Pulpit

Perfeição da Organização da Igreja

Anthon H. Lund

Conferência Geral de Outubro de 1908·Sessão da Tarde do Terceiro Dia·1908-10-06

Creio que todos nós sentimos prazer em ouvir as palavras do Irmão Winder. Pensai que ele tem oitenta e sete anos de idade, e ainda assim é capaz de falar com tal vigor como fez. Está de plena posse de todas as suas faculdades; sua memória é forte; é uma enciclopédia sobre tudo o que diz respeito à Igreja. Sei que é um homem que cumpre os deveres de seu cargo de maneira aceitável a nosso Pai celestial, e sentimo-nos felizes por estar em sua companhia.

Regozijo-me com o que foi dito nesta conferência. Subscrevo as instruções que foram dadas. Sinto que o Senhor nos deu Sua palavra, e espero que, ao partirmos para casa, levemos conosco a boa influência do espírito que esteve presente, e nos lembremos dos ensinamentos que nos foram dados.

Estava justamente pensando nas palavras que o Senhor revelou a Seu servo Joseph Smith, um ano antes de a Igreja ser organizada. Ele diz: "Agora eis que uma obra maravilhosa está para iniciar-se entre os filhos dos homens."

Lembrai-vos de que foi catorze meses antes de a Igreja ser organizada que esta revelação foi dada a um jovem de apenas vinte e três ou vinte e quatro anos. Foi-lhe dito que uma obra maravilhosa estava prestes a se manifestar entre os filhos dos homens. Lendo estas palavras agora, tantos anos depois de a revelação ter sido dada, podemos dizer que não se cumpriram? Não se manifestou uma obra maravilhosa entre os filhos dos homens? Certamente, tem sido uma maravilha para muitos. Quando contemplais e investigais os princípios do Evangelho, trazidos por meio daquele jovem, maravilhai-vos com a coerência de cada princípio com as sagradas escrituras. Tudo o que o Profeta ensinou foi, de fato, sã doutrina, e ele mesmo provou ser um profeta de Deus. O Senhor cumpriu suas profecias sobre assuntos relacionados tanto a este povo quanto a toda a nação. O Profeta Joseph falou e profetizou coisas que, aparentemente, não pareciam prováveis de se cumprir, mas as vimos cumpridas à própria letra. Como profeta, é sustentado por suas profecias; como mestre, é sustentado pelas doutrinas que ensinou, pois são verdadeiras e coerentes com os ensinamentos dos profetas antigos; e, como homem, era amado por aqueles que o conheciam. Aqueles que entravam e saíam de sua casa, que o viam diariamente, o amavam mais do que qualquer outra pessoa! Quando encontrais estas pessoas, é um deleite ouvi-las falar dele, de sua bondade, e do agradável convívio que tiveram com ele; como amam contar sobre sentar-se sob sua voz, e ouvi-lo instruir o povo! Testificarão que sabem que ele era um homem de Deus. E cada um de nós que recebeu o dom do Espírito Santo pode prestar o mesmo testemunho, pois o Espírito nos testificou que ele falava a verdade. A obra maravilhosa foi por ele inaugurada; e quão rapidamente os primeiros Élderes começaram a labutar; pois foi dito, na mesma revelação, que o campo já estava branco para a ceifa. Aceitaram esta obra, e saíram e pregaram aos homens, e apresentaram-lhes esta maravilhosa mensagem.

Foi preciso homens de coragem moral para receber aquele testemunho, pois já, naquela época, e até mesmo antes, a perseguição havia começado. O adversário queria deter esta obra, e, se houve algum momento em que ela pudesse ter sido detida, pareceria ter sido aquele, quando havia tão poucos na Igreja; mas Aquele que havia estabelecido a obra era maior do que o adversário, e Ele tinha poder para protegê-la. Mesmo em sua infância, embora a Igreja tenha enfrentado tão forte perseguição, ainda assim prosperou. O Livro de Mórmon foi publicado, numa edição de cinco mil exemplares. Não tínhamos outros panfletos ou folhetos para espalhar entre o povo, mas aquele livro continha a palavra de Deus, o Evangelho em sua simplicidade, e realizou uma boa obra missionária. Foi vendido ao povo, e emprestado ou dado a eles; os homens o liam, e muitos receberam um testemunho da veracidade dos princípios que continha. O Presidente Joseph F. Smith tem um exemplar da primeira edição, que foi o meio de trazer para a Igreja homens como Joseph Young, Brigham Young, Phineas Young, Lorenzo Young e John Young. Eles o leram; ficaram convencidos; e se filiaram à Igreja. Sabeis quão fortes homens eram — não facilmente persuadidos, mas, quando a luz do Espírito de Deus iluminou seu coração, estavam dispostos a aceitar a verdade, e se tornaram fortes defensores da fé — especialmente um homem como o Presidente Young, e também Joseph Young, o bondoso e gentil líder dos Setenta. O Livro de Mórmon foi, de fato, uma obra que carregava consigo poder de convencimento. Houve um tempo em que pensávamos que obras argumentativas eram melhores para distribuir entre o povo, e depois disso deixá-los ler o Livro de Mórmon; mas nossos irmãos têm sido orientados a procurar disseminar ou espalhar o Livro de Mórmon entre o povo. Ouço dizer que a última edição impressa nos Estados do Norte consiste de cem mil exemplares, e estão sendo vendidos muito rapidamente. Uma firma enviou um pedido, no outro dia, de quinhentos exemplares, e os queriam imediatamente; isto mostra que o livro é bem vendido. Ora, queremos levar o livro aos lares de todos os homens, para que tenham a oportunidade de saber o que ele contém, e terão a oportunidade de aceitá-lo ou rejeitá-lo. Nossa missão é alcançar todos os homens, e creio que o Livro de Mórmon mostrará ao povo quais são os princípios do Evangelho, e os ensinará tão claramente que, se o rejeitarem, o farão porque deixaram que o preconceito os governasse. Este livro foi traduzido para muitos idiomas; é lido desde o Cabo Norte, na Noruega, até a ponta sul do Cabo da Boa Esperança, e em quase todas as partes do mundo. Contudo, queremos que seja distribuído ainda mais entre o povo.

Foi dito que o conhecimento deveria cobrir a terra como as águas cobrem o mar profundo. Isto parece estar se cumprindo em nossos dias. Bíblias foram impressas em todas as línguas — já em 1861, esta alegação foi feita. Homens de meios generosos têm feito o que podem para que edições da Bíblia circulem entre os pagãos, bem como entre os povos civilizados. Considero que têm feito muito bem ao fazer isto, pois a Bíblia contém a palavra de Deus. É verdade que passou por muitas traduções, mas o Senhor tem colocado Sua mão sobre ela e preservado Sua palavra, de modo que chegou até nós em forma quase perfeita, embora acreditemos que, em algumas partes, por causa da ignorância, ou talvez da má vontade, dos tradutores, possa não ter sido traduzida corretamente. Cremos nela; alegramo-nos de saber que foi distribuída entre todos os povos. Rogo que o Livro de Mórmon possa ter o mesmo destino, que seja conhecido entre todos os povos.

Há cerca de duas semanas, ouvi com prazer o Presidente Richard W. Young dar uma declaração concisa das organizações em nossa Igreja. Quando examinais a organização desta Igreja, achais que ela é maravilhosa em sua perfeição. E não tem sido produto de experimentação, pois não foi acrescentada ano após ano. A organização do Sacerdócio foi dada bem no princípio. No mesmo dia em que a Igreja foi organizada, a revelação sobre o governo da Igreja foi dada. Antes de a Igreja ser organizada, foi dado a conhecer que haveria Apóstolos na Igreja. Quase um ano antes, as Três Testemunhas foram chamadas por revelação a selecionar os Doze. Em 6 de abril de 1830, quando a Igreja foi organizada, havia apenas nove, ou por aí, na Igreja. Conhecemos os nomes dos seis que tomaram parte na incorporação da Igreja, e havia muito poucos outros. Não havia então membros suficientes para preencher todos os cargos na Igreja; mas a revelação foi dada; um esboço do que deveria ser já era compreendido pelo profeta e seus irmãos, e sabiam que oficiais deveriam ser colocados na Igreja. Levou algum tempo, contudo, para completar a organização. Os Élderes foram os primeiros oficiais ordenados. Há duas divisões no Sacerdócio: o Aarônico e o de Melquisedeque. Um Élder possui o Sacerdócio de Melquisedeque. Joseph Smith presidiu a Igreja, primeiro como élder; mas, quando chegou o tempo, e a Igreja havia crescido em número, outros e mais elevados cargos no mesmo sacerdócio foram conferidos. Os principais élderes foram chamados e ordenados Sumos Sacerdotes, e então Joseph Smith presidiu a Igreja como Sumo Sacerdote. Por quase um ano depois de sua organização, a Igreja foi ministrada por élderes. Então bispos foram chamados e ordenados, naquela época dentre os quóruns dos Élderes, e depois foi instituído o quórum dos Sumos Sacerdotes. Então foi revelado que os bispos e os homens presidentes na Igreja deveriam possuir o ofício de Sumo Sacerdote. Alguns têm se perguntado por que o Profeta foi ordenado Élder em 6 de abril de 1830. Ele possuía o Sacerdócio de Melquisedeque antes, mas os ofícios no sacerdócio não existiam até que a Igreja fosse organizada e desse seu consentimento; então ele foi ordenado Élder. Depois, foi ordenado Sumo Sacerdote, e ordenou outros Sumos Sacerdotes. Em 1832, Joseph Smith foi chamado, por revelação, para ser Presidente da Igreja, mas a Primeira Presidência não foi organizada senão em março de 1833, quando Sidney Rigdon e F. G. Williams foram escolhidos como seus conselheiros; e os três assumiram os assuntos da Igreja. Em 1835, o quórum dos Doze Apóstolos foi organizado. Já havia sido indicado, antes de a Igreja ser organizada, quem deveria selecioná-los e ordená-los. Então, pouco depois, os Setenta foram chamados, e depois outros Setenta, até termos hoje um exército de Setenta. O Sacerdócio Menor também foi organizado no início da Igreja, e tem continuado como foi primeiro estabelecido.

Pensei em atrair vossa atenção para estes pontos, mostrando que os quóruns foram organizados à medida que a Igreja deles necessitava, e não porque homens sugeriram que agora seria bom ter tal ou qual quórum. O Senhor indicou, antes de a Igreja ser organizada, quais quóruns seriam necessários na Igreja, e a organização prosseguiu tão rapidamente quanto as necessidades da Igreja o exigiram.

Chegamos ao tempo de 1844, quando o Presidente da Igreja, o Profeta e Vidente, foi encarcerado numa prisão e vilmente assassinado, com seu irmão, o Patriarca da Igreja. Uma coisa como a dissolução da Primeira Presidência não havia sido contemplada pela Igreja, e havia muitos na Igreja, que não haviam dado ao assunto estudo ou reflexão algum, que se perguntavam quem deveria ser o sucessor. Antes de o Profeta ser assassinado, ele havia reunido os Apóstolos, e os havia instruído em tudo o que dizia respeito ao Sacerdócio; e havia colocado sobre seus ombros a responsabilidade de prosseguir com a obra; portanto, eram eles os homens para presidir a Igreja quando o Profeta se fosse. E isso teve seu precedente nas escrituras. Encontramos a Igreja do primeiro dia organizada com apóstolos, setentas, e outros oficiais no Sacerdócio. Haviam sido chamados pelo próprio Salvador. Somos informados por Paulo de que Ele deu apóstolos, profetas, mestres, evangelistas, etc. Consequentemente, se Ele deu estes oficiais à Igreja que organizou, quando foi levado dentre os homens, deixou Seus apóstolos para cuidar dela. Não houve menção de Seus irmãos, nem de qualquer parente, para presidir a Igreja. Colocou isso sobre Pedro e os apóstolos. Desejo ler algumas palavras sobre este assunto. Quando Jesus Se reuniu com Seus discípulos nas margens do Mar da Galileia, o Evangelista diz: "E depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? E ele respondeu: Sim, Senhor; tu sabes que te amo. Disse-lhe ele: Apascenta os meus cordeiros." Esta foi a primeira pergunta. Perguntou a Pedro se O amava mais do que estes. Esta linguagem, sei, pode ser interpretada de duas maneiras, mas podemos compreender o significado quando pensamos na expressão de Pedro na última ceia, quando Jesus disse que haveria muitos que se ofenderiam Nele. Pedro declarou que jamais se ofenderia Nele; sentia-se tão forte. Jesus lhe diz que, antes que o galo cantasse aquela noite, ele O negaria três vezes. Pedro disse: ainda que eu tivesse de morrer contigo, não te negaria. Ora, este era Pedro quando estava sob a boa influência do Mestre. Tendo um testemunho próprio, e sentindo-se forte, dependia de seu próprio poder. "Amas-me mais do que estes?" Ele havia dito que jamais O negaria, e, contudo, o fizera. Sentiu a suave repreensão, e disse: "Tu sabes que te amo," e o Mestre disse: "Apascenta os meus cordeiros." O versículo seguinte diz: "Tornou a dizer-lhe uma segunda vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Disse-lhe ele: Sim, Senhor; tu sabes que te amo. Disse-lhe ele: Apascenta as minhas ovelhas." A palavra que aqui se traduz "apascentar" é uma palavra diferente, no texto grego, da palavra assim traduzida acima. A primeira palavra usada é "boske", que se traduz "pastar; alimentar, nutrir". A palavra usada no segundo lugar é "poimaine", que tem sido traduzida "apascentar", mas tem um significado muito mais amplo do que isso. Meu léxico dá a seguinte tradução de "poimaine": "pastorear; ser pastor; governar; cuidar; tender." Pedro foi, portanto, chamado a ser o pastor, o cuidador, o governante da Igreja. E, pela terceira vez, Ele disse: "Simão, filho de Jonas, amas-me?" Pedro entristeceu-se por Ele lhe ter dito isso a terceira vez, e respondeu: "Senhor, tu sabes todas as coisas; tu sabes que eu te amo." Jesus disse-lhe: "Apascenta as minhas ovelhas." Aqui a palavra "apascentar" é a mesma que na primeira resposta — onde disse a Pedro que apascentasse Seus cordeiros. Ora, considero que o encargo que Jesus deu a Pedro e aos Apóstolos foi que dirigissem e assumissem o encargo de Sua Igreja aqui sobre a terra. Seguindo a história dos Apóstolos, tal como nos é dada, achamos que, quando surgiam quaisquer dissensões na Igreja, homens eram enviados a Pedro e a Tiago e a João, em Jerusalém, para aprender deles qual era a palavra de Deus sobre aqueles assuntos, e a decisão dos Apóstolos era o fim da controvérsia. Ali temos o precedente que nos é dado, de que, quando o Presidente da Igreja foi levado, os Apóstolos tomaram seu lugar. Jesus presidiu a Igreja enquanto viveu na carne sobre a terra; continuou a presidir a Igreja por meio de Seu Espírito, e revelou Sua palavra a Seus servos, mas Seus representantes terrenos eram os apóstolos, e eles assumiram o encargo da Igreja. Assim, quando o Profeta Joseph foi martirizado, a responsabilidade permaneceu onde ele a havia colocado. Não houve conversa sobre hereditariedade; nada se disse sobre parentes assumirem o encargo; mas havia o quórum dos Apóstolos, e sobre eles recaía a responsabilidade de prosseguir com a obra, e assim o fizeram; continuaram a obra que Joseph havia começado tão bem.

Fez-se a alegação de que a Igreja foi desorganizada com a morte do Profeta, e, portanto, houve necessidade de uma reorganização. A Igreja não foi desorganizada; o quórum dos Doze não foi desorganizado, nem tampouco os quóruns dos Setenta, nem os Bispos, nem os Élderes, nem o Sacerdócio Menor; todos eles permaneceram exatamente os mesmos depois da morte do Profeta como antes. Como haviam sido organizados por ele, assim continuaram, e em momento algum os quóruns do Sacerdócio foram desorganizados. Em que se justifica, então, a alegação? Rejeitou Ele Sua Igreja porque o Profeta e seu irmão selaram seus testemunhos com seu próprio sangue? Deveria ser motivo para desorganizar a Igreja o fato de que o povo foi expulso de seus lares e teve suas casas incendiadas, e seu templo tomado deles? A resposta é evidente por si mesma. Mostraram-se corajosos e fiéis; continuaram com a obra do templo até que pudessem entrar nele, e receber as bênçãos que lhes haviam sido prometidas. Quando a perseguição se enfureceu e foram expulsos, tiveram de deixar o templo, mas não abandonaram o Evangelho. Talvez não houvesse tantos membros em alguns dos quóruns, pois havia homens que, covardes demais para partilhar das provações dos Santos, se afastaram, e não estavam dispostos a suportar o fardo e o calor do dia, e a seguir a Igreja. O Senhor, contudo, abençoou Seus Santos e os conduziu a esta terra. Quando chegaram aqui, não haviam esquecido que deviam ao povo de todo o mundo o dever de pregar-lhes o Evangelho restaurado, e, em cerca de um ano, missionários foram enviados às diferentes nações sobre a terra. Agradecemos ao Senhor que estes homens tenham vindo aos países onde vivíamos, e trazido a luz do Evangelho, que nos deu paz em nossa alma, e o testemunho de que Deus Se havia revelado em nossos dias. Vós podeis prestar esse testemunho comigo. Agradecemos ao Senhor pela administração do Presidente Young e de seus irmãos, os apóstolos.

Quando a Primeira Presidência foi por eles organizada, foi feito segundo o padrão estabelecido pelo próprio Profeta. A Igreja foi organizada da maneira que Deus pretendia; e jamais precisou de reorganização alguma, porque jamais foi desorganizada, mesmo através dos dias mais sombrios da expulsão e das perseguições.

Agradeço ao Senhor por ser membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Rogo que eu possa ser fiel aos convênios que fiz com Ele; e peço que Suas bênçãos repousem sobre todos os presentes e sobre todo o Israel, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Como citar este discursoAnthon H. Lund, “Perfeição da Organização da Igreja”, Conferência Geral de Outubro de 1908, Sessão da Tarde do Terceiro Dia (1908-10-06). Pulpit Vault, 1908-10-lund-church-perfection. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).