Relatório sobre a Missão dos Estados Orientais
Ben E. Rich
(Presidente da Missão dos Estados Orientais.) Aqueles que estão no tabernáculo nesta tarde, ouvindo os profetas, videntes e reveladores do povo de Deus, não estão ouvindo verdade maior do que a que ouvistes dos irmãos que vos falaram aqui neste edifício. Aqueles que falaram fizeram-no pelo poder do mesmo Espírito Santo, pela autoridade do mesmo sacerdócio, e vos ensinaram as verdades do céu. Ouvi com muito interesse suas palavras, e sinceramente espero que Deus me ajude, como creio que eles foram auxiliados, e que me deis vossa fé e orações durante o tempo que eu ocupar falando convosco, conforme eu seja guiado pela direção do Espírito Santo. ¶
O Apóstolo Richards vos disse, ao me apresentar, que eu estivera por alguns anos nos Estados do Sul. Dez anos e três meses labutei no ensolarado sul, e isso também com muita satisfação. Meu pai era sulista, nascido no Estado de Kentucky, e, embora minha mãe tenha nascido em Illinois, seu povo era sulista, do Estado da Carolina do Sul, de modo que tenho sangue sulista em minhas veias, e também irlandês. (Orgulho-me daquela pequena gota de sangue irlandês. Suponho que seja irlandesa; o nome da mãe de meu pai era O'Neill — não creio que tenha vindo da Alemanha.) Fui muitíssimo feliz em prestar meu testemunho dos princípios do Evangelho por toda a terra do sul, e muitas vezes expressei publicamente minha apreciação pela bondade que me foi dispensada pelo povo daquela terra. Já disse muitas vezes que creio que são o povo mais religioso dos Estados Unidos, o de coração mais bondoso, o mais generoso e hospitaleiro, e o repito. Meu coração jamais se apartará do bom povo do sul. ¶
Visto que um presidente de missão já apresentou um resumo do trabalho realizado em seu campo, penso que talvez não seja impróprio que eu faça o mesmo. ¶
Durante o tempo em que labutei no sul, penso que houve 25.000 Livros de Mórmon distribuídos entre o povo, 160.000 exemplares de "Voice of Warning", 150.000 exemplares de "Mr. Durant", uma obra sobre os princípios do Evangelho, cerca de 25.000 hinários, 40.000 outras obras diversas, 3.500.000 folhetos religiosos; e pouco mais de 6.800 pessoas foram batizadas na Igreja. Isso me confirma, penso eu, ao dizer que são o povo mais religioso que encontramos em qualquer parte dos Estados Unidos. Seu amor é forte, e seu preconceito é forte. Não são hipócritas. Se são vossos amigos, descobrireis isso bem rápido, e, se não, não hesitam em fazer-vos saber. Deus abençoe o povo do sul. Pensei que gostaria de dizer apenas estas poucas palavras a respeito deles, agora que vou partir para outro campo de trabalho. Alegro-me por ir para outro campo; isso é meu ofício. Sou um Setenta na Igreja, e meu lugar é nas linhas de frente. É ali que meu sacerdócio me chama, e confio que, enquanto viver e portar este sacerdócio, estarei disposto a permanecer no mundo, enquanto as autoridades da Igreja julgarem conveniente manter-me ali. ¶
Há muitas razões pelas quais me regozijo em saber que vou labutar nos Estados Orientais. Considero aquela terra sagrada. Foi ali que o jovem profeta, como mencionado pelo Presidente Bennion, foi ao bosque, e, ajoelhando-se em solidão, pediu sabedoria a Deus. Foi naquele campo onde os céus se abriram, depois de séculos de trevas, e onde Deus, o Pai Eterno, e Seu Filho Jesus Cristo, condescenderam em falar mais uma vez a Seus filhos sobre a terra. Foi ali, em resposta à oração, que Deus enviou o anjo Morôni a visitar o Profeta e revelar-lhe a respeito das placas que estiveram ocultas por séculos, e que deram ao mundo um conhecimento, então desconhecido, a respeito das relações do Todo-Poderoso com metade deste nosso mundo. Foi ali que este sagrado registro foi traduzido pelo dom e poder de Deus. Foi ali que o Todo-Poderoso enviou João Batista com o sacerdócio aarônico, quando veio a Joseph e a Oliver, na Pensilvânia, e, impondo suas mãos sobre suas cabeças, conferiu-lhes, em nome do Messias, o Sacerdócio Aarônico, com a promessa de que jamais seria novamente tirado da terra até que os filhos de Levi oferecessem uma oferenda a Deus em retidão. Foi ali que o Pai enviou Pedro, Tiago e João, que vieram em sua missão para conferir o santo Sacerdócio de Melquisedeque, e ordenar aqueles servos Apóstolos do Senhor Jesus Cristo. Foi ali que as primeiras pessoas nesta dispensação foram levadas às águas do batismo, onde foram confirmadas membros da Igreja, onde a Igreja foi organizada, e onde Deus fez muitas coisas maravilhosas ao estabelecer Sua Igreja e Reino sobre a terra. Não somente isso, mas foi naquele território que Deus fez outra coisa, antes disto: o estabelecimento do governo dos Estados Unidos, uma parte da obra de Deus que foi precursora da vinda de Seu Santo Filho sobre a terra. Neste sagrado livro também, o Livro de Mórmon, lemos que o Todo-Poderoso levou o profeta Néfi a uma alta montanha, e lhe deu uma visão do futuro, mostrando-lhe um tempo em que Seu Espírito se moveria sobre um indivíduo, fazendo-o atravessar as poderosas águas, chegando a um remanescente de Seu povo, e que o poder de Deus estaria sobre aqueles que se reunissem a esta terra. O Senhor mostrou a Néfi como Seu Espírito se moveu sobre eles ao libertarem-se de sua terra-mãe, e depois lutarem por sua liberdade, e organizarem o governo de independência sobre esta terra. ¶
Falai de lealdade ao governo dos Estados Unidos; não há igreja sobre a terra cujos membros creiam tão plenamente quanto nós cremos que a organização deste governo foi parte da obra do Deus Todo-Poderoso. Não há povo sobre a terra que creia tão fortemente quanto nós cremos que o que Deus estabeleceu, nenhum homem deveria derrubar. Portanto, aquele sagrado livro, que é parte de nossa religião, desmente qualquer homem, ou qualquer grupo de homens, qualquer partido político, que diga que os Santos dos Últimos Dias não são os mais leais americanos vivendo sobre a face da terra. Mantemos um exército de mais de 2.000 homens espalhados por todas as partes do mundo civilizado, ensinando o quê? Que Deus fez o governo dos Estados Unidos! Isso é parte de seu trabalho missionário, distribuir a prova, dada a nós por revelação do alto, do fato de que este governo é parte da obra de Deus, o único governo sobre a face da terra que Ele estabeleceu, e demonstrou, por revelação, por visão, que é Sua obra. Contudo, encontramos algumas pessoas que dizem que somos antagônicos ao governo. Quase que me sinto tentado a citar as palavras do Presidente Angus M. Cannon, que disse certa vez: "quanto mais cedo algumas pessoas fossem para o inferno, mais rápido sairiam de lá", e não sei se isso não é praticamente verdade. ¶
É nosso ofício ir a todas as nações da terra e dizer à humanidade o que Deus realizou, o que Ele Se propôs a fazer na dispensação da plenitude dos tempos: que o Sacerdócio foi restaurado, que a última dispensação foi inaugurada, que a Igreja foi organizada. As palavras do anjo ao rapaz, o filho do fazendeiro, tornaram-se realidade, não obstante lhe tenha sido dito que jamais seria conhecido fora do condado onde vivia; contudo, hoje não há nação civilizada sobre a face da terra onde o nome de Joseph Smith não seja conhecido, para o bem e para o mal. Não há outra coisa, nenhuma outra obra, que tenha cumprido tantas predições do Todo-Poderoso quanto esta obra. Em nossos dias, em toda nação sobre a terra, há pessoas dizendo: "Subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, onde possamos aprender Seus caminhos e andar em Suas veredas"; e isto foi trazido a efeito pela restauração do Evangelho do Senhor Jesus Cristo sobre a terra nesta dispensação. É verdade que o inimigo disse a nossos pais e a nossas mães: "Subi para as montanhas", e eles subiram; e estão cumprindo uma das mais poderosas revelações de Deus, ao serem expulsos para aqui. Cada vez, como disse Brigham Young, que chutaram o mormonismo, chutaram-no montanha acima, jamais montanha abaixo. ¶
Reconhecemos a mão do Senhor até mesmo em nossa perseguição, mas isso não justifica os perseguidores. É necessário que venham ofensas, mas ai daqueles por quem vierem. Deus não os obrigou a fazê-lo; terão de pagar a pena. Provavelmente estava ordenado, de alguma forma, que houvesse um traidor nos dias do Messias, mas isso não retira de Judas a responsabilidade, como indivíduo, nem seu castigo por trair o Filho de Deus. Terá de sofrer as dores do condenado; e assim todos os perseguidores hão de sofrer as dores do condenado, até que a justiça do Deus Todo-Poderoso seja satisfeita. Não será um lago de fogo, tampouco; não será ser tostado sobre brasas de fogo; não será ter ali um demônio com chifres e um forcado, virando-os enquanto os assa sobre brasas de fogo. Aqui somos mortais, com faculdades mortais. Cometemos pecado, e sofremos as dores do remorso de consciência, mas, depois de algum tempo, passa, e nos esquecemos disso, porque somos mortais, e então continuamos pecando cada vez mais, e continuamos a esquecê-lo. Mas quero dizer-vos que, quando ressuscitarmos dos mortos, não ressuscitaremos mortais. Toda faculdade de nosso ser será imortal, e traremos conosco uma lembrança de tudo aquilo pelo qual não fizemos expiação, e não poderemos esquecê-lo. Ali sofreremos o remorso de consciência até que tenhamos pago o último ceitil; e não sei se isso não será pior do que brasas de fogo. ¶
Presto testemunho de que Joseph F. Smith é um profeta de Deus. Quero prestar testemunho de que nenhum homem pode ser infiel a esse homem e ainda assim receber bênçãos de Deus, o Pai Eterno. Digo que é vosso dever ser leais e fiéis. Seus amigos são vossos amigos, seus inimigos são vossos inimigos. Deveríeis ensinar isto a vossos filhos e aos filhos de vossos filhos, de geração em geração, que o homem que estiver à frente desta Igreja, não importa qual seja seu nome, não importa quem seja, seus amigos são vossos amigos, seus inimigos são vossos inimigos, e o que a humanidade gostaria de fazer a ele, tem em seu coração o desejo de fazer a vós. ¶
Lembro-me de que, no campo missionário, eu tinha um retrato de um indivíduo que não era um homem religioso, de forma alguma. Provavelmente nem sempre fazia o que devia fazer, mas escrevi sob sua fotografia as palavras: "Porter Rockwell, o Amigo do Profeta." Ele foi, de fato, o amigo do Profeta; um devotado protetor do chefe da Igreja. Teria dado sua vida em defesa do homem que estava à frente da Igreja, e é lembrado hoje por sua lealdade, e seu amor por aqueles que Deus colocara à frente, e sua devoção será lembrada a seu favor nos livros lá em cima. Embora ele talvez tenha de pagar o último ceitil pelos pecados que cometeu, quero dizer-vos que, na outra página daquele livro, recebeu um crédito por lealdade que permanecerá a seu favor por incontáveis eras da eternidade. Penso que deveríamos deixar o mundo saber que, até o último homem, estamos dispostos a cercar nosso presidente e protegê-lo. Que consideramos seus inimigos como nossos inimigos, e que o defenderemos com nossa própria vida, se necessário. ¶
Regozijo-me no testemunho que Deus me deu a respeito desta obra, e sinto por mim mesmo, e sei, que é verdadeira, e quero permanecer fiel a ela. Presto-vos meu testemunho de que os homens à frente desta Igreja são profetas de Deus, e quero que meu testemunho seja registrado a meu favor ou contra mim, porque o dou como conhecimento, e o presto em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶