Pulpit

A Revelação Presente, um Princípio Fundamental

Charles W. Penrose

Conferência Geral de Outubro de 1912·Sessão da Manhã do Terceiro Dia·1912-10-06

Estamos todos muito satisfeitos por termos o privilégio de assistir a esta conferência geral da Igreja à qual pertencemos, e me regozijei em minha alma, durante os serviços que se realizaram, por ter sido poupado pelo Senhor mais uma vez para me reunir com os Santos dos Últimos Dias em conferência geral, e receber as instruções que são transmitidas, e participar do bom espírito que prevalece. Sinto que o Senhor esteve conosco em nossas assembleias, desde o próprio início até o momento presente, e as instruções que nos foram dadas por nosso Presidente, em suas observações de abertura, deram grande alegria e satisfação a todos os que estavam presentes na ocasião. Felicito aqueles dos Santos que tiveram o privilégio de estar aqui naquele momento, e compadeço-me e condoo-me com aqueles que não puderam estar presentes e ouvir as instruções que foram transmitidas. Todos teremos, sem dúvida, o privilégio de vê-las impressas, mas há uma diferença muito grande entre ler o que foi dito e ouvi-lo, porque as palavras que foram ditas naquela ocasião foram acompanhadas pelo espírito e poder do ofício e chamado do homem que está à frente da Igreja, e por meio de quem o Senhor transmitirá a Seu povo aquilo que Ele tem a lhes dar, por meio de revelação e mandamento, assim como de conselho. Agradeço ao Senhor pela organização da Igreja nos últimos dias, por Ele Se ter revelado, acompanhado da presença de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Redentor, para abrir a última dispensação, e por Joseph Smith, em sua juventude, enquanto ainda não contaminado pelas noções e opiniões do mundo, ter recebido a mensagem que seria transmitida ao povo mais tarde, em todo o mundo, e estou muito grato por viver na terra numa época em que posso tomar parte na grande obra, aquela "obra maravilhosa e um assombro" prevista pelos profetas antigos, que foi inaugurada e que agora está em progresso.

Nas revelações que o Senhor tem dado à Igreja, de tempos em tempos, desde o princípio, temos as doutrinas fundamentais do evangelho de Jesus Cristo manifestadas. Todo princípio que forma o credo, ou conjunto de princípios, sustentado por esta Igreja, veio a nós, não pela sabedoria ou pela loucura dos homens — mas foi revelado diretamente do alto. Este princípio básico da Igreja de Jesus Cristo deve sempre ser mantido em vista, e permanecerá enquanto a Igreja permanecer; isto é, a doutrina da revelação presente. Enquanto o mundo teve de depender, por séculos, das comunicações do alto no passado, muitas das quais não foram preservadas nem guardadas entre os homens, e, além disso, teve por guia apenas as opiniões dos homens, as diferentes noções e ideias predominantes entre os homens, esta Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias está em comunhão, em comunicação, com os poderes do alto, e o Senhor estabeleceu Sua Igreja sobre um fundamento firme, para que o povo não seja desencaminhado pelo erro, pela falsa doutrina, pelas noções e opiniões dos homens, sejam eles homens bons ou maus; mas organizou a Igreja de tal maneira que todos podemos olhar para a cabeça da Igreja em busca da palavra do Senhor, por meio de mandamento, e assim, em todo departamento da Igreja, o povo pode receber instrução em conformidade com aquilo que o Senhor revela. Desde a organização das criancinhas, subindo pelas várias sociedades e associações que foram formadas, e em todos os quóruns e organizações do santo sacerdócio, a palavra do Senhor pode ser recebida e formar o guia para o povo, jovens e idosos — de todas as idades e graus — de modo que esta Igreja é única neste aspecto: que a comunicação aberta pelo aparecimento do Pai e do Filho ao garoto Joseph Smith continua.

Deus se manifesta, às vezes, por Sua própria voz, por meio dos canais designados; às vezes, por meio do ministério de anjos autorizados a falar por Ele; às vezes, pela voz de Jesus Cristo, nosso Redentor, por meio de quem nos vieram as revelações contidas em Doutrina e Convênios, e sempre pela inspiração do Espírito Santo, a testemunha do Pai e do Filho, e é privilégio de todo membro da Igreja receber e ser inspirado por aquela influência divina. O Espírito Santo, o Consolador de que Cristo falou, aquele "personagem de espírito", está com a Igreja, e a influência que procede dEle, e do Pai, e do Filho, que é um só espírito, é privilégio de todo membro da Igreja desfrutar. É a luz do Senhor; é aquilo que dá vida e luz a todas as coisas; tem uma diversidade de operações, mas é o mesmo Espírito, e permeia toda a Igreja, assim como, em algumas de suas operações, permeia o cosmos, todo o universo, pois "procede da presença de Deus, o Pai, por toda a imensidão do espaço".

Mas, naquelas operações que pertencem especialmente à Igreja de Cristo, se manifesta àqueles que têm fé em Deus e em Jesus Cristo, e que se arrependeram do pecado, e se tornaram membros da Igreja, sendo batizados em água por alguém com autoridade, para a remissão dos pecados, e sobre quem as mãos de servos autorizados de Deus foram impostas, para que possam ter o dom do Espírito Santo. É a testemunha permanente, a luz contínua, aquilo que revela as coisas de Deus e as torna claras à mente humana, aquilo que dá testemunho da verdade, e que, quando Deus fala por meio de Seus oráculos designados, quando a cabeça da Igreja recebe qualquer revelação ou mandamento para a Igreja, dá testemunho nas almas dos Santos a esse respeito. Assim podem ver e, unidos, "batizados por um só" não estar nas trevas, e podem ser unidos". "batizados por um só espírito num só corpo." Não importa o que possam ter sido antes; não importa a que associações, igrejas ou sociedades possam ter pertencido anteriormente, não importa quanto possam ter vagado nas trevas por caminhos tortuosos — agora, tendo entrado no caminho estreito e apertado que conduz à vida eterna, são batizados pelo único Espírito num só corpo, e veem olho a olho quando são iluminados por aquele Espírito. Mas ele não se impõe à mente humana; deve ser buscado; a alma do homem deve se abrir para receber sua entrada, e ceder às suas impressões. E, quando aquele único Espírito repousa sobre o corpo da Igreja, eles de fato veem olho a olho, e, quando aqueles que são designados falam pelo poder e dom de seu chamado no Espírito Santo, há um eco às palavras que são ditas, nos corações e almas do povo.

É assim na presença do Pai; é isto que encontraremos quando entrarmos num estado de perfeição. Deus fala, e todo o céu responde. Se surge algo discordante, há meios à mão para removê-lo do meio das hostes reunidas no alto, de modo que a harmonia, a união, a concórdia, o entendimento e o conhecimento sejam desfrutados pelo grande corpo dos Santos, e filhos e filhas de Deus. É assim, em certa medida, aqui na terra, quando todos estamos corretamente dispostos, quando afastamos de nós nossos desejos pessoais, ambições, apetites, falhas e fraquezas, e nos humilhamos diante do Senhor, e estamos dispostos a receber Sua palavra; quando absorvemos, e somos governados por, aquele Espírito que Jesus Cristo, nosso Salvador, tinha quando habitou na carne, e pelo qual foi governado em toda a Sua vida; isto é, fazer da vontade do Pai nossa vontade. "Eu vim", disse Ele, "não para fazer minha própria vontade, mas a vontade dAquele que me enviou", e Ele manifestou este espírito e disposição durante toda a Sua carreira terrena, e mesmo até o último momento, quando entregou o espírito na cruz e terminou a obra que tinha a fazer na carne, Ele ainda tinha aquele Espírito dentro de Si: "Pai, não se faça a minha vontade, mas a Tua." Quando temos esse espírito, então, estamos prontos para receber as impressões que vêm do alto, e os olhos de nosso entendimento se abrem, e nossos ouvidos se destapam, e recebemos a palavra que vem pelo canal apropriado, e nossos corações se regozijam, e nossos espíritos se alegram, e estamos prontos e dispostos a fazer aquilo que o Senhor exige de nossas mãos.

Digo que este é um dos princípios fundamentais do Evangelho de Jesus Cristo. O Senhor, numa revelação que encontraremos na octogésima oitava seção de Doutrina e Convênios (que, a propósito, contém um grande número das mais gloriosas verdades, admoestações e instruções), o Senhor diz que devemos "permanecer na liberdade que nos faz livres" no Evangelho; e é necessário, de tempos em tempos, que nossas mentes sejam chamadas de volta aos fundamentos de nossa Igreja. Não que tudo o que o Senhor revelou não seja verdadeiro, e a verdade permanece para sempre, mas há princípios básicos subjacentes à nossa fé, para os quais devemos ter nossa atenção chamada de tempos em tempos, e estes nos são expostos em nossas conferências, em nossas reuniões sacramentais, em nossas organizações do Santo Sacerdócio, por meio de homens que são designados para ensinar, pregar, expor e declarar a mente e a vontade do Senhor. E é necessário que compreendamos estas coisas, para que não sejamos desencaminhados e sigamos por caminhos desviados e proibidos. O grande problema, nos tempos primitivos, logo depois que o Salvador partiu e os apóstolos foram mortos, foi o desvio para questões laterais, para caminhos desviados e proibidos, pelos membros da Igreja. Quando as luzes que Deus havia colocado no meio das trevas daquela geração foram apagadas pelas mãos de homens ímpios, as trevas vieram novamente e cobriram a terra, e trevas espessas vieram sobre o povo, e foram conduzidos de um lado para outro, porque começaram a se afastar dos princípios simples do Evangelho de Jesus Cristo, e foram desencaminhados pelas fantasias e opiniões dos homens.

Ora, temos de ser advertidos a este respeito, nós, Santos dos Últimos Dias, para que também não nos afastemos da fé, e não demos ouvidos a espíritos sedutores e doutrinas que não estejam de acordo com a mente e a vontade de Deus. Se nos estabelecermos na verdade, se nossos pés estiverem plantados sobre a rocha, se recebermos as impressões daquele Espírito divino, que é "a unção que vem do alto e ensina todas as coisas", e que há de ser uma testemunha permanente dentro de nós, haverá muito pouco perigo de nos desviarmos. Mas, quando absorvemos opiniões e noções introduzidas pela filosofia especulativa falsamente chamada ciência, e nossas mentes se voltam para aquelas coisas que são ensinadas em muitas das escolas e faculdades do mundo, sob o nome de ciência, tendemos a nos desviar e a nos afastar dos fundamentos aos quais faço breve alusão nesta manhã. Assim, meus irmãos e irmãs, devemos nos estabelecer plenamente naquelas coisas que são fundamentais à nossa fé. E estas são essenciais. De fato, não conheço nada que seja realmente verdadeiro e divino que não seja essencial. É verdade que se faz, no mundo cristão, uma divisão entre o que se chama de "essenciais" e "não essenciais". Mas o problema é que não há verdadeira unidade entre os homens do mundo cristão quanto ao que é essencial e ao que é não essencial. Todo princípio que o Senhor nos revelou nos últimos dias deve ser contado entre os essenciais, e, como já disse, não conheço nada que o Senhor tenha revelado, que Deus nos tenha dado a conhecer, que seja não essencial.

Ora, deveria haver liberdade, certamente, em todas essas coisas; liberdade quanto aos essenciais, tanto quanto liberdade quanto ao que se chama de não essenciais. Em que medida? Nesta medida:

"Sabei isto: que toda alma é livre

Para escolher sua vida e o que será,

Pois esta verdade eterna é dada,

De que Deus não forçará ninguém ao céu.

Ele chamará, persuadirá, dirigirá corretamente,

O guiará com sabedoria, amor e luz,

De inúmeras formas será bom e bondoso,

Mas jamais forçará a mente humana."

Essa liberdade é dada a todo o povo. E, contudo, ao mesmo tempo, embora as pessoas tenham liberdade para escolher o certo ou recusá-lo, devem receber e suportar as consequências de seus próprios atos individuais. A verdade é apresentada ao mundo. "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura; quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado." Esse é o édito do Salvador, e vem segundo princípios naturais. Se um homem ouve a verdade e não quer recebê-la, se a rejeita, deve arcar com as consequências, mas tem a liberdade de recebê-la ou rejeitá-la. Um homem não é compelido a ser batizado. Pode escolher ser batizado, ou permanecer não batizado, mas, se permanecer não batizado, tendo fé e arrependimento, não pode receber a remissão de seus pecados, e não pode entrar no rebanho e na família de Cristo, seja na terra ou nos céus, pois "a menos que um homem nasça da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus". Essa é uma das coisas fundamentais ensinadas por nosso Salvador quando na carne, e Ele a renovou nos últimos dias, nas revelações dadas por meio do Profeta Joseph Smith.

Ora, devemos ser muito cuidadosos, quando ouvimos a palavra do Senhor, em recebê-la e obedecê-la, e devemos ser muito cuidadosos, quando os homens proferem suas próprias opiniões e ideias, seja a respeito dos princípios do Evangelho, seja a respeito de qualquer coisa pertinente ao bem-estar da família humana, quanto a aceitá-las. E devemos ter os olhos abertos à luz, e estar dispostos a receber bom conselho e boa orientação, e a dar ouvidos à voz do Senhor pelo canal designado, e buscar ao Senhor nosso Deus por luz, para que possamos saber se estamos caminhando no caminho reto que conduz à felicidade e à vida eterna, ou se estamos sendo desencaminhados por caminhos desviados e proibidos. No mundo cristão, a ideia de "essenciais e não essenciais" se refere à religião. Aquele dito, tão belamente citado aqui pelo Irmão Roberts, proveniente de um distinto clérigo dos tempos modernos: "Unidade nos essenciais, liberdade nos não essenciais, e caridade em todas as coisas", é muito atraente à primeira vista e à primeira audição. Mas surge a questão, como já indiquei, de o que são essenciais e o que são não essenciais. O dito, tal como proferido por aquele clérigo moderno, se relacionava inteiramente a assuntos religiosos; que, nos essenciais, deveríamos estar unidos, que, nos não essenciais, isto é, pertinentes a ideias religiosas, não particularmente ao governo civil — não foi proferido nesse contexto — mas, nos não essenciais, deveríamos ter liberdade. Sim, certamente liberdade em ambos, digo eu; liberdade nos essenciais — isto é, a liberdade de receber ou rejeitar, quando um princípio, doutrina ou ideia nos é apresentado; temos a liberdade de recebê-lo, e temos a liberdade de rejeitá-lo, mas arcamos com as consequências de nosso próprio ato, porque somos seres responsáveis, seres inteligentes, e há um dia designado em que todo o povo será julgado pelos atos praticados no corpo. E isso será porque são responsáveis por seus próprios atos, e podem recebê-los ou rejeitá-los, seja nos essenciais, seja nos não essenciais.

Mas, quanto ao que se chama "governo civil". Não há essenciais naquilo que se agrupa sob o título de governo civil? Sim, penso que sim; penso que há fundamentos quanto ao governo civil, e particularmente quanto ao tipo de governo sob o qual vivemos. Vivemos sob um governo "do povo, e pelo povo, e para o povo". Sim, essa é uma ideia esplêndida; é verdadeira; mas tem de ser compreendida em seu espírito. Temos um governo do povo porque o povo dos Estados Unidos, por meio de seus representantes, fez uma Constituição, que é a lei fundamental, suprema, da terra, e há princípios definidos contidos naquele instrumento sagrado. E temos o direito de falar a respeito dela em nossa conferência geral, ou em nossas outras reuniões religiosas, porque recebemos a palavra do Senhor a esse respeito. Na centésima primeira seção de Doutrina e Convênios, podemos ler o que o Senhor disse a respeito daquele instrumento. Ele diz que devemos ser seus amigos, e permanecer firmes a seu favor, porque foi escrito e redigido por homens sábios, que Ele levantou exatamente para esse propósito; é isso o que o Senhor diz, no versículo 80. Deus deu aos redatores da Constituição de nosso país a sabedoria que demonstraram, ao adotar e concordar com certos princípios fundamentais que estão na base daquele belo e glorioso instrumento. É chamado o "paládio de nossos direitos", pois assegura direitos não apenas a um indivíduo, mas a todo o povo. E o Senhor diz, no versículo 77, que foi exatamente para isso que foi redigido — para que todo o povo pudesse ser preservado e protegido em seus direitos e privilégios; não apenas um indivíduo ou uma facção, mas todo o povo.

Ora, os redatores daquele instrumento tinham diante de si a história do progresso do governo civil ao longo das eras. Sabiam algo a respeito das falhas do passado; sabiam algo a respeito dos vários tipos de governos que haviam sido estabelecidos nos séculos que se passaram; haviam aprendido a diferença entre aquilo que se chama governo popular — a vontade não guiada do povo, das massas — e um governo representativo, conduzido por pessoas escolhidas pelo povo. E, meus queridos irmãos e irmãs, se estudardes a Constituição de nosso país, como todos deveríamos fazer, pois fazemos parte do governo, somos parte do povo, e somos dotados, como Estado da União — digo "nós", quero dizer, é claro, todo o povo de Utah — dotados, pelo poder da Constituição, de todos os direitos e privilégios pertinentes aos cidadãos de nosso país, deveríamos nos familiarizar com aquele instrumento. Alegro-me em saber que a Associação de Melhoramentos Mútuos tem se empenhado em introduzir, entre os membros daquele corpo, um manual relativo ao governo de nosso país e suas instituições, para que nossos irmãos possam se familiarizar com ele. Ora, descobrireis, ao estudar aquele instrumento sagrado, que ele prevê o que geralmente se chama uma forma representativa de governo. O governo é dividido em três ramos: o legislativo, o executivo e o judiciário; o judiciário, e o Presidente, e o Congresso, que se forma em dois ramos, um para servir de equilíbrio ou controle sobre o outro. Estas instituições, estabelecidas e fixadas na Constituição de nosso país, foram o produto do conhecimento e da sabedoria dos homens que se sentaram em conselho, que tiveram a oportunidade de ler a respeito das experiências do passado, remontando até o tempo da antiga Roma e da Grécia, e viram os fracassos que ocorreram quando o povo, diretamente, tinha poder para regular os assuntos da comunidade. Viram o que era necessário para conter as paixões da multidão; viram o que era necessário para assegurar os direitos e privilégios de todo o povo, sob a Constituição que estavam redigindo, e Deus lhes deu a sabedoria para escolher, entre as experiências do passado, as coisas que permanecem, que perdurariam, que eram imperecíveis em sua natureza, porque estavam fundadas na verdade, fundadas no verdadeiro espírito da liberdade, fundadas no espírito essencial da liberdade, para assegurar a todo o povo seus direitos e privilégios, de modo que nenhum se intrometesse com o outro.

A liberdade individual não bastaria, em toda a extensão do termo, pois, se todo homem tivesse a liberdade, como alguns têm sustentado, de dizer o que quisesse, e da maneira que quisesse, quão logo haveria caos! Ides pela rua aqui, em Salt Lake City, e dizeis a cada homem o que pensais dele, e o dizeis da maneira que quiserdes, qual seria a consequência? Ora, vos encontraríeis na sarjeta, se ele for fisicamente mais forte do que vós. Suponde que as pessoas, em todo lugar, tivessem a liberdade de dizer exatamente o que quisessem, e da maneira que quisessem, e disputassem individualmente por aquilo que pensassem ser o melhor interesse da comunidade; logo não teríamos comunidade alguma, teríamos caos, e, pouco a pouco, haveria anarquia. Descobrireis, ao ler atentamente a história do passado, que esta liberdade popular extrema geralmente voltou novamente à tirania e ao monarquismo. Mas a forma representativa de governo, prevista na Constituição dos Estados Unidos, se preservada entre o povo deste país, manterá e continuará aquela liberdade, aquela liberdade e aquele poder para a nação, que o Senhor determinou que esta nação deveria ter, se o povo seguisse Seus caminhos e guardasse Seus mandamentos. Pois é a história deste país que, quando a maioria do povo se entregou à iniquidade e à corrupção, e se afastou dos princípios legados a eles por seus pais, e se lançou no autogoverno até o extremo, pereceram, se envolveram em guerra, e a destruição veio sobre eles. E agora o Senhor declarou que, se continuarmos nas verdades que Ele revelou, Ele manterá esta nação, e a fará grande aos olhos de todo o mundo, e, por mais de cem anos, isto tem acontecido sob a forma de governo estabelecida pelos pais, sob aquele instrumento chamado a Constituição de nosso país, que o Senhor inspirou homens sábios a adotar.

Já nos foi dito repetidamente — ouço isso desde que entrei na Igreja, quase — que chegaria o tempo em que aquela Constituição estaria em perigo, e seria o privilégio e o dever dos homens de Deus na Igreja de Cristo defender a Constituição, e ajudar a mantê-la e preservá-la de ser pisoteada. Chamo a atenção de meus irmãos e irmãs, nesta manhã, para esta declaração, e, mesmo que não tivesse sido proferida nessa forma, creio de todo o meu coração, por causa da revelação a que me referi, que o Senhor determina que este povo, de todos os povos nesta grande terra, seja o defensor da Constituição dos Estados Unidos, e permaneça firme por aquele princípio fundamental que percorre todo o instrumento, pelo qual o povo é representado por homens de sua própria escolha, para fazer as leis, executá-las e julgá-las — não para serem julgadas pela multidão, mas pelo tribunal que o Senhor ajudou a trazer, dando sabedoria a nossos antepassados, para que pudessem estabelecer o governo sobre aqueles fundamentos. Chamo vossa atenção para isto porque creio, como o Presidente Smith declarou em seu discurso de abertura desta conferência, que "estamos vivendo em tempos perigosos"; que chegou o tempo em que nossa atenção deveria ser voltada para estas coisas, para que possamos conhecer nosso dever, e possamos cumpri-lo com bravura. O Senhor

disse ao profeta Ezequiel que o fez atalaia sobre as torres de Israel, e colocou sobre ele a responsabilidade de dizer ao povo o que era certo, e de os chamar de volta de fazer o que era errado, e disse que, se o atalaia cumprisse seu dever, suas vestes estariam livres de culpa; mas, se não cumprisse seu dever, e viessem a tribulação, a tristeza e a destruição, a responsabilidade recairia sobre sua cabeça; mas, se o atalaia advertisse o povo e eles não aceitassem a advertência, então as consequências teriam de sofrer, e a responsabilidade seria deles, e agradeço a Deus por termos um atalaia sobre as torres de Sião, inspirado pelo Senhor, cheio do Espírito de seus predecessores no cargo, revestido do direito, do poder e da autoridade de nos falar em nome do Senhor.

Atendamos à voz de advertência! Não sejamos desencaminhados por caminhos desviados e proibidos, mas observemos aquele esplêndido princípio enunciado pelo clérigo inglês a quem brevemente aludi nesta manhã, de que deveríamos ter "caridade em todas as coisas" — caridade que cobre uma multidão de falhas; caridade que "tudo crê, tudo espera" (isto é, todas as coisas que são verdadeiras e boas); que não se ensoberbece, que não busca seus próprios interesses, mas busca o bem-estar dos outros. E permiti-me dizer aqui, de passagem, que não é verdadeira caridade aquela que às vezes alguns de nós exibimos, quando não conseguimos fazer nada além de encontrar defeitos; quando tentamos retratar as fraquezas de nossos semelhantes; quando nos levantamos em público e os repreendemos, e os chamamos por nomes maldosos; quando não vamos até eles como irmãos, e falamos com eles sobre o que pensamos estar errado em suas ideias e noções, mas nos levantamos diante da populaça e os chamamos por nomes vis — não há caridade nisso, a meu ver — mas deveríamos ser caridosos, e exercer discrição e juízo em tudo o que fazemos, e ser bondosos, pacientes e fiéis. Mas é dever daqueles que estão para regular, presidir, dirigir, ser firmes pela verdade e permanecer firmes por ela, e, às vezes, como disse o Profeta Joseph, numa das revelações que lhe foram dadas, que o poder do sacerdócio deveria ser exercido com bondade, com amor não fingido, pela persuasão, pelo ensino, pelo esclarecimento, e, contudo, às vezes, "repreender com severidade", quando necessário, para que aqueles que falharam, ou se desviaram, pudessem se arrepender e voltar ao Senhor.

Lamento em minha alma que alguns de meus irmãos saiam diante do povo, e ergam suas vozes, aparentemente com o único propósito de expor as falhas, e, como às vezes pensam, as iniquidades, de homens que estão em cargos e em autoridade, seus próprios irmãos na Igreja de Cristo, em vez de tentar explicar aos indivíduos suas falhas. Não creio que seja direito dos homens, e particularmente se eles próprios afirmam ter autoridade e poder eclesiástico no ministério, sair e repreender os outros, e, ao mesmo tempo, se o homem que está à frente profere sua opinião, por mais cuidadosa e bondosamente que o faça, querem privá-lo desse direito. Sustento, e tenho sustentado ao longo dos anos que passaram, tanto de língua como de pena, que os direitos das autoridades desta Igreja são pelo menos iguais aos direitos dos demais cidadãos, nestes assuntos, e é o direito e o privilégio do homem que está à frente exprimir suas opiniões e seus pontos de vista. Se, em algum momento, ele tentar impor suas opiniões privadas aos outros por meio de éditos contra eles, por força eclesiástica, por força física, por quaisquer castigos ou penalidades, isso será outra coisa; mas isso não aconteceu em nossa história, até onde sei, e apoiarei meus irmãos, com quem estou associado, ao apontar a verdade tal como a veem, e expor o erro tal como o compreendem, e ao tentar convencer e converter aqueles que se desviam, para que voltem ao caminho certo, para que um bom governo possa prevalecer; esse é nosso privilégio.

O reino do governo civil contém, sem dúvida, muitas coisas que são não essenciais, e nelas podemos divergir, e assim também quanto aos essenciais, e considero essenciais ao bem-estar deste país as coisas contidas na Constituição de nossa terra. É claro que ela pode ser emendada, mas emendar a Constituição, e rasgá-la pelas costas e arrancar-lhe as entranhas, são duas coisas muito diferentes. Queremos permanecer firmes pela Constituição, em seu espírito, significado e intenção, e em suas partes fundamentais. Houve emendas feitas, mas, se as estudardes, descobrireis que não estão em desacordo, nem discordam do corpo do documento. As dez primeiras emendas aprovadas são ampliações de poderes e direitos na direção do povo, e estão todas certas, cada uma delas, e em harmonia com o próprio instrumento. Pode haver diferença de opinião a respeito de algumas outras que foram aprovadas, mas foram adotadas, e são parte da lei fundamental agora, e devemos permanecer firmes por elas; é nosso dever fazê-lo, mas, em todos os aspectos, elas estão levando a cabo os poderes legitimamente conferidos pela Constituição de nosso país. Ora, então, sejamos cuidadosos para não nos afastarmos daquela Constituição, e sermos desencaminhados por caminhos desviados e proibidos, e trazer o caos e, por fim, a anarquia e a destruição sobre esta gloriosa nação.

No último capítulo do Velho Testamento, lemos a respeito do profeta Elias vindo antes do grande e terrível dia do Senhor, e conectado a isso está a predição, ou antes, o mandamento de Deus: "Lembrai-vos da lei que vos dei em Horebe, com os estatutos e juízos." Voltai ao Velho Testamento, no livro de Êxodo, capítulo 20, que foi lido em nossa primeira reunião, e encontrareis o que foi dado em Horebe, consistindo nos dez mandamentos, e estes são fundamentos que permanecem e persistem através de todas as mudanças do tempo. As ordenanças e regulamentos estabelecidos pela lei menor de Moisés foram dados a Israel porque não receberiam a plenitude do Evangelho; quando estes se cumpriram em Cristo, a lei superior surgiu novamente, e o povo teve de permanecer firme por ela; e conectada a ela, e parte dela, está aquela lei fundamental, ou aqueles princípios fundamentais contidos nos Dez Mandamentos. Lembremo-nos deles, e, ao mesmo tempo, permaneçamos firmes, como Paulo disse, naquela liberdade com que Cristo nos libertou — livres do cativeiro do pecado, livres da tirania dos vícios, livres do controle daqueles apetites e paixões que dominam a multidão, e sejamos castos e puros e santos em nossa prática e em nosso espírito, e, com caridade em nossos corações, e aquele amor a Deus e à humanidade que faz parte da verdadeira caridade, levemos adiante a obra de Deus, e preguemos às nações da terra aquilo que sabemos ser essencial à sua salvação — salvação no tempo, salvação na eternidade!

Agradeço ao Senhor por este glorioso evangelho, e pelas verdades que Ele revelou, e pelo conhecimento que me deu a respeito delas, que esteve comigo desde o princípio e permanece até hoje. Glória e louvor sejam a Seu santo nome, para todo o sempre, pela verdade que Ele revelou, que permanecerá para sempre, e que Deus nos ajude, a todos e cada um, a sermos fiéis aos convênios que fizemos, e a permanecermos firmes na fé que Ele nos revelou, e a ajudarmos na preservação das liberdades de nosso glorioso país, para que nós, com os bons e os verdadeiros entre os homens, possamos nos regozijar nas bênçãos da liberdade civil, religiosa e política. Amém.

Como citar este discursoCharles W. Penrose, “A Revelação Presente, um Princípio Fundamental”, Conferência Geral de Outubro de 1912, Sessão da Manhã do Terceiro Dia (1912-10-06). Pulpit Vault, 1912-10-17-penrose-present-revelation-a-basic-principle. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).