Pulpit

Os Céus Proclamam a Glória de Deus

B. H. Roberts

Conferência Geral de Abril de 1905·Sessão da Tarde do Segundo Dia·1905-04-07

Vou pedir-vos que ouçais algumas passagens da escritura.

"Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.

"Um dia faz declaração a outro dia, e uma noite mostra sabedoria a outra noite.

"Não há linguagem nem fala onde não se ouçam as suas vozes.

"A sua linha se estende por toda a terra, e as suas palavras, até o fim do mundo."

Tal é a linguagem de Davi, Profeta e Rei de Israel.

"Há um espírito no homem, e a inspiração do Todo-Poderoso os faz entender." Isso é de Jó.

"Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo."

Tal é a linguagem do príncipe dos apóstolos, na dispensação do meridiano dos tempos.

"Antes Deus fala uma e duas vezes, porém ninguém atenta para isso.

"Em sonho ou em visão de noite, quando cai sono profundo sobre os homens, e adormecem na cama; "Então o revela ao ouvido dos homens, e lhes sela a sua instrução."

Isso é de Jó novamente.

"E aconteceu que, entrando Moisés na tenda, descia a coluna de nuvem, e punha-se à porta da tenda; e o Senhor falava com Moisés.

"E vendo todo o povo a coluna de nuvem que estava à porta da tenda, todo o povo se levantou e adorou, cada um à porta da sua tenda.

"E falou o Senhor a Moisés face a face, como qualquer fala com o seu amigo."

Todos esses exemplos de revelações de Deus ao homem provêm do Antigo Testamento. Se vos voltardes para o Novo Testamento, encontrareis que todos esses modos de revelação também se encontram em suas páginas. Vou ler uma ou duas passagens do Novo Testamento.

"Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se veem pelas coisas que estão criadas;"

Tais são as palavras de Paulo, o apóstolo dos gentios.

"E sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus [isto é, a João Batista, que haveria de ser testemunha de que Jesus de Nazaré era o Cordeiro de Deus, o Redentor do mundo; por isso foi para ele que os céus se abriram], e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele:

"E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo."

Novamente, referindo-me a Estêvão no exato momento de seu martírio: —

"Mas ele, estando cheio do Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus.

"E disse: Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do Homem, que está em pé à mão direita de Deus."

Vós que me acompanhastes na leitura destas passagens da escritura já deveis ter concluído, sem dúvida, em vossas mentes, que meu propósito é chamar vossa atenção para os vários modos pelos quais Deus Se revela aos filhos dos homens. Observareis que a primeira passagem que li chama a atenção para aquela espécie de revelação que se torna conhecida por meio das obras da natureza. "Os céus proclamam a glória de Deus." Presumo que não há pessoas vivendo hoje, nem que viveram no passado, que não tenham sido impressionadas, em maior ou menor grau, por essa revelação que Deus dá de Si mesmo por meio de Suas obras. Não somente os cristãos, mas o maometano, o budista, o deísta, todos são impressionados por aquela magnífica revelação do poder e da glória de Deus que se pode ver na magnitude de Suas obras. Os deístas são de opinião de que essa revelação é totalmente suficiente como fundamento para a religião natural. Uma autoridade eminente entre tais pessoas declarou que a maravilhosa estrutura do universo e tudo o que contemplamos na criação prova a existência de Deus melhor do que os livros podem provar, e ao mesmo tempo proclama Seus atributos. "É pelo exercício de nossa razão," continua ele, "que somos capacitados a contemplar Deus em Sua obra e a meditar em Seus caminhos. Quando vemos Seu cuidado e Sua bondade estendidos sobre Suas criaturas, isso nos ensina nossos deveres uns para com os outros, ao mesmo tempo em que desperta nossa gratidão para com Ele."

Mas, por grandiosa e magnífica que seja essa revelação da glória e do poder de Deus por meio de Suas obras, ela é inadequada para satisfazer todas as necessidades do homem. Há grandes questões que as estrelas não podem responder. Há grandes problemas que este nosso mundo não pode resolver. Faço a pergunta, na presença desta grande revelação que vem de Deus por meio da natureza: De onde vem o homem, e qual é o propósito de sua existência? E as estrelas não dão resposta a essa pergunta. Faço a pergunta: Qual é o propósito da existência humana? E a natureza não dá resposta. Faço a pergunta: Qual é o fim da existência humana? E da natureza não vem resposta satisfatória. De modo que essa revelação por meio da natureza, por esplêndida que seja, não é suficiente para guiar os filhos dos homens. Assim dizem os cristãos de todas as seitas. Sustentam que algo mais precisa ser aprendido do que se pode aprender pelas revelações da natureza. Por isso aceitam as revelações que vêm por meio das escrituras.

Desejo chamar a atenção para a fé cristã neste ponto, e desejo também expor nossa fé, se puder, sobre este grande assunto.

Os cristãos estão bastante unidos em crer que há uma revelação de Deus por meio da natureza. Aceitam tudo o que há nessa revelação da natureza, e, além disso, creem que Deus se manifesta na história do mundo. Também nós assim cremos. Creem, também, que há uma revelação de Deus por meio do coração humano. Também nós cremos "que há uma revelação na inteligência que está no homem. O mundo cristão também crê em revelações especiais de Deus — revelações por inspiração, tais como as de que fala Jó quando diz que há um espírito no homem e que a inspiração do Todo-Poderoso lhe dá entendimento. "Este é o tipo de revelação que produziu a escritura. Os homens falaram, em tempos antigos, movidos pelo Espírito Santo, e o que disseram em tais circunstâncias tornou-se a palavra de Deus, a vontade de Deus; e, reduzido à escrita e guardado pelo povo, chegou até nós através das eras como escritura sagrada. Digo que todos os cristãos creem nesse tipo de revelação. Também nós cremos. Mas há uma diferença entre nossa fé a respeito desta classe de revelação especial e a crença das várias divisões da cristandade.

Considero-me feliz porque, em consequência do interesse recentemente despertado sobre o assunto da revelação, temos em nossa cidade um pronunciamento da crença cristã sobre este tema. Um proeminente ministro de nossa cidade expôs, não somente as opiniões da igreja particular da qual é pastor, mas também as opiniões de toda a cristandade a respeito deste assunto da revelação. Não me refiro a seu discurso com nenhuma intenção de entrar em controvérsia. Longe de mim tal coisa. Não desejaria, por nada deste mundo, se pudesse evitá-lo, contestar a correção de nada que possa ter sido dito por nossos irmãos cristãos. Não sinto antagonismo para com eles. Sou um homem de paz. Mas este discurso em particular proporcionou uma boa oportunidade de contrastar nossas crenças sobre o assunto da revelação com as crenças do mundo, e o utilizo apenas para esse propósito. Às vezes, como sabeis, podemos apreciar melhor as coisas quando as vemos em contraste do que de qualquer outra maneira.

E agora, quanto à revelação especial por inspiração, de onde vêm nossas escrituras. Este mestre cristão tem isto a dizer a respeito:

"Não estamos apenas unidos em receber com gratidão tais escrituras como o registro fiel das revelações graciosas de Deus e o testemunho seguro de Cristo, mas estamos igualmente unidos em negar que qualquer registro ou revelação da vontade divina desse tipo tenha sido dado desde então, ou venha jamais a ser dado, para a orientação da humanidade."

Por que se deveria chegar a tal conclusão? Quando o grande apóstolo da dispensação cristã, a quem Jesus havia dito: "Eu vos dou as chaves do reino, e tudo o que ligardes na terra será ligado nos céus," — quando este homem, revestido do Espírito Santo, se pôs diante da multidão em Jerusalém, e lhe disseram: "Homens irmãos, que faremos?" Ele deu esta resposta memorável: "Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo." Notai bem: "Porque a promessa vos pertence, a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar."

Se Pedro tivesse pretendido tornar universal esta promessa do Espírito Santo, não consigo, de forma alguma, entender que linguagem ele poderia ter usado que tornasse a promessa mais universal do que a linguagem que de fato usou. Esta promessa do Espírito Santo, dada como resultado da obediência ao evangelho, era para eles, para seus filhos, e para todos os que estavam longe — cem anos longe, quinhentos anos longe, cinco mil anos longe — para todos a quem esta mensagem de arrependimento chegar, esta promessa é feita. Muito bem. Como recebemos as escrituras? "Os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo," foi assim que recebemos as escrituras. "Há um espírito no homem, e a inspiração do Todo-Poderoso os faz entender." Ora, se as pessoas estão recebendo o evangelho hoje, sustento que têm direito ao cumprimento da promessa de que receberão o Espírito Santo — o poder pelo qual as escrituras foram escritas. E, por isso, nossos amigos se veem diante da escolha entre duas proposições: ou dizem que os homens já não recebem o Espírito Santo ao prestarem obediência ao evangelho, ou dizem que o Espírito Santo perdeu Seu poder de revelar a vontade de Deus ao homem. Dizer isso, a meu ver, seria blasfêmia. Nós, Santos dos Últimos Dias, não dizemos isso. Pelo contrário, dizemos que este Espírito Santo possui todos os Seus poderes, e que os que recebem esse Espírito recebem Seus poderes e podem exercê-los e desfrutá-los.

Novamente: todos os cristãos, juntamente conosco, reconhecem que Deus Se manifesta por meio de obras poderosas, chamadas milagres. Mas ouvi o que diz este discurso que estou citando sobre esse modo de revelação:

"Embora os cristãos estejam praticamente unidos em reconhecer essas invasões da vontade divina, estão quase tão inteiramente de acordo em negar que tenhamos boa razão para esperar a continuação de tais maravilhas."

Por quê? De onde vieram os milagres da escritura — a cura dos enfermos, a profecia, o dom de línguas, a interpretação de línguas, o dom do conhecimento? Vieram da posse deste mesmo Espírito e poder. Este poder, que é imanente na natureza, que forma e molda a matéria conforme a vontade de Deus — de onde vem? Vem da posse e da operação deste Espírito Santo. Repito novamente que negar a esse Espírito os poderes que Lhe são atribuídos na escritura seria blasfêmia. Negar-Lhe Seu poder seria dizer que Ele era como o sal que perdeu o seu sabor.

Em comum com nossos irmãos cristãos, cremos naquele modo de revelação pelo qual homens de Deus, como Moisés, Isaías, Jeremias, Pedro, João, Paulo, e os demais nomes que ornam as páginas da história sagrada, alcançaram privilégios tão elevados que, como Moisés, alguns deles falaram face a face com Deus, como um homem fala com seu amigo. Mas, embora o mundo cristão creia que tal revelação ocorreu no passado, ouvi o que se diz a esse respeito no tempo presente:

"Poucos cristãos negarão que os homens de outrora tiveram tais revelações; poucos cristãos afirmarão que temos razão para esperar sua continuação."

Outro modo de revelação reconhecido por nós e também pelo mundo cristão é a revelação de Deus por meio de Jesus Cristo. Ele é a revelação suprema; pois nEle, em Sua pessoa e caráter, foi revelado o Divino. O Pai foi revelado por meio dEle. Fala-se dEle como sendo a expressa imagem do Pai; e, doravante, o mundo tem um meio pelo qual pode conhecer, não apenas o ser, a existência de Deus, mas o tipo de ser que Ele é, a saber, que Ele é a expressa imagem do Senhor Jesus Cristo; pois, assim como o Filho é a expressa imagem do Pai, também o Pai há de ser a expressa imagem do Filho. A respeito disso, diz o discurso ao qual estou aludindo:

"Todos os cristãos creem na encarnação. Bem poucos creem que essa revelação jamais se repetirá em sua forma objetiva até que o tempo, tal como o medimos, chegue ao fim."

Pois bem, não; a encarnação do Filho de Deus não se repetirá. Ele obteve Seu corpo, e este foi glorificado por meio da ressurreição dentre os mortos, e se tornou tão imortal quanto o espírito que o habita. Não haverá reencarnação do Filho de Deus, é verdade; mas isto será verdade a respeito do Filho de Deus, se pudermos confiar nas escrituras para nos guiar: Ele fará uma reaparição gloriosa no mundo. Lembrai-vos daquela ocasião, não é assim, quando os discípulos estavam reunidos no Monte das Oliveiras depois da ressurreição, e Jesus Se reuniu com eles. Logo depois, tendo dado Sua última bênção, Ele foi levado para o céu. Fascinados pela bela visão de Sua forma que se afastava da terra rumo ao céu, os discípulos ficaram olhando fixamente para cima, e, ao fazê-lo, dois anjos apareceram e lhes disseram: "Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir." Esse tipo de revelação de Jesus Cristo — Sua reaparição entre os homens em Seu corpo ressuscitado e imortal, de carne e ossos — esse tipo de revelação de Jesus Cristo está reservado para o futuro do mundo, embora não possa haver reencarnação dEle.

A diferença entre o mundo cristão e os Santos dos Últimos Dias a respeito de revelações especiais de Deus é esta: o mundo cristão crê que tais revelações ocorreram no passado, mas que não têm ocorrido desde o fim da era apostólica; que os milagres cessaram; que a inspiração especial cessou; que a comunicação de Deus com o homem face a face cessou; e não têm esperança de que esses gloriosos tipos de revelação se repitam na experiência do mundo. Os Santos dos Últimos Dias, por outro lado, declaram ousadamente ao mundo, e, tanto quanto me lembro, uma de nossas Regras de Fé declara que "cremos em tudo o que Deus revelou, em tudo o que Ele revela agora, e cremos que Ele ainda revelará muitas coisas grandiosas e importantes relativas ao Reino de Deus."

Desejo estender isso um pouco e dizer que não somente cremos nas revelações que foram dadas, que estão sendo dadas agora, e que serão dadas no futuro, mas também cremos em todos esses modos de revelação — revelação por inspiração, pela manifestação de poderes miraculosos, por conversas face a face com Deus, e comunhão com Jesus Cristo como um homem poderia ter comunhão com seu amigo. E cremos que todos esses modos de revelação continuarão. Mas não cremos que a vontade do homem controlará esses assuntos. De algumas coisas que se disseram recentemente a respeito da revelação, poder-se-ia chegar à conclusão de que, por termos em nosso meio profetas e apóstolos, homens inspirados, Deus, os anjos e o Espírito Santo estão sujeitos ao seu chamado; e, porque um homem é sustentado como profeta de Deus, algumas pessoas parecem supor que ele pode entrar na presença de Deus quando quiser e falar com Ele face a face; ou que, por seu chamado, um profeta pode trazer anjos ao seu lado à sua própria vontade! Não é assim. Essas coisas divinas estão sob o controle do Senhor Todo-Poderoso, e Ele Se revelará quando e da maneira que Lhe aprouver. Não vos lembrais das escrituras que indicam claramente a correção da opinião que exponho sobre este assunto? Onde se declara que a um é dada, pelo Espírito, a palavra da sabedoria; a outro, a palavra do conhecimento; a outro, o dom da fé; a outro, o dom de curar; a outro, a operação de milagres; a outro, a profecia, etc., repartindo o Senhor a cada um individualmente conforme Ele [o Senhor] quer — não conforme o homem quisesse ou escolhesse. De modo que os tempos e os modos da revelação estão nas mãos de Deus; nossa fé é simplesmente esta: que o Senhor reina supremo nos céus, sim, e na terra, e sempre que Sua obra exigir que Sua mão a toque e a guie, Ele inspirará Seus servos a tomar o rumo necessário para conformar Suas obras à Sua vontade. Se for necessário enviar, da presença de Seu trono, um anjo, revestido de poder, força e majestade, para se apresentar diante de profetas e apóstolos, a fim de dar a conhecer um propósito divino, a soberana vontade de Deus é suficiente para ordenar que isso seja feito; e se se tornar necessário chamar um profeta à presença de Deus para ter comunhão face a face com Ele, então Ele chamará esse profeta à Sua presença; ou abrirá a visão de sua mente, arrebatará o véu da cobertura que atualmente nos separa de Deus, e terá comunhão com Seu servo como fez com Moisés face a face — tudo conforme a vontade de Deus. Essa é a nossa fé a respeito da revelação; e, como disse o grande Lutero de sua fé na Dieta de Worms — "Aqui estou; não posso fazer de outro modo; que Deus me ajude." Se Deus disser: avançai, avançaremos. Se Ele disser: parai, pararemos. Se Ele disser: virai à direita ou virai à esquerda, viraremos de acordo. E nossa fé é que, se caminharmos sob a orientação de Deus, nenhum mal poderá vir a nós individualmente, nem mal poderá vir à obra de Deus. Somente acontecerão as coisas que tenderem ao progresso da obra de Deus, e à glorificação de Seu nome na terra.

Não sei se estou expondo exatamente a vossa fé nestas coisas ou não, mas esta é a minha fé; e, por mais que tente, não consigo entender como alguém, judeu ou gentio, pagão ou cristão, que creia em Deus, possa deixar de chegar a esta submissão perfeita à Sua vontade; submissão da mente a Deus que é a única adoração verdadeira. Uma vez admitida a grande premissa de que Deus vive, de que Ele Se interessa pelos assuntos humanos, de que Ele não somente criou, mas governa e controla este universo, parece-me que, depois disso, a única conclusão lógica para quem sustenta essa fé é que, se ele receber uma mensagem de Deus, cumprirá a missão que lhe for dada nessa mensagem.

Apenas uma ou duas palavras para concluir. Temos falado muito, nesta conferência, sobre o mundo nos odiar. Creio que, às vezes, usamos o termo sem a devida e adequada qualificação. Quando Jesus disse a Seus discípulos:

"Não vos maravilheis se o mundo vos odeia. Ele me odiou primeiro do que a vós. Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que é seu; mas, porque não sois do mundo, mas eu vos escolhi do meio do mundo, por isso o mundo vos odeia."

Quando o Mestre usou essa linguagem, penso que dificilmente Se referia a todo o mundo, mas somente àqueles que eram "mundanos", àqueles cujos corações estavam postos nas coisas deste mundo, àqueles que eram amantes dos prazeres mais do que amantes de Deus, àqueles que eram corruptos em seus corações; condições das quais o Senhor chamara Seus discípulos, e agora, nestes dias, chamou Seu povo. Quando dizemos "o mundo nos odeia", não pensemos que isso signifique toda a humanidade, mas que significa a porção mundana da humanidade, aqueles que amam mais as trevas do que a luz. Aqueles cujas obras são más. Quando vamos até eles com nossa mensagem, ela repreende esta parte do mundo por causa do pecado e da iniquidade; por isso eles a odeiam. Odeiam a luz, porque amam as trevas. Mas havemos de encontrar, tenho certeza, centenas de milhares, ou melhor, milhões dos filhos de nosso Pai que não nos odeiam nem hão de odiar-nos; mas que serão receptivos à mensagem que temos para lhes declarar. De modo que sou de opinião que devemos manter em mente esta ressalva: que são os mundanos que nos odiarão, ao passo que aqueles que são honestos de coração serão receptivos aos testemunhos que temos para prestar. Lembro-me da suprema confiança com que o presidente Brigham Young confiava na operação do Espírito de Deus sobre a mente das pessoas. Ele disse, em mais de uma ocasião, que nenhum homem jamais ouvira falar do Livro de Mórmon sem que o Espírito do Senhor sussurrasse baixinho à sua alma que aquele livro era verdadeiro; nenhum homem jamais ouvira falar do Profeta Joseph Smith sem que a "voz mansa e delicada" lhe sussurrasse que ele era um verdadeiro profeta.

As palavras exatas do presidente Young sobre este assunto são as seguintes:

"Nada menos do que o Espírito Santo nos fará algum bem duradouro. Disse-vos, no início de minhas observações, a verdade tal como ela é no céu e na terra, tal como é com os anjos, e com os profetas, com todas as boas pessoas, e com todo pecador que habita sobre a terra. Não há homem ou mulher que, ao ouvir falar do Livro de Mórmon, deixe de ter o espírito do Todo-Poderoso testificando-lhe de sua verdade; nem tampouco ouviram o nome de Joseph Smith sem que o Espírito lhes sussurrasse: 'Ele é o verdadeiro Profeta.' É o espírito, invisível para a mente natural do homem, que produz efeitos aparentemente sem causas, e cria mistérios, maravilhas e prodígios na terra. Contemplamos essas coisas, mas não podemos, com a mente natural, explicá-las, nem adivinhar seu fim último."

(Discurso do presidente Brigham Young, 13 de junho de 1852. Deseret News, vol. 4, nº 6.) Creio nessa doutrina, e ela deveria ser uma poderosa fonte de encorajamento para os élderes que pregam o evangelho entre as nações da terra. Eles labutam e trabalham, distribuem folhetos, procuram fazer ouvir sua voz em meio ao clamor do mundo, e podem pensar, por indícios superficiais, que seus labores são vãos, que sua voz se perde como se estivessem clamando no deserto. Não é assim; mas, à medida que falam em salões ou em vias públicas cheias de gente, o Espírito de Deus testifica aos corações dos que estão de algum modo suscetíveis à sua influência, em testemunho das verdades proferidas; e será porque o mundo rejeita esse testemunho que chega às suas almas que haverá condenação para eles, e não porque rejeitaram as palavras proferidas pelos élderes.

Tanto nós quanto o mundo estamos na presença desta influência e poder envolvente do Espírito Santo de Deus — o espírito de revelação. Nossas vidas, por meio do evangelho, podem ser feitas para tocar a vida de Deus, e, ao tocar a vida de Deus, participar de algum modo de Seus atributos; trazer para nossas vidas alguns de Seus poderes divinos, pelos quais, ao menos, podemos conhecer a verdade e nos regozijar nela. E, embora "o mundo" — considerando "o mundo" à luz do que sugeri — possa nos odiar, cuidemos para que não odiemos o mundo. Podemos desaprovar seus atos; podemos não ser capazes de encarar suas ações com o menor grau de tolerância; devemos dizer que suas ações são más e que eles e suas ações são ímpios; mas, afinal, são filhos de Deus, embora se tenham afastado muito dEle, e é nossa missão enviar a voz que os chamará de volta, estender a mão que os conduzirá ao rebanho. Tal é o espírito do evangelho tal como o recebemos, e tal é nossa fé nas revelações de Deus. Que o Senhor vos abençoe. Amém.

Como citar este discursoB. H. Roberts, “Os Céus Proclamam a Glória de Deus”, Conferência Geral de Abril de 1905, Sessão da Tarde do Segundo Dia (1905-04-07). Pulpit Vault, 1905-04-roberts-heavens-declare-glory. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).