Necessidade de Élderes Experientes e Responsabilidades dos Setenta
Joseph W. McMurrin
É algo bastante inesperado para mim, meus irmãos e irmãs, ser chamado nesta manhã a dirigir-me a esta grande congregação; não obstante, considero um privilégio e uma honra muito grandes ter a oportunidade de pôr-me de pé nesta conferência geral para prestar meu testemunho da verdade da obra gloriosa que Deus, nosso Pai, estabeleceu sobre a terra nesta dispensação, e espero sinceramente que, nos poucos momentos que ocuparei, eu possa ser dirigido pelo Espírito do Senhor a dizer algo que seja de alguma vantagem para os que aqui estais reunidos. Creio que os élderes da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias sentem a necessidade da inspiração do Senhor quando se levantam para se dirigir ao povo, e que, sem essa inspiração, suas palavras são muito fracas, na verdade como o metal que soa ou como o sino que tine; contudo, pelas bênçãos do Senhor e pela presença de Seu Santo Espírito, homens que poderiam ser tidos por fracos são muitas vezes levados a dizer coisas da mais alta importância. Espero que este Espírito repouse, não somente sobre vosso humilde servo neste momento, mas sobre todos os servos do Senhor que se levantarem durante esta conferência para ensinar ao povo a vontade do Senhor; e creio que temos em nosso próprio poder, em grau muito grande, fazer descer as bênçãos que desejamos no momento presente. Reunimo-nos do norte e do sul, do leste e do oeste, para que possamos adorar o Senhor nosso Deus; e, se nos reunimos com o desejo em nosso coração de sermos abençoados por nosso Pai celestial, e se nossas orações sobem até Ele para que Se lembre de nós, temos o direito de esperar, pelas promessas que Ele fez a Seu povo, que Ele atenderá às nossas orações e derramará sobre nós Suas bênçãos em rica abundância. ¶
Regozijei-me sobremaneira com as poucas palavras que nos foram dirigidas pelo Presidente Joseph F. Smith, e creio que um sentimento de alegria permeou toda esta congregação, e que sentimos, como foi expresso pelo presidente, que somos abençoados do Senhor, e que há um espírito de unidade e determinação de guardar os mandamentos do Senhor repousando sobre o povo. Esta conferência começou de maneira sumamente auspiciosa. Não suponho que jamais tenha havido, na história da Igreja, uma conferência em que se reunisse, na sessão de abertura, um número maior de pessoas do que hoje. ¶
Meu espírito, ultimamente, meus irmãos e irmãs, tem-se voltado um pouco para a obra que está sendo realizada pelos élderes da Igreja como missionários no estrangeiro, e sinto que, se eu puder ter o Espírito do Senhor, gostaria de fazer algumas observações sobre este trabalho missionário, e sobre a classe de homens que vêm sendo escolhidos, de tempos em tempos, para levar a mensagem do evangelho ao povo do mundo. ¶
Regozijo-me nas oportunidades que são dadas aos jovens de Israel de saírem, revestidos da autoridade do santo sacerdócio, e autorizados a clamar arrependimento ao povo, a ensinar aos filhos dos homens os desígnios maravilhosos do Todo-Poderoso, e a expor-lhes as doutrinas do evangelho tal como foram reveladas novamente, nestes últimos tempos, por meio do grande Profeta Joseph Smith. É um privilégio glorioso que os jovens dos Santos dos Últimos Dias desfrutam, o de saírem desta maneira, para chamar a atenção dos povos do mundo para os desígnios do Senhor. No campo missionário, recebem uma experiência inestimável; e nos regozijamos, como pais e mães e como servos e servas do Senhor, ao ver o retorno de jovens do campo missionário cheios da inspiração do céu, e que ganharam valiosos testemunhos a respeito da obra do Senhor enquanto ministravam palavras de salvação ao povo. Muitos jovens saem do nosso meio sem jamais terem tido experiência alguma fora da Igreja, e sem jamais terem sido postos em contato com nenhuma das denominações religiosas do mundo; contudo, quando entram em contato com essas denominações e encontram professores de religião especialmente educados para ensinar ao povo os dogmas em que as seitas creem, isso de modo algum diminui a fé dos rapazes nascidos em Utah. De fato, o contato com o mundo exterior e com as ideias religiosas que prevalecem entre os homens parece fortalecer sua fé, e eles regressam ao lar mil vezes mais firmes no conhecimento do evangelho do que estavam antes de deixarem suas casas para pregar ao povo. Portanto, não desejo que surja em vossa mente, a partir das observações que desejo fazer, a ideia de que sou contrário ao envio dos jovens que vão, dia após dia, representar os Santos dos Últimos Dias. Olho vinte anos atrás, para o tempo em que me foi dada, ainda menino, a oportunidade de sair como missionário, e agradeço a Deus, com toda a força de minha alma, por essa oportunidade ter-me vindo nos dias de minha meninice. Tenho agradecido ao Senhor, durante vinte anos, por ter sido enviado, naquele tempo, à minha primeira missão — tomado, por assim dizer, como um tição tirado do fogo, e levado a compreender as bênçãos que o Deus Todo-Poderoso derramara sobre mim ao nascer no meio deste povo, e ao ter pais bons e piedosos, que causaram fortes impressões em minha mente, favoráveis à obra do Senhor, por suas vidas retas e por seu testemunho da verdade do evangelho. E olho adiante, com antecipações de alegria, para o dia, não muito distante, em que meus próprios filhos, no estrangeiro, entre as nações, levantarão suas vozes na proclamação da mesma verdade que fui enviado a proclamar há vinte anos. ¶
Não obstante, meus irmãos e irmãs, tenho sentido, ao reunir-me com o Conselho dos Setenta e com os Apóstolos para separarem missionários, que há falta de homens de experiência indo ao estrangeiro representar os Santos dos Últimos Dias. Creio que todas as missões seriam grandemente fortalecidas se, quando se enviasse a palavra da Presidência da Igreja de que se requer certo número de missionários, os bispos e as presidências de estaca, ao examinarem o terreno, voltassem sua atenção, ocasionalmente, para homens de experiência. Não é incomum encontrar uma companhia de jovens que saem como missionários sem jamais terem tido experiência alguma de viagem — talvez nunca tendo saído do estado em que nasceram — e nenhum entre eles com experiência que possa ser colocado como encarregado, para vigiá-los e dar-lhes conselho ao viajarem para seus campos de trabalho. E nas missões, sei, por minha própria experiência na missão europeia (e suponho que esta condição prevaleça em outras missões), que é por vezes difícil encontrar um homem experiente para presidir uma conferência. Tenho o sentimento de que, se prestássemos um pouco mais de atenção à maneira dada pelo Senhor para o chamado dos missionários, seriam escolhidos mais homens de experiência para desempenhar este trabalho. O Senhor disse, na revelação a respeito do sacerdócio, na seção 107 do Livro de Doutrina e Convênios: ¶
"É dever do sumo conselho viajante recorrer aos Setenta e não a outros, quando houver necessidade de auxílio no preenchimento dos diversos chamados para pregar e administrar o evangelho." ¶
Se, quando um chamado partir da Presidência da Igreja para missionários, os presidentes de estaca e os bispos guardassem em mente esta comunicação de nosso Pai celestial, creio que se reuniriam mais Setentas, dentre o grande número de quóruns existentes, do que os que agora estão sendo chamados para missões. Creio que Deus Todo-Poderoso colocou a responsabilidade de pregar este evangelho sobre os ombros dos Setenta; que este é o seu chamado peculiar; que o Senhor espera que os homens que receberam esta designação estejam em preparação para a realização do trabalho que a eles pertence de modo especial; e não penso que os presidentes de estaca e os bispos, quando obrigados a fornecer missionários, devam olhar apenas para os jovens, mas deveriam olhar para os quóruns de Setenta e estar ansiosos por preencher, dentre as fileiras dos Setenta, os chamados que lhes são feitos de tempos em tempos, em maior extensão do que estão sendo preenchidos agora. ¶
Ao fazer estas observações, não tenho o sentimento de transferir responsabilidade alguma de meus próprios ombros, ou dos ombros de meus irmãos com quem estou associado no Conselho dos Setenta, para os ombros de outros homens. Estamos ansiosos a respeito deste assunto. Estamos viajando entre os quóruns de Setenta em grau considerável, e ensinamos a nossos irmãos, todo o tempo, que Deus colocou esta responsabilidade sobre eles, e que deveriam procurar pôr seus negócios em ordem, para que estejam preparados para responder. Reconheço que a grande maioria dos Setentas são homens de família, que não podem deixar seus negócios com tanta facilidade quanto os jovens solteiros. É muito mais fácil para os jovens saírem em missões do que para os homens de família. Às vezes se oferecem desculpas, e os homens dizem que não podem ir sem fazer sacrifícios. Sinto dizer aos Setentas que, se adiarem sua ida em missão até poderem ir sem fazer sacrifícios, jamais chegará o tempo em que estarão preparados para responder aos chamados missionários. Os homens que receberam o sacerdócio de Setenta deveriam estar ansiosos por estar em condição de cumprir o dever que Deus deles requer. Deveriam ler o que o Senhor deu, por revelação, por meio de Seu Profeta, a respeito da responsabilidade que sobre eles repousa. O Senhor diz: ¶
"Os Setenta também são chamados para pregar o evangelho e ser testemunhas especiais junto aos gentios e em todo o mundo — diferindo assim dos outros oficiais da igreja nos deveres de seu chamado." ¶
O Senhor também diz, nesta mesma revelação: ¶
"Os Setenta agirão em nome do Senhor, sob a direção dos Doze, ou seja, do sumo conselho viajante, edificando a igreja e regulando todos os seus negócios em todas as nações, primeiro junto aos gentios e depois junto aos judeus." ¶
Sinto em todo o meu ser que os homens que são Setentas deveriam ter em seu coração o desejo de realizar este trabalho que Deus designou como pertencente a eles. Não deveria haver, no coração de nenhum Setenta, disposição alguma de transferir a responsabilidade de pregar o evangelho para os ombros dos diáconos, ou dos sacerdotes, ou de quaisquer outros; mas deveriam sentir: "Estou pronto; Deus me chamou para ser testemunha entre as nações da terra, e desejo levar minha parte plena desta responsabilidade, para que eu desfrute de uma plenitude da bênção prometida. O Senhor me revestiu com a autoridade; Ele requer de minhas mãos a pregação do evangelho, e proponho colocar-me em condição de estar pronto para estas designações." Creio que este é o espírito que deveria mover os irmãos que foram chamados a ser Setentas. Desejo pedir aos bispos e aos presidentes de estaca que examinem os quóruns de Setenta, e auxiliem o Conselho dos Setenta a obter missionários dentre eles. Creio que fazer isso fortalecerá grandemente as mãos dos presidentes de missão, e será uma fonte de força para todas as missões do mundo. Há milhares de homens e mulheres, nas nações, que receberam os princípios do evangelho eterno, que compreendem os primeiros princípios do evangelho, e que estão bem fundamentados na fé. Necessitam, em seu meio, de alguns homens de experiência, que possam aconselhá-los, e que possam alimentá-los, muitas vezes, melhor do que pode um missionário jovem e inexperiente. Minha experiência leva-me a dizer que há muitos homens, no estrangeiro, tão bem ou melhor qualificados para pregar o evangelho do que alguns dos missionários que lhes são enviados. Como já disse, regozijo-me em ver os jovens sendo enviados. Quero que meus próprios filhos vão. Creio que todo pai e toda mãe que tenha um testemunho da verdade do evangelho eterno tem o mesmo desejo com respeito a seus filhos. Mas eu me sentiria regozijar em meu coração pela partida de meus filhos, se soubesse que havia com eles homens de experiência e entendimento, homens solidamente estabelecidos no evangelho, e homens que pudessem tomá-los pela mão, guiá-los, e agir para com eles como um pai. Sentiria que estariam em mãos mais seguras na companhia de tais homens do que se estivessem somente com os jovens. Por isso, recomendo aos irmãos que não negligenciem os quóruns de Setenta, mas que forneçam mais missionários dentre esse grupo de homens que foram designados pelo Senhor como sendo especialmente responsáveis pela pregação de Sua palavra. ¶
Presto meu testemunho, meus irmãos e irmãs, da verdade da obra em que estamos empenhados. Sei que é de Deus. Prezo o testemunho que o Senhor me deu a respeito desta obra acima de tudo o mais no mundo. Rogo, com todo o meu coração, que Deus me ajude a reter esse testemunho, e a trabalhar no meio do povo, seja em casa ou no estrangeiro, conforme eu for dirigido por aqueles que presidem sobre mim, para que eu possa preencher a medida de meus dias da maneira que Ele deseja. Rogo que esta bênção repouse sobre todo o povo, que sejamos fiéis a Deus, fiéis uns aos outros, fiéis aos convênios que fizemos com nosso Pai celestial em lugares santos, e que a realização dos desígnios do Todo-Poderoso e a edificação de Seu reino sejam o desejo de nosso coração; pois isso nos trará a vida eterna na presença de nosso Pai, a recompensa que Deus prometeu aos fiéis; e a obtenção desta bênção deveria ser o desejo mais forte de que somos, ou podemos ser, possuidores. Deus nos abençoe e nos ajude a sermos fiéis e verdadeiros, ajude-nos a honrar e respeitar a autoridade do santo sacerdócio, ajude-nos a sustentar as mãos dos homens de Deus que presidem sobre nós e a atender aos seus conselhos, para que os desígnios do Todo-Poderoso sejam plenamente cumpridos na terra, é minha oração em nome de Jesus. Amém. ¶