Pulpit

Relatório sobre a Missão dos Estados Centrais

Ben E. Rich

Conferência Geral de Outubro de 1902·Sessão da Manhã do Primeiro Dia·1902-10-04

(Presidente da Missão dos Estados Centrais.) Meus irmãos e minhas irmãs, o Senhor prometeu que, nos últimos dias, estabeleceria um reino sobre a terra, e também foi dada a promessa de que ele jamais seria derrubado ou entregue a outro povo, mas que seria como uma pequena pedra cortada dos montes sem auxílio de mãos, a qual rolaria e, por fim, encheria toda a terra de retidão. Foi prometido por nosso Mestre, enquanto habitava na mortalidade, que um dos sinais de Sua segunda vinda seria a pregação daquele Evangelho por Ele plantado sobre a terra, edificado sobre o fundamento dos apóstolos e profetas e da revelação de Deus, pregado sem bolsa nem alforje, cujos princípios fundamentais seriam a fé n'Ele, o arrependimento do pecado, o batismo para a remissão dos pecados e o dom do Espírito Santo pela imposição das mãos.

Vivemos numa era, quer o mundo o creia ou não, em que estas promessas estão sendo cumpridas; em que o Deus dos céus estabeleceu um reino sobre a terra, e, não obstante o fato de que os poderes da terra têm se posto contra ele desde sua organização até os dias de hoje, ele tem rolado, tem crescido e se multiplicado em força e influência. Seu destino é encher esta terra com a retidão de nosso Deus, e ele está sendo pregado em cumprimento da palavra do Mestre, como testemunho a todas as nações da terra, antes que venha o fim da iniquidade.

Temos sido abençoados por viver nesta dispensação, e por sermos instruídos nos princípios do Evangelho; e Deus nos deu, por meio dos sussurros de Seu Espírito, um testemunho da veracidade do mesmo. Tem sido meu privilégio estar no mundo por algum tempo, dirigindo a obra missionária em alguns dos estados e ajudando a advertir o povo do mundo para que fuja da ira vindoura. Não esperamos converter o mundo. Nossa missão é reunir os retos de coração dentre as nações da terra, advertir toda a humanidade, e pregar o Evangelho como testemunho, em cumprimento da palavra do Mestre.

No campo missionário, encontramos muitas coisas que não se encontram em casa. Muitas coisas acontecem às quais vós não dais atenção, e, no entanto, são ampliadas pelo povo do mundo; e, se o Todo-Poderoso não continuasse a ampliar-nos, a nós e à nossa capacidade, diante do povo do mundo, e a abrandar os corações do povo para conosco, e a conduzir-nos às portas dos que buscam a verdade, teríamos, de fato, uma situação muito difícil. Os missionários têm direito à fé e às orações de todos os Santos. O sol jamais deveria se pôr sem que os Santos dos Últimos Dias pudessem dizer: Neste dia, orei por aqueles que trabalham nas nações da terra para espalhar os princípios da verdade eterna. Tudo o que acontece é interpretado pelo mundo de tal maneira que traga má fama à obra de Deus perante o povo. Visto que trabalho no mundo, onde temos de enfrentar essas coisas, talvez seja justificável referir-me ao fato de que este terrível crime cometido recentemente na cidade de Nova York (todos sabeis a que me refiro) tem sido ampliado em todos os grandes jornais do país, num esforço de atribuir o horrível ato à Igreja "Mórmon". Em manchetes flamejantes, afirmam que as doutrinas da Igreja "Mórmon" são responsáveis por aquele crime e pela condição daquela infeliz criatura que agora se encontra numa cela de prisão! Tenho me perguntado muitas vezes se os não mórmons que vivem aqui, que buscam a clientela dos Santos dos Últimos Dias, e que nos conhecem como realmente somos, não teriam a hombridade, a independência, o espírito americano que arde em suas veias, para levantar a voz em protesto contra as coisas terríveis atribuídas a estes bons homens que estão à frente desta organização religiosa. Os Santos dos Últimos Dias não precisam depender de homem algum para ter um testemunho da verdade do Evangelho. Eles o receberam, conforme prometido, do céu. O sussurro da voz mansa e suave de Deus lhes disse que Joseph Smith foi um profeta; que seus sucessores no ofício, à frente da Igreja, foram e são profetas, videntes e reveladores; que estes irmãos aqui são apóstolos do Senhor Jesus Cristo, e que o Evangelho é verdadeiro. Foram ensinados a deixar brilhar tanto sua luz, que ela não se oculte. Mas aqueles que não são de nossa fé, e que viveram por anos em nosso meio, conhecem as muitas falsidades que se têm espalhado a nosso respeito. Sabem que homens que residiram aqui, e que foram tratados com bondade, foram para o leste e encheram a mente do povo com as mentiras mais infames a nosso respeito. E tenho esperado, por muitos anos, para ver se não brotaria nos corações dos não "mórmons" de Utah um espírito de justiça, e um protesto emitido por eles contra as muitas mentiras que se espalham a respeito deste povo.

Dizem que os "mórmons" acreditam na expiação pelo sangue. Nós de fato acreditamos na expiação pelo sangue; e todo o mundo cristão também acredita na expiação pelo sangue. Acreditamos no sangue expiatório do Senhor Jesus Cristo, que purificará a humanidade de todo pecado, na condição de obediência às leis do Evangelho. Não há nação cristã sobre a terra que não creia, ou finja crer, na expiação pelo sangue, do mesmo modo que os Santos dos Últimos Dias creem nela. Ah, mas os "mórmons" creem em outro tipo de expiação pelo sangue!, dizem. Pois bem, nós cremos, da mesma maneira que esta nação crê, e de nenhuma outra — da maneira que Deus a revelou aos antigos, de que, se o homem derramasse o sangue do homem, pelo homem seria derramado o seu sangue. Não há um só estado nesta nossa gloriosa União que não creia nesse tipo de expiação pelo sangue. No que diz respeito a levar um assassino à morte, cremos que, se a punição correta fosse infligida ao indivíduo, não seria por estrangulamento até a morte, nem colocando-o numa cadeira elétrica, mas seria uma execução pela qual seu sangue seria derramado. Graças a Deus, neste estado houve, na Convenção Constitucional, pessoas suficientes que criam nesse princípio para colocar sabiamente, naquela constituição, uma cláusula que estabelecia que, ao aplicar a pena de morte, o assassino deveria ter a escolha entre ser fuzilado ou enforcado; e, se houvesse uma partícula de crença na lei de Deus no coração do assassino condenado, a lei lhe daria a oportunidade de escolher uma morte pela qual seu sangue pudesse ser legalmente derramado pelo homem, visto que ele derramara o sangue de seu semelhante. Mas, sendo este o Evangelho do Senhor Jesus, cremos nas doutrinas por Ele estabelecidas, e, portanto, cremos em dar a César o que é de César, e a Deus o que é Dele.

O Deseret News da última terça-feira à noite continha um artigo que havia sido publicado em 1889. Era assinado pela Primeira Presidência da Igreja, pelos Doze Apóstolos, e também por Daniel H. Wells e John W. Young, que então atuavam como conselheiros dos Apóstolos. Perdoai-me se eu ler esse artigo. É uma declaração feita pelos líderes da Igreja sobre o assunto de que estou falando.

"Que esta Igreja vê o derramamento de sangue humano com o mais profundo horror. Que consideramos o assassinato de um ser humano, exceto em conformidade com a lei civil, um crime capital que deveria ser punido pelo derramamento do sangue do criminoso, após um julgamento público perante um tribunal legalmente constituído da terra.

"Não obstante todas as histórias contadas sobre a morte de apóstatas, nenhum caso dessa natureza jamais ocorreu, e, é claro, jamais foi comprovado contra a Igreja que representamos. Centenas de dissidentes da Igreja têm residido continuamente, e ainda hoje vivem, neste território, muitos dos quais amealharam considerável riqueza, embora amargamente opostos à fé e ao povo mórmon. Mesmo aqueles que fizeram da fabricação das mais vis falsidades o seu ofício, e da apresentação delas como plausíveis mediante a extração de trechos isolados de antigos sermões sem o contexto explicativo, e que não deixaram escapar nenhuma oportunidade de difamar e enegrecer o caráter do povo, permaneceram entre aqueles a quem assim têm caluniado persistentemente até o dia de hoje, sem sofrer o menor dano pessoal.

"Denunciamos como inteiramente falsa a alegação que se tem feito, de que nossa Igreja favorece ou acredita na morte de pessoas que deixam a Igreja ou apostatam de suas doutrinas. Encararíamos uma punição dessa natureza para tal ato com o mais profundo horror; ela nos é abominável e está em direta oposição aos princípios fundamentais de nosso credo.

"As revelações de Deus a esta Igreja estabelecem a morte como pena para crime capital, e exigem que os infratores contra a vida e a propriedade sejam entregues e julgados pelas leis da terra.

"Declaramos que nenhum tribunal de bispo ou outro tribunal desta Igreja reivindica ou exerce funções civis ou judiciais, nem o direito de substituir, anular ou modificar o julgamento de qualquer tribunal civil. Tais tribunais, embora estabelecidos para regular a conduta cristã, são puramente eclesiásticos, e seus poderes punitivos não vão além da suspensão ou excomunhão de membros da comunhão da Igreja."

Isto mesmo tem sido proclamado muitas vezes pelas autoridades da Igreja desde sua organização; mas, não obstante isso, o povo do mundo, e especialmente os líderes das igrejas cristãs, jamais deixam passar uma oportunidade de tentar levantar esta velha acusação e amedrontar o povo para que não ouça os élderes quando estes saem a pregar o Evangelho de Jesus Cristo. Não faz nem duas semanas, um homem que se supunha inteligente, ministro de uma das igrejas, perguntou-me: "Não é verdade que, se alguém se filia à vossa Igreja e depois a deixa, as ordens dos líderes da Igreja são que deveis matar esse homem e derramar seu sangue?" Perguntei-lhe onde ele havia obtido essa ideia; e ele respondeu: "De publicações e escritos de ministros e outros que estiveram em vosso meio." Ah! vós, homens que não credes na Igreja "Mórmon", e que aqui viveis há anos sem serdes molestados, é vosso dever atirar de volta estas mentiras à face do mundo. É vosso dever dizer ao povo do mundo que os homens que saíram daqui e mentiram não merecem consideração alguma. Certo ministro no leste, que costumava viver em Brigham City, anda contando histórias de como, não faz mais de seis anos, mulheres caminhavam de Salt Lake City, pela linha férrea, até Brigham City, buscando dele proteção para impedir que seus maridos derramassem o sangue delas, sob a doutrina da expiação pelo sangue. Pois bem, meus amigos não "mórmons" de Salt Lake City, isso reduz ao mínimo vosso poder de proteção, não é mesmo? Que vergonha, fazer uma mulher caminhar de Salt Lake City a Brigham City — aquele reduto do anti-mormonismo (?) — para pedir proteção! No entanto, esse homem finge ser ministro do Evangelho. Talvez, em sua vida, ele já tenha aberto a Bíblia; mas esqueceu-se de que ali leu as palavras de Deus que dizem: "Não mentirás." "Não dirás falso testemunho contra o teu próximo." Ora, bem ali em Salt Lake City, há poucos anos, um desses ministros assassinou duas moças, cortou seus corpos em pedaços e os queimou na fornalha da igreja. Levou os pertences delas, que foram encontrados numa casa de penhores em Butte. Alguma vez o povo "mórmon" atribuiu isso aos ensinamentos da doutrina daquela igreja? Alguma vez demos falso testemunho contra eles a esse respeito? Alguma vez o mundo atribuiu esse crime horrível à igreja à qual aquele ministro pertencia? Como teria sido diferente se aquele fosse um dos presidentes de estaca "mórmons", ou um bispo "mórmon"! Que manchetes teriam sido publicadas nos jornais, relatando o caso; e como se teria divulgado ao mundo que as doutrinas da Igreja "Mórmon" foram responsáveis pelo assassinato dessas duas moças! Mas foi uma dessas boas igrejas cristãs daqui; e, se aquele homem tivesse seguido as doutrinas da igreja que fingia presidir, jamais teria cometido aquele assassinato. O povo "mórmon" sabe disso, e está disposto a dar testemunho quanto a isso. Por que não dizem alguns membros dessas outras igrejas que, se este jovem em Nova York tivesse seguido as doutrinas da Igreja "Mórmon", provavelmente estaria em Nova York, de pé nas esquinas, prestando testemunho de que Deus vive e de que Jesus é o Cristo, em vez de estar trancado numa cela de prisão. Há alguns anos, em São Francisco, vós vos lembrais, duas moças foram assassinadas numa igreja ali, e seus corpos nus foram encontrados na torre da igreja; e, por bom tempo, o ministro daquela igreja foi acusado, na imprensa pública, de estar implicado no terrível crime. Mas não se fez nenhuma tentativa, na imprensa, por todos os Estados Unidos, de mostrar que os ensinamentos daquela igreja eram responsáveis. Declararam que era a condição depravada do criminoso, e que todas as igrejas tinham gente boa e má. Como teria sido diferente se isso tivesse acontecido neste Tabernáculo, e os corpos de duas moças assassinadas tivessem sido encontrados escondidos ao redor deste órgão! O mundo o teria sabido em vinte e quatro horas, e teria sido atribuído às doutrinas da Igreja "Mórmon". O Cincinnati Enquirer de 7 de setembro — cerca de dez dias antes de este terrível fato acontecer em Nova York — deu notícia de um ministro pertencente à igreja Batista. Ele havia cortado a garganta de sua esposa, e foi encontrado com uma navalha numa das mãos e a Bíblia na outra. Estava lendo trechos da Bíblia sobre a expiação pelo sangue, e clamava que sem derramamento de sangue não se faz remissão; e procurava justificar seu terrível crime pelo que havia encontrado na Bíblia. O jornal continuou dizendo que ele ocupava posição muito elevada nos conselhos da igreja Batista, e que havia ocupado alguns dos púlpitos mais proeminentes da igreja Batista no estado. Mas atribuíram o ato à igreja Batista? Não! Como teria sido diferente se um apóstolo "mórmon" tivesse feito tal coisa! Não teriam dito que o pobre homem havia enlouquecido; mas teriam dito que ele estava seguindo as instruções que lhe foram dadas pelas autoridades da Igreja "Mórmon".

Digo-vos que circulam mentiras das mais infames a respeito deste povo, e, se não se arrependerem, serão condenados, e permanecerão nessa condição até que o Senhor, em Sua misericórdia, permita que algum élder "mórmon" vá ajudá-los a sair dela. Rogo que seus olhos se abram, e que se arrependam; e, se não se arrependerem, rogo a Deus que, em Sua misericórdia, os leve para fora da terra, para onde não possam mais mentir.

Meus irmãos e minhas irmãs, podeis ver que estou um pouco exaltado; mas, se sairdes para o campo missionário e enfrentardes essas coisas como eu as enfrentei, e como todo élder as enfrenta, ficareis, ao menos, indignados ao saberdes como os líderes de organizações religiosas e os jornais por todo o comprimento e largura desta terra estão mentindo a respeito de vossa fé. Nasci e fui criado nesta Igreja. Recebi um testemunho do Evangelho de Deus, não de meu pai. Mas meu pai e minha mãe me ensinaram, desde a infância, que, aos olhos de Deus, o assassinato é o crime mais terrível que o homem pode cometer, e, logo a seguir, o adultério. Eles me indicaram o caminho pelo qual eu poderia receber, por mim mesmo, um testemunho do Evangelho, e tenho escutado os sussurros da voz mansa e suave, que me deu um testemunho, de modo que sei, tal como sei que o sol brilha, que Joseph Smith foi um profeta de Deus. Sei que seus sucessores foram profetas de Deus, e sei que o Presidente Joseph F. Smith é hoje o Profeta, Vidente e Revelador de Deus sobre a terra, e que estes homens aqui são apóstolos do Senhor Jesus Cristo. Nunca recebi este testemunho de meus pais; recebi-o de Deus; e sei que, quando eu estiver diante do tribunal do juízo do Todo-Poderoso e os livros forem abertos, este testemunho ali estará registrado a meu favor ou contra mim. Assim, dou meu testemunho com inteligência, sabendo que terei de responder por ele, e, em nome de Jesus Cristo, digo que sei que este é o Evangelho de nosso Senhor e Salvador, restaurado à terra na era em que vivemos, e que agora está sendo pregado como testemunho a todas as nações da terra, para que venha o fim. Em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoBen E. Rich, “Relatório sobre a Missão dos Estados Centrais”, Conferência Geral de Outubro de 1902, Sessão da Manhã do Primeiro Dia (1902-10-04). Pulpit Vault, 1902-10-rich-report-on-middle-states. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).