Pulpit

Objetivos da Lei do Dízimo

Joseph F. Smith

Conferência Geral de Outubro de 1899·Sessão da Tarde do Segundo Dia·1899-10-07

Desejo sinceramente que meus irmãos e irmãs exerçam sua fé em meu favor, para que eu possa dizer palavras de conselho, de instrução e de advertência, conforme o Espírito do Senhor possa dirigir. Temos recebido muita instrução valiosa a respeito de nossos deveres como Santos dos Últimos Dias, não somente quanto à lei do dízimo, mas também no que se refere a outras coisas, que são tão importantes em seu lugar quanto a lei do dízimo. Não há, contudo, nada de maior importância para o bem-estar da Igreja no momento presente do que a consideração desta lei, pela qual meios serão colocados no armazém do Senhor, para suprir as necessidades do povo. Meus olhos recaíram sobre uma passagem no Livro de Mórmon, que fala de uma circunstância relativa ao pagamento do dízimo. Referir-me-ei a ela mais adiante. É uma das primeiras de que temos registro nos dias antigos. Não tenho dúvida de que a lei do dízimo sempre existiu quando o Senhor teve um povo na terra. O propósito da lei do dízimo é semelhante ao da lei de receita que é promulgada por todo Estado, todo condado e todo município do mundo, suponho eu. Não existe organização de homens para qualquer propósito de importância sem provisões para levar a cabo seus desígnios. A lei do dízimo é a lei de receita

para A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Sem ela seria impossível levar avante os propósitos do Senhor. Quero ler-vos um dos objetivos pelos quais a lei do dízimo é dada. Está registrado na Seção 83 do Livro de Doutrina e Convênios. O Senhor disse ao Profeta Joseph, em Independence, Condado de Jackson, Missouri, em 30 de abril de 1832:

"1 Em verdade assim diz o Senhor, como acréscimo às leis da igreja concernentes às mulheres e crianças que pertencem à igreja e que perderam seus maridos ou pais:

"2 A mulher tem o direito de receber do seu marido o seu sustento, até que o seu marido lhe seja tirado; e se não for considerada transgressora, terá participação na igreja;

"3 E se não for fiel, não terá participação na igreja; contudo, poderá permanecer em sua herança, de acordo com as leis do país.

"4 Todos os filhos têm o direito de receber de seus pais o seu sustento até alcançarem a maioridade.

"5 E depois disso, eles têm direito de recorrer à igreja ou, em outras palavras, ao armazém do Senhor, caso seus pais não tenham com o que lhes dar herança.

"6 E o armazém deverá ser mantido pelas consagrações da igreja; e prover-se-á a subsistência das viúvas e dos órfãos, como também dos pobres. Amém."

Eis um dos grandes propósitos pelos quais a lei do dízimo é instituída na Igreja. Pretende-se que as viúvas sejam amparadas quando necessitadas, e que os órfãos de pai e mãe sejam supridos pelos fundos da Igreja; que sejam vestidos e alimentados, e tenham oportunidade de educação, o mesmo que outras crianças que têm pais para cuidar delas. Quando uma criança fica órfã de pai e mãe, a Igreja se torna a mãe dessa criança, e é obrigação da Igreja cuidar dela, e ver que ela tenha oportunidades iguais às das outras crianças na Igreja. Esta é uma grande responsabilidade. Já vimos algum dia, desde que a Igreja foi organizada, em que pudéssemos levar a cabo plenamente este propósito do Senhor, à satisfação de nosso coração? Não vimos! porque nunca tivemos os meios para fazê-lo. Mas se os homens obedecerem às leis de Deus, de modo que haja abundância no armazém do Senhor, teremos com que alimentar e vestir os pobres e os órfãos, e

cuidar daqueles que estão necessitados na Igreja. Nossos irmãos não terão que se filiar a essas associações secretas que se formam no mundo, com o propósito de deixar alguns milhares de dólares a suas viúvas quando morrerem. Se pagarmos nossos dízimos e nossas ofertas, ajuntaremos para nós mesmos tesouro no armazém de Deus, pelo qual nossas viúvas e nossos filhos serão amparados depois de mortos, e muito melhor do que o serão por essas associações que oferecem prêmios sobre a morte. Menciono isto simplesmente de passagem. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é boa o bastante para mim e minha família, e não tenho tempo nem meios para me associar a organizações que não são desta Igreja e que têm simplesmente por objetivo ajuntar algo para minha esposa ter depois de eu morrer. Não posso me dar a este luxo, pela seguinte razão: o Senhor tem visto por bem dar-me, dia após dia, exatamente o suficiente para minhas necessidades, e se eu me filiasse a essas associações com o propósito de cuidar do futuro de minha família, seria obrigado a negligenciar o pagamento de meu dízimo e meus deveres presentes, porque não teria meios suficientes para pagar meu dízimo e minhas dívidas com essas associações. Temos conhecido membros da Igreja que, quando perguntados por que não pagavam seu dízimo, confessaram que estavam associados a organizações de um tipo ou outro, nas quais eram obrigados a pagar semanal ou mensalmente certas quantias de dinheiro; estavam associados a essas instituições havia vários anos e haviam colocado bastante dinheiro nelas, e agora, se não continuassem a pagar suas mensalidades, perderiam tudo o que haviam depositado, e em caso de morte suas famílias perderiam o prêmio. Por isto podeis ver que estão em servidão a estas organizações secretas, e se quiserem pagar dízimo não podem fazê-lo. Pois bem, se não o fizerem, estarão entre aqueles cujos nomes não serão encontrados registrados no livro da Lei do Senhor e que não terão herança em Sião. Além disso, temos chamado alguns desses homens para irem em missões, mas não puderam ir pregar o Evangelho às nações

da terra, por quê? Porque pertenciam a certas associações secretas, e eram obrigados a trabalhar o tempo todo a fim de pagar suas mensalidades, ou perderiam o que haviam nelas depositado.

Quero dizer aos Santos dos Últimos Dias que Sião e A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias são boas o bastante para mim e minha família. Não quero nenhuma dessas associações com o propósito de ajuntar dinheiro. Se houvesse nelas algum outro objetivo pelo qual eu pudesse fazer o bem no mundo, isto poderia ser um incentivo. Mas não posso me dar ao luxo de me filiar a nenhuma associação simplesmente com o propósito de ajuntar dinheiro a ser recebido quando eu estiver morto. Estou disposto a confiar meu povo nas mãos do Senhor, tal como tenho estado nas mãos do Senhor desde o princípio.

Agora lerei um pouco do Livro de Mórmon a respeito da lei do dízimo tal como existia nos dias antigos. O Profeta Alma, em seu capítulo 13, começando no versículo 14, diz:

"14 Sim, humilhai-vos como o povo nos dias de Melquisedeque, o qual também foi um sumo sacerdote desta mesma ordem de que falei; que também tomou sobre si, para sempre, o sumo sacerdócio.

"15 E foi a esse mesmo Melquisedeque que Abraão pagou dízimos; sim, até mesmo nosso pai Abraão pagou como dízimo uma décima parte de tudo quanto possuía.

"16 Ora, essas ordenanças foram instituídas dessa maneira para que, por meio delas, o povo pudesse ter esperança no Filho de Deus, sendo um símbolo de sua ordem, ou melhor, sendo sua ordem; e isto para que pudessem esperar dele a remissão de seus pecados, a fim de entrarem no descanso do Senhor.

"17 Ora, esse Melquisedeque era rei da terra de Salém; e seu povo entregara-se à prática de iniquidades e abominações; sim, todos se haviam extraviado; praticavam toda sorte de iniquidades:

"18 Melquisedeque, porém, tendo exercido uma fé vigorosa e recebido o ofício do sumo sacerdócio segundo a santa ordem de Deus, pregou o arrependimento a seu povo. E eis que eles se arrependeram; e Melquisedeque estabeleceu paz na terra em seus dias; foi, portanto, chamado de príncipe da paz, pois era o rei de Salém; e governou subordinado a seu pai.

"19 Ora, houve muitos antes dele e também houve muitos depois, mas nenhum foi maior; portanto, se fez particular menção a ele."

Desejo agora ler algumas palavras a respeito do dever que recai sobre os homens que têm falado durante esta conferência. Lerei uma parte da Seção 41 de Doutrina e Convênios:

"Escutai e dai ouvidos, ó vós, meu povo, diz o Senhor e vosso Deus, vós, que me deleito em abençoar com as maiores de todas as bênçãos, vós que me dais ouvidos; e vós, que não me ouvis e que professastes meu nome, amaldiçoarei com a mais pesada de todas as maldições.

"2. Escutai, ó élderes da minha igreja a quem chamei: Eis que vos dou o mandamento de vos reunirdes para chegardes a um acordo quanto à minha palavra,

"3. E pela oração de vossa fé recebereis minha lei, para que saibais como governar minha igreja e como ter todas as coisas em ordem perante mim.

"4. E serei vosso governante quando eu vier e eis que depressa venho; e fareis com que minha lei seja guardada."

O Senhor exige aqui especialmente dos homens que estão à frente desta Igreja e que são responsáveis pela orientação e direção do povo de Deus, que velem para que a lei de Deus seja guardada. É nosso dever fazer isto. Não estamos vos falando sobre o pagamento de vosso dízimo porque seja um prazer fazê-lo, ou porque desejemos insistir nesse princípio; mas o fazemos porque as necessidades do povo são tais que se torna obrigatório aos líderes da Igreja dizer algo sobre este princípio, para que não somente o povo cumpra seu dever quanto a esta lei, mas para que haja algo no armazém do Senhor com que suprir as necessidades do povo; pois as necessidades da Igreja são as necessidades do povo. Os membros da Igreja constituem a Igreja, e, portanto, qualquer obrigação a que a Igreja esteja sujeita, recai sobre cada membro individual da Igreja proporcionalmente a seus meios. O Senhor exige de nós que zelemos para que Sua lei seja guardada entre o povo. Esta é uma das principais razões pelas quais vos estamos falando como falamos. Na Seção 82 do Livro de Doutrina e Convênios, o Senhor, falando à Igreja, diz:

"Em verdade, em verdade vos digo, meus servos, que como vos tendes perdoado uns aos outros vossas ofensas, assim também eu, o Senhor, vos perdoo.

"2. Contudo, há entre vós alguns que pecaram muito; sim, todos vós pecastes; mas em verdade vos digo: Acautelai-vos daqui em diante; abstende-vos do pecado para que dolorosos julgamentos não vos caiam sobre a cabeça;

"3. Porque daquele a quem muito é dado, muito é exigido; e o que pecar contra a luz maior receberá a condenação maior.

"4. Invocais meu nome pedindo revelações e eu vo-las dou; e se não guardais minhas palavras, as quais vos dou, vós vos tornais transgressores; e justiça e julgamento são a penalidade afixada pela minha lei;

"5. Portanto, o que digo a um digo a todos: Vigiai, porque o adversário espalha seus domínios, e as trevas reinam;

"6. E a ira de Deus está acesa contra os habitantes da Terra; e ninguém faz o bem, pois todos se desviaram do caminho.

"7. E agora, em verdade vos digo, eu, o Senhor, não vos atribuirei pecado algum; segui vossos caminhos e não pequeis mais; mas à alma que pecar retornarão os pecados passados, diz o Senhor vosso Deus.

"8. E também vos digo: Dou-vos um novo mandamento para que compreendais a minha vontade concernente a vós,

"9. Ou, em outras palavras, dou-vos instruções sobre como agirdes perante mim, a fim de que isso se transforme em vossa salvação.

"10. Eu, o Senhor, estou obrigado quando fazeis o que eu digo; mas quando não o fazeis, não tendes promessa alguma."

Ora, o Irmão Lyman tem vos falado sobre a remissão dos pecados. Quando cometemos pecado, é necessário que dele nos arrependamos e façamos restituição na medida do que estiver ao nosso alcance. Quando não podemos fazer restituição pelo mal que fizemos, então devemos recorrer à graça e à misericórdia de Deus para nos purificar dessa iniquidade.

Os homens não podem perdoar os próprios pecados; não podem purificar-se das consequências de seus pecados. Os homens podem parar de pecar e fazer o que é certo no futuro, e nessa medida seus atos são aceitáveis diante do Senhor e dignos de consideração. Mas quem reparará os males que causaram a si mesmos e a outros, que lhes parece impossível reparar por si sós? Pela expiação de Jesus Cristo, os pecados dos que se arrependem serão lavados, ainda que sejam carmesim, serão feitos brancos como a lã. Esta é a promessa que vos foi dada hoje por meio do Presidente da Igreja. Nós, que não

pagamos nosso dízimo no passado, e que estamos, portanto, sob obrigação para com o Senhor, a qual não estamos em condições de saldar no presente, ele nos disse que o Senhor já não exige isto de nossas mãos, mas nos perdoará o passado se, no futuro, observarmos esta lei com honestidade. Isto é generoso e bondoso, e sinto-me grato por isso.

Lerei agora alguns versículos da Seção 85 de Doutrina e Convênios, começando no versículo 9:

"E todos aqueles que não se acharem inscritos no livro de recordações não terão herança alguma naquele dia, mas serão feitos em pedaços e sua porção lhes será designada entre incrédulos, onde há choro e ranger de dentes.

"Estas coisas não as digo de mim mesmo; portanto, como fala o Senhor, assim ele cumprirá.

"E aqueles que são do sacerdócio maior, cujos nomes não estão escritos no livro da lei, ou que apostataram, ou que foram eliminados da igreja, assim como o sacerdócio menor ou os membros, naquele dia não encontrarão uma herança entre os santos do Altíssimo;

"Portanto, a eles será feito como aos filhos do sacerdote, como registrado no capítulo dois, versículos sessenta e um e sessenta e dois de Esdras."

Vou agora a Esdras, para ver o que ali se diz. Lemos:

"61. E dos filhos dos sacerdotes: os filhos de Habaías, os filhos de Coz, os filhos de Barzilai, que tomou mulher das filhas de Barzilai, o gileadita, e que foi chamado pelo seu nome;

"62. Esses buscaram o seu registro entre os que estavam registrados nas genealogias, mas não se acharam nelas; pelo que por imundos foram excluídos do sacerdócio.

"63. E o governador lhes disse que não comessem das coisas santíssimas, até que houvesse sacerdote com Urim e com Tumim."

Esta é a posição em que se encontrará o povo quando vier reclamar uma herança em Sião, se seus nomes não estiverem registrados no livro da lei de Deus. E quero dizer-vos que isto se refere diretamente à lei do dízimo. Em primeiro lugar, referia-se à lei da consagração, mas essa lei, como já foi explicado, não foi devidamente guardada, e, visto que as pessoas ficam sob maior condenação quando não guardam as leis que lhes são dadas, o

Senhor, em Sua misericórdia, retirou dos Santos dos Últimos Dias a lei da consagração, porque o povo não estava preparado para vivê-la, e, enquanto ela vigorava e não a guardavam, estavam sob condenação. A lei do dízimo foi dada em seu lugar.

Algumas pessoas talvez não se importem muito se seus nomes estão registrados ou não, mas isto vem da ignorância das consequências. Se seus nomes não forem registrados, não somente serão excluídas do auxílio a que teriam direito da Igreja se dele necessitassem, como também serão excluídas das ordenanças da casa de Deus; serão separadas de seus mortos e de seus antepassados que foram fiéis, ou daqueles que virão depois delas e que forem fiéis, e receberão sua porção com os incrédulos, onde há choro e ranger de dentes. Isto significa que sereis separados de vossos pais e mães, de vossos maridos, vossas esposas, vossos filhos, e que não tereis porção, quinhão nem herança no reino de Deus, tanto no tempo como na eternidade. Isto tem um efeito muito sério e de longo alcance. Torna-se, portanto, mais obrigatório a mim e a meus companheiros de serviço na Igreja de Deus tornar estas coisas conhecidas ao povo, para que nossas vestes fiquem livres de seu sangue. Não preciso vos ler de Malaquias, mas lerei algo de Amós, chamado um dos profetas menores. Diz o profeta — e o diz ironicamente:

"4. Vinde a Betel, e transgredi; em Gilgal aumentai as transgressões, e de manhã trazei os vossos sacrifícios, e os vossos dízimos ao terceiro dia.

"5. E queimai o sacrifício de louvores do pão levedado, e apregoai os sacrifícios voluntários, fazei-o ouvir; porque assim o quereis, ó filhos de Israel, disse o Senhor Deus.

"6. Por isso também vos dei dentes limpos em todas as vossas cidades, e falta de pão em todos os vossos lugares; contudo não vos convertestes a mim, disse o Senhor.

"7. Além disso, retive de vós a chuva, faltando ainda três meses até a ceifa; e fiz chover sobre uma cidade, e sobre outra cidade não fiz chover; sobre um campo choveu, mas o outro, sobre o qual não choveu, secou.

"8. E andaram errantes duas ou três cidades indo a outra cidade, para beberem água, mas

não se saciaram; contudo não vos convertestes a mim, disse o Senhor.

"9. Feri-vos com queimadura, e com ferrugem; a multidão das vossas hortas, e das vossas vinhas, e das vossas figueiras, e das vossas oliveiras a locusta comeu; contudo não vos convertestes a mim, disse o Senhor.

"10. Enviei a peste contra vós, à maneira do Egito; os vossos jovens matei à espada, e os vossos cavalos deixei levar presos, e o fedor dos vossos exércitos fiz subir às vossas narinas; contudo não vos convertestes a mim, disse o Senhor.

"11. Subverti alguns dentre vós, como Deus subverteu Sodoma e Gomorra, sendo vós como um tição arrebatado do incêndio; contudo não vos convertestes a mim, disse o Senhor.

"12. Portanto, assim te farei, ó Israel! Porquanto isto te farei, prepara-te, ó Israel, para encontrares o teu Deus.

"13. Porque eis que aquele que forma os montes, e cria o vento, e declara ao homem qual seja o seu pensamento, o que faz da manhã trevas, e pisa os altos da terra, o Senhor Deus dos Exércitos é o seu nome.

"14. Ouvi esta palavra, que levanto sobre vós como lamentação, ó casa de Israel.

"15. A virgem de Israel caiu, nunca mais tornará a levantar-se; desamparada está na sua terra, não há quem a levante."

Estas foram as consequências da desobediência da parte do antigo Israel; o mesmo poder reina hoje que reinava então.

Referi-vos alguns dos castigos e das promessas de punição sobre os que não derem ouvidos ao Senhor nem obedecerem a Sua lei. Os Santos dos Últimos Dias estão no meio destas montanhas com o propósito expresso de servir a Deus Todo-Poderoso. Não viemos aqui para servir a nós mesmos nem para servir ao mundo. Estamos aqui porque cremos no Evangelho que foi restaurado nos últimos dias por meio do Profeta Joseph Smith. Estamos aqui porque cremos que Deus Todo-Poderoso organizou Sua Igreja e restaurou a plenitude do Evangelho e do santo Sacerdócio. Estamos aqui porque recebemos o testemunho do Espírito de Deus de que o rumo que temos seguido a este respeito é correto e aceitável aos olhos do Senhor. Estamos aqui porque viemos em obediência ao mandamento do Todo-Poderoso.

Agora vos mostrarei como o Senhor derramou bênçãos sobre Seu povo antigamente, quando obedeciam à lei do dízimo. Lerei do capítulo 31 de II Crônicas, começando no versículo 5:

"5 E depois que se divulgou essa ordem, os filhos de Israel trouxeram muitas primícias de trigo, mosto, e azeite, e mel, e de todo o produto do campo; também os dízimos de tudo trouxeram em abundância."

Isto está de acordo com a lei do dízimo que foi dada aos filhos por meio de Moisés, como podeis ler no capítulo 27 de Levítico:

"E aos filhos de Israel e de Judá, que habitavam nas cidades de Judá, também trouxeram dízimos das vacas e das ovelhas, e dízimos das coisas sagradas que foram consagradas ao Senhor seu Deus; e fizeram muitos montões.

"No terceiro mês começaram a fazer os primeiros montões, e no sétimo mês acabaram.

"Chegando, pois, Ezequias e os príncipes, e vendo aqueles montões, bendisseram ao Senhor e ao seu povo Israel.

"E perguntou Ezequias aos sacerdotes e aos levitas acerca daqueles montões.

"E Azarias, o sumo sacerdote da casa de Zadoque, lhe falou, dizendo: Desde que se começou a trazer esta oferta à casa do Senhor, houve o que comer e do que se fartar, e ainda sobejo em abundância, porque o Senhor bendisse o seu povo, e sobejou esta abastança."

Em conexão com esta passagem de escritura, gostaria de vos lembrar a promessa feita por meio do Profeta Malaquias aos filhos de Israel:

"Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal, até que não haja mais lugar para a recolherdes.

"E por causa de vós repreenderei o devorador, para que não vos destrua o fruto da terra; e a vide no campo não vos será estéril, diz o Senhor dos Exércitos."

Sei que o Senhor fará isto àqueles que O temem e praticam a justiça diante d'Ele.

Refiro-vos agora ao capítulo 28 de Deuteronômio, e também ao capítulo 26 de Levítico. Eles correm quase paralelos. Lerei do capítulo 28 de Deuteronômio:

"E acontecerá que, se ouvires atentamente a voz do Senhor teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que eu te ordeno hoje, o Senhor teu Deus te exaltará sobre todas as nações da terra.

"E todas estas bênçãos virão sobre ti e te alcançarão, se ouvires a voz do Senhor teu Deus.

"Bendito serás tu na cidade, e bendito serás no campo.

"Bendito o fruto do teu ventre, e o fruto da tua terra, e o fruto dos teus animais; e as crias das tuas vacas, e os rebanhos das tuas ovelhas.

"Bendito o teu cesto e a tua amassadeira.

"Bendito serás ao entrares, e bendito serás ao saíres.

"O Senhor fará que os teus inimigos, que se levantarem contra ti, sejam feridos diante de ti; por um caminho sairão contra ti, mas por sete caminhos fugirão de diante de ti.

"O Senhor mandará a bênção sobre ti nos teus celeiros, e em tudo o que puseres a tua mão; e te abençoará na terra que te der o Senhor teu Deus.

"O Senhor te confirmará para si como povo santo, como te jurou, se guardares os mandamentos do Senhor teu Deus, e andares nos seus caminhos.

"E todos os povos da terra verão que és chamado pelo nome do Senhor, e terão temor de ti.

"E o Senhor te dará abundância de bens no fruto do teu ventre, e no fruto dos teus animais, e no fruto da tua terra, sobre a terra que o Senhor jurou a teus pais que te daria.

"O Senhor te abrirá o seu bom tesouro, o céu, para dar chuva à tua terra no seu tempo, e para abençoar toda a obra das tuas mãos; e emprestarás a muitas nações, porém tu não tomarás emprestado."

Deus apresse o dia em que este povo estará em condições de emprestar e não sob a necessidade de tomar emprestado, e creio que o único remédio necessário para trazer este resultado é que o povo observe a lei do dízimo. Se o povo de Deus pagasse seu dízimo honestamente, teríamos abundância com que construir Templos e manter a obra do Senhor nos Templos; teríamos abundância para cuidar das viúvas, dos órfãos e dos pobres em nosso meio. Não teríamos que vos pedir para doar esta ou aquela pequena coisa em benefício dos pobres,

mas teríamos o suficiente para suprir todas essas necessidades, em minha opinião. Mas enquanto algumas pessoas forem desobedientes e negligentes na observância desta lei, aqueles que estiverem dispostos serão necessariamente chamados de tempos em tempos a mostrar sua maior liberalidade na manutenção dos pobres. Quero dizer, em benefício de nossos amigos aqui presentes, que os Santos dos Últimos Dias não pedem a seus vizinhos não mórmons que alimentem seus pobres. Nós mesmos o fazemos, e além disso alimentamos centenas que não são dos nossos. Contudo, aqueles que não pagam seu dízimo não têm direito à ajuda a que teriam direito se pagassem seu dízimo. Quando alguém procura um Bispo e pede assistência por causa de suas dificuldades, a primeira coisa que o Bispo deve fazer é indagar se essa pessoa é pagadora de dízimo. Ele deve saber se o nome está no livro da lei do Senhor, e se não estiver no livro, se essa pessoa tem sido negligente e omissa quanto a este princípio do dízimo, ela não tem direito ao Bispo, nem tampouco seus filhos, e se, nessas circunstâncias, o Bispo a socorre, será simplesmente por pura caridade e não porque tal pessoa tenha algum direito sobre a Igreja. É por isso que a viúva que recebe assistência da Igreja deve pagar seu dízimo, para que seu nome conste nos registros da Igreja. Não é uma lei aplicável a uns e não a outros. Se os ricos não podem receber bênçãos porque seus nomes não constam do registro, tampouco os pobres receberão bênçãos na casa de Deus se seus nomes não estiverem registrados. Enquanto um pobre receber seu sustento por meio dos dízimos do povo, deve estar disposto a observar a lei ele mesmo, a fim de ter direito ao que recebe. Deve demonstrar, por sua observância da lei, que é cumpridor e não transgressor da lei. Nossos filhos, assim que tiverem idade suficiente para ganhar seu sustento, devem ser ensinados a pagar seu dízimo, para que seus nomes sejam escritos no livro da lei do Senhor, de modo que, se por acaso seus pais morrerem e ficarem órfãos, seus nomes, bem como os nomes de seus pais, sejam encontrados nos registros, e eles

terão direito, tão certo quanto Deus vive, ao seu sustento e à sua educação. É nosso dever cuidar dessas crianças e ver que tenham oportunidades iguais às daquelas que são mais favorecidas por terem pais que cuidem delas.

"E o Senhor te porá por cabeça, e não por cauda; e só estarás em cima, e não debaixo, se obedeceres aos mandamentos do Senhor teu Deus, que hoje te ordeno, para os guardar e cumprir."

Estas são as promessas que o Senhor fez ao povo de Israel antigamente, se dessem ouvidos às Suas palavras e obedecessem às Suas leis.

Ora, quero vos dizer sem hesitação nem receio de contradição bem-sucedida, que as palavras que li em vossos ouvidos são tão aplicáveis a vós quanto o foram aos filhos de Israel. Sois o Israel moderno, e eles eram o Israel antigo. O mesmo Deus que falou por meio de Seu servo Moisés fala hoje por meio de Seu servo Lorenzo Snow. A obediência às leis de Deus produzirá hoje os mesmos resultados que produziu antigamente. Para os que conhecem a história do antigo Israel, talvez não seja necessário que eu diga que estas palavras se cumpriram sobre Israel. Enquanto deram ouvidos à Sua palavra, Deus os prosperou; abençoou sua terra; enviou-lhes as chuvas temporãs e serôdias; multiplicou-os e fortaleceu-os na terra; exaltou-os; fez deles Seu povo do convênio, e tornaram-se famosos por todo o mundo conhecido. A glória de Salomão alcançou os confins da terra. Os reis e as rainhas da terra ouviram falar de sua grandeza e de sua sabedoria. Fizeram peregrinações a Jerusalém para ver por si mesmos e verificar os relatos que haviam ouvido sobre a grandeza dos filhos de Israel. A Rainha de Sabá foi e viu Salomão em sua glória. Ouviu a sabedoria que fluía de seus lábios e contemplou a grandeza de seu reino, e disse ao rei: "Foi verdade a palavra que ouvi na minha terra, das tuas coisas e da tua sabedoria. E eu não cria naquelas palavras, até que vim, e os meus olhos o viram; eis que não me disseram metade; sobrepujaste em sabedoria e bens a fama que ouvi.

Bem-aventurados os teus homens, bem-aventurados estes teus servos, que estão sempre diante de ti, que ouvem a tua sabedoria."

Recomendo-vos a leitura atenta do restante deste capítulo em Deuteronômio. O tempo não me permitirá lê-lo, mas gostaria que o lêsseis e meditásseis nele em vosso lazer, pois nele encontrareis, como se escrito por testemunhas oculares, a história dos juízos de Deus que subsequentemente caíram sobre os filhos de Israel, com um relato preciso da queda e desintegração do povo. Tornaram-se um objeto de escárnio e de zombaria entre as nações da terra. Foram despedaçados, foram levados cativos para as várias nações da terra; serviram sob capatazes; desde aquele dia até o presente têm estado sob a maldição de Deus por desobediência a Suas leis, e permanecerão sob essa maldição de desobediência enquanto deixarem de se arrepender de seus pecados e não retornarem ao Senhor. Mas assim que derem ouvidos à voz de Malaquias e retornarem ao Senhor e começarem a observar Suas leis e ordenanças, então se cumprirá a promessa do antigo Profeta de que Deus abrirá as janelas do céu e derramará bênçãos sobre eles até que não tenham espaço para contê-las. Mas isto não acontecerá até que se arrependam e voltem ao Senhor. Nem tampouco acontecerá conosco até que nos arrependamos, pois há muitos entre nós que são tão culpados de desobediência às leis de Deus hoje quanto o era o antigo Israel. Alguns de nós, também, que pretendemos cumprir nosso dever quanto a esta lei, e que temos pregado obediência a ela, não a temos guardado. Recorremos aos livros, vemos os registros dos homens, e em grande medida sabemos o que fizeram, e posso vos dizer que há homens entre nós que gozam de alta estima própria e da estima do povo, que jamais pagaram seu dízimo. No entanto, esses homens deveriam ser exemplos para o povo. Deveriam estar dizendo ao povo, "vinde, segui-me, e fazei o que eu faço", mas não têm sido dessa classe de homens, embora confie que o serão no futuro. Espero que, quando pagarem

o dízimo de seus salários, paguem também o dízimo de seus dividendos e do aumento de seus rebanhos e manadas, e assim paguem um dízimo honesto. Então teremos abundância no armazém do Senhor para suprir todas as necessidades do povo. Que Deus nos ajude

a sermos fiéis é minha oração, em nome de Jesus. Amém.

Como citar este discursoJoseph F. Smith, “Objetivos da Lei do Dízimo”, Conferência Geral de Outubro de 1899, Sessão da Tarde do Segundo Dia (1899-10-07). Pulpit Vault, 1899-10-smith-testimony-of-truth. Tradução desta edição, por método de glossário, archive.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).