Pulpit

"O Reino de Deus ou Nada."

John Taylor

1857-11-01

Vou tomar a liberdade, esta tarde, de selecionar um texto. Na Segunda Epístola, e último versículo, do Evangelho segundo São Brigham ao Coronel Alexander, encontrar-se-ão as seguintes palavras: — "DIZEMOS QUE É O REINO DE DEUS OU NADA."

Reverenciamos o testemunho dos antigos homens de Deus, como registrado no que frequentemente se chama "as Escrituras da verdade divina;" e é bastante comum que os homens se refiram ao que os Profetas disseram e raciocinem a partir de suas palavras. Ora, tenho tido a impressão, por algum tempo, de que os ditos dos homens de Deus modernos são de tão grande importância quanto os ditos dos homens de Deus antigos, e muito mais aplicáveis à nossa condição.

Ao examinar a Epístola ao Coronel Alexander, e considerar as coisas importantes nela ditas, fiquei particularmente impressionado com as últimas palavras, que compõem meu texto — "O reino de Deus ou nada."

Em outros dias, os homens tiveram suas teorias e suas ideias sobre o Cristianismo, o Paganismo, etc., aos quais se fez referência esta manhã. Mas nós cremos em Sacerdócio vivo — em revelação presente — na Igreja e no reino de Deus tal como agora existe sobre a terra, tanto quanto nas coisas ditas pelos antigos Profetas: consequentemente cremos em adaptar nossa vida e nossas ações à posição que agora ocupamos como servos do Deus verdadeiro e vivo — como representantes de Deus sobre a terra — como aqueles destinados a lançar o alicerce daquele reino que há de permanecer para sempre.

O que é o reino de Deus? Esta é uma pergunta que está na boca de quase todos. Todo Santo se interessa por esta pergunta. Não precisamos entrar no disparate do sectarismo: vamos deixá-lo completamente de lado, anzol e linha; pois sabemos o suficiente a respeito dele para não nos importarmos com ele, nem com as ideias absurdas nutridas pelos sectários a respeito do reino de Deus.

A pergunta é: O que é o reino de Deus? Como nos relacionamos com ele? Qual é nossa posição e quais são os deveres que recaem sobre nós hoje, amanhã, e todos os dias de nossa vida, como servos do Deus vivo?

Na Epístola a que me referi, há algo dito sobre as lutas que suportamos, as privações que sofremos, as dificuldades por que passamos, os agravos e indignidades continuamente acumulados sobre nós, e as perseguições multiplicadas sobre nós como povo, mesmo desde o dia da organização desta Igreja até o presente. Havia nela uma expressão forte, marcante e decidida. Deu ao Coronel Alexander e a quem quer que dissesse respeito a entender que era tempo de estas coisas cessarem — que este povo, assim como todo outro povo, deveria ter seus direitos, e estava decidido a tê-los a todo custo, sem temer o resultado — que nós, como povo, estamos decididos a ser livres; pois para nós é — "O reino de Deus ou nada."

Quando falamos de reinos, falamos de governos, governo, autoridade, poder; pois onde quer que haja um reino, estes princípios existem em maior ou menor grau. Os reinos deste mundo têm seus poderes, autoridades, governo, regulamentos, legisladores, etc., de acordo com o tipo de governo que adotam. Até aqui nós, como povo, temos estado amalgamados em grande medida com outras nações. É verdade que tivemos um governo eclesiástico, leis eclesiásticas, disciplina eclesiástica, e pelo santo Sacerdócio associado a esta Igreja governamos o povo. Ainda assim temos estado sujeitos a outro governo, poder e autoridade, ao domínio gentio, à autoridade gentia, às leis gentias, aos usos e costumes gentios, aos quais nos submetemos voluntariamente, na medida em que eram justos; e nos foi dito pelo Senhor que, se observássemos as leis de Deus, não precisaríamos quebrar as leis da terra.

As leis do homem temos guardado fielmente, aderindo tenazmente aos princípios da Constituição do Governo, sob a qual temos vivido. Não as transgredimos em um só ponto, mas mantivemos nosso relacionamento honrosamente com a nação a que temos estado associados.

A primeira coisa que fizemos quando chegamos a esta terra foi organizar um governo para nossa proteção, o que se fez de acordo com o padrão estabelecido por nossos vizinhos — Oregon, por exemplo; depois representamos nosso caso aos Estados Unidos.

Viemos para cá porque fomos privados de direitos, exilados, roubados de nossos direitos como cidadãos americanos, e forçados a vagar pelo deserto para buscar entre os selvagens da floresta aquela liberdade que a Cristandade nos negou. Transgredimos com isso alguma lei dos Estados Unidos, desviamo-nos de algum uso, ou agimos contrariamente a algum costume ou lei estabelecida do Governo? Não. Solicitamos a sanção do Congresso para nossos atos, e foi motivo de espanto e surpresa que tomássemos tais medidas, depois do tratamento que havíamos recebido. Nosso procedimento foi aplaudido por estadistas, senadores, membros do Congresso, e as autoridades dos Estados Unidos em geral; e todas as nossas transações, constituição e leis foram aprovadas com satisfação, consideradas corretas, e de acordo com os usos e leis dos Estados Unidos.

Com o tempo, peticionamos por um Governo Territorial e o obtivemos. Nossos inimigos têm sempre reclamado que infringimos a Constituição e as leis dos Estados Unidos. Mas pergunto: Em que o fizemos? Quem nomeou nosso Governador? O Presidente dos Estados Unidos, com o conselho e consentimento do Senado, de acordo com o uso existente, mas na verdade contrário a qualquer direito que possuíssem; ainda assim o fez. Quem nomeou nossos Juízes, o Marechal dos Estados Unidos, o Secretário de Estado, e a Agência Indígena? O Presidente dos Estados Unidos.

Foi nomeado outro Governador? Suponho que sim; mas ainda não foi empossado. Nenhum homem tem autoridade para agir na função de governador neste Território no tempo presente, de acordo com as leis dos Estados Unidos, senão o Governador Young. Governador algum tem direito de agir aqui, ainda que possa ter sido nomeado pelo Presidente dos Estados Unidos, até que venha para cá e seja empossado. Ninguém ainda veio para ser empossado, e consequentemente o Governador Young permanece legitimamente naquele posto.

Que lei transgredimos? Tenho procurado descobrir. Examinamos a Constituição dos Estados Unidos e as leis pertinentes a estas matérias; e se alguém aqui ou em outro lugar puder apontar alguma lei que transgredimos como cidadãos americanos, sabe mais a respeito do que eu pude aprender; e gostaria que tal pessoa me pusesse de posse dessa informação.

O que vem a seguir? Ora, além disso, depois de mentirem a nosso respeito, caluniarem, abusarem e nos imporem coisas, pisotearem nossos direitos, e enviarem entre nós os mais vis malditos que jamais desonraram o estrado dos pés de Deus — homens de quem eles mesmos se envergonham, agora enviaram uma força armada contrária à lei e ao direito e aos princípios que deveriam prevalecer nos Estados Unidos. Não têm mais direito de fazer isso do que eu tenho de cortar a garganta de qualquer um de vós.

Não há autoridade alguma garantida ao Presidente dos Estados Unidos para perpetrar ato tão diabólico quanto o que empreendeu. Por que se faz isso? É porque somos piores do que outros povos? Não. Depois de vasculharem tudo o que puderam, antes de eu deixar os Estados, a única coisa que puderam encontrar contra nós como povo foi que havíamos queimado alguns livros pertencentes ao Tribunal dos Estados Unidos; e desde então vi declarações juramentadas publicadas, negando totalmente tal coisa, pelo Escrivão daquele Tribunal.

O Presidente dos Estados Unidos assumiu agora a responsabilidade de enviar a este Território uma força armada para pisotear os direitos de 100.000 homens livres americanos, de propósito para servir a um interesse político, em benefício de seu próprio partido. Torna-se para nós uma questão séria o que fazer sob estas circunstâncias.

Deveremos deitar-nos e deixar que esses velhacos nos cortem a garganta? é a primeira pergunta. Deveremos desatar nossas gravatas e dizer-lhes para virem e cortar e talhar à vontade, e derrubar, arrastar para fora, e introduzir suas abominações entre nós — suas malditas instituições cristãs — para prostituir nossas mulheres e abater nossos melhores homens? Deveremos suportar isso, pergunto eu?

Há certas coisas que são sagradas para nós e para todo homem e mulher. Se nos submetermos a algo desse tipo, nos submetemos a ver as próprias instituições de nossa nação pisoteadas — a Constituição de nosso país profanada e despedaçada. Nos submetemos a ver rompidos os laços que uniram esta nação, e o sangue, a anarquia e e a confusão prevalecerem.

Se têm vontade de cortar a garganta uns dos outros, não temos objeção. Dizemos: Sucesso a ambos os partidos. Mas quando vierem cortar a nossa, sem cerimônia, dizemos: Tirem as mãos, senhores. Não somos tão religiosos a ponto de sentar-nos mansa e docilmente e nos submetermos a tais coisas. Compreendemos algo da diferença entre o que alguns chamam traição, ou atos traiçoeiros, e a baixa submissão à vontade de um tirano, que buscaria nos trazer a correntes servis — à perfeita submissão a seu domínio.

Estamos empenhados aqui em nos proteger, a nós, nossas esposas, e famílias — em resguardar tudo o que é sagrado e honroso entre os homens da invasão e opressão de alguns dos mais corruptos miseráveis que jamais desonraram o estrado dos pés de Deus.

"Esta é linguagem bem franca," dizeis. Pretendia falar francamente: não desejo ser mal interpretado. Recentemente tenho estado a par de alguns de seus procedimentos, tendo estado nas suas proximidades por algum tempo. Alguns de nossos irmãos, que foram até eles com mensagens, disseram que tal era a imundície e a obscenidade de sua linguagem — pragas, blasfêmias, e toda espécie de vileza, que, em vez de passar a noite com eles, preferiram afastar-se a alguma distância e deitar-se no chão. Se estes são os sentimentos de nossos irmãos, alguns dos quais são rudes e grosseiros em suas maneiras, não sabemos como se sentiriam nossas irmãs em tão deliciosa companhia.

Não nos submeteremos para sempre a tal estado de coisas. Se vós, nossos inimigos, estais decididos a invadir nossos direitos, pisotear nossas liberdades, arrancar-nos o rico dom que herdamos de nossos pais, para nos fazer curvar em vil servidão à vossa vontade, vos resistiremos: não nos submeteremos a isso. Diremos: Recuai e dai-nos nossos direitos. Agiremos como homens livres, e dizemos que há de ser, "O reino de Deus ou nada."

Por que somos perseguidos? É porque cremos no estabelecimento do reino de Deus sobre a terra — porque dizemos e sabemos que Deus estabeleceu seu reino — porque os princípios da retidão são introduzidos entre os filhos dos homens, e expõem os males, a corrupção, a artimanha sacerdotal, a artimanha política, e as abominações que existem por toda parte. Expõem nuas diante de todos os homens as ações abomináveis da família humana. Não é porque haja mal entre nós, mas porque há bondade, verdade, santidade. É porque Deus falou, e sua palavra teve efeito em nosso coração, para governar e influenciar nossa conduta.

É por causa destas coisas que a presente cruzada foi posta em marcha contra nós, e sem dúvida começou a arder no exato momento em que vos humilháveis perante Deus, quando começastes a reforma e vos arrependíeis de vossos pecados e fazíeis restituição. No tempo em que o Espírito de Deus começou a se manifestar entre vós, o espírito do Diabo começou a arder entre eles contra vós, incitando-os a vos arrancar, a vos desarraigar, e a vos destruir da face da terra.

Por que tivestes a reforma entre vós, que fostes incitados a arrependerdes de vossos pecados e a fazer restituição? Foi porque tínheis o santo Sacerdócio em vosso meio — o espírito de profecia e revelação — porque tínheis homens entre vós que podiam comungar com o Altíssimo e contemplar seus propósitos e desígnios para com a família humana. Foi porque eles viram os males existentes entre vós e ousaram falar deles, e o Espírito de Deus dirigiu a palavra a vosso coração, o que vos trouxe ao arrependimento.

Se tivéssemos corrupção, tabernas de bebedeira, arruaça, e toda espécie de imundície entre nós, e se este lugar fosse permitido ser um perfeito antro de iniquidade, onde o jogador, o corredor de cavalos, o trapaceiro, e todo caráter mau fossem tolerados, então seríamos bons camaradas com nossos inimigos. Os ímpios se curvariam e se prostrariam diante de nós em toda a terra: chamar-nos-iam de cavalheiros em toda parte, e seríamos respeitados. Seria como foi com alguns de nossos irmãos que tiveram de fazer um ardil com alguns dos habitantes do Missouri. Os rapazes "mórmons" fugiam de uma turba e tiveram de passar por uma casa de reunião quando o povo estava saindo de suas orações. Aquelas almas piedosas suspeitaram que os irmãos eram "mórmons."

"Vocês são 'mórmons', malditos sejam," disseram eles.

"Não somos, malditos sejam vocês. Soltem meu cavalo, ou arrebento a cabeça maldita de vocês."

"Ah, descobrimos que não são 'mórmons', cavalheiros: estávamos enganados;" e os deixaram ir.

Quem é que conhece este povo e não sabe que é melhor, mais puro, mais virtuoso e fiel ao seu Deus e às suas leis, e mais fiel às leis e à Constituição de seu país do que qualquer outro povo? Conheço a diferença, pois já estive entre outros e vi suas ações.

Qual é, então, a causa do mal planejado contra nós? É porque somos a Igreja e o reino de Deus. Já deixamos alguma vez nossas casas para interferir com outro povo, em qualquer lugar? Já ouvistes falar de alguma cruzada de um grupo de "mórmons" contra qualquer outro povo? Foram os "mórmons," quando em Nauvoo, a Carthage, La Harpe, Warsaw, ou a qualquer lugar, interferir com os direitos de alguém? Fizemos isso aqui? Fomos ao México, à Califórnia, ao Kansas, à Nebraska, ao Oregon, a Minnesota, ou a qualquer dos distritos vizinhos, interferir com seus negócios ou direitos?

Se houve tal cruzada, permaneci completamente ignorante dela, quanto a quando aconteceu, quem nela se engajou, e quantos.

Se não interferimos com ninguém, que direito tem alguém de interferir conosco? Falo agora como cidadão americano. Falo, se quiserdes, como político. Nesse terreno pergunto que direito têm qualquer povo ou número de pessoas de vir interferir conosco? Não há tal direito no catálogo, senhores.

Eles, no entanto, interferem conosco; e qual é a causa disso? É por causa do reino de Deus — por causa da verdade de Deus — por causa do Espírito de Deus e de certos princípios existentes entre este povo. E quais são eles? É contra a poligamia que estão tão indignados. Não precisam fazer tal cara comprida a esse respeito, pois eles próprios fazem mil vezes pior do que isso, ainda que fosse crime tão hediondo quanto dizem que é.

Não é a poligamia que os horroriza tanto. Conheço sua mesquinhez e abominações, e já lhas disse dezenas de vezes. Tem havido, desde a fundação do mundo, dois princípios e poderes — os princípios das trevas e os princípios da luz, os princípios da verdade e os princípios do erro, o Espírito de Deus e o espírito do Diabo — e tem havido uma poderosa luta entre estes dois princípios e poderes.

Até aqui os bons, os virtuosos, os puros e retos, os homens de Deus, os Santos do Altíssimo, têm sido pisoteados e expulsos — têm vagado em peles de ovelha e de cabra, habitado em desertos, covis, buracos, e cavernas da terra, dos quais o mundo não era digno; e o espírito e o poder das trevas têm prevalecido sobre os poderes da luz, o erro sobre a verdade, e o espírito do Maligno sobre o Espírito de Deus, em certa medida; a tal ponto que a verdade, a equidade e a retidão sempre têm sido desvalorizadas, e os homens de Deus têm sido privados de seus direitos e roubados de suas heranças.

Deus tem tido certo desígnio a realizar, associado à família humana; e suponho que tudo o que tem acontecido tem sido justo. Não vou encontrar defeito em Deus nem no Diabo. Suponho que o Diabo seja tão necessário quanto qualquer outro ser, ou não teria existido.

Os justos têm sido pisoteados, mas está tudo bem com eles. Não era o seu dia. O tempo para reinarem e terem domínio ainda não havia chegado. Enquanto envoltos em visão profética, podiam contemplar os acontecimentos que haveriam de transpirar nos últimos dias, e profetizaram de um reino que seria estabelecido e permaneceria para sempre. Olhavam com alegre expectativa para este dia. Esperavam um tempo em que certo poder existiria sobre a terra, mais poderoso do que os poderes das trevas, quando os justos não mais seriam pisoteados, expulsos e oprimidos — quando os reinos deste mundo se tornassem os reinos de nosso Deus e de seu Cristo, sobre os quais ele reinaria para sempre.

Os homens em nosso dia se apegaram a muitas ideias estranhas. Os Milleritas, por exemplo, falaram da vinda de Cristo para reinar sobre a terra em certo momento; e todos seriam transfigurados, transformados, arrebatados, etc. Na França e em outros lugares, tinham seus sistemas sociais; mas não sabiam mais sobre Deus, Cristo, ou coisa alguma desse tipo do que o Diabo, ia eu dizer; mas nem chegavam a saber tanto quanto o Diabo sobre Deus e seus caminhos. Estes Socialistas falavam de um grande milênio, e o povo ia até eles, esperando que fossem um povo muito justo e orante. Eram algo como o homem que o índio pensou ser "mórmon"; mas quando o índio descobriu que ele não orava, isso o convenceu do contrário. Não davam atenção a Deus nem a suas leis, mas tomavam um pequeno ramo do Cristianismo e o enxertavam em sua incredulidade. Iam melhorar a condição da família humana e trazer o milênio.

Em relação ao reino de Deus, o que é ele? É um reino espiritual? Sim. É um reino temporal? Sim. Ele se relaciona com os assuntos espirituais dos homens? Sim. Ele se relaciona com o temporal dos homens? Sim. E quando estiver plenamente estabelecido sobre a terra, a vontade de Deus será feita sobre a terra exatamente como é feita no céu.

É a vontade de Deus que estamos tentando fazer no tempo presente, ao tentarmos cumprir sua lei, submeter-nos às suas ordenanças, e obedecer a seus mandamentos — não em um só pequeno ponto, mas em toda ação de nossa vida, buscando ser perfeitamente submissos às admoestações do Todo-Poderoso.

Seria o reino de que falaram os Profetas, que haveria de ser estabelecido nos últimos tempos, uma Igreja? Sim. E um Estado? Sim, seria tanto Igreja quanto Estado, para governar tanto temporária quanto espiritualmente. Pode-se perguntar: Como podemos viver sob o domínio e as leis dos Estados Unidos e ser súditos de outro reino? Porque o reino de Deus é mais elevado, e suas leis são tão mais exaltadas do que as de qualquer outra nação, que é a coisa mais fácil na vida para um servo de Deus guardar quaisquer de suas leis; e, como já disse antes, isto temos feito uniformemente.

Quem fez esta terra? O Senhor.

Quem a sustenta? O Senhor.

Quem alimenta e veste os milhões da família humana que existem sobre ela, tanto Santo quanto pecador? O Senhor.

Quem sustenta tudo no universo? O Senhor.

Quem provê para as miríades de gado, peixes e aves que habitam o mar, a terra e o ar? O Senhor.

Quem implantou neles aquele instinto que os faz cuidar de seus filhotes, e aquele poder pelo qual propagam sua espécie? O Senhor.

Quem deu ao homem o entendimento? O Senhor.

Quem deu ao filósofo gentio, ao maquinista, etc., toda partícula de inteligência que têm a respeito do telégrafo elétrico, do poder e da aplicação do vapor às necessidades da família humana, e de toda espécie de invenção trazida à luz durante o último século? O Senhor.

Quem estabelece os reis, imperadores e potentados que regem e governam o universo? O Senhor.

E quem há que reconheça sua mão? Onde está a nação, o povo, mesmo a igreja, ou outro poder que o faça? Podeis vagar leste, oeste, norte e sul, e não a encontrareis em igreja ou governo algum sobre a terra, exceto na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Qual é a causa de toda a escuridão, confusão e miséria que abundam, o encarceramento e as correntes, e os mil males que afligem a humanidade, abrangendo todas as guerras, o derramamento de sangue e a angústia das nações? É porque não reconhecem a mão do Senhor em todas as coisas, nem entendem sua vontade. Seguem seu próprio rumo, e não buscam a sabedoria e a inteligência de Deus.

Por que hão de tronos ser derrubados, impérios dissolvidos, nações destruídas, e a confusão e a angústia cobrir todo o povo, como falaram os Profetas? Porque o Espírito do Senhor será retirado das nações por causa de sua maldade, e serão deixadas à sua própria loucura.

Quem tem o direito de governar as nações, de controlar reinos, e reger todo o povo da terra? Sois pai? Tendes esposas e filhos? Vós os alimentais, vestis e provedes para eles? Sim. Têm eles o direito de se rebelar contra vós? Se o fizessem, que pensaríeis de tais filhos?

Tal é a posição de toda a família humana; tal é a posição do mundo inteiro — de toda sociedade, religiosa, política, social, ou de outro tipo; e nenhuma delas reconhece a Deus nem é obediente a suas leis.

Ora, então, suponde que tivésseis uma fazenda, e nela colocásseis pessoas para trabalhar — as alimentásseis e vestísseis, e esperásseis que vos fossem obedientes; mas em vez disso, enquanto as alimentáveis, vestíeis e cuidáveis delas, elas abusavam de vós, se afastavam de vossas leis, transgrediam vossos preceitos, e davam ouvidos a outra pessoa que era vosso inimigo, em vez de vos ouvir — deixaríeis que permanecessem para sempre em vossa fazenda, ou aos poucos colocaríeis outra pessoa em seu lugar que vos fosse mais fiel?

As transações dos homens são ainda mais ultrajantes contra o Senhor, e a única desculpa para elas é sua ignorância. Como! São os cristãos ignorantes? Sim, tão ignorantes das coisas de Deus quanto a besta bruta.

Vejamos um pouco mais adiante. Se desejásseis o bem-estar de vossa família, não a castigaríeis? Sim, se agisse mal. Não tentaríeis fazê-la submeter-se à vossa lei? Certamente que sim; e se não o fizesse, depois de terdes suplicado e castigado, a deserdaríeis. O Senhor disse de Abraão: "Eu sei que ele me temerá e ordenará a seus filhos depois dele que o façam." Foi este princípio que o recomendou ao favor de Deus.

Que pensaríeis da conduta de um Deus que deixasse a família humana continuar para sempre a transgredir sua lei sem interferir? Pensaríeis que estava ficando tolo e caduco — que não entendia a si mesmo nem os princípios corretos ao permitir que uma porção de rapazes maus se levantasse e aumentasse ao seu redor, deixando existir princípios maus em vez de justos, e os ímpios afligirem e perseguirem os bons impunemente.

O tempo havia de vir, e agora é chegado, em que Deus estabeleceu seu reino sobre a terra, e está decidido a que os homens estejam em sujeição às suas leis. Pode o Senhor ir a algum outro povo senão este e declarar sua vontade? Não pode. Não há nação, reino, poder, ou povo — não há sociedade política, moral, social, filosófica, ou religiosa no mundo que receberia a palavra de Deus, exceto este povo.

Se não puder ser encontrado em lugar algum um povo que escute a palavra de Deus e receba instruções dele, como poderá jamais seu reino ser estabelecido? É impossível? Qual é a primeira coisa necessária ao estabelecimento de seu reino? É levantar um Profeta e fazê-lo declarar a vontade de Deus; a seguinte é ter um povo que preste obediência à palavra do Senhor por meio daquele Profeta. Se não puderdes ter estas coisas, jamais podereis estabelecer o reino de Deus sobre a terra.

O que é o reino de Deus? É o governo de Deus sobre a terra e no céu.

O que é seu Sacerdócio? É o governo, a autoridade, a administração, se quiserdes, do governo de Deus sobre a terra ou nos céus; pois o mesmo Sacerdócio que existe sobre a terra existe nos céus, e aquele Sacerdócio detém as chaves dos mistérios das revelações de Deus; e o legítimo cabeça daquele Sacerdócio, que tem comunhão com Deus, é o Profeta, Vidente e Revelador para sua Igreja e povo sobre a terra.

Quando a vontade de Deus for feita na terra como no céu, aquele Sacerdócio será o único poder governante legítimo debaixo de todo o céu; pois todo outro poder e influência lhe estará sujeito. Quando o milênio de que temos falado for introduzido, todos os potentados, poderes e autoridades — todo homem, mulher e criança estarão em sujeição ao reino de Deus; estarão sob o poder e domínio do Sacerdócio de Deus: então a vontade de Deus será feita na terra como é feita no céu.

Isto coloca o homem em seu verdadeiro relacionamento com o Altíssimo; e enquanto outros se vangloriam de sua própria inteligência, poderes, autoridade, governo, grandeza e força, nossa glória, poder, força e vigor estão no Senhor. Temos alguma bênção temporal? Reconhecemos nisso a mão de Deus. Temos bênçãos espirituais? Reconhecemos nisso a mão de Deus. Fazemos o mal e recebemos castigo? Reconhecemos nisso a sua mão, e o consideramos uma bênção. Estamos em dificuldades? Reconhecemos nisso a mão de Deus, e consideramos necessário sermos provados e testados em todas as coisas, para que sejamos considerados dignos de nos associarmos com as inteligências que cercam o trono de Deus. Temos prosperidade? Reconhecemos nisso a mão de Deus, e lhe rogamos sabedoria para usar corretamente o que colocou em nossas mãos. Possuímos conhecimento científico — conhecimento de agricultura ou qualquer outra espécie de conhecimento? Reconhecemos nisso a sua mão. Estamos aqui nestas montanhas, cercados, como povo, pelas barreiras dos montes eternos, tirados de nossos inimigos para herdar estes vales? Reconhecemos nisso a mão de Deus. Vem um exército para nos fazer guerra? Reconhecemos nisso a mão de Deus. Sentimos que estamos em suas mãos, e dizemos: "É o Senhor; faça ele o que bem lhe parecer, e nós buscaremos fazer o que é certo de nossa parte." Temos de ir à guerra? Reconheceremos nisso a mão de Deus. Se nos disserem para não matarmos nossos inimigos, não os mataremos, mas cultivaremos um espírito de mansidão e humildade, fazendo o que o Sacerdócio de Deus dita — o que os servos do Deus vivo nos dizem. Na paz e na prosperidade, na guerra e na adversidade, nos apoiaremos na mão de Deus, e a reconheceremos, e diremos: "Aleluia! o Senhor Deus Todo-Poderoso reina."

O que é que buscamos fazer? É obter uma fazenda, uma casa, ou uma posse de qualquer tipo? Quem se preocupa com tais coisas, que estão aqui hoje e se vão amanhã? Estão bem o bastante em seu lugar.

Alguns de vós são provados porque não tendes muitas coisas que gostaríeis de ter. Se as tivésseis, não seríeis provados nesse ponto, e por isso é necessário que sejais colocados nessa posição. Pode ser necessário, depois de algum tempo, que sejais provados com mais coisas desta vida do que saibais o que fazer com elas.

Com ninguém está o Senhor Deus irado exceto com aqueles que não reconhecem sua mão em todas as coisas. Que importa se estamos cultivando, construindo, plantando, lutando, ou qualquer outra coisa, se estamos fazendo o que nos é dito? A quem importa? A mim não. Que as coisas venham do modo que quiserem, está tudo certo, se fizermos o certo.

Como seres eternos, associados à eternidade que foi e à eternidade que há de vir — seres que habitavam em luz eterna antes de virmos para cá, buscamos agora a salvação, preparando-nos para heranças celestiais nos mundos eternos. É isto que buscamos: estamos tentando lançar um alicerce para nós mesmos, para nossos progenitores, e para nossa posteridade, que perdurará e se estenderá enquanto rolarem incontáveis eras; e somos ensinados nos princípios pelos quais podemos obter esta salvação pelo santo Sacerdócio — pelas revelações de Deus a nós comunicadas por meio daquele Sacerdócio.

E agora, tendo sido expulsos dos Estados Unidos, depois de termos sido repetidas vezes expulsos de nossos lares por nossos assassinos inimigos — tendo cumprido todas as exigências que Deus ou o homem poderiam requerer de nós, e guardado toda lei necessária para observarmos — depois de tudo isso, e mais, digo eu, deveremos permitir que esses pobres, miseráveis, malditos e infernais velhacos venham aqui e infrinjam nossos direitos sagrados?

["NÃO!" ressoou por todo o Tabernáculo, fazendo tremer as paredes do edifício.]

NÃO! Há de ser, "O reino de Deus ou nada" para nós. Esse é meu texto, creio eu; e nos ateremos a ele — o manteremos; e, em nome do Deus de Israel, o reino de Deus há de avançar, e todos os poderes da terra e do inferno não podem deter seu progresso. É avante, AVANTE, AVANTE, de agora em diante, por toda a eternidade.

[Vozes de "Amém."]

"Não tens medo de ser morto?" podeis perguntar-me. Não. Grande consciência! quem se importa em ser morto? Não podem matar-vos. Podem disparar uma bala em vós, e vosso corpo pode cair; mas vivereis. Quem se importa em morrer? Estamos associados a princípios eternos: eles estão dentro de nós como um poço que jorra para a vida eterna. Começamos a viver para sempre.

Quem teria medo de um pobre e miserável soldado — um homem que recebe oito dólares por mês para matar pessoas, e um miserável açougueiro ainda por cima — uma das mais pobres maldições da criação? Por mais mesquinhos que sejam os americanos, muitos deles não se alistarão como soldados. Mas o Governo tem de contratar estrangeiros por oito dólares por mês para virem até aqui nos matar! Quem tem medo deles? Que venham ou fiquem se contorcendo, está tudo certo.

Somos os Santos de Deus; temos o reino de Deus, e os demônios no inferno e todos os homens ímpios sobre a terra não podem tirá-lo de nós. Governaremos e teremos domínio sobre a terra, e não podem fazer nada quanto a isso. Podem tomar seu próprio rumo. Podem lutar contra nós, se quiserem, ou podem recuar e nos deixar em paz; mas o reino continuará. Podem tomar o rumo que lhes aprouver: o reino é nosso, e nós somos de Cristo, e Cristo é de Deus.

Cabe a nós viver nossa religião, guardar os mandamentos de Deus, e seremos salvos: teremos assim a honra de fazer algo pelo reino de Deus, ao repelir a inundação de trevas que envolve o universo, e nos prepararmos para o domínio sobre a terra e a exaltação eterna no reino de Deus para sempre.

Que Deus vos abençoe e vos preserve em pureza e santidade perante ele, para que herdeis tudo o que antecipais, é minha oração em nome de Jesus Cristo! Amém.

Como citar este discursoJohn Taylor, “O Reino de Deus ou Nada.”, (1857-11-01). Pulpit Vault, 1857-11-taylor-kingdom-of-god-or-nothing. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).