Contemplação do Eterno
Lorenzo Snow
Irmãos e irmãs, para nossa instrução nesta manhã, ao menos em parte, lerei alguns parágrafos do Livro de Doutrina e Convênios: ¶
«Meus discípulos, nos dias antigos, procuraram pretextos uns contra os outros e em seu coração não se perdoaram; e por esse mal foram afligidos e severamente repreendidos; ¶
Portanto, digo-vos que vos deveis perdoar uns aos outros; pois aquele que não perdoa a seu irmão suas ofensas está em condenação diante do Senhor; pois nele permanece o pecado maior» (D&C 64:8–9) ¶
«Pois aqueles que forem fiéis de modo a obter estes dois sacerdócios de que falei e a magnificar seu chamado serão santificados pelo ¶
Espírito para a renovação do corpo; ¶
Tornam-se os filhos de Moisés e de Aarão e a semente de Abraão; e a igreja e reino e os eleitos de Deus; ¶
E também todos os que recebem esse sacerdócio a mim me recebem, diz o Senhor; ¶
Pois aquele que recebe os meus servos, a mim me recebe; ¶
E aquele que me recebe a mim, recebe a meu Pai; ¶
E aquele que recebe a meu Pai, recebe o reino de meu Pai; portanto, tudo o que meu Pai possui ser-lhe-á dado; ¶
E isto está de acordo com o juramento e convênio que pertencem ao sacerdócio, ¶
Portanto, todos os que recebem o sacerdócio recebem esse juramento e convênio de meu Pai, que ele não pode quebrar nem pode ser removido» (D&C 84:33–40) ¶
Com o exercício de vossa fé, desejo dizer algumas palavras, talvez não inteiramente relacionadas com o que li, mas conforme o Espírito ditar—Sinto-me sempre muito dependente e humilde quando me apresento diante de um povo que tem servido ao Senhor e que, ao menos em geral, é digno de ser chamado Santos dos Últimos Dias, um povo que recebeu conhecimento das coisas de Deus e que avança no caminho da exaltação e da glória, rumo à plenitude de sua salvação—Creio que, quando nos reunimos como fizemos nesta bela manhã, é nosso privilégio receber instrução daqueles que nos dirigem a palavra, e se não a recebemos, a falha, em geral, está em nós mesmos—É nosso privilégio, como Santos dos Últimos Dias, aproveitar as oportunidades que nos são dadas para nos prepararmos devidamente para as cenas que temos diante de nós e nas quais talvez sejamos chamados a agir; e à medida que as dificuldades que temos de enfrentar aumentarem, e se tornarem talvez mais difíceis de superar, precisaremos de mais força para resistir às tentações e cumprir as obrigações que sobre nós recaem—Suponho que assim seria com os Santos dos Últimos Dias em geral, como é comigo mesmo quanto a este ponto — que, à medida que avançamos em anos e nos aproximamos do que geralmente consideramos o tempo de nossa partida para a outra vida, tendemos mais a dedicar nossos pensamentos e reflexões às coisas que esperamos receber na vida futura, às circunstâncias que ali nos poderão cercar, e à devida preparação que temos feito e estamos fazendo para alcançar o que esperamos—Sei que assim é comigo—Em meu octogésimo quinto ano, ocorre-me naturalmente que é muito bom levar em consideração essas coisas, e profundamente também; refletir sobre o passado, para ver se temos aproveitado as oportunidades ao longo de nossa jornada e se temos feito a devida preparação; e, se não o fizemos, procurar agora emendar-nos com dobrada diligência—Temos todo o direito de compreender algo do que poderemos receber na outra vida—Temos de sofrer quase tudo para cumprir os deveres que nos são impostos ao avançarmos por este caminho que escolhemos—No passado, se tivéssemos tempo, poderíamos relatar os vários sacrifícios a que os Santos dos Últimos Dias têm sido chamados; e se não os tivessem feito, sua própria consciência os condenaria, por causa da luz que haviam recebido e do conhecimento que tinham do que deveriam fazer—Tem-se comprovado muito verdadeiramente entre os Santos dos Últimos Dias aquilo que Jesus disse numa certa ocasião, quando comparou o reino de Deus a um homem em busca de pérolas—Tendo encontrado uma de grande valor, foi e vendeu tudo o que possuía para adquirir aquela pérola—Depois, comparou-o ainda a um homem que encontrou um tesouro num campo, o qual, tendo achado, foi e vendeu tudo o que possuía a fim de vir a possuir aquele tesou- ¶
ro—Foi esse o caso dos Santos dos Últimos Dias—Temos sido chamados a sofrer e a sacrificar aquilo que nos era mais caro do que a própria vida, e alguns têm sido chamados a sacrificar sua existência mortal, tendo sido colocados em circunstâncias em que não puderam evitar a perda da vida—Somos chamados diariamente a fazer sacrifícios—Exigindo o Senhor isto de nossas mãos, e tendo nós, de modo geral, cumprido, é nosso privilégio saber algo a respeito do futuro—qual será o resultado desse sacrifício, qual será o resultado de percorrer este caminho—De fato, dificilmente um Santo dos Últimos Dias pode sustentar-se na Igreja de Deus, a menos que obtenha algum conhecimento dessa espécie, que não pode ser revelado pela sabedoria comum—Não somos melhores do que as demais pessoas, se assim não for ¶
Li algo muito peculiar a respeito das promessas que são feitas, e que sei que se cumprirão, se de nossa parte cumprirmos o nosso dever—Não vivi nesta Igreja por cerca de sessenta e dois anos sem descobrir algo—Dediquei-me a tornar-me digno de receber algo que nenhum homem mortal pode receber senão pelo espírito e poder do Espírito Santo, e o Senhor me tem mostrado coisas e me tem feito compreendê-las tão claramente como o sol ao meio-dia, a respeito do que será o destino daqueles Santos dos Últimos Dias que são fiéis a seus chamados—Jesus diz: ¶
«Aquele que me recebe a mim, recebe a meu Pai; ¶
E aquele que recebe a meu Pai, recebe o reino de meu Pai; portanto, tudo o que meu Pai possui ser-lhe-á dado.» (D&C 84:37–38) ¶
Isto está no Livro de Doutrina e Convênios—Ora, se estivesse no Novo Testamento, algumas pessoas, ainda que não o compreendessem, o aceitariam como verdadeiro, por estar na Bíblia—Pois bem, estou tão certo de sua verdade quanto se estivesse no Novo Testamento—E o Novo Testamento nos confirma nesta doutrina—Disse Jesus, conforme consta no Apocalipse de São João: ¶
«Ao que vencer concederei que se assente comigo no meu trono, assim como ¶
eu também venci, e me assentei com meu Pai no seu trono.» (Apocalipse 3:21) ¶
Há muitas Escrituras que tratam deste ponto—Creio nisto—Creio que somos filhos e filhas de Deus, e que Ele nos concedeu a capacidade para sabedoria e conhecimento infinitos, porque nos deu uma porção de Si mesmo; disse-se-nos que fomos feitos à Sua própria imagem, e verificamos que há um caráter de imortalidade na alma do homem—Há um organismo espiritual dentro deste tabernáculo, e esse organismo espiritual tem em si mesmo uma divindade, ainda que talvez em estado infantil; mas possui em si a capacidade de melhorar e progredir, como a criança que recebe sustento de sua mãe—Embora a criança seja muito ignorante, há nela possibilidades que, ao passar pelas várias provações da infância até a maturidade, permitem-lhe alcançar uma superioridade que é verdadeiramente maravilhosa, em comparação com sua ignorância infantil—Por que e como se realiza isso? Porque possui as suscetibilidades e as capacidades de seu pai—Assim é conosco—Há em nós mesmos uma divindade que é imortal e nunca morre—Daqui a milhares e milhares de anos ainda seremos nós mesmos, e ninguém mais, no que diz respeito à nossa individualidade—Isso nunca morre, de toda a eternidade a toda a eternidade—A imortalidade nunca morre, e é imortal—Somos como filhos que crescem e aumentam em conhecimento e sabedoria—Alguns homens de quem lemos, como Elias, Eliseu, Samuel ou Moisés, grandes profetas, avançaram a tal grau de conhecimento, e desenvolveram suas possibilidades imortais a um ponto verdadeiramente espantoso—E vós e eu teremos de avançar nesse rumo até controlarmos aquilo que o mundo de modo algum pode fazer ¶
Ao ler aqui, havia uma coisa que os discípulos do Salvador não conseguiram realizar—não conseguiram estabelecer aquela união de espírito e sentimento que deveriam ter tido, e o Senhor os repreendeu por isso—O Senhor exige que os homens se perdoem uns aos outros, até setenta vezes sete—E mesmo que a parte ofensora não peça perdão, devemos perdoar por certo número de vezes—Aquele que ¶
não perdoa a seu irmão, dizem-nos, permanece nele o pecado maior—isto é, ele é maior pecador do que a pessoa que o ofendeu—O Senhor exige que amemos o próximo como a nós mesmos—coisa bastante difícil em muitas circunstâncias; mas teremos de alcançar esse grau de perfeição, e o alcançaremos—Moisés, mediante a divindade que sempre esteve com ele, fez coisas extraordinárias—O povo de Israel o havia maltratado em todas as circunstâncias—Continuamente iam contra o seu conselho, e em certa ocasião nomearam um capitão para levá-los de volta à escravidão do Egito—Era quase mais do que ele podia suportar aguentar as indignidades deles—Por fim o Senhor irou-Se, Sua paciência se esgotou, e Ele decidiu destruir a todos eles, exceto Moisés, a quem faria o que havia proposto fazer de Israel—uma nação poderosa—Há bem poucos, em nossos dias, que não teriam aproveitado essa oportunidade, para se tornarem, por assim dizer, o iniciador de um novo mundo, de um reino poderoso e eterno—Isso foi proposto a Moisés pelo Senhor—Ora, Moisés se havia instruído pelo espírito de Deus, de modo que foi capaz de agir de tal maneira que pudesse salvar a casa de Israel naquela ocasião tão extraordinária—Ele clamou ao Senhor com poderosa fé, e conversou com Ele—Procurou explicar-Lhe que aquilo não era, de modo algum, uma boa proposta—Argumentou com Ele como um homem argumenta com outro—Como foi ele capaz de fazer isso? Ora, ele havia visto a Deus face a face, como alguns homens O têm visto nestes últimos dias, e sabia que podia raciocinar e conversar com Ele—Disse ao Senhor que, se Ele fizesse o que propunha—destruir Israel—as nações ao redor diriam que Ele havia empreendido uma tarefa que não pôde levar a cabo—Ora, o Senhor mudou de parecer, segundo se lê, e não fez aquilo que havia intentado—Ora, se o Senhor tinha a intenção, nesse caso, de provar Moisés, isso pode ser questão discutível; mas o entendimento claro com Moisés era que, se ele não intercedesse junto ao Senhor, todo o Israel seria destruído—Foi a divindade dentro de Moisés, elevada a tão alto grau, que o capacitou a fazer isso. Havia também uma divindade dentro de Abraão—Nenhum homem mortal poderia ter feito o que Abraão fez—levar ao Monte Moriá seu único filho como sacrifício—a não ser que fosse inspirado e tivesse dentro de si uma divindade para receber aquela inspiração—Lemos a respeito dessas manifestações extraordinárias na vida dos profetas—Encontramos homens, nos dias de hoje, que jamais poderiam ter feito o que fizeram, jamais poderiam ter feito os sacrifícios que fizeram, se não houvesse um receber e compreender a linguagem da divindade—o Espírito ¶
Quanto a recebermos essas coisas maravilhosas de que vos li, estou tão certo disso quanto de que hoje estou falando convosco—Embora pareça maravilhoso, assim está aqui declarado, e sei que o Senhor diz o que é verdade—Quando Ele dá conforto a Seus Santos em Suas promessas, essas promessas, uma vez cumpridas, são muito maiores do que as palavras pareciam indicar—O presidente Woodruff não poderia ter passado pelas cenas por que passou, e sair vivo delas como saiu, se não houvesse dentro dele uma divindade—uma parte do próprio Deus—que recebesse e compreendesse aquele Espírito divino que a ele veio, capacitando-o a realizar o que realizou—Poder-se-iam mencionar outros homens da mesma maneira—Joseph Smith, o Profeta, com quem tive íntima amizade por anos, tanto quanto a tive com meu irmão, sei que foi homem de integridade, homem devotado aos interesses da humanidade e às exigências de Deus por todos os dias em que lhe foi permitido viver—Nunca houve homem que possuísse maior grau de integridade e mais devoção ao bem-estar da humanidade do que o Profeta Joseph Smith—Posso dizer isso por conhecimento pessoal dele ¶
Santos dos Últimos Dias, tivemos uma conferência formosa, e o tempo tem estado muito bonito—O Senhor nos tem abençoado abundantemente—Aqui estamos, reunidos de muitas nações da terra, e isso tem sido uma realização verdadeiramente maravilhosa—Só Deus poderia tê-la realizado—E as perspectivas diante de nós são grandiosas e gloriosas—O tempo se aproxima rapidamente ¶
—não queremos falar muito, porém, a respeito de irmos ao Condado de Jackson, no Missouri, porque, por nossa insensatez e fraqueza, não nos importaríamos de construir casas e tornar-nos confortáveis aqui—Sei que, quando começamos uma colônia em Brigham City, as pessoas em geral achavam um absurdo, algo perfeitamente inútil, plantar pessegueiros, macieiras, groselheiras e coisas semelhantes, porque iríamos ao Condado de Jackson tão depressa; e foi com o máximo esforço que conseguimos desiludi-las dessa ideia—Não iremos amanhã, nem depois de amanhã, nesta semana nem na próxima; mas iremos, e há muitos—centenas e centenas ao alcance de minha voz—que viverão para voltar ao Condado de Jackson e construir um santo templo ao Senhor nosso Deus—Preparai-vos para fazer estas coisas que nos foram ensinadas durante esta Conferência, e tornai-vos dignos, e receberemos tudo o que vos li nesta seção—Não temos tempo para explicar estas coisas—Damos nosso testemunho a respeito do que sabemos, e do que Deus tem feito por nós, e do que esperamos fazer com Sua ajuda, e deixamos assim ¶
Deus vos abençoe, Santos dos Últimos Dias—Amamos servir-vos, e fazer tudo o que o Senhor nos permite fazer, porque esperamos estar juntos na outra vida, de toda a eternidade a toda a eternidade—Que Deus nos ajude, em nome de Jesus—Amém ¶