Pulpit

O grande privilégio da vida terrena na última dispensação

Charles W. Penrose

Conferência Geral de Outubro de 1913·Sessão da Tarde do Primeiro Dia·1913-10-04

Considero um grande privilégio ter permissão de estar presente nesta grandiosa ocasião, de ver tantos Santos dos Últimos Dias reunidos neste tabernáculo, apesar do tempo desfavorável, que não é animador para as pessoas viajarem ou se reunirem em conferência. Para mim, isso mostra grande interesse por parte do povo, ao se reunir em tal número como o vimos aqui hoje, particularmente esta manhã, para ouvir a voz do Espírito, por meio dos servos de Deus; e sinto-me seguro de que todos os que aqui vieram esta manhã foram bem recompensados. Eu, por mim, o fui; desfrutei do espírito da reunião e das instruções que foram transmitidas, e espero que todos nós que estivemos presentes, como foi invocado na bênção com que fomos dispensados, levemos conosco, aonde quer que formos, a influência que ali se sentiu esta manhã, e nos esforcemos por pôr em prática as instruções transmitidas, e por incentivar outros a fazê-lo, particularmente as pessoas que não puderam estar aqui.

É um privilégio muito grande habitar na terra nesta última dispensação. Creio com todo o meu coração que isso foi arranjado por nosso Pai Celestial. Creio na doutrina da predestinação — não naquela doutrina tal como é ensinada em algumas das assim chamadas seitas "cristãs", mas creio na doutrina ensinada tanto nas antigas escrituras quanto nas novas, de que, antes que os alicerces da terra fossem lançados, planos foram preparados a respeito do povoamento da terra e da realização do propósito divino de enviar os filhos e filhas de Deus a habitar na terra na carne. Creio na doutrina ensinada pelo Apóstolo Paulo, na colina de Marte, "que de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação." De modo que não viemos aqui por acaso, mas por desígnio. Mas o Senhor previu o que ocorreria na terra; Ele compreendia, quando nossos pais, "nossos primeiros pais", como os chamamos, foram colocados no Jardim do Éden, o que fariam. Mas Ele não foi pessoalmente instrumento em sua desobediência, tanto quanto não o é na obediência prestada a Seus mandamentos divinos. Ele deu o mandamento e deixou nossos pais agirem segundo seu próprio arbítrio, para fazerem como desejassem, ou como quisessem. Tudo foi previsto por nosso Pai Celestial, e, sabendo que a morte seria introduzida no mundo entre seus habitantes, por meio da transgressão do primeiro casal, Ele viu que deveria ser provido um meio de redenção; e assim Jesus — esse é Seu nome terreno, Jesus, nosso Irmão Mais Velho, chamado nas escrituras "o princípio da criação de Deus", "o primogênito de toda criatura" — foi escolhido para ser o Redentor, para vir à terra no tempo designado e no lugar designado; e Ele veio e realizou a obra que Lhe foi confiada.

Ele o fez por Sua própria livre vontade e escolha. Às vezes, sentindo a fraqueza da natureza humana herdada de Sua mãe, Ele se inclinava a recuar diante da terrível tarefa que Lhe fora imposta; mas Ele veio com um princípio firmemente estabelecido em Sua alma, que era a necessidade da obediência implícita ao Pai Divino; por isso disse: "Não vim para fazer minha própria vontade, mas a vontade daquele que me enviou." Ele realizou a obra que Lhe foi confiada, como o Pai previu que faria, mas foi deixado a Ele, à Sua própria individualidade, à Sua própria escolha, fazer ou não fazer aquilo que Lhe foi ordenado cumprir.

Ora, menciono isso apenas como um exemplo do que cremos, tal como o Apóstolo Paulo ensinou, que essa seleção esteve na mente da Divindade, esteve na mente do Pai antes que o mundo existisse; e assim, em diferentes períodos da história do mundo, pessoas selecionadas pelo Todo-Poderoso foram enviadas à terra para tabernacular na carne e cumprir missões que lhes era necessário empreender. Creio que isso se aplica aos profetas que foram levantados, e a outros homens poderosos em outras posições na vida — em cargo civil, em assuntos militares, na vida literária e poética. Creio que os poetas e filósofos e sábios, assim como os heróis militares, os estadistas sábios e os grandes líderes dos diferentes séculos, foram enviados à terra no momento certo, para que pudessem realizar as obras que era necessário fazer, a fim de, no fim, cumprir os propósitos divinos de nosso Pai Celestial. Creio que Ele deixou os filhos dos homens cumprirem as missões que lhes foram confiadas, ou seguir suas próprias inclinações, vontades e desejos, para serem obedientes ou desobedientes, como quiserem, e que, no final, o resultado será que o Pai dominará tudo o que for feito ou deixado de fazer, que todas as coisas que ocorrem na história dos filhos de Deus serão dominadas por nosso Pai Eterno para realizar o grande fim, desígnio e propósito que Ele teve em vista ao nos enviar aqui. Isso, em poucas palavras, é a salvação, a imortalidade e a vida eterna do homem — o homem na capacidade de espírito e corpo unidos; o homem capaz de desfrutar de todas as coisas que o universo produz; o homem capaz de obedecer aos mandamentos de Deus, ou de desobedecê-los, de modo que todos possamos aprender a virtude da obediência e também a tolice, bem como a maldade, da desobediência, para aprender a grande lição de que a obediência aos princípios eternos, às leis eternas, traz felicidade, poder, avanço, desenvolvimento, preparação para estágios de existência cada vez mais elevados, e que a desobediência traz o contrário. Esse é o grande fim em vista. Assim, creio que, nestes últimos dias, nosso Pai Celestial, ao instaurar "a dispensação da plenitude dos tempos", enviou à terra tais espíritos quanto seriam capazes de conduzir e prosseguir a grande e poderosa obra, a maior de todas as dispensações neste globo.

Digo, então, que somos privilegiados por estarmos vivendo na terra nestes últimos dias. Sinto isso em minha alma, e sou grato a meu Pai Celestial por ter tido a oportunidade de vir à terra numa época em que a plenitude do evangelho eterno foi restaurada, e a autoridade para pregá-lo e para administrar suas ordenanças e preparar o caminho para a vinda do Rei dos reis foi estabelecida, e por ter tido a oportunidade de vir aqui neste bom tempo. Sou grato a Deus por, em meus dias de juventude, ter podido ver a beleza, ao menos em certa medida, do evangelho assim revelado, por meus olhos terem sido abertos para vê-lo, enquanto todos aqueles a quem eu era ligado estavam cegos de mente a respeito dele. Creio que, na providência de Deus, vim à terra nos últimos dias, e que havia uma obra para eu fazer, e alegro-me por ter procurado fazê-la o melhor que pude, desde que recebi o evangelho, e por hoje ter o privilégio de estar em comunhão com meus irmãos e irmãs na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e ainda poder fazer algo para promover os propósitos de nosso Pai Celestial nesta grande dispensação. Por isso, alegro-me de estar aqui hoje. Alegro-me de conviver com irmãos e irmãs que também receberam a luz, que não rejeitaram a verdade, mas a receberam avidamente, com corações honestos, e a maioria dos quais tem procurado fazer o melhor que pode para edificar o reino de Deus na terra e realizar os propósitos de nosso Pai Celestial, para estarem em união e harmonia com Jesus Cristo, nosso Irmão Mais Velho, que, como Ele mesmo declarou ao Profeta Joseph, ou antes, como nos foi declarado por meio dele, estava "no princípio com o Pai e era o Primogênito." Somos Seus irmãos e irmãs em espírito, em nosso primeiro estado, sendo nascidos de nosso Pai Eterno, que nos gerou. Somos os gerados do Senhor, no espírito; mas Jesus, o Cristo, foi o primeiro gerado no espírito e o unigênito do Pai na carne.

Digo que é um privilégio abençoado — estar em união e harmonia com aquele grande e poderoso Ser. Se apenas tivéssemos a história de nosso Salvador antes de o mundo existir, antes de Ele receber o mandamento do Pai de descer e tomar dos elementos e organizá-los, se soubéssemos por quanto tempo Ele existiu em seu estado espiritual organizado, e as obras que Ele viu, que o Pai produziu, poderíamos talvez compreender por que Ele esteve ativamente engajado no princípio da terra, e por que foi designado para fazer a obra que teve de fazer, e por que "por ele e por meio dele e dele os mundos são e foram criados", e que as revelações do Pai a nós neste globo vieram todas por meio dEle. Mas essa história está vedada às nossas mentes, quer soubéssemos algo a respeito dela antes de virmos para cá, quer não. Presumo que sabíamos bastante, se não sabíamos tudo; mas, quando viemos para cá, como Ele, em nossa humilhação, nosso juízo e conhecimento do passado nos foi tirado, ou antes, obscurecido, por meio da carne em que entramos. Mas Ele era um grande e poderoso Ser; Ele era o primogênito, e, quando estava na terra na carne, disse: "O Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se não o vir fazer o Pai; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente, porque o Pai ama o Filho, e mostra-lhe todas as coisas que faz; e ele lhe mostrará maiores obras do que estas, para que vos maravilheis." Disso aprendemos, de Seus próprios lábios, que, antes de vir para cá, Ele não apenas era o primogênito, mas o Pai Lhe concedeu grande conhecimento e entendimento, abriu-Lhe os olhos para ver, e mostrou-Lhe de modo que Ele compreendeu os propósitos e as obras do Pai, e neles se moldou tanto quanto teve oportunidade. E Ele prometeu que virá o tempo em que as obras que Ele fez serão feitas por Seus discípulos, aqueles que nEle creem: "Aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas; porque eu vou para meu Pai."

Assim, se estivermos em harmonia com Ele, meus irmãos e irmãs, e estivermos dispostos a receber a palavra do Pai, por meio de Seu Filho amado, que compreende e entende e conhece, e tem sido íntimo do Pai em todas as Suas grandes obras e as compreende, se estivermos em harmonia com Ele, encontraremos, mais tarde, ampla oportunidade de aprender o que Ele aprendeu, pois isso nos será transmitido. O mesmo espírito, pelo qual Ele foi capaz de compreender e realizar as obras que realizou, nos é dado, por medida, por assim dizer, e, mais tarde, se estivermos preparados para isso, o receberemos em plenitude, e seremos revestidos da glória de Deus, com a luz do Senhor, que procede de Sua presença, e todas as investiduras, poderes e dons que vêm com sua plena posse. Aquele espírito divino de revelação será nosso, para desfrutarmos para sempre, e não haverá fim para o aumento de nossa inteligência, sabedoria, conhecimento, domínio, poder e força, nem para o aumento de nossa posteridade em mundos sem fim.

Ora, essas coisas se tornaram fatos em minha mente, e presumo que sejam o mesmo na mente da maioria dos irmãos e irmãs aqui reunidos nesta ocasião, particularmente os membros mais antigos da Igreja, que nela tiveram experiência, estiveram no ministério e levaram o Evangelho a outras partes do mundo, e trouxeram almas a Cristo. Deveríamos nos esforçar, tanto quanto tivermos o poder e a oportunidade, para transmitir essas coisas a outros, ensiná-las a nossos filhos, para que cresçam nos caminhos do Senhor, para que vivam de modo que seus olhos se abram para a verdadeira luz, para que não haja obstrução entre eles e o Pai Eterno de todos nós; pois, embora sejamos os pais de sua carne, o verdadeiro Pai de seus espíritos, de seu ser organizado e inteligente, é nosso Pai também — nosso Pai e nosso Deus, e o deles também.

Ora, como filhos do Senhor, nos reunimos aqui em conferência, e é um grande privilégio ter permissão de estar aqui com um bom grau de saúde e força, com o desejo em nossas almas de fazer o certo. Creio que esse é o espírito que enche o peito desta congregação, nossos irmãos que vieram de longe, os Santos que se reuniram das várias estacas de Sião para adorar ao Senhor na beleza da santidade. Como o Irmão Lund nos disse esta manhã, foi uma grande bênção e privilégio subir até aqui, como antigamente fazia Israel a Jerusalém, uma ou duas vezes por ano ao menos, e receber instruções pelos canais designados. Fiquei satisfeito ao ver a atenção que se deu às palavras proferidas por nosso presidente esta manhã; a congregação estava interessada. O que ouvimos dele foi claro e evidente e satisfatório, e foi prático; e nossa religião é, em todos os aspectos, prática. Toda verdade que foi revelada, embora possa ser chamada de psicológica por algumas pessoas, e possa ser vista como além da esfera da vida mortal, é, ainda assim, toda ela prática: há algo relacionado a ela que se deve fazer. Quando aprendemos uma verdade, quer se relacione com os céus, quer com a terra, torna-se nosso dever fazê-la parte de nós mesmos e pô-la em prática em nossa vida prática, trazê-la para nossas condições e circunstâncias presentes. Aprender a mente e a vontade de Deus, e então fazê-la, esse é o dever de todo Santo dos Últimos Dias; e estamos aqui na terra, nesta grande dispensação, não meramente para receber a verdade e nos alegrarmos em sua luz, e nos sentimentos esplêndidos e na comunhão que temos com os poderes do alto se obedecermos aos mandamentos do Senhor, mas para ajudar a edificar o governo de Deus nesta terra.

Há de vir o tempo, assim lemos, em que todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus é o Senhor, o Cristo, para a glória de Deus, o Pai. Que perspectiva esplêndida a se ter em vista! Que grande objetivo a se alcançar, ajudar a promover a redenção da família humana. Antes que esse tempo possa chegar, aqueles que são iníquos, corruptos e de mente má, e que não forem obedientes, terão de colher as consequências de seus próprios atos. Poderia repetir as palavras do Apóstolo Paulo: "Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará"; e, embora o perdão possa em algum momento vir aos desobedientes, primeiro terão de pagar a pena de sua desobediência, para que possam ser plenamente levados a compreender a necessidade da obediência implícita ao certo e à verdade; pois tudo o que Deus revela é certo, verdadeiro e benéfico. Mas há de vir o tempo, num futuro distante, em que os habitantes da terra, todos os que sobre ela habitaram, com exceção de uns poucos que são irredimíveis, serão levados a dobrar o joelho de boa vontade; não por compulsão, não por coerção, não por constrangimento, mas de boa vontade dobrarão o joelho ao Rei Emanuel e adorarão a Deus, o verdadeiro Deus, o Pai, em nome santo de Cristo, e estarão dispostos, perfeitamente dispostos, a render obediência a Seus mandamentos. É claro que a condição em que habitarão será consequência de seus atos quando estavam na carne.

Não poderão todos estar na mesma classe; isso é impossível. Há uma diferença nos graus de inteligência. Cada um deles tem sua própria identidade. Todo filho ou filha de Deus tem uma identidade especial, e assim será sempre. Nem todos teremos a mesma altura ou largura, nem seremos exatamente da mesma aparência exterior ou traços, mas cada um será ele mesmo, e seremos cultivados e avançados e desenvolvidos segundo nossas próprias linhas. Se os pecadores só forem aptos, depois do castigo, para entrar no mundo telestial, não haverá fim para o progresso nas linhas telestiais; mas aqueles que assim ressurgirem serão "corpos telestiais, e não corpos celestiais", e haverá progresso em toda linha e tipo de ser, pois essa é a ordem do universo. A luz e a verdade nos virão tão depressa quanto estivermos dispostos a recebê-las, obedecê-las e pô-las em prática. Isso é o que devemos entender agora; e, quando viermos à conferência, deveríamos vir aqui preparados em nossas almas para receber bom conselho, e então, ao voltarmos, pô-lo em prática todos os dias, exatamente onde vivemos, e fazer o que é certo, evitar o que é errado, ouvir as instruções do homem que está à cabeça da Igreja, e seus irmãos em conselho, que são chamados e autorizados a nos dar conselho.

Ora, o Apóstolo Paulo, a quem citei duas ou três vezes esta tarde, tinha algo a dizer aos Santos de seu tempo a respeito do progresso que deveriam ter feito; disse ele: "Porque, devendo já ser mestres, em razão do tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais são os primeiros rudimentos das palavras de Deus, e de que se vos dê leite, quando já devíeis ter idade para alimento sólido", ou palavras nesse sentido. Que quis ele dizer com "em razão do tempo"? Ora, pelo tempo que já eram Santos, membros da Igreja. Pela experiência que já tinham tido, deveriam, a essa altura, ter alcançado tal avanço que pudessem ser mestres, mas tiveram de ser novamente ensinados quais eram os primeiros princípios dos oráculos de Deus; e o apóstolo passou a descrever quais são os princípios fundamentais do Evangelho: "arrependimento das obras mortas, fé em Deus, e a doutrina dos batismos e da imposição de mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno"; e então disse que deveriam prosseguir até a perfeição; "e isto faremos", disse ele, "se Deus permitir."

Há alguns dias, no Escritório do Historiador, deparei-me com algumas doutrinas e princípios, regras de ordem que foram estabelecidas pelo Presidente da Igreja para a obediência do povo, na época em que todos nós, membros mais antigos, entramos naquilo que se chamava a Ordem Unida, pelo batismo. Certas regras nos foram dadas, e concordamos em segui-las. Pensei que seria muito bom chamar a atenção dos irmãos e irmãs para algumas dessas regras, o que farei tão brevemente quanto possível, para não tomar tempo demais; para que possamos voltar a algumas dessas coisas simples que vós e eu convencionamos fazer, e ver como se ajustam às instruções que nos foram dadas esta manhã pelo Presidente Smith:

"Primeira: Não tomaremos o nome da Divindade em vão, nem falaremos levianamente de Seu caráter ou de coisas sagradas."

Ora, irmãos e irmãs, quer tenhais sido batizados naquela época, quer não, essa é uma regra que deveis observar; é um dos mandamentos do Senhor a nós, ao Israel dos Últimos Dias. E, a propósito, não precisamos estar sempre atados àquilo que foi dito antigamente; vivemos num dia de revelação. Como foi explicado pelos irmãos esta manhã, o livro de Doutrina e Convênios contém revelações dirigidas diretamente a nós em nosso tempo, dadas pelo Senhor, tão escritura quanto qualquer coisa de mil ou dez mil anos; e uma dessas escrituras nos ensina que não devemos tomar o nome da Divindade em vão, nem falar levianamente de Seu caráter ou de coisas sagradas. Às vezes temos o hábito de ser jocosos a respeito de coisas que são sagradas. Isso não é certo; deveríamos considerá-las sagradas, e considerar sagrado o nome da Divindade. Sempre me causa um sobressalto quando ouço o nome da Divindade tomado levianamente ou de modo profano. Às vezes, em alguns de nossos teatros, usam-se expressões em que a profanação se manifesta. Desagrada-me muito, e os Santos dos Últimos Dias jamais deveriam descer a esse costume que há entre certas classes de "gentios", como às vezes os chamamos, ou como eles mesmos se chamam.

"Regra dois: Oraremos com nossas famílias de manhã e à noite, e também atenderemos às orações secretas."

Estais pondo isso em prática, irmãos, vós que fizestes essa promessa e convênio? e vós que não a fizestes, tendes sido ensinados que isto é parte de vosso dever. Os mestres são enviados por toda parte, ou antes, os sacerdotes, agindo como mestres, para insistir nisto junto aos Santos. Exige-se dos sacerdotes que "visitem a casa de cada membro e os exortem a orar, vocalmente e em segredo, e a atender a todos os deveres familiares." Ora, lembrai-vos de que isto vos é obrigatório, se quereis cumprir os mandamentos do Senhor revelados por meio do Salvador dos homens.

"Regra três: Observaremos e guardaremos a Palavra de Sabedoria, de acordo com o espírito e o significado dela."

O Presidente Smith explicou esta manhã o que o Presidente Young tinha a dizer sobre o espírito e o significado da Palavra de Sabedoria. Não nos esqueçamos disso, mas ponhamos em prática em nossas vidas aquilo que concordamos em fazer.

"Regra quatro: Trataremos nossas famílias com a devida bondade e afeição, e lhes daremos um exemplo digno de imitação. Em nossas famílias e no trato com todas as pessoas, absteremo-nos de ser contenciosos ou briguentos, e deixaremos de falar mal uns dos outros, e cultivaremos um espírito de caridade para com todos. Consideramos ser nosso dever abster-nos de agir egoisticamente ou por motivos cobiçosos, e buscaremos o interesse mútuo e a salvação de toda a humanidade."

Essa é boa doutrina, não é? não importa de onde tenha vindo; e deveríamos viver de acordo com ela, abster-nos de contenda e de disputas. Às vezes temos um pouco disso entre nós, e sobre assuntos que não valem a pena de se contender, pequenos pontos de doutrina que não afetam nosso presente e não afetarão nosso futuro, trazidos à discussão às vezes em nossas aulas de teologia, e em nossas reuniões de quórum, e não vale a pena gastar tempo com eles; e às vezes irmãos escrevem sobre essas coisas diretamente ao presidente da Igreja, quando todas essas perguntas que são enviadas deveriam ser resolvidas ali mesmo, localmente, com a ajuda do bispo, ou do presidente da estaca, ou de alguns dos bons irmãos familiarizados com esses pontos, e não deveriam ser enviadas para incomodar e perturbar o presidente quando não têm particular valor, uso ou praticidade. E, quando escreverdes, se tiverdes de escrever, irmãos e irmãs — pois recebemos cartas também das irmãs — não tomeis um pobre e miserável lápis e o esfregueis pelo papel com caracteres que ninguém consegue decifrar sem uma lupa; sede gentis o bastante para escrever com tinta, se é que escreveis, e escrevei de forma tão clara que qualquer um possa ler. Ora, irmãos e irmãs, observemos isto em nossos lares, em nossas famílias. Nossa religião é prática. No lar, onde habitamos, é ali que deveríamos ser religiosos. Sede bondosos e afetuosos uns para com os outros, suportai as fraquezas e imperfeições uns dos outros, e ignorai as pequenas falhas que porventura vejais no caráter uns dos outros, e observai as coisas boas. Somos todos falíveis, todos sujeitos a errar, todos sujeitos a manifestar o "velho Adão", como às vezes se chama, em nós; mas temos de aprender a ser Santos do Altíssimo, seguindo os passos de Jesus Cristo, nosso Redentor, para que possamos ser um com Ele, e, mais tarde, possamos habitar com Ele em glória.

"Regra cinco: Observaremos a limpeza pessoal e nos preservaremos em toda castidade, abstendo-nos do adultério, da prostituição e da luxúria. Também desaprovaremos e nos absteremos de toda linguagem ou conduta vulgar e obscena."

Irmãos, tendes guardado esse convênio? Não vos entregais, às vezes, a conversas, a linguagem que não condiz com vossa posição como Santos dos Últimos Dias, sem falar em deter o sacerdócio do Deus vivo? Não esqueçais essa recomendação, de vos absterdes de linguagem vulgar, de tudo que seja obsceno e impróprio. Se vos entregardes a essas coisas, isso trará consigo um espírito que pertence a esse tipo de conversa; mas, se quereis preservar o espírito de pureza, castidade, virtude e santidade diante do Senhor, abstende-vos desse tipo de conversa.

"Regra seis: Observaremos o dia de sábado, para o guardar santo, de acordo com a revelação."

Lamento dizer que isto não é plenamente cumprido em Israel. Não quero encontrar falhas, mas sei que às vezes somos negligentes nesse assunto. Observai o dia de sábado, de acordo com a revelação. Que dizem as revelações a esse respeito? Lede a quinquagésima nona seção de Doutrina e Convênios. O Senhor diz que devemos ir à casa de oração em Seu dia santo, isto é, o primeiro dia da semana, que é o dia do Senhor. Nesse dia, devemos ir à Sua santa casa, e devemos oferecer nossos sacramentos e prestar nossas devoções ao Altíssimo; "e, nesse dia, não farás qualquer outra coisa; seja teu alimento preparado com singeleza de coração para que teu jejum seja perfeito, ou, em outras palavras, para que tua alegria seja completa." Não nos esqueçamos do dia de sábado, para o guardar santo, e de ensinar isso a nossos filhos, pois assim nos é ordenado pelo Senhor, além do que li aqui nestas regras.

"Regra sete: Aquilo que for confiado a nosso cuidado, não o apropriaremos para nosso próprio uso."

Se isso tivesse sido cumprido por alguns de nossos amigos, teriam se poupado de uma vasta quantidade de problemas e desonra. Quando algo nos é confiado ao cuidado, não temos direito de apropriá-lo para nosso próprio uso, nenhum direito de tomá-lo emprestado, nenhum direito de investi-lo em nosso próprio benefício. Se os funcionários públicos, todos eles, seguissem isso, alguns deles se poupariam da penitenciária; todos os que se apropriam indevidamente do patrimônio de outrem acabarão caindo em desonra, e poderiam poupar-se dessa desonra se observassem essa regra, que é própria para todas as pessoas, quer na vida pública, quer na privada. Jovens, nesta congregação, se algum dia chegardes a posições em que vos sejam confiados fundos pertencentes ao público, ou a alguma corporação, ou pessoa que não vós mesmos, lembrai-vos de que não tendes direito de apropriá-los para vosso próprio uso; pertencem ao propósito para o qual foram destinados desde o princípio.

"Regra oito: Aquilo que tomarmos emprestado, o devolveremos conforme prometido, e aquilo que encontrarmos, não o apropriaremos para nosso próprio uso, mas procuraremos devolvê-lo a seu legítimo dono."

Não vos esqueçais disso. Se encontrardes dinheiro na rua ou no bonde, isso não vos pertence, não tendes direito de apropriá-lo para vosso uso pessoal; e, se tomardes dinheiro emprestado e concordardes em pagá-lo em certo dia, pagai-o; ou, se não puderdes, tende o cuidado de comunicar-vos com quem vos emprestou, para que compreenda que não ireis ignorá-lo, nem à vossa promessa. Muitos fazem tais promessas, às vezes assinam notas e prestam pouca atenção em restituir aquilo que tomaram emprestado; mas, se essa regra fosse cumprida, que concordamos em seguir, pouparíamos a nós mesmos e a outras pessoas de muito aborrecimento, e por vezes de grande perda financeira. Quando tomardes emprestado, devolvei aquilo que vos foi emprestado.

"Regra onze: Em nosso vestuário e comportamento, não seguiremos nem incentivaremos modas tolas e extravagantes, e deixaremos de importar ou comprar do exterior qualquer artigo que se possa razoavelmente dispensar, ou que se possa produzir pela combinação do trabalho doméstico."

Estamos tentando pôr isso em prática, em pequena medida, mas não na medida em que deveríamos. Patrocinai as manufaturas domésticas, promovei as manufaturas domésticas, fazei tudo o que puderdes para produzir bem no meio de Israel aquilo de que Israel necessita, e sereis mais bem-sucedidos financeiramente por isso, e vos sentireis melhor espiritualmente por isso.

"Regra doze: Seremos simples em nosso vestuário e modo de viver, usando a devida economia e prudência na administração de tudo o que nos for confiado."

Há aqui algumas outras poucas regras que não tomarei o tempo de ler, porque estão misturadas com algumas coisas que tínhamos de fazer naquela Ordem a que me referi; mas tudo o que vos li, parece-me, é apropriado para ser trazido à atenção dos Santos dos Últimos Dias agora. Quisera ao Senhor que todas as nossas moças e mulheres que se entregam a essas modas modernas e imodestas tivessem ouvido as instruções de nosso presidente esta manhã. O problema é que esse tipo de pessoas não vem às reuniões tanto quanto outras, mas podemos levar esses conselhos conosco e transmiti-los a outros, e as mães em Israel podem usar sua influência sobre suas filhas para se vestirem modesta e adequadamente, e, tanto quanto possível, com material e mão de obra que se possam ter em casa. Não precisamos enviar a Paris, ao demimonde, para buscar uma moda. De fato, as mães em Israel, as irmãs da Sociedade de Socorro, e as Associações de Melhoramentos Mútuos deveriam esforçar-se por ter modas de vestuário que sejam modestas e adequadas, e que sirvam ao propósito para o qual o vestuário é feito — não exibir a forma divina, mas, em certos aspectos, ocultá-la, e ter um vestuário adequado ao indivíduo, não todo igual a um único estilo, como se fosse preciso seguir as modas do mundo. Anos atrás, essas instruções foram dadas pelo Presidente Brigham Young e outros líderes em Israel, e seria muito bom se nossos Santos hoje pudessem ser levados a ver a impropriedade do tipo de vestuário que a moda exige aqui no oeste. Senhoras respeitáveis no leste e na Europa não seguem essas modas, porque sabem de onde procedem; vêm daquela classe de mulheres a que o Presidente aludiu esta manhã, e é uma vergonha e uma desonra para nossas belas, modestas e boas moças estarem trajadas ou seminuas nessa moda. Irmãos e irmãs, façamos, com bondade, tudo o que fomos aconselhados a fazer esta manhã, e levemos nossas moças e nossas irmãs a se vestirem modesta e adequadamente.

Ora, podeis dizer que tudo isso são coisas pequenas. Sim, são; mas o mundo é feito de coisas pequenas, e o conforto, a alegria e a salvação são feitos de coisas pequenas, coisas que são necessárias, coisas que são convenientes. Lembremo-nos disto: que nós, povo dos últimos dias, enviados à terra para edificar o reino de Deus na dispensação da plenitude dos tempos, deveríamos tomar hoje o que o Senhor revela, tomar hoje o conselho que é dado, tomar as políticas, projetos e planos que hoje são revelados, quer estejam de acordo com as coisas antigas, quer não. Mas descobriremos, ao compararmos o espírito, os ensinamentos e os verdadeiros princípios que nos são dados nos últimos dias, que estão de acordo com o que foi revelado antigamente. Os princípios nunca mudam, através de todas as eternidades, mas as políticas mudam, e devem mudar, de acordo com as circunstâncias.

Ocupei mais tempo do que pretendia, e, talvez, tempo demais para esta reunião da tarde. Perdoai-me, se assim foi. Deus vos abençoe, irmãos e irmãs. Que Sua paz esteja convosco. Agradeço a Deus, com toda a minha alma, por estar convosco na edificação deste grande reino dos últimos dias. Não há nada semelhante em lugar nenhum. Nunca houve nada que se comparasse a ele, por sua magnitude, pela inteligência, luz e verdade reveladas, pelos propósitos de Deus dados a conhecer, e estes são apenas os princípios de coisas boas. A luz e a verdade se manifestarão, e princípios de vida eterna descerão dos céus até nós, pelos canais designados, e Israel crescerá e se multiplicará e aumentará em número, em influência e em poder, e, mais tarde, cumprirá as antigas predições e será a cabeça, e não a cauda. Agradeço ao Senhor pelas invenções e pelos progressos entre nós, pela disposição de crescer e aumentar em tudo o que é bom, pelo talento musical que temos, pelas capacidades manifestas em várias direções, que não tomarei o tempo de enumerar; todas essas coisas vêm de nosso bondoso e sábio Pai Celestial; e a Ele seja toda a glória, para todo o sempre, por meio de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoCharles W. Penrose, “O grande privilégio da vida terrena na última dispensação”, Conferência Geral de Outubro de 1913, Sessão da Tarde do Primeiro Dia (1913-10-04). Pulpit Vault, 1913-10-04-charles-w-penrose-remarks-4. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).