Relatório sobre a Missão Mexicana
Anthony W. Ivins
(Presidente da Missão Mexicana.) Desejo, meus irmãos e irmãs, expressar a gratidão que sinto por nosso Pai celestial, por me ser permitido, em vossa companhia, estar aqui nesta conferência geral da Igreja, por nos ser permitido reunir-nos e adorar o Senhor sem perturbação, pois, por estranho que pareça, esta bênção, este privilégio, nem sempre foi concedido aos Santos de Deus. Por que as pessoas deveriam se opor a que homens e mulheres se reúnam e adorem seu Criador conforme sua consciência lhes dita, parece estranho, mas é, no entanto, um fato que, na história do mundo, o culto religioso tem sido interferido e o direito de consciência tem sido interrompido a um grau que nenhum outro privilégio da raça humana foi; e assim digo, quando nos é permitido assim nos reunirmos para adorar o Senhor, para reconhecer Sua bondade e misericórdia para conosco, sem perturbação, sinto-me extremamente grato, como creio que todos vós também sentis, e desejo fazer este reconhecimento a nosso Pai celestial nesta manhã. ¶
Sou grato por ter a oportunidade de dizer apenas algumas palavras em favor de vossos irmãos e irmãs que estão no México, um povo isolado do corpo da Igreja, cercado por influências diferentes das que existem em qualquer outra estaca organizada da igreja. Na verdade, não há outro país latino no mundo onde exista uma estaca de Sião organizada; e deveríamos apreciar as condições que existem onde prevalecem raças e costumes latinos; são tão diferentes dos costumes que existem em comunidades anglo-saxônicas que é preciso se familiarizar com eles para apreciá-los plenamente. O México é um país muito peculiar, compreendendo condições muito distintas, peculiares e contraditórias. O próprio país é de extremo contraste. Abundam planícies vastas e improdutivas, que, ao serem vistas, alguém pensaria serem absolutamente sem valor, e, contudo, quando o país é percorrido e examinado, encontramos que está entremeado e pontilhado de vales tão produtivos quanto quaisquer outros no mundo. Grandes cadeias de montanhas sem árvores, aparentando não ter nenhum produto valioso, quando examinadas mais de perto, mostram conter em seus recessos florestas belíssimas e produtivas; e algumas das montanhas estão cobertas de neve perpétua, em cujas bases se cultivam laranjas, limões e bananas. É um país de seca extremamente angustiante, seguida de chuvas prolíficas, e assim o país, de norte a sul, é de condições extremas e desconcertantes. Não é muito estranho que um povo que viveu num país deste tipo por centenas de anos se torne, de certo modo, semelhante a ele; o meio ambiente teve seu efeito e eles se tornaram como ele é. Suponho que não haja lugar no mundo onde se encontrem maiores extremos entre a população, onde vive um povo mais heterogêneo do que se encontra no México. E, contudo, tomado como um todo, parece harmonioso, e, quando considerado em conjunto, parece razoavelmente homogêneo. ¶
O México tem grande interesse para os Santos dos Últimos Dias pelo fato de ser a terra do lamanita, a terra do nefita. Há ali milhões daquele povo, os descendentes de pele escura do pai Leí. O centro da civilização no continente norte-americano à época de sua descoberta estava no Vale do México; e ali se encontram hoje, sobre as ruas pavimentadas de sua cidade principal, cercadas por riqueza igual talvez à de qualquer outra cidade do mesmo tamanho no mundo, mulheres astecas caminhando pelas calçadas, vestidas exatamente como estavam há quatrocentos anos, quando Cortez marchou para a cidade à frente de seu exército vitorioso. E ali, à vista das torres daqueles templos e edifícios magníficos que foram erguidos pela igreja católica, podem-se ver os humildes casebres dos índios, espalhados pelas encostas das montanhas; e vivem na mesma simplicidade, falando a mesma língua, usando as mesmas vestes, seguindo as mesmas ocupações que seguiam nos dias de seus antepassados. ¶
Estamos realizando algum trabalho missionário entre esse povo, e é interessante para os Santos dos Últimos Dias em geral saber que muitos deles estão recebendo o Evangelho. São uma raça vigorosa, mental e fisicamente, plenamente capazes, tanto física quanto intelectualmente, de compreender o Evangelho e cumprir sua parte na edificação da Igreja, em conjunto com os conversos feitos em outros países. Se lermos as palavras do Senhor tal como contidas no Livro de Mórmon — e o México é essencialmente um país do Livro de Mórmon — encontramos que deve vir um tempo, antes da consumação dos propósitos do Senhor, antes da redenção da estaca central de Sião, antes de completar a obra que tão ansiosamente aguardamos ali em Independence, Missouri, em que a obra de conversão deve começar entre os lamanitas. Jesus disse a Seus discípulos, quando ministrou entre eles neste continente, que lhes daria um sinal pelo qual pudessem saber quando as coisas que Ele então predizia estivessem prestes a se cumprir, e Ele disse: quando estas palavras que agora vos falo, e que escrevereis, forem trazidas à luz em tempos posteriores, e quando forem levadas a um remanescente de vossa semente, que degenerará na incredulidade, e vossa semente começar a chegar a um conhecimento dessas coisas, e souber que seus pais vieram de Jerusalém, e que são da casa de Israel, então podereis saber que as promessas que fiz a respeito da redenção de meu povo, ó casa de Israel, estão prestes a se cumprir. ¶
Ora, meus irmãos e irmãs, temos uma dúzia de élderes trabalhando ali entre aquele povo, e estão fazendo conversos todos os dias. Assim, vemos que o Evangelho foi introduzido entre eles, que estão chegando a um conhecimento da verdade, que voltam a saber que seus pais vieram de Jerusalém, que começam a perceber que se aproxima o dia de sua redenção, e assim vemos neles o cumprimento da Escritura. Como povo, somos cumpridores da Escritura. Se há algo, seja o que for, na obra do Senhor, é aqui para o propósito de consumar Seus desígnios, em cumprimento das palavras dos profetas, preparando para a redenção do povo do convênio do Senhor nesta dispensação da plenitude dos tempos. Ora, se lerdes a Doutrina e Convênios, encontrareis que ela também justifica o que disse. O Senhor revelou por meio do Profeta Joseph que este povo a quem me refiro se tornaria um fator muito ativo na redenção da estaca central de Sião, e na construção de um grande templo ali, nesta dispensação, nesta geração. Tomando tudo em conjunto, sentimo-nos muito encorajados com as perspectivas, do ponto de vista missionário, no México. Se não fosse esse fato, se não fosse a fé que temos de que o Senhor deseja que estejamos no México para a realização de Seus propósitos, não estaríamos ali, pois não há nada muito desejável naquele país nem naquele povo. As condições ali são tão contrárias àquelas condições às quais estamos acostumados que não nos seriam desejáveis. Se não fosse a convicção que temos de que o Senhor deseja que o Evangelho seja estabelecido e mantido entre aquele povo, não nos sentiríamos contentes em estar ali. Há cerca de 4.000 Santos dos Últimos Dias ali, sem incluir os membros da Igreja que vivem nas proximidades da cidade do México, e que somam quinhentos ou seiscentos. Nosso povo está fazendo o melhor que pode para se sustentar, sustentar suas famílias e educar devidamente seus filhos. Não recebemos ajuda alguma do governo, nem um único dólar jamais foi gasto com fins públicos na parte do México onde vivemos, desde que ali estamos. Mantemos nossas próprias escolas, construímos nossas próprias estradas, construímos nossas próprias pontes, pagamos nossos próprios oficiais civis; de fato, arcamos com todos os encargos do governo, e recebemos em troca a proteção da lei. Nosso relacionamento com o governo mexicano é, de fato, muito amistoso. Não temos dificuldade alguma com eles, não participamos em grau algum de sua política. Deixamos a política inteiramente de lado, cuidando de nossos próprios assuntos; e suponho que poderíamos viver em paz em quase qualquer país sob circunstâncias semelhantes. Pagamos nossos impostos, arcamos com nossas próprias despesas, e nos é permitido viver em paz. Isso praticamente explica tudo. Não é sem esforço, tampouco, que fazemos isso, porque somos o povo mais pobre na Igreja, tomado como um todo, e, contudo, esse povo pobre sustenta uma excelente escola em cada ala da estaca; e mantemos uma academia de estaca, que talvez seja igual a quase qualquer outra que exista na Igreja, uma administração esplêndida, uma escola esplêndida. Para realizar tudo isso, às vezes somos obrigados a estabelecer um imposto de renda voluntário sobre o povo, chegando a cinco ou seis por cento de sua renda. Mas é pago de bom grado, e as escolas são mantidas. Reconhecemos o fato de que, isolados como estamos, se esperamos manter contato com nossos irmãos e irmãs em localidades mais favorecidas da Igreja, devemos educar nossos filhos, e estamos nos esforçando ao máximo para fazê-lo. Quero dizer-vos, meus irmãos e irmãs, vós que talvez estejais mais aptos a prover amplamente a educação, entre os quais isso é possível, não permitais que vossos preconceitos, não permitais que o argumento de que a educação está sendo exagerada, vos persuadam a desistir do esforço persistente de educar devidamente os filhos dos Santos dos Últimos Dias. Digo-vos que nunca fomos um povo excessivamente educado. Não chegará o tempo em que possamos ocupar devidamente o lugar que o Senhor deseja que ocupemos entre os povos da terra até que se dê maior atenção à educação. ¶
Temos sido, preeminentemente, um povo agrícola. Não quero depreciar a agricultura. Não quero negar o fato de que, do ponto de vista agrícola, nossas instituições educacionais podem ser muito grandemente melhoradas, e estamos sempre tentando melhorá-las em nosso país; mas quero chamar vossa atenção para o outro fato de que nenhum povo preeminentemente agrícola jamais ocupou o primeiro lugar entre as nações da terra. São os povos que sabem fazer, que sabem fabricar, que sabem tomar os elementos da terra e transformá-los em coisas úteis para homens e mulheres, que têm sido as nações civilizadas da terra. O Egito teve a primeira civilização do mundo, e o povo do Egito era preeminentemente agrícola. Mas a cidade manufatureira de Tiro e a pequena cidade de Sidom, cujos habitantes derrubavam os cedros de suas montanhas e os transformavam em navios, que sabiam o suficiente para tomar o minério da terra e convertê-lo em ferro e unir navios, que eram capazes de transformá-lo em coisas que o povo desejava, esses foram os povos que se lançaram à frente. Não há país no mundo onde a agricultura seja mais apreciada do que na Inglaterra. Não há país no mundo cuja influência para o bem, para a melhoria e civilização dos habitantes da terra, tenha sido sentida tão fortemente quanto a do povo inglês; digo-o sem temer contradição bem-sucedida. Mas nunca foi sua agricultura que tornou possível que sua influência civilizadora chegasse a todo o mundo. A Inglaterra é o maior país manufatureiro da terra. Foi porque tinha minas e sabia trabalhá-las, e tinha fábricas e sabia conduzi-las e operá-las; sei disso. Tenho sentido a impressão de que os Santos dos Últimos Dias negligenciaram algumas de suas oportunidades, e o resultado é que o emprego mais remunerador vai para outros. O que sabemos sobre engenharia? O que sabemos sobre eletricidade? O que sabemos sobre manufatura? Como comunidade, fazemos muito pouco de fato nessas áreas, e o resultado é que as vantagens têm sido largamente conquistadas por outros, e somos, em certa medida, carregadores de fardos que outros deveriam compartilhar conosco. ¶
Creio que essas grandes forças vieram ao mundo para ficar. Não creio que, quando vier a redenção de Sião, e quando a verdade triunfar, todas as grandes descobertas que contribuem para a melhoria da humanidade sejam relegadas ao segundo plano, nem um pouco. A eletricidade veio para ficar, o poder do vapor veio para ficar. O poder de controlar essas coisas deve ser adquirido pelo povo que deseje estar em primeiro plano. Devemos progredir. Tomai Nelson ou Paul Jones e colocai-os num navio de guerra moderno, e o que fariam? Estariam tão desamparados quanto crianças, porque as condições mudaram, e as condições estão continuamente mudando, e temos de tirar proveito das condições para fazer nosso caminho no mundo. ¶
Cuidemos para que nossos filhos e filhas sejam homens e mulheres educados, e que se comparem favoravelmente com os homens e mulheres educados que saem de outras comunidades. E isso não precisa diminuir nossa fé. Um homem me disse outro dia: "Quando insistis nessas coisas materiais, destruís a fé dos Santos dos Últimos Dias." Em outras palavras, o argumento é feito de que não se pode educar o povo e ainda assim fazer com que retenha sua fé no Evangelho. Isso é absurdo. O Evangelho de Jesus Cristo compreende toda verdade que há no mundo, educacionalmente, moralmente, fisiologicamente, tudo o que podemos alcançar. O Profeta Joseph nos estabeleceu a máxima de que tudo o que era bom, tudo o que era excelente, tudo o que contribuía para a melhoria da humanidade, nos pertencia, e era nosso dever adquiri-lo. ¶
Que Deus nos abençoe, meus irmãos e irmãs, e nos mantenha na fé. Regozijo-me no Evangelho, e presto testemunho de sua verdade. Desejo que nos sustenteis, a vossos irmãos e irmãs ali no México, com vossa fé e orações, para que todos nos unamos pela edificação do reino de Deus e pela consumação de Seus propósitos. Que as bênçãos do Senhor repousem sobre todos nós, é minha oração em nome de Jesus Cristo. Amém. ¶