A Regeneração da Vida e os Males a Serem Resistidos
David O. McKay
O coro e a congregação cantaram o hino que começa: ¶
Nosso Deus, a Ti elevamos, Graças por Tuas bênçãos gratuitas, Que aqui desfrutamos; Nesta distante terra ocidental, Uma verdadeira e escolhida hoste, Aqui conduzida por Tua mão, Cantamos de alegria. ¶
A oração foi proferida pelo élder Joseph E. Taylor. ¶
O coro e a congregação cantaram o hino: ¶
Louvor ao homem que se comunicou com Jeová! ¶
Jesus ungiu aquele Profeta e Vidente — Bendito para abrir a última dispensação; Reis o exaltarão e nações o reverenciarão. ¶
Meus irmãos e irmãs: espero que o Espírito do Senhor inspire as palavras que possam ser proferidas por mim durante os poucos minutos em que estarei diante de vós. ¶
Uma expressão no documento que sustentamos nesta manhã permanece em minha mente, e sinto-me levado a tocar nela, porque creio que contém muito alimento para reflexão, como toda frase daquela declaração. Está implícito ali que os Santos dos Últimos Dias são membros da Igreja "para o fomento da vida espiritual, e a realização de fins morais e caridosos"; em outras palavras, para o desenvolvimento do sentimento religioso, o verdadeiro espírito religioso. Isso pode ser feito de duas maneiras: primeiro, buscando a verdade e vivendo em harmonia com ela; e segundo, resistindo a toda influência, todo poder que tende a destruir ou de alguma forma diminuir o sentimento religioso. Quando o Santo dos Últimos Dias estava à beira da água, antes de ser sepultado com Cristo no batismo, tinha dentro de si uma fé implícita de que a Igreja de Cristo está estabelecida sobre a terra, e de que esta organização é a melhor no mundo hoje para o fomento da vida espiritual, para alcançar o verdadeiro desenvolvimento religioso, para a salvação de sua alma. Repito que essa fé implícita estava dentro dele; e, com ela, havia um verdadeiro arrependimento, e esse arrependimento trazia consigo o desejo de abandonar tudo na vida passada que fosse contrário aos ensinamentos do Evangelho ou da Igreja à qual estava prestes a se unir. De sua vida antiga, e dos pecados, se havia algum ligado a ela, verdadeiramente se arrependeu. Ele aguardava ansiosamente o tempo em que nasceria de novo no Reino de Deus. Estava prestes a passar pela ordenança do batismo, símbolo do sepultamento de sua vida antiga e, com ela, todas as imperfeições, as fraquezas, os males, os pecados que acompanhavam aquela vida antiga. Seria sepultado pelo batismo, para que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos pelo poder e pela glória do Pai, ele pudesse sair em novidade de vida, membro da Igreja de Deus, filho do Pai, cidadão no Reino de Cristo. Pelo batismo, nasceu de novo, e se tornou apto a receber o Espírito Santo. Seu corpo saiu renovado, e o Espírito Santo lhe foi concedido; foi confirmado membro da Igreja de Cristo. Foi ali que todos nós estivemos certa vez. Esses eram nossos sentimentos, nossa fé, nossa esperança. Estivemos naquele dia perdoados dos males e loucuras passados. Ora, toda a missão — a vida, se assim o quiserdes, do desenvolvimento da alma — estava diante de nós, e tínhamos assim recebido a luz que emana do Pai, para nos guiar de modo que nossos pés não tropeçassem, para que as verdades de Seu Santo Evangelho penetrassem em nossos corações — as verdades que nos darão conhecimento, para que nossas almas pudessem ser salvas em inteligência. O Espírito Santo haveria de trazer todas as coisas à nossa memória, mostrar-nos as coisas que hão de vir, testificar do Pai; e, à medida que buscarmos essa luz, e vivermos de acordo com os deveres que essa obrigação nos impõe, estaremos buscando o verdadeiro desenvolvimento religioso, estaremos fomentando o verdadeiro crescimento religioso. ¶
Mas qual é o outro elemento que devemos considerar? Junto com essa nova vida, com essa busca da verdade, deveria haver um forte poder de resistência. Alguém disse que, quando Deus faz o profeta, Ele não desfaz o homem. Creio que, embora nascidos de novo, e com direito a uma nova vida, novo vigor, novas bênçãos, as antigas fraquezas ainda permaneciam conosco. O maligno estava ansioso e pronto para nos atacar e nos ferir em nosso ponto mais fraco, e tem batido nele desde então. Por quê? Para frustrar o próprio propósito pelo qual entramos na Igreja de Cristo. Essa é a sua missão. Tomai como exemplo o Salvador. Depois que Ele passou por aquela ordenança para cumprir toda a justiça, depois de ter recebido a aprovação do Pai, e o testemunho do alto de que Ele era o Filho de Deus, o "Filho Amado" em quem o Pai Se comprazia, Satanás ali estava, pronto para frustrar Sua missão. Jesus saiu em jejum e oração, preparando-Se para a grande missão que sobre Ele repousava; e quando, em Seu momento mais fraco — como Satanás pensava — quando Seu corpo estava débil e exausto por longo jejum, o maligno Se apresentou em tentação; e qual foi a tentação? Um apelo à Sua fraqueza corporal: "Se tu és o Filho de Deus" — notai a provocação — o próprio testemunho na margem do Jordão foi: "Este é o meu Filho amado" — "Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se façam pães." Num momento de fraqueza e fome, essa tentação seria a mais forte, sendo tudo o mais igual. Esse foi o momento de resistência da parte de Jesus. Sua busca havia se manifestado em oração e jejum; Sua resistência veio no momento de fraqueza corporal. Embora o corpo estivesse fraco, o Espírito estava forte, e Cristo respondeu: "Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus." Então Satanás O tentou noutro ponto. Falhando nisso, o tentador ainda O tentou numa terceira vez, tentando-O primeiro em Seu amor ao conforto físico; segundo, tentou-O na vaidade; e terceiro, tentou-O no amor às riquezas mundanas, e no poder de governar o mundo. Mas todas essas tentações Cristo resistiu; e a resistência final foi: "Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás." Podemos não ter ouvido audivelmente, à beira da água, as palavras: "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo," mas o Espírito testemunhou em nossas almas de que Deus Se agradava do ato, e Ele Se agradava de nos guiar enquanto buscássemos Sua orientação, em jejum e oração. Talvez não tenhamos ouvido em tons audíveis: "Se és membro daquela Igreja, membro daquele Reino, com direito ao Espírito Santo, faze isto ou aquilo — manda que estas pedras se façam pães." Nossa tentação pode não ter vindo dessa forma. Pode ter vindo na forma do velho amor; da paixão que havíamos satisfeito por anos. Pode ter sido, e não duvido que tenha sido, na forma de alguma tentação corporal — algum anseio. Pode ter sido o amor ao velho cachimbo que decidimos — se fôssemos sinceros — deixar de lado ao entrarmos nas águas do batismo. Ó, quando esse anseio veio, depois de estarmos na Igreja ou no Reino, quem foi que disse: "Ainda que finjas deixar isso de lado, toma-o só mais uma vez; desta vez não fará mal"? Ali estava o necessário momento de resistência. Quantos de nós ficamos de pé como Cristo, nosso líder, e dissemos: Vai-te? Este elemento de resistência a respeito de nossos anseios corporais — satisfazer as paixões — aplica-se a todo membro da Igreja de Cristo. De algum modo, o maligno nos atacará. De algum modo, ele pode nos enfraquecer; de algum modo, ele porá diante de nós aquilo que enfraquecerá nossas almas, e tenderá a frustrar aquele verdadeiro desenvolvimento do sentimento religioso; e o que quero dizer com isso é isto: o desenvolvimento do espírito interior, o fortalecimento do homem interior, o fortalecimento e crescimento do espírito, que o tempo não pode matar, mas que é duradouro e permanente como o Pai eterno desse espírito. E as coisas que tenderão a atrofiar esse espírito ou impedir seu crescimento são coisas que os Santos dos Últimos Dias são chamados a resistir. ¶
Temos, na Seção 89 da Doutrina e Convênios, a palavra do Senhor a respeito de algumas pequenas coisas — pequenas conforme consideradas por muitos, e particularmente pelos homens do mundo — que os Santos dos Últimos Dias são solicitados a observar. É uma lei temporal, e diz respeito a nosso bem-estar físico. Nada podemos dizer sobre resistir à tentação da vaidade. Isso também nos alcança; mas, ó, espero que fique fora da Igreja. Espero que nossas irmãs resistam a todas as tentações do mundo que possam vir sob esse título — a vaidade. Espero que tenhamos força para resistir a todos os atrativos que vêm com a riqueza e a posição mundana, quando fazemos dessas duas coisas um fim em si mesmas. Hoje temos apenas tempo suficiente para considerar aquelas poucas pequenas coisas com as quais Satanás nos tenta, com relação ao nosso corpo: ¶
"Eis que, em verdade, assim vos diz o Senhor: Devido a maldades e desígnios que existem e virão a existir no coração de homens conspiradores nos últimos dias, eu vos adverti e previno-vos, dando-vos esta palavra de sabedoria por revelação — eis que não é bom nem aceitável aos olhos de vosso Pai que alguém entre vós tome vinho ou bebida forte, exceto quando vos reunis para oferecer vossos sacramentos perante ele. E eis que deve ser vinho, sim, vinho puro de uva da videira, de vossa própria fabricação. E também bebidas fortes não são para o ventre, mas para lavar vosso corpo. E também tabaco não é para o corpo nem para o ventre e não é bom para o homem, mas é uma erva para machucaduras e todo gado doente, a qual se deve usar com discernimento e habilidade. E também bebidas quentes não são para o corpo nem para o ventre. E também em verdade vos digo: Todas as ervas salutares indicou Deus para a constituição, natureza e uso do homem — toda erva em sua estação e toda fruta em sua estação; todas essas para serem usadas com prudência e ação de graças. Sim, também a carne de animais e a das aves do ar, eu, o Senhor, indiquei para uso do homem, com gratidão; contudo, devem ser usadas moderadamente; agrada-me que não sejam usadas a não ser no inverno ou em tempos de frio ou de fome. Todos os grãos são indicados para uso do homem e dos animais, para ser o esteio da vida, não só para o homem, mas também para os animais do campo e as aves do céu e todos os animais selvagens que correm ou rastejam na terra; e todos os santos que se lembrarem de guardar e fazer estas coisas, obedecendo aos mandamentos, receberão saúde para o umbigo e medula para os ossos; e encontrarão sabedoria e grandes tesouros de conhecimento, sim, tesouros ocultos; e correrão e não se cansarão; e caminharão e não desfalecerão; e eu, o Senhor, faço-lhes uma promessa de que o anjo destruidor passará por eles, como os filhos de Israel, e não os matará." ¶
Essas coisas mencionadas aqui — bebidas fortes, tabaco, bebidas quentes — incluindo chá e café — são algumas das coisas temporais que os Santos dos Últimos Dias que quiserem seguir o verdadeiro sentimento religioso desta Igreja deveriam resistir. Todo jovem por toda Sião, ao sair das águas do batismo, deveria saber que faz parte de seu dever resistir a fumar um cigarro. Todo jovem na Igreja deveria ser ensinado, ao sair das águas do batismo, que deveria resistir ao copo de vinho que é passado nas reuniões sociais. Todo jovem membro desta Igreja deveria saber que o tabaco, em qualquer forma, não deveria ser usado. Deveria resistir a todos esses hábitos, não apenas pela bênção que aqui é prometida por nosso Pai, mas por causa da força que lhe virá para resistir a tentações maiores. ¶
Ora, apenas uma palavra a respeito desta resistência sob circunstâncias que parecem difíceis. Um jovem que recuse seu café ou chá em casa, e que ache isso fácil de fazer, poderia ceder quando estiver fora, em companhia, numa reunião social. Quando todos os demais tomam café, ele poderia não ter força para resistir à tentação. Esse é o momento em que o verdadeiro crescimento da alma deveria ser feito e fomentado. Esse é o momento, na hora da maior tentação, em que a mais forte resistência faz o maior bem. Não é quando se está no círculo familiar, quando a influência do pai e da mãe ajuda a manter essas coisas afastadas. A esse respeito, espera-se que todo pai e toda mãe deem um bom exemplo. Espero que os pais não deem maus exemplos, de modo que os filhos que se entregam à fraqueza possam dizer: "Estou seguindo o vosso exemplo." Tanto quanto possível, que nossos pais e mães se restrinjam nessas coisas. Pais, resisti a esse apetite. E daí se o amais? Quanto mais o amais, maior deveria ser vossa resistência, e maior será o vosso desenvolvimento espiritual. Não é mérito para nós resistir à bebida, se não a amamos. O homem que mais cresce ao resistir é o homem que resiste àquilo que ama, que dirá, na força do Evangelho: "Vou parar com isso, vou resistir a isso." ¶
"É fácil bastante ser agradável, Quando a vida flui como uma canção, Mas o homem que vale a pena É o homem que sorrirá, Quando tudo der errado. ¶
"É fácil bastante ser prudente, Quando nada te tenta a te desviares; Quando por dentro e por fora, Nenhuma voz de pecado Está atraindo tua alma para longe. ¶
"Mas é apenas uma virtude negativa Até que seja provada pelo fogo, E a alma que é digna Da honra da terra, É a alma que resiste ao desejo." ¶
Que Deus conceda que, ao buscarmos o maior estabelecimento do Reino de Deus, possamos instruir nossos jovens, e os membros da Igreja em toda parte, a resistir às tentações que enfraquecem o corpo, que destroem a alma, para que possamos permanecer verdadeiramente arrependidos como estávamos quando entramos nas águas do batismo, para que possamos ser renovados no verdadeiro sentido da palavra, para que possamos nascer de novo, para que nossas almas possam banhar-se na luz do Espírito Santo, e prosseguir como verdadeiros membros da Igreja de Cristo, até que nossa missão na terra esteja completa, e Deus nos receba e nos recompense segundo nossos méritos. Que este seja nosso destino, peço em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶
A irmã Edith Grant cantou o solo de soprano, "Não temas, ó Israel." ¶