A Importância da Educação, a Natureza do Deus que Adoramos, e as Obras-Padrão
Anthon H. Lund
Esta conferência tem sido muito interessante para mim. Tem sido instrutivo ouvir os relatórios das diferentes estacas e missões, dados por aqueles que estão presentes; e, pelo que pude conhecer das condições, sei que relataram com fidelidade. ¶
Tenho uma ou duas coisas sobre as quais gostaria de falar, se o Espírito do Senhor me conduzir a esses assuntos. ¶
O inverno está chegando, e, durante o inverno, todas as nossas escolas diurnas estarão em funcionamento. Temos um excelente sistema escolar no estado, e desejamos pedir a todos os pais que zelem para que seus filhos frequentem a escola e recebam todos os benefícios que puderem das escolas em nosso meio. Temos sido acusados de ser um povo ignorante, e de que as autoridades da Igreja creem que sua força reside na ignorância do povo; mas não é este o caso. Não queremos fomentar a ignorância. Pelo contrário, desejamos que todos os nossos filhos desfrutem das bênçãos de uma educação, na medida em que esteja em nosso poder dar-lhas. O Profeta Joseph disse que nenhum homem poderia ser salvo na ignorância. Consideramos a ignorância um obstáculo à salvação. Por isso, queremos que nosso povo seja um povo esclarecido, um povo educado, um povo instruído em tudo o que conduz à vida eterna. ¶
Além de nossas escolas distritais, temos escolas instituídas em nosso meio para o ensino dos princípios do Evangelho. Ontem à noite tivemos aqui uma grande congregação de trabalhadores da escola dominical. Gostaríamos que nossos irmãos e irmãs, por todas as estacas de Sião e nas diferentes missões onde estão estabelecidas escolas dominicais, vissem a importância de fazer com que todos os seus filhos as frequentem e recebam as instruções ali dadas. Consideramos a escola dominical uma organização muito importante em nosso meio, e estamos de fato satisfeitos por tanto interesse ter sido demonstrado neste assunto. Ao falar sobre as escolas dominicais, quero mencionar o Juvenile Instructor, e pedir aos pais que apoiem essa revista e a coloquem nas mãos das crianças. Lembrai-vos de que ela pertence às escolas dominicais, e não é um empreendimento particular. Por isso, pedimos às escolas dominicais que sejam leais em seu apoio, para que possamos gastar mais recursos em aprimorá-la e torná-la o que deveria ser — uma revista, em verdade, para a instrução de nossos jovens. ¶
Classes de religião também foram iniciadas em nosso meio; e, agora que as escolas diurnas estão abertas, queremos que estas classes também sejam iniciadas, para que a instrução dada nas escolas distritais possa ser complementada com instrução religiosa. Não se pretende, contudo, misturar as duas coisas. Não podemos interferir nas escolas estaduais. Não desejamos tirar direito algum de nossos amigos que vivem aqui; mas reivindicamos o direito de zelar para que nossos próprios filhos tenham o privilégio de aprender aquilo que cremos ser da mais alta importância. Presidentes de estaca e Bispos de ala, contamos convosco para que façais um esforço vigoroso a fim de que, em cada ala, seja estabelecida uma classe de religião, caso ainda não haja uma. Temos um bom número de escolas da Igreja, e incentivamos nossos rapazes e moças a frequentá-las. Estamos satisfeitos em ouvir que todas as nossas academias abriram com melhores perspectivas do que nunca. Parece haver maior interesse nestas instituições, e a Primeira Presidência e a junta de educação da Igreja, percebendo a importância desta obra, fizeram uma alocação de recursos maior em seu favor do que nunca antes. Sentimos que o gasto de recursos para a educação de nossos filhos nestas escolas é proveitoso. Não podemos estimar plenamente o valor destas instituições. Pode custar-nos muito, mas se pudermos salvar ainda que seja uma só alma, quão grande será nosso gozo, diz o Senhor. Creio que estas instituições serão o meio de salvar milhares de almas. Em nossas academias foram estabelecidos cursos missionários, que muitos de nossos jovens têm sido chamados a frequentar, a fim de estudar os princípios do Evangelho e obter um conhecimento sistemático do plano de salvação, para que, ao saírem para o mundo, saibam como ensinar aquilo em que creem. Estes cursos estão fazendo muito bem. ¶
Comecei dizendo que queremos que todos frequentem as escolas distritais. Ora, temos neste estado uma excelente universidade. Tem havido alguma conversa de que a Primeira Presidência e outras autoridades da Igreja seriam contrárias a essa instituição, e não desejariam que nosso povo enviasse ali seus rapazes e moças. Queremos que se entenda que este não é o caso. No passado, nossas assembleias legislativas foram compostas em sua maioria por homens pertencentes a esta Igreja, e eles fizeram grandes alocações de recursos em favor daquela instituição, para equipá-la e torná-la digna do nome de universidade. Sentimos que nosso povo deveria valer-se das vantagens daquela instituição. Muitos dos que vão para o leste em busca de educação poderiam ir àquela instituição e receber tanto quanto, creio eu, recebem nas instituições de ensino do leste. Queremos que se entenda que não somos contra a universidade, mas favorecemos que nosso povo obtenha as vantagens que ela oferece. A religião não pode ser ensinada ali, naturalmente. Ali, todas as seitas e denominações devem se encontrar em terreno neutro. Mas, para os estudantes pertencentes aos Santos dos Últimos Dias, é possível que se encontre algum meio pelo qual lhes seja dada instrução religiosa fora da instituição. Se algum deles puder providenciar para frequentar o curso teológico na universidade dos Santos dos Últimos Dias, ele lhes está aberto. ¶
Quando estivemos no sul, incentivamos o povo a frequentar também a Escola Normal estabelecida em Cedar City. Consideramos que estas escolas estaduais estão bem equipadas e providas de instrutores capazes, e que nossos jovens podem obter muito benefício delas. Em suma, queremos estudar como podemos aproveitar ao máximo as vantagens educacionais neste estado e nos outros estados por toda Sião, para que todos os nossos filhos possam receber uma educação. ¶
Ao ouvir os relatórios dos presidentes de missão, fiquei satisfeito com um aspecto. Alguns deles disseram que os missionários evitavam debates e contendas. Considero isto o rumo correto. Há alguns que pensam que temos medo de enfrentar alguém em debate. Não é assim. É muito mais difícil para nossos jovens irmãos absterem-se de debater do que envolver-se nisso; pois sentem que têm a verdade, e não têm medo de enfrentar quem quer que seja em defesa dos princípios em que creem. Mas temos apenas um objetivo em vista ao sair entre as nações, e é seguir as instruções do Mestre — sair e ensinar os homens. Esse é o nosso trabalho. Não saímos para vencer batalhas como debatedores; mas saímos para ensinar aos homens aquilo que recebemos, e que sabemos ser verdadeiro. Se os homens não estiverem dispostos a recebê-lo, essa é uma preocupação deles, não nossa. Quando nossos Élderes mostram ao mundo a beleza dos princípios do Evangelho conforme nos foram revelados, cabe aos homens dizer se os receberão ou não. Os Élderes cumprem seu dever, e deixam o resultado ao Senhor. Aqueles que buscam debater com nossos Élderes e sedentos pela honra de vencê-los em argumentação não querem ser ensinados; simplesmente querem contenda. Paulo nos diz para evitar a contenda. Ele disse: "Porém, se alguém quiser ser contencioso, nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus." Assim dizemos nós: a contenda não é nosso costume, e aconselhamos nossos missionários a não contender, mas simplesmente sair e ensinar os princípios do Evangelho. ¶
Há alguns que seguem nossos Élderes, e, depois que eles pregam os princípios da salvação, esses homens se levantam e acusam que os Élderes não creem em Deus, mas que creem em Adão como seu Deus, e trazem à tona algumas passagens de sermões proferidos por este ou aquele homem na Igreja para sustentar esta acusação. Ora, não nos envergonhamos da gloriosa doutrina do progresso eterno, de que o homem pode alcançar a posição daqueles a quem veio a palavra de Deus, isto é, deuses. Quando Jesus pregava aos judeus, em certa ocasião O apedrejaram, e Ele quis saber se O apedrejavam pelas boas obras que Ele tinha feito. Oh, não, disseram eles, "não te apedrejamos por obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo." Para responder a isto, Jesus disse: ¶
"Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses? ¶
"Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida, e a escritura não pode ser anulada; "A mim, a quem o Pai santificou e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas; porque disse: Sou Filho de Deus?" ¶
Cremos que há deuses, conforme o Salvador citou. Ele repetiu o que estava escrito na lei, e não disse que estava errado, mas usou-o como argumento contra eles. Contudo, embora creiamos, como declara a escritura, que há mais deuses, para nós há apenas um Deus. Adoramos o Deus que criou os céus e a terra. Adoramos o mesmo Deus que veio a nossos primeiros pais no Jardim do Éden. Na revelação contida na Seção 116 do Livro de Doutrina e Convênios, o Senhor fala a respeito de Adão-ondi-Amã, "o lugar ao qual Adão virá para visitar seu povo, ou melhor, onde o Ancião de Dias se assentará, como mencionado por Daniel, o profeta." Na seção 107, o Senhor fala de Adão como "Miguel, o príncipe, o arcanjo," e diz que ele será um príncipe sobre as nações para sempre. Podemos, com toda a propriedade, chamá-lo de príncipe, o ancião de dias, ou mesmo Deus no sentido das palavras de Cristo que acabo de citar; mas não o adoramos a ele, adoramos o mesmo Deus que ele adorou. Quando nossos missionários se deparam com estes sofismas e com trechos isolados de sermões, dizemos-lhes que tudo o que é um princípio de nossa religião deve vir por meio de revelação e ser sustentado pela Igreja, e não precisam batalhar por nada fora das obras que foram aceitas pela Igreja como um todo. Quando os homens vêm com trechos de sermões, que tragam o sermão inteiro, para que o contexto possa ser considerado, a fim de ver qual era o sentido do pregador, e não tragam apenas algumas passagens isoladas cujo sentido pode ser torcido e distorcido para algo oposto ao que se pretendia. Nossos irmãos têm o direito de exigir isto. Podem defender os princípios que ensinam pelas revelações de Deus contidas na Bíblia, no Livro de Mórmon, no Livro de Doutrina e Convênios, e na Pérola de Grande Valor, as obras-padrão da Igreja; fora destas não precisam ir. Muitos de nossos Élderes, quando saem para o mundo, nunca ouviram falar das coisas que são levantadas contra nós, porque não são doutrinas cridas ou ensinadas aqui. Quanto ao jovem que recentemente cometeu um ato terrível em Nova York, e à acusação de que os ensinamentos do mormonismo o teriam levado a isso, posso afirmar com segurança que o jovem nunca ouviu, em casa, em Sião, uma única coisa ensinada pelo povo daqui a respeito da horrível doutrina que nos é atribuída pelo mundo, chamada "expiação de sangue", pois nada se ensina, seja em particular ou em público, que conduza a um crime tão terrível. É somente lá fora, no mundo, que somos acusados de sustentar tais opiniões. Aludi aos argumentos levantados contra nós e às obras que consideramos como padrões, a fim de que nossos missionários não se sintam perdidos quanto ao que fazer. Eles conhecem as obras que foram aceitas pela Igreja; podem ler a palavra de Deus ao Seu povo, tanto antiga como moderna, e que se firmem solidamente sobre elas. Deus vos abençoe a todos. Amém. ¶