Pulpit

Discurso de Abertura

Joseph F. Smith

Conferência Geral de Abril de 1912·Sessão da Manhã do Primeiro Dia·1912-04-05

Sinto-me muito grato pelo privilégio que desfruto de me reunir convosco aqui, na sessão de abertura desta, a octogésima segunda comemoração da Conferência anual da Igreja. Considero um grande privilégio ter permissão de viver e estar associado a meus irmãos e irmãs nesta grande causa em que estamos empenhados. Pessoalmente, não tenho nada além desta causa para viver, pelo resto de minha vida. Tem sido, muito, quase inteiramente, o objeto de minha vida, desde a infância; e sou muito grato por ter tido o privilégio de estar ligado à obra missionária da Igreja, e espero e confio poder continuar neste ministério pelo restante de meus dias. Sinto em meu coração que não há nada maior para mim, ou para qualquer outro homem vivo, do que estar identificado com a causa da verdade, e verdadeiramente creio que estamos empenhados na causa da verdade, e não do erro.

É também fonte de gratidão, e de prazer, para os Santos dos Últimos Dias, saber que seus inimigos não são, e não têm sido, contrários, aberta e declaradamente, aos princípios que abraçamos. Via de regra, a oposição levantada contra a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias tem sido levantada contra nós a partir de premissas falsas, e, em vez de nossa religião e dos princípios do Evangelho que abraçamos serem atacados por nossos inimigos, de modo geral, eles têm atacado aquelas coisas que falsamente nos atribuem, e das quais não somos culpados. Nossos inimigos não pareceriam muito consistentes ao se oporem ao princípio da revelação de Deus ao homem. Não pareceriam muito consistentes ao se oporem aos Santos dos Últimos Dias por crerem no fato de que o Senhor Todo-Poderoso é tão capaz de Se revelar aos filhos dos homens nesta dispensação quanto sempre foi; e, portanto, quando nossos inimigos se opõem a nós, ou à nossa fé nesses princípios, é sob a falsa premissa de que apenas professamos, mas não cremos, neles. Certamente não podem se posicionar contra o princípio da fé em Deus e em Sua capacidade de Se revelar em nossa era do mundo, tal como sempre foi capaz de Se revelar aos filhos dos homens; mas alegam que fingimos crer nessas coisas, quando não há tal coisa. Ora, são eles os responsáveis por dizer que não existe tal coisa como revelação agora; nós não somos responsáveis por isso. Pelo contrário, somos responsáveis por declarar ao mundo que Deus Se revelou ao homem nesta dispensação; e que Ele o fez para ser consistente consigo mesmo e com Seus propósitos eternos, para que pudesse Se dar a conhecer a Seus filhos nesta era, tal como em qualquer outra era do mundo. E assim poderíamos percorrer, seriatim, todas as doutrinas e princípios da Igreja que suscitaram oposição no mundo, e descobriríamos que nem sempre é a verdade que combatem, mas sua própria interpretação de nossas visões, a partir de seus pontos de vista. Acusam-nos de erros dos quais não somos culpados. Acusam-nos de atos que nunca praticamos, e de conduta inteiramente discordante e inconsistente com nossas vidas e história. Formaram, em suas mentes, atos, crenças e práticas com que a Igreja de Cristo nunca, em nenhum sentido, foi culpada ou associada; e, no entanto, acusam-nos de fazer essas coisas. Para ser mais claro no assunto, para ilustrar o que desejo transmitir-vos: acusam-nos de sermos corruptos, de termos praticado princípios corruptos. Acusam-nos de termos sido reclusos e contrários ao mundo, contrários a nosso governo nacional, contrários a leis boas, verdadeiras e sadias, e a obras de retidão. Na verdade, acusam-nos de sermos assassinos, adúlteros, e toda espécie de malfeitores. Muito semelhante ao que se acusava o Filho de Deus e os antigos Santos. Distorcem aquilo em que de fato cremos, transformando-o em algo inteiramente contrário à nossa crença, e então se posicionam contra nós.

Ora, permiti-me dizer-vos que, se nossos inimigos desejam se opor à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias porque cremos, com toda a nossa alma, na divindade de Cristo e nos preceitos e princípios que Ele ensinou; se são contrários a nós porque cremos que esses princípios foram novamente restaurados à terra nesta dispensação, e nós os abraçamos e tentamos vivê-los o melhor que podemos, não temos queixa contra eles. Que critiquem nossa fé o quanto quiserem. Não nos queixaremos deles, embora lamentemos profundamente que não compreendam a verdade tal como a compreendemos. Não posso criticar meu inimigo por me acusar de crença sincera e honesta na divindade da missão de Jesus Cristo. Não posso criticá-lo por me acusar de crer na missão divina de Joseph Smith. Não posso criticá-lo por me acusar de ter fé em Deus, em Cristo, e no Espírito Santo, e de crer no arrependimento do pecado e no afastar-se dele, e no princípio do batismo por imersão para a remissão dos pecados, e na imposição das mãos para o dom do Espírito Santo. Se me acusarem dessas coisas, não me queixarei deles; mas, se me acusassem de crer nelas falsamente, ou de meramente fingir crer nelas, estariam me colocando sob uma falsa luz, e me acusando daquilo que não é verdade. É sob esta luz que falei deste assunto como falei. O mundo não se opõe a nós pelo que fazemos, mas se opõe a nós pelo que nos acusam de fazer, o que não fazemos.

Nossa missão tem sido salvar homens. Temos trabalhado, durante todos esses oitenta e tantos anos da Igreja, para trazer os homens a um conhecimento do Evangelho de Jesus Cristo, para levá-los ao arrependimento, à obediência às exigências da lei de Deus. Temos nos esforçado para salvar os homens do erro, para persuadi-los a se afastar do mal e a aprender a fazer o bem. Ora, se nossos inimigos apenas nos acusarem de fazer isso, tudo bem; e, se desejam se opor a que façamos isso, isso é problema deles; mas, quando nos acusam de fazer aquilo que não fizemos, de crer naquilo em que não cremos, de praticar aquilo que nunca praticamos, então tenho pena deles. Tenho pena deles porque o fazem por ignorância, ou porque estão dispostos deliberadamente a deturpar a verdade.

Desejo dizer que, em meu julgamento, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias nunca esteve em melhor condição, espiritual ou temporalmente, do que está hoje. Creio que nossos quóruns do sacerdócio estão hoje em tão boa condição quanto sempre estiveram na Igreja. Penso que, se possível, estão mais eficaz e eficientemente organizados, e em melhor condição de funcionamento do que jamais estiveram antes. Creio que a fé dos Santos dos Últimos Dias no Evangelho de Jesus Cristo, na divindade da missão de Joseph Smith, é tão boa e tão grande hoje quanto sempre foi, se não melhor. Creio que há tanta união e comunhão na Igreja quanto sempre existiu nela. Não pretendo, nem quero dizer, que não tenhamos, ocasionalmente, pessoas descontentes, críticos. Presumo que sempre teremos alguns deles; mas não creio que jamais tenha havido, proporcionalmente, menos deles do que agora. Não creio que, antes de agora, os Santos dos Últimos Dias, de modo geral, tenham compreendido os princípios de sua religião melhor do que os compreendem hoje. Não creio que jamais tenham sido mais firmes na fé, e creio, com toda a minha alma, que a Igreja está crescendo hoje tão rapidamente quanto em qualquer período de sua existência. Estou bastante satisfeito, em minha própria mente, de que as autoridades presidentes da Igreja nunca estiveram mais unidas do que estão, e nunca permaneceram mais firmes juntas do que agora. Creio que os presidentes das estacas de Sião, em qualquer outro período da história da Igreja, nunca foram mais fiéis ou mais diligentes no cumprimento de seus deveres do que são agora. Este é o meu julgamento, do meu ponto de vista; e penso que, do meu ponto de vista, somos tão capazes de julgar essas condições quanto qualquer outro homem poderia ser. Não temos motivo para reclamar, nenhum motivo para estar em dúvida.

Permiti-me dizer, também, que creio que a espiritualidade do povo de Deus, o povo desta Igreja, é tão grande quanto sempre foi. Foi alegado, por oradores públicos no exterior, e por homens que poderíamos supor ocuparem posições na comunidade que os capacitassem a saber melhor, que a Igreja "mórmon" está perdendo sua espiritualidade, que as coisas espirituais da Igreja estão minguando entre eles. Isso é tão falso quanto pode ser. Permiti-me dizer, para sua instrução, se tais indivíduos aceitarem instrução de mim, que não há um homem, ou mulher, ou criança, que esteja em comunhão ou em boa posição na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que não tenha recebido, pela imposição das mãos daqueles que têm poder e autoridade para conferir bênçãos do Senhor aos filhos dos homens, o dom do Espírito Santo — todo homem, toda mulher, e toda criança que foi batizada na Igreja. Onde ireis, fora da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, encontrar uma igreja ou uma comunidade religiosa, não importa qual seja seu nome ou caráter, que tenha recebido vantagem igual a esta? Onde ireis encontrar um povo, no mundo, sobre quem tenha sido conferido o dom do Espírito Santo, pela imposição das mãos? Tão longe, então, da verdade está esta declaração de que a Igreja está perdendo sua espiritualidade; ela está recebendo dons adicionais do Espírito de Deus, em cada membro acrescentado à Igreja. E o espírito de inspiração, o dom da revelação, não pertence a um só homem exclusivamente; não é um dom que pertence apenas à Presidência da Igreja e aos Doze Apóstolos. Não está confinado às autoridades presidentes da Igreja; pertence a todo membro individual da Igreja; e é o direito e o privilégio de todo homem, toda mulher, e toda criança que tenha alcançado a idade de responsabilidade, desfrutar do espírito de revelação, e possuir o espírito de inspiração no cumprimento de seus deveres como membros da Igreja. É privilégio de todo membro individual da Igreja ter revelação para sua própria orientação, para a direção de sua vida e conduta; e, portanto, afirmo — e creio que posso fazê-lo sem chance razoável de ser contestado ou contrariado — que não há outra igreja no mundo, ou organização de pessoas religiosas, que seja tão universalmente espiritual em suas vidas, e tão universalmente merecedora dos dons do Espírito de Deus, quanto os membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Todos vós tendes direito à revelação. É vosso privilégio que vos seja revelado se sou um servo de Deus ou um servo dos homens; se estou cumprindo meu dever ou não; se eu, como oficial presidente na Igreja, estou agindo no cumprimento de meu dever de maneira aceitável a vós e ao Senhor. É vosso privilégio ter revelação a esse respeito, e saber a verdade por vós mesmos. E é meu privilégio ter revelação de Deus, como indivíduo, para minha própria orientação temporal, bem como para minha orientação espiritual; e repito novamente que nunca houve um tempo na terra, desde que a Igreja foi organizada, em que a espiritualidade do povo de Deus fosse maior do que é hoje.

A Igreja é acusada de comercialismo. Não há o menor vestígio disso, em verdade. A Igreja não está nem comprando nem vendendo mercadorias ou bens. Não está engajada em nenhum tipo de comércio, e nunca esteve; e dificilmente poderia haver uma declaração mais falsa e infundada feita contra a Igreja do que acusá-la de comercialismo. É verdade que, diferentemente de outras igrejas ou organizações religiosas, o povo desta Igreja observa a lei do dízimo, que é a lei da receita da Igreja. Não passamos entre vós o chapéu, ou a caixa de coleta, para obter meios para custear as despesas inerentes à condução da obra da Igreja. Vós o dais voluntariamente. Isso me lembra de outra falsidade que é disseminada por nossos inimigos, a saber: que o povo "mórmon" é obrigado a pagar dízimo, que as autoridades da Igreja o exigem deles, que é feito obrigatório para eles, e é tiranicamente exigido deles o tempo todo, o que é uma falsidade infame, uma calúnia, pois não há uma palavra ou sílaba de verdade nisso. A observância da lei do dízimo é voluntária. Posso pagar meu dízimo ou não, conforme minha escolha. É uma questão de escolha para mim, se o farei ou não; mas, sentindo-me, como me sinto, leal à Igreja, leal a seus interesses, acreditando que é certo e justo observar a lei do dízimo, eu o observo — pelo mesmo princípio pelo qual penso ser certo para mim observar a lei do arrependimento, e do batismo para a remissão dos pecados. É meu prazer cumprir meu dever com respeito à observância desses princípios, e pagar meu dízimo. O Senhor revelou como esses recursos devem ser cuidados e administrados; a saber, pela Presidência da Igreja e pelo Sumo Conselho da Igreja (isto é, os Doze Apóstolos), e pelo Bispado Presidente da Igreja. Penso que há sabedoria nisso. Não é deixado para um só homem dispor disso, ou administrá-lo sozinho, de forma alguma. Isso incumbe a pelo menos dezoito homens, homens de sabedoria, de fé, de capacidade, como o são esses dezoito homens. Digo que a eles incumbe dispor dos dízimos do povo e usá-los para qualquer propósito que, em seu julgamento e sabedoria, realize o maior bem para a Igreja; e, porque este fundo de dízimo é administrado por esses homens que o Senhor designou como tendo autoridade para fazê-lo, para as necessidades e o benefício da Igreja, chamam isso de "Comercialismo". Que absurdo! Poderíeis tão bem chamar de "comercialismo" a prática deles de passar suas caixas de contribuição, para arrecadar meios com que construir sua igreja, com que pagar seus ministros, e com que conduzir os assuntos monetários de suas igrejas, quanto eles nos acusarem de "comercialismo", porque administramos o dízimo da Igreja, e o apropriamos e usamos para o benefício da Igreja.

Antes de terminarmos a Conferência, esperamos ouvir alguns relatórios do Bispado Presidente, que são os custódios temporais dos recursos da Igreja, e cujo dever é prestar contas do recebimento e desembolso desses fundos; e ficareis surpresos, talvez, ao saber quão geral e universalmente, na Igreja, os recursos reunidos dos dízimos do povo são utilizados em benefício de todo o povo — e não de poucos. Então, repito, não é aquilo que fazemos, mas aquilo que nos acusam de fazer, que os incomoda. Bem, que se incomodem. Isso apenas prova sua ignorância, ou seu mau ânimo e falta de discernimento, ao fazerem queixas contra a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Novamente, repito, que não há povo mais espiritualmente disposto sobre a terra do que os Santos dos Últimos Dias. Não há povo mais devotado à oração sobre a terra do que os Santos dos Últimos Dias. Não há outro povo mais próximo de Deus, seu Pai, do que os Santos dos Últimos Dias; pois têm o direito de ir a Ele em seu quarto secreto, no altar de oração em seus próprios lares; podem se prostrar e se aproximar muito do Senhor, mais próximo, penso, do que qualquer outro povo. Não digo isso com jactância; digo-o como creio ser uma simples verdade. Não é razoável supor que um homem que recebeu o dom do Espírito Santo pela imposição das mãos, um homem que nasceu de novo da água e do Espírito, de acordo com o plano que Deus instituiu pelo qual ele pode entrar em Seu rebanho, pode se aproximar mais de Deus do que aqueles que não nasceram de novo, ou aqueles que não foram dotados do Espírito do Senhor? É claro, é razoável, e é consistente reivindicar tanto para os Santos dos Últimos Dias. Nossas mães, e as mães de nossos filhos, cujos corações estão cheios de solicitude pelo bem-estar de seus filhos, tendo-lhes sido conferido o dom do Espírito Santo, pela imposição das mãos, podem ir a seus quartos secretos e se prostrar diante de Deus, e comungar com Ele como nenhuma outra mãe na terra pode fazer, se apenas observarem os princípios que abraçaram e viverem à altura de seus privilégios. Pela influência que assim obterão sobre os corações de seus filhos, os conduzirão pelo caminho da retidão e da verdade, e os criarão na disciplina e admoestação do Senhor, no amor à verdade, na obediência a Seus mandamentos, de uma forma que outros não podem fazer, os quais são destituídos desses privilégios, bênçãos e dotações, tão livremente conferidos às mães em Israel. Estou ciente de que há aqueles que dirão: "Isso é jactância; isso é como os fariseus." Compararão esta fala minha com a do fariseu egoísta, ilustrada na parábola do Salvador: "Ó Deus, graças Te dou, porque não sou como os demais homens." Mas isso não é verdade. Isso seria outra falsa acusação. Pelo contrário, é no mesmo espírito em que o pecador apelou ao Senhor: "Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador." O homem que possui o espírito de revelação pode perceber se é pecador, se está inclinado ao mal, se está magnificando sua posição diante do Senhor, ou não, melhor do que um homem que não tem o Espírito do Senhor nele, não é? Está o homem que é ignorante dos princípios do Evangelho, e da maneira pela qual deve alcançar o Pai e comungar com Ele, mais propenso a ser aceitável a Deus em suas orações do que aquele que sabe como se aproximar do Senhor, que recebeu a verdade em seu coração, que orará a Deus no espírito de oração e verdadeira devoção?

Os Santos dos Últimos Dias possuem esse espírito; sabem como se aproximar do Senhor; não O invocam para serem ouvidos por "muito falar". Quando oramos, oramos ao Senhor por aquilo de que precisamos, aquilo que sentimos que é ou será bom para nós, ou necessário para nosso bem-estar e felicidade; e, quando o Senhor nos abençoou em nossos trabalhos, coroou nossos esforços com sucesso, e temos armazenado, em estoque, abundância de pão, não somos tão inconsistentes a ponto de repetir a oração do Senhor: "O pão nosso de cada dia dá-nos hoje." Não precisamos fazê-lo, mas Lhe agradecemos diariamente pelo pão que temos. Agradecemos-Lhe pelas bênçãos que desfrutamos, e reconhecemos Sua bondade e misericórdia em nos conceder as bênçãos que possuímos. Mas não precisamos repetir a oração do Senhor, todos os dias, que foi dada a Seu ministério, os apóstolos, nos tempos antigos, quando foram enviados como cordeiros em meio a lobos, e Ele lhes ensinou que não deveriam se preocupar com o que comeriam, ou o que beberiam, ou com que se vestiriam; que o Senhor os alimentaria; que o Senhor abriria os corações daqueles a quem ministrassem, para prover suas necessidades. Ide, e, quando orardes, orai pelo que precisais. Do que precisavam eles? Pão, pão para este dia. "O pão nosso de cada dia dá-nos hoje; não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre." Nossos ministros oram esta oração quando estão pelo mundo, dependendo da bondade e orientação do Senhor; mas, quando estão em casa, com suas casas providas de tudo o que é necessário, e seus celeiros cheios, e tudo o mais de que precisam, então, em vez de dizer, "Ó Senhor, dá-nos hoje o pão nosso de cada dia", dizemos: "Ó Senhor, agradecemos-Te pelo que nos deste; abençoa-o para nosso bem, e ajuda-nos a fazer dele um uso sábio e apropriado." É assim que os Santos dos Últimos Dias oram. Orais com inteligência; orais com compreensão; aproximai-vos do Senhor com o conhecimento do que deveis fazer, e de como deveis vos aproximar dEle, e de como tendes o direito de pedir-Lhe as bênçãos de que precisais, até mesmo a imposição das mãos sobre os enfermos, orando por eles, e repreendendo a doença, para que sejam curados sob a bênção do Senhor; e isso o mundo não possui.

Ora, penso ter deixado claro, aquilo que disse no início, que algumas pessoas no mundo nos acusam de coisas das quais não somos culpados. Estão nos levando à barra da opinião pública por coisas que nos são estranhas, coisas em que não cremos, coisas que nunca fizemos, coisas com as quais não temos conexão alguma, senão na imaginação de nossos inimigos. Quando acusam a Igreja de comercialismo, acusam-na daquilo que é falso. Quando acusam a Igreja de perder a espiritualidade do Evangelho de Jesus Cristo, acusam-na falsamente; não é verdade. Os Santos dos Últimos Dias de fato oram, e são mais fiéis do que a maioria do povo do mundo. Ora, posso dizer, consistentemente, que há boas pessoas no mundo, pessoas que são tão fiéis àquilo que conhecem, quanto nós somos fiéis àquilo que conhecemos; e julgo que, em alguns casos, encontrareis exemplos de pessoas no mundo que não sabem tanto quanto vós a respeito do Evangelho de Jesus Cristo, que não têm o testemunho do Espírito em seus corações como o tendes, da divindade de Cristo e de Joseph Smith, mas que são tão devotas, tão humildes, tão contritas de espírito, e tão dedicadas àquilo que sabem, quanto alguns de nós somos, e serão recompensadas de acordo com suas obras, cada uma delas, e receberão uma recompensa que excede em muito qualquer coisa que sonham.

Algumas pessoas sonham, sabeis, e pensam, e ensinam que toda a glória que jamais esperam ter no mundo por vir é sentar-se na luz e glória do Filho de Deus, e cantar louvores e cânticos de alegria e gratidão por toda a sua vida imortal. Não cremos em nada disso. Cremos que todo homem terá sua obra a fazer no outro mundo, tão certamente quanto teve de fazê-la aqui, e uma obra maior do que pode fazer aqui. Cremos que estamos no caminho do avanço, do desenvolvimento em conhecimento, em compreensão, e em toda coisa boa, e que continuaremos a crescer, avançar e nos desenvolver por toda a eternidade que temos diante de nós. É isso que cremos.

Creio nos Santos dos Últimos Dias. Creio que são um povo que cumprirá seu dever, de modo geral. Que há inadimplentes, que há os que são indolentes, que há os que são indiferentes, e que há os que não têm a fé que deveriam ter, sabemos; compreendemos isso; e que há alguns, ocasionalmente, que se desviam inteiramente, que fazem o mal inteiramente; sabemos e compreendemos isso. Mas a grande maioria dos Santos dos Últimos Dias são bons e fiéis membros da Igreja. Deus os abençoa; estão em comunhão com Ele e uns com os outros.

Ora, que o Senhor vos abençoe. Não esperava falar por tanto tempo quando me levantei, pois não me sentia de humor para falar. Tenho sofrido, por um curto período, com um forte resfriado, como muitos outros nesta época do ano; e presumo que sentirei um pouco os efeitos deste esforço. Mas presto-vos meu testemunho: sei a verdade, até onde alcancei. Não sei tudo, mas o que sei, o que aprendi, sei. Não apenas sei a verdade, até onde a aprendi, mas vou um degrau acima: sei positivamente que sei a verdade de alguns desses princípios que recebemos. Sei que o princípio da fé em Deus, em Jesus Cristo, e no Espírito do Senhor, e no Espírito Santo, é um princípio correto. Sei que o princípio do arrependimento é um princípio verdadeiro, e sei que sei isso também. Sei que o batismo por imersão para a remissão dos pecados, por alguém que tenha autoridade, é um princípio verdadeiro, porque Cristo o ensinou; Cristo lhe obedeceu, e não deixaria, por nada, de cumpri-lo — não que fosse pecador e precisasse ser batizado para a remissão dos pecados, mas apenas precisava fazê-lo para cumprir toda a justiça, isto é, cumprir a lei. Sei que esse é um princípio verdadeiro. Sei que é um princípio verdadeiro e reto manter-se puro e sem mácula do mundo, e sei que sei isso também. Sei que é justo e verdadeiro que os homens não devem roubar, nem mentir, nem cometer adultério, nem levantar falso testemunho contra o próximo, nem fazer nada semelhante a isso. Sei que esses são princípios verdadeiros, e agradeço a Deus por sabê-lo, e por ter em meu coração observar e guardar essas coisas. Sei, também, que é apropriado que aceitemos e honremos o Santo Sacerdócio que foi restaurado à terra nesta dispensação, por meio de Joseph, o Profeta. Sei que isso é bom, porque se destina a sustentar a verdade, e sustentar a Igreja, e desenvolver os homens em conhecimento, em boas obras, em fidelidade aos propósitos do Senhor, e é essencial para o adequado governo do povo de Deus na terra, e para nosso próprio governo individual, o governo de nossas famílias, o governo de nossos assuntos temporais e espirituais, individual e coletivamente. Creio que todo indivíduo na Igreja tem tanto direito de desfrutar do espírito de revelação, e da compreensão de Deus que esse espírito de revelação lhe concede, para seu próprio bem, quanto o Bispo tem para poder presidir sobre sua ala. Todo homem tem o privilégio de exercer esses dons e esses privilégios na condução de seus próprios assuntos, na criação de seus filhos no caminho em que devem andar, e na administração de sua fazenda, seus rebanhos, seus gados, e na administração de seus negócios, se tiver negócios de outra natureza para fazer; é seu direito desfrutar do espírito de revelação e de inspiração para fazer a coisa certa, ser sábio e prudente, justo e bom em tudo o que fizer. Sei que este é um princípio verdadeiro, e sei que sei isso também; e é isso que gostaria que os Santos dos Últimos Dias soubessem.

E sei disto: que Deus organizou Sua Igreja na terra; e sei que, quando Ele planeja ou pretende fazer qualquer mudança na maneira ou na matéria de governar, controlar ou presidir sobre os assuntos de Sua Igreja, Ele fará a mudança, e a fará de tal maneira que todo o povo da Igreja, que está fazendo o certo, compreenderá e a aceitará. Sei que o Senhor não levantará "fulano, sicrano ou beltrano", aqui, ali e em toda parte, alegando ser Cristo, ou "um poderoso e forte", alegando ser inspirado e chamado para fazer alguma coisa maravilhosa. O Senhor não lidará com os homens dessa maneira; enquanto a organização da Igreja existir, enquanto os quóruns e conselhos do Sacerdócio estiverem intactos na Igreja, o Senhor revelará Seus propósitos por meio deles, e não por meio de "fulano, sicrano ou beltrano". Anotai isso em vossos pequenos "cadernos" agora, e lembrai-vos disso; é verdade.

Ora, que o Senhor vos abençoe. Que Deus abençoe este povo. Meu coração está cheio de amor e gratidão a Deus, e de amor e bênçãos pelos Santos dos Últimos Dias, de toda parte da terra, e em toda parte. Oro para que a bênção de Deus repouse poderosamente sobre vós, e para que prospereis em todos os vossos esforços pelo bem, e em todo negócio lícito com que estiverdes envolvidos, como indivíduos e como comunidades, para que vivais em harmonia, em paz e boa vontade, para que sejais generosos para com os que erram. Procurai salvar os homens, e não destruí-los. Dai um exemplo diante do mundo, que não possam contestar, e de modo que não possam vos condenar por vossa conduta ou atos; e, se de fato vos condenarem, que tenham de inventar algo que não é verdade, e então combatê-lo, como o mundo preconceituoso está fazendo em relação à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Há nossos Élderes lá na Grã-Bretanha, enfrentando amarga oposição; e aqui, em nossa própria terra, falsidades estão sendo divulgadas do caráter mais infame, e pelos processos mais astutos, sutis e engenhosos já conhecidos pelo homem, destinados a destruir a influência deste povo, mas o erro e a falsidade hão de fracassar. E "a verdade é poderosa e há de prevalecer", portanto, podemos dar-nos ao luxo de esperar. Que o maligno esgote seus esforços, e faça o seu pior; e o Senhor há de ordenar tudo, no final, para o bem de Sua causa, e para a confusão de Seus inimigos; o que Deus conceda, é minha oração, em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoJoseph F. Smith, “Discurso de Abertura”, Conferência Geral de Abril de 1912, Sessão da Manhã do Primeiro Dia (1912-04-05). Pulpit Vault, 1912-04-01-joseph-f-smith-remarks-1. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).