Pulpit

Casamento Celestial

Orson Pratt

1852-08-29

É bastante inesperado para mim, irmãos e irmãs, ser chamado a falar-vos nesta manhã; e ainda mais inesperado falar-vos sobre o princípio que foi mencionado, a saber, a pluralidade de esposas.

É terreno bastante novo para mim; isto é, não tenho tido o hábito de falar publicamente sobre este assunto; e é também terreno bastante novo para os habitantes dos Estados Unidos, e não apenas para eles, mas para uma parte dos habitantes da Europa; uma parte deles não tem tido o hábito de pregar uma doutrina desta natureza; por conseguinte, teremos de abrir terreno novo.

É bem sabido, contudo, por esta congregação diante de mim, que os Santos dos Últimos Dias abraçaram a doutrina da pluralidade de esposas como parte de sua fé religiosa. Não é, como muitos supuseram, uma doutrina abraçada por eles para satisfazer as luxúrias e os sentimentos carnais do homem; esse não é o objetivo da doutrina.

Procuraremos apresentar diante desta assembleia esclarecida algumas das razões pelas quais o Todo-Poderoso revelou tal doutrina, e por que é considerada parte integrante de nossa fé religiosa. E creio que, sob nossa presente forma de governo (refiro-me ao governo dos Estados Unidos), não seremos processados por traição por crer e praticar nossas noções e ideias religiosas. Penso, se não me engano, que a constituição concede a todos os habitantes deste país o privilégio do livre exercício de suas noções religiosas, e a liberdade de sua fé, e a prática dela. Então, se puder ser demonstrado até a evidência que os Santos dos Últimos Dias de fato abraçaram, como parte integrante de sua religião, a doutrina da pluralidade de esposas, isso é constitucional. E, se algum dia este governo promulgasse leis para restringi-los do livre exercício dessa parte de sua religião, tais leis seriam inconstitucionais.

Mas, diz o opositor, não conseguimos ver como esta doutrina pode ser abraçada como matéria de religião e fé; dificilmente conseguimos conceber como ela possa ser abraçada senão como uma espécie de assunto doméstico, algo que pertence aos prazeres domésticos, de modo algum ligado à religião. Em resposta, vos mostraremos que ela está incorporada como parte de nossa religião, e é necessária para nossa exaltação à plenitude da glória do Senhor no mundo eterno. Gostaríeis de saber as razões? Antes de terminarmos, procuraremos dizer-vos por que a consideramos uma doutrina essencial à glória e à exaltação, à nossa plenitude de felicidade no mundo vindouro.

Faremos primeiro algumas observações preliminares a respeito da existência do homem, de sua primeira existência em seu primeiro estado; e então diremos algo a respeito de seu estado presente, e a relação que este tem com seu próximo, ou futuro, estado.

Os "mórmons" têm uma doutrina peculiar a respeito de nossa pré-existência, diferente das opiniões do chamado mundo cristão, que não crê que o homem tenha tido uma pré-existência. Crê-se, pelo mundo religioso, que o homem, tanto o corpo quanto o espírito, começa a viver por volta da época em que nasce neste mundo, ou pouco antes; que ali está o início da vida. Creem que o Senhor, por um ato direto de criação, formou, em primeiro lugar, o homem do pó da terra; e creem que o homem é possuidor tanto de corpo quanto de espírito, e que, pela união de ambos, se tornou uma criatura vivente. Suponhamos que admitamos esta doutrina a respeito da formação do corpo a partir do pó; então, como foi formado o espírito? Ora, diz alguém, supomos que ele foi feito por um ato direto de criação, pelo próprio Todo-Poderoso; que Ele moldou o espírito do homem, formou-o e acabou-o numa semelhança apropriada para habitar o tabernáculo que Ele fizera do pó.

Tendes algum relato disso na Bíblia? Declaram as Escrituras que o espírito foi formado no momento em que o tabernáculo foi feito? Não. Todos os tabernáculos dos filhos dos homens que já foram formados, desde as gerações mais remotas, desde os dias de Adão até hoje, foram formados a partir da terra. Somos da terra, terrenos. O tabernáculo foi organizado segundo certos princípios e leis de organização, com ossos, carne, tendões e pele. Ora, de onde supondes que todos estes tabernáculos obtiveram seus espíritos? Faz o Senhor um novo espírito cada vez que um tabernáculo é feito? Se assim for, a obra da criação, segundo a crença da cristandade, não cessou no sétimo dia. Se admitirmos suas opiniões, o Senhor deve estar continuamente fazendo espíritos para habitar todos os tabernáculos dos filhos dos homens; deve fazer algo como mil milhões de espíritos a cada século; deve estar trabalhando nisso todos os dias, pois há muitas centenas de indivíduos nascendo no mundo diariamente. Cria o Senhor um novo espírito cada vez que um novo tabernáculo vem ao mundo? Isso não parece razoável, nem próprio de Deus.

Mas como é então, perguntais? Ora, o fato é que o ser que anima este corpo, que dá vida e energia, e poder de mover-se, de agir e de pensar; aquele ser que habita dentro deste tabernáculo é muito mais antigo do que o próprio tabernáculo. Aquele espírito que agora habita em cada homem, e em cada mulher, desta vasta assembleia de pessoas, tem mais de mil anos de idade, e eu me atreveria a dizer que tem mais de cinco mil anos.

Mas como foi feito? Quando foi feito? E por quem foi feito? Se nossos espíritos existiram milhares de anos atrás — se começaram a existir — se houve um começo para sua organização, por que processo essa organização se realizou? Por qual meio, e por qual sistema de leis? Foi por criação direta do Todo-Poderoso? Ou fomos formados de acordo com um certo sistema de leis, da mesma maneira que nossos tabernáculos? Se raciocinássemos por analogia — se admitíssemos o raciocínio analógico nesta questão — que diríamos? Diríamos que nossos espíritos foram formados por geração, da mesma forma que o corpo ou tabernáculo de carne e ossos. Mas o que diz a revelação a respeito? Veremos se a revelação e a analogia concordam.

Lemos de certo tempo em que as pedras angulares da terra foram lançadas, e os seus alicerces foram estabelecidos com firmeza — de certo tempo em que o Senhor começou a erigir esta bela e gloriosa habitação, a terra; então houve um tempo de júbilo. Não sei se tinham instrumentos de música, ou se estavam entregues à dança; mas uma coisa é certa: tiveram grande júbilo, e os céus ressoaram com seus brados; sim, o Senhor disse a Jó que todos os filhos de Deus jubilaram e as estrelas da alva juntas cantaram, quando os alicerces deste globo foram lançados.

Os FILHOS de Deus, recordai-vos, jubilaram, porque estava sendo edificada uma bela habitação, para que pudessem obter tabernáculos e nela habitar; esperavam o tempo — aguardavam o período; e era motivo de júbilo para eles refletir que a criação estava prestes a ser formada, que a pedra angular fora lançada, sobre a qual poderiam, em seus tempos, em suas estações, e em suas gerações, ir e receber tabernáculos para que seus espíritos habitassem. Trazeis isto para vós mesmos, irmãos e irmãs? Compreendeis que vós e eu estávamos ali? Podeis trazer à mente que vós e eu estávamos entre aquele número feliz que jubilou quando esta criação foi feita? Diz alguém: Não me recordo disso. Não é de admirar! Pois vossa recordação vos foi tirada, porque estais num tabernáculo terreno; e tudo isso é correto e necessário. O mesmo está escrito a respeito do próprio Jesus Cristo, que teve de descer abaixo de todas as coisas. Embora tivesse sabedoria para ajudar na organização deste mundo; embora tenha sido por meio dele, como grande líder de todos estes filhos de Deus, que a terra foi formada, e formada também com a ajuda de todos os seus irmãos mais jovens — descobrimos, contudo, que, com todo aquele grande e poderoso poder que possuía, e a grande e superior sabedoria que havia em seu peito, que, afinal, seu juízo teve de lhe ser tirado; em sua humilhação, sua razão, sua inteligência, seu conhecimento, e o poder que outrora possuía desvaneceram-se dele ao entrar no tabernáculo infantil. Ele foi obrigado a começar pelos princípios mais elementares do conhecimento, e a ascender gradualmente, recebendo graça por graça, verdade por verdade, conhecimento por conhecimento, até que ficou cheio de toda a plenitude do Pai, e capaz de reinar, governar e controlar todas as coisas, tendo ascendido acima de todas as coisas. Assim conosco; nós, que outrora erguemos juntos nossa voz como filhos e filhas de Deus, e jubilamos quando os alicerces desta terra foram lançados, viemos aqui e tomamos tabernáculos, segundo o padrão de nosso irmão mais velho; e em nossa humilhação — pois é humilhação ser privado do conhecimento que outrora tínhamos, e do poder de que outrora desfrutávamos — em nossa humilhação, tal como nosso irmão mais velho, nosso juízo nos é tirado. Não lemos também na Bíblia que Deus é o Pai de nossos espíritos?

Já verificamos que tivemos uma existência anterior. Vemos que Salomão, aquele homem sábio, diz que, quando o corpo volta ao pó, o espírito volta a Deus que o deu. Ora, toda esta congregação sabe muito bem que, se nunca estivemos ali, não poderíamos voltar. Eu não poderia voltar à Califórnia. Por quê? Porque nunca estive lá. Se nunca estivestes com o Pai, assim como Jesus esteve antes da fundação do mundo, jamais poderíeis voltar ali, mais do que eu poderia voltar às Índias Ocidentais, onde nunca estive. Mas, se ali já estivemos uma vez, então podemos ver a força do dito do homem sábio, de que o espírito volta a Deus que o deu — volta ao lugar onde uma vez esteve.

Muito mais evidência se poderia extrair a respeito deste assunto, mesmo a partir da tradução inglesa da Bíblia; mas não me sinto inclinado a demorar-me demais em qualquer testemunho específico; basta dizer que a tradução do Profeta Joseph Smith da primeira parte do livro de Gênesis está impressa, e é extremamente clara sobre este assunto. Nesta tradução inspirada, encontramos a pré-existência do homem claramente estabelecida, e que os espíritos de todos os homens, homens e mulheres, tiveram existência antes que o homem fosse formado do pó da terra. Mas quem era o seu Pai? Já citei um dito de que Deus é o Pai de nossos espíritos.

Em certo sentido da palavra, há mais de um Deus; e em outro sentido há apenas um Deus. As Escrituras falam de mais de um Deus. Moisés foi chamado Deus para Arão, em termos simples; e nosso Salvador, falando sobre este assunto, disse: "Se as Escrituras chamaram deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida, por que buscais perseguir-me e matar-me, porque testifico que sou o Filho de Deus?" Esta foi, em substância, a palavra de nosso Salvador; aqueles a quem a palavra de Deus veio são chamados deuses, segundo o seu testemunho. Todos estes seres são, é claro, um só, do mesmo modo que o Pai e o Filho são um. O Filho é chamado Deus, e assim é o Pai, e em alguns lugares o Espírito Santo é chamado Deus. São um em poder, em sabedoria, em conhecimento, e na herança da glória celestial; são um em suas obras; possuem todas as coisas, e todas as coisas lhes estão sujeitas; agem em uníssono; e, se um tem poder de tornar-se Pai de espíritos, também o tem outro; se um Deus pode propagar sua espécie, e levantar espíritos à sua própria imagem e semelhança, e chamá-los seus filhos e filhas, também o podem todos os outros Deuses que se tornarem semelhantes a ele; por conseguinte, haverá muitos Pais, e haverá muitas famílias, e muitos filhos e filhas; e serão os filhos daqueles seres celestiais glorificados que forem considerados dignos de ser Deuses.

Aqui deixai-me trazer, para a satisfação dos Santos, o testemunho da visão dada a nosso Profeta e Revelador Joseph Smith, e a Sidney Rigdon, no dia 16 de fevereiro de 1832. Estavam empenhados em traduzir o Novo Testamento, por inspiração; e, enquanto se dedicavam a esta grande obra, chegaram ao versículo 29 do capítulo 5 de João, o qual lhes foi dado nestas palavras — "os que fizeram o bem, na ressurreição dos justos; e os que fizeram o mal, na ressurreição dos injustos." Sendo isto dado com palavras diferentes da tradução inglesa, fez com que se maravilhassem e se admirassem; e ergueram seu coração em oração a Deus, para que Ele lhes mostrasse por que isso lhes fora dado de maneira diferente; e eis que as visões do céu se abriram diante deles. Contemplaram os mundos eternos, e viram coisas de antes deste mundo ser feito. Viram a criação espiritual que haveria de vir a receber corpos sobre si; e viram as coisas como hão de ser no futuro; viram os mundos celestial, terrestre e telestial, bem como os sofrimentos dos ímpios; tudo passou diante deles nesta grande e gloriosa visão. E, enquanto ainda contemplavam as coisas como eram antes que o mundo fosse feito, foi-lhes ordenado escrever, dizendo: "este é o testemunho, último de todos, que nós damos dele: Que ele vive! Porque o vimos, sim, à direita de Deus; e ouvimos a voz testificando que ele é o Unigênito do Pai — Que por ele e por meio dele e dele os mundos são e foram criados; e seus habitantes são filhos e filhas gerados para Deus." Notai esta última expressão, "seus habitantes são filhos e filhas gerados para Deus" (referindo-se aos diferentes mundos que foram criados e feitos). Notai que isto não diz que Deus, a quem servimos e adoramos, foi realmente o próprio Pai, em sua própria pessoa, de todos estes filhos e filhas dos diferentes mundos; mas eles "são filhos e filhas gerados para Deus"; isto é, gerados por aqueles que são feitos semelhantes a Ele, segundo a sua imagem e semelhança; eles geraram filhos e filhas, e os geraram para Deus, para habitar estes diferentes mundos de que temos falado. Mas mais sobre isto, se tivermos tempo, antes de terminarmos.

Chegamos agora à segunda divisão de nosso assunto, ou a entrada destes espíritos em seu segundo estado, ou seu nascimento e existência em tabernáculos mortais. Sabemos que, entre esta grande família de espíritos, alguns eram mais nobres e grandiosos do que outros, tendo mais inteligência.

Onde ledes isso? diz alguém. No Livro de Abraão, traduzido do papiro egípcio pelo Profeta Joseph Smith. Entre a grande e numerosa família de espíritos — "os filhos e filhas gerados de Deus" — há alguns mais inteligentes do que outros; e o Senhor mostrou a Abraão "as inteligências que foram organizadas antes que o mundo fosse; e entre todas elas havia muitos dos nobres e grandes." E Deus disse a Abraão: "tu és um deles, foste escolhido antes de nasceres." Abraão foi escolhido antes de nascer. Aqui, então, está conhecimento, se tivéssemos tempo de notá-lo, sobre a doutrina da eleição. Contudo, quero apenas observar que isto não significa a eleição incondicional para a vida eterna de uma certa classe, e o resto condenado à danação eterna. Basta dizer que Abraão e muitos outros dos nobres e grandes na família dos espíritos foram escolhidos antes de nascer, para certos propósitos, para realizar certas obras, para terem o privilégio de vir ao palco da ação, entre a multidão dos homens, em circunstâncias favoráveis. Alguns vieram por meio de descendências boas e santas, para cumprir certas coisas que o Senhor decretara que se cumprissem, desde antes das fundações do mundo.

O Senhor ordenou que estes espíritos viessem aqui e tomassem tabernáculos por meio de certa lei, através de certo canal; e essa lei é a lei do casamento. Há muitas coisas que deixarei de lado; percebo que, se eu fosse tocar em todos estes princípios, o tempo destinado a este discurso seria demasiado curto; por isso estou sob a necessidade de deixar de lado muitas coisas relativas a estes espíritos em seu primeiro estado, e às leis que os governaram ali, e passar ao seu segundo estado.

O Senhor ordenou o casamento entre homem e mulher como uma lei através da qual espíritos viriam aqui e tomariam tabernáculos, e entrariam no segundo estado de existência. O próprio Senhor solenizou o primeiro casamento pertencente a este globo, e pertencente à carne e aos ossos aqui sobre esta terra. Não digo pertencente à mortalidade; pois, quando o primeiro casamento foi celebrado, não havia ali mortalidade alguma. O primeiro casamento de que temos qualquer relato foi entre dois seres imortais — o velho pai Adão e a velha mãe Eva; eram seres imortais; a morte não tinha domínio, nenhum poder sobre eles; eram capazes de perdurar para todo o sempre em sua organização. Tivessem cumprido a lei, e permanecido dentro de certas condições e limites, seus tabernáculos jamais teriam sido tomados pela morte; a morte entrou inteiramente pelo pecado, e apenas pelo pecado. Este casamento foi celebrado entre dois seres imortais. Por quanto tempo? Até a morte? Não. Isso estava totalmente fora de questão; não poderia haver tal coisa na cerimônia.

Que pensaríeis, meus ouvintes, se um casamento fosse celebrado entre dois seres não sujeitos à morte? Consideraríeis que estavam unidos por certo número de anos, e que então todos os seus convênios cessariam para sempre, e o contrato matrimonial seria dissolvido? Pareceria razoável e consistente? Não. Todo coração diria que a obra de Deus é perfeita em si mesma, e que, visto que o pecado não trouxera imperfeição sobre o globo, o que Deus uniu não poderia ser dissolvido, destruído nem despedaçado por poder algum abaixo do mundo celestial; por conseguinte, era eterno; a ordenança da união era eterna; o selamento do grande Jeová sobre Adão e Eva era eterno em sua natureza, e jamais foi instituído com o propósito de ser derrubado e levado a um fim. Sabe-se que os "mórmons" são um povo peculiar quanto ao casamento; cremos em casar, não apenas por tempo, mas por toda a eternidade. Isto é uma ideia curiosa, diz alguém, ser casado por toda a eternidade. Não é curiosa em absoluto; pois, quando examinamos as Escrituras, descobrimos que o próprio primeiro exemplo dado a toda a família humana, como padrão instituído para seguirmos, não foi instituído até a morte, pois a morte não tinha domínio naquele tempo; mas foi uma bênção eterna pronunciada sobre nossos primeiros pais. Não tenho tempo de explicar mais sobre o casamento de Adão e Eva, mas passarei à sua posteridade.

É verdade que caíram, mas há redenção. Mas alguns poderão considerar que a redenção nos redimiu apenas em parte, isto é, meramente de alguns dos efeitos da queda. Mas não é este o caso; todo homem e toda mulher devem ver imediatamente que uma redenção deve incluir uma restauração completa de todos os privilégios perdidos pela queda.

Suponhamos, então, que a queda tenha sido de tal natureza que dissolvesse o convênio matrimonial pela morte — o que não é necessário admitir, pois o convênio foi selado antes da queda, e não temos relato de que tenha sido dissolvido — mas suponhamos que assim fosse, não seria a redenção igualmente ampla quanto a queda, para restaurar a posteridade de Adão àquilo que perderam? E, se Adão e Eva foram casados por toda a eternidade, a cerimônia foi uma ordenança eterna, de que os dois seriam uma só carne para sempre. Se vós e eu formos algum dia considerados dignos de sermos restaurados de nossa condição caída e degradada aos privilégios de que se desfrutava antes da queda, não teríamos um selo matrimonial eterno, como o tiveram nossos primeiros progenitores? Se não tivéssemos outras razões em toda a Bíblia, esta seria suficiente para resolver o caso de imediato na mente de todo homem e mulher reflexivos, de que, visto que a queda do homem lhe tirou quaisquer privilégios quanto à união entre homem e mulher, estes privilégios devem ser restaurados na redenção do homem, ou então ela não está completa.

Qual é o objetivo desta união? é a próxima pergunta. Este objetivo nos é dito; está claramente expresso; pois, diz o Senhor ao homem e à mulher: Eu vos ordeno que vos multipliqueis e enchais a terra. E, visto que provamos que a ordenança do casamento era eterna em sua natureza, antes da queda, se somos restaurados àquilo que se perdeu pela queda, somos restaurados com o propósito de cumprir o mandamento dado antes da queda, a saber, multiplicar-vos e encher a terra. Diz ele: continuai a multiplicar-vos por alguns anos, e então o contrato matrimonial deve cessar, e não haverá mais oportunidade de cumprir este mandamento, mas ele terá um fim? Não, nada disso é especificado; mas a queda trouxe a desunião por meio da morte; isso não faz parte do plano original; por conseguinte, quando homem e mulher forem restaurados da queda, em virtude do convênio eterno e sempiterno do casamento, continuarão a aumentar e a se multiplicar por todas as idades da eternidade, para levantar seres segundo sua própria ordem, e à sua própria semelhança e imagem, germes de inteligência, que estão destinados, em seus tempos e estações, a se tornarem não apenas filhos de Deus, mas Deuses eles mesmos.

Isto explica os muitos mundos de que ouvimos o Élder Grant falar ontem à tarde. O povoamento de mundos, ou um aumento sem fim, mesmo de uma só família, exigiria um aumento sem fim de mundos; e, se uma família fosse unida no convênio eterno do casamento, para cumprir aquele grande mandamento, de multiplicar sua espécie e propagá-la, e se não houvesse fim ao aumento de sua posteridade, isso exigiria um aumento sem fim de novos mundos. E, se uma família exige isto, o que exigiriam inumeráveis milhões de famílias? Exigiriam tantos mundos quantos já foram descobertos pelo telescópio; sim, o número deve multiplicar-se até o infinito, a fim de que haja espaço para a herança dos filhos e filhas dos Deuses.

Começais a compreender como estes mundos obtêm seus habitantes? Aprendestes que os filhos e filhas de Deus diante de mim hoje são a sua prole — feitos à sua própria imagem; que hão de multiplicar sua espécie até se tornarem inumeráveis?

Digamos algumas palavras, antes de deixarmos esta parte do assunto, sobre as promessas feitas a Abraão, Isaque e Jacó. As promessas eram: Levanta os teus olhos, e contempla as estrelas; assim será a tua semente, inumerável como as estrelas. Que mais Ele prometeu? Vai à praia do mar, e contempla o oceano de areia, e vê a pequenez das partículas dela, e então percebe que a tua semente será tão inumerável quanto as areias. Ora, tomemos isto em consideração. Que volume de areia seria necessário para fazer tantos habitantes quantos há hoje sobre a terra? Em cerca de um pé cúbico de areia, calculando os grãos de certo tamanho, haveria mil milhões de partículas. Ora, essa é aproximadamente a população estimada de nosso globo. Se nossa terra continuasse por 8.000 anos, ou oitenta séculos, com uma população média de mil milhões por século, então três jardas cúbicas de areia conteriam um número maior de partículas do que toda a população do globo, desde o princípio, até que a medida dos habitantes desta criação estivesse completa. Se os homens então cessassem de se multiplicar, onde estaria a promessa feita a Abraão? Estaria cumprida? Não. Se esse fosse o fim de seu aumento, eis que a promessa do Senhor não estaria cumprida. Pois a quantidade de areia representando sua semente poderia toda ser carregada numa carroça puxada por um só cavalo; e, no entanto, o Senhor disse a Abraão que a tua semente será tão numerosa quanto a areia à beira do mar; isto é, para levar a ideia a seu pleno cumprimento, seria sem fim; e, por conseguinte, deve haver uma infinidade de mundos para sua residência. Não podemos compreender o infinito. Mas basta dizer que, se todas as areias à beira do mar fossem contadas, diz o Profeta Enoque, e depois todas as partículas da terra além delas, e então as partículas de milhões de terras como esta, isso não seria sequer o começo de todas as tuas criações; e, no entanto, tu ali estás, e o teu seio ali está; e as tuas cortinas ainda se estendem. Isto dá bastante espaço para o cumprimento da promessa feita a Abraão, e ainda de sobra para o cumprimento de promessas semelhantes a toda a sua semente.

Lemos que os que praticam as obras de Abraão hão de ser abençoados com a bênção de Abraão. Não tivestes, nas ordenanças desta última dispensação, as bênçãos de Abraão pronunciadas sobre vossa cabeça? Ó sim, dizeis, bem me recordo, desde que Deus restaurou o Sacerdócio eterno, que, por certa ordenança, essas bênçãos foram colocadas sobre nossa cabeça — as bênçãos de Abraão, Isaque e Jacó. Ora, diz alguém, nunca havia pensado nisso desta maneira. Por que não pensastes? Por que não considerar as bênçãos de Abraão como vossas próprias, pois o Senhor o abençoou com a promessa de uma semente tão numerosa quanto a areia à beira do mar; assim sereis abençoados, ou então não herdareis as bênçãos de Abraão.

Como conseguiu Abraão lançar o fundamento deste poderoso reino? Havia de realizá-lo tudo por meio de uma só esposa? Não. Sara deu-lhe certa mulher chamada Hagar, e por meio dela uma semente lhe seria levantada. É só isto? Não. Lemos de sua esposa Quetura, e também de uma pluralidade de esposas e concubinas que teve, das quais levantou muitos filhos. Aqui, então, estava lançado um fundamento para o cumprimento da grande e magnífica promessa quanto à multiplicidade de sua semente. Teria sido um processo bastante lento, se Abraão tivesse ficado limitado a uma só esposa, como algumas dessas nações estreitas e contraídas da cristandade moderna.

Penso que apenas cerca de um quinto da população do globo crê no sistema de uma só esposa; os outros quatro quintos creem na doutrina da pluralidade de esposas. Isto lhes foi transmitido desde tempos imemoriais, e não são nem de longe tão estreitos e contraídos em sua mentalidade quanto algumas das nações da Europa e da América, que renunciaram às promessas, e se privaram das bênçãos de Abraão, Isaque e Jacó. As nações nada sabem das bênçãos de Abraão; e mesmo aqueles que têm apenas uma esposa não conseguem livrar-se de sua avareza, e alargar seu pequeno coração o bastante para partilhar seus bens com uma família numerosa; são tão mesquinhos, e tão estreitos e contraídos em seus sentimentos, que tomam todo o cuidado possível para não ter famílias grandes; não sabem o que há no futuro, nem de que bênçãos se privam, por causa das tradições de seus pais; não sabem que a posteridade de um homem, nos mundos eternos, há de constituir sua glória, seu reino e seu domínio.

Aqui, pois, percebemos, apenas a partir deste único princípio, raciocinando a partir das bênçãos de Abraão apenas, a necessidade — se quisermos participar das bênçãos de Abraão, Isaque e Jacó — de fazer as suas obras; e aquele que não fizer as obras de Abraão e não andar em seus passos será privado de suas bênçãos.

Novamente, observemos a posição peculiar de Sara em relação a Abraão. Ela compreendia todo o assunto; sabia que, a menos que semente fosse levantada a Abraão, ele ficaria aquém de sua glória; e compreendia a promessa do Senhor, e desejava ardentemente que Abraão tivesse semente. E, quando viu que estava velha, e temendo que não tivesse o privilégio de levantar semente, deu a Abraão, Hagar. Faria a cristandade gentia tais coisas hoje em dia? Ó não; considerariam suficiente enviar um homem a um inferno sem fim de fogo e enxofre. Por quê? Porque a tradição lhes incutiu isto na mente como algo terrível e pavoroso.

Não lhes importa quão corruptos sejam na prostituição feminina, contanto que estejam legalmente casados apenas com uma esposa; mas considerariam algo terrível levantar uma posteridade de mais de uma esposa; isto seria realmente errado; mas ir a um bordel, e ali se corromper nos mais baixos antros de degradação por todos os dias de sua vida, consideram apenas uma coisa trivial; ora, podem até licenciar tais instituições, em nações cristãs, e tudo passa muito bem.

Isto é tradição; e sua posteridade tem sido criada e educada nos passos da maldade. Isto é morte, tal como perambula pelas grandes e populosas cidades da Europa e da América.

Encontrais tais antros de prostituição, degradação e miséria aqui, nas cidades das montanhas? Não. Se tais coisas estivessem em nosso meio, sentiríamos indignação suficiente para ver que tais pessoas fossem apagadas da página da existência. Estes seriam os sentimentos desta comunidade.

Vede aqueles que cometeram tal iniquidade em Israel, nos dias antigos; todo homem e toda mulher que cometesse adultério era morto. Não digo que este povo vá fazer isto; mas vos direi o que cremos — cremos que deveria ser feito.

A prostituição, o adultério e a fornicação têm amaldiçoado as nações da terra por muitas gerações, e vêm aumentando temerosamente na comunidade; mas devem ser inteiramente banidos daqueles que se chamam povo de Deus; se não o forem, ai! ai! deles também; pois "assim diz o Senhor Deus Todo-Poderoso", no Livro de Mórmon, "Ai dos que praticam prostituição, porque serão lançados no inferno." Não há como fugir disso. Tais coisas não serão permitidas nesta comunidade; e tais indivíduos hão de descobrir que virá o tempo em que Deus, cujos olhos estão sobre todos os filhos dos homens, e que discerne as coisas feitas em segredo, trará seus atos à luz; e serão feitos exemplo diante do povo; e a vergonha e a infâmia se apegarão à sua posteridade depois deles, até a terceira e quarta geração dos que não se arrependerem.

Como isto há de ser evitado? pois temos de lidar com uma natureza caída. Deve ser evitado da maneira que o Senhor concebeu nos tempos antigos; isto é, dando a seus servos fiéis uma pluralidade de esposas, por meio da qual se possa levantar uma posteridade numerosa e fiel, ensinada nos princípios da retidão e da verdade; e então, depois que compreenderem plenamente aqueles princípios que foram dados aos antigos Patriarcas, se não guardarem a lei de Deus, mas cometerem adultério e transgressões desta natureza, que seus nomes sejam apagados de debaixo do céu, para que não tenham lugar entre o povo de Deus.

Mas, além disso, há outra razão pela qual esta pluralidade deve existir entre os Santos dos Últimos Dias. Já vos dei uma razão, e é que possais herdar as bênçãos e promessas feitas a Abraão, Isaque e Jacó, e receber uma continuação de vossa posteridade, para que se torne tão numerosa quanto a areia à beira do mar. Há outra razão, e boa também. Que supondes que seja? Eu vo-lo direi; e parecerá razoável a todo homem e mulher de mente reflexiva. Não cremos, como as Escrituras nos disseram, que as nações ímpias da terra estão condenadas à destruição? Sim, cremos. Não cremos também, como os Profetas predisseram, a respeito dos últimos dias, bem como o que as novas revelações disseram sobre o assunto, que a escuridão prevalece sobre a terra, e a densa escuridão sobre a mente do povo; e não apenas isto, mas que toda a carne corrompeu o seu caminho sobre a face da terra; isto é, que todas as nações, falando delas como nações, se corromperam diante do Deus Altíssimo, por sua maldade, prostituições, idolatrias, abominações, adultérios, e toda outra espécie de maldade? E ainda mais cremos, segundo os Profetas judeus, bem como o Livro de Mórmon, e as revelações modernas dadas no Livro de Doutrina e Convênios, que a espada da vingança do Todo-Poderoso já está desembainhada, e estendida, e não voltará mais à bainha até que caia sobre a cabeça das nações, até que sejam destruídas, a menos que se arrependam. Que mais cremos? Cremos que Deus está reunindo, dentre estas nações, aqueles que derem ouvidos à sua voz, e receberem a proclamação do Evangelho, para estabelecê-los como um povo à parte por si mesmos, onde possam ser instruídos no caminho correto, e trazidos ao conhecimento da verdade. Muito bem; se este é o caso, que os justos estão sendo reunidos, e continuam sendo reunidos dentre as nações, e são plantados por si mesmos, uma coisa é certa — que esse povo está mais bem preparado para criar filhos no caminho correto do que qualquer outro debaixo de todos os céus. Ó sim, diz alguém, se é este o caso — se sois o povo de que falaram os antigos Profetas, se sois o povo que é guiado pelo Senhor, se estais sob a influência, o poder e a orientação do Todo-Poderoso, deveis ser o melhor povo debaixo do céu para instruir a mente jovem: mas que tem isso a ver com a pluralidade de esposas? Eu vo-lo direi. Já vos disse que os espíritos dos homens e das mulheres tiveram todos uma existência prévia, milhares de anos atrás, nos céus, na presença de Deus; e já vos disse que, entre eles, há muitos espíritos mais nobres, mais inteligentes do que outros, que foram chamados os grandes e poderosos, reservados até a dispensação da plenitude dos tempos, para virem à face da terra, por meio de uma linhagem nobre que treinará suas mentes jovens e tenras nas verdades da eternidade, para que possam crescer no Senhor, e ser fortes no poder de sua força, ser revestidos de sua glória, ser cheios de fé extraordinária; para que as visões da eternidade se abram à sua mente; para que sejam Profetas, Sacerdotes e Reis para o Deus Altíssimo. Credes, diz alguém, que eles são reservados até a última dispensação, para um propósito tão nobre? Sim; e entre os Santos é o lugar mais provável para que estes espíritos tomem seus tabernáculos, através de uma linhagem justa e reta. Hão de ser enviados àquele povo que é o mais justo de todos os outros povos sobre a terra; ali para serem devidamente treinados, de acordo com sua nobreza e inteligência, e de acordo com as leis que o Senhor ordenou antes de nascerem. Esta é a razão pela qual o Senhor os está enviando aqui, irmãos e irmãs; foram designados a vir e tomar seus corpos aqui, para que, em suas gerações, possam ser levantados entre os justos. O Senhor não os tem guardado por cinco ou seis mil anos, à espera de seus corpos por todo este tempo, para enviá-los entre os hotentotes, os negros africanos, os hindus idólatras, ou qualquer outra das nações caídas que habitam a face desta terra. Não são mantidos em reserva a fim de virem a receber tal linhagem degradada sobre a terra; não, o Senhor não é um ser dessa natureza; sua justiça, bondade e misericórdia serão magnificadas para com aqueles que foram escolhidos antes de nascerem; e anseiam por vir, e virão entre os Santos do Deus vivente; este seria seu maior prazer e alegria, saber que poderiam ter o privilégio de nascer de linhagem tão nobre.

Não é então razoável e consistente que o Senhor dissesse a seus servos fiéis e escolhidos, que se provaram diante dele o dia todo; que estiveram prontos e dispostos a fazer tudo o que sua vontade lhes exigisse — tomai para vós mais esposas, como os Patriarcas Abraão, Isaque e Jacó de outrora — como aqueles que viveram em tempos antigos, que andaram em meus passos, e guardaram meus mandamentos? Por que não haveriam de fazer isto? Suponde que o Senhor respondesse a esta pergunta, não diria Ele: Tenho aqui em reserva espíritos nobres, que têm esperado por milhares de anos, para virem na plenitude dos tempos, e que designei viessem por meio destes meus servos fiéis e escolhidos, pois sei que farão a minha vontade, e ensinarão seus filhos depois deles a fazê-la? Não seria esta a substância da linguagem, se o Senhor nos desse uma resposta sobre este assunto?

Mas então surgirá outra pergunta: como se hão de conduzir estas coisas? Serão deixadas ao acaso? Está todo servo de Deus livre para correr aqui e ali, procurando as filhas dos homens como esposas para si mesmo, sem restrição, lei ou condição? Não. Descobrimos que estas coisas foram restringidas nos tempos antigos. Não vos recordais da circunstância do Profeta Natã vir a Davi? Veio repreendê-lo por certa desobediência, e falou-lhe das esposas que perdera por causa disso; que o Senhor as daria a outro; e disse-lhe que, se tivesse sido fiel, o Senhor lhe teria dado ainda mais, se tão somente as tivesse pedido. O Profeta Natã, em relação a Davi, foi o homem que detinha as chaves deste assunto nos dias antigos; e era regido pelas leis mais estritas.

Assim é nestes dias; permiti-me anunciar a esta congregação que há apenas um homem em todo o mundo, ao mesmo tempo, que pode deter as chaves deste assunto; apenas um homem tem poder de virar a chave para indagar do Senhor, e para dizer se eu, ou estes meus irmãos, ou qualquer outro desta congregação, ou os Santos sobre a face de toda a terra, podem ter esta bênção de Abraão conferida sobre eles; ele detém as chaves destes assuntos agora, do mesmo modo que Natã, em seus dias.

Mas, diz alguém, como obtivestes esta informação? Por nova revelação. Quando foi dada, e a quem? Foi dada a nosso Profeta, Vidente e Revelador, Joseph Smith, no dia 12 de julho de 1843; apenas cerca de onze meses antes de ser martirizado pelo testemunho de Jesus.

Ele detinha as chaves destes assuntos; tinha o direito de indagar do Senhor; e o Senhor estabeleceu limites e restrições a estas coisas; Ele nos disse, naquela revelação, que apenas um homem pode deter estas chaves sobre a terra ao mesmo tempo; e elas pertencem àquele homem que está à frente para presidir todos os assuntos da Igreja e do reino de Deus nos últimos dias. São as chaves seladoras do poder, ou, em outras palavras, de Elias, tendo sido conferidas e restauradas à terra por Elias, o Profeta, que detinha muitas chaves, entre as quais estavam as chaves do selamento, para unir o coração dos pais aos filhos, e o dos filhos aos pais; juntamente com todas as demais chaves e poderes seladores, pertencentes à última dispensação. Foram conferidas por aquele Anjo que ministrou no Templo de Kirtland, e falou a Joseph, o Profeta, na ocasião das investiduras naquela casa.

Ora, indaguemos, o que será feito daqueles indivíduos a quem esta lei foi ensinada com clareza, se a rejeitarem? [Uma voz no púlpito: "serão condenados."] Eu vo-lo direi: serão condenados, diz o Senhor Deus Todo-Poderoso, na revelação que Ele deu. Por quê? Porque, onde muito é dado, muito se exige; onde há grande conhecimento revelado para a exaltação, glória e felicidade dos filhos e filhas de Deus, se eles fecharem o coração, se rejeitarem o testemunho de sua palavra, e não derem atenção aos princípios que Ele ordenou para o seu bem, são dignos de condenação, e o Senhor disse que serão condenados. Esta foi a palavra do Senhor a seu servo, o próprio Profeta Joseph. Com todo o conhecimento e luz que tinha, teve de cumprir com isso, ou, diz o Senhor a ele, serás condenado; e o mesmo é verdade quanto a todos os que rejeitarem estas coisas.

Que mais ouvimos de nosso Presidente? Ele nos relatou que há algumas condenações que são eternas em sua natureza; enquanto outras são apenas por certo período, terão um fim, não receberão uma restauração a seus antigos privilégios, mas uma libertação de certos castigos: e, em vez de serem restaurados a todos os privilégios pertencentes ao homem antes da queda, ser-lhes-á permitido apenas desfrutar de certo grau de felicidade, não uma restauração completa. Indaguemos a respeito daqueles que hão de ser condenados, admitindo que serão redimidos, o que serão, a menos que tenham pecado contra o Espírito Santo. Serão redimidos, mas a quê? Será à exaltação, e a uma plenitude de glória? Será a se tornarem filhos de Deus, ou Deuses, para reinar em tronos, e multiplicar sua posteridade, e reinar sobre ela como reis? Não, não será. Perderam esse privilégio exaltado para sempre; embora possam, depois de castigados por longos períodos, escapar por um triz; mas nenhum reino lhes será conferido. Qual será a sua condição? Eu vos direi o que diz a revelação, não apenas a respeito dos que rejeitam estas coisas, mas a respeito daqueles que, por seu descuido, ou falta de fé, ou algo mais, deixaram de ter seus casamentos selados por tempo e por toda a eternidade; aqueles que não fazem estas coisas, de modo a ter as mesmas ordenanças seladas sobre sua cabeça por autoridade divina, como foi sobre a cabeça do velho Pai Adão — se deixarem de fazê-lo por maldade, por sua impiedade, eis que também jamais terão o privilégio de possuir aquilo que é possuído pelos Deuses que detêm as chaves do poder, de ascender aos tronos de sua exaltação, e receber seus reinos. Por quê? Porque, diz o Senhor, todos os juramentos, todos os convênios, e todos os acordos, etc., que tenham sido feitos pelo homem, e não por mim, e pela autoridade que estabeleci, cessarão quando a morte separar as partes; esse é o fim; essa é a cessação; não vão além; e tal pessoa não pode vir na manhã da ressurreição, e dizer: Eis que te reclamo como minha esposa; és minha; casei-me contigo no outro mundo antes da morte; portanto és minha: não pode dizer isto. Por quê? Porque nunca se casou com essa pessoa para a eternidade.

Suponde que entrassem em convênio e acordo, e concordassem entre si viver juntos por toda a eternidade, e nunca o tivessem selado pelo poder selador do Senhor, pelo Santo Sacerdócio, teriam eles alguma reclamação um sobre o outro na manhã da ressurreição? Não; não seria válido nem legal, e o Senhor diria: Não foi por mim; vossos convênios não foram selados na terra, e portanto não estão selados nos céus; não estão registrados em meu livro; não se encontram nos registros que estão nos arquivos da eternidade; portanto, as bênçãos que poderíeis ter tido não são para que as desfruteis. Qual será sua condição? O Senhor nos disse. Diz que estes são anjos; porque não guardam esta lei, hão de ser servos ministrantes daqueles que são dignos de obter um peso mais excedente e eterno de glória; por isso, diz o Senhor, permanecerão sós e separados em sua condição salva, e não terão poder de se ampliarem, e assim permanecerão para todo o sempre.

Aqui, então, podeis ler sua história; não são Deuses, mas são anjos ou servos dos Deuses. Há uma diferença entre as duas classes; os Deuses são exaltados; detêm chaves de poder; são feitos Reis e Sacerdotes; e este poder lhes é conferido no tempo, pelo Sacerdócio eterno, para deter um reino na eternidade que jamais lhes será tirado, pelos séculos dos séculos; e propagarão sua espécie. Não são servos; pois um Deus não há de ser servo de outro Deus; não são anjos; e esta é a razão pela qual Paulo disse: Não sabeis, irmãos, que hemos de julgar os anjos? Os anjos são inferiores aos Santos que são exaltados como Reis. Estes anjos que hão de ser julgados, e que hão de se tornar servos dos Deuses, não guardaram a lei; portanto, embora sejam salvos, hão de ser servos daqueles que estão numa condição superior.

Que pretende o Senhor fazer com este povo? Pretende torná-lo um reino de Reis e Sacerdotes, um reino para si mesmo, ou, em outras palavras, um reino de Deuses, se derem ouvidos à sua lei. Haverá muitos que não darão ouvidos; haverá os tolos entre os sábios, que não receberão o novo e eterno convênio em sua plenitude; e jamais alcançarão sua exaltação; jamais serão considerados dignos de segurar o cetro do poder sobre uma numerosa progênie, que se multiplicará sem fim, como a areia à beira do mar.

Só podemos tocar aqui e ali neste grande assunto; só podemos oferecer algumas palavras a respeito desta grande, sublime, bela e gloriosa doutrina, que foi revelada pelo Profeta, Vidente e Revelador, Joseph Smith, que selou seu testemunho com seu sangue, e assim revelou às nações coisas que existiram em tempos antigos, bem como coisas que hão de vir.

Mas, enquanto falo, a visão de minha mente se abre; o assunto se espalha e se ramifica como os ramos de uma árvore vigorosa; e quanto à glória de Deus, quão grande ela é! Sinto vontade de dizer: Aleluia ao seu grande e santo nome; pois ele reina nos céus, e ele há de exaltar seu povo para sentar-se com ele em tronos de poder, para reinar pelos séculos dos séculos.

Como citar este discursoOrson Pratt, “Casamento Celestial”, (1852-08-29). Pulpit Vault, 1852-08-pratt-o-celestial-marriage. Tradução desta edição, por método de glossário, contentdm.lib.byu.edu.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).