido de dirigir-me a meus irmãos e irmãs, e desejo ardentemente que o bom espírito que esteve conosco durante nossos exercícios matinais permaneça conosco esta tarde, e que eu seja inspirado pelo mesmo espírito que esteve conosco na sessão de abertura. ¶
Nesta manhã, senti que estávamos recebendo a palavra de Deus. Temos alguns livros que reconhecemos como contendo a palavra de Deus: a Bíblia, composta do Antigo e do Novo Testamento, e o Livro de Mórmon, e a Doutrina e Convênios, e a Pérola de Grande Valor, que reconhecemos como os padrões escritos de doutrina na Igreja. Estes contêm revelações dadas no passado; algumas delas num passado muito distante. Mas é um grande consolo para mim, e deve sê-lo para todo o Israel, que tenhamos hoje a palavra viva de Deus, e que aquilo que é falado sob a influência do Espírito Santo seja tanto a palavra de Deus, tão importante e tão obrigatório para o povo de Deus, quanto o que foi dado em tempos passados. "Homens santos da antiguidade falaram e escreveram conforme foram movidos pelo Espírito Santo", assim declarou Pedro, e podemos dizer que homens santos nestes últimos tempos falaram e falam sob a influência do mesmo Espírito, e não é menos a palavra de Deus quando falada por essa influência divina do que a que foi falada sob ela centenas de anos atrás. ¶
Não creio que tenha havido, em nenhuma época do mundo, profeta de Deus algum que produzisse mais verdade e verdades mais importantes do que as reveladas por meio do Profeta Joseph Smith. E desde os dias dele, conforme a necessidade o exigiu, temos tido a palavra de Deus por meio de Seus sucessores vivos, e sou muito grato, hoje, pelo privilégio e pela bênção de viver numa época em que Deus fala pelo poder do Espírito Santo por meio de Seus servos inspirados, e em que Ele testifica às almas daqueles que receberem Sua palavra a verdade do que é proferido. Por meus próprios sentimentos nesta manhã, creio que o sentimento geral em todo este vasto auditório reunido neste tabernáculo foi que tínhamos a palavra viva de Deus, e que ela entrou em nossas almas, e sentimos o desejo de fazer aquilo que o Senhor requer de nós; que estávamos dispostos a receber as instruções transmitidas pelo homem que hoje detém as chaves, tanto quanto Joseph, o profeta, as deteve em seu tempo, e assim como as detiveram Pedro em seu tempo, ou qualquer um dos profetas de Deus que viveram desde o princípio. Sou grato por isso e pelo testemunho de Jesus que está em meu coração, que sei que meu Redentor vive, e que, por meio dEle e através dEle, se eu observar Suas leis e guardar Seus mandamentos e for guiado por Seu Espírito, terei o privilégio de regozijar-me com Ele em glória imortal na presença do Pai. ¶
Hoje é celebrado, em toda a Cristandade, como o aniversário do dia em que Jesus, que havia sido morto na cruz, ressuscitou dos mortos e apareceu a Seus discípulos, conforme foi relatado pelo Presidente Lund nesta manhã. Espero que todos tenham ouvido seu breve discurso. Se não ouviram cada palavra dele, espero que o leiam quando for impresso e publicado. Tenho prazer em prestar testemunho da verdade daquilo que ele proferiu, e do que foi dito pelos apóstolos que o próprio Jesus, em pessoa, enviou a todo o mundo depois de Se manifestar a eles. Não sei se este é, na verdade, o aniversário exato daquele dia, aquela manhã de domingo, "o primeiro dia da semana", em que Cristo ressuscitou dos mortos e apareceu pessoalmente a Maria no jardim, e depois a outros de Seus seguidores, para demonstrar-lhes o fato de que Ele estava vivo, ainda que houvesse morrido. Não é tanto a hora, o dia, mas o fato, que é importante. ¶
Será um fato que Jesus de Nazaré, ¶
que foi tomado por mãos ímpias e pregado na cruz, e crucificado, e morto e sepultado, ressuscitou de fato dos mortos? Para nós, Santos dos Últimos Dias, o assunto parece tão claro e evidente que nos surpreende que alguém o conteste, particularmente entre quaisquer das chamadas seitas cristãs. É para nós um espanto que homens que se dizem pregadores cristãos tentem fazer seus seguidores crer que a ressurreição de Jesus Cristo não foi um fato literal, mas que Seu Espírito apenas se ergueu do corpo, e que o corpo se tornou pó como os corpos de todas as pessoas, como geralmente se supõe. No entanto, lemos em alguns de seus credos que Jesus "padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morreu, foi sepultado e, ao terceiro dia, ressuscitou dos mortos." Mas, se as noções que agora são ensinadas ao povo a respeito dEle forem verdadeiras, então Ele ressuscitou no dia em que foi crucificado, não no terceiro dia; que Seu espírito deixou Seu corpo depois que este esteve pendurado por algumas horas na cruz, pois ali Ele disse: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito." Assim lemos no Novo Testamento: "E inclinando a cabeça, entregou o espírito." De modo que o Espírito de Jesus, o Cristo, ascendeu do corpo enquanto Seu corpo estava pendurado na cruz, e tiraram o corpo já sem vida e o sepultaram no túmulo preparado por José de Arimateia. Foi no terceiro dia depois disso que Ele ressuscitou dos mortos, segundo o relato que temos no Novo Testamento e que é geralmente aceito, em palavras, pelas diversas seitas da Cristandade. ¶
Ora, será um fato, há evidência e prova de que o homem Jesus, que foi crucificado na cruz, de fato ressuscitou dos mortos e que em Seu ¶
corpo Ele apareceu a Seus discípulos? Cremos nisso de todo o coração. Temos tido testemunho e evidência adicionais àqueles que lemos no Novo Testamento, mas eu vos lerei alguns versículos do testemunho de Paulo sobre o assunto, os quais considero importantes como evidência do fato real da ressurreição de Jesus Cristo. Encontram-se naquele notável discurso contido no décimo quinto capítulo da Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios. Isto é, a que se chama Primeira Epístola, pois encontro, no quinto capítulo dessa epístola, que ele fala de uma epístola anterior que escrevera, sobre certo assunto muito importante, de modo que aquela chamada "Primeira Epístola aos Coríntios" é apenas a primeira que temos. Começarei pelo primeiro versículo. Recomendo a leitura de todo este capítulo a todos os interessados neste assunto tão importante. Muitos de seus versículos são costumeiramente lidos em funerais, particularmente pela Igreja Episcopal, e por algumas outras igrejas. Há tantas belas expressões neste capítulo que deveriam ser familiares a todas as pessoas que professam ser cristãs. Paulo começa este capítulo desta maneira: ¶
"Também vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos anunciei, o qual também recebestes, e no qual também permaneceis; ¶
"Pelo qual também sois salvos, se o retiverdes tal como vo-lo anunciei; se não é que crestes em vão. ¶
"Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as escrituras; e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as escrituras; e que foi visto por Cefas" [que é outro nome para Pedro], "e depois, pelos doze: ¶
"Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também. ¶
"Depois foi visto por Tiago; depois, por todos os apóstolos. ¶
"E por último de todos, foi visto também por mim, como por um abortivo. ¶
"Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a igreja de Deus." ¶
Temos, então, o testemunho escrito dos homens chamados evangelistas, os quatro evangelistas, Mateus, Marcos, Lucas e João. Lucas foi um excelente escritor. Supõe-se que ele escreveu os Atos dos Apóstolos. Creio que isso é geralmente aceito. Mas temos, em cada um desses escritos chamados o Evangelho de Mateus, e o Evangelho de Marcos, e de Lucas e de João, evidência distinta dada por pessoas que viram o Salvador depois de Sua ressurreição, e particularmente aquela dada por Lucas, que vos recomendo ler. Lede o último capítulo do "Evangelho segundo São Lucas", pois nele nos é dito, muito claramente, que Jesus apareceu a Seus apóstolos quando estavam reunidos numa sala superior por medo dos judeus, e "eles, espantados e atemorizados, pensavam que viam algum espírito." Mas Jesus disse-lhes: "Por que estais perturbados, e por que sobem tais pensamentos ao vosso coração? Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho." E, não crendo eles ainda por causa da alegria, e maravilhados, Ele lhes disse: "Tendes aqui alguma coisa que comer?" e eles Lhe apresentaram parte de um peixe assado, e um favo de mel. E Ele os tomou, e comeu diante deles. Por que Ele fez isso, supondes vós? Não foi para provar-lhes o fato de que Ele ali estava em Seu corpo, o mesmo corpo, ainda que mudado em muitos particulares, que estivera pendurado na cruz, pois ali estavam as marcas dos cravos que haviam sido pregados em Suas mãos, e a marca da lança romana em Seu lado, que Ele depois mostrou a Tomé e a outros. Qual era o propósito que Ele tinha em vista? Ora, mostrar-lhes que Ele não era um mero espírito separado do corpo, mas que Ele ali estava no corpo, e que fora ressuscitado dos mortos. Não somente esses quatro homens de quem falo deram esse testemunho, mas temos os escritos de Pedro, e de Tiago, e aqui de Paulo. E Paulo escreveu a respeito de algo que era bem compreendido, evidentemente, entre os discípulos, os membros da Igreja naquele tempo: que quinhentos dos irmãos, de uma vez, O viram, e souberam que Ele vivia e que Ele estava no corpo, que Ele era um ser tangível, de carne e ossos — não meramente "carne e osso", como tantos de nossos irmãos o citam — mas carne e ossos, a mesma aparência de carne e de ossos que Ele tinha enquanto estava na mortalidade. Paulo explica, neste mesmo capítulo, que, quando o corpo é colocado na sepultura, é colocado ali de modo semelhante a quando semeamos grãos; Ele diz: "pode ser trigo ou algum outro grão; mas aquilo que semeias não é vivificado, a não ser que morra." Ele mostrou que o corpo de Jesus foi colocado na sepultura e que Ele saiu dela novamente. Quanto ao corpo já sem vida, ele diz: "Semeia-se em corrupção; ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor. Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual." Além disso, ele declara o ¶
fato de que "agora Cristo ressuscitou dos mortos, e foi feito as primícias dos que dormem. Porque, assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem." O grande cântico daquele tempo era, como ouvimos nesta manhã: "Cristo ressuscitou!" Aleluia! Louvor a Deus pela ressurreição de Jesus Cristo, pois foi o Pai que ressuscitou Cristo dentre os mortos! E, escrevendo aos romanos, Paulo declara: "E se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará o vosso corpo mortal, pelo seu Espírito que em vós habita." (Romanos 8:11). Paulo também, escrevendo aos filipenses, declara que "esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo", para vir dos céus, "o qual transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso." (Filipenses 3:21). Ora, quanto à ressurreição de Jesus Cristo, o fato parece tão bem autenticado quanto o fato de Sua morte e de Seu sepultamento. Não apenas temos esses testemunhos no Novo Testamento, mas temos o testemunho no Livro de Mórmon, que o Profeta Joseph traduziu pelo dom e poder de Deus, relatando grande parte da história dos tratos de Deus com o povo antigo deste continente; e ali lemos do aparecimento de Jesus, o Cristo, aos nefitas, e Ele lhes mostrou Suas mãos e Seus pés, e os convidou a testar e comprovar que Ele ali estava no corpo, não meramente um espírito extraído do corpo, um espírito desencarnado, mas o homem Jesus, o Senhor Cristo ressuscitado dos mortos, aparecendo em Seu corpo ressuscitado. ¶
Além disso, temos, em nossos próprios dias, o testemunho do Profeta Joseph, ¶
quando menino, naquela primeira e gloriosa manifestação de Deus ao homem no século dezenove. Joseph orou a Deus a respeito das várias religiões existentes no mundo; orou para que pudesse ter conhecimento e luz sobre qual era a religião verdadeira; e temos aquele relato belo, simples, impressionante e comovente que todos vós, sem dúvida, já lestes, de quando o Pai e o Filho ambos lhe apareceram, e o Pai, apontando para o Filho, disse: "Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!" Foi Jesus, o Cristo ressuscitado dos mortos, que apareceu ao profeta, e que lhe falou e o ensinou a respeito da falácia dos ensinamentos dos homens e de seu afastamento da fé, e prometeu que a verdade seria restaurada em sua plenitude. Não preciso deter-me mais nesse caso em particular. ¶
Mas, além disso, lemos, na 76ª seção da Doutrina e Convênios, que, em certo dia ali mencionado, Joseph Smith e Sidney Rigdon, ocupados na obra de revisão ou tradução das escrituras, chegaram a uma passagem nos escritos de João, e ela lhes foi dada de maneira um pouco diferente da que consta no Novo Testamento. Jesus, que Se declarou, quando entre Seus discípulos, quando na mortalidade, como "a ressurreição e a vida", dizendo que tinha vida em Si mesmo, assim como o Pai tinha vida em Si mesmo, e que tinha poder para dar Sua vida e retomá-la novamente, acrescentou: ¶
"Não vos maravilheis disso; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz; e os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação." (João 5:28-29). ¶
Foi dado ao Profeta Joseph e a Sidney Rigdon desta maneira: "os que fizeram o bem, na ressurreição dos justos; e os que fizeram o mal, na ressurreição dos injustos" — bastante semelhante em significado, só um pouco diferente na redação. Mas eles se maravilharam com isso, e oraram, e declaram que os olhos de seu entendimento foram abertos, e viram o Senhor sentado em Seu trono, e Jesus, o Cristo, à Sua direita; viram-nO na visão celestial e conversaram com Ele, e disseram: ¶
"Agora, depois dos muitos testemunhos que se prestaram dele, este é o testemunho, último de todos, que damos dele: que ele vive! Porque o vimos, sim, à direita de Deus; e ouvimos a voz testificando que ele é o Unigênito do Pai; que por ele e por meio dele e dele os mundos são e foram criados; e seus habitantes são filhos e filhas gerados para Deus." Há uma grande verdade nisso, sobre a qual poderíeis pensar quando tiverdes um pouco de tempo livre, e ver como um campo tão amplo e extenso se abre à vista, e como isso vos leva aos tratos de Deus e Seu relacionamento com os seres que habitam os vários mundos que Ele criou; e nisso temos uma revelação definida de que os mundos são habitados, o que tem sido, há muitos anos, um assunto de grande disputa, e ainda o é. ¶
Estas são algumas das evidências e testemunhos a respeito do Salvador — que Ele ressuscitou dos mortos, que foi ressuscitado, e que a ressurreição foi o levantar do corpo que fora crucificado na cruz, vivificado pelo poder de Deus, pelo espírito vital que vivifica todas as coisas que são vivificadas. O Apóstolo Paulo prossegue argumentando que, se Cristo não ressuscitou, então nós não ressuscitaremos dos mortos; mas que, se Ele ressuscitou dos mortos, então nós também ressuscitaremos; e prossegue mostrando quão universal será essa ressurreição — alguns saindo na ressurreição dos justos, e alguns na ressurreição dos injustos, e que haverá diferentes graus de glória entre os que ressuscitam. Se quiserdes aprender um pouco mais sobre isso, com maior clareza, lede a 88ª seção da Doutrina e Convênios, e ali encontrareis algo que se poderia chamar tanto filosófico quanto teológico. Aqueles que obedecem às leis celestiais aperfeiçoarão, purificarão e santificarão de tal modo seus corpos que esses corpos estarão aptos a sair na "primeira ressurreição" para a glória celestial, e então serão "corpos celestiais"; enquanto aqueles que não quiserem receber as leis de Deus que são celestiais, isto é, receber cada palavra que procede da boca de Deus, mas obedecerem a uma lei terrestre, serão vivificados por uma porção da glória terrestre e a receberão em sua plenitude; e, como também aprendemos n'A Visão, eles não serão corpos celestiais, mas "corpos terrestres", uma classe diferente, mas ressuscitados dos mortos e vivificados pelo poder daquele espírito vital que vivifica todas as coisas. E aqueles que não recebem as leis terrestres, mas somente as telestiais, sairão na ressurreição, ressuscitados com um corpo telestial e vivificados pela glória telestial. Na revelação a que me referi, na 88ª seção, aprendemos que eles progredirão, como todas as coisas hão de progredir, pois o progresso é a lei do universo, e todos os seres, todas as inteligências, terão a oportunidade de progredir em certas linhas. Aqueles que são de corpo celestial sairão e terão um corpo semelhante ao corpo glorioso do Filho de Deus, e habitarão em Sua presença, e estarão com Ele em glória na presença do Pai; enquanto aqueles que apenas obedecem às leis terrestres ou telestiais, depois de redimidos, sairão do modo que é descrito — "mas onde Deus e Cristo habitam" — assim se diz do telestial — "eles jamais poderão vir, mundos sem fim." Isso pode responder a algumas indagações feitas em algumas de nossas classes teológicas. Ora, tudo isso depende da ressurreição de Jesus, o Cristo. Digo Jesus, o Cristo, porque foi o que Ele foi. Alguns poucos de nossos irmãos têm a noção de que o Cristo não é uma pessoa, mas um poder; mas Jesus é chamado o Cristo repetidas vezes, tanto na revelação antiga quanto na moderna; Ele também era o Logos, a Palavra de Deus. Não meramente uma palavra falada, mas Ele é chamado a Palavra porque a palavra de Deus veio por meio dEle e foi personificada nEle. Na 93ª seção da Doutrina e Convênios lereis Suas próprias palavras a respeito disso, que Ele era a Palavra, assim como João declarou; que Ele proveio de Deus, que Ele estava no princípio com Deus e era o primogênito. ¶
Eis aqui outro ponto na história daquele grande e extraordinário Ser. Digo extraordinário, pois Ele é diferente, em muitos aspectos, de todos os filhos dos homens: em primeiro lugar, Ele é chamado o primogênito no mundo espiritual; Ele é chamado o primogênito aqui na Epístola aos Hebreus e em Colossenses, e no capítulo inicial do discurso ou "Evangelho" de João, Ele é chamado o ¶
unigênito Filho de Deus, "porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." Ora, aqui temos duas declarações a respeito dEle: que Ele era o primogênito; Ele nos faz essa declaração na revelação a respeito de Si mesmo: "Eu estava no princípio com o Pai e sou o Primogênito." Algumas pessoas têm a noção de que o primogênito era aquele ser que depois foi chamado Satanás, Lúcifer, que se rebelou. Isso é um engano; o próprio Cristo esclarece isso, declarando distintamente: "Eu estava no princípio com o Pai e sou o Primogênito. O homem também estava no princípio com Deus. Aquilo que é Espírito" — aquela porção do homem que é espírito — "estava no princípio com Deus"; mas Jesus, como Ele era chamado na terra, era o primogênito, e habitava na presença do Pai. O que Ele era — o Pai? Não; Ele não poderia ser Seu próprio pai nem Seu próprio filho, e Jesus era o Filho do Pai, o Filho do Altíssimo, e Ele era o primogênito, e nós nascemos depois em espírito; de modo que Cristo foi o primogênito em espírito. Como Ele foi gerado — como espírito individual, consciente, pensante, inteligente, dotado de arbítrio? Ora, Ele foi gerado pelo Pai, e, portanto, os atributos do Pai vieram a Ele por geração, e assim também a nós, em certa medida, a cada um de nós; mas na terra Ele foi "o unigênito Filho de Deus", nascido da Virgem Maria. Permiti-me ler um versículo da descrição que nos dá Lucas sobre este assunto. Vale bem a pena ler tudo o que foi dito a respeito de Jesus, o Cristo, pois Ele foi o maior de todos os seres que já habitaram na face da terra. No ¶
primeiro capítulo do Evangelho segundo São Lucas, somos informados de uma profecia feita por meio do pai de João Batista a respeito dEle, e também ali lemos que Ele seria chamado "o Filho do Altíssimo", e que João seria um profeta para ir adiante dEle e preparar o caminho. Ora, aqui, neste capítulo, temos um relato do aparecimento de um anjo a Maria, que era um dos espíritos ministrantes e senhoras no templo. O anjo apareceu a ela e a saudou desta maneira: ¶
"E disse-lhe o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus. ¶
"E eis que em teu ventre conceberás, e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus." [O significado da palavra Jesus é Salvador.] ¶
"Este será grande, e será chamado Filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; ¶
"E reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim. ¶
"E respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus." ¶
Precisais de uma explicação mais clara deste assunto? Isto é considerado um dos grandes mistérios no mundo religioso. Se o compreendêsseis exatamente como é, não seria um mistério tão grande. Crede no que ali está escrito por Lucas, pois isso é a verdade. Jesus de Nazaré era o Filho de Maria, e Ele era o Filho de Deus, concebido pelo poder do Espírito Santo, como todas as coisas o são, mas não gerado. Alguns de nossos bons amigos que desejam contender conosco dizem que os "mórmons" não creem na verdadeira doutrina, pois não creem que Jesus foi gerado pelo Espírito Santo. Ora, a escritura não diz que Ele o foi; em lugar nenhum diz que Ele foi "gerado pelo Espírito Santo." O Espírito Santo repousou sobre Maria, mas o poder do Altíssimo a cobriu com a sua sombra, e aquilo que dela nasceu foi o Filho de Deus. Ele foi o unigênito Filho de Deus — não do Espírito Santo — assim como o Filho de Maria. Ele foi o primogênito em espírito, e, como Filho de Deus, o unigênito na carne. Portanto, como disse, Ele é um Ser excepcional. ¶
Se quiserdes ler mais a respeito dEle nesse sentido, tomai o primeiro e o segundo capítulos da Epístola aos Hebreus, e o primeiro capítulo de Colossenses, que não tenho tempo de ler aqui esta tarde, pois não quero tomar tempo demais; mas é muito interessante ler ali como Ele foi o maior, como Ele foi o primeiro, e como, para "trazer muitos filhos à glória", Ele foi feito, em todos os pontos, semelhante a eles, somente que Ele era sem pecado. Ele tinha um corpo formado como o deles; nasceu da virgem; era um corpo material. Ele sofreu todas as dores e angústias dos homens, das mulheres e das crianças; sofreu para que pudesse levar seus pecados, e para que, por fim, pudesse morrer, entregando Sua vida voluntariamente — porque tinha vida em Si mesmo — e foi ressuscitado pela glória do Pai, de modo que teve Seu corpo restaurado a Si, e nisso Se tornou, em todos os aspectos, exatamente igual ao Pai. ¶
Tomai a 130ª seção da Doutrina e Convênios, e ali lereis que Deus, o Pai, é um ser de tabernáculo, que Ele é espírito, mas tem um corpo de carne e ossos tão tangível como o do homem; e o Filho também; mas o Espírito ¶
Santo é um personagem de espírito, não de tabernáculo. Quero tocar só um pouco nesse ponto e esclarecer algumas ideias que nossos irmãos têm a respeito disso, que às vezes os levam a controvérsias; parece que não compreendem que o Espírito Santo, o personagem ali mencionado, é "um personagem de Espírito", e, contudo, que o Espírito Santo — pois as palavras são usadas de modo intercambiável, senão sinônimo — pode ser "derramado", e pode ser dado a várias pessoas ao mesmo tempo, em lugares diferentes, e pode permear todas as coisas. Ora, quando Jesus conversava com Seus discípulos, antes de Sua morte e ressurreição — como ledes nos capítulos 14 e 16 do Evangelho segundo São João; (não vou abri-lo aqui; abri-o vós mesmos e lede-o). É bom ler a Bíblia às vezes, irmãos, mesmo que seja "um livro antigo"; se é antigo, não está, nesse sentido, ultrapassado. É verdadeiro hoje como era quando foi escrito. Podemos compreendê-lo se tivermos em nós o mesmo espírito pelo qual foi escrito. Ali Jesus lhes diz: "Vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós; mas, se eu for, vo-lo enviarei", do Pai. "Quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará a toda a verdade", e assim por diante. Eis aqui um indivíduo, um personagem, evidentemente, de quem Ele estava falando, "um personagem de Espírito", conforme dito na revelação que citei; mas o Espírito do Senhor, às vezes chamado Espírito Santo — pois as palavras são usadas, como disse, de modo intercambiável — é uma essência que permeia todas as coisas. ¶
Tomai a seção que já vos citei, a 88ª seção da Doutrina e Convênios, e ¶
ali lereis que há um espírito chamado "a Luz de Cristo." Isso não é o próprio Cristo em pessoa, mas é a luz de Cristo; "como também ele está no sol e é a luz do sol e o poder pelo qual foi feito; como também ele está na lua e é a luz da lua e o poder pelo qual foi feita; como também a luz das estrelas e o poder pelo qual foram feitas; e também a Terra, sobre a qual estais; e a luz que agora ilumina vossos olhos é por meio daquele que ilumina vosso entendimento, e é o mesmo espírito que ilumina a mente e a alma e o espírito do homem; a luz que está em todas as coisas, que está através de todas as coisas, que está ao redor de todas as coisas, e que é a lei pela qual todas as coisas são governadas." Em outras revelações de Deus a nós, particularmente na 29ª seção da Doutrina e Convênios, ali lereis que Deus diz: "pelo poder de meu Espírito criei todas as coisas, primeiro as espirituais, e depois as físicas." Todas as coisas que têm vida no mundo, no grande universo de Deus, por todo o espaço ilimitado, todas as coisas que têm vida são vivificadas por esse espírito, e isso está sob a direção do Pai e do Filho e do personagem chamado o Espírito Santo, e procede da presença de Deus por toda a imensidão do espaço. Assim nos é dito pelo próprio Senhor. Há três que testificam no céu, declara João, na primeira epístola que escreveu depois de escrever seu "evangelho", como é chamado: "três são os que testificam no céu: o Pai, o Verbo, e o Espírito Santo; e estes três são um; e três são os que testificam na terra: o Espírito, e a água, e o sangue; e estes três concordam em um" (1 João); e assim como esses três são diferentes, separados e distintos, também o são os outros três — o Pai, o Filho e o Espírito Santo — três indivíduos, não uma só pessoa, não uma só substância, mas indivíduos diferentes. Os três são os grandes, incomparáveis, poderosos e mui potentes governantes e regentes do universo, e todas as coisas estão sob sua direção, e os três são um, assim como Cristo orou para que Seus discípulos todos fossem um. ¶
Não precisa haver confusão em nossas mentes a respeito destas coisas importantes. É importante que saibamos algo a respeito do Ser a quem adoramos — o Pai, pois é o Pai a quem adoramos. Não oramos ao Filho nem ao Espírito Santo; oramos ao Pai, em nome de Jesus Cristo, o Filho, sob a influência e a orientação do Espírito Santo. Quando fazemos isso, estamos de acordo com o Senhor, e estamos fazendo o que nos é ordenado fazer. Se quisermos vir ao Pai, temos de vir a Ele por meio do Filho. "Ninguém vem ao Pai, senão por mim", disse Jesus. Ele é o Mediador. Foi assim designado; Ele é o maior; Ele é o mais poderoso de todos os filhos de Deus. Ele foi o primogênito. Não sabemos há quantas eras, milhões de eras atrás, Ele foi o primogênito, mas que Ele teve uma experiência poderosa e longa é evidente pelo que Ele declarou, que "o Pai ama o Filho, e mostra-lhe todas as coisas que faz." É por isso que Ele estava "no princípio", na criação. O Pai lhe disse para descer e fazer certas coisas. Ele sabia como fazê-las porque tinha visto o Pai fazê-las. Ele é o grande Cristo eterno, a Palavra do Deus vivo, o Filho do Pai, o primogênito de todos os filhos de Deus que depois tabernaculizaram aqui na terra. Ele não era Adão; Adão não era Ele; Ele deu mandamentos a Adão no Jardim. Adão adorava o Pai, e nós adoramos o Pai; não adoramos Adão. Adão é a cabeça da raça, no que diz respeito ao corpo temporal. Ele foi colocado à cabeça, como lereis na Doutrina e Convênios, na seção 107. Quando Adão se reuniu com sua posteridade, antes de sua partida, no vale de Adão-ondi-Amã, e ali lhes conferiu sua última bênção: "o Senhor apareceu a eles; e ergueram-se e abençoaram Adão e chamaram-no Miguel, o príncipe, o arcanjo." Foi isso que Adão era antes de vir à terra em seu corpo temporal e mortal: ¶
"E o Senhor confortou Adão e disse-lhe: Coloquei-te à cabeça; uma multidão de nações procederá de ti e deles serás por príncipe eternamente." ¶
Mas não devemos adorar Adão; adoramos o mesmo ser a quem Adão adorava. Adão adorava o Pai em nome do Filho, como vereis se tomardes a Pérola de Grande Valor e lerdes os escritos de Moisés a respeito dele e de Enoque. Ora, meus irmãos e irmãs, nós adoramos Jesus de Nazaré; nós O adoramos como o Messias; nós O adoramos como o Cristo; nós O adoramos como o unigênito Filho de Deus na carne, literal e verdadeiramente. Podemos compreender isso. Nós O adoramos como o primogênito de toda a criação de Deus — pelo menos no que pertence a esta terra. Mas Ele é a revelação do Pai. Às vezes Ele é chamado tanto Pai quanto Filho. Isso não significa que Ele seja, de fato, Seu próprio pai ou Seu próprio filho. Ele representa o Pai; "porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade"; Ele se parece exatamente com o Pai, como o Profeta Joseph viu, na visão. Ele é a imagem expressa do Pai. Deus se manifesta na carne em Jesus de Nazaré, e nós O adoramos e O veneramos, e Ele é nosso Salvador; mas adoramos e oramos e obedecemos ao grande Pai Eterno dos espíritos de todos os homens. Ele é nosso Pai e é nosso Deus, e é também o Pai de Cristo e o Deus de Cristo, igualmente. ¶
Jesus Cristo morreu por nós. A morte entrou no mundo pela transgressão do homem. Temos a revelação de Deus para isso. Não precisamos especular sobre o que havia antes de Adão estar na terra; isso não importa. A morte veio pela queda de Adão, e isso é chamado "a Queda" nas revelações de Deus. A vida veio por meio de Jesus Cristo. "Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também em Cristo todos serão vivificados." Cristo ressuscitou! Aleluia! Glória a Deus nas alturas! O Redentor, o Salvador do mundo, foi ressuscitado dos mortos, e nEle há vida. No princípio, Ele estava com Deus, e tinha vida em Si mesmo, e essa vida é a luz do homem e a luz do mundo, e é a Sua luz que brilha do sol, e da lua, e das estrelas, e está em todas as coisas e, sob a palavra de Deus, sob a direção do Santo, sem sequer tocar em um botão, a luz brilhará, e os que obedecerem às leis dadas para obtê-la poderão receber as bênçãos e ser iluminados pelo poder desse Espírito Santo, dirigido tanto pelo Pai quanto pelo Filho, ou por aquele personagem chamado o Espírito Santo, que veio com poder no Dia de Pentecostes, e veio com poder no dia em que o Templo de Kirtland foi ¶
dedicado. Seu poder e Sua presença ali se manifestaram do mesmo modo que no Dia de Pentecostes. E Ele está nesta Igreja, e está sob a direção de Cristo. O Consolador está aqui; nossos corações são consolados pelo poder de Sua presença no meio de Seu povo. O Pai e o Filho e o Espírito Santo são a Divindade; são um, e estamos sob sua direção, e eles restauraram o evangelho, como ouvimos nesta manhã. Louvado seja a eles por este grandioso dom. Regozijemo-nos por vivermos num dia em que o Evangelho, em sua plenitude e pureza, está restaurado, e somos participantes de suas bênçãos! ¶
Cada um de nós pode receber algum dom especial do Espírito Divino: pois há muitos dons do Espírito, mas é o mesmo Espírito, apenas um Espírito permeando todas as coisas; e o Espírito que dá o dom de profecia, ou o dom de cura, ou o dom de línguas, ou o dom de interpretação, ou o dom de visões, e assim por diante, é um só Espírito, mas essas são manifestações diferentes desse Espírito. As mais altas manifestações estão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo, pois eles têm a própria plenitude dele, e podem impartir. Em suas manifestações mais baixas, ele está aqui nas coisas naturais, na luz, no calor, na eletricidade, nas várias manifestações desse poder divino que permeia todas as coisas e pelo qual Deus criou e governa todas as coisas. Podemos receber bênçãos do alto e bênçãos de baixo. Graças ao Senhor pelas revelações do Evangelho! Graças a Deus pelo dom de Seu Filho Unigênito, que morreu para que pudéssemos viver! E se guardarmos Seus mandamentos e andarmos em Sua luz e fizermos as coisas que ¶
Ele ordena, Ele nos ressuscitará da sepultura, e sairemos com aqueles que são dEle, em Sua vinda. Ele foi as primícias; depois virão aqueles que são de Cristo, em Sua vinda. Ele os conhece, e Ele os chamará; e então, como disse Jó: "Chama-me, e eu te responderei; e afeiçoa-te à obra de tuas mãos." Glória a Deus pelo dom de Seu Filho, Jesus Cristo, que é a ressurreição e a vida! Ele nos aparecerá "no doce porvir", e apareceremos com Ele em glória, se andarmos em Seus caminhos e guardarmos Seus mandamentos e formos imbuídos de Seu espírito santo, justo, orientador e iluminador. Que o Senhor nos ajude a fazê-lo assim, por amor de Cristo. Amém. ¶