Pulpit

Discurso de Abertura

Joseph F. Smith

Conferência Geral de Outubro de 1913·Sessão da Manhã do Primeiro Dia·1913-10-04

Sinceramente espero que o verdadeiro Espírito de nosso Senhor habite abundantemente conosco durante esta sessão de nossa octogésima quarta conferência semestral. Sinto-me muito grato pelo privilégio que desfruto de estar presente convosco nesta manhã, na posse de um grau razoável de saúde e vigor de corpo e mente. Por toda bênção que me foi concedida, por todo privilégio que desfruto, sinto-me profundamente devedor ao Grande Doador de toda boa e perfeita dádiva. Espero que, enquanto estiver diante de vós, o Espírito do Senhor me induza a expressar os pensamentos que forem apropriados à ocasião. Sinto-me nesta manhã como me senti quase toda a minha vida, mas sinto-o mais fortemente nesta manhã, talvez, do que jamais senti antes, que não há nada sob os céus de tanta importância para mim ou para os filhos dos homens quanto o grande plano de vida e salvação, que foi concebido nos céus desde o princípio, e que foi transmitido de período em período por meio da inspiração de homens santos chamados por Deus até o dia da vinda do Filho do Homem, pois este Evangelho e este plano de salvação foram revelados a nossos primeiros pais. O anjo de Deus levou-lhes o plano de redenção, e de salvação da morte e do pecado, que tem sido revelado de tempos em tempos, por autoridade divina, aos filhos dos homens, e não sofreu nenhuma mudança. Não havia nada nele, no princípio, que fosse supérfluo ou desnecessário; nada nele de que se pudesse prescindir; era um plano completo, concebido no princípio pela sabedoria do Pai e dos santos para a redenção da raça humana e para sua salvação e exaltação na presença de Deus. Foi ensinado mais plenamente, e exemplificado mais perfeitamente no ser, na vida e na missão, na instrução e na doutrina, dado pelo Filho de Deus, do que jamais antes, salvo talvez uma exceção nos dias de Enoque; mas, através de todas as gerações do tempo, o mesmo Evangelho, o mesmo plano de vida e salvação, as mesmas ordenanças, o sepultamento com Cristo, a lembrança do grande sacrifício a ser oferecido pelos pecados do mundo e pela redenção do homem, foram transmitidos de tempos em tempos, desde a época da criação. Isto não é simplesmente minha opinião; estou apenas proferindo as verdades contidas nas revelações de Deus a homens inspirados nas várias eras em que Ele falou ao mundo. E, nesta dispensação dos últimos dias, este mesmo Evangelho, este mesmo plano de vida e salvação foi renovado, ou revelado de novo, aos homens, e plenamente restaurado com todos os seus dons, poderes e graças, direitos e privilégios, necessários para a preparação da humanidade a fim de viver como Deus exige que viva neste mundo, e para se preparar para uma herança de glória, exaltação, domínio e poder no mundo vindouro.

Meu sincero desejo é, e tem sido desde a minha juventude, e vai se tornando cada vez mais forte à medida que os anos se acumulam sobre mim, prestar meu testemunho e declarar aos homens, tanto quanto esteja em meu poder, que Deus nos deu a verdade, Sua verdade, pois Sua palavra é a verdade; o próprio Jesus assim o declarou. Ele disse: "Minha palavra é a verdade," e onde quer que possamos encontrar a palavra de Deus, ou alcançar e compreender Sua lei, que é Sua palavra, pois Sua palavra é Sua lei, e Sua lei é a palavra de Deus para todos os homens — onde quer que a possamos encontrar, e a possamos compreender e abraçar, compreendemos e abraçamos a verdade. O problema parece estar na capacidade da humanidade de apreender a verdade, e na seriedade de suas almas em desejar a verdade e buscá-la de todo o coração, de modo a colocar a busca dela antes da busca daquelas coisas que perecem. Pensai bem, quantas horas, quantos dias e meses passamos, como filhos de Deus, na busca das temporalidades da vida, dedicando nossos pensamentos àquelas coisas que pertencem à presente existência temporal, e não à existência espiritual, ou àquela porção ou parte particular da existência temporal que pertence, e é parte, da existência espiritual do homem. Homens e mulheres falam, usam muito a língua e os lábios em conversas e na expressão de seus pontos de vista e pensamentos, que dizem respeito apenas a coisas mundanas, a assuntos triviais, sem valor, às coisas rasteiras, por assim dizer, do mundo, e dedicam pouquíssimos momentos a pensamentos úteis e edificantes, e proferem, comparativamente, muito poucas palavras que digam respeito ao crescimento, desenvolvimento e felicidade eternos e duradouros da humanidade. Pensamos no mundo, no presente; pensamos mais na fazenda, no banco, no comércio, em nossos rebanhos e manadas, mais a respeito das temporalidades da vida, do que pensamos nos princípios da verdade eterna que promovem a salvação, a felicidade e o bem-estar, temporal e espiritualmente, de nossas almas.

Meu sentimento, meu sincero desejo pelo bem, é mais forte do que nunca. Cresce com a idade. Vejo mais claramente hoje do que jamais antes o fim de minha missão no mundo, que meu tempo está se tornando mais curto. Reflito sobre o passado, e frequentemente me pergunto quanto do valioso tempo que o Senhor me concedeu nesta vida terei desperdiçado em tolices e coisas inúteis; e quanto dele terei empregado naquilo que era essencial para minha salvação, para meu crescimento e desenvolvimento no conhecimento de Deus e na compreensão de Sua verdade. Asseguro-vos que, embora seja verdade que, pela maior parte de minha vida, tenho estado engajado neste ministério, na obra do Senhor, no melhor de meu entendimento e da capacidade que o Senhor me deu, quando olho para trás em minha vida posso ver muito tempo desperdiçado, muitos momentos não aproveitados, numerosas coisas em que me envolvi que foram, comparativamente ao menos, desnecessárias e prejudiciais em vez de benéficas, e, no entanto, nada que fosse seriamente errado.

Há muitas coisas hoje praticadas pela humanidade, e por demasiados daqueles que professaram crença na missão divina do Cristo e de Seu servo Joseph Smith, que não são apenas contrárias à palavra do Senhor e em oposição ao Espírito do Evangelho de Jesus Cristo, mas que estão tanto em oposição ao Espírito do Senhor quanto em oposição à vida, à saúde e à pureza das almas dos homens. Alguns desses males parecem estar crescendo entre nós. Aonde quer que eu vá ou onde quer que esteja — e vou de semana em semana e de mês em mês, aqui e ali, no cumprimento do meu dever — vejo evidências de grande desrespeito às exigências do Evangelho de Jesus Cristo, e não somente as vejo entre os cidadãos adultos do reino e membros da Igreja, mas vejo os maus efeitos do exemplo que esses membros adultos da Igreja estão tendo sobre a juventude de Sião.

Não é meu desejo nem meu propósito divulgar as fraquezas e imperfeições daqueles que deveriam ser Santos dos Últimos Dias, e cujas vidas deveriam estar absolutamente acima de reprovação; não é meu desejo nem minha vontade engrandecer as fraquezas e as imperfeições dos homens; mas vejo coisas, dia após dia, que penso deveriam ser corrigidas, tanto quanto seja possível corrigi-las. Permiti-me, sem fazê-lo em espírito de acusação, sem imputar mal ao povo, falar de algumas das coisas que vejo, até certo ponto. Agradeço ao Senhor que o mal não seja mais extenso do que é; sou muito grato por estar confinado dentro dos limites em que está confinado.

Há uma revelação na Doutrina e Convênios da Igreja, uma simples declaração da vontade do Senhor; é chamada a Palavra de Sabedoria. Não a temos pregado muito ultimamente; tem sido deixada por si mesma, até onde tenho ouvido. Temos pregado a fé, o arrependimento e o batismo para a remissão dos pecados; temos pregado a necessidade de buscar a genealogia do povo chamado Santos dos Últimos Dias, cuidar de seus antepassados, reunir os nomes de seus progenitores e de seus parentes, e dos associados e amigos de seus parentes, a fim de que possam administrar as ordenanças da casa de Deus em seu favor, de acordo com as escrituras da verdade divina, para que tenham o privilégio de viver segundo Deus no espírito e sejam julgados segundo os homens na carne. Temos pregado a honra, a retidão, a virtude e a devoção ao que é certo, mas não temos designado especificamente esta simples lei de Deus, dada a nós para a pureza de nossas próprias vidas, para que sejamos livres das contaminações que o consumo daquelas coisas "que não são boas para o homem" nos acarretará. Vejo entre nós, não sei se são Santos dos Últimos Dias, não sei se são filhos de Santos dos Últimos Dias, mas vejo entre nós aqueles que se entregam à prática tola, prejudicial e imunda de fumar tabaco, fumar cigarros ou charutos, ou o velho cachimbo, tão forte e desagradável que se torna nocivo às narinas dos homens que a ele não são viciados.

Vejo-a aparentemente crescendo entre nós. Vejo um jovem com um charuto na boca — um hábito que se tornou tão comum que hoje não se pode entrar na sala de jantar de um hotel, e sentar-se para tomar uma refeição, mesmo num hotel de primeira classe, ou em qualquer hotel, sala de jantar ou restaurante entre o povo de nosso tempo, sem sentir náuseas ao comer sua refeição com o vil perfume do tabaco. Muitos homens adotaram o hábito de usar essas coisas às suas refeições, até que se tornou comum. O fato parece ser que o homem que não o faz é a exceção. Ora, isto não se aplica de modo algum aos Santos dos Últimos Dias, nem aos chamados "mórmons," senão em grau muito limitado, pois sustento que os Santos dos Últimos Dias têm mais consideração por si mesmos e mais respeito pelos desejos dos demais, e especialmente mais respeito pelo sexo feminino, do que entrar numa sala de jantar e ali poluir o ar a ser respirado pelo sexo mais delicado com o uso nauseante do tabaco, e com o hálito fétido daqueles que têm o hábito de usá-lo. Preferiria cheirar iodofórmio do que o hálito de um homem que fuma tabaco, e penso que o iodofórmio é uma das piores coisas que já cheirei.

...costumava dizer-me, e a outros, que preferiria ficar trancado com um gambá a ficar trancado num vagão de fumantes com fumantes. Que direito tem um homem de poluir com seu hálito nauseante o ar que respiro? Que direito tenho eu de tornar nocivo o ar que respirais? Não tenho direito de fazê-lo, e tendes o direito de protestar contra minha ação, e de mostrar àqueles que têm o hábito de fazer essas coisas vosso desprezo por suas práticas, se lhes tendes algum respeito. Deveis mostrar ao menos vosso desprezo por aquilo que fazem tolamente, pois sua prática é errada, perniciosa, e são desatentos aos direitos dos demais. Tenho pensado seriamente que um rapaz ou homem que se tornou viciado no uso do tabaco de qualquer forma, a ponto de ser incapaz de resistir a seu apetite por ele, ou que o praticou até não ser capaz de resistir-lhe ou vencê-lo, é um homem tão mentalmente enfraquecido, tão moralmente degradado, que não é competente para desempenhar, nem seria digno de que se lhe confiasse, nenhum dever de responsabilidade. Por quê? Porque um homem que se tornou tão fraco de mente e irresoluto que não pode vencer a tentação de fazer o mal, ou resistir ao poder de um apetite adquirido e vicioso por veneno, como pode ser confiável? É uma fraqueza, uma degradação que afunda muito abaixo das fraquezas ordinárias da humanidade; e, portanto, a pessoa que está de tal modo escravizada a apetites viciados por coisas venenosas e nocivas que não pode vencê-los, sendo escrava de um hábito pernicioso, de uma prática degradante — que dele não pode se erguer — como ousaríeis confiar nele? Como se pode confiar a alguém cuja mente se tornou tão enfraquecida, tão viciada e tão degradada, que já não é senhor de si mesmo, mas escravo irresoluto de uma paixão profana, qualquer confiança que exija honra, força de virilidade, determinação e força de vontade para resistir ao mal e à tentação de fazer o errado? Não podeis fazê-lo. Não podeis confiar num homem que não tem o poder de vontade de dizer "não" à tentação, de fazer o mal ou àquilo que incita ao mal; ele é digno apenas de condenação, e não podeis confiar nele com segurança, e não deveis confiar nele.

O mesmo se pode dizer com verdade do homem que tem o hábito de usar bebidas embriagantes; o mesmo princípio e argumento se aplicam talvez com ainda mais rigor a quem se entrega à embriaguez do que a quem apenas se entrega ao uso do tabaco, e, no entanto, em talvez noventa e nove casos entre cem, o homem que tem o hábito de usar tabaco também será encontrado usando bebidas embriagantes, acrescentando assim à sua fraqueza, à sua instabilidade, prova sobre prova de sua indignidade de que se lhe confie algo de importância. Ó, meus irmãos e irmãs, se possível, impedi que permitais que vossos filhos se entreguem a essas práticas infames que o Senhor diz não serem boas para eles? Que Ele diz serem prejudiciais a eles. O tabaco não foi destinado a tal uso; é destinado a contusões e a gado enfermo, mas não para o estômago, não para o apetite do homem, e não devíamos usá-lo.

Então podeis passar dessas práticas a males menores, talvez, e ainda assim nem sempre muito menores, porque algumas pessoas se tornaram tão viciadas no uso do café que já não têm o poder de resistir à sua tentação. Se lhes fosse posto diante, não poderiam dizer: "Não, obrigado, não o quero." Mas se lhes perguntassem: "Quereis café, ou preferis chá?", dirão: "Bem, sim, por favor." Por quê? Porque estão habituados a isso, e não conseguem dizer "não." Tenho notado isto na sociedade dos assim chamados "bons Santos dos Últimos Dias."

Não há muito tempo, no cumprimento do dever, visitamos mais de uma boa família, e, quando nos sentamos às suas fartas mesas, disseram: "Ora, o que quereis beber?" "Ora, tomo água para beber." "Bem, não quereis nada mais para beber?" "Não, agradeço, água é a minha bebida, bebo água." "Bem, mas a água não está muito boa, tem havido chuva e está turva; quereis um pouco de outra coisa para beber?" "Não, água servirá." "Bem, ainda não chegamos a tal ponto que possamos passar sem café." E assim beberam seu café, enquanto nós tomamos água e a apreciamos; e, embora a água não agradasse inteiramente ao meu paladar, creio que a suportei tão bem quanto alguns que beberam seu café.

Espero que meus bons irmãos estejam aqui para me ouvir, pois gostaria que soubessem exatamente como sinto e penso a respeito disto. Gostaria de dizê-lo com bastante clareza para que todos possam ouvir: o Senhor diz que essas coisas não são boas, a lei de Deus diz que não são necessárias, que são prejudiciais. A lei da natureza vos diz que não são boas porque são venenosas — veneno brando talvez, mas veneno. Lembro-me muito distintamente, numa ocasião, de um bom irmão que tomou morfina em excesso como remédio. Mandaram chamar o médico, que perguntou: "Tendes um pouco de café?" "Sim." "Ide fazer um café, o mais forte que puderdes." E começaram a administrar café forte ao homem sob a influência da morfina. Para quê? Ora, dizem que "semelhante cura semelhante," e foi necessário outro tipo de veneno para contrariar o veneno que havia em seu sistema.

Deploro a evidência que vejo, onde quer que a veja, de desrespeito ou indiferença às coisas que o Senhor disse não serem boas para o homem. Gostaria que todos os Santos dos Últimos Dias em especial, e toda a humanidade em geral, estivessem dispostos a aprender o que Deus disse ser bom para o homem, e então, tendo-o aprendido, fossem obedientes à palavra do Senhor e guardassem Sua lei — quisera que pudéssemos. É meu dever ensinar este princípio, defender esta doutrina, implorar aos irmãos e irmãs que obedeçam à lei de Deus, e assim recebam Sua bênção, e o cumprimento da promessa que Ele fez aos filhos dos homens, a saber:

18 E todos os santos que se lembrarem de guardar e fazer estas coisas, obedecendo aos mandamentos, receberão saúde para o umbigo e medula para os ossos; 19 E encontrarão sabedoria e grandes tesouros de conhecimento, sim, tesouros ocultos; 20 E correrão e não se cansarão; e caminharão e não desfalecerão. 21 E eu, o Senhor, faço-lhes uma promessa de que o anjo destruidor passará por eles, como os filhos de Israel, e não os matará. (D&C 89:18-21.)

Outra coisa: como poderia um élder na Igreja de Jesus Cristo ir onde há aflitos, para ungi-los com óleo sagrado, impor-lhes as mãos e orar por eles para que "a oração da fé possa salvar o doente, e o Senhor o levante," quando sabe que está contaminado pelo uso de coisas que Deus disse não serem boas para ele? Quando sabe que não está em harmonia com a vontade do Senhor, nem com Sua lei? É a oração fervorosa de um homem justo que prevalece e é eficaz, não a oração do impuro e do injusto; ele não poderia fazê-lo como Cristo o fez, pois Ele estava sem pecado, e em harmonia com os propósitos de Deus sempre. Quando Ele falava, era como alguém tão puro quanto o próprio Deus. Por que não haveria Ele de ter poder para dar audição aos surdos e vista aos cegos? Por que não haveria de ter poder para purificar o leproso e ressuscitar os mortos? já que não havia pecado nEle, e Ele estava em perfeita harmonia e unidade com Deus, com as leis da vida, da saúde e da santidade? Por que não haveria de ter poder? Mas dizeis: "Ele era o Filho de Deus." Também sois vós filhos de Deus, e filhas de Deus. Por que não deveríamos imitar o exemplo e a vida dAquele que era sem pecado, e em perfeito acordo com Seu Pai? Ele declarou por toda a Sua missão: "Não vim para fazer minha própria vontade, mas a vontade dAquele que me enviou." Por que não deveríamos sentir-nos assim? Não viemos aqui para fazer nossa própria vontade, mas, como Ele fez, para fazer a vontade dAquele que nos enviou aqui, para que possamos aprender de Seus caminhos e andar em Suas veredas, e sermos de fato Seus filhos.

Fomos sepultados com Ele nas águas do batismo, e nascemos do Espírito de Deus. Portanto, deveríamos ser capazes de ver a verdade, de discernir entre o certo e o errado, entre o bem e o mal, e entre a luz e as trevas; é nosso privilégio conhecer e amar o que é bom, em oposição ao que é mau, pelos dons do Espírito que nos foram concedidos. Então, por que não haveríamos de guardar os mandamentos do Senhor? Se não o fazemos, não é porque pensamos apenas de vez em quando em Deus e na santidade, e todo o resto do tempo pensamos no mundo e na mundanidade? Damos nossas esperanças, nosso tempo, nosso talento, nossos pensamentos, nossas palavras, nossas ações, às temporalidades da vida, e, de vez em quando, pensamos em Deus. Apresentamo-nos diante dEle nesta forma lastimável de indignidade, a implorar Suas bênçãos e Seus favores. Admirai-vos que nos seja frequentemente negado aquilo que pedimos, e que deixemos de receber aquilo que desejamos? É porque não pedimos corretamente. Quando nos aproximamos de Deus desta maneira, não estamos em condição de pedir corretamente, nem estamos em condição de receber aquilo que pedimos, pois Deus não há de conceder a Seus filhos dons e bênçãos de que não sejam dignos,

Não desejo ser fastidioso a esta vasta congregação, falando por tempo demasiado, mas tenho outro pensamento que pesa em minha mente, e este não diz respeito aos homens, mas às mulheres, e mais particularmente à maneira como se vestem. Nunca, talvez, ao menos dentro do período de minha vida — e vivi no mundo por quase setenta e cinco anos — nunca, digo, dentro do período de minha vida e experiência vi modas de vestuário feminino tão obscenas, imundas, impuras e sugestivas quanto vejo hoje. Algumas delas são abomináveis. Levanto minha voz contra essas práticas audaciosas e essas modas infames, e rogo que vós, que tendes filhas em Sião, as salveis, se puderdes, de seguirem essas modas obscenas, que, se seguidas, destruirão o último vestígio de verdadeiro pudor feminino, e as reduzirão ao nível das cortesãs das ruas de Paris, de onde vêm essas modas degradantes. São elas os mais baixos e degradados espécimes do sexo feminino, que entregaram seus corpos ao crime e suas almas à morte, senão à perdição, e são desprovidas de pudor e do senso de vergonha. Não podemos permitir que nossas mulheres sigam a essas, ou adotem as modas malditas que elas ditam.

Não preciso demorar-me neste assunto, mas direi que, ao atravessar a rua outro dia, vi uma mulher vestida no auge dessa moda ridícula, e ela trotava com passos curtos e miúdos, não podia andar de outro modo, apressando-se pela rua para alcançar o bonde. Segurou-se ao corrimão do bonde e tentou içar-se, mas seu pé não conseguia alcançar o degrau. A essa altura, já havia uma multidão de homens observando. De repente, ela se abaixou, agarrou a bainha de seu vestido e o ergueu o suficiente para subir. Que espetáculo aquele foi para os olhos do público! Gostaríeis que vossas filhas se expusessem dessa maneira? Para tanto, teriam necessariamente de abrir mão de seu senso de pudor feminino, senão de todas as demais virtudes femininas. Que Deus tenha misericórdia de nossas moças, e as ajude a se vestirem decentemente!

Suponho que incorrerei na censura e no desagrado de muitos ao dizer estas coisas, mas não me importa o que o mundo tenha a dizer, o que os homens digam, nem o que as mulheres digam, a respeito destas coisas. A meu ver, as modas do tempo presente são abomináveis, sugestivas do mal, calculadas para despertar paixão e luxúria vis, e para engendrar lascívia nos corações dos que seguem as modas, e dos que as toleram. Por quê? Porque as mulheres estão imitando os próprios costumes de uma classe de mulheres que recorreram a esse meio para ajudá-las a vender suas almas. É infame, e espero que as filhas de Sião não desçam a esses caminhos, costumes e modas perniciosos, pois são desmoralizantes e nefastos em seu efeito.

Ora, o Senhor vos abençoe. Poderia dizer muito mais, talvez, se fosse prudente ou sábio. Não sei se já não disse demais, mas creio no que digo. Sou convertido ao Evangelho de Cristo; creio em Jesus com toda a minha alma. Não posso duvidar das evidências de mais de sessenta anos de minha experiência na Igreja, pregando o Evangelho. Tudo tem contribuído para a confirmação de minha fé na missão divina do profeta Joseph Smith, e no glorioso plano de vida e salvação ensinado pelo Filho de Deus, tanto para os vivos como para os mortos. Não posso deixar de crer em coisas como estas; elas se dirigem ao meu juízo; tomam minha pobre alma indefesa, meu indefeso ser mortal, destinado a passar pela sepultura, para fora desta vida mortal, e acima e além dela, e não há outra esperança ou certeza sobre a terra, que eu jamais tenha encontrado, de recompensa futura ou felicidade, ou do desfrute da plenitude das esperanças e aspirações de minha alma, exceto aquelas que me são oferecidas no Evangelho de Jesus Cristo, que veio ao mundo com poder para depor Sua vida e retomá-la, o único Ser enviado por Deus à terra que possuiu o poder de depor Sua vida e retomá-la. A nenhuma outra alma sob os céus foi dado este poder, e Ele demonstrou a ressurreição da morte para a vida por Seu próprio exemplo, e ofereceu livremente a mesma libertação a todos os filhos e filhas de Deus que já viveram na terra, ou que hão de viver de agora em diante.

Cristo abriu ao mundo, por meio da fé e da obediência, esta esperança de vida eterna e exaltação em Seu glorioso reino. Quem mais ensinou tais doutrinas como esta? Quem mais exemplificou este poder e realizou o feito? ou deu esta lição objetiva perante o mundo? Ninguém! Havemos de negá-lo? Então olhai o testemunho de Seus discípulos; dizem que ouviram com seus próprios ouvidos, testemunharam o que declararam ao mundo, e seu testemunho permanece incontestado até hoje, e, além disso, temos o testemunho de Joseph, o Profeta. Digo, além do testemunho do próprio Jesus de que veio do Pai, de que era o Filho de Seu Pai, gerado por Seu Pai, nascido de Sua mãe Maria, participando assim dos elementos da vida eterna e do poder sobre a morte, herdando este poder de Seu Pai; e possuindo o poder de depor Sua vida por meio da mortalidade herdada de Sua mãe. Ele disse: "Ninguém ma tira de mim. Tenho poder para a depor e poder para tornar a tomá-la." Joseph, o Profeta, vem a nós nesta dispensação e declara que os céus se abriram a ele e a seus associados, e ele viu e ouviu, e declara, como a última testemunha, que viu, ouviu e sabe, que Jesus é o Cristo e o Redentor do mundo, o mesmo que nasceu de Maria, foi crucificado e ressuscitou dentre os mortos, e visitou os habitantes deste continente, bem como os habitantes do velho continente, como o chamamos, que também dEle prestam testemunho.

Creio nestas coisas, creio em Joseph Smith, o Profeta, creio na doutrina contida no Livro de Mórmon, assim como creio na contida no Novo Testamento. Creio nas revelações que vieram ao Profeta Joseph Smith; e digo a meus irmãos que o livro de Doutrina e Convênios contém alguns dos mais gloriosos princípios já revelados ao mundo, alguns que foram revelados em maior plenitude do que jamais foram revelados antes ao mundo; e isto, em cumprimento das promessas dos antigos profetas de que, nos últimos tempos, o Senhor revelaria ao mundo coisas que haviam sido ocultas desde a sua fundação; e o Senhor as revelou por meio do Profeta Joseph Smith.

Esta grande obra pela redenção de nossos mortos, a união dos vivos com os mortos, o poder selador que toma os filhos vivos e os une no vínculo do novo e eterno convênio com seus pais e mães que já partiram; o grande princípio que liga na terra e é ligado no céu, que toma a mulher, escolhida pelo homem, e a sela ao marido de sua escolha com um convênio eterno e inquebrável, ou um convênio que só pode ser rompido pelo pecado ou pela transgressão das leis de Deus; um convênio que jamais pode ser rompido pela morte, pelo tempo, ou pela distância, porque Deus o confirmou, é selado por Seu poder para o tempo e para toda a eternidade; a obra do batismo e outras ordenanças de salvação pelos mortos; as investiduras, e todas as ordenanças que foram reveladas para serem realizadas nos sagrados edifícios chamados templos, que estamos sob mandamento de Deus de sempre construir a Seu santo nome — (D&C 124:39) — estas coisas nos foram reveladas nesta dispensação com maior plenitude e maior clareza do que jamais antes na história do mundo, tanto quanto sabemos.

Graças a Deus pela verdade! Que nela permaneçamos. Que o Senhor nos ajude a sermos humildes, orantes e honestos com nossas próprias almas, bem como honestos com nosso Pai e Deus, e nos torne capazes de resistir ao mal e rejeitar a maldade, capazes de discernir as trevas e delas nos afastarmos, para que possamos andar na luz como Deus está na luz, para que tenhamos comunhão com Ele, e que o sangue de Seu Filho Jesus Cristo nos purifique de todo pecado, é minha oração em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoJoseph F. Smith, “Discurso de Abertura”, Conferência Geral de Outubro de 1913, Sessão da Manhã do Primeiro Dia (1913-10-04). Pulpit Vault, 1913-10-01-joseph-f-smith-remarks-1. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).