A Viagem do Presidente B. Young ao Sul — Dificuldades com os Índios — Walker — Vigilância e Oração — Ladrões e Seus Merecimentos — Notícias do Leste — Estado Financeiro da Igreja — Adquirindo Conhecimento, etc.
Brigham Young
Tomo a liberdade de ocupar um curto tempo, nesta manhã, dirigindo-me a meus irmãos e irmãs. ¶
Não pretendo ser versado extensamente em conhecimento histórico, ainda assim espero poder relatar-vos uma pequena porção de minha própria história nesta manhã, referindo-me especialmente à última parte de minha vida, digamos, às últimas três semanas. ¶
É sabido por todos vós que parti deste lugar com a intenção de viajar ao sul até o limite de nossos assentamentos meridionais, mas voltei sem concluir aquela viagem. Direi as razões pelas quais, para que as mentes do povo possam ficar em repouso, e livres de ansiedade. ¶
Fomos à cidade de Provo, no Vale de Utah, onde eu tinha alguns negócios a tratar. Demoramo-nos ali por um curto tempo antes de prosseguirmos em nossa viagem, cujos itens principais desejo apresentar aos irmãos, em conexão com algumas circunstâncias que haviam ocorrido antes de partirmos deste lugar. Estas circunstâncias, combinadas, causaram um sentimento de suspeita em meu próprio coração. Tenho me esforçado toda a minha vida para seguir uma parte das instruções do Salvador a seus discípulos, que é, "vigiar." Sou um homem muito vigilante. ¶
Antes de eu partir desta cidade, foi enviado um expresso do Condado de Iron, de que o índio Walker manifestava sentimentos hostis; pois parece que havia lançado seus homens sobre uma pequena parte de nossos irmãos, e ordenado que voltassem para casa, quando estavam em perseguição de supostos ladrões; estes índios não permitiram que prosseguissem mais adiante. ¶
Esta circunstância, por menor que pudesse parecer a alguns, causou suspeita em minha mente de que nem tudo estava certo com o chefe índio, embora eu esperasse visitá-lo em minha viagem. ¶
Depois de demorar-me na cidade de Provo por um dia e uma noite, fui abordado de maneira bem abrupta por um estranho, uma pessoa a respeito de quem eu nada sabia, e jamais tinha visto antes. Soube desde então que é um americano do Estado de Nova York, e que vive há alguns anos no Novo México. Esta pessoa veio até minha carruagem, enquanto eu estava de pé em seus degraus, arrumando minha bagagem, preparando-me para prosseguir, e disse, em tom rude e autoritário, "O Governador Young está nesta carruagem?" "Não, senhor," disse eu, "mas está em seus degraus. O que se deseja?" Virei-me para ver quem me falava, e vi este estranho, vestido de camurça, bastante enegrecida pela fumaça. Ele disse, "Tenho uma pequena questão particular convosco." Afastando-nos o suficiente para não sermos ouvidos por ninguém mais, eu disse, "Falai, senhor." "Mas quero ver-vos em particular," ele replicou. Eu disse, "Não tenho questões particulares com estranhos; se tendes alguma comunicação a fazer-me, podeis fazê-lo por carta." Ele se afastou, e me deixou. Isso foi tudo o que se passou entre nós. Assim que ele deu a entender que desejava uma conferência privada comigo, examinei o homem, e vi que seus bolsos estavam cheios de armas mortíferas, e de suas intenções tive meus próprios pensamentos. ¶
Prossegui em meus negócios, mas nesse meio tempo enviei um homem para reconhecê-lo, a quem ele fez alguma expressão arrogante sobre o Governador Young. Disse ele, "O Governador Young não precisa se sentir tão maldito importante, associo-me com governadores quando estou em casa, e tenho dinheiro suficiente para comprar o Governador Young e todas as suas esposas." Disse ainda, "Tenho quatrocentos mexicanos esperando minhas ordens, e posso ter tantos mais quantos quiser, além disso, os índios aqui estão todos ao meu comando." ¶
Logo soube, para minha satisfação, que ele viera ao Território para comprar crianças índias, e revendê-las como escravas. Portanto, emiti a Proclamação que sem dúvida lestes nas páginas do News, dei ordens ao Tenente General, e ele fez o que fez. ¶
Prosseguimos em nossa viagem, e descobrimos que este homem estivera negociando com os índios. Disse ele, "Não pedia licença às autoridades deste Território, mas calculava comprar todas as crianças índias que pudesse." Foi-lhe dito que isso era contra a lei. Ele respondeu, "Pegar vem antes de enforcar." ¶
Quando cheguei a San Pete, soube que cento e cinquenta utes yampa, no ramal oeste do rio Sevier, haviam vindo para o acampamento de Walker. Não acreditei que este mercador mexicano tivesse quatrocentos mexicanos acampados nas cabeceiras do Sevier, pois não pensei que homens esperariam pacientemente na neve e na geada por um homem de sua aparência. Em vez de mexicanos, revelaram-se ser aqueles utes yampa. ¶
Enviei um grupo de reconhecimento composto de trinta homens, para saber suas intenções, se possível; também o paradeiro de D. B. Huntington, que havia partido antes, mas não tive notícias deles, nem dele, desde que nos deixaram em Salt Creek, cerca de uma semana atrás, na terça-feira de manhã. Amasa Lyman e Charles C. Rich prosseguiram em sua viagem, e omitiram parar em San Pete. Fui a San Pete para saber a situação e os procedimentos dos índios. Arapeen, ao que parecia por alguma causa, estivera insatisfeito, e havia partido. Antes de partir, deu-lhes a entender que desejava paz, e queria viver em paz. Contudo, eu estava preparado para brancos, vermelhos, ou negros, de noite e de dia, e sempre pretendo estar. ¶
Este é um curto relato de minha viagem. Desejei apresentá-lo a vós tal como foi, em consequência das diferentes versões que foram feitas, que variam consideravelmente da verdade, depois de passar por algumas mãos. Depois de relatar os fatos simples tal como existiram, podeis considerá-los como quiserdes; mas quando os contardes novamente a vossos vizinhos, contai-os tal como foram, ou não os conteis de modo algum. ¶
Ouvi muitas histórias diferentes desde que voltei para casa, e encontro as mentes do povo muito agitadas quanto ao resultado provável das hostilidades dos índios, e da presença dos mexicanos entre eles. Direi a razão pela qual voltei para casa antes de concluir o restante de minha viagem pretendida -- foi porque desejei voltar. Podeis perguntar por que desejei voltar. Direi. Sou eu mesmo um grande covarde, não desejo lançar-me imprudentemente ao perigo. Se houvesse algum problema com os índios, e eu estivesse longe deste lugar, haveria mais problema aqui do que comigo. Disso eu estava plenamente ciente, e ficou provado para minha satisfação quando voltei para casa. O perigo imaginado sempre produz o maior problema. Os índios são muito como se diz que são os brancos, isto é, incertos -- não devem ser confiados. Os brancos podem ser incertos, mas sei que os índios o são. Não gosto de confiar demais neles. Nunca desejo ser ferido, nem que este povo seja ferido por depredações indígenas cometidas contra ele; e se os santos fizerem o que lhes é dito, jamais sofrerão daquele lado neste Território. ¶
Tomai a história do primeiro povoamento da América, e não podereis ler de uma colônia jamais estabelecida em meio a selvagens, sem ter problemas, e sofrer mais deles do que este povo sofreu em Utah. Qual é a razão? É porque aquelas pessoas não sabiam como cuidar de si mesmas. Mal podemos ler de uma colônia fundada entre os aborígenes no primeiro povoamento deste país, em que o tomahawk de índios selvagens não bebeu o sangue de famílias inteiras. Aqui não houve tais atos cometidos; porque quando primeiro entramos em Utah, estávamos preparados para enfrentar todos os índios nestas montanhas, e matar cada alma deles, se tivéssemos sido obrigados a fazê-lo. Esta preparação nos assegurou a paz. ¶
Todo assentamento que se fez nestes vales das montanhas recebeu de mim instruções estritas, para construir, em primeiro lugar, um Forte, e viver nele até que fossem suficientemente fortes para viver numa cidade; para manter suas armas e munições bem preparadas para qualquer emergência; e jamais cessar de manter uma vigília noturna, se houvesse qualquer receio de os índios estarem hostis. Não sofremos nada deles, comparado com o que sofremos de homens brancos dispostos a roubar; e prefiro arriscar hoje um bom tratamento entre índios, do que entre homens brancos deste caráter. ¶
Não me lembro de os índios terem matado a nenhum desta comunidade, exceto um homem, o que aconteceu há cerca de três anos, nesta primavera, que havia partido para a Califórnia, a pé e sozinho, contra o conselho. Os peles-vermelhas o encontraram e o mataram. Nunca ouvi falar de eles sequer perturbarem uma família; e não pretendo que jamais o façam, se vigiar, e orar, e estar prontos para eles o impedir. ¶
Sempre me reconheci covarde, e espero sempre o ser, para me tornar suficientemente cauteloso a fim de preservar a mim mesmo e a meus irmãos de cairmos ignobilmente sob uma banda de índios. Estou convencido de que os homens que seguem Walker, que é o rei dos índios nestas montanhas, o fazem por medo, e não porque tenham real consideração por seu líder. Se ele se tornar hostil, e desejar cometer depredações contra as pessoas ou propriedade deste povo, será apagado da existência, e todo homem que o seguir. Este é meu cálculo, e desejo que estejais preparados para isso. ¶
Ontem de manhã, recebemos uma comunicação do pai Morley, na qual fomos informados de que Walker e Arapeen desceram para lhe fazer uma visita. Na manhã em que deixamos San Pete, enviamos de volta, pelas mãos dos dois mensageiros de Arapeen, alguns pequenos presentes na forma de camisas e tabaco. Walker disse ao Pai Morley, "Dizei ao irmão Brigham, fumamos o tabaco que nos enviou no cachimbo da paz; quero estar em paz, e ser um irmão para ele." Isso está certo. Mas é verdadeiramente característico do astuto índio, quando descobre que não pode levar vantagem sobre seu inimigo, curvar-se imediatamente, e dizer "eu vos amo." Basta-me saber que Walker não ousa tentar ferir nenhum de nossos assentamentos. Não me importa se me amam ou não. Estou resolvido, contudo, a não confiar em seu amor mais do que confiaria no de um estranho. Não deposito confiança em pessoas, senão à medida que se provam dignas de confiança; e viverei muito tempo antes de poder crer que um índio é meu amigo, quando lhe seria vantajoso ser meu inimigo. ¶
Desejo agora lembrar-vos de algumas coisas. Orais por Israel? Sem dúvida respondereis afirmativamente. Estes índios são a semente de Israel, pelos lombos de José, que foi vendido ao Egito; são os filhos de Abraão, e pertencem à semente escolhida; não fosse assim, jamais os teríeis visto com pele escura e vermelha. Isto é consequência da maldição que foi posta sobre eles, a qual jamais teria vindo sobre eles no mundo, se seus pais não tivessem violado a ordem de Deus, que anteriormente existia entre eles; pois na proporção da luz contra a qual pecaram, assim foram reduzidos pela maldição de Deus, que tem sido visitada sobre seus filhos por muitas gerações. São da Casa de Israel, e chegou o tempo para o Senhor favorecer Sião, e redimir Israel. Estamos aqui nas montanhas, com estes lamanitas por vizinhos, e não hesito em dizer que, se este povo possuísse a fé que deveria ter, o Senhor Todo-Poderoso jamais permitiria que qualquer dos filhos de Jacó os ferisse minimamente; nunca, jamais. ¶
Mas suspeito que este povo não possui a fé que deveria ter, portanto calculo levar comigo as armas apropriadas de defesa, para que, se um homem tentar desferir um golpe contra minha pessoa para tirar minha vida, antes que ele perceba, ele mesmo esteja contado entre os mortos. Sempre estive assim preparado, por anos. É motivo de sério questionamento em minha mente, se este povo tem fé suficiente para controlar os índios nestas montanhas, apenas por isso, sem obras. Novamente, podeis orar por eles tão fervorosamente quanto por vós mesmos, o que sempre fiz; é meu dever orar por eles, e buscar a redenção de Israel, mas algo mais é necessário para mantê-los à distância. ¶
Quem é Israel? São aqueles que são da semente de Abraão, que receberam a promessa por meio de seus antepassados; e todo o resto dos filhos dos homens, que recebem a verdade, também são Israel. Meu coração sempre se volta para eles, sempre que vou ao trono da graça. Amo Israel, anseio por sua salvação, e olho adiante com um desejo cheio de esperança e paz para o dia em que serão reunidos e salvos; quando seus antepassados, que desfrutaram do evangelho, e por sua fidelidade receberam grandes promessas e bênçãos para sua posteridade, as verão cumpridas sobre suas cabeças. ¶
Desejo que tenhais fé para vos apegardes às promessas, e reivindicá-las como vossas. Se tivésseis fé como os antigos, poderíeis escapar do fio da espada, fechar a boca dos leões, apagar a violência do fogo, abrir as portas da prisão, e romper os grilhões de ferro -- tudo isso poderia ser realizado pela fé. Mas, para o caso de não terdes fé, fizemos com que se fizesse o que foi feito, tendo este povo preparado para qualquer emergência que surgisse. Meu conselho é, vigiai o tempo todo. Não vos deiteis, e adormeçais, dizendo que tudo está bem, para que, numa hora em que não penseis, a destruição súbita não vos alcance. ¶
Levaremos isto um pouco mais adiante. Nunca vos permitais dormir em vossas casas até que vossas portas estejam perfeitamente seguras, para que os índios não possam entrar e matar-vos enquanto dormis. A este respeito, o povo em geral é descuidado, e perfeitamente despreocupado. Alguns querem estar separados longe de seus vizinhos, e possuir toda a terra ao seu redor, dizendo, "está tudo certo, tudo é paz, e os índios são perfeitamente bem-humorados, e não nos desejam mal;" envolvendo-se no manto da segurança, com algumas tábuas quebradas grosseiramente montadas como porta para suas casas, e isso sem fechadura alguma. Se não fosse pelo fato de que o povo desta cidade é mantido continuamente alerta, e importunado de tempos em tempos por alguma pessoa sobre este assunto, não passaria um ano antes que cinquenta homens pudessem conquistar e matar todos os habitantes. ¶
Estais certos de que tendes fé suficiente para amarrar Satanás de modo que não possa ter influência alguma nesta cidade? Se não, seria melhor vigiar tanto quanto orar. Estais certos de que tendes fé suficiente para controlar a natureza ingovernável dos lamanitas, ou subjugar uma turba gentia? Se tendes, alegro-me com isso, é a primeira vez que este povo jamais o desfrutou. Ainda que supondo que tenhais fé para realizar tudo isso, não acrescentareis nenhuma obra à vossa fé? E se tendes o espírito de oração em grau quase ilimitado, cessareis de vigiar? Já orei muitas vezes, e tive um homem à porta para vigiar o assassino que sedento estava por meu sangue. Então ele oraria, e eu vigiaria. Para quê? Para matar o vilão sedento de sangue. Eu não iria procurá-lo, mas quando ele viesse matar-me em minha própria casa, desejava estar preparado para desincorporar seu espírito, salvar meu próprio tabernáculo, e enviar o dele ao pó, e deixá-lo ir para o lugar preparado para assassinos, mesmo ao inferno. ¶
Suponde que tivéssemos fé suficiente para realizar tudo de que temos falado, o que seria mais apropriado, usar apenas a oração sem vigiar, e ter apenas fé sem obras, ou vigiar e acrescentar obras à fé? Misturarei obras à minha fé, e vigilância à minha oração, e colherei os benefícios de sua operação unida. ¶
Mais algumas palavras a respeito de Walker, o índio. Mandou-nos dizer que estava descendo a esta cidade para negociar. Isso está certo, é muito bom. Espero que ele seja pacífico, e o resto dos índios também. Não tenho dúvida disso. Por quê? Porque não ousam ser de outra forma. Se ousassem ser de outra forma, não sei quão depressa estariam em guerra conosco. Mas serão gentis e pacíficos, porque temem morrer, e isso me basta. ¶
Se ao menos receberem o espírito do evangelho, alegrar-me-ei com isso. Não há dúvida em minha mente de que Walker o tem sentido de tempos em tempos, e estou convencido de que nossa fé e orações farão muito bem a estes miseráveis remanescentes da semente de Abraão. Devemos continuar nossos trabalhos até termos fé para amarrar Satanás; e se vós e eu não vivermos para fazê-lo, nossa posteridade avançará e o realizará depois que partirmos. ¶
Quando uma pessoa é posta em circunstâncias em que não pode de modo algum obter uma partícula sequer de nada para sustentar a vida, seria então seu privilégio exercer fé em Deus para alimentá-la, que poderia fazer um corvo apanhar um pedaço de carne seca de algum lugar onde havia fartura, e deixá-lo cair sobre o homem faminto. Quando eu não puder alimentar-me a mim mesmo pelos meios que Deus pôs em meu poder, é então tempo suficiente para Ele exercer Sua providência de modo incomum para atender às minhas necessidades. Mas enquanto pudermos nos ajudar, é nosso dever fazê-lo. Se um santo de Deus estiver trancado numa prisão, por seus inimigos, para morrer de fome, é então tempo suficiente para Deus intervir, e alimentá-lo. ¶
Enquanto tivermos um solo rico neste vale, e semente para pôr na terra, não precisamos pedir a Deus que nos alimente, nem que nos siga por aí com um pão implorando que o comamos. Ele não o fará, nem eu o faria, se fosse o Senhor. Podemos alimentar-nos aqui; e se algum dia formos postos em circunstâncias em que não pudermos, será então tempo suficiente para o Senhor operar um milagre para nos sustentar. ¶
Se desejais saber o que deveis fazer doravante, direi em poucas palavras -- mantende vossa pólvora, e chumbo, e vossas armas em boa ordem. Ide a vosso trabalho, arai vossos campos, trabalhai em vossas oficinas, e estai prontos de manhã, ao meio-dia, ou de noite, para que, sempre que fordes chamados, possais pôr a mão em vosso mosquete e munição no menor aviso. "Estai vós preparados também, pois à hora em que não pensais, eis que vem o ladrão," e leva vosso cavalo de vosso estábulo. ¶
Quantas queixas me foram feitas por homens que tiveram seus cavalos roubados de seus estábulos, ou de seus currais, ou roupas retiradas do varal. A razão pela qual as pessoas perdem sua propriedade é porque não a vigiam. Já me queixei alguma vez de tal coisa? Não! Por quê? Porque vigio meu curral. Perco algo de meu celeiro? Não. Porque o tranco, e mantenho alguém ali para vigiá-lo. Perco alguma roupa? Não que eu saiba. Digo a minha gente que não deixe suas roupas fora. "Por quê," perguntam, "há algum perigo de serem roubadas?" Não é da vossa conta, não secarão depois de escurecer, portanto recolhei-as, e pendurai-as novamente pela manhã. Esse é o modo de viver, e isso é o que desejo dizer-vos a respeito destes assuntos, para que vossas mentes estejam em paz. Tudo será paz neste verão, se continuardes vigiando. ¶
Se quereis saber o que fazer com um ladrão que encontrardes roubando, digo, matai-o no ato, e jamais o deixeis cometer outra iniquidade. Isso é o que espero fazer, embora nunca, em todos os dias de minha vida, tenha ferido um homem com a palma de minha mão. Nunca feri ninguém de nenhuma outra forma, exceto com este membro indisciplinado, minha língua. Não obstante, se eu pegasse um homem roubando em minhas propriedades, provavelmente o mandaria direto para casa, e isso é o que desejo que todo homem faça, para pôr fim a essa abominável prática no meio deste povo. ¶
Sei que isto parece duro, e lança um frio arrepio sobre nossas veneradas tradições recebidas por educação precoce. Eu mesmo tive muitos sentimentos assim com que lidar, e era tão sectário em minhas noções quanto qualquer outro homem, e tão brando, talvez, em minha disposição natural, mas tenho me treinado a medir as coisas pela linha da justiça, a estimá-las pela regra da equidade e da verdade, e não pela falsa tradição dos pais, ou pelas simpatias da mente natural. Se fizerdes com que todos aqueles que sabeis serem ladrões sejam postos em fila diante da boca de um de nossos maiores canhões, bem carregado de bala corrente, provarei por minhas obras se posso ou não impor justiça a tais pessoas. Consideraria isso tanto meu dever quanto batizar um homem para a remissão de seus pecados. Este é um curto discurso sobre ladrões, reconheço, mas digo-vos a verdade tal como está em meu coração. ¶
Já que ouvistes a história de nossa viagem ao sul, dar-vos-ei agora um pouco do que se passa no mundo abaixo de nós, colhido do correio do leste que chegou ontem à noite. Sei que há grande ansiedade nas mentes do povo para saber as notícias, pois já se passaram sete meses desde que tivemos algo daquele lado. ¶
Compreendo que Nova York ainda está no mesmo lugar, e que as cidades da Filadélfia e Washington ainda florescem, e também os velhos Estados da Baía, com os Estados do Norte, do Sul e do Oeste, todos ainda ali, e Franklin Pierce é seu Presidente. Isso já supúnhamos que seria o caso, no ano passado. Mas se os Whigs tivessem tido metade da astúcia que os homens têm aqui, teriam vencido aquele partido, e Franklin Pierce não seria Presidente; mas não sabem o suficiente. ¶
O irmão Orson Pratt estava em Washington, quando escreveu no último março; provavelmente está agora na Inglaterra. Publicou um jornal chamado The Seer, do qual sete Números já apareceram diante do público. Também alugou um Salão naquela cidade, quando ali chegou pela primeira vez em dezembro passado. Muitos vieram ouvi-lo a princípio, mas foram desistindo aos poucos, até que restaram tão poucos que ele desistiu, mas continua publicando. ¶
Há influência suficiente ali, entre os sacerdotes, e os membros do Congresso, para manter o povo afastado de ouvir Orson Pratt. Estão todos bem persuadidos de que, se contenderem com ele, ele desfará suas igrejas. Ignorantes como são em outros assuntos, sabem o suficiente para se prevenir contra isso. O jornal tem um bom efeito. Ele diz, "Muitos que apostataram dizem que, se tivessem visto a Revelação sobre o Casamento Celestial anos atrás, jamais teriam deixado a Igreja. Creram no 'mormonismo'; mas supunham que não existisse tal Revelação." ¶
Diz ele que centenas de famílias das quais a luz da verdade quase havia partido estão revivendo novamente, e indagando como podem chegar ao Vale. Não há oposição comparável à que houve. A imprensa pública faz paródias da doutrina publicada em The Seer, que é praticamente toda a oposição que há. E o que podem dizer? Nada mais do que sempre disseram. Posso resumir todos os argumentos usados contra Joseph Smith e o "mormonismo" em muito poucas palavras, cujos méritos se encontrarão em "Velho Joe Smith. Impostor, Caçador de Tesouros. Velho Joe Smith. Doutrina da Esposa Espiritual. Impostura. A Doutrina é Falsa. Caçador de Tesouros. Falso Profeta. Ilusão. Doutrina da Esposa Espiritual. Ó, meus caros irmãos e irmãs, afastai-vos deles, pelo bem de vossas almas imortais. Falsos Profetas que viriam nos últimos dias. Velho Joe Smith. Anticristo. Caçador de Tesouros, Caçador de Tesouros, Caçador de Tesouros." E tudo se resume a um apelo, não ao bom senso do povo, mas a seus sentimentos antinaturais, num tom lamurioso e hipócrita, e ali termina. ¶
Não soube ainda de nenhuma mudança sendo feita quanto ao Oficial Executivo deste Território. Brigham Young ainda é o Governador de Utah. O irmão Bernhisel conseguiu obter dotações generosas para o Território, entre as quais vinte mil dólares foram destinados a uma Penitenciária. Nomeei o Dr. Willard Richards, Secretário interino, cuja nomeação foi honrada pelo Governo Geral, e mil e oitocentos dólares destinados a seus serviços; não obstante eu tenha repreendido publicamente o Secretário fugitivo, quando ele e seu companheiro insultaram publicamente este grande povo; e não obstante o alarido que fizeram sobre os "mórmons no Vale do Salt Lake." Tenho coragem suficiente para dizer a um homem sobre sua mesquinhez, não importa se é um Xerife, um Juiz, um Governador, um Sacerdote, ou um Rei. Tenho coragem suficiente para lhes dizer sobre sua maldade, e espero sempre a ter. ¶
As notícias gerais obtereis pelas colunas de nosso jornal da cidade. ¶
Ainda temos muitas cartas retidas em Laramie; quando nossos carteiros partiram de lá, havia dezessete sacos de correio, seis dos quais trouxeram. De um modo geral, o povo receberá suas cartas; pois os sacos de jornais foram principalmente deixados, e os sacos de cartas trazidos. ¶
Direi uma palavra a respeito dos irmãos que partiram daqui no outono passado. Daniel Carn teve de deixar a Alemanha, e o irmão Orson Spencer não conseguiu obter permissão para ficar na Prússia. O Governador disse aos irmãos que foram para a Jamaica, que poderiam ministrar entre o povo, e o ministro dos Estados fez tudo o que pôde para que ficassem ali, mas tiveram de partir por causa dos preconceitos da comunidade, e agora estão pregando nos Estados Unidos. Estes são alguns dos principais itens que recebemos por este Correio. ¶
Desejo agora dizer aos Santos dos Últimos Dias algo que lhes será de grande conforto. Apresentamos-vos nosso endividamento da Igreja há um ano, na última Conferência de abril; dá-me agora grande consolação poder dizer que cada moeda daquela dívida está paga, e resta dinheiro suficiente para nosso propósito no presente. [Uma expressão geral de satisfação na congregação.] ¶
O Senhor nos livrou desta dificuldade. Nunca gostei de estar em servidão a meus inimigos, mas ficaria tão disposto a dever dinheiro aos irmãos quanto a não devê-lo, pois é melhor fazer o bem em minhas mãos, do que estar trancado num cofre, sem fazer bem algum. ¶
Quando os irmãos vão ao mundo administrar a salvação, desejamos que vão perfeitamente limpos, e representem um povo honrado e independente. É grande consolo para mim que não devamos aos gentios um único centavo, ou não mais de uma décima parte do dinheiro que temos em mãos, no máximo. ¶
Podemos agora estender nossa mão e ajudar os pobres santos, que estão espalhados por toda parte, a chegarem a este lugar. Podemos agora obter materiais para construir o Templo que começamos. Joseph Smith lançou o fundamento da grande estrutura, e começamos a construir sobre ele. Se fizermos o certo, haverá um aumento eterno entre este povo em talento, força de intelecto, e riqueza terrena, deste momento em diante, e para sempre. ¶
Poderia contar-vos muitas coisas grandes e boas, mas digo-vos desde já, se fizerdes vosso dever, e viverdes como deveis viver diante de Deus e de vossos irmãos, tereis o bem convosco o tempo todo. É nosso dever aplicar nossos corações à sabedoria, e aprender o suficiente das coisas de Deus para nos permitir ver o mundo como ele é, o que é um dos maiores privilégios que podem ser concedidos ao homem. Não é apenas um privilégio, mas um dever, que os santos busquem ao Senhor seu Deus por sabedoria e entendimento, para estarem de posse do espírito que enche os céus, até que seus olhos sejam ungidos e abertos para verem o mundo tal como realmente é, para saberem para que foi feito, e por que todas as coisas são como são. É um dos assuntos mais felicitantes que se possa nomear, para uma pessoa, ou um povo, ter o privilégio de obter sabedoria suficiente, enquanto em seu tabernáculo mortal, para poder olhar através dos porquês e comos da existência do homem, como olhando através de um pedaço de vidro perfeitamente transparente; e compreender o desígnio do Grande Criador desta bela criação. Que o povo faça isso, e seus corações serão desapegados do mundo. ¶
Se este povo seguir o curso a que está obrigado por suas obrigações e convênios, obterá espírito suficiente para ver e compreender todas as coisas no céu e na terra, que bastem para sua salvação. As teias de aranha das tradições precoces e das superstições antiquadas serão varridas, e verão claramente que o mundo é apenas o mundo, e nada mais que o mundo, e nós somos apenas pessoas no mundo, destinadas a preencher a medida de nossa criação, a trazer a efeito certos resultados pertencentes à nossa exaltação. ¶
Busquemos o Senhor com todo o nosso coração, então seremos desapegados do mundo; nenhum homem amará isto, aquilo, ou outra coisa, exceto para fazer o bem com isso, para promover os interesses eternos da humanidade, e prepará-los para serem exaltados na imortalidade. Nenhum homem pode ser exaltado a menos que seja independente. Usarei uma comparação para ilustrar esta ideia. Se puserdes um animal ou ser não dotado de inteligência sobre um trono, ele ainda seria apenas um animal; mas ponde inteligência naquela criatura, para lhe dar conhecimento de como se preparar para reinar naquele trono, e fortificá-lo com força, então está exaltado. A humanidade é, por natureza, um ser independente e inteligente, foi criada com o propósito expresso de exaltar-se a si mesma. Quando aplicarem seus corações à sabedoria, então obterão entendimento. Ali está a fonte, ide e bebei dela, pedi e recebei tudo o que desejardes, pois há uma eternidade dela, nunca se tornará menor. Cabe a vós e a mim receber sabedoria de modo a estarmos preparados para a exaltação e vidas eternas em reinos que já existem na eternidade. ¶
Que Deus vos abençoe. Que a paz esteja sobre vós. Sede fervorosos em espírito, humildes, ensináveis, e orantes, cuidando de vós mesmos, procurando salvar-vos e a todos sobre quem tendes qualquer influência, o que é minha oração contínua por vós, em nome de Jesus. Amém. ¶