Semeando as Sementes da Verdade e Sustentando as Autoridades
Matthias F. Cowley
Meus irmãos e irmãs, a pedido do Irmão Grant, levanto-me para dizer algumas palavras, e desejo grandemente ser ajudado por vossa fé e vossas orações. Sinto sempre a minha excessiva fraqueza ao estar na responsabilidade de mestre para com os Santos, ou para com o mundo; pois percebo que não somos enviados para ensinar nossas próprias opiniões, nem para propor quaisquer teorias que não nos tenham vindo por revelação de Deus, e que não somos enviados sequer para ensinar as revelações de Deus, exceto quando dirigidos e inspirados pelo Espírito Santo. Esta é uma condição e obrigação que não é exigida apenas das autoridades da Igreja, mas é um mandamento positivo para todos os que possuem o Santo Sacerdócio, que administram na palavra do Senhor entre o povo. Tampouco se limita às nossas administrações na forma de discurso público, mas todo homem que oficia em qualquer responsabilidade na obra de Deus deve ser movido pelo Espírito Santo, de modo que suas administrações sejam reconhecidas por Deus e, sendo reconhecidas por Deus, sejam acompanhadas daquele poder que as tornará eficazes entre os filhos dos homens, de tal maneira que, se fordes rejeitados pelo povo, isso pesará sobre a condenação dele tanto quanto se tivessem rejeitado o próprio Salvador. O Salvador ensinou esta doutrina com toda a clareza. Ele disse: "Quem vos recebe, a mim me recebe; e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou." A responsabilidade desta obra é de tal natureza que devemos ser dotados daquele espírito superior que pertence ao Evangelho de Jesus Cristo; em outras palavras, devemos entrar naquele espírito de solenidade ao considerarmos as responsabilidades que recaem sobre nós nesta obra, e tratar as coisas de Deus com aquela sacralidade que lhes é própria. ¶
Creio que um desrespeito pelas coisas de Deus está se infiltrando entre os Santos dos Últimos Dias, uma tendência da parte dos jovens de falar levianamente das coisas sagradas e, em alguns casos, de profanar o nome da Divindade. Estes são males que devem ser corrigidos pelos pais no exercício de sua influência no círculo do lar. Isso deve ser tratado por aqueles ligados às associações de Melhoramentos Mútuos e por aqueles com autoridade nas diversas alas. ¶
Há uma declaração na Doutrina e Convênios a respeito de nossa responsabilidade para com nossos filhos, da qual creio que lerei alguns versículos. Estais todos familiarizados com ela, mas é uma responsabilidade na qual sinto que somos negligentes em cumprir, e é esta: a de ensinar a nossos filhos os princípios do Evangelho em sua primeira infância, para que, ao atingirem os anos de responsabilidade e serem chamados a entrar nas águas do batismo, o façam com inteligência; não porque sejam coagidos por seus pais, mas porque têm uma compreensão inteligente da sacralidade dessa ordenança, porque vieram a impregnar-se do espírito de fé no Deus Vivo, porque creem que Deus vive e que Ele responderá às suas orações quando a Ele se dirigirem em súplica, e, em suma, porque têm uma compreensão dos primeiros princípios do Evangelho. Lerei da seção 68 da Doutrina e Convênios a respeito desta obrigação que recai sobre os pais: ¶
"E também, se em Sião ou em qualquer de suas estacas organizadas houver pais que, tendo filhos, não os ensinarem a compreender a doutrina do arrependimento, da fé em Cristo, o Filho do Deus vivo, e do batismo e do dom do Espírito Santo pela imposição das mãos, quando tiverem oito anos, sobre a cabeça dos pais seja o pecado." ¶
Ele declara ser pecado assim negligenciar os filhos e filhas que nos foram confiados. Tomo isto como significando exatamente o que diz: que é dever de todo pai e toda mãe angariar de tal modo o interesse e a atenção de seus filhos que possam reuni-los ao redor do lar familiar e doutriná-los nos princípios do Evangelho, na doutrina do arrependimento e na ordenança do batismo por imersão, até que completem oito anos, bem como na sagrada ordenança da imposição das mãos para o dom do Espírito Santo, e que a compreendam, em grande medida, de modo que, assim preparados ao entrarem nas sagradas águas do batismo, estejam preparados para receber o Espírito Santo e para desfrutar de Suas administrações, de Seus sussurros e de Seu poder, a fim de que cresçam no temor de Deus e na compreensão de Seus caminhos. Ora, meus irmãos e irmãs, o Senhor diz: ¶
"Pois isto será uma lei para os habitantes de Sião ou em qualquer de suas estacas que estejam organizadas." ¶
Esta revelação foi dada quando estavam para buscar o estabelecimento da Cidade de Sião, sobre a qual ouvimos algo esta manhã, no Tabernáculo, pelo Presidente Duffin. A partir desta cidade, a Nova Jerusalém, as estacas de Sião deveriam expandir-se, do norte ao sul e do leste ao oeste, até ocuparem esta vasta terra de José, de uma extremidade a outra. Esta obrigação, ou lei, sobre a qual tenho lido, deveria ser uma lei permanente de Sião e de todas as suas estacas sobre a terra. Deixo-vos, meus irmãos e irmãs, para que vos pergunteis até que ponto tendes cumprido esta obrigação, e em que grau estais preparados para estar diante de Deus e dizer que ensinastes vossos filhos a exercer fé em Deus, e lhes ensinastes os princípios do Evangelho especificados na revelação. O Senhor diz, prosseguindo a revelação: ¶
"E também ensinarão seus filhos a orar e a andar em retidão perante o Senhor." ¶
Tem-nos sido dito, de tempos em tempos, que alguns de nossos filhos estão se tornando muito indiferentes e desrespeitosos para com as determinações de seus pais, e que são encontrados envolvidos em desordens nas ruas à noite, e que ficam nas esquinas das ruas aprendendo a blasfemar o nome do Senhor, especialmente nesta cidade, a cidade central, por assim dizer, das estacas de Sião, tal como estão hoje organizadas. Até mesmo meninos pequenos estão blasfemando o nome da Divindade. Um deles ficou aqui fora, ontem, quando a congregação saía, e, vendo algumas pessoas indo a restaurantes para jantar, tomou o nome do Senhor em vão, dizendo: "Olhem só os 'caipiras'." Estas são as expressões que estão aprendendo, e creio que, onde existe este estado de coisas, os pais não estão cumprindo a obrigação que lhes é imposta pela revelação de Deus contida na Doutrina e Convênios; pois ela diz: ¶
"E também ensinarão seus filhos a orar e a andar em retidão perante o Senhor. ¶
"E os habitantes de Sião também observarão o dia do Senhor para santificá-lo." ¶
Ora, mais adiante neste mesmo volume há uma declaração a respeito das autoridades presidentes da Igreja, e é uma declaração muito enfática, exprimindo a desaprovação do Todo-Poderoso, porque a Presidência da Igreja não cuidou da educação e da formação de seus filhos nos princípios do Evangelho como deveria ter feito. O Irmão Taylor leu, ontem, desta revelação, mostrando como podemos crescer de graça em graça no conhecimento de Deus, assim como fez o Messias, ouvindo as palavras de Deus e sendo controlados e dirigidos pela inspiração do Todo-Poderoso em nossos deveres na vida. Ora, o Senhor disse à Presidência da Igreja, a respeito de nossos filhos: ¶
"Todo espírito de homem era inocente no princípio; e Deus, tendo redimido o homem da queda, os homens tornaram-se outra vez, em sua infância, inocentes perante Deus. ¶
"E vem o ser maligno e tira a luz e a verdade dos filhos dos homens pela desobediência e por causa da tradição de seus pais. ¶
"Eu, porém, ordenei que criásseis vossos filhos em luz e verdade; mas em verdade, meu servo Frederick G. Williams, digo-te: Continuas sob esta condenação; não ensinaste luz e verdade a teus filhos, segundo os mandamentos; e aquele ser maligno ainda tem poder sobre ti, sendo essa a causa de tua aflição." ¶
Ora, meus irmãos e irmãs, sejamos práticos, e perguntemo-nos se temos ou não ensinado luz e verdade a nossos filhos. Não devemos contentar-nos com a associação de Melhoramentos Mútuos, a escola dominical, a Primária e outras instituições que o Senhor, em Sua grande misericórdia, estabeleceu na Igreja em benefício de nossos filhos; não podemos justificar-nos permitindo que essas instituições façam tudo aquilo que deveríamos sentir-nos obrigados a fazer na educação de nossos filhos nos princípios do Evangelho. É dever de todo homem e toda mulher zelar, tanto quanto possível, para que seus filhos sejam ensinados em luz e verdade, para que sejam ensinados a orar desde a infância, para que sejam ensinados a observar o dia do Senhor para santificá-lo, para que sejam ensinados as doutrinas da virtude e da honra diante de Deus, como algo mais precioso que a própria vida, para que sejam ensinados a respeitar o santo Sacerdócio, que o Sacerdócio de Deus confiado ao homem sobre a terra é, por assim dizer, a representação de Deus na carne; pois Deus deu a autoridade de que tudo o que Seus servos fizerem em Seu nome, movidos pela inspiração do Espírito Santo, será tão vinculante entre os filhos dos homens como se Ele mesmo o tivesse feito. Esta é uma grande obra, meus irmãos e irmãs, uma grande responsabilidade cumprir estas obrigações a respeito de nossos filhos. Ocorre-me que, se cumprirmos plenamente o nosso dever e procurarmos instruir nossos filhos e criá-los nos caminhos do Senhor, não haverá tempo para nos associarmos às instituições do mundo, não haverá tempo para nos filiarmos às ordens secretas da sociedade e cuidarmos dos deveres e obrigações que nos são impostos por alguma loja estabelecida pela iniciativa dos homens, sejam quais forem as suas ideias, pois as obrigações que nos são impostas como Santos dos Últimos Dias são tão amplas e extensas que exigem todo o nosso tempo e atenção, e todos os talentos que Deus nos deu. ¶
O Senhor estende, neste mandamento que acabo de ler, estas admoestações e repreensões ao Presidente Sidney Rigdon e também ao Presidente Joseph Smith, porque estavam sob certa condenação a este respeito. Sendo este o caso com eles, então, qual não deve ser a condenação que recai sobre muitos de nós que somos culpados de negligenciar o treinamento e o ensino de nossos filhos nos princípios do Evangelho? Não digo que os que cumprem plenamente o seu dever terão sempre o maior sucesso, pois alguns são rebeldes, assim como Lamã e Lemuel foram rebeldes aos mandamentos de Deus, dados por meio de seu pai Leí; mas, visto que Leí cumpriu plenamente o seu dever, suas vestes estão limpas, e ele não está sob condenação pela infidelidade e rebelião deles contra Deus, o Pai Eterno. ¶
Fomos ordenados, nestes últimos dias, a estudar dos melhores livros, a adquirir informação sobre todos os assuntos úteis, temas que tendem a qualificar-nos para a utilidade na comunidade e na Igreja e reino de Deus aqui sobre a terra. Devemos buscar sabedoria nos melhores livros; e fomos igualmente instruídos, pelos oráculos vivos de Deus sobre a terra, a que devemos ser cuidadosos quanto ao caráter da literatura que cai nas mãos de nossos filhos. O que leem tem seu efeito sobre eles, seja para o bem ou para o mal. Soubemos de uma terrível ocorrência recente nesta cidade, onde um menino foi influenciado por um homem perverso a cometer um assassinato, e o testemunho de seus amigos foi de que isso se deu por meio da leitura de romances baratos e da queda em hábitos diabólicos, ensinados por pessoas más e ímpias entre os Santos dos Últimos Dias. Temos as escrituras para ler, as revelações de Deus. Não há nada tão edificante quanto elas, nem tão instrutivo. Temos histórias e obras que tratam de vários assuntos úteis, que ocuparão todo o tempo que nossos filhos têm para dedicar à leitura e à formação de suas mentes; e é bom para nós, meus irmãos e irmãs, lermos ocasionalmente as coisas que são escritas, de tempos em tempos, por aqueles que não são dos nossos, a respeito da fé e das realizações deste povo nestes vales das montanhas. Fiquei satisfeito, na outra noite, ao saber que as obras do Sr. Charles Ellis, uma série de panfletos, foram recomendadas ao povo. O Sr. Ellis, que não é de nossa fé, está nesta cidade há cerca de 12 anos, e tem tido a coragem de levantar-se e defender os direitos deste povo, de tempos em tempos. Quando chegou pela primeira vez a Salt Lake City, levantou-se no Salt Lake Theater e defendeu os direitos dos índios americanos contra as imposições que lhes eram impingidas pelos emissários do governo. É um homem que simpatiza com os fracos e os oprimidos. ¶
O Irmão Grant, ontem, em seu interessante relatório sobre a missão do Japão, declarou que Deus levantara homens naquela terra para defendê-lo por meio da imprensa, para escrever artigos em defesa das doutrinas, da história e do caráter dos Santos dos Últimos Dias. Devemos ser suficientemente amplos e liberais, em nossas relações com os homens, para reconhecer o mérito daqueles que se levantam em nossa defesa, ou que dizem uma boa palavra em defesa dos direitos, da doutrina e do caráter dos Santos dos Últimos Dias. ¶
Não me ficaria bem ocupar mais o vosso tempo, mas desejo dar o meu testemunho da verdade. Desejo testificar que sei que Deus vive, e que Jesus Cristo é o Salvador, e que Ele visitou a terra nestes últimos dias e restaurou o Evangelho em toda a sua plenitude e poder, e que sei que Joseph Smith foi e é um Profeta de Deus, à frente da mais gloriosa de todas as dispensações. Desejo também testificar que Joseph F. Smith é um Profeta de Deus, e que ele é guiado em suas administrações pelo espírito de revelação do alto. ¶
Senti-me alegre, nesta conferência, ao ver que a oportunidade foi estendida aos Presidentes de Estaca e a alguns dos Bispos para tomar parte nas sessões desta conferência; também ao ouvir as observações dos Sete Presidentes dos Setenta, que são homens de Deus, cheios da inspiração e do poder do Espírito Santo, bem como ao ouvir o que foi dito pelos Presidentes das missões dos Estados Unidos, que fizeram tão gloriosos relatórios de seus trabalhos entre os habitantes desta grande terra. Regozijo-me em todas estas coisas, meus irmãos e irmãs, e desejo ser grato. ¶
Peço um interesse em vossa fé e vossas orações, pois, embora sejamos chamados a ocupar posições de responsabilidade, desejamos e precisamos ser sustentados por vossa fé e vossas orações. Somos fracos e somos mortais, e sei que há poder nas mãos do povo de Deus para atrair as bênçãos do Todo-Poderoso sobre Seus servos; e não sei se não há também poder nas mãos do povo para deter essas bênçãos. ¶
Desejo referir-me a um ou dois versículos do capítulo 29 do Livro de Alma, e depois me sentarei. Ele disse: ¶
"Oh! eu quisera ser um anjo e poder realizar o desejo de meu coração de ir e falar com a trombeta de Deus, com uma voz que estremecesse a terra, e proclamar arrependimento a todos os povos!" ¶
Quero dizer-vos que a doutrina mais importante a ser ensinada ao povo, tanto entre os Santos dos Últimos Dias como entre os que não são Santos dos Últimos Dias, é a doutrina do arrependimento. O Profeta continua: ¶
"Sim, declararia a todas as almas, com voz como a do trovão, o arrependimento e o plano de redenção, para que se arrependessem e viessem ao nosso Deus, a fim de não haver mais tristeza em toda a face da Terra. ¶
"Mas eis que sou um homem e peco em meu desejo; porque deveria contentar-me com as coisas que o Senhor me concedeu. ¶
"Não deveria perturbar com os meus desejos o firme decreto de um Deus justo, porque sei que ele concede aos homens segundo os seus desejos, sejam estes para a morte ou para a vida; sim, sei que ele concede aos homens, sim, dá-lhes decretos inalteráveis segundo seus desejos, sejam eles para salvação ou para destruição. ¶
"Sim, e que o bem e o mal se apresentam a todos os homens; e aquele que não distingue o bem do mal não é culpado, mas aquele que distingue o bem do mal, a ele será dado segundo seus desejos, deseje ele o bem ou o mal, a vida ou a morte, a alegria ou o remorso de consciência. ¶
"Ora, uma vez que sei estas coisas, por que desejaria executar mais do que o trabalho para o qual fui chamado? ¶
"Por que desejaria eu ser um anjo, poder falar a todos os confins da Terra? ¶
"Porque eis que o Senhor concede a todas as nações que ensinem a sua palavra em sua própria nação e língua, sim, em sabedoria, tudo o que ele acha que devem receber; vemos, portanto, que o Senhor aconselha com sabedoria, segundo o que é justo e verdadeiro." ¶
Ora, meus irmãos e irmãs, Deus vos abençoe, e que Ele nos ajude a lembrar destas coisas e a colocá-las em prática, para que possamos dizer, como disse Josué: "Porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor." ¶