A Mensagem e a Missão da Igreja
Charles W. Penrose
Sinto que somos altamente privilegiados por termos permissão de nos reunir nesta ocasião para adorar o Senhor, e para nos empenharmos nos deveres desta conferência. Fiquei muito satisfeito, esta manhã, com a reunião que realizamos; ao ver uma congregação tão grande, não obstante a condição do tempo, e sendo esta a primeira reunião da conferência, ver esta casa bem preenchida e notar a atenção da congregação, e o espírito com que pareciam receber as instruções que lhes foram transmitidas. Houve aqui uma esplêndida influência. Tenho certeza de que todos sentimos a unidade da fé e apreciamos as impressões do Espírito Santo enquanto nossos irmãos nos instruíam. O poderoso testemunho prestado pelo Presidente Joseph F. Smith encontrou pleno eco em meu coração, e creio que também o encontrou nos corações de todos os que estavam reunidos. É algo grandioso saber que estamos empenhados na obra de Deus, ter certeza disso, não ter dúvida alguma em nossas mentes, e senti-lo em cada parte de nossa natureza, tê-lo gravado em nosso ser. Sabê-lo pela inspiração que vem do alto, pelo dom do Espírito Santo, conferido a nós da maneira que o Senhor determinou — pela imposição das mãos de Seus servos, depois de termos recebido, em fé e em arrependimento, a ordenança do batismo para a remissão dos pecados. Somos todos iguais a este respeito, não importa de que raça ou nação viemos. Somos todos batizados com o mesmo batismo, e recebemos do mesmo espírito, e, de acordo com nossa diligência na busca pela verdade, ela nos será manifestada. ¶
Como acabamos de cantar, a verdade é inestimável; é o princípio e o fim de todas as coisas: é "a soma da existência". Estamos em posição de receber a verdade dia após dia e ano após ano, para que possamos "crescer na graça e no conhecimento da verdade". É um pouco surpreendente, no entanto, encontrar, às vezes, alguns dos que receberam o Evangelho, e tiveram o testemunho do Espírito Santo, e prestaram testemunho muitas vezes desse fato, permitindo-se serem desviados para a direita ou para a esquerda, e tendo suas mentes envoltas em trevas, em vez de andar na luz. Mas tenho o prazer de dizer que tais pessoas são poucas e raras, e o grande corpo da Igreja está em unidade na doutrina e no princípio, e em reconhecer a organização que nosso Pai Celestial estabeleceu para o governo da Igreja, para sua perpetuação, para sua extensão por todo o mundo, de modo que possa continuar e permanecer, e não seja novamente tirada da terra. Fiquei muito contente em ouvir o que o Presidente disse esta manhã, nesse sentido, de que a Igreja nunca esteve em melhor condição do que está no momento presente, de que os Santos, em geral, estão se esforçando para guardar os mandamentos de Deus, de que estão se empenhando em andar no caminho da vida, da luz e da verdade, de que a Igreja, em todos os aspectos, não somente espiritualmente, mas temporalmente, financeiramente, e de todas as outras maneiras, está em condição próspera, e isso a despeito de tudo o que tem sido feito contra ela, para obstruí-la, para impedir seu avanço. ¶
Tem havido um esforço, desde o próprio início, por parte dos poderes do mal, para impedir o progresso desta obra, e isso chegou ao ponto de tentativas de esmagar a vida de nossos líderes. O espírito que trouxe isso ainda existe no mundo, e existirá até que seja completamente superado pelo poder da luz e da verdade, e pelo Espírito do Senhor derramado sobre as nações. Esta é uma forte evidência da divindade da obra em que estamos empenhados — refiro-me ao tumulto que ela provoca no mundo, à oposição que enfrenta das várias denominações religiosas, cristãs e pagãs. Os numerosos erros que existem no mundo, e as divisões que existem no mundo há muitos séculos, continuam a aumentar. Não somente as seitas se multiplicam sobre as seitas, mas dentro e entre elas mesmas, cada seita tem suas próprias divisões e contendas, de modo que não há verdadeira unidade nas diferentes organizações religiosas do mundo. Ora, se nossa fé, se nossa Igreja — (chamo-a de "nossa Igreja" porque a fizemos nossa ao aceitarmos a Igreja do Senhor. É, de fato, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e nós a aceitamos, e fomos batizados nela, e nos tornamos parte dela, e ela é parte de nós. Sinto em todo o meu ser que tenho uma parte nela, e ela tem uma parte em mim. Pertenço a ela, e ela me pertence, então digo nossa Igreja;) se nossa Igreja fosse se mover entre as várias diferentes seitas e partidos no mundo, e se tornasse harmoniosa com eles, mesmo tanto quanto são harmoniosos entre si — o que não é muito — se esse fosse o caso, então nos tornaríamos uma delas; é só isso. ¶
Mas há algo distinto e totalmente diferente, na Igreja a que pertencemos, das outras organizações no mundo. Não desejamos interferir com elas. Não desejamos bloquear o caminho para a disseminação de suas visões e ideias e doutrinas, porque cremos no grande princípio do livre-arbítrio que nosso Pai reconhece, e com o qual Ele não interfere — o direito de todo indivíduo de aceitar o que lhe pareça correto, e, na medida de seu poder legítimo, de se empenhar em disseminar isso entre outros, de levar outros a ver como ele vê; cremos que devemos reconhecer o direito de todas as pessoas às suas próprias visões e opiniões sobre tais assuntos. Assim, não desejamos interferir com elas, nem no mínimo grau, mas queremos a mesma liberdade que lhes concedemos. Queremos ter a liberdade, de maneiras apropriadas, sem interferir com outros, de proclamar nossa fé, de prestar nosso testemunho, de levar nossa mensagem; pois temos uma mensagem — todo este povo, os Santos dos Últimos Dias — temos uma mensagem, e é para todo o mundo, para toda nação, e parentela, e língua, e povo; e essa mensagem desceu do alto. É de Deus, por meio de Jesus Cristo, nosso Redentor, e foi trazida aqui por mensageiros angélicos. E a autoridade e o poder para proclamar este Evangelho em nome da Divindade foram dados a esta Igreja, a autoridade para administrar nas ordenanças do Evangelho, de modo que sejam aceitas no alto — de modo que o que é desligado na terra, por esta autoridade, será desligado no céu; e aquilo que é selado ou ligado na terra, por ela, será reconhecido no céu, será válido, e será considerado como se tivesse sido administrado pessoalmente pelos poderes Divinos acima. Ora, queremos ter a liberdade de levar esta mensagem a todo o mundo; e pretendemos lutar por ela. Não esperamos empunhar armas carnais. O Senhor prometeu que lutará nossas batalhas, nesse aspecto, mas devemos nos posicionar em favor da verdade tal como a compreendemos, tal como ela entrou em nossas almas e se tornou parte de nossa natureza. ¶
Queremos levar isso a todo o mundo e proclamá-lo a todas as nações, porque esta é uma missão que o Senhor nos deu. Nós, em nosso primeiro estado como espíritos, os filhos e filhas do Pai Eterno, fomos escolhidos e selecionados para vir à terra nestes últimos dias, para que pudéssemos nos empenhar nesta obra. É para isso que estamos aqui. Enquanto nos empenhamos, na medida do possível, em providenciar para nós mesmos aquelas coisas necessárias para o bem do corpo, e para sua continuação em saúde e vigor, e em nos rodear de todo o conforto material que pode ser produzido a partir dos elementos; ainda assim, ao mesmo tempo, temos esta importante missão diante de nós, e é de primordial importância para nós; é a primeira coisa para nós; é o Reino de Deus e a retidão de Deus que colocamos acima de todas as coisas terrenas. Viemos aqui para este propósito expresso, e esta é nossa missão no mundo; e queremos o privilégio, porque o consideramos nosso direito, de levar esta obra adiante em liberdade e sem impedimento ou obstáculo em todo o mundo. ¶
Esperamos encontrar oposição. Esperamos que o povo do mundo divirja de nós em nossas visões sobre esses assuntos, mas gostaríamos do privilégio de comparar nossas visões com as delas, comparar nossas doutrinas com as delas, comparar as ordenanças de nossa Igreja com as que elas têm, comparar a ordem daquilo que chamamos de Sacerdócio, isto é, a autoridade divina, comparar a ordem que foi estabelecida nesta Igreja por revelação de Deus, com as várias ordens do assim chamado sacerdócio ou autoridade encontradas entre as nações — e fazer isso com o tipo certo de espírito, no espírito de bondade. Não que desejemos causar tumulto, não que desejemos trazer guerra sobre nós, mas gostaríamos do privilégio, livre e sem impedimento ou obstáculo, de comparar nossas doutrinas e Sacerdócio, que vieram do alto, com aquelas várias noções e opiniões e ordens e ordenanças e organizações do mundo. E então estamos perfeitamente certos de que os honestos de coração, aqueles que realmente desejam a Verdade, aqueles que amam o certo e a justiça e a misericórdia, e buscam as coisas eternas, terão prazer em aceitar esta gloriosa obra dos últimos dias, que desejamos estabelecer na terra. Mas podemos esperar que haja bastante animosidade exibida contra nós pelo povo do mundo; assim, não devemos nos surpreender ao ouvirmos falar de multidões enfurecidas, sejam elas levantadas na Inglaterra ou em outras partes das Ilhas Britânicas, ou no continente europeu, ou mesmo nos Estados Unidos, na terra da liberdade, na terra que é expressamente consagrada e dedicada à liberdade. Tivemos de enfrentar esse tipo de oposição até mesmo nos Estados Unidos. E é aqui, sobre este solo, que o sangue dos profetas foi derramado, aqueles que não fizeram mal a ninguém, mas que trouxeram a verdade eterna de Deus do Céu, para proclamá-la ao mundo. E foi a verdade que tiveram de entregar ao povo que despertou e enfureceu os assim chamados cristãos que se opuseram a eles. Bem, isto é muito lamentável, mas algo dessa natureza continuará até que a maré se inverta, e a predominância no mundo das influências existentes esteja do lado do certo, da liberdade, da verdade, e da justiça, e da misericórdia, e da bondade, o espírito ou desejo de chegar àquilo que é verdadeiro, e de vivê-lo; pois uma coisa é aprender a verdade, e outra é viver por ela. ¶
Há muita luz no mundo com respeito a muitas coisas que não são praticadas. Há muita admiração pela virtude exibida nos escritos de homens e mulheres. Mesmo naquelas obras chamadas romances, a virtude é exaltada e o vício é reprovado; e, em geral, nas histórias que são escritas, a virtude triunfa no final. No entanto, as próprias pessoas que leem essas narrativas, e alguns dos que as escrevem, são corruptos em seus corações, e não praticam aquilo que ensinam, ou que pretendem admirar. Assim, há muito mal e iniquidade reais no mundo, embora pareça haver uma percepção bastante geral do que é certo, quando isso é colocado diante da humanidade. Ora, como disse, uma coisa é aprender a verdade, e outra é viver por ela; e nós, Santos dos Últimos Dias, deveríamos dar um exemplo disso diante de toda a humanidade, pois não devemos ser apenas mestres, mas exemplos dos princípios da retidão. Devemos estabelecer a retidão na terra, e ser os instrumentos nas mãos de Deus para estabelecer um governo reto. Não que tenhamos qualquer guerra contra este governo, ou contra qualquer dos governos do mundo; estão nas mãos do grande Pai Eterno, e, no devido tempo, Ele há de virar e reverter e estabelecer Seus próprios propósitos e Seu próprio governo sobre a face da terra. Somos os preparadores do caminho para o estabelecimento do Reino de nosso Deus. Estamos pregando "o evangelho do reino", o Evangelho que, se for recebido pelo povo, o levará a obras de retidão, bem como a serem crentes na retidão. Ora, meus irmãos e irmãs, deveríamos gravar isto em nossas mentes, em nossas almas, que devemos não somente ser mestres da palavra do Senhor, mas viver as coisas que recebemos e que desejamos que outras pessoas compreendam. ¶
Esta Igreja a que pertencemos foi organizada em todos os seus vários departamentos com o propósito de conduzir o povo pelo caminho certo, o caminho da verdade, o caminho do Senhor, para que sejamos guardadores de Seus mandamentos; "não apenas mestres da palavra, mas também praticantes dela." E o Senhor organizou Sua Igreja de tal maneira que temos, todo o tempo, alguém para nos dar instruções, orientações, preceitos, sugestões, mandamentos. Não que se use qualquer força nesta Igreja para obrigar as pessoas a fazer o bem ou a se abster de fazer o mal. Plena liberdade é dada a toda alma nesta Igreja para seguir o curso que ela quiser tomar. Mas, ao mesmo tempo, há uma oportunidade aberta para todos fazerem o que é certo, individualmente e com vistas ao bem de toda a comunidade. Porque, embora devamos realizar nossa própria salvação individual, estamos, ainda assim, tão conectados nesta Igreja, por sermos membros do mesmo corpo, que o que fazemos ou deixamos de fazer tem seu efeito sobre aqueles com quem estamos associados. Estamos unidos em um esplêndido organismo, admitido por muitas pessoas que o examinaram, mas não creem em sua divindade, como a mais fina organização do mundo. Estamos em consonância com elas nessa visão. É completo e perfeito, porque é divino; não emanou simplesmente da mente e do cérebro dos homens. Veio de Deus, do céu. Desceu à terra para permanecer aqui, e para realizar o propósito divino previsto por todos os profetas de outrora. É o início daquele grande reino sobre o qual escreveram os profetas antigos, e sobre o qual os videntes, os sábios e os poetas de outrora cantaram e se regozijaram. Estamos na Igreja do Deus vivo. É o início daquele reino que está por vir. Espiritualmente, é o Reino de Deus, e, com o tempo, todas as coisas preditas a respeito do governo de Deus sobre a terra se cumprirão, quando todas as nações se prostrarem em obediência a Ele, quando cessarem suas guerras, e converterem suas lanças em enxadões e suas espadas em relhas de arado (usando as expressões figurativas dos escritores antigos), quando tudo isso se cumprir, e os reinos deste mundo se tornarem o reino de nosso Deus e de Seu Cristo, e Ele reinar e governar no Monte Sião e em Jerusalém, e diante de Seus antigos, gloriosamente, tal como os profetas predisseram. Este há de ser um reino de retidão, um reino de verdade, um reino de equidade, de bondade, de amor fraternal e de unidade, um reino e organização em que a maior fraternidade prevalecerá. Homens e mulheres serão irmãos e irmãs de fato, Deus será nosso Pai, e toda a humanidade nossos irmãos. Cremos na Paternidade de Deus e na fraternidade do homem. Este espírito deve prevalecer no meio dos Santos dos Últimos Dias, ou não seremos capazes de realizar a obra que nos foi atribuída. Mas ela será feita, pois Deus levantará outros e ocupará nossos lugares, se não seguirmos este caminho nós mesmos. ¶
Ora, estamos aqui reunidos em conferência para que possamos conferenciar entre nós, para saber o que há a fazer na grande obra que o Senhor nos confiou. Voltemos nossa atenção para nós mesmos, individualmente, e para as associações e organizações, e quóruns, e sociedades imediatas a que pertencemos, e perguntemo-nos se estamos cumprindo nosso dever; se estamos vivendo pela verdade; se estamos desejando estabelecer noções e ideias nossas próprias, para ganhar aplausos, para ganhar a boa vontade dos homens, ou se estamos nos conformando aos princípios e preceitos, e à ordem e doutrinas, e a tudo o que pertence à nossa posição na Igreja, que foi estabelecida pela autoridade de Deus, da maneira que Ele determinou, por meio daqueles que Ele colocou sobre nós, em nossas respectivas alas e estacas, e na Igreja em geral. Temos cumprido nosso dever no passado? Se não, decidamos hoje que, de agora em diante, faremos isso, no presente e no futuro, e o colocaremos em primeiro e principal lugar em nossos pensamentos, e em nossas vidas, e em nossos feitos, em todos os nossos assuntos de negócios, e em tudo em que estivermos empenhados; que teremos nossos olhos fixos, primariamente, na edificação da Igreja e do Reino de Deus, e na realização de Seus propósitos divinos em relação aos filhos dos homens. Todos pertencemos a alguma organização específica. Se estamos no Sacerdócio, pertencemos a uma organização chamada quórum; se não estamos no Sacerdócio, e às vezes até quando estamos, pertencemos a alguma dessas sociedades auxiliares que foram estabelecidas — as Escolas Dominicais, as Sociedades de Socorro, as Associações de Melhoramentos Mútuos dos Jovens e das Moças, as Classes de Religião, e as Associações da Primária, e assim por diante. Todas essas foram estabelecidas na Igreja como auxílios, para nos manter no caminho certo e para envolver nossa atenção, para engajar nossas energias, para nos confirmar na fé, e nos aproximar cada vez mais de Jesus Cristo, nosso Redentor, nossa cabeça viva; para que possamos receber das bênçãos que fluem de Sua presença, e sejamos verdadeira e realmente batizados nEle, para que sejamos um com Ele. ¶
Ora, se negligenciamos nossos deveres em qualquer aspecto, com respeito às nossas associações mútuas, ou em nosso círculo familiar, na influência que deveríamos exercer sobre nossas famílias, para conduzi-las corretamente; se falhamos de alguma forma no passado, não o façamos no futuro. Aquele princípio do arrependimento — o afastar-se do erro, e fazer o que é certo — sempre existirá, enquanto houver algo a emendar, a arrepender. Assim, há espaço para todos nós emendarmos e nos arrependermos de qualquer coisa errada em nós, em relação ao passado, e determinarmos, nesta conferência, que, de agora em diante, dedicaremos nossas energias, nossa fé, nossa força, os meios com que Deus nos abençoou, a edificar Seu Reino, a enviar o Evangelho às nações da terra, a reunir os retos de coração, a edificar as estacas de Sião, a edificar as alas destas, a estabelecer lugares de adoração, a entrar neles e adorar o Senhor, juntos, na beleza da santidade, a cumprir todas as ordenanças pertencentes à Igreja de Cristo, e obter o espírito delas, e a ajudar a edificar as sociedades, e associações, e organizações da Igreja, sejam elas auxiliares ou pertencentes ao Sacerdócio, que cumpriremos nosso dever nesses aspectos. Há, não tenho dúvida, hoje, nesta congregação, Élderes que não comparecem às reuniões de seus respectivos quóruns. Não tenho dúvida de que há Setentas que não se importam muito em enviar ou levar o Evangelho às nações estrangeiras. Há Sumos Sacerdotes, sem dúvida, que estão avançando em anos, e por isso não se reúnem com seus irmãos em suas reuniões de quórum. E assim com outros. Pode haver, entre todos nós, alguma negligência a esses respeitos. Ora, irmãos e irmãs, tomemos hoje sobre nós o espírito e o poder de nosso chamado e de nossa missão, e saiamos desta conferência determinados a que, com a ajuda de Deus, não negligenciaremos nada a que devamos atender; que nada faremos, deliberadamente, que seja mau, ou iníquo, ou contrário aos mandamentos de Deus, e que promoveremos a paz e a união e a retidão e o amor fraternal entre aqueles com quem estamos associados ou por quem estamos cercados. ¶
Não introduzamos nada que cause cisma no corpo ou traga divisão. "Acautelai-vos", disse o antigo apóstolo, "dos que promovem dissensões entre vós." Não tenteis fazer nada dessa natureza. Não há escravidão sobre os servos do Senhor ou as servas do Senhor com respeito ao livre pensamento, à plena compreensão daquilo que chega à sua atenção; mas não há homem em nosso meio que tenha o direito de introduzir algo contrário ou diferente das revelações de Deus que foram registradas, ou por via de mandamento, exceto o homem que está à frente, e isso é necessário para a ordem da Igreja, para sua unidade e sua força, e seu poder na terra. Como o Presidente nos disse esta manhã, e como compreendemos, o espírito de revelação é livre a todo homem e mulher na Igreja que foi batizado e confirmado pela imposição das mãos. Essa é uma bênção e um dom especial — o dom do Espírito Santo, o espírito de verdade que guia a toda verdade, que toma das coisas do Pai e do Filho, as coisas da eternidade, e as revela aos mortais. Temos direito a esse espírito; mas há falsos espíritos surgindo no mundo agora, como havia nos tempos antigos, e devemos ter cuidado para não sermos desviados por eles. Tomemos aquele bom espírito como nosso guia, e sejamos também guiados pelas regras e regulamentos e ordem estabelecidos na Igreja por revelação de Deus; e, embora todos possamos ter o direito de receber revelações do alto para nós mesmos, para governar nossa conduta, para nos regular na relação familiar, ou em qualquer capacidade em que sejamos chamados a agir na Igreja, ainda assim há apenas um homem, por vez, de acordo com a palavra direta de Deus, que recebe revelações para o governo da Igreja e para regular assuntos pertinentes às suas doutrinas e ordenanças. O Senhor nos disse, desde o princípio, que não deveríamos receber revelações de ninguém que viesse entre nós, exceto Seu servo que está à frente, e, se ele transgredisse, o Senhor o removeria, e outro alguém ocuparia seu lugar. Isso está de acordo com a ordem do céu. "Minha casa é uma casa de ordem", disse o Senhor, "e não uma casa de confusão." Como disse o Presidente esta manhã, se qualquer um pudesse se levantar e dar uma revelação, e pretender ter esta ou aquela autoridade e poder, e assim por diante, e as pessoas fossem desviadas por tais indivíduos, haveria confusão pior do que confundida, e a ordem da Igreja seria perturbada, se não destruída. Ora, o Senhor colocou um homem à frente para receber revelações para a Igreja, para estar à frente e regular esses assuntos; e, associado a seus conselheiros e aos Doze e outras ordens do Sacerdócio, que se aconselham juntos, tudo pode ser regulado e colocado na devida ordem, e, se há algo que a Igreja deva receber como doutrina, ou para orientação em sua disciplina e ordem, virá pela via legítima, por meio da cabeça. Que todo homem, e toda mulher, e todo rapaz, e moça, membros da Igreja, busquem constantemente o espírito de revelação, o Espírito Santo, o Consolador, o revelador, o manifestador daquilo que é certo e verdadeiro. Pela influência desse espírito, podemos ser guiados corretamente, e podemos ser inspirados à ação correta, fortalecidos contra o mal, fortificados contra o pecado, imbuídos de luz e verdade, e daquele bom espírito que vem do alto. ¶
Fiquei satisfeito ao ouvir as observações do Presidente Lund a respeito deste aniversário, hoje, supostamente o aniversário do dia em que nosso Senhor foi levantado sobre a cruz. Ele foi "desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado em padecimentos", e, no entanto, Ele era o Senhor da vida e da glória, e veio aqui para morrer por nós, para nos salvar de nossos pecados e das consequências deles, para abrir o caminho pelo qual pudéssemos voltar à presença do Pai. Ele viveu e morreu por nós, e, apesar disso, quando veio aos Seus, os Seus não O receberam, mas toda espécie de ignomínias foram acumuladas sobre Ele, e, por fim, infligiram-Lhe a mais cruel morte que conheciam; e as pessoas que espalhavam ramos de palmeiras em Seu caminho, quando Ele entrou em Jerusalém, exclamaram: "Bendito é Aquele que vem em nome do Senhor", apenas cerca de cinco dias depois clamaram: "Fora daqui com este, crucifica-o; ele não é digno de viver." E, se o Senhor da vida e da glória sofreu o que teve de suportar, ao trazer luz e verdade ao mundo para a salvação da humanidade, e foi tratado dessa maneira, como podemos nós, como Seus servos, esperar ser tratados de maneira muito diferente, mesmo neste iluminado século vinte! ¶
Bem, procuraremos suportar os males que temos de enfrentar, e tentaremos perseverar com paciência na oposição que se levanta contra nós, sabendo com certeza que o Senhor há de ordenar tudo para o bem, que toda arma formada contra nós há de eventualmente cair ao solo, e permaneceremos ilesos; e os próprios esforços que estão sendo feitos em várias partes para incitar a população contra nós, para nos fazer mal, para falar mal de nós, para dizer coisas inverídicas a nosso respeito e sobre nossos princípios e intenções, e todos os meios assim empregados, hão de, nas mãos do Senhor, ser revertidos para sustentar os bons e retos e amantes da verdade por todo o mundo. O Evangelho de Jesus Cristo se espalhará pelo mundo, e aquilo que se chama "mormonismo" crescerá e avançará em poder e em força, e tudo o que foi predito a seu respeito pelos profetas de Deus se cumprirá. Ora, façamos nossa parte no avanço desta grande obra, e nisso teremos alegria e satisfação, e a paz que excede todo o entendimento, o conhecimento de Deus, o testemunho de Jesus, e o poder do Todo-Poderoso conosco, em público e em privado, e por Sua força prevaleceremos, e os reinos deste mundo se tornarão o reino de nosso Deus e de Seu Cristo; e Ele virá e reinará e governará sobre todos. Bem-aventurados são aqueles que trabalham em Sua causa, pois serão coroados com glória em Sua presença. Que Deus nos ajude a cumprir nosso dever em todos os aspectos — por meio de Jesus Cristo. Amém. ¶