Pulpit

A apreciação das verdades do evangelho aumentada pelo estudo

David O. McKay

Conferência Geral de Outubro de 1913·Sessão da Manhã do Terceiro Dia·1913-10-06

Esta conferência tem sido, na verdade, uma inspiração para Israel. Oro para que o mesmo espírito que guiou os irmãos que se dirigiram às diferentes congregações dirija também meus pensamentos e minhas palavras durante os próximos minutos. Meu coração se tem enchido de gratidão ao ouvir as admoestações da Presidência da Igreja, do conselho dos doze, e de outros que se dirigiram a nós.

Parece-me que instruções e admoestações mais específicas foram dadas aos Santos nesta conferência do que jamais em qualquer conferência particular. Meu coração está em plena harmonia com a sugestão do Presidente Smith, de que os Santos dos Últimos Dias pensem mais no evangelho e nas coisas espirituais, que dediquem mais atenção a esses assuntos, mais tempo às coisas reais da vida, e menos tempo às coisas que perecerão. Está também em plena concordância com a admoestação de resistir às várias tentações em nosso meio. Essas duas sugestões, somente, se os Santos dos Últimos Dias as adotassem em suas vidas, seriam suficientes para fazer deste povo uma luz sobre um monte, uma luz que não poderia ser escondida. Referimo-nos a esses ensinamentos, por vezes, como pequenas coisas, mas na verdade são as maiores nesta vida. Se déssemos mais atenção a tal conselho e dedicássemos mais estudo às revelações modernas contidas na Doutrina e Convênios, cresceríamos na apreciação da magnitude da grande obra que foi estabelecida nesta dispensação. Diz-se com frequência que a Igreja é a maior coisa do mundo — e é —, mas quanto mais lhe dedicamos atenção, e percebemos como está bem adaptada à nossa vida individual, à nossa vida doméstica, à nossa vida social; quando a estudamos do ponto de vista do nosso ambiente, do ponto de vista das descobertas científicas, nossos corações se enchem de alegria pela bondade de Deus para conosco, ao nos dar o privilégio de conhecer o evangelho de Jesus Cristo.

Quase toda passagem da Doutrina e Convênios está repleta de admoestações, cheia de inspiração e de maravilhosas revelações aos homens. Por vezes, essas revelações são expressas em poucas palavras, mas, por um estudo cuidadoso, vê-se quão intimamente relacionadas estão com toda a verdade. Tomai, por exemplo, a maravilhosa revelação, simplesmente expressa, a respeito do governo pelo sacerdócio: "Nenhum poder ou influência pode ou deve ser mantido em virtude do sacerdócio, a não ser com persuasão, com longanimidade, com brandura e mansidão e com amor não fingido." Pensai apenas nesse uso da palavra "não fingido". O amor fingido não tem influência alguma. O amor não fingido sempre tem o poder de alcançar o coração. Para continuar: "Repreendendo prontamente com firmeza... e depois, mostrando então um amor maior por aquele que repreendeste, para que ele não te julgue seu inimigo." Que admoestação e lição maravilhosas a respeito do governo, não só nos quóruns do sacerdócio nos ofícios da Igreja, mas em nossa vida doméstica e em todas as fases de convívio na sociedade. Considerai, novamente, a sugestão a respeito do valor das almas: "Lembrai-vos de que o valor das almas é grande." Também a revelação a respeito das verdadeiras riquezas: "Buscai as riquezas que hei de dar-vos, a sabedoria", e assim por diante, "e as riquezas do mundo vos serão também acrescentadas." Tais coisas são as coisas reais no mundo. E assim poderíamos continuar, revelação após revelação, tal como dadas na Doutrina e Convênios, que, se estudadas e observadas pelos Santos dos Últimos Dias, estabelecerão a fé em seus corações e os farão regozijar-se nesta grande e maravilhosa organização estabelecida entre os homens para a sua salvação.

Não a menor delas, de modo algum, é a revelação sobre a Palavra de Sabedoria. Ora, há apenas um ou dois pequenos parágrafos nela que se referem ao uso de bebida forte: "Se algum homem entre vós usar bebida forte, eis que isso não é bom." Simples afirmação; é incondicional, mas ali está. "Vinho e bebida forte não são bons." Essa revelação foi dada há mais de oitenta anos — a palavra de Deus, não apenas para o povo que é membro de Sua Igreja, mas para os habitantes do mundo onde quer que aquele livro tenha sido publicado; onde quer que tenha sido distribuído pelos élderes da Igreja, a palavra de Deus tem soado ao mundo.

O povo tem sido, assim, informado por revelação de que não é bom entregar-se a essas bebidas inebriantes; mas tem vacilado, e alguns Santos dos Últimos Dias têm vacilado. Têm sido muito semelhantes ao antigo Israel com os deuses de Baal. Recordai-vos de quando Elias veio entre eles denunciando sua adoração aos ídolos. Ele havia se escondido durante vários meses, e, durante os três anos e meio, a fome se mantivera afastada do rei. A fome tornou-se tão grave que o povo se reuniu perto do Monte Carmelo, um pico saliente próximo ao Mar Mediterrâneo. Elias, decidido a revelar-se, disse a um de seus amigos que informasse ao rei que ele, Elias, ali estava. O homem hesitou em ir. Elias disse: "Hoje me mostrarei a ele", e assim o fez: e quando o rei o viu, disse-lhe: "És tu o perturbador de Israel?" e o profeta respondeu: "Eu não tenho perturbado Israel, mas tu e a casa de teu pai, porque deixastes os mandamentos do Senhor, e seguistes os baalins." Então Elias sugeriu: "Agora, pois, manda ajuntar a mim todo o Israel no monte Carmelo, como também os profetas de Baal, quatrocentos e cinquenta, e determinemos hoje aqui se o deus de Baal é o verdadeiro deus, ou se o Deus de Israel é o verdadeiro Deus." O povo se reuniu naquele lugar pitoresco, e Elias dirigiu-se a eles: "Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; e se Baal, segui-o. Porém o povo não lhe respondeu nada." É sugestivo. Ali o povo hesitava: muitos deles sabiam, de certo modo, que o Deus de Israel era onipotente, que era Ele quem podia salvá-los, e, no entanto, os outros deuses ofereciam prazer, ofereciam indulgência; e o povo hesitava; alguns tentavam servir e obedecer a ambos. "Até quando coxeareis entre dois pensamentos?" disse o profeta; "Se o Senhor é Deus, segui-o; se Baal é deus, segui-o"; mas não tenteis misturar, servindo a um hoje e voltando amanhã à obediência aos ensinamentos do outro. Ora, sabeis a prova que se decidiu fazer; sabeis o resultado, e a morte que veio sobre os sacerdotes de Baal.

Ao ouvir a palavra de Deus, tal como dada nesta conferência por nosso Presidente, que admoestou Israel a abster-se da indulgência no tabaco e a abster-se da indulgência em bebida forte, pensei que essa instrução nos tem sido dada agora por oitenta anos, e ainda hesitamos em obedecer. Até quando, Israel, coxeareis entre dois pensamentos? O Senhor disse que a bebida forte não é boa. Isso foi declarado há oitenta anos. Apenas algumas semanas atrás, neste país, numa reunião de cervejeiros, um homem se levantou e disse: "Não queremos que o povo beba mais cerveja, mas queremos que mais pessoas bebam cerveja." Qual ensinamento haveis de atender? Qual aceitará a nação? A qual voz o povo dará ouvidos? Um declarou, com a voz da Onipotência, que a cerveja, as bebidas alcoólicas, não são boas; o outro declarou que é boa, e deseja desenvolver o apetite do povo para que mais pessoas bebam.

"Até quando coxeareis entre dois pensamentos?" Que significa obedecer à palavra de Deus? Abster-se da indulgência em narcóticos e bebidas alcoólicas? Significa virilidade mais forte; significa intelectos mais brilhantes; significa organismo físico mais forte e mais perfeito; significa maridos melhores e mais verdadeiros, pais mais dedicados e afetuosos; significa paternidade que transmitirá aos filhos hábitos limpos, e poder na vontade de resistir às tentações do apetite e às tentações maiores da paixão que possam vir sobre eles; significa lares felizes, esposas contentes, filhos bem vestidos e mais bem-educados; significa uma cidadania segura e sadia, que contribui para a construção de uma nação segura e sadia; significa salvação para o indivíduo no reino de Deus. Coisa pequena? Por outro lado, que significa a indulgência? Virilidade enfraquecida, vontade enfraquecida, organismo físico que transmitirá fraqueza a gerações ainda não nascidas; significa o encurtamento da vida por um suicídio lento; significa a desordem das faculdades mentais; significa a dissolução dos lares, significa esposas de coração partido, filhos destituídos, uma sociedade enfraquecida e uma República minada — é isso que significa. Investigações recentes de cientistas confirmam essas afirmações.

A Sociedade Americana para o estudo das bebidas alcoólicas e dos narcóticos fez, recentemente, um relatório também nesse sentido. Encontrá-lo-eis no Documento do Senado nº 48, publicado em 17 de maio de 1909. Suas conclusões são estas: que o álcool não é seguro como bebida comum em nenhuma de suas formas comerciais atuais, nem para prescrições comuns; que é um ladrão de toda a vitalidade dos tecidos; que suas promessas de força são mentiras zombeteiras; sua aparência de poder é apenas perturbação dos centros nervosos, que termina em enfraquecimento e destruição finais. Que o problema do uísque é hoje, neste país, um problema maior do que a grande peste branca. A intemperança nos Estados Unidos custa hoje a este país mais de um bilhão, oitocentos e oitenta e três milhões de dólares; que hoje, nesta República, há mais de três milhões de bebedores que foram ensinados a crer que o álcool é um estimulante suave e um tônico agradável, e o pior de tudo é que quase todos dirão que podem deixá-lo; cada um diz: "Eu posso abandoná-lo." O demônio sempre lhes mente, prometendo-lhes algo que não pode dar.

Creio, Santos dos Últimos Dias, que é tempo de este povo se levantar com seriedade, na força da verdadeira virilidade, e declarar-se contra esses males. Pensemos neles agora; saiamos desta conferência decididos, no que a nós diz respeito, a viver de acordo com as admoestações que nos foram dadas. Isso significa que, em nossa vida individual, nos absteremos do uso dessas coisas — uísque, tabaco, chá e café. Como sabeis, os Santos dos Últimos Dias não estão sozinhos em declarar-se contra o uso dessas bebidas. Homens têm provado, por meio de pesquisas científicas, que a palavra de Deus, dada ao profeta Joseph Smith há oitenta anos, é a palavra de vida e salvação para o homem. Então, como indivíduos, abstenhamo-nos. Entristeceu-me, ontem, ao entrar num restaurante, ver alguns de nosso povo entregando-se a algumas dessas bebidas, depois de terem ouvido os ensinamentos desta conferência. De que serve ouvir e não fazer? Pensai! Sede fortes o suficiente para introduzir esses princípios na vida ativa; e, feito isso, como indivíduos, cuidai que seja eliminado em nossos lares; usai vossa influência com vossos filhos; e lembrai-vos de que o exemplo em casa contribuirá mais para ajudar nossos filhos do que nosso ensinamento. Pais, não podeis, pelo bem de vossos filhos, usar essas coisas. Podeis querer, mas eu vos digo que não tendes o direito de transmitir tal apetite e uma vontade enfraquecida a esses filhos ainda não nascidos que Deus vos possa dar; não tendes o direito de fazê-lo. Os filhos têm direito a um nascimento régio, seja que devam viver numa choupana de barro ou num palácio; não faz diferença — um nascimento régio, força herdada, força física, força moral, e uma tendência à elevação espiritual.

Então, depois de livrar nossos lares das coisas proibidas, limpemos nossas cidades, eliminemos os bares de cada cidade e condado. Felicito os Santos dos Últimos Dias por, em quase toda cidade onde os membros da Igreja estão em maioria, os bares estarem fechados. Confio em que não esteja distante o tempo em que serão eliminados de toda cidade em nosso estado, e de toda cidade e estado em nosso país. Creio de todo o coração nos sentimentos de David Starr Jordan, tal como expressos naquela excelente pequena obra, "The Strength of Being Clean" ("A Força de Ser Limpo"), parte da qual é a seguinte:

"No que diz respeito à bebida dos bêbados, a proibição pode não proibir; mas limpar uma cidade, livrá-la da corrosão, salvar homens e rapazes, e também moças, do vício; e quem dirá que a sanitação moral não é tanto dever da comunidade quanto a sanitação física? A cidade do futuro não permitirá a existência de cortiços, antros e casas de bebida; proibirá sua existência pela mesma razão que hoje proíbe pocilgas e monturos e fossas negras, pois onde estão todas essas coisas — cortiços e fossas, bares e pocilgas — ali o povo enfraquece e morre."

"Por que hesitais, ó Israel, entre dois pensamentos? Se Deus é Deus, segui-O; se Baco, segui-o."

Que Deus nos ajude a todos a conhecer a verdade e a ter força para vivê-la, é minha oração, e a peço em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoDavid O. McKay, “A apreciação das verdades do evangelho aumentada pelo estudo”, Conferência Geral de Outubro de 1913, Sessão da Manhã do Terceiro Dia (1913-10-06). Pulpit Vault, 1913-10-41-david-mkay-remarks-41. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).