Pulpit

Motivos para Ação de Graças e a Condição Geral da Igreja

Joseph F. Smith

Conferência Geral de Outubro de 1905·Sessão da Manhã do Primeiro Dia·1905-10-06

(Discurso de Abertura.) Motivos para dar graças a Deus. — Condição geral da Igreja altamente satisfatória. — Admoestação urgentemente repetida: "Livrai-vos das dívidas." — Muitos mais missionários são necessários. — "Sião está crescendo;" mais e maiores edifícios são necessários para as escolas da Igreja, etc. — As contas de dízimo podem ser vistas pelos dizimistas. — Satanás e seus agentes não podem deter o progresso da obra de Deus.

Desejo dizer: sejam bem-vindos todos os Santos dos Últimos Dias, e nossos amigos e os estranhos dentro de nossos portões, na abertura desta septuagésima sexta conferência semestral da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Tenho o prazer de estar convosco, e sou extremamente grato ao Senhor por Suas bondosas misericórdias e cuidado preservador estendidos a todos nós durante os últimos seis meses, em que fomos abençoados com vida, saúde e prosperidade, e fomos preservados para assistir a esta conferência no desfrute de tantos preciosos dons e bênçãos. Penso que podemos, com propriedade, felicitar-nos pela grande bondade manifestada para conosco por Aquele de quem vêm todas as bênçãos, ao nos preservar na verdade, ao pôr em nosso coração e continuar em nós aquele fervoroso desejo que todos devemos sentir pela edificação de Sião, pela difusão da verdade, pela realização dos propósitos do Senhor, e pelo estabelecimento da retidão no coração de nossos filhos, de nossos associados e do povo do mundo; e também aquele fervoroso desejo que todos deveríamos sentir por aqueles que estão desencaminhados e assentados nas trevas e não conhecem a verdade, para que possamos nos tornar instrumentos nas mãos do Senhor para estender a todos esses, tanto quanto possível, um conhecimento do Evangelho que abraçamos, para que também eles possam ver a luz, se assim escolherem; e, se não escolherem a luz, mas preferirem permanecer nas trevas, que fiquem sem desculpa. Sou grato todos os dias de minha vida por esse desejo em meu coração, e temeria que o Senhor estivesse retirando Seu Espírito de mim se eu não sentisse esse sentimento, e não tivesse um fervoroso desejo em minha alma pelo bem, e não pelo mal. Sou grato ao Senhor por Ele me dar o desejo de fazer o bem, e não o mal; por Ele conduzir meus pensamentos pelos canais da honra, da virtude, da retidão e da integridade a esses princípios que abracei. E creio que todos os Santos dos Últimos Dias possuem esse espírito e sentimento em seu coração, e que têm razão de ser gratos ao Senhor todos os dias de sua vida, porque suas ambições, suas esperanças e seus desejos são pelo bem, e não pelo mal. Os Santos dos Últimos Dias possuem o espírito de salvação, e não o espírito de destruição; o espírito de vida, não o espírito de morte; o espírito de paz, não o de desunião; o espírito de amor por seus semelhantes, não o espírito de ódio. E pelo desfrute desse espírito pelos santos do Altíssimo, todos temos grande motivo para render louvor e ação de graças Àquele que assim o ordenou, e que nos deu a humildade para receber aquela medida de Seu Espírito que inclina nosso coração ao bem, e não ao mal.

Desde nossa última conferência geral, as autoridades gerais da Igreja, creio eu, têm cumprido seu dever ao máximo de sua capacidade, de acordo com sua força e com os dons de Deus que possuem. Têm sido diligentes. Nenhum deles deixou de responder a qualquer chamado que lhe foi feito. Os Apóstolos e os Setentas têm sido fiéis em atender às várias conferências trimestrais da Igreja; e, por todos os relatos que ouvimos de seus trabalhos, entendemos que o povo não apenas ficou satisfeito com seus ministérios, mas os Apóstolos e Setentas, e os Élderes que os acompanharam, relataram, de maneira muito satisfatória, sobre a condição geral dos Santos dos Últimos Dias onde estiveram.

Os relatórios que recebemos das várias missões são muitíssimo animadores, com esta única exceção: a demanda dos campos missionários por Élderes para pregar o Evangelho ao mundo parece maior do que podemos suprir. A messe é, em verdade, grande, mas os trabalhadores são poucos. Parece impossível para nós atender às exigências que nos são feitas quanto a missionários. Nesse sentido, talvez seja apropriado dizer que, em alguns casos — longe demais de poucos —, aqueles convidados a ir em missões responderam que, embora se sentissem honrados com o chamado, lamentavam dizer que suas circunstâncias eram tais que não viam como pudessem ir, pois estavam endividados. Haviam assumido responsabilidades pecuniárias que não podiam cumprir naquele momento, e eram obrigados a pedir mais tempo para liquidar suas dívidas e se prepararem para sair pelo mundo pregar o Evangelho.

Por três anos e mais, meu texto, e o texto de meus irmãos, aos Santos dos Últimos Dias e a nós mesmos, tem sido: pagai vossas dívidas; livrai-vos das dívidas, e então permanecei livres delas, vivendo economicamente, sendo prudentes com os meios, poupando e reunindo nossos recursos, preparando-nos assim para atender nossas necessidades com meios prontos, em vez de nos inclinarmos a ir às lojas, às oficinas de implementos, e aos vários estabelecimentos, para comprar mercadorias a crédito — mercadorias das quais talvez pudéssemos passar sem elas, pelo menos até podermos pagá-las e obter o preço à vista. Chegaram-nos relatórios de várias partes da Igreja de que muitos de nosso povo ainda estão sendo enganados por agentes viajantes, e persuadidos a assumir obrigações por carroças, por implementos agrícolas, por máquinas de costura, por fogões e aquecedores, e por quase todo tipo imaginável de coisa, dando por isso notas inflexíveis, aos preços mais altos, com acordos que os obrigam a devolver os bens sempre que deixem de pagar os juros e o principal conforme especificado, sob os quais correm o risco de ter os bens tomados deles e perder tudo o que pagaram por eles. Muitos de nosso povo são imprudentes o bastante para lidar com homens dessa maneira. Se apenas poupassem seus meios, e vivessem de tal modo que tivessem meios à mão em vez de estarem obrigados a outros, seria muito melhor para eles, e haveria menos desculpas da parte de Élderes convidados a aceitar missões, em consequência de estarem endividados. Além disso, custaria menos para viverem. Não nos incomodamos quando um jovem não pode aceitar uma missão porque está construindo um lar para sua esposa e está sob contrato por isso. Está tudo bem. Nós o desculparemos, ele tem liberdade de permanecer até concluir o trabalho em seu lar, e, quando estiver pronto, poderá se apresentar como preparado para aceitar sua missão. Ora, repito ao povo presente nesta conferência: minha admoestação, e a admoestação de meus irmãos da Presidência e dos Doze, é: livrai-vos das dívidas; pagai vossas obrigações honestas, libertai-vos para que estejais livres para desempenhar qualquer dever que desejeis ou que vos seja pedido para a edificação de Sião e a difusão da verdade. Não nos importa o que o mundo diga a respeito de nossa pregação do Evangelho, nem a respeito da necessidade de se pedir aos jovens que saiam pelo mundo pregar o Evangelho. Em novecentos e noventa e nove casos em mil, os jovens convidados a aceitar missões às nações da terra respondem alegremente e de bom grado, e se regozijam por serem considerados dignos de sair levando a mensagem de vida e salvação a seus semelhantes. É um privilégio, é uma honra para eles serem considerados dignos de portar o nome de Deus e a mensagem de vida e salvação ao mundo, e nenhuma quantidade de ridículo, nenhuma quantidade de falsas acusações e imputações maliciosas jamais mudará seus pensamentos e sentimentos com relação a esta obra. Sabem o que estão fazendo. E não se usa coerção alguma em assuntos deste tipo. É tudo por livre vontade, toda graça livre. Nunca houve um homem obrigado a ir numa missão ao mundo, ou enviado numa missão, que tivesse alguma objeção a ir, ou que se recusasse a ir. Aqueles que saíram para pregar o Evangelho o fizeram de boa vontade, alegremente, com prazer, porque sentiram que era para seu próprio proveito e uma grande honra.

Então repito: a única dificuldade que temos de enfrentar agora, com relação à pregação do Evangelho nas várias missões da terra, é que não conseguimos fornecer o número e o tipo de ajuda necessários. Gostaríamos que os jovens se preparassem, financeira e intelectualmente, e, acima de tudo, espiritualmente, tendo o testemunho do Evangelho em seu coração, para que, quando forem chamados a ir em missões, estejam prontos para ir, de modo que possamos estar em posição de suprir os Élderes necessários para pregar o Evangelho ao mundo.

Uma grande quantidade de meios tem sido despendida na construção de capelas nas várias alas e estacas de Sião, e o Fiduciário tem sido chamado a fornecer grandes somas de dinheiro para ajudar; e também, em muitos casos, para ajudar o povo na criação de escolas e casas de diversão da igreja. Gostaríamos que todo o mundo soubesse que a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias não visa apenas a proporcionar casas de adoração para seus membros, mas visa também a proporcionar casas de instrução e casas de diversão, para que o povo da Igreja, jovens e velhos, tenha lugares onde possa se reunir para dançar, para concertos, para festivais musicais, e para banquetes intelectuais, para que tenham espaço para o desfrute de todo desejo de seu coração em retidão. Direi a vós que a Igreja tem sido tão liberal nesses assuntos quanto lhe foi possível, tendo em vista as obrigações que ainda recaem sobre o Fiduciário. Nossas escolas da Igreja estão aumentando, e a demanda por meios para mantê-las funcionando aumenta continuamente, assim como também para o propósito de construir edifícios adicionais para acomodar as crianças. Quando vos dizemos que quase toda escola da Igreja em toda a terra está cheia até transbordar, talvez possais perceber o crescimento do povo de Deus e o progresso e avanço de nossas instituições educacionais. Mal se conclui um edifício, e já se descobre que é pequeno demais, e que mais espaço é necessário. De tempos em tempos, portanto, temos de ajudar a ampliar e a providenciar acomodação para nossas crianças. Penso que os Santos dos Últimos Dias serão capazes de perceber, neste fato, uma gloriosa verdade. Sião está crescendo, e cresce o interesse no coração do povo pela educação e formação adequadas, a fim de que nossos filhos possam ir a escolas onde a Bíblia não seja excluída, onde o Livro de Mórmon e o Livro de Doutrina e Convênios sejam admitidos, e onde a verdadeira religião possa ser ensinada assim como as letras, as ciências e as artes. O Fiduciário também tem ajudado em grande medida na obtenção de casas de missão na Escandinávia, na Grã-Bretanha, nas ilhas do mar, e em nossa própria terra da América. Estamos agora ajudando a construir um lugar de adoração e uma casa de moradia em Papeete, no Taiti. Fizemos o mesmo em Samoa. Também se prestou assistência à missão da Nova Zelândia, para propósito semelhante, e à Austrália também. Nessas missões insulares, estamos estendendo ajuda a nosso povo para lhes dar melhor posição e influência mais ampla, para que possam ganhar o respeito que merecem; pois, em regra, o povo daquelas ilhas é muito pobre.

Desde nossa última conferência, a missão escandinava foi dividida em duas, para a conveniência do povo. A Suécia foi organizada como missão própria, com sede em Estocolmo; e a missão escandinava agora consiste na Dinamarca e na Noruega.

Lançando o pensamento sobre todo o campo, não podemos chegar a outra conclusão senão a de que a obra do Senhor está viva, saudável e vigorosa, em toda terra onde o Evangelho do Filho de Deus é pregado pelos Élderes da Igreja. Está se espalhando pelo mundo, e o poder e a influência do povo estão crescendo para o bem. Os estranhos que nos visitam veem o contraste entre as representações falsas e caluniosas que se espalham pelo mundo a respeito dos Santos dos Últimos Dias e as condições reais existentes aqui, e vão embora agradavelmente desapontados, encantados com o que veem e ouvem, e convencidos de que nenhum povo, talvez, sobre a terra, é tão caluniado quanto os Santos dos Últimos Dias. Às vezes sinto que posso ver a mão da Providência na obra que se realiza no mundo; pois certamente basta um olho meio aberto para descobrir a fraude e a deturpação, as calúnias e as mentiras que se espalham por todo o mundo a respeito dos Santos dos Últimos Dias. Se as pessoas apenas viessem e vissem por si mesmas, se apenas se dessem ao trabalho de se informar da verdade, e comparassem as condições aqui com os falsos relatos que se espalham, o próprio contraste tornaria a verdade mais evidente à sua mente.

O Irmão Horace S. Ensign, que presidiu por vários anos a missão japonesa, retornou, e a presidência daquela missão foi entregue ao Irmão Alma O. Taylor. Vários jovens foram recentemente enviados àquela missão. Os Élderes que ali estiveram conseguiram aprender a língua, como é o caso em outras missões estrangeiras. Onde quer que os Élderes da Igreja vão, são notáveis por adquirir rápida e completamente a língua do povo a quem são enviados. Em toda parte, o Espírito do Senhor sussurra aos retos de coração que são fiéis, e lhes dá a certeza de que Sua mão está continuamente estendida sobre Seu povo; que, assim como no passado Ele os preservou e os livrou das mãos de seus inimigos, assim também no futuro continuará a preservá-los e a livrá-los, e fará com que a ira dos perversos O louve e realize mais rapidamente Seus propósitos. Temos toda evidência para nos convencer de que a obra do Senhor é uma realidade, uma obra viva, ativa, progressiva na terra. Permiti-me dizer-vos que os Santos dos Últimos Dias, por todo o comprimento e largura da terra, têm observado a lei do dízimo fiel e honestamente, creio eu, tanto quanto já fizeram em sua vida. Tenho o prazer de vos dizer que os dízimos do povo não diminuíram, mas aumentaram, apesar dos desastres que ocorreram em algumas partes da terra. Em algumas partes, tempestades de granizo destruíram parte das colheitas; em outras partes, houve seca em maior ou menor grau, e insetos, que reduziram as colheitas em certo grau; mas isso tem sido apenas em medida limitada; a maior parte dos produtos da terra tem sido abençoada e é abundante, e a maioria do povo colheu safras generosas, pela bênção de Deus sobre seus trabalhos. Tenho o prazer de vos dizer isso.

Quero dizer ainda aos Santos que vossos irmãos, a quem confiastes o cuidado e a administração das finanças da Igreja, estão prontos e dispostos, a qualquer momento, a prestar contas a vós — aos Santos dos Últimos Dias, aos dizimistas, àqueles que estão na fé do Evangelho — de nossa mordomia. Podemos vos dar contas de nossos atos até o último senine; e desafio qualquer homem na terra a apontar o dedo para um dólar que seja deliberadamente desperdiçado, ou roubado pelos servos de Deus. Os livros de dízimo são mantidos com tanta precisão e perfeição quanto quaisquer livros mantidos em qualquer banco. Todo homem que paga um dólar de dízimo recebe seu crédito nos livros; e, se quiser ver que seu crédito está ali, pode ir e ver por si mesmo. Mas não pretendemos abrir nossos livros e mostrar vossas contas a todo Fulano, Beltrano e Sicrano na terra que jamais pagou dízimo algum. Não pretendemos fazer isso, se pudermos evitá-lo. Mas vós, Santos dos Últimos Dias que pagais vossos dízimos e vossas ofertas, se quiserdes ver por vós mesmos, para que possais ser testemunhas oculares e auditivas, os livros estão abertos a vós, e podeis vir e examinar vossas contas em qualquer dia útil que desejardes.

Ora, somos gratos ao Senhor por sermos considerados dignos de que o diabo nos preste atenção. Eu temeria muito por nossa segurança se tivéssemos caído numa condição em que o diabo deixasse de se preocupar conosco. Enquanto o Espírito do Senhor for desfrutado por vós, enquanto viverdes vossa religião e guardardes os mandamentos do Senhor, caminhando retamente diante d'Ele, garanto-vos que o adversário das almas não descansará tranquilo; estará descontente convosco, encontrará defeitos em vós, e vos levará diante de seu tribunal; mas isso não vos fará muito mal, se apenas continuardes a fazer o certo. Não precisais vos preocupar em nada, o Senhor cuidará de vós e vos abençoará. Ele também cuidará de Seus servos, e os abençoará e os ajudará a cumprir Seus propósitos; e todos os poderes das trevas combinados na terra e no inferno não podem impedi-lo. Podem tirar a vida dos homens; podem matar e destruir, se quiserem; mas não podem destruir os propósitos de Deus, nem deter o progresso de Sua obra. Ele estendeu Sua mão para cumprir Seus propósitos, e o braço de carne não pode detê-la. Ele encurtará Sua obra em retidão, e apressará Seus propósitos em Seu próprio tempo. Basta a nós tentar, com todas as nossas forças, acompanhar o progresso avante da obra do Senhor; então Deus nos preservará e nos protegerá, e preparará o caminho diante de nós, para que vivamos e nos multipliquemos e enchamos a terra e façamos sempre Sua vontade; o que Deus conceda é minha oração em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoJoseph F. Smith, “Motivos para Ação de Graças e a Condição Geral da Igreja”, Conferência Geral de Outubro de 1905, Sessão da Manhã do Primeiro Dia (1905-10-06). Pulpit Vault, 1905-10-smith-thanksgiving-and-condition-of-church. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).