Evidências Externas da Missão do Profeta Joseph Smith
George F. Richards
Sinto muito intensamente, meus irmãos e irmãs, a responsabilidade que recai sobre mim ao ocupar esta posição, em que se espera que eu conduza esta vasta congregação a um pensamento proveitoso. Tenho absoluta confiança no poder do Senhor para me auxiliar, e creio que a fé e as orações dos Santos valerão muito perante o Senhor. Peço-vos, portanto, meus irmãos e irmãs, que me deis vossa fé e orações, para que eu seja abençoado e para que vós sejais abençoados. ¶
As propriedades acústicas deste magnífico edifício são tais que, se houvesse silêncio perfeito, um alfinete caído no púlpito poderia ser ouvido na parte mais remota do edifício. Isso me lembra que frequentemente, sem perceber, ao movermos os pés, tossirmos e nos mexermos, perturbamos a congregação, e tornamos impossível que alguns ouçam. Isso também torna necessário que o orador, especialmente se tiver voz fraca, eleve sua voz tão acima do tom natural que se perturba a si mesmo. ¶
Posso testemunhar a verdade de tudo o que foi dito até agora nesta Conferência, e sou grato por isso. Tenho certeza de que os fiéis Santos dos Últimos Dias receberam o mesmo testemunho que eu tive a respeito deste assunto. ¶
Nos corações dos Santos dos Últimos Dias, há dois nomes muito intimamente associados, e muito caros a nós — o nome de nosso amado Salvador, Jesus Cristo, e nosso caro Profeta, Joseph Smith. A missão e os trabalhos desses dois não eram totalmente diferentes. Olhamos para o primeiro como o mais nobre de todos os filhos de Deus, como o primogênito de nosso Pai Eterno em espírito, e o Unigênito do Pai na carne, o Criador de todas as coisas, sob a direção do Pai, o Redentor e Salvador do mundo, que voluntariamente Se entregou a uma vida de tristeza e aflição, de provação e tentação, sobre quem se lançou toda espécie de indignidades, que resistiu a todas as tentações de fazer o mal, que Se negou tudo o que era proibido na lei do Evangelho, da qual Ele era o autor. Ele fez todas as coisas que dEle se exigiam, fazendo a vontade do Pai sob todas as circunstâncias, e finalmente deu Sua vida, um mártir, um sacrifício sobre a cruz do Calvário, por todos os filhos de nosso Pai. Isto Ele fez para que fôssemos redimidos do pecado original, para que voltássemos a viver como seres imortais; para que, depois de deixarmos estes corpos mortais, nossos espíritos voltassem a tomar sobre si corpos que não estivessem sujeitos à morte, nem ao sofrimento como aqui na carne; também para que fôssemos redimidos dos efeitos de nossos próprios pecados e transgressões, e fôssemos salvos com Ele no reino de nosso Pai, mediante nossa obediência às leis e ordenanças do Evangelho. Amamos o Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador. Amamos Seu nome, e o consideramos sagrado, e não o profanaríamos. Somente os vis ou os ignorantes fariam isso. ¶
Olhamos para Joseph Smith como um dos mais nobres filhos de Deus, reservado em espírito para vir aqui à terra nestes últimos dias para ser profeta; sim, o grande profeta do século dezenove, da dispensação da plenitude dos tempos. Sua vida esteve sujeita à tristeza e ao sofrimento, por seu povo, e ele experimentou constante ansiedade e interesse pelo bem-estar dos Santos dos Últimos Dias e dos filhos dos homens. Foi perseguido, como o foi o Salvador, e costumava nadar em águas profundas durante todos os dias de sua curta vida; foi processado nos tribunais, tendo sido falsamente apresentadas contra ele cerca de trinta e nove acusações diferentes, e foi absolvido tantas vezes, pois Joseph Smith era um homem inocente. Quando a perseguição se tornou tão intensa, e ele pensou em fugir dela, para que pudesse talvez ser útil por muitos anos ainda a este povo, a quem amava mais do que à própria vida, alguns supostos amigos insinuaram que seria covardia de sua parte deixar o povo sob essas circunstâncias, e Joseph Smith observou: "Se minha vida não tem mais valor para este povo, não o tem para mim"; e ele voltou. Enquanto ia, ou estava prestes a ir, para Carthage, ele fez esta observação: "Vou como um cordeiro para o matadouro, mas minha consciência está livre de ofensa para com todos os homens"; e enfrentou sua morte com coragem. Foi martirizado, e selou seu testemunho com seu sangue. E nós o amamos; ele é nosso profeta, o profeta da dispensação do Evangelho em que temos figurado, em que tivemos o privilégio de tabernacular na carne. Ele foi o instrumento na restauração do Evangelho eterno à terra, no estabelecimento da Igreja e do Reino de Deus, na restauração do Santo Sacerdócio, aquele poder e autoridade para ministrar aos filhos dos homens nas ordenanças de vida e salvação, e para pregar este Evangelho por todo o mundo. As muitas revelações que o Senhor deu, por meio dele, a este povo, para nosso esclarecimento, para nosso conforto e alegria, e para nossa orientação pela vida, todas essas apreciamos, e isso nos faz amar cada vez mais nosso caro e falecido profeta, Joseph Smith. ¶
Recebemos o testemunho do Espírito, que foi prometido àqueles que fizerem a vontade do Pai e se sujeitarem às ordenanças do Evangelho. Por meio do Espírito Santo, sabemos que Jesus é de fato o Cristo, o Salvador do mundo, e que Joseph Smith foi um verdadeiro profeta de Deus, e que esta obra em que estamos empenhados é a obra do Senhor, o poder de Deus para a salvação. Embora não possamos transferir este conhecimento e essa impressão do Espírito de Deus a outros, nem transmiti-lo a nossa descendência, a promessa é a todos de que, se nos sujeitarmos aos mandamentos de Deus, receberemos o Espírito Santo; e é o ofício e a missão do Espírito Santo dar testemunho tanto do Pai como do Filho. Nenhum homem pode saber que Jesus é o Senhor senão pelo Espírito Santo; e, pelo poder do Espírito Santo, podemos conhecer a verdade de todas as coisas. Assim, prometemos ao povo do mundo que também eles podem obter um testemunho como o que obtivemos, da maneira pela qual o obtivemos; mas há outras evidências, evidências externas, poderia dizer, que apelarão ao homem e à mulher honestos e reflexivos, a respeito da verdade da missão do Profeta Joseph Smith. ¶
Gostaria de me referir a uma evidência que considero uma das mais fortes que temos da verdade dessas coisas. Refiro-me ao tempo em que Joseph começou seu ministério. Ele vivia com a família de seu pai no município de Manchester, no Estado de Nova York. Era a primavera do ano de 1820, e havia naquela vizinhança, naquele tempo, um grande calor de sentimento religioso; de fato, um reavivamento das várias denominações religiosas. Atribuo a essa condição a atividade do Profeta Joseph, de maneira religiosa, naquele momento específico, pois ele frequentava suas reuniões, lia as Escrituras, e estava agitado em seus sentimentos. Sendo um jovem virtuoso, de mente pura e consciencioso, de inclinação religiosa, ele tinha o desejo de se juntar à igreja que fosse reconhecida pelo Senhor, e de fazer sua parte; mas era difícil para ele; de fato, impossível para ele determinar qual, dentre todas essas denominações religiosas, estava certa. Certo dia, enquanto lia a Bíblia, chegou ao primeiro capítulo de Tiago, lendo o quinto versículo, como se segue: "E se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, sem repreensão, e ser-lhe-á dada." Joseph sentiu que ele, de fato, precisava de sabedoria do Senhor naquele momento específico, e ele acreditava na Escritura, e ficou impressionado com a verdade e a importância dessa declaração, talvez tanto quanto o próprio autor quando a escreveu. Ele decidiu se dirigir ao Pai em oração. Assim, foi para o bosque, e ali, pela primeira vez, ofereceu uma oração vocal ao Senhor. Foi uma oração de fé sincera, e trouxe uma resposta. Ele nos conta que apareceu acima dele uma luz que excedia em brilho o sol do meio-dia, e que, quando a luz caiu sobre ele, viu dois personagens celestiais de pé na luz, imediatamente acima dele, no meio do ar, cujo brilho e glória desafiam qualquer descrição; que um deles falou com ele, chamando-o pelo nome, e disse-lhe, apontando para o outro: "Este é Meu Filho Amado; ouve-O." Joseph, lembrando-se do que viera pedir e sobre o que orar, fez a simples pergunta de qual, dentre todas essas denominações religiosas, estava certa, para que soubesse a qual se unir. Para seu espanto, foi-lhe dito que todas estavam erradas, que aqueles professores religiosos eram corruptos, que pregavam como doutrina os mandamentos dos homens, tendo aparência de religiosidade, mas negando o seu poder, e que seus credos eram uma abominação à Sua vista. ¶
Ora, esta história contada por Joseph era ou verdadeira ou falsa; e sobre a verdade ou falsidade dessas declarações o "mormonismo", assim chamado, deve permanecer ou cair; pois, se falsa, então Joseph Smith teria sido marcado como um vil enganador dos homens, um impostor a quem Deus jamais poderia ter, depois disso, honrado da maneira como Joseph Smith afirma que foi honrado e reconhecido pelo Senhor. Se o Senhor tivesse alguma obra justa a realizar, certamente não teria escolhido um impostor para representá-lO. Por outro lado, se verdadeira, então poderíamos esperar novas manifestações de caráter semelhante ao Profeta Joseph; e assim Joseph nos conta que teve outras manifestações. Ele nos conta de ter recebido as placas de ouro das quais o Livro de Mórmon foi traduzido, e, com essas placas, o urim e tumim, ou os intérpretes sagrados, com cujo uso, e com a ajuda do Senhor, por meio de Seu Espírito, Joseph foi capaz de interpretar as gravações nas placas; e, com a assistência de Martin Harris, Oliver Cowdery, David Whitmer e outros, ele foi capaz de publicar o Livro de Mórmon. Naquele livro, no quinto capítulo de Éter, há uma predição do anjo Morôni, quando selou os registros, de que, quando o livro viesse à luz, o Senhor levantaria testemunhas para testificar de sua verdade. E o Senhor de fato levantou testemunhas; mas, entretanto, no dia 15 de maio de 1829, Joseph e Oliver dizem que o anjo, João Batista, apareceu, e, impondo suas mãos sobre eles, conferiu-lhes o Sacerdócio Aarônico, e que, mais tarde, Pedro, Tiago e João vieram e lhes conferiram o Santo Sacerdócio de Melquisedeque, com poder para edificar a Igreja e o Reino de Deus sobre a terra — para selar na terra, e seria selado no céu; para desligar na terra, e seria desligado no céu. Ora, o que quero dizer é isto: que, se pudermos provar que qualquer acontecimento subsequente, relatado pelo Profeta Joseph, de caráter divino, era verdadeiro, então essa evidência provará a verdade de todos os acontecimentos que o precederam, e necessariamente deverá provar que a primeira visão que ele teve, e o que o Senhor lhe disse, era verdadeiro. Refiro-me a vós às três testemunhas do Livro de Mórmon. Não lerei seu testemunho; é familiar à maioria de vós, encontra-se na parte inicial do Livro de Mórmon. Essas três testemunhas, que foram levantadas pelo Senhor, e cujo testemunho foi publicado ao mundo como sabor de vida ou de morte, conforme o mundo recebesse ou rejeitasse seu testemunho, elas certificam que um anjo de Deus desceu do céu — isso foi no final de junho, ou possivelmente no mês de julho, no ano de 1829 — e que ele trouxe e colocou diante de seus olhos aquelas placas de ouro das quais Joseph Smith havia traduzido o Livro de Mórmon. Viram as gravações nas placas, e ouviram uma voz do céu dizendo que haviam sido traduzidas pelo dom e poder de Deus, e prestam seu testemunho de que sabem que o Livro de Mórmon é verdadeiro. ¶
Ora, o anjo havia dito a Joseph que este livro continha uma história dos antigos habitantes deste continente, e também a plenitude do Evangelho eterno, tal como foi ensinado pelo próprio Jesus a esse povo. Temos declarações juramentadas a respeito do caráter e do testemunho desses homens, muitos anos depois de seu primeiro testemunho, que demonstram que mantiveram seu testemunho até seus últimos dias, apesar de dois deles, Oliver Cowdery e David Whitmer, terem deixado a Igreja. Se o tempo permitisse trazer à luz essa evidência, parece-me que seria convincente para os de coração honesto. Ora, aqui está a questão, irmãos e irmãs, este ponto: essas testemunhas do Livro de Mórmon, seu testemunho, e também o testemunho das oito testemunhas de que viram as placas nas mãos do Profeta Joseph, e as pesaram, e manusearam as folhas que haviam sido traduzidas; esses testemunhos são também provas de que a primeira história de Joseph Smith era verdadeira, de que ele viu o Pai e o Filho, e também de que ouviu aquilo que ele diz que o Filho lhe disse a respeito das condições existentes. São também evidências da verdade da declaração de que João Batista apareceu e conferiu o Sacerdócio Aarônico a Joseph e Oliver; são também evidências da verdade da declaração de que Pedro, Tiago e João conferiram a Joseph e Oliver o Sacerdócio de Melquisedeque. São também evidências da verdade de todas aquelas sagradas e importantes revelações que Joseph Smith recebeu, registradas em Doutrina e Convênios, anteriores àquela data. Isso, penso eu, é lógica que deve ser aceita. A fim de refutar qualquer aspecto de todas essas declarações, é necessário refutar o testemunho das três e das oito testemunhas do Livro de Mórmon, o que não pode ser feito. Esta é evidência da divindade, ou da origem divina, do Livro de Mórmon, e evidência da origem divina e da restauração do Santo Sacerdócio, do estabelecimento do Evangelho do Senhor Jesus Cristo sobre a terra. ¶
Temos alegria em contemplar essas coisas, e dizemos ao mundo que há uma multidão de evidências externas semelhantes que vos apelarão, se apenas investigardes. Nenhum homem pode esperar descobrir a verdade sem investigação. Nenhum homem pode esperar encontrar a Deus sem investigação, mas a promessa é que, se nos voltarmos para Ele, Ele Se voltará para nós; e, se pedirmos com fé, e buscarmos com a determinação de que, quando obtivermos a luz, nos sujeitaremos a ela, o Senhor nos guiará por Seu Espírito, até que tenhamos um conhecimento e testemunho perfeitos dessas coisas. Assim vos presto meu testemunho da verdade dessas coisas, e oro a Deus, nosso Pai, para que vos abençoe, meus irmãos e irmãs e amigos, a todos e a cada um, para que todos sejam trazidos à luz do Evangelho eterno, e finalmente à salvação em Seu reino, por meio de Jesus Cristo. Amém. ¶