O Evangelho da Salvação como uma Escada para a Vida Eterna
Orson F. Whitney
Dois ministros da igreja cristã estavam certa vez conversando, e um deles fez ao outro esta pergunta: ¶
"Por que é, meu amigo, que o povo gosta de ouvi-lo pregar, e por que é que não gosta de me ouvir? Por que sua capela está sempre lotada de adoradores ávidos, enquanto a minha está sempre quase vazia?" Seu amigo lhe respondeu com estas palavras: ¶
"Creio que é porque estou sempre dizendo ao povo que, se seguirem certo caminho, serão salvos, enquanto o senhor está sempre lhes dizendo que, se não fizerem certas coisas, serão condenados." ¶
Depreendo disso que há algo no coração humano que prefere o afirmativo ao negativo na apresentação da mensagem do Evangelho. Sempre me regozijei no fato de que o Evangelho de Jesus Cristo é o Evangelho da Salvação. Paulo, o Apóstolo, declara que assim é: ¶
"Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação a todo aquele que crê." ¶
Embora seja verdade que o Salvador, ao comissionar Seus apóstolos a pregar o Evangelho, usou estas palavras: "Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado," não há nada nisso que indique que o Evangelho seja um Evangelho de condenação. A condenação não é parte alguma do Evangelho de Cristo. Não há condenação nele, mas há bastante condenação fora dele. Quando chegar o fim, e a missão de Cristo se consumar, constatar-se-á que Ele esgotou todos os meios para a salvação do homem; e aqueles que ficarem condenados depois de o Evangelho ter feito sua obra, se descobrirá que se condenaram a si mesmos. Deus está determinado a salvar, não a condenar, a raça humana; e Ele usará todos os meios possíveis para esse fim. Ele enviará Seus servos com a voz da persuasão, a voz da advertência solene, e formará, moldará, e manejará todas as coisas para a disseminação da verdade — a mensagem da salvação. E então, como Ele disse: ¶
"Depois de vosso testemunho vem o testemunho de terremotos, a voz de trovões, a voz das ondas do mar, arremessando-se além de seus limites." ¶
"E todas as coisas estarão tumultuadas." ¶
"E não somente a terra tremerá, mas os céus estrelados se abalarão." ¶
Estes poderes serão manifestados para a salvação — não para a condenação. A condenação segue, como a noite ao dia, a rejeição dos meios de salvação; é a alternativa, a consequência inevitável de uma recusa em aceitar e fazer uso da redenção que Deus proveu. Permitam-me usar uma ilustração: ¶
Suponham que um homem tenha caído num poço, e seja incapaz de escalar suas paredes, e emergir na planície acima. Ele tem inteligência, força, sabedoria, talvez habilidade como escalador, mas não pode escalar, porque não há nada com que ou pelo que escalar. Um amigo vem até a boca do poço, chama-o, e diz: ¶
"Eu o ajudarei; o senhor não pode usar seus próprios poderes, são ineficazes. Eu lhe darei os meios de colocá-los em seu uso apropriado." Ele desce uma escada, e diz ao homem lá embaixo: "Agora, suba." ¶
Suponham que o homem se recuse a subir. Quem é responsável por seu fracasso em emergir do poço no qual caiu? Não está ele em pior situação, ao rejeitar os meios de fuga, do que se nunca lhe tivessem sido oferecidos? Ele não pode fazer nada por si mesmo, e quando a ajuda lhe é oferecida, ele a rejeita. Quem tem a culpa? ¶
Essa é a luz sob a qual o problema se apresenta a mim. Pela transgressão de nossos primeiros pais, a raça humana caiu num poço, e não havia ajuda, nem esperança, deste lado do céu, pois a raça não podia redimir-se a si mesma. O homem não pode ser honesto o suficiente, nem virtuoso o suficiente, nem verdadeiro o suficiente, nem benevolente o suficiente, para salvar sua alma. É por isso que o Evangelho foi provido, como meio de salvação, e teve de vir do alto. Nenhuma parte daquilo que estava sob condenação poderia ser usada como meio de redenção. Adão e Eva, com sua posteridade, estavam sob a maldição, e era a maldição da morte eterna — morte espiritual, morte temporal — banimento sem fim da presença de Deus. ¶
Mas o Filho de Deus desceu das Cortes da Glória, e Se ofereceu como sacrifício, um resgate. Ele não estava sob a maldição; Ele não havia caído; e Sua vida podia pagar a dívida. Podia ser usada como o meio da redenção do mundo; e assim foi usada, e assim Ele Se tornou o Autor da vida e da salvação para todos nós. Ele foi os primeiros frutos da ressurreição, e declarou: "Porque eu vivo, e vós vivereis." ¶
Ele desceu a escada até o poço, e ordenou aos que desejavam a salvação de Suas mãos, que subissem. Não deveriam alegar seus próprios méritos, nem confiar em sua própria força, mas deveriam usar seus poderes para subir pelo caminho que Ele havia provido. O primeiro degrau da escada do Evangelho é a fé em Deus; o segundo degrau é o arrependimento do pecado; o terceiro degrau, o batismo por imersão para a remissão dos pecados; e o quarto degrau, a imposição de mãos para o dom do Espírito Santo. ¶
Mas, tendo colocado nossos pés no quarto degrau da escada, não devemos parar ali; devemos continuar subindo — continuar obedecendo aos princípios do Evangelho. Eles vão da terra ao céu, e a salvação em sua plenitude somente pode ser alcançada por aqueles que fazem a vontade de Deus, e continuam em Seu serviço, perseverando até o fim. ¶
Este é o problema da salvação, do ponto de vista de um Santo dos Últimos Dias. O mormonismo, assim chamado, é o Evangelho de Cristo. É um Evangelho de salvação do princípio ao fim, e propõe salvar, não apenas os vivos, mas também "aqueles outros vivos, chamados os mortos." ¶
Certa vez eu estava conversando com um cavalheiro, ministro de uma das principais igrejas, e ele me disse: ¶
"Não creio que o mormonismo teria existido, se Joseph Smith conhecesse a igreja a que pertenço, a religião que professo e prego. 'A revolta de Joseph Smith' — essa foi a palavra que ele usou — foi contra o Metodismo, o Puritanismo rígido de sua época, e a teologia sinistra e sombria dos Presbiterianos. Estas foram as seitas com que ele teve contato, e não me admiro de sua revolta. Mas se ele tivesse conhecido minha igreja, e se familiarizado com minha religião, não teria havido mormonismo, pois não teria havido necessidade dele." ¶
Assegurei-lhe que estava muito enganado se imaginava que o Profeta não compreendia a religião dele, tanto quanto todas as outras. A palavra de Deus a Joseph Smith, em resposta à sua pergunta sobre a qual de todas as igrejas ele deveria se filiar, foi esta: "Nenhuma delas; pois todas se desviaram do caminho." Foi-lhe dito que a verdadeira Igreja de Cristo não existia então na terra, mas estava para ser estabelecida, e que ele havia sido escolhido como instrumento para esse propósito. ¶
Consideremos brevemente algumas das afirmações feitas pelo profeta moderno. Seu movimento não foi mera "revolta" contra este ou aquele credo; ele não pertencia a nenhuma igreja ou seita; mas era um sincero buscador da verdade, e ficava desconcertado com a confusão e a contenda que prevaleciam nas igrejas cristãs. Lendo nas Escrituras: "E se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente," resolveu pôr essa promessa à prova. Portanto, pediu a Deus, e recebeu a resposta que citei. Joseph declara que, enquanto ele e Oliver Cowdery traduziam as placas nefitas contendo o Livro de Mórmon, e enquanto oravam a respeito de certa doutrina mencionada nas placas, um mensageiro do Céu desceu, e, impondo as mãos sobre suas cabeças, falou estas palavras: ¶
"A vós, meus conservos, em nome do Messias, eu confiro o Sacerdócio de Aarão, que possui as chaves do ministério de anjos e do evangelho do arrependimento e do batismo por imersão para remissão de pecados; e ele nunca mais será tirado da Terra, até que os filhos de Levi tornem a fazer, em retidão, uma oferta ao Senhor." ¶
Até aquele tempo — o mormonismo afirma — não havia um homem sobre a face da terra, na cristandade ou fora dela, que tivesse o direito de pregar o Evangelho e administrar mesmo as ordenanças externas do mesmo. ¶
O anjo que ordenou Joseph e Oliver lhes disse que seu nome era João, antigamente chamado o Batista. Informou-lhes que ainda havia um Sacerdócio maior, uma autoridade maior, chamada o Sacerdócio de Melquisedeque, cujas chaves eram mantidas pelos Apóstolos, Pedro, Tiago e João, sob cuja direção ele estava atuando. Este Sacerdócio maior lhes seria conferido no devido tempo, e os qualificaria, não somente a chamar os homens ao arrependimento, e batizá-los para a remissão de seus pecados; mas também os capacitaria a impor as mãos sobre aqueles que batizassem, e conferir-lhes o Espírito Santo. Por meio destes dois Sacerdócios, autoridade espiritual e temporal — pois foi provida tanto a salvação temporal quanto a espiritual — a Igreja de Deus seria estabelecida, e a grande dispensação seria aberta, na qual haveria de se cumprir a restituição de todas as coisas. Tal era a substância da mensagem do anjo. Sob esta autoridade divina, os Sacerdócios de Arão e de Melquisedeque, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias foi organizada, em 6 de abril de 1830, em Fayette, condado de Seneca, Nova York. Seis anos depois, enquanto a Igreja estava em Kirtland, Ohio, uma série de visões foi dada no Templo a Joseph Smith e Oliver Cowdery. Na primeira visão, eles contemplaram o Senhor Jesus Cristo, como Jeová, o Deus de Israel; e então, como está escrito: ¶
"Depois de encerrar-se esta visão, os céus tornaram-se a abrir e Moisés apareceu diante de nós e conferiu-nos as chaves para coligar Israel das quatro partes da Terra e trazer as dez tribos da terra do norte. ¶
"Depois disto, Elias apareceu e conferiu-nos a dispensação do evangelho de Abraão, dizendo que em nós e em nossa semente todas as gerações depois de nós seriam abençoadas. ¶
"Concluída essa visão, outra grande e gloriosa visão abriu-se para nós; pois Elias, o profeta, que fora levado ao céu sem experimentar a morte, apareceu diante de nós e disse: ¶
"Eis que é chegado plenamente o tempo proferido pela boca de Malaquias — testificando que ele [Elias, o profeta] seria enviado antes que viesse o grande e terrível dia do Senhor — para voltar o coração dos pais para os filhos e os filhos para os pais, a fim de que a Terra toda não seja ferida com uma maldição — ¶
"Portanto, as chaves desta dispensação são confiadas às vossas mãos; e assim sabereis que o grande e terrível dia do Senhor está perto, sim, às portas." ¶
Não é evidente para o estudioso do mormonismo, se aprofundar-se o bastante no assunto, que há algo mais neste grande e magnífico problema do que uma mera "revolta" contra as doutrinas inconsistentes e antibíblicas de algumas seitas da cristandade? Vocês pensam, depois do que lhes li, que o rumo de Joseph Smith teria sido diferente, se ele tivesse se familiarizado melhor com qualquer igreja ou credo particular então existente? ¶
Permitam-me ler novamente, e mostrar algo mais da maravilhosa concepção do plano de salvação de Deus, tal como existia na mente daquele poderoso profeta de Deus. No ano de 1842, enquanto se escondia de seus inimigos, que buscavam sua vida e que conseguiram tirá-la dois anos depois, Joseph Smith dirigiu uma comunicação à Igreja, mostrando o que mais pesava em seus pensamentos, à medida que sua carreira se aproximava do fim. Naquela comunicação, ele diz — depois de citar os versículos finais de Malaquias: ¶
"É suficiente saber, neste caso, que a Terra será ferida com maldição, a menos que exista um elo de ligação de um ou outro tipo entre os pais e os filhos, sobre um assunto ou outro — e qual é esse assunto? É o batismo pelos mortos. Pois nós, sem eles, não podemos ser aperfeiçoados; nem podem eles, sem nós, ser aperfeiçoados. Nem podem eles nem podemos nós ser aperfeiçoados sem os que morreram no evangelho; pois é necessário, na introdução da dispensação da plenitude dos tempos, dispensação essa que está começando a introduzir-se, que uma total, completa e perfeita união e fusão de dispensações e chaves e poderes e glórias ocorram e sejam reveladas desde os dias de Adão até o tempo atual. E não somente isso, mas as coisas que nunca se revelaram desde a fundação do mundo, mas que se conservaram ocultas aos sábios e prudentes, serão reveladas a crianças e recém-nascidos nesta dispensação, que é a da plenitude dos tempos." ¶
Dois grandes pensamentos se impõem à mente ao ler esta maravilhosa passagem de escritura moderna: um é que o passado pertence ao mormonismo, e o outro é que o futuro também lhe pertence. O mormonismo não é meramente uma religião do século dezenove; não é meramente uma religião do tempo. É a religião das eternidades, e desceu da presença de Jeová, como o plano preordenado para a salvação dos filhos dos homens. Esteve sobre a terra muitas vezes numa série de dispensações, e esta grande e coroante dispensação do Evangelho foi introduzida com o propósito de unir todas as dispensações, soldando o presente e o passado, e preparando o mundo para coisas ainda maiores no futuro. ¶
Quando e onde se originou o Evangelho? Não conheço explicação melhor do que a dada pelo Profeta Joseph Smith, que disse: ¶
"No princípio, Deus, encontrando-Se em meio a espíritos e glória, por ser mais inteligente, viu por bem instituir leis pelas quais os demais pudessem progredir como Ele mesmo." ¶
Aprendemos com isso que o Evangelho — agora chamado mormonismo — que compreende e codifica aquelas leis que foram instituídas por Deus no princípio, foi estruturado antes de o mundo ser criado; que é o meio do progresso do homem, tanto no tempo quanto na eternidade — a escada pela qual todos os que alcançam a exaltação devem subir. A queda de Adão foi um passo para baixo, mas também foi um passo para a frente — um passo na marcha eterna do progresso humano; e é por meio deste Evangelho eterno, e de nossos próprios esforços individuais em fazer uso dos poderes que Deus nos deu, que nos apoderamos da vida eterna, e avançamos rumo à perfeição. ¶
Sendo isso verdade, é razoável supor que Deus esperaria seis mil anos antes de revelar a Seus filhos, pela primeira vez, o plano de salvação? É razoável que Ele esperasse quatro mil anos, ou mesmo dois mil anos, antes de dar ao homem o conhecimento do Redentor que estava por vir? Não seria isso um desperdício de tempo? Por que não deixar que o Pai Adão e a Mãe Eva soubessem? Por que não lhes dar a alegria de saber que um Salvador havia sido provido, em antecipação à sua queda, e que eles e sua posteridade eram herdeiros da salvação, por meio da expiação de Jesus Cristo? ¶
O mormonismo declara que isso foi feito; que Adão e Eva tiveram o Evangelho revelado a eles antes da vinda de Cristo; que foram batizados para a remissão de seus pecados, e receberam o Espírito Santo. Por sua fé no Redentor, cuja vinda Adão simbolizou erguendo um altar e sobre ele oferecendo um cordeiro — em virtude da expiação de Cristo, e de sua obediência aos princípios de fé, arrependimento, batismo e todas as outras coisas que Deus lhes exigiu, foram redimidos da queda. Tiveram de esperar pela ressurreição de seu corpo, mas não tiveram de esperar que alguém fosse batizado por eles. Foram batizados pessoalmente, não vicariamente. Haverá bastante desse tipo de trabalho, sem que os eleitos sejam acrescentados à lista. Levará mil anos para redimir os mortos por quem construímos templos e oficiamos. Mas alguns homens e mulheres, através de todas as eras, tiveram o Evangelho, e foram redimidos por sua obediência a ele, aqui, nesta vida. Não precisam da obra vicária que terá de ser feita por talvez milhões de nossa raça que nunca ouviram o nome de Jesus Cristo. O mormonismo nos diz que Adão, curvado pela idade, abençoou sua posteridade, e predisse o que lhes sucederia até a última geração. A relação entre aquela primeira e esta última dispensação do Evangelho se mostra no fato de que: Adão há de vir novamente, como o Ancião de Dias; de que chamará seus filhos diante de si, e desempenhará uma grande parte na cena de encerramento, ao unir sua dispensação a esta dispensação, que está destinada a engolir as outras, assim como o oceano engole os rios e os riachos. ¶
Depois dos dias de Adão, quando o mundo se afastara de Deus, uma dispensação do Evangelho foi dada a Enoque. Ele construiu uma cidade chamada Sião, que foi redimida e santificada por princípios que nós, como Igreja, recebemos, mas à prática perfeita dos quais ainda não chegamos. Vacilamos, alguns de nós, diante da lei do dízimo. O que faremos quando vier a lei maior — a lei da consagração, quando tudo o que possuímos será exigido para a edificação da Sião de Deus, da qual a Cidade de Enoque foi apenas um tipo, um símbolo, uma prefiguração, o menor vindo antes do maior, apontando e preparando o caminho? ¶
A Noé, também, veio uma dispensação do Evangelho. Em seus dias a terra foi batizada com água, prefigurando o batismo de fogo, que nosso planeta está destinado a sofrer, antes de sua glorificação. "E como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do Homem." ¶
Abraão também teve o Evangelho revelado a ele; e qual foi a parte que desempenhou? Qual é a relação entre sua dispensação e a nossa dispensação? Deus lhe disse: "Em ti e em tua semente serão benditas todas as nações da terra." Aquela promessa se cumpriu na vinda do Senhor Jesus Cristo por meio da linhagem de Abraão; mas também se cumpriu na dispersão, entre todas as nações, dos filhos de Abraão, Isaque e Jacó, em preparação para o grande ajuntamento nos últimos dias, quando serão trazidos das quatro partes da terra, para edificar Sião, e se preparar para a segunda vinda do Messias. ¶
Em seguida veio Moisés, à frente de uma dispensação do Evangelho, detendo as chaves da coligação de Israel. Ele confere aquelas chaves ao Profeta Joseph Smith, para que ele possa começar a obra do ajuntamento, trazendo a Deus todos os que virão: o judeu, o gentio, e o israelita dentre os gentios. Todos os que fizerem as obras de Abraão são contados com os filhos de Abraão, justificados por sua fé e obediência ao Evangelho de Jesus Cristo. ¶
No meridiano do tempo o Salvador fez Seu advento mortal, escolhendo doze apóstolos para pregar o Evangelho no hemisfério oriental, e depois de Sua ressurreição, aparecendo aos nefitas na América, e escolhendo doze dentre eles para pregar o Evangelho a esta parte do mundo. ¶
Mil e oitocentos anos depois amanhece a grande e última dispensação, a dispensação da plenitude dos tempos. O mormonismo, com a Bíblia numa mão e o Livro de Mórmon na outra, está colhendo os resultados de toda a obra realizada pelos servos de Deus em eras passadas. Vale-se de todo o bem que foi acumulado pela raça humana, não somente por profetas e apóstolos, mas por poetas, filósofos, inventores, descobridores — todos os bons e sábios mestres da cristandade e de fora dela. Busca e faz uso de tudo o que é puro, sábio, virtuoso, e louvável; e pelo saber do passado, e as revelações do presente, propõe erguer um monumento à honra e glória de Deus, que perdurará por todas as intermináveis eras do futuro. O Evangelho se destina a salvar todos os homens, mas os salvará segundo os princípios da justiça eterna, cada homem conforme suas obras. Há uma glória do sol, uma glória da lua, e uma glória das estrelas, e assim como as estrelas diferem em magnitude, assim será na ressurreição dos mortos. A única classe de seres humanos que precisa temer que não haja salvação para eles são aqueles que receberam o Evangelho em sua plenitude, a quem foi dada toda chave e passaporte para a glória eterna — o poder de serem exaltados ao mais alto estado de que a inteligência é capaz — e então jogaram tudo fora, pisando-o aos pés como coisa de nenhum valor e negando o que sabem ser verdadeiro. Todos os outros podem ser salvos, porque todos os outros podem se arrepender. Os homens podem ser perdoados enquanto tiverem o poder de se arrepender. ¶
Mas alguns não se arrependerão até passarem para outro mundo, para onde foram aqueles espíritos cujos corpos foram afogados pelo dilúvio nos dias de Noé. Nestes dias, um grande princípio, o da salvação para os mortos, foi revelado. Este é o elo de ligação que unirá as dispensações — o filho ao pai — o presente ao passado. Podem vocês pensar em algo que voltaria o coração dos pais para os filhos, ou o coração dos filhos para os pais, mais eficazmente do que um princípio deste tipo? O mormonismo trata do passado, do presente, e do futuro. Propõe salvar todos os que estiverem dispostos a ser salvos. Salvará até mesmo os condenados, depois de terem pago sua dívida eterna; mas estes não podem ser salvos com a plenitude da glória de Deus. ¶
O mormonismo não é inimigo da raça humana; não é inimigo dos gentios. Não reconhecemos a palavra "gentio" como termo opróbrio, embora alguns de nossos amigos de fora se ofendam com ela, como se estivéssemos tentando lançar-lhes um epíteto desagradável. Qual é o significado de "gentio"? A palavra provém de "gentilis," que significa de um clã, uma família, uma raça, uma nação. Nos dias da comunidade judaica, gentio simplesmente significava alguém que não era judeu; nos primeiros tempos da Igreja Cristã, significava alguém que não era cristão, e nestes tempos designa alguém que não é Santo dos Últimos Dias. ¶
Os gentios são os filhos de Jafé, enquanto os israelitas descendem de Sem, por meio de Abraão. Efraim, de quem a maioria de nós reivindica descendência linear, foi misturado com os gentios, e agora está sendo reunido do meio deles. O Evangelho, quando os judeus o rejeitaram, foi aos gentios; Deus quis salvá-los. Cornélio, um homem justo, era gentio, e sobre ele e outros gentios o Espírito Santo foi derramado, mesmo antes do batismo. Os gentios de hoje são as nações da Europa moderna, e esta grande nação da qual fazemos parte. Colombo era gentio, movido pelo Espírito de Deus para descobrir a América — a terra de Sião; Washington era gentio, que talhou com a espada do patriotismo nossa independência. Foram gentios que fundaram este governo, o mais poderoso e benéfico sobre o qual o sol brilha. Deus nos diz no Livro de Mórmon que as nações gentias serão grandes a Seus olhos ao levarem os filhos de Israel às terras de sua herança. Declara ainda que, se os gentios quiserem, entrarão na Igreja, participarão das bênçãos do Evangelho, e ajudarão a Casa de Israel a construir a Nova Jerusalém, em preparação para a gloriosa vinda do Filho de Deus. A bênção de Noé sobre Jafé foi: "Alargue Deus a Jafé, e habite nas tendas de Sem." Não somos inimigos dos gentios, não somos inimigos da raça humana; nossa missão é amizade, paz, e boa vontade; nosso trabalho é preservar e unir tudo o que é bom, tanto do passado quanto do presente, e trabalhar para a consumação da obra de Cristo no grande e maravilhoso futuro. ¶
Que Deus acelere Sua causa, nos mantenha firmes na verdade, em erguer um estandarte de paz às nações, e em pregar a todo o mundo o Evangelho da Salvação, por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém. ¶