O Casamento Eterno, os Pecados de Omissão, e o Verdadeiro Significado do Divórcio
Charles W. Penrose
Estou muito grato pelo privilégio de me reunir, mais uma vez, com os Santos dos Últimos Dias em conferência geral. Penso que uma pessoa precisa se afastar de casa para desfrutar plenamente das bênçãos do lar ao retornar; e penso que constataremos que isso faz parte de nossa história; se tivermos o privilégio de voltar para casa, a nosso Pai celestial, e renovar as associações que se têm em Sua presença, delas desfrutaremos ¶
mais do que nunca, em consequência de nossa ausência por algum tempo na face desta terra. Penso, também, que se aprecia muito mais as bênçãos da saúde por causa de, ocasionalmente, sofrer um revés. O Senhor tem sido muito misericordioso comigo a este respeito, assim como em muitos outros, pelos quais me sinto profundamente grato. Mas, nesta manhã, e há dois ou três dias, tenho sofrido de um forte resfriado, que espero superar, e então apreciar ainda mais, se possível, as bênçãos da boa saúde. Confio que, durante o tempo que ocuparei nesta manhã, serei inspirado pelo Espírito Santo, que tão generosamente tem repousado sobre nossos irmãos que já se dirigiram a nós, e que serei capaz de me fazer ouvir, sem dificuldade, nesta grande congregação. Esta é uma bela visão para se contemplar. Ver tantos dos filhos e filhas do Deus vivo, reunidos em solene convocação, para adorar ao Senhor, para cantar Seus louvores, para invocar Seu santo nome, para receber instruções daqueles designados a serem ministros do Altíssimo para os Santos e para todo o mundo, é um grande privilégio que espero que todos os presentes apreciem, assim como as bênçãos deste belo tempo que temos. ¶
Tenho seguido atentamente as palavras que nos foram dirigidas enquanto estamos em conferência, e particularmente o discurso de abertura do Presidente Joseph F. Smith, no qual ele abrangeu uma grande área de pensamento e de ação, e nos apresentou, em frases concisas, muito precisamente, as condições da obra do Senhor nas diferentes partes da terra. Encontrei nelas grande motivo de congratulação, ao pensar que a obra do Senhor está se espalhando e se estendendo tão amplamente, e que a fé dos Santos dos Últimos Dias se manifesta em suas boas obras. Esperamos que sempre haja algumas pessoas na Igreja — até que venha aquilo que é perfeito — que não vivam plenamente de acordo com os ensinamentos do Senhor por meio de Seus servos; e com os convênios e obrigações sob os quais estão de servi-Lo em todas as coisas. Assim, ouvimos algo de ambos os lados — as boas obras que estão sendo realizadas, e as coisas que são omitidas; pois há pecados de omissão, assim como pecados de comissão. Quando chegar o tempo em que havemos de prestar contas de nossos atos enquanto estávamos na carne mortal, descobriremos que colheremos as consequências de nossas ações, e também os efeitos decorrentes da negligência e da omissão, ou do fracasso em viver de acordo com as exigências do evangelho. Estas coisas nos são chamadas à atenção quando nos reunimos em conferência, para que possamos fazer melhor no futuro do que fizemos no passado. Há sempre espaço para melhorar. Ouvimos isso com muita frequência, e o percebemos como um fato, em nossa experiência, quando olhamos para o passado. Deveríamos estar preparados para o futuro; isto é, deveríamos ser mais diligentes, se possível, do que temos sido, e não voltar a negligenciar aquilo que deixamos de fazer. Nossas mentes são chamadas àquilo que deixamos por fazer, pelos ensinamentos de nossos irmãos, e espero que, ao nos afastarmos ¶
desta grande assembleia para nossos respectivos lugares de residência, sintamos, em nossos corações, a determinação de viver de acordo com os princípios de vida eterna que nos foram ensinados enquanto estivemos juntos, e de servir ao Senhor em todas as coisas. ¶
Um assunto tocado pelo presidente, em suas palavras de abertura, foi a respeito da questão do casamento. Aprendemos com ele que, durante o ano de 1910, além dos casamentos realizados nos templos do Senhor, nos quais se administra aquela grandiosa ordenança de selamento, pela qual homens e mulheres são unidos em santo matrimônio pelo tempo e por toda a eternidade, cerca de mil e cem uniões haviam ocorrido fora dos templos, a maioria delas, talvez, realizadas pelo que se chama de cerimônia civil — de acordo com a lei civil. Ora, embora isto seja algo a lamentar, ao pensarmos que tantas pessoas, membros da Igreja, negligenciam suas oportunidades de receber as mais elevadas bênçãos, e se contentam com aquilo que vem de um casamento apenas pelo tempo. Não repudiamos essas cerimônias quando são realizadas por uma pessoa autorizada pela lei da terra a celebrar casamentos. Elas são reconhecidas na Igreja pelo que são; são contratos civis, quando não solenizadas por um homem que possui o sacerdócio de Deus; mas são contratos legais, e as pessoas que neles entram estão a eles vinculadas — em honra e de acordo com a lei. Compreendemos isso, ou deveríamos compreender, e nossos amigos que não são dos nossos deveriam saber que reconhecemos as ordenanças realizadas sob as leis do país como vinculantes de acordo com o que são; que o casamento civil realizado por homens com autoridade civil é simplesmente até que a morte separe o casal. Quando a morte vem, esse é o fim do contrato, como o entendemos; e assim o entendemos porque o Senhor assim o revelou. ¶
Numa revelação contida na seção 132 de Doutrina e Convênios, aprendemos um pouco a respeito da eternidade do convênio do casamento. O Senhor revelou que, quando um casamento é realizado sob a ordenança de selamento que Ele revelou, por pessoas designadas, ordenadas e autorizadas a selar na terra, e isso será selado no céu, uma união desse tipo se estenderá além da sepultura; e que, quando a morte separa os indivíduos, o casamento não é dissolvido, mas continua e prossegue, e, se as partes forem dignas dele, aptas para ele, continuará para sempre, e do aumento de sua posteridade não haverá fim. Há algo grandioso e glorioso nesta manifestação de luz e inteligência da parte do Senhor. Quando as pessoas têm aquela verdadeira consideração uma pela outra, que é o verdadeiro afeto — não me refiro apenas àquilo que às vezes se chama amor, e é mera paixão — mas quando duas almas, embora talvez não "num único pensamento", e dois corações que talvez não "batam como um" incessantemente, estão verdadeiramente unidos em espírito, amando-se mutuamente, confiando um no outro, tendo confiança um no outro, tendo aquela admiração mútua que vem do verdadeiro respeito e do reconhecimento da virtude, da honra, e de tudo o que é bom e grandioso, e tendo o desejo e a disposição de perdoar as fraquezas da carne mortal, da natureza humana — aquelas pequenas falhas que às vezes perturbam o coração e o lar — digo eu, quando as pessoas ¶
estão assim unidas em espírito, além da ordenança e cerimônia de selamento que o Senhor instituiu, há algo muito esperançoso, encorajador e alegre no pensamento de que, embora a morte possa separá-las, na ressurreição dos mortos elas hão de vir novamente e desfrutar da plenitude das bênçãos da relação familiar. Na ressurreição, o homem será homem, e a mulher será mulher, com todas as faculdades e poderes com que os sexos são dotados, tanto de espírito quanto de corpo, o corpo sendo restaurado ao espírito, e o espírito ao corpo. Sendo estas almas viventes — como Adão e Eva, quando unidos no jardim do Éden, antes que a morte entrasse no mundo — continuarão, aumentando naquele afeto, e amor, e admiração, em poder, e em domínio, e nas bênçãos da relação familiar. Isto continuará para sempre, e não haverá mais separações, porque não haverá mais morte; a tristeza e o pranto fugirão, e a felicidade e a alegria abundarão; e, na presença de Deus, o Pai, e de Cristo, o Filho, e de seres santos daquela ordem, se associarão em todas as coisas boas, grandiosas e elevadas — e toda a eternidade se abrirá diante delas para exploração, e experiência, e aumento naquela bem-aventurança que só se pode ter num estado eterno de existência. Esta é uma das gloriosas coisas reveladas por meio do grande profeta do século dezenove, da qual o mundo estava em ignorância, e sobre a qual o mundo, hoje, está no escuro. Deveríamos regozijar-nos nas manifestações do Senhor, tanto nesta como em muitas outras coisas. ¶
Ora, em relação a este assunto, tenho ouvido algumas pessoas, não apenas no mundo, mas até mesmo entre os Santos dos Últimos Dias, questionarem a correção desta doutrina por causa de algumas palavras proferidas pelo Salvador, quando foi consultado pelos saduceus a respeito de uma mulher que tinha um marido, e ele morreu, e, sob o código mosaico, o irmão do falecido teve de tomar essa mulher por esposa. Ela teve uma longa experiência na relação matrimonial, pois, ao que parece, teve, consecutivamente, sete maridos. Os saduceus queriam saber o que Jesus tinha a dizer a respeito deste assunto, e, particularmente, de quem seria ela esposa na ressurreição. Penso que talvez seja melhor ler alguns versículos sobre este assunto. Encontrá-los-eis no capítulo 22 de Mateus, e também no capítulo 20 de Lucas. Quando tiverdes tempo, lede ambos juntos, porque Lucas usa uma linguagem um pouco diferente da empregada por Mateus, mas as ideias são as mesmas. Começarei pelo versículo 23: ¶
"No mesmo dia chegaram junto dele os saduceus, que dizem não haver ressurreição, e o interrogaram, ¶
"Dizendo: Mestre, Moisés disse: Se morrer alguém, não tendo filhos, casará o seu irmão com a mulher dele, e suscitará descendência a seu irmão. ¶
"Ora, houve entre nós sete irmãos; e o primeiro, tendo casado, morreu, e não tendo descendência, deixou sua mulher a seu irmão: "Da mesma forma o segundo, e o terceiro, até o sétimo. ¶
"Por fim, depois de todos, morreu também a mulher. ¶
"Portanto, na ressurreição, de qual dos sete será ela? pois todos a tiveram. ¶
"Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as escrituras, nem o poder de Deus. ¶
"Porque na ressurreição nem casam nem se dão em casamento; mas serão como os anjos de Deus no céu." ¶
Ora, geralmente, quando este assunto ¶
é tocado por pessoas que não veem o assunto sob a mesma luz que nós, elas simplesmente citam este único versículo: "Porque na ressurreição nem casam nem se dão em casamento, mas serão como os anjos de Deus no céu." Ao ler as escrituras, seja o Antigo Testamento, seja o Novo Testamento, para compreendê-las devidamente não deveríamos tomar um texto isolado, mas lê-lo em conjunto com o contexto; assim obtemos o sentido do escritor ou do orador. Os saduceus vieram a Jesus, como também às vezes faziam os fariseus, tentando-O e procurando enredá-Lo em Suas próprias palavras; mas não tiveram êxito; para usar uma expressão popular moderna, Ele geralmente "levava a melhor". Os fariseus, nesta ocasião, ficaram muito exultantes ao verem que os saduceus haviam sido derrotados, e vieram parabenizar Jesus por Suas respostas. Ora, Ele estava falando da classe de pessoas a que os saduceus se referiam. Sob a lei de Moisés, o casamento para a eternidade não era celebrado, exceto nas ocasiões excepcionais em que o sacerdócio de Melquisedeque era dado aos homens na terra, sobre o que podemos ler em Doutrina e Convênios, seção 132. Portanto, os casamentos em questão eram apenas pelo tempo, e aquelas pessoas a quem Jesus Cristo Se referia eram, como lemos no capítulo 20 de Lucas, onde o mesmo assunto é tocado, "os filhos deste mundo", não os filhos do reino. ¶
"Os filhos deste mundo casam-se, e dão-se em casamento; mas os que forem considerados dignos de alcançar aquele mundo, e a ressurreição dos mortos, nem hão de casar, nem de ser dados em casamento." Cristo disse ainda: "São iguais aos anjos." Qual é a condição dos anjos? Segundo a revelação a que brevemente me referi, são aqueles que não são dignos daquele "peso muito maior, imensurável e eterno de glória" que vem àqueles que obedecem à plenitude do evangelho e recebem as ordenanças do novo e eterno convênio, que são selados pelo tempo e por toda a eternidade na terra, e cujo casamento é selado no céu. Eles, então, que são chamados "os anjos", são "servos ministradores, para ministrar em favor" dos herdeiros da salvação e da exaltação. São servidores daqueles que são dignos deste "peso ainda maior de glória" — a exaltação que "será uma plenitude e uma continuação das sementes para todo o sempre, em que o Pai é glorificado"; de modo que aqueles que apenas alcançam a posição dos anjos não estão na condição daqueles que obtêm a maior bênção e exaltação. Eles surgem na ressurreição, segundo aquela revelação que temos, "permanecendo separados e solteiros", em seu "estado de salvação"; portanto, não são contados entre os Deuses, mas entre os anjos, ou aqueles que ministram e são mensageiros e servos dos "herdeiros de Deus e co-herdeiros com Jesus Cristo". Ora, tomai estes dois capítulos a que me refiro, juntos, e penso que o assunto se tornará muito claro em vossas mentes. Jesus não disse, como algumas pessoas imaginam que Ele disse, que não há casamento após a ressurreição. Não o encontrareis em lugar algum. Não digo, nesta manhã, que casamentos sejam solenizados no estado de ressurreição, mas digo que casamentos podem ser realizados na terra por representantes daqueles que já faleceram; e que estes, sendo selados pelo santo espírito ¶
da promessa, por aquele que é ungido, tanto pelo tempo quanto por toda a eternidade, possuindo as chaves disso, permanecerão válidos para sempre, e aqueles por quem forem realizados receberão os plenos benefícios e bênçãos disso. Repito que o que vos li, e o que há em outras partes da escritura a respeito deste assunto, não transmite a ideia de que não existe tal coisa como casar-se e ser dado em casamento após a ressurreição. Todos esses assuntos, é claro, estão nas mãos dAquele que tudo sabe. Graças a Deus, há um grande Juiz Supremo, e muitas coisas que possam ser feitas aqui na terra, na carne, ou deixadas de fazer e negligenciadas, podem e serão supridas pelo Juiz Supremo de todos, quando a necessidade o exigir, e aqueles que forem dignos de entrar nesta grande exaltação descobrirão que há um plano preparado, e que Deus, que é o Grande Juiz, corrigirá tudo o que possa ter sido feito de forma errada aqui na terra. Muitas coisas podem ser feitas aqui, por ignorância, ou por falta de experiência, mas o Senhor tudo compensará, no futuro, àqueles que forem dignos de obter esta grande exaltação. ¶
Ora, lamento que haja tantas pessoas, mil e cem pessoas, ligadas à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que não puderam, ou negligenciaram, obter os benefícios desta ordenança de selamento. Estes grandiosos Templos, que foram erguidos segundo um padrão divino revelado do céu, são para o benefício deste povo. Alegro-me por termos quatro deles; espero que venha o tempo, e não tenho dúvida disso, em que muitos mais serão erguidos em diferentes partes desta gloriosa terra de José, e até mesmo em outras terras; quando a necessidade o exigir, serão erguidos para a realização de ordenanças pelos vivos e pelos mortos, para que a grande obra do Milênio possa prosseguir, e o caminho seja preparado para que Deus venha habitar entre Seu povo, e "enxugue de seus olhos toda lágrima". Exortaria meus irmãos e irmãs que têm influência entre o povo, particularmente nossos irmãos chamados a presidir sobre as várias alas e estacas de Sião, a instruírem os Santos a este respeito; a instruírem tanto os pais e mães quanto os jovens sobre as bênçãos e benefícios de obter uma ordenança de casamento apropriada, que não seja apenas até que a morte os separe, mas que se estenda além da sepultura. Esta é uma ordenança que entrará no mundo por trás do véu; que permanecerá válida e verdadeira diante do Senhor na ressurreição dos mortos, quando o homem e a mulher, separados pela morte, mas que foram selados por esta sagrada ordenança, se reunirão novamente e permanecerão à frente de sua posteridade; e toda a sua posteridade que for digna entrará naquela grandiosa ordem patriarcal de governo familiar, e, como já disse, de seu aumento não haverá fim. ¶
O Senhor falou a Abraão a este respeito, quando lhe mostrou as estrelas, pelo dom e poder de Deus, pelo qual ele podia discernir as coisas de modo semelhante ao próprio Deus. Abraão contemplou a multiplicidade de mundos que o Pai havia criado, como o Senhor também mostrou a Enoque. O Senhor disse a Abraão que, se conseguisse contá-las, assim poderia contar sua semente; que sua semente seria tão numerosa quanto as areias na praia do mar, ¶
e como as estrelas dos céus, em multidão. Não podeis contá-las. A multiplicidade da posteridade daqueles que entram nesta grandiosa ordem de governo familiar, selados na terra e selados no céu, continuará para sempre, enquanto as estrelas brilharem, enquanto o trono de Deus perdurar; enquanto a glória de Deus, que é inteligência, continuar a cintilar e a se manifestar entre as miríades e hostes que habitam os mundos eternos. Isto abre um assunto amplo e vasto demais para eu abordar plenamente nesta manhã; mas chamo a atenção de meus irmãos e irmãs para esta grandiosa e solene ordenança que Deus instituiu — o convênio eterno; e aqueles que têm a oportunidade de entrar nele e não o fazem estão sob condenação. Um termo mais forte é usado na revelação — "então são condenados". Por quê? Porque o fim de seu aumento vem com a morte; seu poder e domínio à frente de uma família terminam quando a sepultura se abre para receber seus corpos mortais. Mas aqueles que obedecem a estas ordenanças, no espírito e no poder delas, ressuscitarão quando o Senhor os chamar; serão "de Cristo, em Sua vinda", e Ele chamará seu pó adormecido à vida, e serão reunidos, não apenas o espírito e o corpo reunidos, mas os felizes pais se reunirão novamente, assim como "Adão e Eva estarão à frente de uma multidão, vivificados e ressuscitados dos mortos". Ensinai isto aos Santos, e, se não o receberem, então terão de sofrer as consequências. ¶
Ora, algumas palavras a respeito de um assunto correlato, tocado pelo Presidente Smith; isto é, a respeito do divórcio; pois as questões do casamento e do divórcio, particularmente nestes últimos dias, devem ser vistas em conjunto. O presidente expressou seu sentimento de que não teria objeção se o Congresso dos Estados Unidos desejasse tratar deste assunto, mas que deveriam legislar sobre toda a questão do casamento, proibindo o casamento plural, se assim o desejassem, estabelecendo o que constituiria um casamento legal, se desejassem, e mostrando de que maneira aquele casamento civil poderia ser dissolvido por divórcio competente. Ora, o que desejo chamar a atenção, particularmente, é isto: há uma ideia predominante no mundo cristão, e que também prevalece, em certa medida, entre nós, de que o Salvador da humanidade declarou que não poderia haver um divórcio apropriado, exceto por um grande pecado. Sobre esse assunto, devemos ler o contexto tanto quanto o texto, para compreendermos o que Ele tinha a dizer a respeito. Desta vez foram os fariseus que vieram a Jesus Cristo e Lhe fizeram uma pergunta. Ele deu uma resposta, mas Sua resposta é geralmente citada apenas em parte. Eis o que se cita: "E Eu vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério." Isso é tomado de forma isolada, e estabelecido como regra — não que o mundo cristão o cumpra, de forma alguma; mas apontam para ele, e os grandes pregadores da época, nas várias igrejas protestantes, assim como na Igreja Católica, o sustentam como princípio — que um homem ou mulher não pode ser devidamente divorciado, exceto por aquela única ofensa. Ora, disse Jesus isso? Não, não disse. Eis o que Ele disse, como vos lerei: ¶
"Os fariseus também vieram a Ele, ¶
tentando-O, e dizendo-Lhe: É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo? ¶
"E Ele, respondendo, disse-lhes: Não lestes que Aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, ¶
"E disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão os dois uma só carne? ¶
"Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem. ¶
"Disseram-lhe eles: Então por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la? ¶
"Disse-lhes Ele: Moisés, por causa da dureza do vosso coração, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim." ¶
Então Ele prossegue com as palavras que vos li, referindo-Se à regra arbitrária que podeis ler em Deuteronômio, capítulo vinte e quatro, a respeito de repudiar uma esposa. Moisés disse que, se um homem se casasse com uma mulher, e encontrasse nela alguma impureza, poderia dar-lhe um documento e dizer-lhe para sair, dar-lhe uma carta de divórcio e dizer-lhe para ir embora. Era disso que falavam, e Jesus Cristo não acreditava nesse tipo de coisa; e, portanto, disse que um homem não poderia repudiar sua esposa, exceto por um único motivo. Isso não é uma questão sobre o princípio do divórcio, quando a decisão é dada por um tribunal civil ou eclesiástico. Jesus Cristo não disse que uma mulher deveria ser obrigada a viver com um homem que fosse um bruto, cheio de todo tipo de imundície, que a machuca e a espanca; ou, se não usa um cassetete, a espanca em espírito, até que fique dolorida, ferida e angustiada, e seja uma miséria para ela viver com tal ser. Ele não disse que era errado que ela obtivesse um divórcio; Ele não disse que, se ela se casasse com um homem vil, bêbado e corrupto, uma desonra para a humanidade, ela deveria ser obrigada a viver com ele. Nada disso. Poderia continuar e descrever condições que existem em muitas famílias casadas, mas não quero tomar mais tempo; apenas quero chamar vossa atenção para este fato: que, nestas passagens tão frequentemente citadas, Jesus Cristo não estabeleceu regra alguma pela qual os divórcios devessem ser obtidos, seja num tribunal eclesiástico, seja num tribunal civil; Ele estava respondendo à pergunta que Lhe foi feita, que era: É lícito a um homem repudiar sua esposa "por qualquer motivo", como sob a lei de Moisés, dando-lhe uma carta de divórcio e dizendo-lhe para ir embora; e Ele Se pronunciou contra isso. ¶
Sob a lei de Deus, um homem e uma mulher deveriam estar unidos por toda a eternidade, ela sendo osso de seus ossos, e carne de sua carne, espírito correspondendo a espírito, alma a alma, unidos por um vínculo eterno, para existirem na vida, na morte, na ressurreição, e por todas as incontáveis eras da eternidade; esta foi a união "no princípio"; esse é o tipo correto de casamento, e o casamento que nós, Santos dos Últimos Dias, deveríamos apoiar, sustentar e ensinar a nossos filhos, para que possam nele entrar preparados para obter seus benefícios. Mas o poder que pode selar pode desselar; o poder que pode ligar pode soltar, de acordo com os princípios eternos do direito, e esse poder tem estado na Igreja de Jesus Cristo sempre que ela foi estabelecida. Estas coisas podem ser reguladas na Igreja, sob regras e regulamentos apropriados, de acordo com a justiça, a misericórdia, a equidade e a verdade. Mas, na citação que li, Cristo falava ¶
a respeito da antiga prática mosaica de um homem repudiar sua esposa simplesmente dando-lhe uma carta de divórcio, sendo ele o juiz e o executor de seu próprio decreto. Cristo ensinou uma lei melhor, e, graças ao Senhor, ela foi revelada de novo nos dias em que vivemos. Temo-la escrita no livro do Senhor, em Doutrina e Convênios, que podemos ler em nosso tempo livre. ¶
Meus irmãos e irmãs, sou grato por estar ligado a uma Igreja na qual a palavra do Senhor é declarada, na qual os conselhos de Deus são manifestos, na qual convênios eternos podem ser contraídos e selados pelo tempo e por toda a eternidade, os quais não serão rompidos pela morte, mas continuarão para todo o sempre, para a glória de Deus e a alegria de Seu povo. Dou-vos meu testemunho, nesta manhã, de que sei que esta obra é a obra de Deus. Sei que Ele vive, que é nosso Pai, o Pai de nossos espíritos; que nossos espíritos são, em forma, semelhantes a Ele, e nossos corpos foram feitos para se conformarem ao espírito, sob as leis de geração que Deus estabeleceu, das quais não houve princípio, e das quais não haverá fim. Não surgimos das ordens inferiores da criação; somos os filhos e as filhas do Deus vivo. Dou testemunho de que Jesus de Nazaré foi o Cristo, e é o Cristo, o Filho do Deus vivo, em corpo e em espírito; que Ele é nosso Redentor, e que, pela obediência a Suas leis e mandamentos, prosseguiremos por toda a eternidade, aumentando em luz, em conhecimento, em bem-aventurança, em poder e em domínio. Rogo a Deus que abençoe esta congregação. Dou testemunho de que hoje somos guiados pelos oráculos vivos. O homem que está à frente sucede a todas as chaves, poderes e autoridades revelados por Deus, por meio de homens que viveram na terra no passado, que restauraram suas chaves ao Profeta Joseph Smith. Toda chave e poder restaurados por esse meio são mantidos na Igreja, e investidos no homem que agora está à frente. Dou testemunho de sua integridade, de sua honra, de sua veracidade, e de sua devoção ao que é bom, o que aprendi por meio de longa experiência e convivência. Sustento-o em minha fé, em minhas orações, em meus atos e obras, e alegro-me em saber que a grande maioria dos Santos dos Últimos Dias faz o mesmo. Que Deus o abençoe e o preserve, para que permaneça à nossa frente por muitos anos. Que Deus abençoe esta obra, para que avance rumo à vitória em toda terra e clima. Sei que os esforços que agora se fazem para retardar seu progresso hão de apressá-la, hão de abrir o caminho pelo qual milhares serão levados a investigar e a chegar a um conhecimento da verdade. A obra de Deus há de prevalecer; o mal há de ser vencido; as trevas hão de ser dispersas; e o governo, o domínio e o reinado do Todo-Poderoso hão de ser estabelecidos dos rios até os confins da terra. Que Deus nos ajude a sermos fiéis e verdadeiros em todas as coisas, a compreender a verdade tal como está diante dEle, e a andar em sua luz, a fazer aquelas coisas que devemos fazer, e a deixar de fazer aquelas coisas que não devemos fazer, a não termos pecados de omissão, tanto quanto de comissão; para que possamos obter a grande exaltação na presença de Deus, nosso Pai, por meio de Jesus Cristo. Amém. ¶
O popular hino, "Educa Teus Sentimentos, Ó Meu Irmão", escrito pelo élder Charles W. Penrose, foi cantado pelo élder Horace S. Ensign, com a música apropriada recentemente composta pelo Prof. George Careless. ¶