Pulpit

Elevar-se a uma Visão Mais Ampla da Obra

Gordon B. Hinckley

Conferência Geral de Abril de 1990·Member Finances Fireside·1990-04-01

Meus amados irmãos e irmãs, busco a orientação do Espírito Santo. Sou grato pelo que o Élder Packer e o Presidente Monson disseram, e recomendo suas palavras a vocês.

Trago a vocês o amor e a bênção do Presidente Benson, que expressou sua total aprovação ao programa de que estamos tratando.

Não estamos aqui para discutir cada detalhe deste programa. Estamos aqui para discutir princípios, com breves referências aos detalhes.

Apresento-me diante de vocês repleto de um tremendo sentimento de gratidão e ação de graças. Sou grato pelo alicerce de fé sobre o qual os Santos dos Últimos Dias se apoiam e constroem suas vidas. Estou confiante de que o Senhor ama Seu povo pela bondade de suas vidas e pela generosidade de seus corações, ao consagrarem parte de seus bens no pagamento de dízimos e ofertas. Sou grato pela fé dos ricos, que dão generosamente de sua abundância. Sou igualmente grato pela fé dos pobres, que da mesma forma contribuem com grande espírito de consagração.

Sou grato pela lei do dízimo. Certamente ela é divina. O Senhor a tornou universal em sua aplicação entre todo o Seu povo. É milagrosa em sua simplicidade. Não é necessário nenhum contador público certificado para determinar o que se deve ao Senhor. Quando éramos crianças, aprendemos o princípio:

O que é o dízimo?

Eu posso lhes dizer sempre —

Dez centavos de um dólar,

E um centavo de dez centavos.

Vejo as dificuldades de outras igrejas para arrecadar fundos, e me pergunto por que elas não fazem o que o Senhor delineou. Vejo a complexidade, quase incompreensível, dos sistemas governamentais de tributação, e agradeço ao Senhor pela grandeza de Sua sabedoria em tornar simples o financiamento de Seu reino.

Sou grato pelas promessas que Ele fez àqueles que caminham na fé. Tenho constante consciência de que é Ele quem deu o mandamento a respeito dos dízimos e ofertas e de que é Ele quem deu a promessa a respeito de abrir as janelas do céu. Além disso, sei que a Ele pertence o poder de cumprir essa promessa. Sou grato pelos testemunhos de legiões de Santos dos Últimos Dias que testificam que o Senhor tem cumprido e cumpre Suas promessas, ao que acrescento meu próprio testemunho.

Sou grato por ter chegado, finalmente, o dia em que, para os Santos dos Últimos Dias nos Estados Unidos e no Canadá, o pagamento de dízimos honestos e ofertas generosas proverá os meios para instalações e atividades por meio das quais possamos adorar juntos, aprender juntos e socializar juntos, para benefício do grupo e de cada indivíduo.

Anos atrás, tive a oportunidade de presidir uma estaca cujas raízes remontam a muito tempo. Quando a primeira ala foi formada naquela área, o povo local, com seus próprios e escassos recursos, comprou o terreno e construiu o edifício sem qualquer ajuda dos fundos gerais da Igreja. Quando esse edifício se tornou pequeno demais, construíram um maior, inteiramente com seus próprios recursos.

Quando entrei para a presidência daquela estaca, a política da Igreja já previa fundos de contrapartida, cabendo à Igreja contribuir com um dólar para cada dólar fornecido pelos membros locais. Sob essa fórmula, construímos naquela área seis novas capelas, além de prover fundos para sua manutenção e para todos os programas de atividades realizados nas diversas alas.

Pode ter havido algumas murmurações, mas a fé do povo superou tudo isso. Deram generosamente, apesar das dificuldades de suas próprias circunstâncias, e o Senhor os abençoou de maneira notável. Não conheço nenhum que tenha passado fome ou ficado sem abrigo. E conheço um pouco do fruto daqueles lares, que produziram uma geração e quase uma segunda geração que caminha na fé e que se espalhou pelo mundo, tornando-se homens e mulheres reconhecidos por suas várias habilidades e integridade, bem como por sua atividade na Igreja.

Naqueles dias, teríamos pensado que o Milênio havia chegado se recebêssemos a notícia de que a Igreja arcaria com todos os custos de fornecimento de terrenos, todos os custos referentes à construção, operação e manutenção dos edifícios, sem falar em uma verba de atividades e administração de quarenta dólares por ano, por indivíduo, com base no número de frequentadores da reunião sacramental.

Não é o Milênio, mas esse dia, há muito esperado e orado, chegou. Embora eu tenha feito parte de sua instituição, ainda me sinto maravilhado com o que aconteceu.

Como sabem, entrei para a Presidência como conselheiro do Presidente Kimball em 1981. Desde então, tenho sido testemunha pessoal de todo esse milagre em desenvolvimento. Poucas pessoas realmente conhecem sua extensão.

Tive a oportunidade de testemunhar de maneira detalhada a magnitude do tremendo programa da Igreja. Fortalecemos substancialmente nossa base aqui em casa, ao mesmo tempo que plantamos e nutrimos esta obra em uma centena de nações ao redor da Terra. Com a bênção do Senhor, construímos milhares de novas casas de adoração de vários tamanhos em muitas terras. Construímos e dedicamos templos a um ritmo que teria surpreendido nossos Irmãos há apenas um quarto de século. Mantivemos e ampliamos nosso programa educacional, com oportunidades de seminário e instituto alcançando literalmente centenas de milhares de pessoas em muitos idiomas. O Livro de Mórmon foi publicado em números sem precedentes. A circulação de nossas revistas cresceu. O número de missionários e missões multiplicou-se. Estendemos as bênçãos do programa de bem-estar para socorrer grande número de pessoas em dificuldades — não apenas membros da Igreja, mas pessoas sofredoras em outras terras, independentemente de filiação religiosa. O número de estacas e alas aumentou enormemente. E agora chegamos a este dia de tremenda importância em que, nos Estados Unidos e no Canadá, todos os custos de operação, em termos de instalações físicas para alas, estacas e missões, e um programa razoável de atividades, serão financiados pelos fundos gerais da Igreja.

Creio falar por meus Irmãos ao dizer que temos constante consciência da grande e sagrada confiança que nos foi depositada como oficiais da Igreja, encarregados da responsabilidade de administrar os recursos financeiros que pertencem ao Senhor. Sabemos que os fundos não são nossos para gastar. Sabemos que somos responsáveis perante o Senhor pela mordomia que nos foi confiada. Devemos ser prudentes. Devemos ser conservadores. Devemos ser cuidadosos.

Lembro-me de que, quando menino, levantei uma pergunta ao meu pai, que era meu presidente de estaca, a respeito da destinação dos fundos da Igreja. Ele me lembrou que é minha obrigação, dada por Deus, pagar meus dízimos e ofertas. Quando faço isso, aquilo que dou já não é mais meu. Pertence ao Senhor, a quem o consagro. O que as autoridades da Igreja fazem com isso não precisa preocupar-me. Elas são responsáveis perante o Senhor, que exigirá contas de suas mãos.

Grande é a confiança, imensa é a responsabilidade. Deploro o desperdício. Deploro a extravagância. Valorizo a economia. Creio na prudência e no conservadorismo. Creio, e sempre acreditei, desde que me lembro, que o dízimo é a lei do Senhor para as finanças. Em uma revelação dada em 8 de julho de 1838, Ele indicou que Seus santos "pagarão a décima parte de toda a sua renda anual; e isto será uma lei permanente para eles, para meu santo sacerdócio, diz o Senhor." (D&C 119:4.)

Os Irmãos interpretaram a palavra renda como significando os rendimentos. Além disso, não deram outra interpretação.

No mesmo dia em que essa revelação foi dada, o Senhor estabeleceu o sistema pelo qual os dízimos deveriam ser distribuídos. Ele disse: "Em verdade assim diz o Senhor: Chegado é o tempo em que sua distribuição será feita por um conselho composto da Primeira Presidência de minha Igreja e do bispo e seu conselho e de meu sumo conselho; e por minha própria voz a eles, diz o Senhor. Assim seja. Amém." (D&C 120:1.)

Esse mesmo sistema prevalece e governa hoje como foi prescrito quando a revelação foi originalmente dada. Toda terça-feira do ano, com exceção de uma ou duas terças-feiras durante a época do Natal, reúne-se o Comitê de Apropriações. Este é composto pela Primeira Presidência, representantes do Conselho dos Doze e o Bispado Presidente. Esse comitê constitui essencialmente um comitê executivo do Conselho sobre a Destinação dos Dízimos — que inclui a Primeira Presidência e todos os Doze, sustentados como profetas, videntes e reveladores, juntamente com o Bispado Presidente —, e esse Conselho se reúne em datas programadas ao longo do ano.

O Senhor, naquela revelação de 1838, indicou que a destinação deveria ser feita conforme Ele dirigisse "por minha própria voz a eles".

Todas essas reuniões são abertas com oração, invocando a orientação divina. É meu testemunho de que, nesse processo, a vontade do Senhor é buscada e Sua inspiração é recebida.

O que fizemos recentemente ao instituir este novo programa é, estou convencido, uma expressão dessa inspiração. O que fizemos é um ato de fé. Creio que é um tremendo ato de fé. A Igreja não é tão rica a ponto de poder espalhar indiscriminadamente seus recursos. Devemos ser extremamente cuidadosos e sábios, e creio que inspirados, para que este programa, que envolve muitos milhões de dólares em despesa adicional, possa funcionar. Pedimos a cada presidente de estaca, a cada bispo, a cada presidente de ramo, a cada administrador de instalações da Igreja, que ensine a nosso povo os princípios da economia. Fiquem atentos às luzes e apaguem-nas quando não forem necessárias. Fiquem atentos ao aquecimento e à refrigeração. Fiquem atentos à irrigação dos gramados e ao uso do telefone. Podemos ser tão liberais quanto quisermos com nossos próprios fundos, mas não com os do Senhor.

Queremos que nossos edifícios sejam confortáveis e bem iluminados. Queremos que sejam bem mantidos e atraentes nas comunidades em que estão localizados. Mas não devemos ser esbanjadores.

Com relação ao dinheiro destinado a atividades, permitam-me dizer a vocês, presidentes de estaca, que a fórmula foi elaborada com base na frequência à reunião sacramental como a medida mais simples e realista de atividade na ala. As despesas da estaca devem ser mínimas, com todos os custos de instalações físicas, incluindo os custos básicos de telefone, cobertos pelos fundos gerais da Igreja. Que os fundos orçamentários provenientes da sede fluam para as alas com base na frequência à reunião sacramental em cada ala. Ao destinar os fundos, não fizemos distinção entre as chamadas alas ricas e as chamadas alas pobres. Permitimos uma quantia igual a todas, e esse mesmo princípio deve reger as destinações feitas por vocês.

Além disso, com relação às atividades, permitam-me dizer que considero as atividades importantes, particularmente para nossa juventude. Oportunidades sociais são necessárias. Os jovens gostam da companhia uns dos outros, e é essencial que tenham a oportunidade de desfrutá-la. Mas talvez tenhamos ido longe demais em prover para alguns além do que é necessário ou do que é melhor em termos dos indivíduos e de suas famílias.

Deve-se reconhecer que esta igreja não é um clube social. Este é o reino de Deus na Terra. É A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Seu propósito é trazer a salvação e a exaltação, tanto aos vivos quanto aos mortos.

Permitam-me lembrá-los de uma tremenda declaração feita pela Primeira Presidência em 1907. Eles disseram: "Nossos motivos não são egoístas; nossos propósitos não são mesquinhos nem terrenos; contemplamos a raça humana — passada, presente e futura — como seres imortais, para cuja salvação é nossa missão trabalhar; e a esta obra, tão vasta quanto a eternidade e tão profunda quanto o amor de Deus, nos dedicamos, agora e para sempre." (Em Conference Report, abril de 1907, apêndice, "Uma Mensagem ao Mundo", p. 16.) Tal é o alcance de nossa responsabilidade.

Ao trabalharmos sob este novo programa, não briguemos nem reclamemos. Não nos atolemos em discussões sobre a divisão de dólares e centavos. Não nos preocupemos nem fiquemos aflitos com excursões exóticas que agora talvez não sejam mais possíveis. Elas poderiam proporcionar uma diversão maravilhosa, e os jovens, todos concordamos, precisam se divertir sob a direção dos oficiais e professores da Igreja. Mas esses oficiais e professores, e esses rapazes e moças, são pessoas engenhosas que, com fé e oração, podem elaborar programas de baixo custo em dólares, mas que renderão tremendos dividendos em recreação saudável e atividades edificadoras da fé. Talvez devêssemos nos preocupar menos com a diversão e mais com a fé. Este é um programa novo e maravilhoso. Como acontece com qualquer programa novo, haverá alguns itens que precisarão de correção ao longo do caminho. Ainda há perguntas sem resposta, particularmente sobre propriedades de recreação. O tempo e a experiência fornecerão as respostas. Enquanto isso, sejam gratos e ponham-se a trabalhar com espírito de oração para fazê-lo funcionar. Prometo-lhes que serão felizes se assim o fizerem. A vida familiar será fortalecida e a fé aumentará.

O Élder Packer e o Presidente Monson falaram sobre ofertas.

Esperamos que, por meio do pagamento de ofertas de jejum generosas, haja mais do que suficiente para prover as necessidades dos menos afortunados. Se todo membro desta igreja observasse o jejum e contribuísse generosamente, os pobres e necessitados — não apenas os da Igreja, mas muitos outros também — seriam abençoados e amparados. Todo doador seria abençoado em corpo e espírito, e os famintos seriam alimentados, os despidos vestidos conforme a necessidade.

A Igreja tem recebido doações de presentes generosos e substanciais de pessoas fiéis que contribuíram com ofertas voluntárias muito além de seus dízimos. Tais contribuições ainda são necessárias, talvez mais do que no passado. Esperamos que não haja diminuição de tais doações. Esperamos que, à medida que o Senhor continue a abençoá-los, vocês, por sua vez, expressem sua gratidão por meio de generosidade para com Sua grande causa universal.

O fundo missionário geral da Igreja torna possível que muitos dos que vivem em áreas carentes do mundo saiam em missão, o que de outra forma lhes seria negado. Que não se presuma que, por a Igreja ter empreendido este novo programa, ela tem fundos para prover esses missionários. Certamente não é o caso. Tais fundos precisam vir de doadores generosos que têm em seus corações amor pela causa missionária.

Membros menos ativos e não membros têm contribuído generosamente, por meio da LDS Foundation, para auxiliar diversos programas da Igreja. Esperamos que isso possa continuar e aumentar.

Agora, irmãos e irmãs, convido-os a olhar além dos estreitos limites de suas próprias alas e a se elevarem à visão mais ampla desta, a obra de Deus. Temos um desafio a cumprir, uma obra a fazer além da compreensão de qualquer um de nós — a saber, auxiliar nosso Pai Celestial a salvar Seus filhos e filhas de todas as gerações, tanto os vivos quanto os mortos, a trabalhar pela salvação não apenas dos que estão na Igreja, mas também dos que atualmente estão fora dela, onde quer que estejam. Nenhum povo sobre a face da Terra recebeu um mandato mais forte do Deus dos céus do que nós, os desta Igreja.

Vocês confiaram a alguns de nós uma pesada responsabilidade. Deus, nosso Pai Eterno, igualmente nos confiou essa responsabilidade. Estamos sempre conscientes disso. Oramos por vocês, e sabemos que oram por nós. Saibam que os amamos, e aceitem nossa gratidão pelo amor que vocês nos demonstram. Como servos do Senhor, dotados de Seu santo sacerdócio, nós os abençoamos para que, ao caminharem em fé e fidelidade, as janelas do céu possam se abrir e para que sejam derramados sobre vocês aqueles preciosos dons que vêm do Deus dos céus, que é nosso Pai Eterno, e de Seu Filho divino, que é nosso Redentor e que declarou: "Buscai, pois, primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas." (Mateus 6:33.)

Esta é a obra do Todo-Poderoso. Nunca nos esqueçamos disso. É a obra de Seu Filho, nosso Salvador. Disto testifico, ao invocar estas bênçãos sobre vocês em nome de Jesus Cristo, amém.

Como citar este discursoGordon B. Hinckley, “Elevar-se a uma Visão Mais Ampla da Obra”, Conferência Geral de Abril de 1990, Member Finances Fireside (1990-04-01). Pulpit Vault, 1990-04-hinckley-rise-to-a-larger-vision-of-the-work. Tradução desta edição, por método de glossário, churchofjesuschrist.org.Pulpit Vault, edição de 23 de setembro de 2026 (commit 4bdc6ac627).