Pulpit

A Missão Japonesa e a Obediência

Heber J. Grant

Conferência Geral de Outubro de 1903·Sessão da Manhã do Primeiro Dia·1903-10-04

É desnecessário dizer aos Santos dos Últimos Dias que me regozijo em ter o privilégio de estar novamente diante de vós neste Tabernáculo. É de fato um prazer, para todo homem e mulher que possui um testemunho da divindade da obra em que estamos engajados, sair e dar esse testemunho a seus semelhantes. Não há alegria que chegue ao coração humano, no que diz respeito à minha experiência de vida, que se iguale à que sentimos quando estamos empenhados na obra do Senhor, seja em casa ou no estrangeiro. Creio que, via de regra, quando estamos longe de casa, e livres das preocupações geralmente associadas aos assuntos comuns da vida, que absorvem a maior parte de nossa atenção, aproximamo-nos mais do Senhor, e recebemos mais abundantemente das manifestações de Seu Espírito Santo, do que em casa. É por essa razão que o jovem élder recém-desobrigado, e o élder que esteve em sua segunda ou terceira missão, que foi fiel, pode levantar-se diante das congregações dos Santos e testificar que desfrutou grandemente de seus trabalhos missionários, ainda que separado de seus amigos e não exercendo os ofícios comuns da vida.

Caso eu venha a esquecê-lo, quero dizer uma ou duas palavras sobre o hino que acabamos de ouvir -- "A Manhã Rompe, as Sombras Fogem", etc. Não tomarei tempo para lê-lo, mas é o primeiro hino do livro. Foi escrito sob a inspiração do Senhor, por um dos maiores pregadores e escritores do evangelho de sua época -- Parley P. Pratt. Louvado seja Deus por ele ter um par de netos capazes de cantá-lo tão lindamente! Lede o hino, e guardai em vosso coração os sentimentos nele contidos. Enche-me o coração de alegria perceber que homens que deram sua vida, e todo o seu tempo e talento à obra de Deus, que nunca buscaram acumular riqueza, deixaram filhos e netos que seguem seus passos. A "Voz de Advertência" está tão viva hoje quanto quando Parley P. Pratt a terminou de escrever. É distribuída aos milhares, e há uma inspiração e um poder que acompanham essa obra onde quer que seja distribuída.

Sei que os Santos dos Últimos Dias têm-se interessado grandemente pela missão que fui chamado a presidir, e lamento não poder dizer-vos que realizamos algo maravilhoso no Japão. Para ser perfeitamente franco convosco, reconheço que realizei muito pouco, de fato, como presidente daquela missão; e muito pouco foi realizado -- no que diz respeito a conversões -- pelos poucos élderes ali enviados para trabalhar, ou pelas irmãs que estavam comigo. Ao mesmo tempo, tenho a certeza em meu coração de que ainda se realizará uma grande e importante obra naquela terra. Os habitantes são um povo maravilhoso. O que realizaram nos últimos cinquenta anos, desde que o país se abriu aos estrangeiros, é pouco menos que espantoso. Em verdade, "uma nação nasceu num só dia", no Japão! Ao regressar dessa missão, bem como quando para lá ia, fiquei profundamente impressionado com o grande progresso realizado por aquele povo. Viajei de Seattle ao Japão, ao retornar àquele país, num dos navios da companhia Japan Steamship. É um navio de capacidade entre seis e sete mil toneladas. Foi construído pelos próprios japoneses. É de propriedade de capital japonês, e compete nos mercados do mundo, por assim dizer, contra navios ingleses e americanos, e mantém sua posição. Essa companhia também possui uma grande linha de vapores que fazem a rota para a Inglaterra, a Austrália e a Nova Zelândia. É uma das maiores companhias com navios no oceano Pacífico. Quando pensais em vários milhares de toneladas de carvão carregadas num navio, podeis imaginar que é uma embarcação bastante grande. É quase o dobro do comprimento da loja da Zion's Co-operative Mercantile na rua Main, e tem o dobro de andares, contando os conveses abaixo e acima da linha d'água, embora não sejam tão altos; e tem cerca de 50 pés de largura. É certamente uma embarcação imensa. Regressei a casa em outro navio, pertencente à mesma companhia, recém-concluído no Japão, e comandado pelo homem que estava no comando daquele em que fui ao Japão. Para dar-vos uma ideia de quão firmemente esses grandes navios navegam, direi que partimos do Japão rumo a casa em meio ao que se conhece como tufão asiático, e, apesar de a água ocasionalmente varrer o convés dianteiro, que estava talvez de 25 a 40 pés acima do mar (é muito difícil julgar a altura olhando por sobre a amurada de um navio), e apesar de as ondas se elevarem alto, não creio que um copo de água, colocado no chão, tivesse tombado durante a tempestade.

Ao ouvir os comentários do Presidente Smith, fiquei fortemente impressionado com algumas lições que aprendi ao ir ao Japão. Uma delas é que há abundância de oportunidades em Utah para todo homem desperto e ativo, e ele realmente não precisa esforçar-se por encontrar uma terra melhor para onde ir. Em Utah, cultivamos cerca de 15 por cento do solo. No Japão, afirma-se, cultivam apenas 12 por cento. O Japão é cerca de 25 por cento maior do que nosso estado; portanto, a área da terra sob cultivo é aproximadamente a mesma que aqui; e, contudo, sustentam entre quarenta e cinquenta milhões de pessoas naquela extensão de terra! Pensamos que estamos cultivando a terra; ora, estamos simplesmente arranhando-a, meus irmãos e irmãs. Houve um aumento maravilhoso no valor das terras nas proximidades da fábrica de açúcar de Lehi, assim como das terras nas proximidades das fábricas de Ogden, Logan e Garland, por causa do cultivo superior e das colheitas maiores.

Sei que este é um problema que se apresenta aos Santos dos Últimos Dias. Devemos estudar unidamente para criar melhorias pelas quais a terra produza mais, em vez de tentar descobrir onde podemos conseguir um grande pedaço de terra. Há muitos homens que, com poucos acres devidamente cuidados e cultivados, produzem mais do que os homens com grandes fazendas que simplesmente arranham. Deveríamos ter galinhas para fazer o arranhar; mas devemos cultivar completamente nossa terra. Lembro-me de um homem que vive em Lehi, a pouco mais de um tiro de pedra da estação ferroviária. Certo ano, esse homem colheu, em pouco menos de quatro acres de terra, 128 toneladas de beterrabas. Era um homem muito honesto, e percebeu que muitas dessas beterrabas não prestavam para açúcar. Sabeis que, na história inicial da fábrica de açúcar de Lehi, tínhamos de aceitar tudo o que tivesse forma de beterraba que o agricultor produzisse. Não era como o trigo; se o agricultor cultivasse trigo e ele sofresse geada, e não prestasse, o moleiro não precisava comprá-lo; mas quando começamos a indústria açucareira, nós, figuradamente, nos ajoelhamos diante do agricultor, e, se isso não bastasse, quase nos deitamos e rastejamos até ele, e implorávamos que cultivasse beterrabas. Tínhamos de aceitar todas as beterrabas que nos trouxessem, e pagar-lhes $5 por tonelada, e depois tínhamos de alimentar alguns porcos com parte delas, porque não prestavam para nada, não tendo qualquer matéria sacarina. O homem de quem falo, porém, percebendo que as grandes beterrabas que haviam crescido na beira de seu pequeno lote, perto de onde corria a água, continham pouco açúcar, e não valiam $5 por tonelada, separou cerca de oito toneladas das maiores e guardou-as para alimentar seu próprio gado; o resto trouxe-nos, e recebeu $600 em dinheiro por elas -- de quatro acres. Pouco depois disso, fui ao vale do rio Snake. Encontrei ali um homem com 360 acres (lamentei um pouco que não tivesse 400 acres), e perguntei-lhe quanto tinha colhido naquele ano. Disse que cerca de $500. Ele arranhara, trabalhara, arara e gradeara sua grande fazenda, e colhera aquele pouco; ao passo que meu amigo dos quatro acres -- aliás, ele tinha um jardim de flores, e cultivava vegetais para sua família, de modo que não tinha os quatro acres inteiros em beterrabas -- ganhou $600 em dinheiro. Também tinha o prazer de viver ali mesmo com seus amigos, desfrutando do benefício de escolas e outras vantagens para seus filhos, em vez de viver isolado num rancho, sem vantagens educacionais, sem sociedade, sem associações de melhoramento, sem escolas dominicais, e onde teria de arranhar, caminhar, gradear, arar e esgotar-se. Além disso, naqueles dias dávamos prêmios (não sei se ainda os dão) para os melhores 10 acres, os melhores cinco acres, e os melhores dois acres e meio; e os quatro acres desse homem eram melhores do que os dois acres e meio de qualquer outro, de modo que ganhou um prêmio de $50. Consequentemente, sua terra rendeu-lhe oito toneladas de beterrabas, vegetais para sua família, forneceu-lhe uma casa para morar, e deu-lhe $650 em dinheiro.

O Presidente Young tentou estabelecer a indústria da seda, quando eu era menino, e algumas pessoas zombaram e riram dela. Também zombaram e riram da indústria açucareira. Lembro-me de que todo agricultor com quem falei dizia que não podíamos arcar com o custo de cultivar beterrabas; que custaria mais plantá-las, arrancá-las e cortar-lhes o topo do que valiam de fato. Descobriram agora que não é bem assim. Muitos deles descobriram que compensa razoavelmente bem plantar beterrabas. Antes de ir ao Japão, avaliei muitas e muitas fazendas nas proximidades de Lehi, e os proprietários simplesmente haviam dobrado os preços em relação aos que vigoravam antes de a fábrica ser construída. Digo-vos que o aumento real do valor da terra no condado de Utah é maior do que o custo de construção daquela fábrica. Assim, inclino-me a pensar que ela beneficiou o agricultor, que foi benéfica tanto para o povo quanto para o acionista -- isto é, para aqueles que se tornaram acionistas depois que a fábrica começou a funcionar, e não para alguns de nós que entramos no início e "quebramos" com ela.

Vejo que há muitas oportunidades, se apenas as aproveitarmos, e estudarmos constantemente para melhorar e aumentar a produção do solo, bem como fazer o melhor uso possível de nossos recursos. Disseram-me que grande parte da terra em algumas regiões do vale de Cache, considerada de muito pouco valor, é hoje muito valiosa, por causa da indústria de laticínios. Regozijo-me ao ouvir deste aumento de valores por causa do estabelecimento de manufaturas. Sempre usei roupas feitas em casa. (É claro que agora estou vestindo roupas japonesas, mas logo estarão gastas, e, se eu permanecer aqui tempo suficiente, voltarei a vestir tecidos de Provo.) Sempre acreditei em vesti-las. Por quê? Porque um traje feito em casa mantém $20 a $30 aqui; ao passo que, enviando a lã para ser confeccionada alhures, a comunidade seria enriquecida com o retorno de 75 centavos! Ao manter os $30 aqui, se eu não os recebo, alguém mais os recebe; e sempre fui da opinião de que, se ficassem circulando por aqui, talvez eu me igualasse apoderando-me de parte deles. Ao comprar roupas feitas em casa, há em parte patriotismo, e em parte um desejo em benefício de meu próprio bolso.

O povo do Japão é diligente. Aprende a economizar, porque simplesmente precisa viver com muito pouco. Creio que, se os Santos dos Últimos Dias praticassem mais geralmente a economia, a frugalidade, e aumentassem a produção do solo, haveria maiores oportunidades não apenas para o povo que já está aqui, mas para muitas vezes esse número. Não precisamos ir ao México, ao Canadá, a Wyoming ou a qualquer outro lugar, para melhorar nossa condição, via de regra. Notai bem, há exceções, e não quero que ninguém pense que não desejo ver o Canadá, Wyoming, Colorado e o México se desenvolverem. Regozijo-me ao perceber que Sião está se expandindo. Mas, ao expandir-se, que o povo procure melhorar. Não adquirais tanta terra a ponto de trabalhardes até a morte, e deixardes vossos filhos a brigar por ela. Contentai-vos com uma fazenda de tamanho moderado -- uma que possais cultivar, e fazer produzir ao máximo. Como digo, ao ver aquela nação de quarenta ou cinquenta milhões de pessoas sendo sustentada em praticamente a mesma extensão de solo que cultivamos, isso me deu a ideia de que há oportunidades maravilhosas para nós no estabelecimento de outras indústrias, além da indústria açucareira.

Ora, digo aos Santos dos Últimos Dias: buscai o Espírito do Senhor. Orai a Deus pelo desejo e pela força de cumprir, na plena medida da capacidade que Deus vos deu, o conselho e a instrução do servo de Deus e de seus conselheiros, que estão à frente deste povo. Digo-vos que, se Wilford Woodruff tivesse se apoiado nos Santos dos Últimos Dias, e na inspiração dos Santos dos Últimos Dias como indivíduos, nunca teríeis tido uma indústria açucareira nesta terra, ao menos por muitos anos ainda. A Presidência desta Igreja, nos dias do "boom", e pouco antes do colapso, escreveu cartas circulares e as enviou por todo o Israel, declarando que desejava ver essa indústria estabelecida. Apelaram aos Santos dos Últimos Dias, de uma ponta a outra de Sião, para investirem seu dinheiro nela; e homens que investiriam dez, vinte, trinta, cinquenta mil dólares em ovelhas, e ainda se endividariam além disso, não colocariam mais de cinquenta ou sessenta dólares nesta indústria destinada a criar emprego para os Santos dos Últimos Dias, e a beneficiar os agricultores. Algum rico criador de ovelhas, se lhe mostrásseis um rebanho que valia quinze mil dólares, e lhe dissésseis que poderia obtê-lo por quatorze mil, iria ao banco Deseret National, ou ao banco estadual, tomaria o dinheiro emprestado e arriscaria; mas não tomaria dinheiro emprestado para investir numa indústria que o homem a quem Deus chamou para estar à frente deste povo desejava ver estabelecida. Não; daria os sessenta dólares, e diria que nunca esperava tornar a vê-los, porque o negócio não teria êxito. Todo o Israel, na maior indústria já aqui estabelecida, investiu a extraordinária quantia de dez mil dólares na ocasião em que foi necessário fazer o primeiro pagamento àquela fábrica. Muitos homens ricos a quem procurei, com uma carta da Presidência da Igreja, pedindo-lhes que ajudassem aquela indústria -- e tinham plena condição de fazê-lo -- recusaram-se, e disseram que não acreditavam que a Igreja tivesse qualquer razão para investir dinheiro numa fábrica de açúcar, que não era da alçada da Igreja fazer tais coisas. Digo-vos que é dever da Presidência desta Igreja pedir ao povo que faça tudo o que a inspiração de Deus lhes diga para fazer. Não fosse pela sabedoria de Brigham Young, sob a inspiração do Deus Todo-Poderoso, os Santos dos Últimos Dias não estariam nesta terra de modo algum. Estamos aqui em cumprimento da predição de Joseph Smith, na qual ele declarou que seríamos expulsos de cidade em cidade, de condado em condado, e finalmente levados às Montanhas Rochosas, e nos tornaríamos um povo grande e próspero. Foi pela inspiração de Joseph Smith e de Brigham Young que o povo foi plantado aqui; e foi pelas bênçãos de Deus e Seu cuidado sobre este povo, que ele prosperou. Lede na Improvement Era (creio que está no primeiro volume) um artigo intitulado "A Voice from the Soil", do Professor Widtsoe; mostra a inspiração de Deus a estes dois homens. Estamos numa das maiores e melhores terras produtoras do mundo; e este cientista, o Professor Widtsoe, diz que esta terra é capaz de sustentar o povo de todas as nações da terra, quando fugirem para Sião em busca de segurança. Sejamos prontos e dispostos a seguir os que nos lideram, e a apoiá-los. Digo-vos que o estabelecimento da indústria açucareira aqui é resultado da inspiração de Deus a Wilford Woodruff, aquele homem manso e humilde que fazia jus à inspiração de Deus, e que a recebeu. Ainda que homens de negócios, e outros, criticassem sua ação naquela ocasião, vivi para ver sua sabedoria mostrar-se superior à crítica dos "sábios", e o povo foi beneficiado e abençoado. Sempre sereis abençoados e beneficiados ao seguir o conselho e a orientação daqueles a quem Deus escolheu para presidir a Igreja. Ao honrardes o homem que Deus escolheu, Deus vos honrará e abençoará; e, à medida que cada um cumprir seu dever, crescereis e aumentareis na luz e inspiração do Espírito de Deus. Assim como crescemos e aumentamos individualmente, assim crescerá e aumentará a Igreja. Digo-vos: "o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender é melhor do que a gordura de carneiros." Estou disposto a ficar completamente arruinado financeiramente, se isso resultasse de cumprir o conselho e os desejos daqueles a quem Deus colocou para presidir sobre mim. Esta é a obra de Deus. Joseph Smith foi um profeta de Deus; devemos lembrar-nos disso. Devemos "buscar primeiro o reino de Deus, e a sua justiça", e então todas as demais coisas nos serão acrescentadas. A vida eterna é aquilo por que trabalhamos. Não permitamos que a sabedoria, as riquezas ou a educação do mundo, ou qualquer outra coisa, ceguem nossos olhos ao fato de que esta é a obra de Deus, e de que a boca de Deus está sobre a terra; quando ele fala, estejamos prontos e dispostos, com nosso tempo, nossos talentos e tudo o que nos foi dado, a labutar para cumprir o que Deus deseja. Digo-vos: Deus há de justificar Seu porta-voz, assim como justificou Wilford Woodruff e seus conselheiros no estabelecimento da indústria açucareira.

Esqueci-me completamente da missão japonesa, ao pregar sobre a fábrica de açúcar de Lehi. Regozijo-me em dizer que tivemos uma viagem deliciosa ao Japão; e uma viagem de volta muito agradável, exceto os três primeiros dias, em que estivemos no tufão. Quando realizávamos um culto, o capitão nos fez a gentileza de comparecer à reunião. Fez seu septuagésimo aniversário a bordo do navio, ao regressarmos, e os passageiros contribuíram com alguns dólares cada um, e entregaram a um cavalheiro, com o propósito de comprar uma bela taça de prata para presentear o capitão ao chegar a Seattle. Realizei cultos no navio durante a viagem, e falei por 40 ou 50 minutos. O capitão disse que estava no mar desde a infância, mas tinha visto tanta hipocrisia em matéria de religião que nunca compareceria a nenhuma das reuniões realizadas em seu navio. Mas, ao que parece, aprendeu a gostar de nós, à medida que fomos com ele ao Japão, e passou a comparecer às reuniões e a nos ouvir; e disse: "Declaro que é bastante bom senso o que vocês pregam. A vossa é uma religião bastante prática, e gosto bastante dos mórmons, e sempre terei prazer em tê-los viajando em meu navio."

No Japão temos muitos amigos calorosos; e regozijamo-nos ao saber que nossos élderes vão todos muito bem; e as duas irmãs ali têm um espírito excelente. Éramos uma dúzia ali, e não creio jamais ter convivido com o mesmo número de irmãos e irmãs, pelo mesmo período de tempo, a quem amasse mais profundamente. São pessoas muito escolhidas. É claro que são jovens e inexperientes, mas o Senhor os está abençoando, e os mais jovens estão aprendendo o idioma muito rapidamente. Estou bem satisfeito com o progresso que estão fazendo. O irmão Ensign, creio, será capaz de assumir os assuntos daquela missão tão bem quanto eu mesmo poderia fazer, caso tivesse permanecido. Ele teve experiência missionária; ama a obra do Senhor, e estaria pronto e disposto, se necessário, a dar a vida pela causa, e isso é tudo o que qualquer homem pode fazer. Ele tem achado difícil aprender aquele idioma, e uma ou duas vezes ficou um pouco desanimado. Não o culpo por isso. Todos nós ficamos desanimados às vezes; mas, se nos arrependermos de nosso desânimo, e trabalharmos com zelo redobrado, o Senhor nunca nos leva isso em conta, nem tampouco nossos irmãos. Uma razão, talvez, pela qual o irmão Ensign se desanimou um pouco às vezes foi, creio eu, porque tivera uma vida tão ativa e enérgica como missionário no Colorado. Ali estava sempre em ação, de manhã à noite, cantando, orando e pregando, ao ar livre e dentro de casa; depois, ir para o Japão, sentar-se e estudar aquilo que o povo chama de "aquele abominável idioma", dia após dia, sem mais nada a fazer -- ora, digo-vos que isso exige muito mais coragem e resistência do que sair e realizar trabalho ativo. Isso põe à prova um homem mais do que o próprio trabalho. Não é necessária muita coragem para um homem derrubar outro que o golpeia; mas é preciso muita coragem para aguentar sem revidar. Torna-se monótono não fazer nada. Muitos homens são de primeira classe numa luta, mas de nenhum valor na guarda. O irmão Ensign está trabalhando fiel e diligentemente, e o Senhor o está abençoando. Todos os élderes ali o amam, e ele possui sabedoria suficiente, e Espírito do Senhor suficiente, para presidir ali com êxito.

Quando recebi minha desobrigação, senti que não podia voltar para casa; que precisava ficar ao menos mais seis meses; e, na primeira noite, em vez de sentir-me feliz, como costuma sentir-se alguém desobrigado a regressar para casa, senti-me triste, pela primeira e única vez no Japão. Não consegui dormir até as três ou quatro da manhã, e senti que precisava telegrafar para casa e pedir permissão para permanecer. Mas, no dia seguinte, comecei a perguntar-me: Que bem há em permaneceres aqui? Quanto mais podes fazer do que o irmão Ensign? E comecei a perceber que era o desejo de poder voltar para casa e dizer-vos que tinha realizado algo o que impulsionava meu desejo de permanecer mais tempo ali. Era um espírito de orgulho; desagradava-me ter de dizer-vos que estivera ali 15 meses sem nada realizar. Queria ficar mais seis meses, para obter algum resultado do trabalho ativo que ali havíamos feito, de modo que pudesse voltar para casa e dizer que tinha feito tão bem quanto outros Apóstolos que haviam saído em missão. Concluí que era orgulho, e não o Espírito do Senhor, o que motivava esse sentimento. Então pensei que poderia voltar para casa e talvez ir a outro lugar, se o Senhor assim o quisesse; ao menos, poderia fazer algo mais proveitoso do que ficar sentado no Japão, e tudo correria bem por lá; talvez pudesse mover uma pedra, se não mais, caso voltasse para casa. No instante em que assumi o espírito certo, fiquei maravilhosamente feliz. O irmão Kelsch foi honrosamente desobrigado para regressar para casa, e penso que foi mais ou menos o mesmo com ele quanto comigo; mas, sem dúvida, depois de refletir sobre isso uma noite, como eu fiz, ficou muito contente por voltar para casa. Podeis perguntar-lhe quando o virdes. O irmão Kelsch e eu, receio, já estamos velhos demais para jamais aprender japonês. Creio, como crê o Presidente Smith, que o Senhor nos ajudará a fazer algo se nos esforçarmos ao máximo por fazê-lo nós mesmos; mas, neste caso, o Senhor teria de ajudar tanto o irmão Grant e o irmão Kelsch, que não creio que nenhum de nós tivesse fé para crer que Ele o faria.

Dos quatro que originalmente foram ao Japão, restam os irmãos Ensign e Taylor. O irmão Ensign é agora o presidente, e se sairá bem. O irmão Taylor tem-se saído notavelmente bem. O Senhor o tem abençoado abundantemente. Ele tem estudado diligentemente, e é um jovem maravilhosamente inteligente e brilhante. Contrariamente ao efeito habitual, quando o Senhor dota um jovem de capacidade notável, em vez de a cabeça inchar-lhe, e ele pensar que sabe tudo, ele é tão humilde e modesto quanto é brilhante. Nunca convivi, em toda a minha vida, com um jovem mais diligente, enérgico e fiel. É uma honra para seus pais, e para a obra de Deus; e, tão certo quanto vive, ele se tornará um instrumento nas mãos de Deus para realizar uma grande e nobre obra. Os cinco jovens que foram comigo depois têm todos sido diligentes. Alguns deles têm achado mais fácil aprender o idioma do que outros. Todos são espíritos escolhidos e progridem constantemente. Os que têm achado mais difícil aprender o idioma têm sido os mais abundantemente abençoados por nosso Pai Celestial. Têm sido diligentes, e o Senhor parece ter compensado neles aquilo que lhes faltava em facilidade de aprendizado. Aqueles que têm achado mais difícil falar japonês, em várias ocasiões, ao explicarem os princípios do evangelho, o Senhor lhes deu palavras para falar, e foram capacitados a falar além de seu conhecimento do idioma. Temo-nos regozijado com este testemunho adicional da bondade de Deus para conosco. As duas irmãs que ali estão têm se saído notavelmente bem. Minha esposa achou muito difícil aprender o idioma, por ser mais avançada em anos do que as outras irmãs. Aprendeu-o muito melhor do que eu, contudo; ainda assim, foi tarefa árdua para ela. Minha filha achou mais fácil; e realmente lamentei sobremaneira ter de voltar para casa por causa dela; pois ela estava adquirindo o espírito missionário; era capaz de dar testemunho, e o fazia com humildade, e com a bênção de Deus. Senti que, se pudesse permanecer ali mais alguns meses, Deus lhe daria um testemunho maior, e poder e capacidade para realizar uma obra notável naquela terra. Fiquei triste por trazê-la para casa, porque senti que ela estava adquirindo, em sua infância, uma experiência que lhe seria de grandíssimo valor.

O povo ali foi tão bondoso e atencioso conosco quanto poderíamos desejar. Seguimos, o melhor que pudemos, o conselho que recebemos da Presidência. Publicamos dois tratados. Um deles foi um tratado curto que escrevi, contendo algumas informações sobre a Igreja, o qual foi republicado na "Era". O outro foi um tratado escrito inteiramente pelo irmão Taylor, sobre Deus. Ele não tentou escrever sobre a Trindade, por temer confundir aquele povo. É um tratado muito competente. Primeiro escreveu um que seria bastante satisfatório em qualquer terra onde o povo compreendesse o inglês; mas pareceu-me que seria profundo demais, e muito além do que os japoneses poderiam compreender; então entreguei-o a ele e disse: Irmão Taylor, gostaria que pedísseis ao Senhor que vos ajudasse a escrever isto num estilo de segunda cartilha. Ele o reescreveu, e o simplificou; e, se não soubésseis que fora o mesmo homem que escrevera os dois tratados, dificilmente acreditaríeis. Isso nos encantou a todos, e louvamos ao Senhor pela capacidade que dera ao irmão Taylor para escrever este tratado; sentimos que fará muito bem. O povo ali está maravilhosamente interessado em aprender inglês. Certa vez havia dez jovens que queriam ser batizados. Dissemos-lhes que não se apressassem, mas que viessem nos visitar ocasionalmente, e conversaríamos com eles, e, depois de algum tempo, quando compreendessem melhor o evangelho, os batizaríamos. Assim que, porém, o irmão Taylor e outros dos irmãos chegaram a um ponto em que, quando iam falar em inglês, os irmãos respondiam em japonês, começaram a desistir, um a um. Quase todos os nossos conversos são desse tipo. Amam-nos muito ternamente, sabem que temos a verdade, e querem ser batizados imediatamente; mas, quando deixamos de falar-lhes em inglês, perdem o amor pelo evangelho. Achei muito divertido ver um japonês inteligente e brilhante sentar-se e conversar uma noite inteira com o irmão Taylor, determinado a falar inglês e nunca uma palavra de japonês, e o irmão Taylor, igualmente determinado, a nunca dizer uma palavra em inglês, falando-lhe em japonês.

Batizamos apenas três pessoas até agora, e duas delas, receio, não prestam. A outra, creio, é um homem convertido e um Santo dos Últimos Dias. Os dois primeiros a serem batizados eram bastante promissores, e, quando voltei para casa anteriormente, relatei o quanto nos sentíamos bem por causa desses dois homens. Um deles sabia falar inglês, e tinha lido a Bíblia. Oh! ele acreditava em tudo -- pronto a dar a vida por isso. Descobri depois que queria pedir-me emprestado algum dinheiro para abrir um estabelecimento de remédios patenteados. O outro homem, um sacerdote xintoísta, tentei persuadi-lo a esperar um pouco antes de ser batizado, mas ele disse que acreditava em cada palavra. Peguei o "Ready References" do irmão Kelsch, e o percorri com ele, por meio de um intérprete, referência por referência, e ele engoliu cada uma delas. Dentro de uma semana depois que deixei o Japão pela primeira vez, ele quis algum dinheiro dos irmãos, e assim que voltei para lá, quis mil e quinhentos dólares de mim para abrir uma gráfica, e, quando não os obteve, sua fé escoou-se. O último converso, no princípio, simplesmente "atacou-nos". Fora ensinado em inglês por um pastor cristão, e conhecia todos os argumentos de nossos amigos cristãos. Costumava vir regularmente e travar batalhas com o irmão Taylor, e o irmão Taylor o vencia sempre, até que começou a ficar-lhe claro que devíamos ter a verdade, vendo que tudo o que ele apresentava era refutado. Começou a estudar nossa fé, e leu o Livro de Mórmon. Foi finalmente batizado, e tem sido fiel desde então, e esperamos que assim continue.

Ora, não vos contei nem metade de minha história; mas o tempo passou. Deus vos abençoe. Amém.

Como citar este discursoHeber J. Grant, “A Missão Japonesa e a Obediência”, Conferência Geral de Outubro de 1903, Sessão da Manhã do Primeiro Dia (1903-10-04). Pulpit Vault, 1903-10-grant-japanese-mission-and-obedience. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).