Pulpit

Discurso de Abertura: A Vilipêndio dos Santos e Seus Líderes, um Estranho Fenômeno

Joseph F. Smith

1911 October General Conference·First Day Morning Session·1911-10-06

Desejo expressar nosso sentimento de boas-vindas e bom ânimo a todos os Santos dos Últimos Dias que se reuniram aqui esta manhã para a sessão de abertura de nossa Conferência. Alegramo-nos em ver-vos, e agradecemos-vos por vossa presença aqui, pois sentimos que vossa presença é evidência do interesse que sentis por nossa Conferência, e pela grande obra da redenção humana, na qual vós e nós todos estamos e deveríamos estar seriamente empenhados. É motivo de felicitação, penso, para os Santos dos Últimos Dias, serem guiados por um espírito que inclina seus pensamentos, suas mentes e corações para o cumprimento e a realização dos deveres e responsabilidades que sobre eles recaem, e tomo isso como evidência de vossa boa fé, e de vossa fervorosa crença e sentimento pela causa em que estamos empenhados, o fato de estardes presentes aqui hoje.

Espero e rogo que o Espírito do Senhor, o Espírito de sabedoria e de verdade eterna, permeie todas as sessões desta Conferência, incluindo as reuniões ou ajuntamentos das várias organizações que realizarão suas convenções durante o período da Conferência. Espero que aqueles que se dirigirem ao povo sejam guiados pelo Espírito de Deus em suas observações, que falem palavras de consolo, de instrução, de sabedoria e testemunho aos Santos dos Últimos Dias a respeito da

grande obra de Deus que foi estabelecida nestes últimos dias na terra.

Seja qual for o sentimento daqueles que se opõem à obra do Senhor, seja qual for o sentimento dos incrédulos e escarnecedores, e daqueles que são desdenhosos para com a obra do Senhor, que o espírito de sabedoria, de bom juízo, de inteligência governe e dirija todos os atos e labores, e todos os pensamentos e desejos dos Santos dos Últimos Dias. Importa-me muito pouco o que os homens possam pensar de mim, ou o que possam dizer a meu respeito, contanto que eu possa manter a consciência de ter em vista a retidão, de ter um sincero desejo de fazer o bem e não o mal, e contanto que eu esteja consciente de que estou, no melhor de meu conhecimento e entendimento, seguindo os ditames de minha consciência, e as inspirações do Espírito do Senhor para mim na linha de meu dever. Contudo, muitas vezes nos perguntamos por que as pessoas são guiadas por tal espírito de amargura, de animosidade e oposição a qualquer povo ou a qualquer indivíduo cujo registro de vida tem sido, à parte as fraquezas comuns da mortalidade comum, absolutamente acima de reprovação. É surpreendente como os homens podem tornar-se tão vis a ponto de publicar e declarar coisas caluniosas, falsidades e deturpações a respeito de homens e povos que nunca em sua vida causaram dano algum a nenhum homem ou mulher, ou a nenhuma comunidade de pessoas no mundo; que nunca prejudicaram uma única alma, e cuja vida e missão inteiras, esperanças, labores e sinceros desejos têm sido beneficiar o mundo, e abençoar e melhorar a condição da humanidade. É surpreendente que assim seja. Assim tem sido desde o princípio desta obra até agora, e assim continuará a ser enquanto permanecermos na verdade, e formos guiados pelo espírito de revelação, e tivermos um sincero desejo de fazer o bem aos filhos dos homens, e há homens cheios de perversidade e pecado.

Disse-se, lá nos primeiros dias, no Estado do Missouri, pelos líderes da perseguição contra os Santos ali, que tudo o que desejavam era que os mórmons, ou os Santos dos Últimos Dias, abandonassem sua ideia de revelação de Deus nesta dispensação; que renunciassem à sua fé nos Profetas e à sua reivindicação ao apostolado, e à restauração do Santo Sacerdócio; que se dispersassem, deixassem de se organizar, e de manter sua organização, e se tornassem "como o resto de nós." Isso era tudo o que exigiam naquele tempo primitivo, e é um índice muito verdadeiro e correto do sentimento de nossos inimigos que tem existido desde então até o presente. Os homens são movidos por alguma influência, algum espírito — julgai qual seja a natureza desse espírito ou influência — a tentar com todo o seu poder desmoralizar, degradar, e semear as sementes da incredulidade, as sementes da corrupção, do erro, da falta de fé, e do desejo de fazer o bem; semear as sementes da desagregação nos corações do povo chamado Santos dos Últimos Dias, a fim de que seu desejo se cumprisse, de que se tornassem "como o resto deles," como o resto do mundo, e qual é a diferença? A diferença é simplesmente esta: cremos exatamente como os melhores cristãos, ou os assim chamados crentes em Cristo no mundo, creem, que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus Vivo; que Ele é o Salvador do mundo; que Ele é o Redentor dos homens do pecado e

da morte para a vida; e não há povo, seja qual for sua profissão, que creia em Cristo mais firmemente, mais perfeitamente, mais confiadamente, do que os Santos dos Últimos Dias — mas onde está a diferença? A diferença, no que diz respeito a essa crença, é esta: que o mundo diz que tudo o que é necessário é crer e sereis salvos, mas os Santos dos Últimos Dias declaram que é simplesmente uma zombaria os homens dizerem que creem em Cristo, e se recusarem a fazer as obras que Ele fez; é simplesmente loucura; é anticristão; é inconsistente que os homens digam que tudo o que é necessário aos homens é crer em Cristo e serão salvos, quando o próprio Cristo declarou que exigia de todos os homens que fizessem as obras que Ele fez, e que guardassem os mandamentos que lhes deu. Esta é a diferença. Cremos que é necessário fazer a obra que Ele fez. Cremos que é necessário obedecer implicitamente a Seus mandamentos e seguir Seus passos, imitar Seu exemplo o melhor que pudermos, para que nos tornemos cada vez mais semelhantes a Ele. Ora, no que diz respeito a isso, em que é o homem prejudicado? Quem é prejudicado? Quem, em qualquer sentido no mundo, sofre algum mal às mãos de um povo que crê em fazer as obras que o Senhor ordenou, e em seguir Seus passos? Quem é lesado por isso? Mas o problema é exatamente como disse o Salvador: "Se a luz não tivesse vindo, estaríeis sem condenação." Mas esta é a condenação do mundo: a luz veio ao mundo, e o mundo ama mais as trevas do que a luz. Essa é a condenação, e é aí que aperta o sapato.

E qual é a diferença? Cremos no Profeta Joseph Smith; cremos que o Senhor Deus Todo-Poderoso levantou aquele menino e o fez Profeta, Vidente e Revelador, e que por meio dele, ou daquele instrumento, o Senhor Todo-Poderoso restaurou aos homens a plenitude do Evangelho de Jesus Cristo, que é, de fato, o poder de Deus para a salvação. O mundo não acredita nisso. São bem-vindos à sua crença, seja ela crença ou incredulidade. Não estamos aqui como censores do juízo ou da crença dos filhos dos homens. Não estamos aqui para trazer acusações injuriosas contra os homens por sua crença. Que creiam e adorem como, onde e o que quiserem. Essa é sua prerrogativa. Mas nos opomos a que tragam acusações injuriosas contra nossa crença e nossa fé. Pensamos que deveríamos ter o mesmo privilégio e a mesma liberdade de crer como bem entendermos que o mundo tem, e que concedemos ao mundo; e porque cremos em Joseph Smith como um Profeta de Deus, o mundo de modo algum é prejudicado por isso, mas, pelo contrário, é imensamente beneficiado por essa crença, ao menos na medida em que essa crença toma posse de homens honestos, e os traz ao conhecimento daquela grande verdade.

O que revelou Joseph? Ele revelou, ou foi o instrumento nas mãos de Deus para revelar ao mundo Jesus, o Filho de Deus, em Sua própria pessoa. Foi o instrumento nas mãos do Senhor para trazer aos habitantes do mundo a luz de que Deus vive, de que Cristo vive, a quem conhecer é a vida eterna, e a quem o mundo tem ignorantemente adorado como um mito, como algo que preenche a imensidão do espaço, mas é indescritível; algo que é onipotente e todo-poderoso e onipresente, mas sem existência pessoal. Joseph revelou ao mundo que Jesus Cristo, que foi crucificado e ressuscitou dentre os mortos, é um Ser pessoal, à cuja semelhança e imagem o homem é feito, ou gerado no mundo, e que o Pai é uma pessoa em exata semelhança ao Filho. Temos a história do Filho, dada a nós por Seus discípulos que conviveram com Ele enquanto Ele estava na carne mortal: que Ele nasceu de Sua mãe, Maria; que Ele foi chamado o filho do carpinteiro; que cresceu até a idade adulta; que ensinou o Evangelho de Jesus Cristo, e exemplificou o modelo de retidão, que é o verdadeiro exemplo para toda a humanidade imitar e seguir; que Ele possuía poder sobre a morte, e, embora O tenham matado, Ele ressuscitou, e que, enquanto Seu corpo jazia na sepultura, Ele proclamou o mesmo Evangelho que pregara aos vivos, àqueles que estavam confinados nas trevas, e banidos da presença do Senhor, nas trevas exteriores, por causa de sua perversidade enquanto estavam na carne; e, vivificado pelo Espírito, Ele foi e pregou-lhes o Evangelho como o havia pregado aos vivos; e que, quando ressuscitou e Se identificou além de qualquer possibilidade de dúvida às mentes daqueles que testemunharam e O viram, e O conheceram, e depois testificaram dEle ao mundo, que Ele era o mesmo que fora crucificado, portando em Seu corpo as marcas dos cravos e da lança; que Ele não era um espírito; que Ele era carne e osso, tão tangível quanto o homem, e que um espírito não tinha essa carne e osso como Ele tinha. Ele declarou isso ao mundo: esta mesma entidade física, tangível, chamada Jesus de Nazaré, o filho de Maria e o Filho de Deus, em Seu corpo ressuscitado, veio a Joseph Smith, revelou-Se a Joseph Smith, o mesmo Deus, o mesmo Cristo, o mesmo Redentor do mundo que fora crucificado no Calvário; e que Deus, o Pai, é como Seu Filho; que seria inconsistente e impossível para um espírito gerar um homem como Cristo, e portanto o Pai e o Filho são a exata semelhança um do outro. Joseph revelou isso ao mundo. Quem é prejudicado por isso? Quem é lesado por este fato e por esta revelação aos filhos dos homens? Em que aspecto o mundo está pior por ter recebido este conhecimento? Digo-vos que o mundo estaria melhor, mil vezes melhor, se apenas considerasse esta verdade e a recebesse em seu coração, e depois se guiasse pela doutrina de que Joseph Smith foi o instrumento nas mãos de Deus para revelar novamente ao mundo.

Esta, então, é a diferença, mas em que vós estais prejudicando alguém com isso? Que mal estais fazendo? Absolutamente nenhum. Por que deveriam os homens se amargurar contra vós por causa disso, por causa de vossa crença em Joseph Smith? Por que deveriam se tornar vossos inimigos porque declarais vossa fé numa nova revelação do Pai e do Filho à humanidade, para sua orientação? Por que deveriam? Deixai-me dizer-vos por quê: pela mesmíssima razão pela qual os fariseus e hipócritas amargurados e incrédulos do tempo do Salvador perseguiram o Redentor da terra, pela mesmíssima razão pela qual mais tarde mataram os discípulos de Jesus Cristo, a quem Ele ordenou como Apóstolos e testemunhas especiais de Si mesmo, que testificaram dEle e do Evangelho a todas as

nações da terra. Mataram-nos um por um, alguns deles da maneira mais cruel, simplesmente porque pregavam Jesus Cristo, e este crucificado e ressuscitado dentre os mortos, e ascendido ao céu, e assentado, com toda glória e poder e majestade e força, à destra de Seu Pai, Deus. O mundo se sentiu prejudicado por isso. Por quê? Porque isso lançava o machado à raiz da árvore do erro, da superstição e da tradição, da falta de fé, e da incredulidade. Lançava o machado à raiz da árvore da perversidade, no mundo, e da ignorância de Deus e de Seus princípios, e do plano de vida e salvação, e o mundo odiou os discípulos por isso, e odiaram o Filho de Deus por isso, e O crucificaram. Odiaram os discípulos por isso, e os mataram. É por isso que vos odeiam, pela mesma razão, isto é, aqueles que de fato vos odeiam, aqueles que exerceram seu poder, sua vontade e seus pensamentos ou mentes o suficiente para se imbuírem do espírito de perseguição e ódio contra a luz e a verdade.

Que mais revelou Joseph, ou antes, que mais o Senhor revelou por meio dele? Revelou o idêntico Evangelho, preceito por preceito, princípio por princípio, doutrina por doutrina, ordenança por ordenança, o exato Evangelho de Jesus Cristo que Ele próprio ensinou, e de modo algum Joseph Smith se afastou, nem no menor grau, das doutrinas ensinadas pelo Filho de Deus, mesmo na doutrina em que o próprio Senhor declarou que, se os judeus que O criticavam fossem semente de Abraão, fariam as obras de Abraão. De modo que aqui estou, sem qualquer temor de contradição racional, razoável ou justificável, para dizer que o Profeta Joseph Smith não revelou princípio algum ao homem que não tivesse sido ensinado, crido, aceito e aprovado pelo Filho de Deus quando esteve na terra, nem uma coisa sequer, e podemos prová-lo — prová-lo pelas Escrituras, e pela história. Mas não precisamos entrar nisso. O que ele revelou? Revelou o Pai e o Filho, e o Espírito Santo, que é um personagem de espírito, e não um personagem de carne e osso como Deus é, e como Jesus é. Revelou a doutrina de que deveis crer em Deus, que deveis crer em Jesus Cristo e em Seu poder de redenção; que deveis crer, e, crendo, deveis arrepender-vos de vossos pecados. Ora, isso é um crime terrível aos olhos de algumas pessoas, exigir-se que se arrependam de seus pecados. Se alguns homens no mundo, que se levantaram em armas contra os Santos dos Últimos Dias, viessem a arrepender-se de seus pecados, Deus sabe que não sobraria nada deles. (Risos.) Consequentemente, é um crime terrível pedir aos homens que se arrependam de seus pecados, mas é isso o que o Senhor ensinou por meio de Joseph Smith; arrependimento do pecado, depois batismo por imersão com Cristo, sendo sepultado com Ele na água, na sepultura líquida, e saindo novamente da sepultura líquida à semelhança de Sua ressurreição da morte para a vida, batismo por imersão, e o batismo do Espírito Santo, pela imposição de mãos; estes são necessários para a salvação dos filhos dos homens. Joseph ensinou isso. Quem mais o ensinou? Jesus o ensinou. Paulo o ensinou. Pedro o ensinou. Tiago o ensinou. João o ensinou. Mateus e Lucas e todos os Apóstolos, antigamente, ensinaram esta mesma doutrina, e deixaram seu testemunho registrado, e ele tem sido transmitido a todas as gerações subsequentes até o presente, e o temos diante de nós hoje. Mas algumas pessoas pensam que é um crime os Santos dos Últimos Dias se apegarem a tais doutrinas agora, nestes últimos dias. Dizem que é presunção e arrogância um homem dizer que possui autoridade para batizar para a remissão dos pecados, e conferir o Espírito Santo pela imposição de mãos. Não foi arrogância nos dias de Cristo, nem foi presunção da parte deles. Foi-lhes dada autoridade, e foram enviados ao mundo para pregar estas doutrinas, e batizar os que cressem; e os que cressem e fossem batizados seriam salvos, como disseram os Apóstolos. E, no entanto, o próprio Cristo disse: "E aquele que não crer será condenado." Essa foi Sua palavra; esse foi Seu decreto e Sua lei, e quem questionará o direito do Redentor dos homens de dizer o modo pelo qual serão salvos, e o modo pelo qual não podem ser salvos? Quem questionará Seu direito de dizer isso? Joseph o repetiu. Nós cremos nisso. Aceitamo-lo, e neste aspecto diferimos da generalidade da humanidade, e eles se enfurecem com isso, ficam zangados com isso. Então, o que mais; era isso tudo? Não; o Senhor revelou ao Profeta Joseph Smith que, tendo sido lavados e limpos, tendo sido purificados do pecado pelo batismo para a remissão do pecado, por alguém que tenha autoridade de Deus para fazê-lo, daí em diante deveriam viver vidas puras, castas, santas, retas, e não pecar mais, se pudessem viver sem pecado, ou pelo menos chegar o mais perto disso quanto possível a criaturas humanas, que possuem as fraquezas que assediam a natureza humana. Essa era a doutrina de Joseph Smith, viver vidas retas; visto que fostes purificados, visto que fostes limpos do pecado, visto que Deus remiu vossos pecados por meio da obediência às ordenanças do Evangelho, que devais, daí em diante, manter-vos puros e imaculados do mundo. Há algo errado nisso? É o mundo prejudicado por isso? Algum homem prejudicado por esse procedimento, ou por esse conselho e exigência? Não. Bem, então, o quê?

Então o Senhor revelou o grande princípio de organização, pelo qual Sua Igreja deve ser governada, que o próprio Senhor estabeleceu na Igreja, a autoridade do Santo Sacerdócio, o do Sumo Sacerdócio, o Apostolado, os Setentas, e os Élderes, e então as organizações do Sacerdócio Menor — os Bispos, os Sacerdotes, os Mestres e os Diáconos — Deus estabeleceu estas organizações na Igreja para o governo do povo. Para quê? Para oprimi-lo? Não. Para prejudicá-lo? Não, mil vezes não. Para quê? Para que eles e seus filhos pudessem ter os benefícios destas organizações para instrução, para admoestação, para orientação, para revelação, e para inspiração de fazer aquilo que o Senhor exige de suas mãos, para que se tornem perfeitos em sua vida, e para que aperfeiçoem a organização a que pertencem na Igreja, como o Senhor Deus nos revelou estas coisas; para que assim nos tornemos mais fortes, mais inteligentes, possuidores de maior fé, de mais amplo entendimento da verdade, e de mais elevada concepção dos princípios e propósitos de Deus, para a existência dos filhos dos homens na terra, e para uma mais ampla e mais perfeita compreensão do resultado final da obediência às leis de Deus. Há algo errado nisso? Alguém foi prejudicado?

Algumas pessoas pensam que somos maravilhosamente prejudicados, terrivelmente lesados em consequência destas organizações. Sou acusado de ser tirânico e injusto. Sou acusado de roubar e lesar os Santos dos Últimos Dias. Bem, sabeis a respeito disso. Se há um Santo dos Últimos Dias, ou um pecador destes últimos dias sob o sol, em qualquer lugar da terra, no inferno, ou em qualquer outro lugar, que possa apontar o dedo a um ato meu, em que tenham sofrido dano e injustiça, Deus sabe que irei mais longe do que poderiam me pedir, para reparar. Nunca lesei homem, mulher ou criança algum, que eu saiba; e desafio homens maus ou bons, ou mulheres, ou qualquer outra pessoa, a apontar um ato meu em que eu tenha violado a lei da castidade de Deus. Bem, por que digo isso? Porque nenhum homem na terra o sabe melhor do que eu mesmo, e, no entanto, meus companheiros, meus associados, aqueles que têm convivido comigo em particular e em público, aqueles que me conhecem podem testificar da mesma coisa. Nunca usei um dólar pertencente à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias que eu não tivesse o direito legítimo de usar, e isso, também, com o consentimento e a aprovação de meus irmãos, que têm o direito de dizer como os fundos da Igreja devem ser despendidos. Pago meu dízimo e minhas ofertas exatamente como vós o fazeis, que sois tão fiéis nisso quanto eu. Nem todos nós cumprimos plenamente nosso dever a esse respeito. Muitos de nós nos esquivamos de nossas responsabilidades a esse respeito, em certa medida. Isto é, sentimos uma falta de fé no princípio e na promessa do Senhor, e nem sempre alcançamos o padrão completo da lei.

Ora, o Profeta Joseph Smith também revelou ao mundo um princípio que tem estado praticamente oculto desde a fundação do mundo. O que é? A união de marido e mulher pelo tempo e por toda a eternidade. Quem sabia algo sobre isso? Quem compreendia o princípio? Quem entendia a responsabilidade que reside na união de marido e mulher, até Joseph Smith revelá-la com a simplicidade e a clareza com que a revelou ao mundo? O mundo odeia esse princípio, isto é, alguns odeiam, não todos, porque muitos agora estão começando a ser fermentados pelo fermento que Joseph Smith colocou na massa de farinha, e agora ouvireis tanto ministros quanto leigos dizerem: "Oh, esperamos ter o privilégio de ver e conhecer e abraçar nossas esposas e nossos filhos no mundo vindouro." Mas o Senhor revelou aquele princípio a Joseph Smith, e ele o ensinou ao mundo, e agradeço a Deus por esse princípio. Abriu-me os olhos. Se algo no mundo pudesse ter feito de mim um homem melhor, ou um marido melhor, se tal coisa é possível, que eu seja de fato um bom marido, é aquele princípio que o Senhor revelou, que me mostra as obrigações que tenho para com as mães de meus filhos. Ele nos ensinou o princípio e a ordenança do convênio eterno, a união de pais e filhos pelo tempo e por toda a eternidade. O que sabia o mundo a respeito disso? Nada. E, no entanto, o mundo está furioso com estas coisas, isto é, a maioria. Modifico isso, porque creio que há milhares e dezenas de milhares de homens no mundo que não estão identificados com os Santos dos Últimos Dias, que de fato acreditam nesses princípios, e os aceitariam se suas condições financeiras e sociais no mundo e seu bom nome ou reputação lhes permitissem tornar-se membros da Igreja em boa posição, sem perder o favor do mundo — ficariam felizes em fazê-lo. Acreditam na doutrina. E não apenas isso, mas o Senhor revelou por meio do Profeta Joseph Smith a necessidade de os filhos voltarem seu coração para seus pais, e revelou ao mundo o fato de que o coração dos pais já estava voltado para seus filhos na dispensação da plenitude dos tempos, e que havia uma obra muito sagrada e muito importante que os filhos deviam realizar, se tivessem a oportunidade de fazê-lo, para a redenção de seus mortos, que morreram sem o conhecimento do Evangelho. Deus revelou estas coisas por meio do Profeta Joseph Smith ao mundo, e o mundo não gosta destas coisas. Por quê? Porque estão adiante de tudo o que estão dispostos a aceitar.

Estas coisas vão além da mera crença de que um homem será salvo e exaltado à mais alta glória de Deus simplesmente por dizer no cadafalso que crê no Senhor Jesus Cristo. Isso é uma falácia. Todo homem será julgado segundo suas obras, sejam elas boas, sejam elas más, e essa é uma doutrina que foi proposta e ensinada pelo Profeta Joseph Smith com uma clareza que não pode ser ignorada; todo homem será julgado segundo suas obras, sejam elas boas, sejam elas más. Qualquer coisa menos que isso não seria, nem poderia ser, de Deus, se Deus é justo, se Deus é reto, se Deus é imparcial; então este princípio de justiça é um princípio reto, e certamente emanou de Deus, e não de Joseph Smith, nem do homem.

Seria injusto de minha parte ocupar muito mais do vosso tempo esta manhã. Agradeço a meu Deus pelo que se chama "mormonismo." Agradeço ao Senhor por Ele ter-me permitido vir ao mundo nesta dispensação. Estou cheio de gratidão a meu Pai Celestial por Ele me ter honrado com o Santo Sacerdócio; por Ele ter-me chamado para ser Sua testemunha, e testemunha de Seu Filho Jesus Cristo aos filhos dos homens. Agradeço a Deus, meu Pai Celestial, por Ele ter-me honrado no meio de meus irmãos, por Ele ter-me dado sua confiança e seu amor, e por eu ser sustentado e amparado por eles em meu ministério. Sinto-me grato e reconhecido por todas estas coisas; pois estas são, para mim, de longe melhores do que quaisquer favores, elogios ou honras que o mundo pudesse conceder, e não tenho medo do mal que homens perversos e corruptos dizem de mim.

Creio no Evangelho em sua plenitude. Creio no Santo Sacerdócio, em seu poder, em sua legitimidade para administrar nos templos e nas águas do batismo, e na imposição de mãos para o dom do Espírito Santo, e para a cura dos enfermos, e para ordenações, e para todos os outros propósitos para os quais o Sacerdócio é legitimamente usado. Creio no ajuntamento de Israel, e creio que virá o dia em que os vales das montanhas se tornarão estreitos demais para o povo de Deus. Creio que virá o tempo em que teremos de colonizar no exterior, em que teremos de nos espalhar pela terra, pois creio que o Senhor determina que, eventualmente, o povo que invocar Seu nome em retidão, e que crer no nome do Senhor Jesus Cristo, juntamente com Suas obras, se espalhará pela terra, e especialmente se espalhará por esta terra de José, que o Senhor preservou para nela estabelecer Seu reino e Sua Igreja nestes últimos dias. Creio isso tanto quanto possível, mas não creio que já tenha chegado o tempo em que nosso povo possa se dispersar aqui e ali, individualmente, ou de dois em dois ou três em três, ou em pequenas companhias, para longe, até a América Central, para longe, até o sul do México, para longe, até os limites do norte, e para baixo, até o mar ocidental, ou até a costa atlântica. Não creio que tenha chegado o tempo em que possamos diluir nossa força e nos espalhar pelo mundo, ou colonizar em tal extensão e realizar os propósitos do Senhor. Não penso que esse tempo tenha chegado. Quando chegar, o Senhor o manifestará, e também seremos capazes de fazê-lo quando esse tempo chegar. Creio que uma providência superior nos obrigou a estabelecer povoados no Canadá quando ali foram estabelecidos, e creio que a mesma providência nos obrigou a estabelecer povoados no norte do México na época em que ali foram estabelecidos. Creio que o Presidente Young foi movido por um princípio correto, e por profecia e inspiração, quando determinou que nos estabelecêssemos no Arizona e no Novo México, ao sul. Penso que foi movido pelo espírito de sabedoria quando determinou que nos estabelecêssemos em St. George e nas proximidades, e que construíssemos ali um templo e estabelecêssemos ali uma colônia. Creio nisso. Por quê? Porque ele dirigiu aqueles movimentos pela inspiração do Todo-Poderoso, e por isso estava certo, e quando o Espírito do Senhor mover Seus servos que presidem a Igreja a construir colônias em terras distantes, será tempo suficiente para irdes, e vos chamaremos para ir, alguns de vós; mas não até então.

Ora, meus irmãos e irmãs, para concluir, quero dizer isto: talvez penseis que dediquei tempo demais a criticar, a fazer comparações entre as doutrinas da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e as doutrinas do mundo. Talvez penseis que fui generoso demais em minhas referências, ao menos, àqueles que vos maltratam com desprezo, e que vos perseguem, e que dizem toda sorte de mal contra vós, falsamente. Podeis pensar assim, mas fi-lo apenas com o propósito de mostrar o contraste entre o espírito do maligno e o Espírito do Evangelho de Jesus Cristo. Nosso espírito é um espírito de paz, de boa vontade para com toda a humanidade. Procuramos edificar e estabelecer a retidão no coração do povo, e quero ver-vos, como membros da Igreja de Jesus Cristo dos Últimos Dias, homens e mulheres, tão diligentes, tão ativos no cumprimento de vossos deveres como Santos dos Últimos Dias, tão humildes, tão submissos à vontade do Senhor, que não tenhais tempo para gastar em ampliar as fraquezas, as loucuras e as faltas de vossos vizinhos e de vossos companheiros membros da Igreja. O Senhor sabe que já se diz mal suficiente no mundo, sem reflexão, e sem qualquer intenção particular de fazer o mal, mas simplesmente pela fraqueza dos homens de falar, falar, falar e nada dizer — trabalhemos, e não falemos. Procuremos ao menos não dizer mal de nossos companheiros membros na Igreja. Deixemos de ampliar as loucuras e as fraquezas dos membros na Igreja. Deixemos de encontrar defeitos naqueles que presidem sobre nós, o Bispo e seus conselheiros, a Presidência da Estaca, e os membros do Sumo Conselho. Deixemos de encontrar defeitos nas indústrias que são instituídas em nosso meio com o propósito de dar ao povo prosperidade e progresso, um meio pelo qual se edificarem, e com o qual edificar, ou ajudar a edificar Sião. Não encontremos defeitos nestas coisas.

Tenho hoje no bolso uma carta de um membro, ou pelo menos ex-membro da Igreja, que agora está pronto para deixar a Igreja, e quer que seu nome seja retirado dos registros, porque as fábricas de açúcar funcionam aos domingos, e sou o Presidente da Utah-Idaho Sugar Company. Meus amigos, que têm grande interesse nesta indústria, honraram-me ao me tornarem presidente daquela organização. Este homem me escreve e exige que eu suspenda a produção de açúcar aos domingos, e, se não o fizer, quer que seu nome seja retirado das listas da Igreja. Bem, ora, não se pode raciocinar com um homem desse tipo. Pode-se discutir com ele, é verdade, mas não se pode raciocinar com ele, pois um homem dessa espécie não tem razão, não é capaz de razão. O fato é que nossas fábricas de açúcar trouxeram mais prosperidade, mais riqueza ao nosso país do que qualquer outra indústria isolada já estabelecida entre nós, e, por nove meses, pelo menos nove meses do ano, essas fábricas de açúcar não apenas guardam santo cada dia de sábado, e não fazem trabalho nele, mas guardam também sagrado cada outro dia do ano, ou daqueles meses, pois não fazem nada; ficam simplesmente ociosas por nove meses do ano; mas quando começam, o suco daquelas beterrabas tem de correr por quilômetros e quilômetros de tubulação, de tubos aquecidos a certa temperatura, necessária para evaporar a água do suco, condensar o suco a uma condição para dele fazer açúcar; e se pararem isso por um dia, arruína-se toda a produção por pelo menos vinte e quatro horas, e talvez muito mais. E o que mais? Ora, todo acionista e todo homem que cultiva beterraba no país ficaria arruinado, pois as fábricas de beterraba teriam de fechar; não poderiam ter êxito se, uma vez abertas, não funcionassem noite e dia, domingos incluídos, até o fim. É o tolo que diz em seu coração: "Ninguém tem sabedoria além de mim."

Ora, meus irmãos e irmãs, estamos fazendo o melhor que sabemos. Nossas vidas, nossos labores, nossos esforços, nossas intenções, são como um livro aberto para todos os que possam ler claramente, e podem correr enquanto leem. Quero que meus irmãos e irmãs façam como estou tentando fazer, e não quero dizê-lo de modo jactancioso, pois não é o que sinto. Quero que pagueis vosso dízimo tão honestamente quanto eu o faço. É tudo o que vos pedirei a esse respeito. E se pagardes vossas ofertas de jejum para os pobres, e se ajudardes a manter vossas organizações de ala como deveis, como membros da Igreja, nas quais está envolvida uma promessa de bênção em cada caso, posso dizer-vos que o mundo terá cada vez menos poder, e cada vez menos razão para dizer — ia dizer coisas más — mas encontrará cada vez menos razão e ocasião para dizer coisas lisonjeiras a nosso respeito, porque seremos tanto melhores, e quanto melhores formos, mais o diabo enfurecerá, e mais amargo ele será. Mas, como disse o Presidente Young certa vez, e como repetiu depois o Presidente Woodruff, quanto mais retos e íntegros, puros e imaculados os Santos dos Últimos Dias se tornarem, menos poder terá Satanás sobre eles, pois, na proporção de vossa unidade e retidão, honestidade e fidelidade à causa em que estais empenhados, nessa proporção será enfraquecido o poder do adversário, e aqueles que procuram atrair vossos filhos e filhas a antros de vergonha, e covis de perversidade, para que sejam contaminados, corrompidos, perversos e "como o resto deles," terão menos poder sobre vós, se cuidardes melhor de vossos filhos, e viverdes vós mesmos vidas melhores.

Que Deus vos abençoe, é minha oração, em nome de Jesus. Amém.

O Élder Edwin Tout cantou, como solo de tenor, o hino intitulado "Ó Lar Amado," cuja letra foi escrita pelo Prof. Evan Stephens.

Como citar este discursoJoseph F. Smith, “Discurso de Abertura: A Vilipêndio dos Santos e Seus Líderes, um Estranho Fenômeno”, 1911 October General Conference, First Day Morning Session (1911-10-06). Pulpit Vault, 1911-10-01-joseph-f-smith-remarks-1. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).