O Mundo Precisa do Mormonismo
Melvin J. Ballard
(Presidente da Missão dos Estados do Noroeste.) Ao ouvir as observações de nosso amado Presidente, na abertura desta Conferência, e ao ouvir sua declaração a respeito do propósito deliberado de certos indivíduos que trazem em seus corações o desejo de destruir a influência e o caráter dos Santos dos Últimos Dias, fabricando mentiras e falsidades do nada, com o propósito de enganar as mentes dos honestos e daqueles que, se apenas vissem a verdade, a receberiam, fui levado a pensar em uma história que li, há muitos anos, a respeito de um homem que vivia ao lado de uma montanha. Ele saiu certa manhã e encontrou a terra envolta em um espesso nevoeiro. Podia ver apenas uma curta distância à frente, mas ouviu ruídos de estalos na encosta da montanha, o quebrar de arbustos, mas a princípio não conseguia ver objeto algum. Aproximou-se do local do som, e então, na neblina e no nevoeiro fracos, pensou ver um monstro de proporções incomuns, rastejando firmemente em sua direção. Ficou alarmado, mas ainda desejava ver mais daquele suposto monstro. Ao aproximar-se ainda mais, descobriu, para seu espanto, que, em vez de um monstro, era um ser humano, um homem, e, à medida que se aproximava mais, para sua grande surpresa, descobriu que era seu próprio e amado irmão. Tenho pensado em como isso representa fielmente a condição cega de nossos irmãos e irmãs no mundo, com respeito aos Santos dos Últimos Dias. Por meio das deturpações e falsidades que foram fabricadas, que criaram a nuvem ou nevoeiro que obscureceu as mentes dos homens, foram levados a crer que éramos monstros de proporções incomuns. Nos tempos que já passaram, os homens foram ensinados a crer que de fato tínhamos chifres, e éramos diferentes de outros seres humanos; que buscávamos a vida de nossos semelhantes, que não éramos nada menos do que assassinos e ladrões. Mesmo agora há pessoas que sussurram baixinho, ao chegarem aos limites desta cidade, ao primeiro estranho que encontram: "Poderia me mostrar um mórmon?" As chances são de que já estejam se dirigindo a um membro de nossa Igreja. Mas a impressão foi disseminada de forma tão geral, de que somos diferentes de todos os demais, de que possuímos tais tendências más, e somos tais monstros, a partir do que se representou a nosso respeito, que nem sequer somos seres humanos. ¶
Graças a Deus, as névoas que obscureceram as mentes dos homens não as toldam hoje tanto quanto antes — não obstante, um grande esforço está sendo feito para fabricar mais névoa, mais nuvem, mais nevoeiro, para obscurecer as mentes dos homens. O velho sistema não funciona tão bem hoje quanto funcionava antes. O mundo está se aproximando dos Santos dos Últimos Dias. As centenas de milhares que passam por esta cidade, entrando em contato com os membros da Igreja aqui, e observando-a em seu funcionamento real, estão mudando de ideia, e estamos nos aproximando deles. Quando penso nos representantes desta Igreja, os dois mil missionários, ou perto desse número, que vão de porta em porta, dando-se a conhecer como membros representativos da Igreja, sou levado a crer que sua influência está causando uma mudança de sentimento. Muitas vezes, nossos missionários foram negados o privilégio e a oportunidade de viver nos lares do povo, quando se tornava conhecido que eram Élderes "mórmons". Pessoas que têm quartos para alugar frequentemente recusam nossos Élderes, ou, às vezes, com muita relutância, os recebem. Em alguns casos, o Élder não deixa sua crença religiosa conhecida até depois de ter garantido sua hospedagem e acomodações, onde vai pagar por seu quarto; e então, quando se descobre que é um Élder "mórmon", estão quase prontos a expulsá-lo de sua porta. Mas ainda não encontrei, em minha experiência, com centenas de Élderes, um caso em que um Élder "mórmon" tenha permanecido trinta dias na casa de uma pessoa que tivesse o maior preconceito, sem que essa pessoa se tornasse amiga do povo "mórmon". Alguns me disseram, quando perguntei àqueles com quem os Élderes ficam hospedados — à medida que vou entre eles de tempos em tempos — "Que tipo de homens são esses rapazes 'mórmons'? A resposta é que são os melhores e mais limpos homens que já conhecemos em nossas vidas. Quando vêm se despedir, há lágrimas derramadas por alguns daqueles que, a princípio, tinham dúvidas em recebê-los; e me disseram: "Não os leve embora de nós! ou, mande-nos de volta alguns outros." Repito, à medida que saímos entre o mundo e o deixamos ver que tipo de homens somos, e à medida que eles se aproximam mais de nós, a névoa se dissipa, e nos reconhecem, não como o monstro, mas como seres humanos, afinal de contas, semelhantes a eles mesmos. À medida que se aproximam ainda mais de nós, e aprendem a intenção e o propósito de nossos corações, descobrirão também que não somos apenas seres humanos, mas que somos seus amados irmãos, tendo o bem-estar da humanidade em nosso coração, e fazendo mais pelo mundo hoje, sem consideração terrena, do que qualquer outra comunidade no mundo. ¶
"Que maior amor tem qualquer homem do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos?" Nossos Élderes, ao deixarem seus lares, não têm medo de dar ou não suas vidas. Têm o espírito que estava em seus pais, quando cantavam: "E se morrermos antes de a jornada terminar, dia feliz, tudo está bem." O mesmo espírito arde nos corações de seus filhos e filhas, que deixam seus lares e arriscam a vida. Eles também podem dizer: "E se morrermos antes de a jornada terminar, dia feliz, tudo está bem." Foi minha tristeza ter de trazer para casa dois de nossos missionários que morreram em nosso campo, um desde nossa última conferência, e ter a grande tristeza de trazê-los para casa, para pai e mãe e outros entes queridos que haviam antecipado seu retorno com vida, com todo carinho e afeto. O último a que me refiro estivera fora por dois anos, exceto dois dias, quando foi acometido e tirado de nós, e tivemos de trazer seu corpo para casa. Mas isso não abalou a coragem dos irmãos que permaneceram, nem intimidou o sentimento dos pais e irmãos e irmãs em casa. Não; os Élderes estão dispostos a ir, e não temem as consequências. Não faz muito tempo, estive ao lado de um pai que foi a São Francisco para receber seu filho, que voltava para casa por causa de uma doença que contraíra nas ilhas. Estava sendo trazido para casa para ser cuidado até recuperar a saúde novamente. O pai ficou de pé no cais, aguardando a chegada do navio, e, quando ele entrou a vapor no porto, deu-se-lhe a triste notícia de que o filho, que esperava receber e levar para casa para nutrir de volta à saúde, havia morrido e sido sepultado no mar. Ó, o grande peso de tristeza que se abateu sobre seu coração dolorido! Ele voltaria à família em casa para levar aquela mensagem à mãe do rapaz; e disse-me, com lágrimas escorrendo pelo rosto: "Eu o amava como amava minha própria vida; tenho outros sete filhos, mas, se soubesse que cada um deles voltaria para casa ou terminaria sua missão dessa maneira, eu daria cada um deles ao serviço do Senhor." Que maior amor tem qualquer povo no mundo do que este, de dar seus filhos, suas próprias vidas, seus recursos, e tudo o que têm, pelo bem-estar da humanidade. Esses Élderes, ao irem de porta em porta, têm ardendo em seus corações um caloroso amor e afeto por seus semelhantes. Como podem viajar morro acima e morro abaixo, na chuva, na neve, ou na lama, às vezes dormindo ao relento, buscando as almas dos homens, sem gerar amor pelos filhos de nosso Pai? Quero dizer-vos que o mundo descobrirá, como já observei, que somos seus melhores amigos, seus próprios amados irmãos. ¶
Não só descobrirão isso, mas descobrirão que precisam de nós, e também precisam da mensagem que temos para trazer ao mundo; e que não podem prosseguir sem ela. Seus grandes esforços para conter a maré da incredulidade, para deter os estragos daquele espírito de descrença que está minando as igrejas, destruindo o ministério, e esvaziando os bancos, parecem infrutíferos. Na cidade de Portland, Gypsy Smith, um dos maiores revivalistas que o mundo tem hoje, realizou uma série de trinta reuniões, onde milhares de pessoas ouviram sua eloquência e caíram sob o encanto de seu poder. Durante esse tempo, cerca de três mil pessoas se apresentaram e assinaram cartões de que se filiariam a uma ou outra das cento e dez igrejas que se juntaram àquele grande reavivamento. Depois que as reuniões terminaram, o coro de mil vozes fora dissolvido, o tabernáculo estava silencioso, e os homens e mulheres foram deixados por si mesmos; um triste lamento vem dos cento e dez ministros que se juntaram ao reavivamento, de que menos de 10 por cento daqueles que assinaram cartões de fato se filiaram à igreja. Qual é o problema? Ah, falta aquele algo que tomou posse das almas dos homens quando clamaram no dia de Pentecostes: "Homens e irmãos, que faremos para sermos salvos?" e a resposta veio daquele servo autorizado de Deus — não venham aqui e assinem cartões, ou venham aqui e me deem sua mão, mas — "Arrependei-vos de vossos pecados, cada um de vós, e sede batizados em nome de Jesus Cristo para a remissão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo." É isso o que falta ao mundo hoje; e estão tentando manter sua posição, sustentar sua causa, sem aqueles poderes e bênçãos que vêm do Evangelho do Senhor Jesus Cristo; e fracassam. ¶
Um grande movimento religioso foi inaugurado, visando interessar os homens na igreja. Poucos homens frequentam as igrejas no mundo. Há apenas uma minoria dispersa, em meio a um comparecimento relativamente grande de mulheres; e um movimento, que tem por trás milhões de dólares, está sendo impulsionado de cidade em cidade, para interessar os homens na igreja. Quando penso nisso, ó, como meu coração se enche de gratidão para com o Deus dos céus, que nos deu a chave pela qual esta grande questão pode ser resolvida. Se algum dia a resolverem, terão de nos copiar, e aprender conosco. Pois, eis que a Igreja providencia algo para que todo membro do sexo masculino faça — o Sacerdócio que recebem coloca uma parcela de responsabilidade sobre cada membro individual. Nenhum homem se interessará, a menos que trabalhe. O Senhor resolveu essa questão para nós; e o mundo está tentando resolvê-la sem Sua ajuda e assistência; se algum dia a resolverem, será porque imitaram o "mormonismo" novamente. ¶
Há algumas semanas, tive o privilégio de estar, com alguns de meus irmãos, em um lugar sagrado na parte ocidental de Nova York, no bosque sagrado. Ao erguermos nossas vozes em cântico, onde Joseph se ajoelhou e derramou sua alma a Deus, meu coração se derreteu e se abrandou dentro de mim, e senti então como nunca havia sentido antes em minha vida, que Joseph disse a verdade, a verdade absoluta, que ele de fato teve a gloriosa visão, que o Pai e o Filho de fato ficaram diante dele, que ele os viu e ouviu a voz do Filho de Deus. Meu coração se encheu de gratidão por ter a certeza de que Jesus, o Salvador do mundo, que morreu pelos homens, que deu Sua vida por nós, que é a vida e o caminho, ainda ama os filhos de nosso Pai, ainda tem interesse por eles, e de fato veio, na era em que vós e eu vivemos, e voltou a falar ao homem. ¶
Chamando vossa atenção para as observações do Presidente Robinson, de que um grande número de homens instruídos desconsidera todas as evidências dadas a respeito da existência de Cristo, descartam-nas e as desconsideram, e até mesmo entre aqueles que professam crer na Bíblia há uma falta de fé de que Jesus Cristo era o Filho de Deus, possuidor dos poderes que Ele exibiu, segundo o testemunho dos escritores das Escrituras; senti-me levado a dizer, sim, poderíamos repudiar tudo isso, e ainda assim o "mormonismo" estabeleceria o fato de que Jesus Cristo é o Filho de Deus, que Ele vive, e que Ele de fato, em nossos próprios dias, apareceu e falou aos homens na carne. Este é o nosso testemunho e depoimento. Embora todas as outras evidências possam ser destruídas, temos este conhecimento dEle, de que Ele vive, e de que Ele é o Filho ressuscitado de Deus, de que Ele é a vida e o caminho. Não sabemos os meios e maneiras pelos quais Ele há de realizar a ressurreição dos mortos, nem sabemos os meios ou maneiras pelas quais os produtos da natureza, que há poucos meses pareciam mortos, são trazidos de volta. As flores murchas, a grama decadente e deitada rente ao solo; nenhum sinal de vida nas árvores; todos pareciam mortos; e, no entanto, eis que, pelos poderes mágicos que Deus organizou na luz do sol, e pelo poder de outras influências, aqui está nova vida brotando; a árvore lança seu botão, sua folha, a grama brota de novo, e há uma completa renovação daquilo que aparentemente estava morto. Tenho pensado, a esse respeito, nos pais e mães, maridos e esposas que depositaram seus entes queridos, silenciados pela morte; o lábio que outrora proferia palavras de amor não mais fala; a mão que carinhosamente nos acariciava cai sem sinal de vida nela, e dizemos que estão mortos. Certamente hão de viver novamente, tal como a árvore que dormita durante o inverno. Embora não venham à luz pelo sol que brilha e dá vida à natureza vegetal, ainda assim viverão novamente, tão real, verdadeira e certamente quanto essas flores hão de crescer novamente, quando Aquele que tem o poder da vida dentro de Si, mesmo o Filho de Deus, o Mestre dos elementos, exercer esse poder para ressuscitar os homens dentre os mortos. Não há dúvida a esse respeito. O mundo precisa do testemunho de que Jesus é de fato o Cristo, e de que nosso Pai nos céus é uma realidade, um ser tangível, e não um mito. ¶
O mundo também precisa do conhecimento a respeito do batismo por imersão para a remissão dos pecados, com a multidão de doutrinas e princípios relacionados a esse assunto! Ó, que esclarecimento de dúvida houve sobre esse assunto quando, há 83 anos, João Batista apareceu e impôs as mãos sobre a cabeça dos homens, conferindo-lhes o Sacerdócio Aarônico, e lhes disse o modo e a maneira pelos quais deveriam batizar por imersão para a remissão dos pecados, e lhes deu autoridade para comissionar outros. Digo que o mundo precisa deste conhecimento; o povo anda perdido nas trevas e na ignorância sem ele; e nunca obterá as bênçãos que busca, exceto pela obediência à lei do Senhor, e à autoridade de Jesus Cristo. Nem serão capazes de organizar a Igreja de Cristo, e dar-lhe todos os seus oficiais, organização e perfeição de funcionamento, a menos que recebam autoridade do céu, e adotem aquele método, padrão e sistema que foi dado ao Profeta Joseph pelas revelações de Deus. Estão buscando resolver a questão do financiamento, para a manutenção de suas igrejas. Não são capazes de fazê-lo, a menos que aprendam uma lição do "mormonismo". A grande convenção batista, na cidade de Portland, há alguns meses, passou dois dias discutindo esse assunto. Recebi a visita de dois dos principais ministros, que me pediram para explicar o sistema de dízimo adotado pelos Santos dos Últimos Dias; depois de ouvir minha explicação, prontamente concordaram que é a única coisa a fazer. Novamente digo, precisam do "mormonismo" para resolver essa questão. ¶
Também, em conexão com a observância do dia de jejum. (Neste sentido, desejo enfatizar aos Santos dos Últimos Dias, em casa e em toda parte, que não estamos, segundo o relatório feito pelo Bispado Presidente, cumprindo plenamente nosso dever a esse respeito). Como podem os pobres ser providos, e devidamente cuidados? O Senhor concebeu a maneira e os meios, por meio de cada um e todos os Seus Santos jejuando um dia a cada mês, para que assim possam sentir as dores da fome, e se compadecer dos famintos; para que também sejam levados a perceber, nessa experiência, sua dívida para com Deus pelo alimento que têm, e pelas demais comodidades da vida. Ao vivenciarem essas coisas, satisfazem seus sentimentos ao dar aos pobres aquilo que economizaram jejuando, e isso se torna uma bênção para eles, tanto espiritual quanto física, cultivando atributos magnânimos e generosos, ao se negarem a si mesmos e ministrarem àqueles que estão em necessidade. Em vez de nossa Igreja apresentar, em ofertas de jejum, uma média de apenas 17 centavos per capita ao ano, deveria apresentar, pelo menos, 10 centavos por membro por mês; assim, ao cumprirmos isso, teríamos economizado à Igreja algo em torno de $200.000 no ano passado, que foi retirado dos dízimos para ajudar os pobres. Demos esse exemplo, irmãos e irmãs, a esse respeito, ao mundo, para que vejam como os pobres podem ser providos; pois, se cada indivíduo em todo o mundo jejuasse duas refeições uma vez por mês, o dinheiro assim economizado poderia prover meios amplos para cuidar de todos os pobres em todo o mundo. Mantenhamos esse padrão que o Senhor nos deu, para que o mundo possa ver a beleza desta coisa. ¶
Assim, em meu coração, sinto confiança, enquanto vivo, de que o mundo precisa do "mormonismo", e virá a compreendê-lo melhor à medida que os anos passarem. Espero que vós e eu, e todos os membros da Igreja que vivem em alas obscuras, ou estacas, ou em outros lugares, vivamos de acordo com o padrão que o Senhor nos deu; e, por nosso exemplo, preguemos um sermão que nossas palavras não podem transmitir. Repito o que já disse antes: se algum dia convertermos o mundo, será por meio de nossas vidas, e não por meio de pregar nossas doutrinas, pois se sentirão atraídos por nossas vidas muito antes de apreciarem a verdade dos princípios que fizeram nossas vidas serem o que são. ¶
Que Deus nos ajude, meus irmãos e irmãs, a apreciar esses privilégios abençoados que nos vieram, e sejamos conscientes, o dia todo, de que somos pioneiros para o resto do mundo. Este Evangelho é para todos os homens, e Deus nos chamou, a vós e a mim, e a nossos pais e mães, para abrir o caminho como pioneiros, para fixar os padrões, para sustentar a causa, aconteça o que acontecer, para que eventualmente possamos nos mostrar uma bênção, não apenas para nossa própria posteridade, mas para todo o mundo, como Deus pretendia que fôssemos, até mesmo para ajudar na salvação das almas dos homens. ¶
Que o Senhor nos ajude neste grandioso e nobre trabalho, peço em nome de Jesus. Amém. ¶