O Triunfo da Verdade e a Refutação da Nova Religião de Eliot
Hyrum M. Smith
Por algum tempo antes de nossas conferências anuais e semestrais, sinto bastante ansiedade, ao contemplar a probabilidade de ter de me dirigir à conferência. Os Élderes da Igreja não têm o hábito de fazer discursos preparados, mas confiam no Senhor e em Sua inspiração, e na inspiração que possam colher do povo de Deus, para o que hão de dizer. Sempre tenho mais ou menos medo de não conseguir organizar meus pensamentos e colocá-los numa ordem que seja proveitosa e interessante para os Santos dos Últimos Dias. Em geral, contudo, quando um homem deposita sua confiança no Senhor, o Senhor o sustenta. Embora, como disse, eu tenha ansiedade antes destas conferências por ter de falar nelas, geralmente tenho tido grande motivo de gratidão, quando a provação termina. As observações do Irmão Clawson e do Irmão Smoot, contudo, deram-me uma abertura; e desejo dizer algumas palavras em linhas semelhantes. ¶
Sei que esta é a obra de Deus, esta obra dos últimos dias, que está sendo realizada pelo povo conhecido como os Santos dos Últimos Dias. Este conhecimento me veio por meio de minha própria observação, por meu próprio estudo, e também pela inspiração e impressão, sobre meu coração, do Espírito Santo. Estou convencido de que a obra que foi tão bem iniciada e fez progresso tão maravilhoso no mundo continuará até que os princípios contidos no Evangelho do Senhor Jesus Cristo, tal como entendidos pelos Santos dos Últimos Dias, e tal como nos foram revelados pelo Senhor, por meio de Seu servo Joseph Smith, o Profeta, encham toda a terra e sejam entendidos e aceitos por todos os filhos de Deus. Tal é minha esperança e minha fé, e não tenho dúvida alguma a este respeito. ¶
Enquanto o Irmão Smoot falava desta nova religião — se é que se pode chamá-la de religião — da qual o Doutor Eliot assumiu a liderança, pensei comigo mesmo que não é nada de novo. É apenas uma cristalização, da parte do Doutor Eliot, das crenças do clero cristão por todo o país. É o que têm crido e pregado o tempo todo. Como resultado dessa crença e dessa pregação, as igrejas cristãs têm ficado quase esvaziadas de seus membros; houve, pelo menos, um grande declínio na frequência ao culto divino; e penso que a cristalização dessas crenças, feita pelo Doutor Eliot, numa espécie de credo, causará, talvez, o esvaziamento total das igrejas das várias denominações cristãs. ¶
Mas, meus irmãos e irmãs, o Irmão Smoot viu perigo nisso, e talvez haja perigo nisso para as igrejas cristãs; mas, enquanto ele falava, perguntei-me se não está ali a mão de Deus. Creio que, em todos estes movimentos que assumem a natureza de serem mundiais, está a mão do Senhor. A humanidade tem ido a estas várias igrejas em busca de Deus, seu Pai celestial; têm ido com o propósito de receber consolo para sua alma; têm desejado consolação, instrução, informação e orientação; e não a encontraram. Por isso, multidões se afastaram desses lugares e perderam o interesse pelas chamadas religiões existentes no cristianismo moderno. Mas há algo no homem, e tem se demonstrado presente no homem desde o princípio até agora, que clama por apoio, por ajuda, por conforto, por consolação, por conhecimento de algum ser supremo. O homem é, por natureza, uma criatura adoradora. Ele crê num poder maior que o seu. Vê ao seu redor o funcionamento de um poder maior do que o do homem, vê a obra das mãos da Divindade, tanto nos céus quanto na terra. É natural que os homens sejam religiosos e busquem a Deus. Mas não O encontraram nas igrejas; por isso as abandonaram, em grande parte. Agora vem o Doutor Eliot com sua cristalização dessas ideias mencionadas pelo Élder Smoot. Bem, será popular entre alguns; mas achais que a humanidade vai se contentar com esse tipo de casca vazia? Não creio, nem por um momento. ¶
Os Santos dos Últimos Dias têm lutado e trabalhado, desde o início da Igreja, para espalhar o conhecimento da verdade entre os filhos dos homens. Temos pregado o Evangelho; temos proclamado sua restauração; temos declarado Joseph Smith um profeta; temos pregado que Deus é, tal como Se revelou, uma pessoa, e que o homem foi criado à Sua imagem; que, assim como Cristo, o Redentor, Seu Ser era semelhante ao do homem, assim Ele era semelhante ao de Seu Pai, e Seu Pai semelhante ao Dele e aos filhos dos homens. Temos tido um sucesso maravilhoso em convencer muitos da verdade destas revelações do Senhor. Contudo, a grande maioria ainda está inconvicta. Creio que o Senhor está agora usando os ministros e os homens letrados deles para destruir a fé do povo nesses falsos credos que erroneamente têm sido chamados de igrejas de Cristo. Deixai que os homens prossigam e façam sua obra; deixai que persuadam a humanidade de que não há Deus; de que não existe tal coisa como a imortalidade da alma; de que não há revelação nem profecia; de que não existe tal coisa como autoridade — apenas aquela autoridade que os próprios homens assumem. Deixai que prossigam nisso até que os homens tenham perdido a fé em todas essas falsas religiões nas quais depositaram fé, até então. Vejo nisso o funcionamento da mão de Deus, pois estarão então menos satisfeitos do que antes de serem desiludidos. E buscarão em outro lugar satisfazer aquilo que dentro deles clama por algo que não conhecem; e onde buscarão? Buscarão aqui e ali; correrão de um lado para outro, e, como predito, não a encontrarão entre as organizações estabelecidas pelos homens e perpetuadas pela autoridade do homem. Mas continuarão a buscar, a examinar e a procurar a verdade, e o Senhor os influenciará e os guiará, e, com o tempo, descobrirão a verdade onde a verdade está, e isso é na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, — a Igreja de Deus, fundada pelo poder de Deus, que goza da autoridade do Senhor, a saber, o Sacerdócio, conferido ao homem para agir e falar em lugar de Deus, em favor dos que buscam conhecimento e salvação. Aqui a encontrarão. Não posso culpar o Presidente Eliot por chegar à conclusão a que centenas e milhares chegaram antes dele, e a que muitos estão chegando hoje: que não existe tal coisa como autoridade nas igrejas cristãs. Ele chegou à verdade a respeito das igrejas cristãs — porque não existe autoridade divina nelas. Ora, se esses homens que chegaram a esse estado continuarem a buscar a verdade, hão de descobri-la na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Encontrarão nela todos os puros princípios do Evangelho da salvação, familiarizar-se-ão com os gloriosos dons do Espírito Santo e os receberão; conhecerão as verdadeiras doutrinas do reino de Deus, e encontrarão também tudo o que a alma do homem anseia, e, ao final, a vida eterna. Compreenderão o que é o Sacerdócio e entenderão sua autoridade, autoridade essa que é Divina, e poderosa, e que realiza a obra que a autoridade deve realizar entre os filhos dos homens. ¶
Isso me traz ao ponto principal sobre o qual desejava falar esta manhã, em conexão com as observações do Élder Clawson a respeito do Sacerdócio. Ele falou do Sacerdócio em si; desejo fazer algumas observações a respeito dos oficiais no Sacerdócio. ¶
A Igreja é uma organização maravilhosa. Os termos "maravilhosa," "prodigiosa" e "notável" são os únicos termos que conseguimos encontrar para expressar nossa admiração pela organização da Igreja nestes últimos dias. Embora maravilhosa e prodigiosa na perfeição de sua organização, é também maravilhosa em sua simplicidade. A Igreja é dividida e subdividida em estacas, alas e organizações. Sobre essas divisões e organizações são colocados homens para presidir e dirigir os assuntos das mesmas, homens que possuem o Sacerdócio que foi restaurado pelos servos de Deus, sob a direção do Pai, como explicado pelo Élder Clawson esta manhã. Ora, o Senhor providenciou que a Igreja fosse assim dividida em organização, em estacas e alas, com homens chamados para presidir sobre elas, para que esta obra tão maravilhosa e poderosa possa ser mais facilmente realizada. Todo homem que possui este Sacerdócio, e é oficial nele, tem um dever a cumprir; e se todos os homens tivessem plena compreensão de seus deveres e os cumprissem conscienciosamente, então o labor de levar adiante a obra de Deus no mundo seria uma alegria para os que nela se ocupam. Se cada homem tivesse seu trabalho, e fizesse o trabalho, então seria fácil; mas quando há alguns desses oficiais que são mais ou menos indiferentes, ou descuidados no desempenho de seus deveres, isso aumenta — na exata proporção do número dos que assim são indiferentes — os trabalhos daqueles que são diligentes e fiéis. Creio que, quando um homem é ordenado ao Sacerdócio, e chamado a um ofício nele, deveria buscar o espírito desse chamado, e a plena compreensão do que significa portar o Sacerdócio, quais são seus deveres; e então, com poderosa oração ao Senhor por auxílio, empenhar-se a labutar naquele chamado e ofício da melhor forma possível, até o fim, ou enquanto o Senhor o quiser e não o desobrigar dele. ¶
A questão especial que desejo trazer à atenção dos oficiais da Igreja é esta: que, em minha opinião, a liberdade com que os homens que ocupam cargos na Igreja renunciam a esses cargos está totalmente fora de harmonia com a responsabilidade de seu chamado, e com a obra que o Senhor tem para eles fazerem, e para a qual os chamou, ao dar-lhes o cargo e a autoridade. Isso se aplica mais especialmente aos bispos da Igreja. Não era assim antigamente, como é agora, que os homens, por este ou aquele capricho, renunciariam a seus cargos. Alguns sentem que estão livres para renunciar e livrar-se da responsabilidade e autoridade no exato momento em que acham que seus deveres estão se tornando um pouco incômodos, ou extenuantes, ou problemáticos. Considero essa disposição e esse espírito totalmente errados, irmãos. Considero errado com respeito a presidentes de estaca; considero errado com os bispos; considero errado quando se encontra entre superintendentes ou oficiais presidentes, em qualquer capacidade que seja, que foram chamados e colocados em suas posições pela inspiração de Deus por meio de Seus servos que presidem sobre eles. Deveriam aceitar esses cargos com a determinação de neles permanecer até que aqueles que os colocaram ali digam que basta. Há momentos, é claro, em que mudanças são necessárias e têm de ser feitas, quando homens no cargo, por negligência e indiferença, se mostram incompetentes para levar adiante a obra do Senhor. Mas, via de regra, nesses casos o oficial jamais renuncia; é o homem que tem a capacidade, e que poderia fazer o trabalho se quisesse, é ele quem pode desejar renunciar. Se seus deveres na Igreja interferem em algum desejo, ou em alguns interesses comerciais, ou ele encontra dificuldades surgindo, que são incômodas; talvez alguém o tenha criticado ou encontrado defeito nele; ora, por estas e outras razões indignas, renuncia ao seu mais sagrado e santo ofício na Igreja. Há alguns Bispos que chegaram ao ponto de mudar-se deliberadamente de uma ala para outra, ou de uma estaca para outra, a fim de se verem livres de seus deveres no Bispado. Esse não é o espírito adequado que um Bispo deveria ter. Durante este ano, ocorreram sessenta e oito reorganizações entre os Bispados de outras tantas alas da Igreja. Há seiscentas e oitenta e cinco alas na Igreja. Isso significa que dez por cento delas tiveram uma reorganização em seus Bispados durante este ano — renúncias em excesso demais. Posso dizer que a maioria dessas reorganizações se tornou necessária porque os Bispos haviam renunciado. Muito poucas se deram, ou se fizeram necessárias, por causa da morte do Bispo. Temo que muitos desses Bispos tenham renunciado porque queriam se livrar da responsabilidade do Bispado. Digo, irmãos, isso não está certo; não deveria ser assim. Nunca se ouve falar — pelo menos eu nunca ouvi, e não creio que tenhais ouvido — de presidentes no campo missionário enviando suas renúncias, por encontrarem alguma dificuldade na pregação do Evangelho. Os Élderes enviados ao exterior raramente renunciam a suas missões antes de serem desobrigados. Penso que essa mesma lealdade deveria ser encontrada entre nós, que ocupamos cargos gerais e locais e autoridade no Sacerdócio, nas estacas e alas da Igreja. Se uma ala está sofrendo por causa de seu bispado, o presidente daquela estaca deveria sabê-lo; e se for aconselhável fazer-se uma reorganização, então o presidente deveria trazer essa condição à atenção daqueles a quem cabe o direito e o dever de fazer a reorganização. Se um presidente de estaca é incompetente, ou não pode cumprir seu dever por causa de interesses comerciais e outras inclinações de sua parte, e deseja ser desobrigado de sua presidência e quer sair dela, os Doze muito provavelmente o descobrirão, e, quando receberem a devida inspiração do Senhor, farão a mudança. Os homens nesta Igreja não deveriam sentir-se livres para renunciar, à sua própria vontade, às posições que o Senhor Deus dos Céus os chamou a ocupar, e nas quais Ele tem para eles uma obra a realizar, no avanço desta grande obra dos últimos dias, nesta dispensação. Deve-se fazer a vontade do Senhor, e não a do homem. ¶
Gostaria de dizer, em conexão com estas observações, ao povo da Igreja, que deveríeis tornar o ofício do Bispo agradável, dando-lhe vosso apoio integral, enquanto ele for digno dele. Deveríeis reter vossas críticas e não encontrar defeito nele quando ele está fazendo o melhor que pode. Algumas alas se gabaram de sua capacidade de "eliminar" os Bispos. Bem, isso é errado da parte do povo. O povo deveria amar o Bispo; deveria deleitar-se em honrá-lo; deveria sustentá-lo, orar por ele, e engrandecê-lo. Boa parte de sua força para suportar e cumprir seu dever depende de como os santos o apoiam e o sustentam. Deveríamos ajudar esses irmãos em suas posições. E aos irmãos quero dizer novamente, não deveríamos sentir que podemos deixar de lado esses ofícios no Sacerdócio, como alguns têm sentido que podiam. Deveríamos sentir mais, em relação a nossos ofícios no Sacerdócio, o mesmo que sentimos em relação ao próprio Sacerdócio. Não conseguireis encontrar nenhum dos oficiais da Igreja, que ainda conserva amor à verdade e conhecimento dela, que tenha desejo de renunciar a portar o próprio Sacerdócio. Ó não! Não queremos o ofício de Bispo: não queremos o incômodo de ser Bispo; não queremos todo esse labor e responsabilidade, mas queremos o Sacerdócio; não cederemos isso; valorizamos isso mais do que tudo, e estamos decididos a mantê-lo. Se sentíssemos assim em relação aos ofícios no Sacerdócio, seria muito melhor para nós e melhor para a Igreja em geral; pois toda vez que uma ala é reorganizada, ela é perturbada do centro à circunferência, e os novos homens têm de ser treinados. Somos detidos em nosso progresso, em geral, ao menos momentaneamente, quando essas mudanças têm de ser feitas. Espero que, no futuro, os irmãos não renunciem, exceto sob a mais urgente necessidade. ¶
Falando de indústrias domésticas — irmãos e irmãs, creio na manufatura doméstica; e, como sugeriu o Presidente Smith, ontem de manhã, penso que, numa certa linha de manufatura, os Santos dos Últimos Dias, cada um deles, deveriam estar mais diligentemente ocupados, e essa é a manufatura, a partir de seus filhos, de material para bons Bispos e bons oficiais da Igreja; dedicando cuidado especial e treinamento aos filhos que, com o tempo, se tornarão os oficiais no Sacerdócio e na Igreja, para que, quando crescerem, sejam artigos polidos e acabados, compreendendo e percebendo plenamente que, quando o Senhor os chamar a posições de responsabilidade, Ele os quer até que os desobrigue de seu chamado. E entre nossas filhas, deveríamos estar fabricando mulheres nobres, verdadeiras e virtuosas, que sejam dignas e devotas mães em Israel, e guardiãs desses lares de que falou o Irmão Smoot. Digo-vos que estes rapazes e moças, nascidos sob o novo e eterno convênio, na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, são o material mais genuíno e da melhor qualidade que se pode encontrar entre toda a espécie humana; e se cumprirmos nosso dever para com eles, se forem devidamente ensinados, e se forem diligentes em seu treinamento, como deveríamos ser, tornar-se-ão homens e mulheres dos quais o próprio Deus se orgulhará, e Se alegrará em abençoar e engrandecer, a nossos próprios olhos, e aos olhos de todos os filhos da terra. Que o Senhor nos ajude a ser verdadeiros em todas as coisas, para que possamos levar adiante esta grande obra dos últimos dias, é minha oração, em nome de Jesus. Amém. ¶