A Restauração do Sacerdócio: Seus Poderes, Funções e Deveres
Rudger Clawson
Se o Presidente Lorenzo Snow tivesse vivido até o dia 3 de abril, teria completado 88 anos de idade. Foi um homem muito ativo, enérgico e progressista. Morreu "em serviço" e passou para o mundo espiritual; e a grande obra do Senhor prossegue sem impedimento nem obstáculo. Tenho certeza de que ele teria ficado muito feliz de estar presente conosco nesta ocasião, de ter ouvido os testemunhos dos irmãos e contemplado os rostos desta vasta congregação. ¶
Irmãos e irmãs, não obstante os servos do Senhor caiam de tempos em tempos, combatendo pela verdade, Sião há de ser redimida. Enquanto estava sentado na tribuna, ouvindo os discursos de meus irmãos, maravilhei-me grandemente com as maravilhosas providências do Senhor para conosco; pois quando Ele fez ouvir a Sua voz e disse que Sua Igreja deveria ser estabelecida na terra e Sua obra deveria ser realizada, Ele forneceu aos filhos dos homens os meios para realizá-la. Já no ano de 1823, o Senhor usou esta linguagem. ¶
"Eis que vos revelarei o Sacerdócio pela mão de Elias, o profeta, antes da vinda do grande e terrível dia do Senhor." ¶
Um dia terrível; um dia de pestilência, de fome, de terremoto, de tempestades, e um dia de incêndio, aqui designado em linguagem muito impressionante como "o grande e terrível dia do Senhor!" Quando esse dia vier, o poder do Sacerdócio há de estar sobre a terra para proteger e livrar o povo de Deus da destruição; pois os justos e os que guardam os mandamentos de Deus, inclusive os que pagam dízimos, não serão queimados. ¶
O sacerdócio foi restaurado à terra e é composto de duas grandes divisões — o de Melquisedeque e o Aarônico. O Sacerdócio Aarônico foi restaurado à terra e conferido a Joseph Smith pela mão de João Batista, em maio de 1829. O Sacerdócio de Melquisedeque foi restaurado e conferido ao Profeta Joseph em junho de 1829, por Pedro, Tiago e João. A autoridade e o poder do Sacerdócio de Melquisedeque consistem em deter as chaves de todas as bênçãos espirituais da Igreja, em ter o privilégio de receber os mistérios do reino, em ter os céus abertos para nós, em ter comunhão com a assembleia geral e igreja do primogênito, e em desfrutar da comunhão de Deus, o Pai, e de Jesus, o Mediador do novo convênio. O poder e a autoridade do Sacerdócio Aarônico consistem em deter as chaves da ministração de anjos e em administrar, nas ordenanças exteriores, a letra do evangelho — o batismo de arrependimento para a remissão dos pecados, de acordo com os convênios e mandamentos. Assim vemos, irmãos e irmãs, que o Sacerdócio liga esta Igreja aos céus, e o canal de comunicação está aberto. Oh! quão fracos seríamos, de fato, sem esta autoridade; e oh! quão fracos somos, de fato, se não a honrarmos, pois, se não o fizermos, incorremos em condenação. O presidente do Sacerdócio de Melquisedeque é um Sumo Sacerdote, e é designado nas revelações de Deus como Sumo Sacerdote presidente sobre o Sumo Sacerdócio da Igreja, sendo também o Presidente da Igreja. Seus Conselheiros são Sumos Sacerdotes; e esses três constituem a Presidência da Igreja, tendo autoridade sobre todos os seus assuntos, para regulá-los em todo o mundo. O presidente do Sacerdócio Aarônico é um Bispo, chamado para presidir sobre os quóruns do Sacerdócio Menor. ¶
Permiti-me dizer-vos, irmãos e irmãs (digo-o tanto às irmãs quanto aos irmãos, pois sinto que é bom que as irmãs ouçam algo a respeito do Sacerdócio), que não há uma só alma vivente ligada à Igreja que esteja isenta da autoridade e da influência do Sacerdócio; pela razão de que o Sacerdócio detém as chaves de todas as bênçãos espirituais da Igreja. É verdade que as irmãs não recebem o Sacerdócio, mas recebem as suas bênçãos em ligação com seus maridos e pais. O Sacerdócio continua na Igreja de Deus através de todas as gerações e não tem princípio de dias nem fim de anos. Somos ensinados — e oh, quão impressionante é o pensamento! — que, sem o Sacerdócio, o poder da divindade não pode manifestar-se aos homens, e que, sem ele, nenhum homem pode ver a face de Deus e viver. Que triste condição estaria o mundo, se essa afirmação for verdadeira, de que nenhum homem pode contemplar a face de Deus e viver sem o Sacerdócio! Precisamos levá-lo a eles; precisamos pregar-lhes o Evangelho. ¶
Nesses dois grandes Sacerdócios que mencionei, há várias ordens ou graus. No Sacerdócio de Melquisedeque temos Apóstolos, Sumos Sacerdotes, Setentas e Élderes. No Sacerdócio Aarônico temos Bispos, Sacerdotes, Mestres e Diáconos. De modo que toda idade e condição na Igreja está contemplada; e nenhum homem, seja jovem ou idoso, está autorizado a exercer autoridade na Igreja de Deus, a menos que possua alguma parcela do Sacerdócio. Coisa maravilhosa! Uma igreja de Sacerdócio! Os deveres dessas várias ordens do Sacerdócio estão bem e claramente definidos nas revelações. Não há necessidade de confusão nem de mal-entendido. O Sumo Sacerdote não tem necessidade de correr ao Setenta para perguntar qual é o seu dever; o Setenta não precisa ir ao Sumo Sacerdote para saber o que deve fazer; e os membros do sacerdócio menor não precisam ficar desinformados quanto aos seus deveres. Deus estabeleceu as regras e definiu os deveres pertencentes a esses dois Sacerdócios tão clara e tão firmemente que não podem ser mal-entendidos. Os Apóstolos devem oficiar sob a direção da Primeira Presidência, edificar a Igreja e regular os seus assuntos em todo o mundo, de acordo com os convênios e mandamentos. Os Sumos Sacerdotes são ministros permanentes em Sião, para administrar nas coisas espirituais e para serem ensinados, instruídos e qualificados, a fim de que possam ocupar o cargo de Presidente de Estacas, Sumos Conselheiros e outras nomeações importantes na Igreja. O dever do Setenta é agir sob a direção dos Doze Apóstolos, edificar a Igreja, regular os seus assuntos em todo o mundo, primeiro aos gentios e depois aos judeus. O dever do Élder é ser um ministro permanente em Sião, administrar nas coisas espirituais, administrar o sacramento, batizar, impor as mãos para o recebimento do Espírito Santo, tomar a direção de todas as reuniões quando não estiver presente autoridade superior, e dirigi-las sob a influência e o poder do Espírito Santo. Nenhum Élder ou Sumo Sacerdote deve dirigir reuniões nesta Igreja por nenhum outro espírito senão o Espírito de Deus. Autoridade delegada do Céu ao homem! O dever do Bispo é presidir sobre o Sacerdócio Menor e seus quóruns. O dever do Sacerdote é pregar, ensinar e expor as escrituras, batizar, administrar o sacramento, visitar os lares do povo, orar com eles em voz alta e ensinar-lhes todos os deveres familiares. O dever do Mestre é vigiar sobre a Igreja, estar constantemente com a Igreja e fortalecê-la, zelar para que a iniquidade não abunde, zelar para que não haja maledicência nem calúnia, e pregar, ensinar, exortar e expor; e ele deve ser ajudado em seus deveres pelo Diácono; mas o Mestre e o Diácono não têm autoridade para batizar nem administrar o sacramento. Têm, porém, autoridade para pregar o Evangelho, dar bom exemplo, advertir o povo e convidar a todos a virem a Cristo. Não há confusão em nada disto que vos tenho dito. Cada dever está bem expresso e claramente definido nas revelações. ¶
Tenho tido alguns pensamentos a respeito da grande responsabilidade que recai sobre os Presidentes de Estacas, que são Sumos Sacerdotes na Igreja, chamados para presidir sobre as Estacas de Sião. Oh, quão grande — quase ilimitada autoridade, poderíamos dizer — é exercida pelos Presidentes de Estacas, presidindo, como presidem, sobre todos os assuntos da Estaca! Então, quão grande é a autoridade e a responsabilidade que recai sobre os Bispos das alas, chamados para presidir sobre todas as organizações e o Sacerdócio da ala! Às vezes nos é dito que os Sumos Sacerdotes de tal lugar não estão magnificando o seu Sacerdócio; que os Setentas de tal outro lugar não estão cumprindo o seu dever; que os Élderes estão negligentes e não comparecem às reuniões de seu quórum; que os Sacerdotes daquela ala não estão sendo aproveitados; que os Mestres deixam de visitar as famílias dos Santos, e que os Diáconos são descuidados e indiferentes. Surge então a pergunta: onde está a falha? Sobre quem deve recair a responsabilidade? Sobre os Sumos Sacerdotes? Sim. Sobre os Élderes? Sim. Sobre os Setentas? Sim. Grande responsabilidade recai sobre esses homens que receberam o Sacerdócio. Mas permiti-me dizer-vos que há ainda outra responsabilidade, uma responsabilidade que recai sobre as autoridades presidentes nas estacas e alas. Não creio que seja dever do presidente de uma estaca passar todo o seu tempo pregando o Evangelho. Considero a presidência de uma estaca como oficiais executivos. Encontrareis, em cada estaca de Sião, dezenas de pregadores, homens eloquentes, capazes de edificar e fortalecer o povo, e não é necessário que a presidência da estaca gaste muito tempo pregando o evangelho. Mas é dever dela zelar para que os demais magnifiquem o seu chamado; zelar para que a presidência do quórum dos Sumos Sacerdotes honre o Sacerdócio; zelar para que a presidência do quórum dos Élderes seja composta de homens ativos, diligentes e fiéis, e vigiar sobre esses quóruns do Sacerdócio, para que cada homem cumpra o seu dever. Concebo, então, que o dever de um Bispo não seja tanto pregar o evangelho extensamente, ou ocupar muito tempo no púlpito, mas ser o oficial executivo da ala, tratar dos assuntos temporais, ser um juiz comum em Israel, e sentar-se no tribunal do Bispo para julgar e regular os assuntos de sua ala, com seus conselheiros. É dever do Bispo, particularmente, zelar para que as presidências dos quóruns do Sacerdócio Menor sejam ativas e fiéis. Que ele zele também para que as presidências das organizações auxiliares sejam fiéis no cumprimento de seu dever. A grande responsabilidade que recai sobre ele é zelar para que os demais cumpram o seu dever, deixando que a pregação do evangelho seja feita pelos irmãos e irmãs de sua ala. Nossa Igreja está cheia de bons pregadores. Todo homem que possui o Sacerdócio é chamado a ser um pregador de retidão, a estar sempre pronto, e a comparecer quando chamado dentre a congregação. Atrevo-me a dizer que o Presidente Smith, que aqui preside, poderia encontrar centenas de homens nesta congregação que são pregadores eloquentes do evangelho, homens bem informados, que pregaram a palavra em terras estrangeiras com grande poder, e que poderiam vir a esta tribuna para edificar e fortalecer o povo. O tempo não permitiria isso, e talvez não fosse apropriado numa conferência geral, quando nos reunimos para ouvir a Presidência da Igreja e algumas das principais autoridades sobre assuntos de importância; mas o espírito da conferência pode ser levado pelos presidentes de estacas e bispos de alas a toda Sião. ¶
Regozijo-me nesta obra. Regozijo-me no Sacerdócio, e maravilho-me grandemente com a sabedoria, o poder e a grandeza do Todo-Poderoso, e devo atribuir-Lhe a honra e a glória pelas coisas maravilhosas que estão sendo realizadas em Sua Igreja. É o Espírito de Deus, sim, o Espírito Santo, operando nos corações do povo, que faz cumprir os propósitos de Jeová. Deus vos abençoe. Amém. ¶