O Reino Universal de Deus e o Progresso Missionário
Anthon H. Lund
A Igreja e o Reino de Deus hão de ser universais. — Os Santos deveriam ser zelosos na obra de Deus. — Progresso animador nas missões. — A importância do Sacerdócio, e o comparecimento às reuniões. — O fracasso em aprovar leis de temperança e do domingo exige cuidado adicional. — Esplêndido trabalho do Comitê de Melhoramento. — Resultados gratificantes nas Escolas da Igreja. ¶
Fiquei muito interessado nesta manhã ao ouvir os fortes testemunhos dados pelo Presidente Smith e pelo Presidente Winder. Também tenho um testemunho da verdade desta obra. Tanto quanto estiver ao meu alcance, é a minha determinação guardar os convênios que fiz com o Senhor e com meus irmãos, e procurar realizar em minha vida diária aquilo que entendo ser a vontade do Senhor. O Senhor começou esta obra, o Senhor a tem sustentado, e o Senhor continuará a sustentá-la até que cumpra a sua missão, até que se torne, como está destinada a ser, a Igreja universal de Cristo na terra, e se funda no reino universal de Deus. ¶
O Presidente perguntou a si mesmo e a nós: "Sentimos o mesmo zelo e entusiasmo demonstrado por nossos pais, aqueles a quem o Senhor usou para estabelecer esta obra?" Espero que sim, embora eu ache que há mais indiferença e descuido entre nós, como povo, do que deveria haver. Seria bom que todo Israel refletisse sobre sua conduta, examinasse a condição em que se encontra, e verificasse se tem o mesmo amor pela verdade que tinha quando recebeu pela primeira vez o Evangelho. Deveria ser maior a esta altura, pois já viram que o Senhor estendeu a mão para protegê-los, viram os Seus tratos com o povo; e sabem que, sem a Sua ajuda e auxílio, esta obra não poderia ter progredido como progrediu. Além disso, desde que receberam o Evangelho, os Santos aprenderam muitas coisas de que antes eram ignorantes. Luz foi lançada sobre o seu caminho, e eles puderam ver o caminho que conduz à vida eterna. Passagens de escritura que antes lhes eram obscuras foram esclarecidas e simplificadas pelo Espírito de Deus. Têm, de fato, razão para ser gratos a Deus pelo que receberam, e têm razão para fazer a mesma declaração que o Irmão Winder, de que procurarão demonstrar sua gratidão em suas vidas, e estarão determinados a viver de tal maneira que esteja em harmonia com a vontade do Pai. ¶
Na próxima terça-feira farão setenta e nove anos desde que a Igreja foi organizada. Quão maravilhosa é a história da Igreja! É de grande interesse, e eu encorajaria o nosso povo a estudá-la. Tem sido bastante notável, e em cada página vemos que o Senhor tem revertido para o bem aquilo que os inimigos da Igreja arquitetaram para a sua derrubada. O Presidente disse que esta obra prevalecerá, que nada pode derrubar a verdade. "A verdade," já se disse, "ainda que esmagada à terra, se levantará novamente." Outro autor diz que a verdade é resistente; pode ser esbofeteada e chutada de um lado a outro o dia todo como uma bola de futebol, mas ao anoitecer sairá inteira e redonda, sem ter sofrido o menor dano do tratamento que recebeu. O tratamento dado ao "mormonismo" prova que ele possui as mesmas qualidades, pois tem sido esbofeteado, chutado e grosseiramente deturpado, e, contudo, tem passado por toda provação ileso. Agradecemos ao Senhor por Ele nos ter revelado a verdade. E agora, meus irmãos e irmãs, tendo o Senhor feito tanto por nós, seremos indiferentes e negligentes quanto aos deveres que nos incumbem como Seu povo? Não sentiremos que uma grande responsabilidade recai sobre nós? Não queremos destruir a religião de outros; simplesmente queremos mostrar ao mundo o que recebemos. Cremos na verdade, e se outros têm verdades, cremos nelas também; e as reivindicamos também. Queremos esclarecer os nossos semelhantes a respeito de nossa fé, pois sabemos que é de valor inestimável. ¶
O que há de maior do que a salvação das almas? Para cada um de nós, nossas almas valem mais do que o mundo inteiro. Não podemos permitir que as coisas do mundo distraiam a nossa atenção daquilo que é de maior valor. Cada um de nós deveria sentir que precisa fazer algo pela edificação do reino de Deus, seja em casa, seja no exterior. Nossos missionários que saíram para pregar o evangelho entre as nações demonstram o seu amor por seus semelhantes. Vão sem esperar recompensa temporal. Vão porque sentem que é seu dever pregar o evangelho a outros e fazê-los saber o que o Senhor fez, e o que é necessário que façam para obter a salvação. O Senhor tem estado com eles. Durante o ano passado vimos mais batismos na Igreja do que em muitos anos anteriores. Nossos élderes têm sido mais enérgicos em alcançar o povo, e viram os frutos de seus trabalhos, e muito preconceito foi apaziguado. À medida que os homens se familiarizam conosco, nos veem sob uma luz diferente. Esperamos que em breve chegue o dia em que a liberdade, no que diz respeito à religião, seja concedida às nações que agora estão sob leis que as impedem de adorar a Deus segundo os ditames de sua consciência. Estamos gratos por saber que, mesmo nesses países, o evangelho está progredindo muito. ¶
Ultimamente tem havido uma agitação na Noruega para que a legislatura de lá faça algo para impedir que os élderes Santos dos Últimos Dias preguem o evangelho ao povo. Dizem que nossos élderes são tão zelosos em espalhar suas doutrinas que algo precisa ser feito para deter isso. Aqueles que estavam agitando esta questão escreveram aos vários bispos e sacerdotes do país, e quiseram sua opinião sobre a questão de aprovar uma lei contra a propaganda "mórmon". Tenho o prazer de dizer que um par de bispos responderam que, embora fosse desejável deter a propaganda dos "mórmons", nenhuma outra arma além das espirituais deveria ser usada; e que não eram a favor de aprovar leis contra os "mórmons". Mas havia muitos que eram a favor de fazê-lo. Espero que os representantes do povo norueguês tenham independência suficiente para agir em conformidade com o espírito de liberdade. Há muitas boas pessoas naquela terra; muitas emigraram de lá e se tornaram bons cidadãos de nosso estado. Na Suécia, como na Noruega, não têm liberdade religiosa plena; ainda assim, não temos sido muito incomodados. Há algum tempo, dois de nossos élderes foram lançados na prisão, e multados, mas recorreram do seu caso. Quando se descobriu que o recurso era do tribunal dos sacerdotes para o Conselho dos Bispos em Estocolmo, souberam que não haveria mudança na decisão, de modo que levaram o caso aos tribunais civis, e foi apelado aos tribunais superiores, mas, embora a multa tenha sido reduzida, o caso foi decidido contra eles. Um de nossos irmãos o levou perante o rei, que decidiu que não havia causa de ação. Isto, espero, dará a nossos irmãos liberdade para pregar o que sabem ser verdade, e dará ao povo liberdade para aceitar aquilo que o espírito da verdade lhes indica ser a vontade e o propósito de Deus. ¶
Na Alemanha, alguns de nossos irmãos foram presos e banidos, e, contudo, a obra ali progride de maneira muito satisfatória. Nos Países Baixos há grande progresso; na Suíça, igualmente, e nossos irmãos estão trabalhando nas regiões de fala francesa, e ali também estão tendo sucesso. Nos Estados Unidos, os élderes têm estado muito ocupados espalhando a Palavra e trazendo almas a Cristo. Nas ilhas do mar é o mesmo; e no Japão nossos irmãos estão vendo os frutos de seus trabalhos; conversos foram feitos e as escolas dominicais estão bem frequentadas. O Livro de Mórmon será em breve publicado na difícil língua daquela terra, e honramos os nossos irmãos que ali trabalham. O Irmão Alma O. Taylor está lá há quase oito anos. Ele e os élderes que o acompanham estão trabalhando arduamente para alcançar os corações do povo, e estão realizando uma boa obra. Na Grécia também estamos progredindo, e em breve teremos o Livro de Mórmon publicado na língua grega, e assim aquele povo poderá ter acesso às grandes verdades que ele contém. ¶
Aqui em casa, os nossos irmãos do Sacerdócio, que trabalham entre o povo, têm sido enérgicos, e se regozijam por o novo movimento de fazer com que todos os quóruns do sacerdócio se reúnam nas noites de segunda-feira ter, até agora, se mostrado um sucesso. Espera-se que todos que detêm o Sacerdócio ajudem a tornar interessantes essas reuniões. O verão está chegando, e nos distritos rurais pode ser duvidoso se conseguirão mantê-las ou não, mas "onde há vontade há um jeito"; creio que, se o povo estiver determinado a se reunir naquela noite, poderá fazê-lo, e muito bem se obterá das reuniões do Sacerdócio. ¶
Devemos lembrar quão importante é deter o Sacerdócio de Deus. Não devemos esfriar e nos tornar indiferentes e pensar: "Deixemos que outros avancem na obra espiritual, nós cuidaremos de nossos próprios assuntos." O nosso próprio assunto é sustentar o reino de Deus e edificá-lo. O Senhor não nos deu vida e existência aqui na terra apenas para acumularmos coisas mundanas. Ele nos deu isso, como cantamos no hino, "para um sábio e glorioso propósito", e esse propósito é que aprendamos a Sua vontade e façamos aquilo que sabemos que Ele ordenou, e procuremos fazer com que outros também o saibam; então esta existência na terra nos trará a vida eterna — a grande alegria e o privilégio de retornar a nosso Pai Celestial. ¶
Queremos estar em guarda, não apenas por nós mesmos, mas devemos estar em guarda para proteger também os outros e promover a sua salvação. Os pais devem cuidar de seus filhos. Há tantas tentações, e queremos, se pudermos, colocar um escudo entre eles e essas tentações. Se soubermos de uma casa onde há varíola, não deixaríamos nossos filhos entrarem ali; e a lei também intervém para nos proteger da propagação de epidemias, colocando em quarentena os lugares infectados. Para o nosso próprio bem e o de nossos filhos, deveríamos estar em guarda. Não deveríamos ir onde há infecção moral, onde a moral de nós mesmos e de nossos filhos está exposta à corrupção. Temos procurado, durante o inverno passado, fazer aprovar legislação que pudesse proteger a nossa juventude das tentações da intemperança. Queremos fazer cessar o mal da bebida, se possível. O nosso povo jamais deveria ser visto entrando em bares ou em lugares onde se vendem bebidas alcoólicas. Este tem sido o ensinamento há anos. Agora que não conseguimos aprovar tal lei para nos ajudar, somos mais urgentemente instados a proteger nossos filhos, nossos jovens, para que não sejam expostos a tentações desse tipo. ¶
Também tínhamos esperança de conseguir aprovar uma lei do domingo, para que os divertimentos na noite de domingo pudessem ser interrompidos, para que o domingo pudesse ser aquilo que o Senhor pretendia que fosse — um dia de descanso e de adoração. Não conseguimos, mas procuremos influenciar nossos filhos a guardar o domingo como dia santo, e adverti-los contra ir a lugares de diversão e entretenimento nas noites de domingo. Devemos tornar nossos lares tão agradáveis e atraentes quanto possível, para que nossos filhos sintam que não há lugar melhor do que o lar. Queremos que vão às reuniões noturnas. Elas são realizadas cedo o bastante para que, depois da reunião, haja tempo de voltar para casa, ou visitar amigos, e, em convívio social, naquilo que edifica, passar a noite de domingo. Não cremos na doutrina puritana de que não se pode sorrir aos domingos. Cremos que servir ao Senhor traz alegria, e que não a tira. Não cremos no tipo de religião de rosto comprido, mas cremos que o domingo deveria ser usado como o Senhor ordenou, isto é, ir à Sua casa para sermos edificados e fortalecidos em nossa santa fé, ir à Sua mesa, renovar nossos convênios ao participarmos do sacramento, e fazer nossas resoluções de servir a Deus tão firmes e tão fortes que nos sustentem não apenas no domingo, mas todos os dias da semana. Queremos que o domingo seja assim usado, e então não nos opomos a que os nossos jovens se reúnam e se divirtam em nossos lares; mas nos opomos a que fiquem na rua, especialmente depois de tocado o toque de recolher. Deveriam estar em casa com seus amigos e pais, ou pelo menos os pais deveriam saber para onde foram. ¶
Quero dizer que os irmãos que foram designados pelas várias estacas como comitê de melhoramento realizaram um trabalho magnífico nas ruas, entre os nossos jovens. Muitos rapazes e moças que estavam apenas começando, e que talvez tivessem tomado um caminho errado, foram ajudados por esses irmãos, que tão desinteressadamente têm dedicado as horas noturnas, até tarde da noite, com o único propósito de salvar a juventude. Digo que todo elogio lhes é devido pelo zelo e energia demonstrados nesta boa obra, e, como eles, espero que todos sintamos interesse nesta grande obra de deter a enxurrada de maldade que ameaça inundar os jovens. Que grande obra temos diante de nós nesse sentido! ¶
A Igreja, durante o ano passado, fez mais pelas escolas da Igreja do que jamais fez antes, e nos regozijamos na boa obra que as escolas da Igreja estão fazendo em nosso meio; elas edificam o caráter de nossos jovens, fazem-nos compreender quão valioso é o Evangelho, e fazem-nos amá-lo. Quando saem das escolas, esperamos que a influência do Evangelho vá com eles, para que se tornem uma força para o bem entre seus companheiros. Também tenho o prazer de ver que nossas escolas dominicais, nossas Primárias e nossas classes de religião aumentaram sua matrícula durante o ano passado, mostrando que estas instituições estão crescendo em favor entre o povo. Não permitamos, por um momento sequer, pensar que temos instituições demais, que estamos fazendo demais ao tentar chamar a atenção de nossos filhos para os princípios salvadores do Evangelho, e para viver uma vida correta. Não estamos fazendo demais nesse sentido. Nossos filhos, se tiverem a oportunidade certa, amarão estas coisas. Muitos jovens, quando deixaram o lar para frequentar as escolas da Igreja, pensavam que a religião ali ensinada seria um curso muito tedioso, mas depois deram testemunho de que é um estudo dos mais deliciosos, e de que o amam. Sentem que ali há algo que querem conhecer, algo que edifica e fortalece, e que não interfere em seu sucesso na escola. Alguns pensaram que, se estudassem teologia, não conseguiriam acompanhar seus outros estudos, mas descobriram, de modo geral, que o estudo da teologia lhes inspira mais energia e mais diligência em seus outros estudos. ¶
Tenho o prazer de que a Igreja tenha sido capaz de fazer tanto quanto fez nesse sentido, mas há um limite para o que se pode fazer, mesmo nisso. Creio que a Igreja, no presente, já foi tão longe quanto pode ir em sustentar escolas com recursos da Igreja, visto que os membros da Igreja também sustentam as instituições de ensino do Estado com seus impostos. Sentem, contudo, que os recursos assim despendidos estão trazendo bons resultados, pois o trabalho realizado nas escolas da Igreja é de grande valor, e tornará os jovens homens e mulheres mais capazes de suportar as grandes responsabilidades que recairão sobre seus ombros nos anos vindouros. ¶
Quero dizer, a respeito das classes de religião, que fazem parte do sistema escolar da Igreja, que deveriam ser incentivadas. Queremos que nossos filhos sejam ensinados nos princípios do Evangelho, queremos incentivá-los a viver vidas corretas, de acordo com os preceitos dados pelo Grande Mestre, e ensiná-los a seguir o Seu exemplo. Esse é todo o objetivo que temos nas classes de religião. Onde há escolas da Igreja, esperamos que os professores das escolas da Igreja se interessem pelo trabalho das classes de religião. Não podemos elogiar demais o corpo docente da Brigham Young University pelo que fizeram nesse sentido; e esperamos que todos os nossos professores das escolas da Igreja sintam que lhes incumbe participar do ensino das classes de religião, especialmente as séries mais avançadas das classes de religião. ¶
Ora, irmãos e irmãs, o meu testemunho a vós é que esta obra continuará a crescer; que o Senhor estará com ela, e que, por fim, a veremos triunfar. ¶
Que o Senhor abençoe o povo, e abençoe Seus servos onde quer que vão, para que possam encontrar os bons e os honestos e ser capazes de convertê-los à verdade; e que aqueles que receberem a verdade sejam capazes de ser fiéis, e ajudem a edificar a obra. Deus vos abençoe a todos. Amém. ¶