O Caráter Variado e Extenso da Obra de Deus
B. H. Roberts
Por necessidade, os assuntos considerados em nossas conferências são variados e numerosos, em consequência de a obra do Senhor ser tão extensa e consistir tanto em coisas temporais quanto espirituais. O Espírito do Senhor move Seus servos a se dirigirem aos vários interesses com que a Igreja se preocupa; e tenho tido o prazer de notar que todos os interesses e todos os departamentos de trabalho da Igreja geralmente recebem aquela palavra oportuna para cada um, antes de a conferência se encerrar. ¶
Muito se disse durante esta conferência a respeito da oposição movida contra a obra de Deus, e, pelas observações feitas, lembrei-me de um ditado corrente na França, no sentido de que, para um homem culpado de crime, há apenas dois caminhos diante dele: um é a confissão, o outro é o suicídio; e acrescentam: "o suicídio é confissão." Assim é com aqueles que se sentem inclinados a atacar esta obra. Podem atacar sua administração, ou podem atacar suas doutrinas fundamentais e procurar refutá-la por completo; e, em qualquer dos casos, a tentativa acabará em fracasso, tão certamente quanto a confissão ou o suicídio terminam num só resultado. Atacar a administração da obra do Senhor, nas nossas circunstâncias presentes, neste ano de graça de 1905, é vão; pois o testemunho de todos os que falaram e o testemunho no coração dos Santos de Deus testificam que nunca houve um tempo na história da igreja em que a liberdade individual fosse mais respeitada do que agora, e em que o necessariamente grande poder administrativo no oficial presidente fosse exercido com mais moderação. De modo que, a meu ver, aqueles que atacam a administração desta obra proclamam sua própria insensatez e apenas exaurem sua própria loucura. Atacar a Igreja em suas doutrinas fundamentais é inútil; pois são invulneráveis, e não podem ser derrubadas pelos esforços dos ímpios em refutar sua verdade. Portanto, se essas pessoas que se interessam por nossos assuntos aceitarem uma palavra de conselho, eu sugeriria, na linguagem de um antigo, que seria melhor deixarem esta obra em paz; pois, se for dos homens, se desfará por si mesma; e, se for de Deus, não poderão fazer nada contra ela, e possivelmente se verão lutando contra Deus. ¶
O Apóstolo Paulo, em sua epístola aos Efésios, disse-lhes que o Senhor lhe havia revelado que, na dispensação da plenitude dos tempos, Deus tornaria a congregar em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra, n'Ele mesmo. Não sei se cito esta escritura com o propósito de fazê-la prenunciar de todo a linha de pensamento que gostaria de seguir; mas creio ser proveitoso lembrar, nestas grandes assembleias da Igreja, que vivemos naquela dispensação da plenitude dos tempos, na qual Deus prometeu tornar a congregar em Cristo todas as coisas, tanto nos céus como na terra. ¶
Aceitando como verdadeira a doutrina de que vivemos e trabalhamos nessa dispensação, e de que ao Profeta Joseph Smith foi concedida a suprema honra de introduzir aquela última dispensação — aquela dispensação que haveria de culminar na redenção da terra e na salvação dos homens; reconhecendo a verdade, como apontado nas observações do Élder Penrose, de que essa instituição do reino não deve ser deixada a outro povo, mas deve crescer e aumentar na terra até encher toda a terra, e os reinos deste mundo se tornarem os reinos de nosso Deus e de Seu Cristo — depois de admitir essas premissas, para qualquer um supor que, depois que aquela gloriosa dispensação deu apenas alguns passos adiante no desdobrar de sua grandeza, ela subitamente parou para esperar que alguém crescesse da infância à idade adulta, é a mais suprema de todas as loucuras. Chamo vossa atenção, por alguns momentos, para as evidências bastante palpáveis que se podem ver e ler, por todos os homens, de que não houve interrupção nesta obra, nenhuma cessação em seu crescimento e desenvolvimento, desde os dias do Profeta Joseph até o tempo presente. E baseio minhas observações nos fatos do caso; na palavra de Deus e Sua promessa a Seu povo, dada num tempo em que a fortuna da Igreja havia afundado ao ponto mais baixo de sua história — refiro-me à promessa dada aos Santos de Deus em 1834, no mês de fevereiro, quando cerca de mil e duzentos deles haviam sido exilados do Condado de Jackson e estavam acampados nas várzeas do Missouri, em circunstâncias das mais desamparadas. Naquela hora sombria, a voz do Senhor veio a Seu Profeta e proferiu estas palavras: ¶
"Mas em verdade vos digo que decretei um decreto que meu povo executará se atender, de agora em diante, aos conselhos que eu, o Senhor seu Deus, lhe darei. ¶
"Eis que, porque o decretei, eles começarão a prevalecer contra meus inimigos a partir deste exato momento. E tendo o cuidado de cumprir todas as palavras que eu, o Senhor seu Deus, lhes disser, jamais deixarão de prevalecer, até que os reinos do mundo sejam subjugados sob meus pés e a Terra seja dada aos santos a fim de que a possuam para todo o sempre." ¶
Essa foi a promessa do Senhor dada aos santos; e digo que os repetidos triunfos da Igreja sobre seus inimigos, não obstante as provações pelas quais a Igreja tem passado, as condições que prevalecem nestas 55 estacas de Sião representadas nesta conferência, são a prova positiva de que Deus confirmou Sua promessa, pelo menos no que se refere ao aumento do número de Santos e à multiplicação das estacas de Sião; e o número e a condição dos Santos nessas estacas são evidência de que, em grande parte pelo menos, viveram em harmonia com as condições mencionadas na revelação sobre a qual haveriam de ter êxito sobre os inimigos de Deus. É verdade, naturalmente, que, poucos anos depois de dada essa revelação, os Santos foram novamente expulsos de suas posses no estado do Missouri; mas notai esta diferença entre a primeira expulsão ocorrida em nossa história — a expulsão do condado de Jackson — e a expulsão do Missouri cinco anos depois: 1.200 foram expulsos do condado de Jackson em 1833, mas, quando a Igreja foi removida do Missouri, 12.000 ou 15.000 pessoas foram exiladas. A obra de Deus, então, certamente não havia deixado de crescer. Foi como virar o muro do Élder Penrose ao contrário, construído de tal forma que, ao ser virado, ficasse mais alto do que antes. A proclamação do Evangelho havia sido fecunda, e milhares haviam sido trazidos ao conhecimento da verdade entre as duas expulsões. É verdade também que, poucos anos depois, outro êxodo foi forçado sobre o povo. Deu-se a expatriação, e nossos pais foram obrigados a deixar a bela cidade às margens do Mississippi e vir para este ermo desértico e montanhoso. Mas, desta vez, quando moveram a Igreja, moveram algo mais de 20.000! E então, se fosse possível pensar que teríamos de nos mudar novamente, teríamos de mover algo como 300.000 pessoas destas montanhas! Assim, ao menos em termos de números, não houve retrocesso algum nesta obra. Ela cresceu constantemente. O testemunho dos Élderes de Israel tem sido acompanhado pelo testemunho de Deus. Apelou aos retos de coração, e em quase todas as nações da terra encontrou resposta. O recolhimento tem continuado até que, eis, os Santos têm firmado seus pés nestes vales das Montanhas Rochosas, onde, em cumprimento à predição do próprio Profeta Joseph, os Santos dos Últimos Dias se tornaram um povo grande e poderoso. ¶
No que diz respeito à pregação do Evangelho, a obra não afrouxou. Temos sido fiéis àquele espírito missionário impresso no povo que recebeu o Evangelho desde o princípio. A história da Igreja é singular nisto, parece-me: sempre que nossa sorte caiu ao mais baixo, voltamo-nos para a pregação do Evangelho como meio de alívio, e, por meio de sua proclamação, encontramos força renovada e vigor acrescido para a obra de Deus. Lembrai-vos, não é verdade, da primeira missão estrangeira que foi concebida e executada na Igreja? Naqueles dias sombrios, quando nuvens de escuridão espiritual se assentaram sobre Kirtland, e homens em quem o Profeta confiara caíram à direita e à esquerda, cheios de amargura e ódio para com ele — lembrai-vos de como o Espírito lhe sussurrou que alguma nova medida deveria ser tomada para a salvação da Igreja, e ele foi impelido pelo Espírito a mandar dizer a Heber C. Kimball que a voz do Espírito do Senhor indicava que ele deveria levar a mensagem do Evangelho a uma terra estrangeira; e assim foi feito; pois Heber C. Kimball abriu a obra na Inglaterra. Então, depois do êxodo do Missouri, antes de os Santos ainda estarem estabelecidos permanentemente em Commerce, enquanto a maior parte da Igreja vivia em carroças, tendas e outros lares temporários, eis que uma missão foi dada aos Doze, para saírem e proclamarem o Evangelho no exterior! Deixando suas famílias na mais absoluta pobreza, muitas delas doentes, e os próprios Doze doentes, extraíram para si a força espiritual desta obra e saíram como mensageiros de vida e salvação. Novamente, fiéis a este espírito característico da Igreja quando presidida pelo Profeta Joseph, quando os pioneiros desembarcaram neste vale e começaram a colonizar esta cidade e a região circunvizinha, antes que houvesse qualquer grande desenvolvimento dos recursos materiais, os Doze foram novamente chamados a sair desta terra desértica, não apenas para pregar o Evangelho na Inglaterra, mas na França, na Alemanha, na Itália e na Escandinávia. Assim, este espírito de proclamar as verdades que Deus depositou na Igreja foi característico da Igreja quando esta se estabeleceu nestas montanhas. Essas missões foram designadas às testemunhas especiais do Senhor Jesus Cristo — aos Doze Apóstolos. Lorenzo Snow foi para a Itália, John Taylor para a Alemanha e a França, Erastus Snow para a Escandinávia; e de todas essas terras, filhos e filhas de Deus têm sido trazidos ao rebanho de Cristo. ¶
Uma semana ou duas atrás, assisti a um serviço realizado nesta cidade, no qual a Igreja de Cristo era acusada de ter, por sua conduta, tanto prejudicado o mundo que este não quereria ouvir a mensagem que temos a entregar, e, em tons solenes, fomos advertidos de que alguém era responsável por essa condição de coisas. Ó, como meu coração se encheu de alegria quando aquele que proferiu essas palavras e essa advertência esteve presente na sessão de abertura desta conferência e ouviu o relatório do Presidente da Igreja a respeito do trabalho missionário realizado em todas as terras pelos Élderes da Igreja; que a messe era tão grande e os trabalhadores tão poucos que, embora tivéssemos quase mil e quinhentos Élderes no campo — e mantemos cerca desse número ano após ano —, ainda assim esta hoste de servos de Deus não conseguia atender às demandas feitas para a proclamação do Evangelho. Parece-me que estamos numa condição bastante boa para enfrentar toda a responsabilidade sobre a qual possamos ser advertidos a respeito deste assunto. ¶
Tomai o caso da publicação, ao mundo, do volume americano de escritura, o Livro de Mórmon — um dos episódios, podemos dizer, com que esta grande obra começou na terra. Quem é que publicou aquela obra em umas dez ou doze línguas diferentes; e para tantas ou mais nações? É a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. E o fim ainda não chegou; pois ouvimos a explicação do Presidente Anthon H. Lund, em que nos disse, nesta conferência, que ainda mais traduções desta obra estavam sendo consideradas, em turco e outras línguas. De modo que temos sido constantemente ocupados em dar ao mundo este novo volume da palavra de Deus. Nossas mãos não têm sido relaxadas quanto a enviar ao exterior a palavra de Deus tal como foi conhecida pelos nefitas neste continente, cumprindo assim o decreto de Deus de que os habitantes da terra deveriam ter não apenas o testemunho dos judeus, mas deveriam ter também o testemunho dos nefitas, e por meio deles aprenderiam que Jesus é o Cristo. Digo que a Igreja tem sido muito fiel em publicar a palavra de Deus aos habitantes da terra. ¶
Outro ponto. Durante os últimos meses da carreira terrena do Profeta, o assunto que mais pesava em sua mente, mais do que qualquer outro, era o assunto da salvação para os mortos, a construção do Templo de Nauvoo, a ereção de uma pia batismal e de uma casa em que as chaves do santo Sacerdócio pudessem ser dadas aos servos do Senhor, onde pudessem receber suas investiduras, como descrito numa das últimas revelações ao Profeta, em que pudessem receber aquela instrução espiritual que os equiparia melhor para o trabalho do ministério que Deus lhes havia imposto. Este era o peso de seus discursos, este o peso de suas cartas escritas à Igreja de seu lugar de exílio, enquanto era obrigado a se esconder dos oficiais da lei sob a falsa acusação de ter transgredido a lei — entre parênteses: o Profeta Joseph esteve tão frequentemente, sim, mais frequentemente, naquela condição do que qualquer um dos irmãos desde então. Mas esta obra do templo era a única coisa que parecia pesar mais fortemente sobre ele pouco antes de sua morte. Este povo tem sido fiel a esse espírito de construção de templos e trabalho de templo? Que este monumento de granito a leste de nós, um discurso coletivo em pedra pelos Santos dos Últimos Dias, dê testemunho ao mundo de que temos sido fiéis àquela parte da obra que era de tal importância na mente do Profeta. Que o templo de pedra em St. George dê um testemunho semelhante. Que o esplêndido templo no condado de Sanpete seja outra testemunha; e o de Logan, ao norte, que também testifique do mesmo fato. Trazei os registros desses templos, e que os milhões de batismos pelos mortos respondam se este povo tem sido fiel à missão, na redenção dos mortos, que Deus colocou sobre a Igreja. Que os registros de selamentos de maridos a esposas, esposas a maridos, filhos a pais e pais a filhos — que as centenas de milhares de ministrações deste tipo testemunhem da fidelidade do povo de Deus a esta doutrina apresentada por nosso Profeta nos últimos dias. Digo que a fusão, ou, se quiserdes, na linguagem de Paulo, a congregação de todas as coisas na terra assim como das coisas nos céus; a união do passado com o presente, dos pais com os filhos, é um dos fatos mais estupendos ligados a esta grande obra do Senhor nos últimos dias. Não vos lembrais de que essa doutrina, agora tão gloriosamente desenvolvida entre nós, foi motivo de preocupação precoce para o Profeta Joseph? Esta obra foi prenunciada na própríssima primeira entrevista que o Profeta teve com Morôni, pois ele citou as palavras de Malaquias, embora um tanto diferentes das que se encontram na Bíblia, no sentido de que o Senhor logo revelaria o Sacerdócio pela mão de Elias, e o coração dos filhos se voltaria para os pais, e o coração dos pais para os filhos. Se assim não fosse, disse ele, toda a Terra seria completamente devastada em Sua vinda. Depois disso, passo a passo, linha por linha, preceito por preceito, essa doutrina foi entregue, até que deu fruto da maneira que vos indiquei, por meio da administração das ordenanças do Sacerdócio, em que o poder da santidade se manifesta, e sem as quais ordenanças do Sacerdócio, somos informados, o poder de Deus não se manifesta. ¶
De modo que temos estado a realizar a obra projetada pelo Profeta Joseph Smith a este respeito. ¶
Outra coisa a que desejo chamar vossa atenção. O Presidente, em suas observações de abertura, regozijou-se de que estávamos seguindo um curso que ao menos desagradava ao diabo, ou a seus advogados. Lembro-me, a este respeito, de um dito do Presidente Young. Ele disse: Podeis sentir-vos bastante seguros enquanto o diabo se opuser ao que estais fazendo, pois ele não está disposto a aprovar a retidão, nem a reclamar se, por meio da iniquidade, jogardes em suas mãos. Ora, isso pode ser um tipo miserável de evidência a que recorrer, em relação a um tema tão glorioso como este, e, no entanto, não consigo resistir inteiramente à tentação de deixá-lo fornecer um pouco de evidência; e faço-o desta maneira: não terá o mesmo rancor e ódio que caracterizou a Igreja sob a presidência do Profeta Joseph Smith, a mesma determinação de destruir a Igreja, seguido a Igreja conduzida às montanhas pelos Doze Apóstolos sob o Presidente Brigham Young? Não terá o mesmo espírito caracterizado seus ministérios entre os habitantes da terra? Certamente sabeis que os Santos não tiveram descanso nos dias do Profeta Joseph. Sua vida foi uma cena contínua de conflito e disputa com os poderes das trevas, que buscavam destruí-lo e também a obra que Deus ordenara que ele trouxesse à luz. A cada momento, deparamo-nos com esse mesmo inimigo. Do fato de que aquele inimigo reconheceu a Igreja de Cristo nestas montanhas, podemos colher alguma evidência de que esta é a continuação da obra de Deus. Não foram os Élderes de nenhuma das assim chamadas facções dissidentes que enfrentaram ataques de turba e chicotadas em vários países do mundo; não foram nenhum de seus representantes que foram alvejados no Estado da Geórgia, ou no Estado do Tennessee. Não; eram representantes da Igreja de Cristo nestas montanhas — os homens que possuíam o Sacerdócio — autoridade divina — e defenderam a verdade, e sua plenitude. ¶
Mas não sei se devemos nos preocupar demais com estes assuntos, embora nos faça, de certo modo, regozijar ver a obra de Deus crescer e florescer, não obstante toda a oposição que se levanta contra ela; ver estacas se multiplicarem, missões aumentarem, e o povo crescer em graça e no conhecimento da verdade, apesar dos esforços do adversário. Perdoai-me, espero, por me gloriar um pouco no fracasso de nossos inimigos, assim como me regozijar bastante no êxito da obra de Deus. ¶
Não sei se conseguirei tornar claro para vós um pensamento que tenho em mente, mas vou tentar. Ele só passou por minha mente algumas vezes, e não sei se o tenho bem digerido. Como apontei no início, vivemos na dispensação da plenitude dos tempos, na qual seriam congregadas em uma só todas as coisas nos céus e na terra. Repetidamente os irmãos têm dado testemunho de que esta obra, em cumprimento das promessas de Deus, não deve ser deixada a outro povo. Ela não vai fracassar. Em dispensações passadas, tem havido um aparente triunfo para os poderes das trevas, e muitas vezes me perguntei como Paulo pôde continuar a trabalhar com tal energia quando tinha concepções tão claras, pelo espírito de profecia, de que viria o tempo em que se levantaria um poder maligno, que se exaltaria a si mesmo acima de tudo o que se chama Deus, sentando-se no templo de Deus, e mostrando-se como se fosse Deus — isto é, usurpando a autoridade de Deus e governando os homens com uma vara de ferro. Paulo tinha as mais claras concepções, parece-me, de que não demoraria muito para que nuvens de escuridão espiritual repousassem sobre o povo. E assim, em dispensações anteriores à do meridiano do tempo, umas após outras parecem ter falhado em se manter permanentemente na terra. Mas agora, finalmente, temos a palavra certa de Deus de que Sua obra será estabelecida para nunca mais ser destruída, nem entregue a outro povo. O que desejo chamar a vossa atenção é que esta ideia está em harmonia com a era em que vivemos. Nossa civilização assumiu uma promessa de permanência como nenhuma outra que caracterizou as civilizações de épocas anteriores. A grande civilização grega foi, em grande parte, derrubada pelo sucesso das armas romanas. É verdade que, com o tempo, ela se reafirmou, e, por sua civilização, os gregos são geralmente reconhecidos como tendo subjugado Roma. Roma, por sua vez, declinou e finalmente caiu sob os repetidos ataques e ondas de imigração de tribos bárbaras vindas de além do Danúbio, do extremo norte e nordeste. Esse foi o destino da divisão ocidental do império romano. Mais tarde, no século quinze, esse foi também o destino da divisão oriental; pois os terríveis turcos seljúcidas repetiram, sobre o império oriental, o sucesso que as tribos germânicas obtiveram sobre o ocidental. Assim, toda a civilização romana foi esmagada. E, ao longo de todas as eras, civilizações têm caído e outras têm surgido em seu lugar. Mas hoje a civilização desta era parece estar baseada em fundamentos melhores. Julgai-a pela sabedoria humana, ao menos, e se diria que chegamos a um estado de preservação de toda a luz, verdade e conhecimento que foram confiados à consciência humana por meio dos esforços intelectuais daqueles que se dedicam ao pensamento, à ciência e à filosofia. Não existe, em lugar algum da face deste globo redondo, tribos bárbaras que possam possivelmente subjugar o conhecimento e a civilização da era presente. E creio que esta permanência na civilização, a perspectiva de preservação da luz e da verdade que foram dadas aos filhos dos homens, deve ser, e necessariamente será, acompanhada de verdade espiritual, filosofia espiritual, uma religião verdadeira e permanente, que caminhará lado a lado com esta civilização permanente até que traga a redenção dos filhos dos homens. De modo que esta dispensação do Evangelho está em harmonia com todas as demais coisas que nos rodeiam. Ela promete permanência da civilização, e a preservação de todo o conhecimento que se desenvolveu por meio da experiência e das pesquisas dos homens, assim como por meio das revelações da verdade ao Profeta Joseph Smith. Mas eu diria àqueles que se orgulham de suas realizações na ciência — e, pela magnitude de suas conquistas, não nego que tenham direito de sentir um pouco de orgulho; diria àqueles que se gloriam na filosofia que desenvolveram — e eles também podem bem se orgulhar de suas conquistas — digo-lhes, cientistas e filósofos igualmente: mancais, coxeando, muito atrás da longínqua linha de pensamento daquilo que Deus revelou por meio de Seus servos, os profetas. Não terei tempo de desenvolver esse pensamento; mas me regozijo no triunfo previsto da verdade. Nós vamos vencer. Não fracassaremos como comunidade, como organização. Indivíduos, por causa da fraqueza humana e da inclinação para o mal, podem ofender o Espírito de Deus e fracassar, como indivíduos; mas, assim como o trono de Deus permanece seguro, assim permanecem seguros os alicerces desta obra e a estrutura que Deus está erguendo sobre ela. Este é meu testemunho, em nome de Jesus. Amém. ¶