Sacerdócio e Assuntos Materiais
Joseph F. Smith
Se lamento algo, é não termos tempo para ouvir os testemunhos de muitos mais dos irmãos que estão presentes nesta conferência. Nada me deleitaria mais do que ter o privilégio de permanecer aqui e ouvir vinte ou quarenta presidentes de estacas, presidentes de missões, e outros homens proeminentes que estão nesta conferência representando os diferentes interesses da Igreja. Lamento mais do que qualquer outra coisa que me venha à mente, em relação às nossas conferências, que não tenhamos mais tempo, e que não possamos ouvir mais de nossos irmãos. Mas penso que o tempo, até agora, tem sido bem empregado, e confio que tudo o que foi dito, todo o conselho que foi dado, as exortações que foram oferecidas e as admoestações que foram proferidas, serão abençoadas e santificadas pelo espírito da verdade, para o bem e o encorajamento de todos os que as ouviram. ¶
A única coisa que agora desejo gravar na mente de meus irmãos do Santo Sacerdócio é que devemos viver tão perto do Senhor, ser tão humildes em nosso espírito, tão dóceis e maleáveis, sob a influência do Espírito Santo, que sejamos capazes de conhecer a mente e a vontade do Pai a nosso respeito, tanto como indivíduos quanto como oficiais na Igreja de Cristo, em todas as circunstâncias. E quando vivermos de modo que possamos ouvir e compreender os sussurros da voz mansa e delicada do Espírito de Deus, façamos tudo o que esse Espírito nos dirigir, sem temor das consequências. Não importa se isso agrada à mente dos censores ou críticos, ou dos inimigos do reino de Deus, ou não. Isso é agradável à vontade do Senhor? É compatível com o espírito da grande obra dos últimos dias em que estamos engajados? É provável que o fim almejado promova a Igreja e a fortaleça na terra? Se sua tendência é nessa direção, façamo-lo, não importa o que os homens possam dizer ou pensar. ¶
Sei, como sei que vivo, que esta é a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Quando digo isto, digo-o com pleno entendimento do significado do termo. É a Igreja de Jesus Cristo. Não é a igreja do homem. O Senhor lançou seus alicerces. Foi Ele quem inspirou o jovem Profeta, Joseph Smith, e lhe deu sabedoria e entendimento para organizar os conselhos do Sacerdócio e estabelecer Sua Igreja sobre o fundamento de profetas, apóstolos, evangelistas e homens inspirados. Foi o Senhor Jesus quem restaurou o Santo Sacerdócio de Melquisedeque, por meio do instrumento de que Se serviu; e todas as bênçãos, todos os ofícios, todos os chamados e toda a autoridade nesta Igreja estão sob e são abrangidos pelo santo Sacerdócio de Melquisedeque, que é segundo a ordem do Filho de Deus. Não há ofício proveniente deste Sacerdócio que seja ou possa ser maior do que o próprio Sacerdócio. É do Sacerdócio que o ofício deriva sua autoridade e poder. Nenhum ofício confere autoridade ao Sacerdócio. Nenhum ofício acrescenta poder ao Sacerdócio. Mas todos os ofícios na Igreja derivam seu poder, sua virtude, sua autoridade, do Sacerdócio. Se nossos irmãos assentassem este princípio solidamente em suas mentes, haveria menos mal-entendidos em relação às funções de governo na Igreja do que há hoje. Hoje a pergunta é: qual é o maior — o Sumo Sacerdote ou o Setenta, o Setenta ou o Sumo Sacerdote? Digo-vos que nenhum deles é o maior, e nenhum deles é o menor. Seus chamados seguem direções diferentes, mas são do mesmo Sacerdócio. Se fosse necessário, o Setenta, possuindo o Sacerdócio de Melquisedeque como possui — digo, SE FOSSE NECESSÁRIO — poderia ordenar um Sumo Sacerdote; e se fosse necessário que um Sumo Sacerdote ordenasse um Setenta, ele poderia fazê-lo. Por quê? Porque ambos possuem o Sacerdócio de Melquisedeque. E ainda, se fosse necessário — embora eu não espere que essa necessidade venha algum dia a surgir — e não restasse na terra nenhum homem que possuísse o Sacerdócio de Melquisedeque, exceto um Élder, esse Élder, pela inspiração do Espírito de Deus, e pela direção do Todo-Poderoso, poderia proceder, e deveria proceder, a organizar a Igreja de Jesus Cristo em toda a sua perfeição, porque possui o Sacerdócio de Melquisedeque. Mas a casa de Deus é uma casa de ordem, e, enquanto os demais ofícios permanecerem na Igreja, devemos observar a ordem do Sacerdócio, e devemos realizar as ordenanças e ordenações estritamente de acordo com essa ordem, tal como foi estabelecida na Igreja por meio do instrumento do Profeta Joseph Smith e de seus sucessores. ¶
Estou ciente de que há aqueles que, no passado, sustentaram opiniões diferentes desta. Podem ainda sustentar opiniões diferentes; e, se as sustentam, terão de mudá-las com o tempo, se algum dia obtiverem um conhecimento correto do Sacerdócio. Nenhum ofício de Apóstolo, nenhum ofício de Presidente, nenhum ofício de Sumo Sacerdote, ou de Setenta, ou de Élder, é maior do que o Sacerdócio de Melquisedeque. Espero que compreendais isto. Se um Apóstolo tem alguma autoridade, ele a deriva do Sacerdócio de Melquisedeque, que é segundo a ordem de Deus, e não pode possuí-la de nenhuma outra maneira. Não há autoridade que não venha desse Sacerdócio. Ele detém as chaves da administração das bênçãos, ordenanças e promessas sobre as cabeças de todos os membros da Igreja. Do Sacerdócio de Melquisedeque provém o Sacerdócio Menor, que é chamado o Sacerdócio segundo a ordem de Arão. Este é um apêndice do Sacerdócio de Melquisedeque. O ofício de Élder, de Sumo Sacerdote, de Setenta — todos os ofícios na Igreja são simplesmente apêndices do Sacerdócio de Melquisedeque, e dele provêm. Podeis ler as revelações a este respeito no livro de Doutrina e Convênios, e deveis compreendê-lo exatamente como vo-lo disse. ¶
Agora, penso poder dizer, sem nenhuma reserva, que os irmãos encarregados de cuidar dos interesses da Igreja estão cumprindo integralmente seu dever, no máximo de sua capacidade. O irmão Clawson, em seu discurso, aludiu à condição de nossos livros e registros de dízimo. Nunca, desde que a Igreja foi organizada, estiveram em condição tão perfeita como estão hoje. Podemos dizer-vos o nome de cada homem, mulher e criança na Igreja que paga dízimo, e podemos dizer-vos exatamente quanto pagam. Não só isso, mas temos registros pelos quais podemos mostrar os nomes e o número dos membros da Igreja que não são pagadores de dízimo. Além disso, podemos dizer-vos que nem um dólar sequer dos dízimos da Igreja é usado para qualquer propósito que não seja legítimo e adequado, de acordo com as necessidades da Igreja. Digo-vos também que estamos pagando as dívidas da Igreja, e que o dízimo está sendo usado, no momento, cuidadosa e exclusivamente para atender a todas as despesas correntes e para cancelar nossas obrigações, tanto de títulos quanto de notas promissórias. Tenho a felicidade de vos dizer, meus irmãos e irmãs, que o povo está se saindo tão bem, se não melhor, nesse sentido, do que jamais o fez antes, com a exceção, talvez, de um ano. Houve um ano em que se pagou mais dízimo do que em qualquer outro ano desde então; mas presumimos que isso foi resultado de uma prosperidade sem precedentes, e não estamos dispostos a medir os anos seguintes por aquele, mas antes a compará-los ano a ano, de modo consistente. Tenho o prazer de vos dizer que, se continuardes a cumprir vosso dever nesse assunto, não tardará muito para que a Igreja não deva nada a ninguém, exceto a Deus. Quanto a mim, não me tenho preocupado particularmente se hei de viver muito ou pouco tempo; ainda assim, posso dizer que me seria agradável ter o privilégio de viver até que cada dólar que a Igreja deve seja pago, e reste um bom excedente no tesouro. Desejo ver esse dia, se for da vontade do Senhor. Mas se Ele não quiser que eu viva até que esse dia chegue, pretendo, de qualquer forma, levar a efeito esse propósito no máximo de minha capacidade, e trabalhar para esse fim enquanto eu viver e me for permitido ocupar minha posição atual. Ademais, digo-vos que tenho dois conselheiros fortes, firmes e fiéis para me ajudar e encorajar neste empreendimento — os Presidentes Winder e Lund. Penso que, se há, entre nós três, alguém mais inclinado a ser liberal do que os outros, talvez seja o irmão Lund. Sua alma generosa e grande, às vezes, expande-se um pouco mais do que a do irmão Winder ou a minha. Não discordamos quanto a isso, mas procuramos ser econômicos e prudentes, e fazer render aquilo que temos. Estamos nos esforçando para ajudar a viúva e o órfão, e, na medida em que nossos recursos permitem, as diversas alas e estacas de Sião, na construção de suas capelas. Estamos procurando fazer o melhor que podemos pela manutenção de nossos templos e pela continuidade da obra que neles se realiza. E isso requer consideráveis recursos. De acordo com nossos meios e as obrigações que sobre nós recaem, estamos fazendo, penso, um bom trabalho por nossas escolas da Igreja, das quais temos várias, e que são um crédito para o povo e para a causa da educação. Finalmente conseguimos concluir o edifício do Deseret News, cujos alicerces foram lançados pelo Presidente Lorenzo Snow. Também concluímos o anexo do Deseret News. Esses edifícios são verdadeiramente um crédito para nossa cidade, mas têm sido fonte de grande despesa para a Igreja. Ambos são edifícios dispendiosos, especialmente o principal, construído solidamente e da maneira mais cara, e permanecerá como um monumento para a cidade por muitos anos vindouros. Já estão pagos, e essa obrigação está fora de nossas mãos. Agora empreendemos ajudar — não fazer tudo sozinhos — na construção de um hospital dos Santos dos Últimos Dias nesta cidade, onde os doentes e desafortunados de nosso povo possam ser recolhidos em caso de emergência. Será administrado sob os auspícios dos Santos dos Últimos Dias, e esperamos poder ajudar a concluí-lo e, ainda assim, continuar pagando nossas dívidas. Mas se alguém que possua um excedente de recursos for generoso o bastante para contribuir voluntariamente para a construção desse hospital, teremos prazer em recebê-lo. Outros fazem essas coisas, mas não temos muitos ricos entre nós, e por isso não esperamos tanto de nossos irmãos; mas onde houver homens com abundância de recursos e desejo de colocar parte deles onde façam bem, se os oferecerem livremente a este hospital, nós os aceitaremos com nossa bênção, e com a bênção dos doentes e desafortunados que ali forem recolhidos no futuro. A bênção de todos recairá sobre o generoso doador. Ainda assim, esperamos poder prosseguir com a construção até que seja concluída — isto é, a parte principal. Com o tempo, sem dúvida, terá de ser ampliada para atender às nossas necessidades. Além disso, queremos que as boas irmãs que contribuíram, no passado, com recursos para a construção de um edifício das mulheres nesta cidade, para o qual foi designado um terreno, compreendam que seus esforços nesse sentido não são em vão. Visto que contribuístes com vossos recursos e os tendes em guarda segura, eles servirão muito bem quando começarmos a lançar os alicerces de um edifício memorial ao nome e à honra do Profeta Joseph Smith, e nesse edifício a Sociedade de Socorro, os diversos quóruns do Sacerdócio e as Autoridades Gerais da Igreja terão moradia e escritórios oficiais. Erigiremos um edifício, espero, que será um crédito para a Igreja — não, porém, antes de pagarmos nossas dívidas. Não queremos começar a contrair novas dívidas até que as antigas sejam eliminadas, nem mesmo depois, se pudermos evitá-lo. Mas, quando obtivermos os recursos e estivermos em condições de fazê-lo, esperamos erguer um edifício na antiga esquina do Deseret News que sirva de sede à presidência da Igreja, aos Doze Apóstolos, ao Bispado Presidente, aos Sete Presidentes dos Setenta, e às organizações gerais e auxiliares da Igreja. Assim, não queremos que vós, irmãs, fiqueis desanimadas por não verdes a obra em andamento neste momento. Não usamos vosso dinheiro; de fato, vós o controlais, e ele está onde o colocastes. Ele permanecerá ali, e talvez vos renda um pouco de juros, até que estejamos prontos para usá-lo. Quando esse tempo chegar, então vos chamaremos para nos ajudardes a construir, para vós mesmas e para nós, um lar. ¶
Sinto-me feliz nesta obra. Sei que é boa. Sinto-a em cada fibra do meu ser. Estou satisfeito de que a mão do Senhor está sobre Seu povo para o bem, e que Ele está alongando as cordas de Sião e fortalecendo suas estacas. Não tenho podido viajar tanto quanto gostaria, mas tive o prazer de visitar, neste verão, nossos povoados no Canadá, em Oregon e na Bacia de Big Horn; e onde quer que tenha ido, tenho visto evidências inconfundíveis da bênção e da aprovação de Deus sobre o povo. Por todos os lados há evidências de progresso, de aumento, do desenvolvimento dos recursos da terra, e de edificação e fortalecimento das estacas de Sião. Sinto em meu coração que o Senhor continuará a abençoar e prosperar Sião. Como evidência de que Ele o está fazendo, vemos que o diabo ainda não está morto, e não morrerá enquanto a obra de Deus estiver viva na terra. ¶
O Senhor abençoe Sião. Paz seja convosco, meus irmãos e minhas irmãs, e em todas as vossas habitações. Que a paz e a bênção de Deus estejam sobre vossas famílias, sobre vossos rebanhos e vosso gado, vossos bens, e tudo aquilo sobre o que Ele vos fez mordomos, para que estas coisas sejam santificadas ao Senhor e por Ele abençoadas para vosso bem e contínua felicidade no tempo e para vossa exaltação na eternidade. Deus abençoe estes homens fiéis que presidem as estacas de Sião, com seus conselheiros e os membros dos Sumos Conselhos, e os Bispos e seus conselheiros. Deus abençoe os presidentes dos Setenta, o Bispado Presidente, os Doze Apóstolos, e todos os que estão engajados no trabalho do ministério, até que os Santos sejam conduzidos ao conhecimento da verdade, à medida da estatura completa de Cristo; que conheçamos como somos conhecidos, e não sejamos levados em roda por todo vento de doutrina e pelo engodo dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente. Deus nos livre das ciladas do adversário, e das armadilhas que são postas para nossos pés e das covas que são cavadas para nossa destruição, e nos faça prosperar na terra, agora e para sempre, é minha oração, em nome de Jesus. Amém. ¶