Relatório sobre a Missão dos Estados do Oeste
Joseph A. McRae
(Presidente da Missão dos Estados do Oeste.) Tenho o prazer de ter a oportunidade de reunir-me convosco aqui nesta tarde. Somos poucos os presentes, mas, como disse ao Irmão Pratt antes do início desta reunião, já houve muitas vezes em minha vida em que falei a audiências menores do que a que está aqui hoje. Já vi audiências menores em salões maiores, também, onde tivemos a despesa de alugar e convidamos o povo para nossas reuniões, fizemos tudo o que era possível para levá-los a vir e ouvir o testemunho dos Élderes, e tivemos poucos presentes. Noto que há justamente oitenta presentes agora; e é uma coincidência que a reunião mais gloriosa que já assisti em minha vida foi realizada com justamente oitenta pessoas. Aquela reunião durou cinco horas e meia, e nunca em toda a minha vida assisti a uma reunião em que houvesse um mais glorioso derramamento do Espírito do Senhor do que foi testemunhado naquela ocasião. Alguns dos Élderes, depois que a reunião terminou, olharam seus relógios, e surpreenderam-se ao constatar que estivéramos presentes por cinco horas e meia. A razão pela qual nossa reunião foi marcada por tal derramamento do Espírito do Senhor foi que cada pessoa presente vivia próxima ao Senhor; e, quando Lhe apresentamos nossas petições para que Seu Espírito estivesse naquela reunião, Ele não pôde recusar-Se a responder nossa oração. Vi, naquela ocasião, homens robustos se levantarem para prestar seus testemunhos e desmoronarem, soluçando como crianças. Tal derramamento do Espírito, digo eu, jamais testemunhei em minha vida antes, nem espero jamais testemunhar outro maior. ¶
Nós, que nos reunimos aqui nesta tarde, viemos com o propósito de ter nosso coração e nossa alma satisfeitos em relação aos princípios do Evangelho. Viemos para sermos alimentados com o pão da vida, e ouvir a inspiração de nosso Pai dada a Seus servos nas palavras que hão de proferir. Viemos com o propósito de receber uma porção do Espírito do Senhor, e, embora no Tabernáculo, nesta tarde, milhares estejam reunidos para ouvir as palavras inspiradas dos servos de Deus, não há razão para que nossas orações, ascendendo a nosso Pai, não resultem em obtermos as mesmas ricas bênçãos. ¶
Ouvi com interesse, nesta tarde, as palavras que foram proferidas pelo Irmão Pratt, que tem o privilégio e a bênção de presidir sobre uma das missões dos Estados Unidos. Ouvi o testemunho que ele prestou a respeito da integridade dos homens e mulheres que estiveram à frente nesta Igreja, alguns dos quais estão ali hoje. Ouvi com interesse seu relato das condições que prevaleciam nestes vales quando ele era menino — condições sobre as quais nada sabemos, e pelas quais, consequentemente, jamais seremos provados. Nossas provações virão de outra maneira. Estamos rodeados hoje de todos os luxos com que Deus pode nos abençoar; e o Senhor nos prometeu que, se guardarmos Seus mandamentos, não haverá nada que a terra produza que não seja nosso. Ele confirmou aquelas palavras, e nos abençoou com abundância dos bens deste mundo, incluindo os belos edifícios pelos quais estamos rodeados, nos quais podemos nos reunir de tempos em tempos. Os dois edifícios no quarteirão do Templo, nos quais hoje se realizam reuniões dos Santos, estão repletos até transbordar. Reunimo-nos em outro edifício, e, se este estivesse repleto até transbordar, há outros edifícios aos quais poderíamos recorrer, onde reuniões poderiam ser realizadas, e a voz do Senhor, por meio de Seus servos, poderia ser ouvida por nós. ¶
Minha experiência, nos poucos anos que vivi, ensinou-me que não há segurança, não há genuína felicidade, alegria, nem prazer que venha a um indivíduo, exceto se ele estiver guardando os mandamentos do Senhor. Não há alegria real nem felicidade nas coisas deste mundo. Encontro, em minhas viagens pelo país, homens que estão indecisos quanto aos assuntos da vida, e que ridicularizam a religião. Encontro outros homens que dizem que há algo na religião, mas "não consigo compreendê-la; é tudo um mistério para mim." Em alguns casos, o coração dos homens está dilacerado, e suas famílias estão divididas umas contra as outras, porque não conhecem a Deus; não receberam Suas revelações; não provaram da inspiração que vem pela voz de Seus servos. Não sabem o que significa ajoelhar-se e ouvir a voz do Espírito em resposta à oração. Não percebem o que isto significa; não conseguem compreendê-lo como nós compreendemos, e, portanto, estão desorientados, dilacerados, insatisfeitos, descontentes, queixando-se continuamente desta ou daquela Igreja, e da doutrina que se ensina. ¶
Sentei-me no Tabernáculo esta manhã e ouvi as palavras inspiradas do Presidente Smith, quando ele se levantou naquela congregação, e chamou o povo à ordem, anunciou o hino, e, em virtude de seu chamado divino, tomou conta daquela reunião, e pensei em outra conferência de que li há pouco tempo, onde um corpo de adoradores religiosos estava reunido. Têm um homem a quem sustentam como o chefe de sua igreja, e este homem tem dois conselheiros. Pensei no início de sua reunião, quando a congregação foi chamada à ordem pelo presidente, um dos membros se levantou e disse: "Proponho que seja o entendimento desta reunião que a presidência atual desta igreja presida esta reunião." Pensei, quando li isso, quão desprovidos estão do Espírito de Deus; e não pude deixar de contrastar o que havia lido com o que vi esta manhã. ¶
Diz-se que esta é uma doutrina muito peculiar que pregamos, uma religião muito peculiar que abraçamos. O fato é que esta é a religião de Jesus Cristo, a Igreja que Ele estabeleceu. Essa é a razão pela qual é considerada uma religião peculiar. O cerne da mensagem que foi dada aos Élderes na história primitiva desta Igreja era: "Fé, arrependimento, e batismo por imersão para a remissão dos pecados." Há pouco tempo, encontrei-me, num trem, com uma senhora e um cavalheiro, e começaram a falar sobre Brigham Young. Esta senhora estivera em Utah. Estavam sentados bem à minha frente, e eu disse: "Esperai um momento antes de continuardes vossa conversa. Quero dizer-vos que sou um Élder mórmon." Esta senhora então me disse: "Diga-me por que o povo de Utah considera Brigham Young um homem tão grande?" Eu disse: "Minha boa senhora, têm razão, têm motivo, para isso. Se a senhora investigasse a história primitiva de Utah, se pudesse ver os imigrantes que vieram das oficinas da Europa, se pudesse ver aquelas pessoas que nunca souberam o que era possuir sua própria terra antes de vir para os vales de Utah, e visse a inspiração daquele grande homem em estabelecer aquelas pessoas nas várias partes deste estado, e então pudesse ver hoje a descendência daqueles homens e mulheres, a senhora, se fosse sincera, jamais deixaria de louvar o nome de Brigham Young. E, no entanto," eu disse, "não foi Brigham Young quem o fez, foi Deus, nosso Pai Eterno. Brigham Young foi apenas Seu instrumento na realização desta grande obra pioneira." Creio que, depois de nossa conversa, ela teve uma ideia e um entendimento diferentes da obra que Brigham Young realizou. ¶
Qual foi a causa deste povo vir das ilhas do mar, e do continente europeu, e se estabelecer nestes vales? A causa primária disso foi o arrependimento de seus pecados, e o batismo para a remissão desses pecados; e sem ele não estariam aqui. Sem ele, não haveria aquele laço de união que vemos hoje, e não haveria Templos erguidos nestas montanhas. Sem ele, não estaríamos aqui para contar a história de nossa fé em Deus e em Seu Filho Jesus Cristo; e digo, portanto, que os princípios fundamentais que temos de aprender são: "Primeiro, fé no Senhor Jesus Cristo; segundo, arrependimento de nossos pecados; terceiro, batismo por imersão para a remissão dos pecados." ¶
Às vezes, os Élderes vêm a mim e dizem: "Temos pregado fé, arrependimento e batismo por tanto tempo, que este povo já sabe tudo a respeito disso." Digo eu: "Não há tema algum que possais ensinar que seja de maior importância para os Santos dos Últimos Dias do que fé, arrependimento e batismo." Creio que deveríamos ser levados a pensar na primeira vez em que descemos à água e fomos batizados para a remissão de nossos pecados. Um de nossos Élderes observou, ontem à noite, em nossa reunião aqui: "Quando um Élder de Israel se levanta para dirigir-se a uma congregação, e pede o interesse de sua fé e orações, pergunto-me quantos percebem a importância desse pedido? Pergunto-me quantos dizem: Pai Celestial, abençoa o orador, para que ele fale sob Tua influência." Ora, pergunto-me quantos de nós recordamos o tempo de nosso batismo, imersão para a remissão dos pecados, e nos lembramos das coisas ligadas a isso. Pergunto-me quantos de nós revemos essas coisas, e vemos se hoje somos muito melhores. Pergunto-me se nos perguntamos se há coisas de que deveríamos nos arrepender hoje. ¶
O Presidente Smith foi movido, esta manhã, a ler a Seção Oitenta e Nove da Doutrina e Convênios. Sem dúvida, já a lestes muitas vezes, aquela bela Palavra de Sabedoria. Sentiu-se impressionado a lê-la, e chamou o povo ao arrependimento, e pediu-lhes que se voltassem para o Senhor, pois o Senhor é poderoso para salvar, Ele é misericordioso conosco. Ele estende Sua mão com caridade para conosco, e nos salvará se nós, como o Irmão Pratt nos disse nesta tarde, trabalharmos por nossa salvação, trabalharmos por nossa exaltação. ¶
Amo este Evangelho. Amo os princípios que foram revelados por meio de Joseph Smith e dos outros profetas que nos ministraram. Amo meus irmãos e irmãs que abraçaram o Evangelho de Jesus Cristo. Às vezes ouço Élderes dizerem, no campo missionário: "Deixei tudo o que me era próximo e querido." Não digo isso, porque as pessoas a quem sou enviado, aquelas que estão nas trevas, que não conhecem Jesus Cristo, que não conhecem o som de Sua voz, que não compreendem a revelação, elas me são próximas e queridas, pois são filhos de meu Pai. Fui enviado para pregar-lhes o Evangelho, para prestar-lhes meu testemunho; fui enviado para dizer-lhes que Joseph Smith foi um profeta de Deus, e que o Livro de Mórmon é um registro divino revelado pelo Senhor a esta geração. Foi para isto que fui enviado, para chamá-los ao arrependimento, assim como o Presidente Smith se sentiu chamado a chamar o povo de Israel ao arrependimento hoje, e a pedir-lhes que se voltem para Ele, que se voltem para o Senhor e O sirvam, e guardem Seus mandamentos. ¶
Sei que esta obra é verdadeira, assim como sei que vivo. Sei que Joseph Smith é um profeta do Deus vivo. Sei que Brigham Young e todos os sucessores de Joseph Smith foram profetas do Senhor. Sei que os Apóstolos que hoje estão em nosso meio, que foram ordenados Apóstolos do Senhor Jesus Cristo, são homens segundo o próprio coração de Deus. Convivi com eles. Tive contato próximo com eles, e desfrutei do privilégio de reunir-me com eles no templo, em conselho com eles, e sei que os ensinamentos que dão são os ensinamentos que foram inspirados por nosso Pai nos Céus. Meus irmãos e irmãs, permiti-me exortar-vos a ouvir seu conselho e seus ensinamentos, a ouvir a orientação que dão, e, se vos repreenderem ou vos admoestarem, permiti-me pedir, com toda humildade, que recebais essa correção e conselho no espírito em que são dados, e o Senhor nos abençoará, e derramará Seu Espírito sobre vós, e, embora vossas aflições nesta vida possam ser grandes, tereis muito pelo que louvar o Senhor. Seu Espírito vos possuirá, e não fará diferença alguma se somos poucos, Deus estará conosco, e nos abençoará, e derramará Seu Espírito sobre nós em abundância, e nos aproximaremos do Senhor, e haverá apenas um fino véu entre nós e nosso Pai, e, quando nos ajoelharmos e oferecermos nossas orações, ouviremos a voz do Espírito. Que Deus abençoe aqueles que aqui se reuniram nesta tarde, derrame sobre eles Seu Espírito Santo, faça-os refletir sobre os primeiros princípios do Evangelho, e então avancem de fé em fé, até que conheçamos a nosso Pai nos céus como Ele nos conhece. Quando nos ajoelharmos junto à nossa cama, ou ao redor do altar familiar, e derramarmos nossa alma a nosso Pai nos céus por bênçãos sobre nós mesmos ou sobre nossa família, que nossa fé seja tal que essas bênçãos certamente se realizem sobre nossa cabeça, é minha oração, em nome de Jesus. Amém. ¶