Repreensão e Obediência Inteligente
Hyrum M. Smith
Gostaria de ler uma parte de uma revelação dada a Joseph Smith, o Vidente, em Kirtland, em maio de 1831, na qual o Senhor disse: ¶
Escutai, ó élderes da minha igreja, e dai ouvidos à voz do Deus vivo; e atentai para as palavras de sabedoria que vos serão dadas, segundo o que haveis perguntado e concordado com relação à igreja e aos espíritos que estão espalhados pela Terra. ¶
Eis que em verdade vos digo que há muitos espíritos que são espíritos falsos, os quais saíram pela Terra enganando o mundo; e Satanás também vos procurou enganar a fim de derrotar-vos. ¶
Eis que eu, o Senhor, vos tenho observado e tenho visto abominações na igreja que professa o meu nome; mas bem-aventurados os que são fiéis e perseveram, seja na vida ou na morte, porque herdarão a vida eterna. ¶
Mas ai daqueles que são enganadores e hipócritas, porque assim diz o Senhor: Levá-los-ei a julgamento. ¶
Eis que em verdade vos digo que há entre vós hipócritas que enganaram alguns, o que deu poder ao adversário; mas eis que esses [isto é, os que foram enganados] serão resgatados; mas os hipócritas serão detectados e serão afastados, seja na vida ou na morte, como eu desejar; e ai dos que são cortados da minha igreja, porque os mesmos foram vencidos pelo mundo. ¶
Portanto, que todo homem fique atento para que não faça o que não for verdadeiro e reto perante mim. ¶
E agora vinde, diz o Senhor, pelo Espírito, aos élderes de sua igreja; e juntos arrazoemos para que compreendais. ¶
Arrazoemos assim como um homem arrazoa com outro, face a face. ¶
Ora, quando um homem arrazoa, é compreendido pelo homem, porque arrazoa como um homem; assim também eu, o Senhor, arrazoarei convosco para que compreendais. ¶
Portanto, eu, o Senhor, faço-vos esta pergunta: Para que fostes ordenados? ¶
Para pregar meu evangelho pelo Espírito, sim, o Consolador que foi enviado para ensinar a verdade; e então recebestes espíritos que não pudestes compreender, e os recebestes como se fossem de Deus; e nisto estais justificados? ¶
Eis que vós mesmos respondereis a esta pergunta; não obstante, serei misericordioso para convosco — aquele dentre vós que for fraco, no futuro será tornado forte. ¶
Em verdade vos digo: aquele que é ordenado por mim e enviado para pregar a palavra da verdade pelo Consolador, no Espírito da verdade, prega-a pelo Espírito da verdade ou de alguma outra forma? ¶
E se for de alguma outra forma, não é de Deus. ¶
E também, aquele que recebe a palavra da verdade, recebe-a pelo Espírito da verdade ou de alguma outra forma? ¶
Se for de alguma outra forma, não é de Deus: ¶
Então como é que não podeis compreender e saber que aquele que recebe a palavra pelo Espírito da verdade recebe-a como é pregada pelo Espírito da verdade? ¶
Portanto, aquele que prega e aquele que recebe se compreendem um ao outro, e ambos são edificados e juntos se regozijam; e aquilo que não edifica não é de Deus, e é trevas; aquilo que é de Deus é luz; e aquele que recebe luz e persevera em Deus recebe mais luz, e essa luz se torna mais e mais brilhante, até o dia perfeito. ¶
Como observou o Élder Reed Smoot, também me regozijei, durante esta conferência, de que meu espírito recebeu de bom grado cada palavra que foi proferida. Aquelas palavras do Presidente da Igreja, em relação à Palavra de Sabedoria, encontraram meu espírito em perfeito acordo, e regozijo-me de que eu, que ouvi, compreendi exatamente como aquele que falou. Compreendi as palavras de todos os irmãos. Não foram misteriosas; foram claras e fáceis de compreender; e aqueles que falaram, e todos os que ouviram, confio, compreenderam da mesma maneira, e demonstraram, com isso, que possuem o Espírito da Verdade e da Luz, e não das trevas. Tudo o que foi dito foi edificante e bom, e destinado a nos edificar. Pela maneira como toda a congregação, num único "sim" unânime, expressou sua aprovação à resolução que subscrevia os sentimentos do Presidente, julgo que estavam de posse do Espírito de Deus, que compreenderam Seus servos, que arrazoaram com eles como um homem arrazoa com seu amigo, face a face. ¶
Alegro-me de que haja, no Presidente da Igreja, e em Deus, que fala por meio de Seus servos, a disposição de repreender as congregações de Israel quando precisam de repreensão, bem como de elogiá-las, quando sua vida for digna de elogio. Devemos receber a repreensão com o mesmo espírito com que recebemos o elogio. Lamentamos, é certo, ter de ser repreendidos por negligência do dever, mas, se a negligência de fato prevalece entre nós, então precisamos ser repreendidos, e é minha crença que este povo será mais fiel em guardar a Palavra de Sabedoria do que porventura tenha sido antes. Creio que estamos dispostos a receber a palavra do Senhor, e que nos arrependeremos de nossos pecados, e venceremos estes males a que nos permitimos ficar viciados, e que foram incitados pelos espíritos falsos que se espalharam pelo mundo para enganar os homens. O Senhor é absolutamente contrário a toda forma de pecado, de mal, de perversidade, de vício e corrupção. Ele declarou que não pode olhar para estas coisas com grau algum de tolerância. Não pode fechar os olhos a estas coisas, porque ordenou que fossem eliminadas do meio de Seu povo. Contudo, há alguns entre nós que se deixaram enganar, e que imaginaram que cometer um pequeno pecado não era grande coisa. Mas, quando o pecado é cometido, ante o conhecimento de que é pecado, a condenação há de seguir-se tão certamente quanto o pecado é cometido. ¶
Não existe tal coisa como "males necessários". Quando algum homem declara que a prostituição, ou qualquer outro crime, é um mal necessário, ou que os bares são um mal necessário, somos levados a perguntar-lhe como o sabe. Ele não pode sabê-lo, senão por sua própria experiência pessoal; não pode sabê-lo por outra pessoa; e, se o sabe por sua própria experiência, reconhece que é vil e corrupto, e é impróprio e inteiramente indigno da associação, da confiança, ou da fé de pessoas decentes e respeitáveis. Sabemos o contrário; sabemos que estas coisas não são necessárias, porque Deus o declarou, e o Senhor sabe. Em lugar algum Ele jamais disse que o pecado e a perversidade são necessários, mas condenou tudo isso. Como foi dito ontem, todos os Santos dos Últimos Dias deveriam pôr o rosto, como pederneira, contra toda forma de mal, e, por esse exemplo, provar ao mundo que é possível viver acima do pecado, e não ceder aos sedutores espíritos maus que se espalharam pelo mundo. O homem que imagina que estas coisas são necessárias é um daqueles a quem o Senhor Se referiu como tendo sido enganado por aqueles espíritos maus. Os Santos dos Últimos Dias deveriam estar de posse do Espírito de Deus, e ser guiados em tudo por ele. Deveríamos ter tabernáculos limpos e puros, que jamais tenham sido contaminados, e que não possam ser contaminados, porque são controlados pelo Espírito do Senhor. Nosso corpo deveria ser templo do Deus Altíssimo, no qual pudesse habitar o Espírito do Senhor, e nossas palavras e nossos atos deveriam ser sempre os frutos do Espírito. Jamais deveríamos praticar as más obras da carne, mas subjugá-las, e dominar-nos a nós mesmos em toda retidão. Graças a Deus, temos, tanto como indivíduos quanto como povo, o poder de resistir ao mal e vencê-lo com o bem. Portanto, meus irmãos e irmãs, regozijo-me de que o Senhor possa perceber quando Seu povo escolhido, de alguma maneira ou grau, se afasta da estrita obediência a Seus mandamentos, e de que Ele, por Sua autoridade divinamente constituída, num espírito de amor, nos castigue e chame nossa atenção para nossas falhas, para que nos arrependamos e nos voltemos para Ele antes que seja tarde demais. ¶
Creio, em meu coração, que há, da parte de todo o povo, a disposição de receber a palavra do Senhor e de colocá-la em prática em sua vida. Se fomos culpados de alguma maneira, arrepender-nos-emos sinceramente, esforçar-nos-emos por fazer melhor no futuro, e exerceremos nossa influência, com aqueles sobre quem presidimos, ou com quem possivelmente possamos ter influência. Direi por meus irmãos das autoridades gerais da Igreja: devemos receber as instruções dadas nesta conferência. Aplicam-se não apenas a nós como indivíduos, mas como famílias. É nosso dever exercer sobre nossas famílias, nossas esposas e filhos, aquela influência que também os fará crer e regozijar-se em obedecer à palavra de Deus. Estes presidentes de estaca e bispos de ala não deveriam apenas estar livres de toda forma de pecado, eles mesmos, livres de todo grau de mal, mas deveriam pôr suas próprias casas em ordem; e suas esposas e seus filhos deveriam ser-lhes obedientes, assim como são obedientes aos servos de Deus e a nosso próprio Pai. Suas esposas e filhos deveriam obedecer aos mandamentos do Senhor, andar nos caminhos da retidão, da obediência e da paz, e dar um exemplo que acrescentasse força àqueles que presidem. Se nos for possível evitá-lo, nenhum de nós deveria ser encontrado na condição do antigo Alma. Ele teve de dizer a seu filho: Por causa de tua perversidade, por causa de teus maus caminhos, meus esforços na pregação da retidão foram neutralizados, e não posso fazer bem algum entre o povo que te conhece, por causa de tua vida má; pois dizem: Vai e põe tua própria casa em ordem, chama teu próprio filho ao arrependimento, corrige sua vida, então vem nos ensinar. É assim que sinto a respeito disto. Quero que aqueles sobre quem tenho influência, ou autoridade e jurisdição, não me obedeçam por causa de alguma coerção ou força exercida sobre eles, mas que me obedeçam da mesma maneira que sinto obedecer aos servos do Senhor, e aos mandamentos de Deus — porque é certo e as exigências são justas. Quero que estejam de posse do bom Espírito, para que não apenas obedeçam de bom grado, mas para que saibam por si mesmos de que espírito são as instruções, de modo que, quando os servos do Senhor falarem pelo poder e pela influência do Espírito Santo, saibam e compreendam, porque eles mesmos possuem o mesmo espírito. Obedecerão porque amam ao Senhor, e amam o ungido do Senhor. Regozijar-se-ão e, de sua própria e livre vontade e escolha, servirão a Deus e guardarão Seus mandamentos. Esta é a condição que deveria existir nas famílias de todas as autoridades da Igreja, tanto gerais quanto locais. Suas famílias estão, ou deveriam estar, nesta condição; e então, como com o Sacerdócio, assim com o povo; teremos maior poder, teremos maior influência para vencer os males que existem em nosso meio, e seremos mais capazes de resistir a estes espíritos maus e sedutores que nos pregam as doutrinas dos demônios e enganaram alguns. Que tenhamos poder para resgatar aqueles assim enganados, e chamar todos os maus ao arrependimento; e, se não se arrependerem, como já lemos, deixemo-los ao juízo de Deus. Nossa esperança e sentimento é que todos possam se arrepender, e que o pecado, a perversidade e o mal, de todo nome e natureza, sejam eliminados. Isso não pode existir numa comunidade que ama somente a pureza, a virtude e a retidão, e cujo cada ato prova que ama a Deus de todo o seu coração, poder, mente e força, e que ama seu próximo como a si mesma. Que o Senhor seja misericordioso com Seu povo, em nome de Jesus. Amém. ¶