Relatório sobre a Estaca Ensign e a Integridade do Sacerdócio
Richard W. Young
Meus irmãos e irmãs, oro sinceramente para que o espírito que até agora caracterizou esta reunião, bem como as demais reuniões desta gloriosa conferência, esteja comigo durante os poucos minutos em que me dirigirei a vós. ¶
Muito se disse durante as sessões desta conferência a respeito da crença dos Santos dos Últimos Dias naquilo que se tem chamado a "lei perfeita da liberdade." Vários dos Apóstolos referiram-se a nossa crença neste princípio. Aqueles de nós que tivemos o privilégio de ouvir o Apóstolo Whitney esta manhã escutamos um discurso repleto de exemplos e citações das Escrituras, tanto as Escrituras antigas quanto as que se originaram neste dia, mostrando que os Santos dos Últimos Dias, embora reivindicando o direito de adorar a Deus como bem entenderem, concedem a todos os outros homens o mesmo privilégio, e igual direito. Também ouvimos que a caridade e a longanimidade são características do Evangelho. ¶
Com referência à lei da liberdade, o Apóstolo Whitney assinalou que, no princípio mesmo, isto é, nos Conselhos do Céu, que consideraram a formação deste mundo e o plano de salvação que aqui se estabeleceu, foram feitas duas propostas: uma advogava obrigar as pessoas a serem salvas, tirando-lhes o livre-arbítrio — plano esse que foi rejeitado. A segunda, ou proposta alternativa, e que prevaleceu, como aprendemos pelas revelações que Deus deu neste dia, envolvia o livre-arbítrio absoluto de todo filho e filha de Deus que viesse a nascer sobre a terra. Essa crença, ouso dizer, é a própria pedra angular do Evangelho que recebemos. Sabemos também que se tem ensinado, neste dia, que, quando Cristo vier, e o milênio for estabelecido, todos os homens terão ainda então o direito de adorar como acharem conveniente. ¶
Cristo ensinou que devemos ser caridosos e não nos deixarmos influenciar por um espírito de perseguição. Somos lembrados de que nosso Salvador, nas dores da agonia final, orou a Deus para que Seus inimigos fossem perdoados, alegando que não sabiam o que faziam. Ora, estes, em muito breve resumo, são algumas doutrinas da Igreja a respeito de assuntos muito importantes. ¶
Cremos em estender a todos os povos os direitos de consciência na mais ampla medida. Cremos que a Declaração de Independência foi inspirada por Deus, ao declarar que todos os homens têm o direito de estabelecer seus próprios governos segundo as linhas que julgarem convenientes. Estas são igualmente doutrinas da Igreja. É interessante examinar por um momento qual tem sido a prática e a história da Igreja com referência a estas proposições vitais. ¶
Temos sido, é verdade, sofredores durante todos os dias de nossa vida, vítimas de calúnia e perseguição. Não preciso apontar a esta congregação, pois estais familiarizados com o fato, que, já na própria origem da obra, o Profeta Joseph Smith foi desencorajado, caluniado e emboscado; e que, logo depois de a Igreja ser organizada, turbas procuraram impedir que o povo fosse batizado. Não preciso lembrar-vos que, logo depois de a Igreja ser estabelecida em Kirtland, Ohio, alguns de nossos Élderes foram cobertos de piche e penas, e que o sentimento público era fortemente contrário ao povo. Também estais familiarizados com o fato de que, quando nosso povo foi para o Condado de Jackson, Missouri, sob acusações infundadas, foram expulsos, e obrigados a sacrificar seus bens, tanto imóveis quanto pessoais. Posso dizer aqui que, talvez, a principal acusação feita contra nosso povo naquela época fosse a de que eram abolicionistas, que não criam na escravidão forçada da raça negra; e foi em grande parte com base nisso que nosso povo foi obrigado a sofrer. Quando se mudaram para os condados de Clay, Daviess, Caldwell e outros no Missouri, houve uma agitação a respeito de terras. Seus novos vizinhos, encorajados pelo exemplo de seus irmãos lá no Condado de Jackson, uniram-se em seu egoísmo e exigiram que nosso povo partisse, e sacrificasse novamente seus bens imóveis e pessoais. E vos lembrareis de que as mesmas acusações de antes foram feitas contra eles. Recordareis que um governador, de memória infame, emitiu uma ordem que está registrada nos arquivos da história daquele estado, de que os "mórmons" deveriam de imediato deixar o estado ou ser exterminados, e isso sem qualquer ofensa de sua parte contra Deus ou contra o homem. Quando nosso povo foi para o Estado de Illinois, foram a princípio recebidos de braços abertos, mas, devido ao fato de estarem unidos — faço esta afirmação com base na autoridade de uma declaração do Governador Ford, em sua história do Estado de Illinois, atribuindo as dificuldades da Igreja mórmon naquele estado, bem como em outros estados, à sua unidade. Devido ao fato de que, contrariamente ao costume das várias igrejas da época, nosso povo estava unido em vários outros aspectos, nos quais tinha todo o direito de se unir, foram novamente expulsos de seus lares e obrigados a sacrificar seus bens. Fizeram-se acusações contra nosso povo de que eram ladrões, que eram falsificadores de moeda, juntamente com outras acusações de caráter igualmente falso. ¶
Foi meu prazer, há alguns meses, ter uma conversa com o Sr. Cooper, de Dubuque, Iowa, um dos fabricantes das famosas carroças Cooper, no qual ele declarou que, no exato dia em que os Profetas Joseph e Hyrum foram martirizados, ele, sendo então tripulante de convés num vapor do Mississippi, ao chegar ao cais de Nauvoo com seus companheiros, temeram por suas vidas, por causa do que havia acontecido e dos rumores que corriam. Falamos daqueles dias de Nauvoo, e descobri que ele era muito versado nas condições do Rio Mississippi naquele tempo, como tem sido desde então, e seu testemunho para mim foi de que aquelas acusações contra a moralidade e a retidão do povo mórmon eram totalmente falsas, que, de fato, o povo foi expulso daquele estado por causa de intolerância religiosa. De modo semelhante, depois de virem para cá, fizeram-se acusações mentirosas, resultando na formulação de leis repressivas contra nós. Em certa ocasião, fomos praticamente privados do direito de julgamento por júri. O Congresso, levado por difamações falsamente feitas contra nosso caráter, estimulado por declarações maliciosas vindas daqui, promulgou uma lei segundo a qual o escrivão distrital e o juiz de sucessões teriam a seleção de todos os jurados, em violação do direito de julgamento por júri, tal como é conhecido entre a raça anglo-saxônica, nas condições então existentes aqui. Veio contra nós um exército, enviado em consequência de declarações mentirosas feitas por um empreiteiro do correio que tinha interesses pessoais a defender; absolutamente sem qualquer justificativa para tal ação por parte do governo. E assim, por toda a extensão e amplitude de nossa história, temos sido objeto de calúnia amarga, deturpação, abuso vil, e perseguição em larga medida. ¶
E teríamos retribuído com o mesmo tipo de tratamento? Peço a qualquer um que aponte alguma lei aprovada na história legislativa deste povo e deste estado em que tenhamos retribuído injustiça por injustiça, ou perseguição por perseguição. Já nos primeiros dias da história deste Território, quando nosso povo estava em maioria, quando havia muito poucos não "mórmons", quando, de fato, fazíamos todas as leis, e todo o sentimento público estava a nosso favor, não se aprovou, e não se encontra nos estatutos do Território de Utah, uma única lei que de qualquer forma discriminasse os que não eram de nossa fé em favor de nossos correligionários. Nunca houve intolerância alguma para com os que não eram de nossa fé ou crença. No que diz respeito à religião, foram até mesmo encorajados; foram, ao menos, tratados com perfeita tolerância; e suas escolas não foram molestadas. É possível que, ocasionalmente, as janelas de suas igrejas tenham sido quebradas por moleques travessos, mas duvido que isso tenha acontecido com mais frequência do que com as casas de reunião de nosso próprio povo. Fora tais trivialidades como esta, os não "mórmons" foram tratados com verdadeiro espírito de caridade. No que diz respeito aos direitos políticos, considerai aqueles que, em dias antigos, fizeram ataques ferozes contra nós, com vitupério e determinação, alguns deles sem escrúpulos — desde que a divisão segundo as linhas partidárias foi feita, qual tem sido o tratamento dado a esses homens? Foram-lhes dados muitos dos principais cargos políticos ao alcance do povo "mórmon". Assim retribuímos o bem pelo mal; e desejo dizer que, em toda a linha de nossas ministrações, política, moral e de todo outro modo, temos concedido àqueles que não são de nossa fé um tratamento justo e correto. Cremos, então, meus irmãos e irmãs, na lei perfeita da liberdade, e nossas vidas o comprovam. ¶
Reivindicamos para nós mesmos o direito de adorar a Deus como acharmos conveniente, tal como garantido pela Constituição. Este sentimento é uma característica fundamental do mormonismo; e é para nossa honra e crédito que sempre estivemos dispostos a estender este privilégio a outros, e a defender seu direito a ele, embora muitas vezes tenhamos sido feitos objeto de intolerância e vitupério. ¶
Deus conceda que possamos permanecer fiéis à verdade, fiéis aos gloriosos princípios que abraçamos. Não contemplamos ceder ou renunciar à nossa crença religiosa, pois, graças a Deus, há espaço, sob a ampla proteção da Bandeira Americana, para adorar como acharmos conveniente, e devemos estar, e estamos, inspirados por uma disposição de conceder a todos os demais o privilégio, dado por Deus, de adorar como acharem conveniente. Deus nos abençoe. Amém. ¶