Pulpit

Discurso de Abertura: Gratidão e a Palavra de Sabedoria

Joseph F. Smith

Conferência Geral de Outubro de 1908·Sessão da Manhã do Primeiro Dia·1908-10-04

Meus irmãos e irmãs, é de fato motivo de congratulação, alegria e grande satisfação ver o grande número de membros e oficiais da Igreja que se reuniram aqui, na abertura de nossa septuagésima nona conferência semestral, não obstante a inclemência do tempo. É notável, para dizer o mínimo, ver tantos aqui presentes esta manhã, e sinto-me grato, em meu coração, ao Senhor pelo sentimento e interesse manifestados por aqueles que estão presentes, pois vossa presença aqui hoje é evidência de vosso interesse nesta obra. Alegro-me em ver-vos e em vos dar as boas-vindas a esta conferência da Igreja, e sinceramente espero e rogo que o verdadeiro espírito do Evangelho do Filho de Deus permeie todas as nossas reuniões neste salão, e em outros lugares onde estejamos reunidos. Espero que, ao final de nossa conferência, toda alma que possui um conhecimento do Evangelho, e um amor pela verdade, sinta-se amplamente recompensada por sua presença aqui; e para este fim invoco a bênção do Senhor sobre todo indivíduo que aqui veio hoje, e que comparecerá à conferência pelo amor à verdade e por sua devoção à causa de Sião. O Senhor nos tem abençoado, em grau notável, ao longo da estação passada, com exceção, aqui e ali, de uma perda parcial de colheitas tardias pela geada; em geral, a estação tem sido frutífera, e o povo tem sido abençoado, tanto quanto fomos informados, por todo o comprimento e largura da terra. Desejamos que os Santos dos Últimos Dias sempre, e especialmente neste momento, lembrem-se do Senhor por Sua bondade e misericórdia para com eles, e por Suas bênçãos sobre seus trabalhos; pois reconhecemos a mão do Senhor — ou deveríamos reconhecer — em tudo o que possuímos e desfrutamos no mundo. Está escrito que o Senhor Se desagrada daqueles que não reconhecem Sua mão em todas as coisas. Todos os Santos dos Últimos Dias reconhecem, em seu coração, que todo dom bom e perfeito vem de Deus, "do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação." Não arrogamos a nós mesmos o poder de assegurar bênçãos, de multiplicar e aumentar nossas posses e nossa riqueza na terra sem a assistência Daquele de quem fluem todas as bênçãos. Deveríamos ter em mente aquela lei que nos torna dever lembrar o Senhor com os primeiros frutos de todo o nosso incremento, e que Ele é o doador de todo o bem, sem esquecer o dever que Lhe devemos, e à Sua causa no mundo, de fornecer nossa parte dos meios necessários para o avanço de Sua obra e para a edificação de Sião nestes últimos dias. Muito se tem feito, durante a estação passada, na construção de casas de adoração por toda a terra — não apenas neste estado, mas no Arizona, em Idaho, e por todas as missões da Igreja. Muito tem sido feito pelos Santos dos Últimos Dias, e muita assistência tem sido prestada pelo Fiduciário na ereção de casas de adoração, de escolas, e na compra de locais que eram necessários ao bem-estar dos Santos. Estamos continuamente fazendo, na medida do possível, o que pudermos fazer coerentemente para assistir à obra de Deus por toda a terra. Não será necessário, nem talvez conveniente, que eu entre em detalhes a respeito do trabalho que está sendo realizado nestas direções. Temos os registros destas coisas, e qualquer um dos Santos dos Últimos Dias que deseje se informar a respeito do que está sendo feito para a edificação da Igreja pode vir à sede e obter toda a informação de que necessita. Desde nossa última conferência, contudo, conseguimos obter uma excelente sede para a missão britânica, na cidade de Londres. Regozijamo-nos sobremaneira por, depois de decorridos anos, termos finalmente conseguido firmar pé naquela grande metrópole, onde tantos foram reunidos ao convênio do Evangelho. Também obtivemos sedes em outros lugares, mas não entrarei em relato dessas coisas.

O Senhor tem prosperado Sião, e regozijamo-nos sobremaneira nas muitas e gloriosas manifestações de Sua bondade e misericórdia para com Seu povo. Somos gratos pela libertação daqueles que, voluntária e perversamente, e sem causa, buscam nosso mal. Somos gratos na crença, sim, no conhecimento de que, não obstante os esforços que fizeram para prejudicar este povo e frustrar os propósitos do Todo-Poderoso, eles não foram senão o meio, indiretamente, de fazer avançar a obra no mundo. Chamaram a atenção do mundo para nós, e é exatamente isso que queremos, embora o tenham feito com intenção má. Queremos ser conhecidos como somos. Queremos ser vistos em nossa verdadeira luz. Queremos que o mundo se familiarize conosco. Queremos que aprendam nossa doutrina, que compreendam nossa fé, nossos propósitos, e a organização da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Gostaríamos que soubessem algo a respeito da origem desta obra, mas desejamos que vejam esta obra em seu verdadeiro espírito, e a única maneira pela qual isso pode se dar é pelo mundo inquiridor e inteligente entrar em contato conosco — aqueles, de fato, que estão dispostos a amar a verdade e a retidão, e cujos olhos não estão tão cegos que não possam ver a verdade quando lhes é apresentada. Há aqueles que, tendo olhos, não veem, e, tendo coração, não compreendem nem compreenderão. Não há ninguém tão cego quanto aquele que não quer ver, nem tão surdo quanto aquele que não quer ouvir; e não há ninguém tão sem coração e tão perverso quanto aqueles que, conhecendo a verdade e vendo a luz, fecham seus olhos e seus ouvidos contra ela.

Vivemos numa época momentosa. O Senhor está apressando Sua obra. Ele está ao leme; não há homem mortal ao leme desta obra. É verdade que o Senhor usa instrumentos que sejam obedientes a Seus mandamentos e leis para ajudar a realizar Seus propósitos na terra. Ele escolheu aqueles que, ao menos, demonstraram disposição e vontade de obedecer-Lhe e guardar Suas leis, e que buscam praticar a retidão e realizar os propósitos do Senhor. Cabe aos Santos dos Últimos Dias julgar a reputação destes homens. Não têm ocasião de proclamar seus próprios louvores, de dar testemunho de suas próprias obras; sua vida é um livro aberto para todos os Santos dos Últimos Dias e para todo o mundo. Conheceis estes homens; os compreendeis; vistes seus trabalhos; compreendeis os desejos de seu coração, pois estais familiarizados com eles. O Senhor tem sustentado estes irmãos nas posições para as quais os chamou, e continuará a sustentá-los nestas posições enquanto continuarem fiéis perante Ele. Se algum deles deixasse de ser fiel e se desviasse do caminho reto, as consequências de seus próprios atos maus recairiam sobre ele, cedo ou tarde, e os frutos de suas obras e os desejos de seu coração se manifestariam.

Quando me levantei, tinha em mente o pensamento de apresentar a esta conferência uma das revelações que nos vieram por meio do Profeta Joseph Smith, uma revelação com a qual todos estais familiarizados, que tem sido o texto, talvez muitas vezes, de todo oficial na Igreja. É uma revelação que tem soado aos ouvidos de todo o povo pelos últimos setenta anos, e, contudo, é um tema novo, praticamente, pois ainda há grande necessidade de que seja apresentada aos Santos dos Últimos Dias e a todo o mundo. Vemos grandes razões para que os princípios contidos neste capítulo do livro de Doutrina e Convênios sejam ensinados ao mundo, e especialmente aos Santos dos Últimos Dias. Não é nada mais nem nada menos do que aquela simples Palavra de Sabedoria que foi dada em 1833, para o benefício, a ajuda e a prosperidade dos Santos dos Últimos Dias, para que pudessem purificar-se e preparar-se para se aproximarem mais da presença do Senhor, para que, ao guardar esta lei, pudessem qualificar-se para desfrutar das bênçãos que Ele está mais do que disposto a conceder-lhes, se forem dignos. Proponho-me a ler-vos esta revelação e, talvez, fazer algumas observações sobre ela:

Revelação dada por meio de Joseph, o Vidente, em Kirtland, Condado de Geauga, Ohio, 27 de fevereiro de 1833:

Uma Palavra de Sabedoria, para o benefício do conselho de sumos sacerdotes, reunido em Kirtland, e da igreja, e também dos santos de Sião —

Para ser enviada como saudação — não como mandamento ou coerção, mas como revelação e palavra de sabedoria, manifestando a ordem e a vontade de Deus quanto à salvação física de todos os santos nos últimos dias.

Aqui somos informados de que não foi dada, naquele tempo, na forma de mandamento ou restrição, mas por revelação, "uma palavra de sabedoria, manifestando a ordem e a vontade de Deus quanto à salvação física de todos os santos nos últimos dias." Posteriormente, anos depois, desta tribuna, foi proclamado, pela boca do Profeta e Presidente da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Brigham Young, que havia agora chegado o tempo em que esta palavra de sabedoria — então dada não como mandamento nem coerção — era agora um mandamento do Senhor à Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, e o Senhor exigia deles que observassem esta palavra de sabedoria e conselho, que é a vontade de Deus para o povo, para sua salvação física.

Dada como princípio com promessa, adaptada à capacidade dos fracos e do mais fraco de todos os santos, que são ou podem ser chamados santos.

Eis que, em verdade, assim vos diz o Senhor: Devido a maldades e desígnios que existem e virão a existir no coração de homens conspiradores nos últimos dias, eu vos adverti e previno-vos, dando-vos esta palavra de sabedoria por revelação — Eis que não é bom nem aceitável aos olhos de vosso Pai que alguém entre vós tome vinho ou bebida forte, exceto quando vos reunis para oferecer vossos sacramentos perante ele.

E eis que deve ser vinho, sim, vinho puro de uva da videira, de vossa própria fabricação.

E também bebidas fortes não são para o ventre, mas para lavar vosso corpo.

E também tabaco não é para o corpo nem para o ventre e não é bom para o homem, mas é uma erva para machucaduras e todo gado doente, a qual se deve usar com discernimento e habilidade.

E também bebidas quentes não são para o corpo nem para o ventre.

E também em verdade vos digo: Todas as ervas salutares indicou Deus para a constituição, natureza e uso do homem —

Toda erva em sua estação e toda fruta em sua estação; todas essas para serem usadas com prudência e ação de graças.

Sim, também a carne de animais e a das aves do ar, eu, o Senhor, indiquei para uso do homem, com gratidão; contudo, devem ser usadas moderadamente; agrada-me que não sejam usadas a não ser no inverno ou em tempos de frio ou de fome.

Todos os grãos são indicados para uso do homem e dos animais, para ser o esteio da vida, não só para o homem, mas também para os animais do campo e as aves do céu e todos os animais selvagens que correm ou rastejam na terra; e estes fez Deus para uso do homem apenas em épocas de escassez ou fome excessiva.

Todos os grãos são bons para alimento do homem, como também o fruto da videira; aquilo que produz fruto, seja na terra ou acima da terra —

Contudo, o trigo para o homem e o milho para o boi e a aveia para o cavalo e o centeio para as aves e os porcos e para todos os animais do campo; e a cevada para todos os animais úteis e para bebidas suaves, como também outros grãos.

E todos os santos que se lembrarem de guardar e fazer estas coisas, obedecendo aos mandamentos, receberão saúde para o umbigo e medula para os ossos;

E encontrarão sabedoria e grandes tesouros de conhecimento, sim, tesouros ocultos; e correrão e não se cansarão; e caminharão e não desfalecerão; e eu, o Senhor, faço-lhes uma promessa de que o anjo destruidor passará por eles, como os filhos de Israel, e não os matará. Amém.

Ora, pode parecer inteiramente desnecessário e talvez inconveniente, para muitos, que eu ocupe o tempo desta vasta congregação lendo esta revelação, visto que é presumível que todo homem e toda mulher presentes tenham acesso a este livro e estejam mais ou menos familiarizados com todo o seu conteúdo. Lamento dizer que não creio haver outra revelação contida neste livro, ou outro mandamento dado pelo Senhor, que seja menos observado ou honrado do que esta "Palavra de Sabedoria", e isso, também, por membros e oficiais da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, homens e mulheres. Ide onde quiserdes, vereis uma falta de apreciação, por parte de alguns, do conselho dado nesta revelação aos Santos dos Últimos Dias. Alguns de nossos melhores homens desconsideram, em parte, esta lei; muitos não a observam plenamente; algumas de nossas líderes não guardam o mandamento do Senhor que aqui se dá, e se desculpam de várias formas, e por várias razões, por não observarem a lei de Deus. Simplesmente quero dizer-vos, meus irmãos e irmãs, que não há outro caminho — nenhum outro curso que possamos tomar no mundo, em relação a nosso bem-estar físico e nossa saúde, melhor do que aquele que o Senhor Deus nos indicou. Por que não podemos compreender isso? Por que não chegaremos a um perfeito entendimento disso? Por que não nos negaremos aquilo que nossos apetites covardes desejam? Por que não podemos observar mais de perto a vontade do Senhor, tal como nos foi dada a conhecer nesta revelação? Se observássemos esta lei ou mandamento do Senhor — primeiro dado não como mandamento nem por coerção, mas depois declarado, pela boca do Senhor, como estando em vigor, dali em diante, como mandamento aos Santos dos Últimos Dias — se, digo eu, o povo observasse os princípios desta revelação, não poderia existir em seu meio aquela instituição mais odiosa conhecida como bar; não pode existir onde só habitam Santos dos Últimos Dias. Se este mandamento fosse observado por todo o povo, a vasta soma de dinheiro que agora vai para o mundo em troca de bebida forte, e destas outras coisas proibidas na palavra de sabedoria, seria economizada em casa, e a saúde, a prosperidade e a salvação física do povo seriam correspondentemente aumentadas. Nenhum homem pode violar as leis de Deus com referência à saúde e à salvação física, e desfrutar dessas bênçãos no mesmo grau em que poderia e o faria, se obedecesse aos mandamentos de Deus. Não credes nisso? Não podem os Santos dos Últimos Dias aceitar essa verdade em seu coração? Pode haver espaço algum para argumento em relação a essa proposição? Digo-vos, meus irmãos e irmãs, que Deus sabe melhor do que nós o que é, e será, para nosso maior bem, e, quando o Senhor nos fala, como nos falou nesta revelação que vos li, deveríamos prestar-lhe atenção. Deveríamos aceitá-la em nosso coração; deveríamos viver bem próximos dela; e então, nos é prometido, encontraríamos sabedoria e grandes tesouros de conhecimento, mesmo tesouros ocultos; poderíamos correr e não nos cansar, caminhar e não desfalecer, e, quando o destruidor viesse, ele passaria por nós, como passou pelos filhos de Israel antigamente. Se deixarmos de observar esta lei de Deus, não temos direito a estas promessas. Aqueles indivíduos que não vivem à altura destes princípios que lhes foram transmitidos por meio desta palavra do Senhor não terão razão para reivindicar o cumprimento da promessa feita àqueles que guardam a lei. O Senhor disse: "Se fizerdes as coisas que exijo de vossas mãos", se fizerdes minha vontade, "então estou obrigado; do contrário, não há promessa", pois toda promessa é feita sob a condição de que observemos a lei sobre a qual essa promessa possa, justa e retamente, ser cumprida. Vamos aos povoados mais afastados dos Santos dos Últimos Dias, onde há alguns poucos incrédulos, alguns poucos apóstatas da Igreja, provavelmente, e alguns poucos que jamais pertenceram à Igreja de forma alguma, mas a maioria do povo é membro da Igreja; e vemos plantados, aqui e ali, no meio destas comunidades, bares e outros lugares de má reputação, e são sustentados por alguém. Em algumas ocasiões, ao menos, sabemos que o elemento externo, o elemento não mórmon, não é suficientemente grande ou rico, nem é tão numeroso em seu patrocínio a estas instituições, a ponto de mantê-las vivas ou sustentá-las. A conclusão, portanto, é que há alguns que são membros da Igreja que também são frequentadores destes lugares. Isto está totalmente errado — totalmente errado. Nenhum membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias pode se dar ao luxo de trazer sobre si mesmo a desonra, ou de trazer sobre si a desgraça, de cruzar o umbral de um bar de bebidas, ou de um antro de jogatina, ou de qualquer casa de má fama, seja qual for seu nome ou natureza. Nenhum Santo dos Últimos Dias, nenhum membro da Igreja pode dar-se a esse luxo, pois é humilhante para ele, é vergonhoso que o faça, e Deus o julgará segundo suas obras. O homem ou a mulher que verdadeiramente crê nas doutrinas da Igreja, ou professa ter filiação na Igreja, que crê e pratica os princípios contidos nesta "Palavra de Sabedoria", jamais será contado entre aqueles que hão de trazer esta desgraça sobre si, sobre seus vizinhos, ou sobre a Igreja à qual pertencem; jamais o farão.

Ora, há um grande movimento em marcha por toda a terra; suas ondas nos atingiram aqui e estão fluindo sobre nosso estado — uma onda de temperança. Até mesmo o mundo é movido por uma influência e um espírito irresistíveis a defender e a estabelecer, entre comunidades em estados e condados e cidades, o princípio da temperança. Sou favorável a este movimento; subscrevo-o com todo o meu coração; sei que está na direção certa, e creio que o Senhor Todo-Poderoso está Se movendo naquela direção sobre aqueles que estão dispostos a dedicar seu trabalho e seu tempo a esta porção de Sua boa obra no mundo. O Senhor não Se deleita na intemperança, na embriaguez, nem pode Ele ter prazer na pobreza, na degradação e na ruína que tais práticas trazem sobre seus praticantes e sobre aqueles que deles dependem, a ruína da masculinidade, a ruína das organizações familiares, e a degradação daqueles que nelas se envolvem, e que trazem pobreza, destruição e morte sobre si mesmos e sobre suas famílias. Todo membro da Igreja, homem e mulher, deveria pôr seu rosto, como pederneira, contra a intemperança, e contra tudo o que viole as leis de Deus, para que jamais sejam vencidos ou cedam à tentação do mal. Deveríamos ter comunidades mais puras, comunidades que não estejam dominadas pelo vício, por hábitos e práticas perniciosas. Não se pode caminhar pelas calçadas de nossas ruas sem encontrar jovens e rapazes com cachimbos de tabaco na boca, ou charutos ou cigarros, fumando nas ruas. Talvez aqueles que estão acostumados a estes hábitos pensem que isso seja assunto muito trivial, ou muito sem importância, para falar a uma vasta congregação como esta, mas jamais vejo um rapaz ou um homem, jovem ou velho, entregue a este hábito e praticando-o abertamente, sem ser levado à conclusão, à convicção em minha mente, de que ele ou é ignorante da vontade de Deus a respeito do homem, ou é desafiador da vontade de Deus, e não se importa nada com a palavra do Senhor, e isso só já é suficiente para trazer tristeza ao coração de qualquer homem que tenha alguma consideração ou respeito pela palavra ou vontade do Senhor, e que gostaria de vê-la obedecida. Vamos ocasionalmente aos teatros, e, nos últimos anos, vemos que se tornou muito na moda, ou muito comum, que os atores tragem seus charutos, cachimbos e cigarros no palco; e acendem cigarro após cigarro, e charuto após charuto, bem no palco, diante de sua audiência. Para mim, tal prática é um insulto aos Santos dos Últimos Dias, ao menos, e deveria sê-lo a toda pessoa decente; e, se eu tivesse filhinhos crescendo que fossem suscetíveis à influência de tais práticas, não os quereria de forma alguma em nossos teatros, onde veriam coisas em prática aberta, como se fossem algo louvável. Penso que é repreensível, para dizer o mínimo; e, se eu estivesse administrando um teatro, e pudesse fazê-lo, estipularia que não houvesse fumo no palco nem no auditório. Além da tolice de fumar num teatro, fósforos acesos, charutos e cigarros são perigosos para a propriedade. Há, contudo, outras coisas nas apresentações teatrais que são quase tão vergonhosas quanto fumar no palco.

Ora, meus irmãos e irmãs, o assunto que eu tinha em vista ao ler estas palavras é simplesmente enfatizar, tanto quanto estiver ao meu alcance, a Palavra de Sabedoria, dada aos Santos dos Últimos Dias, a todos os que são ou podem ser chamados santos, ao mais fraco dos fracos, pois é adaptada a eles, e, quanto mais fracos forem, se observarem este princípio, tornar-se-ão mais fortes ao observá-lo. Se observarmos esta lei, ganharemos força, teremos saúde em nosso corpo e medula em nossos ossos; poderemos correr e não nos cansar; caminhar e não desfalecer; e isto é muitíssimo desejável para aqueles que são fracos, ou débeis, que necessitam de força e saúde; deveriam observar este princípio a fim de obterem exatamente aquilo que mais desejam e mais necessitam, e que mais estão destruindo por não seguir a palavra do Senhor, mas por praticar aquelas coisas que são proibidas por Ele. Rogamos a Deus que nos cure quando estamos enfermos, e depois nos voltamos, de nossas orações, para participar exatamente daquelas coisas que Ele nos disse não serem boas para nós! Quão incoerente é para os homens pedir a Deus que os abençoe, quando eles mesmos tomam um rumo que os prejudica e traz mal sobre si mesmos. Não admira que nossas orações não sejam respondidas mais frequentemente do que são, e não admira que nossa saúde não seja melhor do que é, quando estamos entregues a práticas que Deus disse não serem boas para nós, e assim acarretamos males sobre nossa vida e nosso ser físico; e então nos voltamos para o Senhor e Lhe pedimos que nos cure das consequências de nossa própria loucura, e de práticas perniciosas; dos efeitos do mal que trouxemos sobre nós mesmos, e que sabíamos muito bem não dever fazer. Quão tolo é isso!

Que o Senhor vos abençoe, meus irmãos e irmãs. Subscrevemos todo movimento que vise à temperança, que vise à virtude, que tenda à pureza de vida, e à fé em Deus, e à obediência a Suas leis; e somos contra o mal de toda descrição; e somos, em nossa fé e orações, contra os malfeitores — não que oremos para que o mal venha sobre os malfeitores, mas para que os malfeitores possam ver a loucura de seus caminhos e a perversidade de seus atos, e se arrependam deles, e se afastem deles. Se não quiserem dar ouvidos e se arrepender de seus maus caminhos, então que prossigam seu curso de mal até o fim, e que o juízo de Deus venha sobre eles, e recebam sua recompensa segundo suas obras. Que Deus julgue todos os homens. Ele os recompensará pelo bem ou pelo mal, segundo suas obras. Não estamos aqui para executar juízo, ou para impor punições a nossos semelhantes, exceto a punição de retirar-nos daqueles que são indignos de nossa comunhão na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Achamos necessário, às vezes, negar comunhão àqueles que se desviaram da verdade, do amor de Deus e da causa de Sião — para que não sejam considerados como tendo filiação e posição conosco. É um dano à causa de Sião que qualquer organização comunitária, ala, estaca ou ramo da Igreja permita que homens ou mulheres retenham sua filiação naquela ala, estaca ou ramo, quando se sabe que suas práticas e hábitos são viciosos, e que seu modo de vida e sua incredulidade estão calculados para semear as sementes da apostasia, da corrupção e do mal no meio do povo onde habitam. É certo e apropriado que a linha de separação seja traçada distintamente entre eles e os Santos dos Últimos Dias. Retirai-lhes a comunhão, desliguem-nos, deixai-os ir para o mundo, e deixai que o povo da Igreja compreenda que não são mantidos em comunhão, e que sua conduta não é sancionada pelas autoridades da Igreja.

Ora, que o Senhor vos abençoe, e, em nome do Senhor, eu vos abençoo — esta congregação, o povo do convênio do Senhor, tão verdadeiramente quanto o antigo Israel foi o povo do convênio de Deus, pois entrastes no solene convênio do Evangelho de Jesus Cristo, de que guardareis os mandamentos de Deus, de que evitareis o mal e a perversidade. Sabeis o que fizestes; conheceis a natureza dos convênios em que entrastes perante Deus e testemunhas, e perante os anjos do céu; e, portanto, entrastes no vínculo do novo e eterno convênio, e sois, de fato, o povo do convênio de Deus nestes últimos dias. Portanto, que tipo de povo deveríamos ser; que tipo de indivíduos deveríamos ser? Não deveríamos dar um exemplo digno de nossa profissão de fé? Não deveríamos viver vidas puras? Não deveríamos ser retos, virtuosos, honestos, tementes a Deus e amantes de Deus em nossa alma, todos os dias de nossa vida, e em toda posição em que sejamos chamados a atuar; não deveríamos dar um exemplo para o bem? Não deveríamos ser semelhantes a Cristo, viris, fiéis a todo princípio do Evangelho, e honrados no mundo e em casa, de modo que ninguém possa justamente apontar-nos o dedo do escárnio ou da condenação? Esse é, de fato, o tipo de povo que deveríamos ser. Que Deus nos ajude a sê-lo é minha oração, em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoJoseph F. Smith, “Discurso de Abertura: Gratidão e a Palavra de Sabedoria”, Conferência Geral de Outubro de 1908, Sessão da Manhã do Primeiro Dia (1908-10-04). Pulpit Vault, 1908-10-smith-opening-address. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).