As Revelações a Joseph Smith e a Indiferença Prevalecente
Hyrum M. Smith
Meus irmãos e irmãs, sinto-me algo pesaroso nesta manhã sob a grande responsabilidade que recai sobre mim ao ocupar esta posição, e ao falar a uma congregação deste caráter e tamanho. Não obstante, regozijo-me grandemente por ser considerado digno de suportar esta responsabilidade, e ter a autoridade de testificar da divindade do Senhor Jesus Cristo e Sua missão, e declarar a verdade da restauração do Evangelho nesta dispensação da plenitude dos tempos, por meio de Joseph Smith, o Profeta. ¶
Como Santos dos Últimos Dias, reunimo-nos aqui com o propósito de adorar a Deus, reconhecendo-O como nosso Pai nos céus, e manifestando nosso amor por Ele e Seu Filho. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias foi estabelecida e fundada por Joseph, o Profeta, sob a direção e inspiração de Jesus Cristo, em abril de 1830. Os mesmos princípios e doutrinas de vida e salvação que foram pregados por Jesus, durante Seu ministério na carne, foram revelados a Joseph Smith e por ele novamente anunciados ao mundo. ¶
Joseph Smith foi levantado para ser, e é, um Profeta de Deus. Em resposta à sua oração, o Pai e o Filho lhe apareceram, juntos, em pessoa, e lhe deram a conhecer Sua vontade divina. Depois disso, enviaram-lhe mensageiros celestiais de Sua presença, e também, pela inspiração do Espírito Santo, lhe revelaram as verdades do Evangelho eterno. Estas revelações estão escritas em Doutrina e Convênios, no Livro de Mórmon e na Pérola de Grande Valor, e, se acreditadas e praticadas, hão de eventualmente salvar os homens no reino celestial de nosso Pai. Foram proclamadas por revelação, como já disse, e até hoje, depois de mais de setenta e sete anos de existência da Igreja, nenhum princípio ou doutrina assim revelado foi renunciado pelos membros da Igreja. Jamais repudiamos nenhuma das verdades reveladas ao Profeta Joseph Smith e a seus sucessores no ofício de Profeta, Vidente e Revelador da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Jamais renunciamos à nossa crença em nenhuma dessas doutrinas e princípios. Jamais convocamos conferências ou conclaves com o propósito de rever as revelações de Deus. Jamais fomos chamados, nem consideramos necessário, em qualquer etapa de nosso progresso, eliminar qualquer revelação do registro. Tampouco jamais negamos qualquer uma delas. Testificamos, com toda a seriedade, que estas revelações são de Deus. São, portanto, as mesmas ontem, hoje e para sempre, e são eternas e essenciais para a salvação daqueles a quem são dadas. Temos aderido fielmente ao Evangelho de Cristo, a religião que recebemos. Como povo, confio que permaneceremos sempre fiéis, firmes e constantes, como somos, e ainda mais, exercendo, com maior diligência, maior fé no Senhor. Este é um dia em que há grande apostasia das igrejas, um afastamento dos homens de suas próprias religiões e credos. As coisas deste mundo são primordiais na estimação do mundo. Enviamos nossos élderes ao mundo para pregar este Evangelho a todas as nações, tribos, línguas e povos, e há três classes que eles encontram. Uma é uma classe de pessoas que os recebem com alegria quando ouvem o testemunho da verdade, e da restauração do evangelho. Seus corações se dilatam ao som da voz do verdadeiro pastor, e eles ouvem avidamente. Desejam saber mais; investigam com afinco, e percebem a verdade com alegria, e a abraçam. Aqueles que compõem esta classe, digo eu, não são muito numerosos. Depois há outra classe, talvez bastante numerosa, que, no momento em que ouvem o testemunho assim declarado, se eriçam e se tornam antagonistas, e inimigos ferrenhos da verdade, e se opõem a ela com todas as suas forças; e não hesitam em nada para impedir e destruir a obra que os élderes se esforçam por realizar. Depois há a terceira classe, e são contados aos milhares, que são totalmente indiferentes a esse testemunho, ou ao testemunho de qualquer outro homem que pregue religião. Assim, descobrimos que, no mundo, a maioria dos homens não é inclinada à religião. Estão se afastando da religião, abandonando credos, e se ausentando dos lugares de culto. Não sabem nada a respeito de religião, e se importam ainda menos com ela. Ora, quem é responsável por esta condição? Pode haver muitas coisas causando isso, em maior ou menor grau, mas creio que os maiores responsáveis pela falta de fé são os assim chamados pregadores de religião. Semearam as sementes da incredulidade nos corações dos homens. Sendo não inspirados, e sem autoridade divina, causaram, por seus ensinamentos, que os homens descressem em Deus, o Pai Eterno, e Seu Filho, Jesus Cristo. Fazem certas professias, à guisa de serviço de lábios, mas negam o poder da piedade. Declaram que Deus é incompreensível, que não podemos entendê-Lo, e não O conhecemos; que Ele não tem corpo, partes nem paixões. Declaram que Jesus Cristo não é divino. Repudiam o miraculoso, e lançam dúvida sobre as obras maravilhosas que Cristo realizou, e que foram realizadas por Seus seguidores, Seus discípulos, nos tempos primitivos, como está registrado na Escritura. Tudo o que não se apela ao seu senso particular e estreito de razão, denunciam como irracional e falso. Não tememos o infiel e o agnóstico declarado, aquele que sai abertamente declarando seu total desprezo por todas as coisas que cheiram a Deus e à religião, e ridiculariza aqueles que neles creem. Creio que a verdadeira religião nunca sofreu muito materialmente por causa da guerra travada contra ela por inimigos abertos e declarados que se autodenominam ateus e infiéis; nem a verdadeira fé tem sido muito perturbada por tais ataques, mas o problema é que há aqueles que se autodenominam ministros de religião, que antepõem a palavra "Reverendo" a seus nomes, e sob este disfarce ficam de pé nos púlpitos, e na tribuna de reuniões religiosas, e ali proclamam as mesmas falsidades que os infiéis declararam, a saber, que Jesus Cristo não é divino, que Ele não é o Redentor do mundo, mas um mero homem, um moralista, é verdade, um homem avançado além de seu tempo. É muito bom proclamar uma crença na existência de Deus, por causa das glórias dos céus e das belezas da terra; muito bom dizer que podemos ver a obra das mãos de Deus nas montanhas, nas florestas e nas correntes de água, nos frutos e nas flores da terra, mas nenhuma destas coisas jamais convenceu os homens da personalidade de Deus. Os homens podem inferir dessas coisas a crença de que há um criador todo-sábio e todo-poderoso, mas nenhuma dessas coisas dá testemunho direto da personalidade de Deus, o Pai, nem da divindade de Cristo, o Filho. Estas verdades devem ser reveladas aos homens, sendo o conhecimento delas essencial para a salvação. Os homens devem recebê-las, entendê-las, e transmiti-las a seus semelhantes; e isso tem sido feito. Deus tem, repetidas vezes, revelado a Si mesmo a Seus servos os Profetas; eles O têm visto, contemplado Sua pessoa, e descoberto a verdade da declaração de que o homem foi criado à imagem de Deus. Assim, puderam testificar verazmente a outros que Deus vive, e que somos Seus filhos, criados à Sua imagem. Ele não é apenas o Criador dos céus e da terra e de tudo o que vemos que é belo, útil e desejável neles, mas é também o Criador do homem, e o homem está à semelhança de Sua pessoa. Estas coisas são verdadeiras. Cristo declarou a verdade delas; declarou Sua divindade. Disse que veio ao mundo para tirar o pecado do mundo; e todos os Seus discípulos, que Lhe foram fiéis, deram o mesmo testemunho, porque tinham visto e ouvido. Assim, a responsabilidade pela indiferença que encontramos tão universal da parte dos homens em relação ao Evangelho recai amplamente sobre aqueles que afirmam ser ministros, e se apresentam como pregadores do Evangelho de Cristo, e ao mesmo tempo ensinam que Cristo não é divino, que Deus não criou o homem, e que não existem tais coisas como milagres, revelações, dons, e assim por diante. Ao mesmo tempo em que fingem pregar as doutrinas de Cristo, negam a maioria delas. A personalidade de Deus, a divindade de Seu Filho, a criação do homem, a queda de Adão, a expiação, a ressurreição, a vida eterna, a glória celestial, etc., etc., são doutrinas hoje desacreditadas por muitos deles. Não é de admirar que os homens se tenham cansado e se tornado indiferentes a um Evangelho despojado de quase todos os seus elementos essenciais. Tais hipócritas e falsos religiosos como estes são responsáveis pela condição de irreligião que encontramos no mundo. E, se este é o resultado de pregar o Evangelho de Cristo, dito assim, e de ler a Bíblia nas igrejas, faríamos bem em hesitar antes de introduzir tal leitura nas escolas públicas. ¶
Não vejo remédio para esta condição, senão na aceitação inequívoca do Evangelho de Jesus Cristo, tal como Ele o declarou em Seus dias, e tal como foi restaurado em nossos próprios dias. Os homens devem crer em Deus; devem crer que Ele é nosso Pai, que Ele nos criou e nos estabeleceu aqui; e que Ele nos receberá novamente em Sua presença. Devemos crer que Jesus é o Redentor do mundo, e aceitá-Lo como tal. Devemos aceitar as doutrinas que Ele ensinou, e pô-las em prática em nossas vidas, se a leitura da escritura, Sua palavra, há de nos fazer algum bem. Enquanto tivermos infiéis, céticos e descrentes nas escolas públicas, homens que não entendem a Bíblia e não podem explicar devidamente seu conteúdo, digo eu, lê-la nas escolas e, como fazem alguns ministros, depreciar a crença em Jesus Cristo e os milagres que Ele realizou, e a grande obra de redenção que Ele realizou, seria muito mais desastroso do que benéfico. Até que os homens possam ler a Bíblia e as Escrituras com entendimento, pelo poder do Espírito Santo, no espírito em que foram escritas, não estou disposto a declarar minha crença na eficácia de ensiná-la nas escolas públicas. ¶
É loucura os homens dizerem que Jesus Cristo não é divino, e que Ele foi apenas um grande mestre moral, um homem à frente de Seu tempo, e depois aconselhar os homens a segui-Lo; pois, ou Ele é Cristo, o Filho de Deus, que veio do Pai para tirar o pecado do mundo, e para morrer pela redenção do homem, ou não é. Se Ele o é, é digno do respeito e da confiança até mesmo dos mais humildes entre os homens. Ou Ele é o que Se declarou ser, ou não é, em nenhum sentido do termo, porque Ele Se declarou o Filho de Deus. Ele proclamou: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem a Deus senão por mim." Os homens só podem vir a Deus por esse meio, ou então o Filho do Homem disse uma inverdade, e mentir está longe de ser um hábito moral. Declarou, ademais: "Eu sou a ressurreição e a vida; todo aquele que vive e crê em mim nunca morrerá." "Quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá." Disse ainda: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura; quem crer e for batizado será salvo, e quem não crer será condenado." ¶
Ninguém, senão o próprio Messias, poderia fazer tais declarações e dizer a verdade. Ele era o que anunciou ser, e o que O declaramos ser, ou então cometeu o mais arrogante e imoral dos atos, ao presumir ser Aquele que poderia perdoar pecados, e que poderia salvar os homens de seus pecados e erguê-los, e exaltá-los na presença de Deus. ¶
Meus irmãos e irmãs, quase todas as páginas das Sagradas Escrituras dão testemunho e atestam a divindade de Cristo. O próprio Cristo a declarou. João Batista disse à multidão: "Eis aqui o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo." Pedro, Tiago e João, Mateus, Marcos, Lucas, Paulo e muitos dos outros discípulos de Cristo igualmente deram testemunho, sem dúvida, de que Ele era divino e é o Redentor do mundo. E em nossos próprios dias, damos o mesmo testemunho, pois as mesmas coisas foram novamente reveladas. Joseph Smith foi visitado por Ele e por Deus, Seu Pai, e Ele os contemplou com seus próprios olhos. Joseph Smith e Sidney Rigdon também O viram, e testificaram que O viram, tal como Estêvão O viu, vestido de glória, cercado por aqueles que habitam o reino celestial de Deus. Também viram Deus assentado em Seu trono, e Jesus Cristo à Sua direita, "e ouviram a voz testificando que ele é o Unigênito do Pai." No que diz respeito aos Santos dos Últimos Dias, sabemos que estas coisas são verdadeiras. Não há dúvida em nossas mentes quanto a isso. Por quê? Porque o Espírito da Verdade, o Espírito Santo, tem sido recebido por nós, por meio de nossa obediência às leis e ordenanças do Evangelho, e ele, fiel a Seu ofício, tem testificado a nós de Jesus Cristo, nosso Senhor. ¶
Que Deus vos abençoe, meus irmãos e irmãs. Que provéis fiéis por toda a vossa vida. Que, assim como temos feito até agora, adiramos fielmente a todo preceito, toda doutrina, e toda verdade que foi revelada nesta dispensação por Deus, por meio de Joseph Smith, para a salvação dos filhos dos homens. Regozijo-me no Evangelho Eterno. Sei que é verdadeiro. Sei que Deus vive, que Jesus Cristo é nosso Senhor e Salvador, e que, pela obediência às leis e ordenanças às quais Ele mesmo Se sujeitou, e que ordenou a todos os homens que obedecessem, seremos salvos no reino de nosso Pai. Que sejamos salvos. Que trabalhemos diligentemente para neutralizar as influências da indiferença, da incredulidade, e do agnosticismo que agora prevalecem tão amplamente entre os homens no mundo. ¶
Que Deus abençoe a Presidência da Igreja, e os Doze Apóstolos, e os Sete Presidentes dos Setenta, e o Patriarca. Que Ele igualmente abençoe, segundo seus chamados e suas necessidades, os Presidentes de estacas, seus Conselheiros e Sumos Conselheiros, os Bispos de alas e seus Conselheiros, e aqueles que presidem nas organizações auxiliares, ou nos ramos da Igreja. Que Ele esteja com os Presidentes de Missões para inspirá-los e equipá-los para seus grandes e responsáveis deveres de declarar a verdade; e que Ele abençoe todos e cada um dos missionários individuais que trabalham sob sua direção pela difusão do Evangelho eterno em todo o mundo, como uma testemunha antes que venha o fim. Esta é minha oração em favor da Igreja e dos servos de Deus, e de todos os homens de Deus e dos justos em todo o mundo, e peço isso em nome de Jesus. Amém. ¶
Um solo de contralto, "O Love Divine," foi lindamente interpretado pela pequena Irmã Millie Williams. ¶