O Serviço que Conta
Thomas S. Monson
Enquanto dirigia para o escritório certa manhã, passei por uma lavanderia a seco que tinha uma placa ao lado da porta da frente. Dizia: "É o Serviço que Conta." Suponho que, num ramo altamente competitivo como o das lavanderias a seco, e em tantos outros, o fator que distingue uma loja de outra é, de fato, o serviço. ¶
A mensagem daquela pequena placa simplesmente não saía de minha mente. De repente, percebi por quê. De fato, é o serviço que conta — o serviço do Senhor. ¶
Todos nós admiramos e respeitamos aquele nobre rei da fama do Livro de Mórmon — nem mesmo o rei Benjamim escapa a essa admiração. Como ele deve ter sido respeitado, para que o povo se reunisse em números tão grandes para ouvir suas palavras e receber seu conselho. Acho muito interessante que a multidão "armou suas tendas ao redor do templo, cada homem com a porta de sua tenda voltada para o templo, a fim de que pudessem permanecer nas suas tendas e ouvir as palavras que o rei Benjamim lhes diria" (Mosias 2:6). Até uma torre alta teve de ser erguida para que o povo pudesse ouvir suas palavras. ¶
Na verdadeira humildade de um líder inspirado, o rei Benjamim relembrou seu desejo de servir seu povo e conduzi-lo em caminhos de retidão. Ele então lhes declarou: ¶
"Eis que vos digo, ao afirmar-vos haver empregado meus dias a vosso serviço, que não é meu desejo vangloriar-me, porque só estive a serviço de Deus. ¶
"E eis que vos digo estas coisas para que aprendais sabedoria; para que saibais que, quando estais a serviço de vosso próximo, estais somente a serviço de vosso Deus." (Mosias 2:16–17.) ¶
Este é o serviço que conta, irmãos — o serviço para o qual todos nós fomos chamados, o serviço do Senhor Jesus Cristo. ¶
Ao nos alistar em Sua causa, Ele nos convida a nos aproximarmos dEle. Ele fala a vocês e a mim: ¶
"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. ¶
"Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para a vossa alma. ¶
"Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve." (Mateus 11:28–30.) ¶
A todos os que saem a Seu serviço, Ele dá esta garantia: "Irei adiante de vós. Estarei à vossa direita e à vossa esquerda e meu Espírito estará em vosso coração e meus anjos ao vosso redor para vos suster." (D&C 84:88.) ¶
Muitos aqui reunidos esta noite têm a responsabilidade de dar liderança àqueles que possuem o Sacerdócio Aarônico. A vocês eu digo: o melhor ensinamento que podem oferecer é o de um bom exemplo. Os jovens precisam de menos críticos e mais modelos a seguir. Todos nós que estamos engajados na obra do Senhor temos a responsabilidade de nos estendermos àqueles que estão menos ativos e trazê-los ao serviço do Senhor. Suas almas são preciosíssimas. ¶
Em uma revelação a Joseph Smith, o Profeta, a Oliver Cowdery e a David Whitmer, o Senhor ensinou: ¶
"Lembrai-vos de que o valor das almas é grande à vista de Deus; ¶
"Pois eis que o Senhor vosso Redentor sofreu a morte na carne; portanto, sofreu a dor de todos os homens, para que todos os homens se arrependessem e viessem a ele. ... ¶
"E quão grande é sua alegria pela alma que se arrepende! ¶
"Portanto, sois chamados para clamar arrependimento a este povo. ¶
"E, se trabalhardes todos os vossos dias clamando arrependimento a este povo e trouxerdes a mim mesmo que seja uma só alma, quão grande será vossa alegria com ela no reino de meu Pai! ¶
"E agora, se vossa alegria é grande com uma só alma que tiverdes trazido a mim no reino de meu Pai, quão grande será vossa alegria se me trouxerdes muitas almas!" (D&C 18:10–11, 13–16.) ¶
Alguns anos atrás, enquanto eu participava de uma sessão de liderança do sacerdócio da conferência da Estaca Monument Park West, essa escritura tornou-se o tema do visitante do Comitê de Bem-Estar, meu ex-presidente de estaca, Paul C. Child. Em seu estilo habitual, o Irmão Child deixou o púlpito e começou a caminhar pelo corredor entre os irmãos do sacerdócio ali reunidos. Ele citou o versículo: "Lembrai-vos de que o valor das almas é grande à vista de Deus" (D&C 18:10). Depois fez a pergunta: "Quem pode me dizer o valor de uma alma humana?" ¶
Todos os homens presentes começaram a pensar em uma resposta, caso o Irmão Child o chamasse. Eu havia crescido sob sua liderança e sabia que ele nunca chamaria um conselheiro do sumo conselho ou membro de um bispado; em vez disso, escolheria alguém que menos esperasse ser chamado. E, de fato, ele chamou, de uma lista que trazia consigo, o nome de um presidente do quórum de élderes. Atônito, o irmão gaguejou ao perguntar: "Poderia repetir a pergunta, por favor?" A pergunta foi repetida, seguida por uma pausa ainda mais longa. De repente, veio a resposta: "O valor de uma alma humana é sua capacidade de se tornar como Deus." ¶
O Irmão Child fechou suas escrituras, voltou ao púlpito e, ao passar por mim, sussurrou: "Uma resposta profunda; uma resposta profunda." ¶
Com essa perspectiva firmemente em mente, estamos preparados para servir na grande missão de trazer almas a Ele. ¶
Muitos de vocês possuem o Sacerdócio Aarônico. Estão se preparando para servir como missionários. Comecem agora a aprender, em sua juventude, a alegria de servir na causa do Mestre. ¶
Após o Dia de Ação de Graças, há um ano ou mais, recebi uma carta de uma viúva que eu conhecera na estaca onde servi na presidência. Ela havia acabado de voltar de um jantar patrocinado pelo bispado dela. Suas palavras refletem a paz que ela sentiu e a gratidão que lhe encheu o coração: ¶
"Prezado Presidente Monson, ¶
Estou morando em Bountiful agora. Sinto falta do povo de nossa antiga estaca, mas deixe-me contar-lhe sobre uma experiência maravilhosa que tive. No início de novembro, todas as viúvas e pessoas mais idosas receberam um convite para um lindo jantar. Disseram-nos para não nos preocuparmos com o transporte, pois este seria fornecido pelos jovens mais velhos da ala. ¶
Na hora marcada, um jovem muito educado tocou a campainha e nos levou, a mim e a outra irmã, até o centro de estaca. Ele parou o carro, e dois outros rapazes caminharam conosco até a capela, onde as moças nos levaram para tirar nossos casacos — depois para o salão cultural, onde nos sentamos e conversamos por alguns minutos. Depois nos levaram até as mesas, onde fomos sentadas, de cada lado, ao lado de uma moça ou de um rapaz. Então nos serviram um lindo jantar de Ação de Graças e, depois, ofereceram um programa especial. ¶
Depois do programa, recebemos nossa sobremesa — torta de maçã ou de abóbora. Depois saímos, e, no caminho, nos deram um saquinho plástico com peru fatiado e dois pãezinhos. Depois os rapazes nos levaram para casa. Foi uma noite tão agradável, tão bonita. A maioria de nós derramou uma lágrima ou duas pelo amor e respeito que nos foi demonstrado. ¶
Presidente Monson, quando o senhor vê jovens tratarem os outros como esses jovens fizeram, sinto que a Igreja está em boas mãos." ¶
Refleti sobre minha associação com essa querida viúva, agora envelhecida, mas sempre servindo ao Senhor. Vieram-me à mente as palavras da Epístola de Tiago: "A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se imaculado do mundo." (Tiago 1:27.) ¶
Acrescento meu próprio louvor: Deus abençoe os líderes, os rapazes e as moças que tão desinteressadamente trouxeram tal alegria aos solitários e tal paz às suas almas. Por meio dessa experiência, eles aprenderam o significado do serviço e sentiram a proximidade do Senhor. ¶
Um dos grandes missionários dos tempos pioneiros foi Joseph Millett, que serviu missão nas Províncias Marítimas do Canadá com apenas dezoito anos de idade. Sua missão foi marcada por desânimo, mas pontuada por experiências edificantes da fé — inclusive intervenção miraculosa do Senhor. Esse servo do Senhor por toda a vida, que aprendeu em sua missão, e nunca esqueceu, o que é passar necessidade e saber dar, nos deixa esta imagem final de si mesmo, tirada de seu diário pessoal e usando suas próprias palavras: ¶
"Um de meus filhos entrou, disse que a família do Irmão Newton Hall estava sem pão. Não tinham nada naquele dia. Coloquei... nossa farinha num saco para mandar até a casa do Irmão Hall. Justamente então o Irmão Hall chegou. Disse eu: 'Irmão Hall, como vocês estão de farinha?' ¶
"'Irmão Millett, não temos nenhuma.' ¶
"'Bem, Irmão Hall, há um pouco naquele saco. Eu tinha dividido e ia mandar até vocês. Seus filhos disseram aos meus que vocês estavam sem.' ¶
"O Irmão Hall começou a chorar. Disse que havia tentado com outros. Não conseguiu com ninguém. Foi até os cedros e orou ao Senhor, e o Senhor disse a ele que fosse a Joseph Millett. ¶
"'Bem, Irmão Hall, não precisa devolver isso, se foi o Senhor quem o mandou buscar. Você não me deve nada por isso.'" ¶
Seu diário continuava: "Não se pode dizer como me fez sentir bem saber que o Senhor sabia que existia uma pessoa chamada Joseph Millett." (Em Eugene England, "Without Purse or Scrip: A 19-year-old Missionary in 1853," New Era, jul. de 1975, p. 28.) ¶
Irmãos, o Senhor conhece cada um de nós. Vocês acham, por um momento, que Aquele que percebe a queda do pardal não estaria atento às nossas necessidades e ao nosso serviço? Simplesmente não podemos nos dar ao luxo de atribuir ao Filho de Deus as mesmas fraquezas que encontramos em nós mesmos. ¶
Há algum tempo, meu bom amigo G. Marion Hinckley, do Condado de Utah, meu companheiro de trilha, veio ao escritório com dois netos que eram irmãos, um deles tendo servido uma honrosa missão no Japão, e o outro, na Escócia. O Irmão Hinckley disse: "Deixe-me compartilhar com o senhor uma experiência maravilhosa que aconteceu a esses meus netos." Seus botões quase estouravam de orgulho. ¶
No distante Japão, um fotógrafo comercial de rua parou um dos irmãos, tendo tirado uma foto dele segurando uma criancinha. Ofereceu a cópia à venda ao missionário e seu companheiro. Eles explicaram que estavam com o orçamento apertado, que eram missionários, e direcionaram a atenção do fotógrafo para suas placas de identificação. Não compraram a foto. ¶
Alguns meses depois, o irmão que servia na Escócia estava perguntando a dois missionários por que haviam chegado atrasados a uma reunião de zona, quando eles contaram esta história: um fotógrafo de rua muito insistente havia tentado vender a eles uma foto de um missionário no Japão segurando uma criancinha. Eles não tinham interesse na foto, mas, para evitar chegar ainda mais atrasados à reunião de zona, a compraram. ¶
"Uma história e tanto", respondeu o Élder Lamb, ao que lhe entregaram a foto. Ele não pôde acreditar em seus olhos. Era uma fotografia de seu próprio irmão no distante Japão. ¶
Naquele dia, em meu escritório, eles apresentaram à minha vista as duas fotos e, com o avô radiante de aprovação, declararam: "O Senhor certamente está atento a Seus servos, os missionários." ¶
Ao saírem de meu escritório, pensei: sim, o Senhor está atento a seus missionários — e a seus pais, mães, avós, e a todos os que se sacrificam por seu apoio, para que almas preciosas possam ser ensinadas e receber Seu evangelho. ¶
Muitos não estão na linha de frente do serviço missionário nos chamados da Igreja que ocupam. Será que Deus se lembra deles também? Será que Ele está atento às suas necessidades e aos anseios de seu coração? E aqueles que já estiveram em evidência, mas envelheceram em serviço fiel, foram desobrigados e passaram para o anonimato da vasta congregação de membros da Igreja? A todos esses indivíduos testifico que Ele se lembra e que Ele abençoa. ¶
Muitos anos atrás, fui designado para dividir a Estaca Modesto Califórnia. As reuniões de sábado já haviam sido realizadas, as novas presidências de estaca haviam sido selecionadas, e os preparativos concluídos para os anúncios a serem feitos na manhã seguinte, na sessão dominical da conferência. ¶
Quando a sessão dominical estava prestes a começar, passou por minha mente o pensamento de que eu já havia estado em Modesto antes. Mas quando? Deixei minha mente buscar através dos anos uma confirmação do que estava pensando. De repente, lembrei-me. Modesto, anos antes, havia sido parte da Estaca San Joaquin. O presidente de estaca era Clifton Rooker. Eu havia ficado em sua casa durante aquela conferência. Mas isso havia sido muitos anos antes. Será que meus pensamentos estavam me pregando peças? Perguntei à presidência de estaca, sentada na tribuna: "Esta é a mesma estaca que Clifton Rooker outrora presidiu?" ¶
Os irmãos responderam: "Sim, é. Ele foi nosso presidente anterior." ¶
"Faz muitos anos desde que estive aqui pela última vez", disse eu. "O Irmão Rooker está conosco hoje?" ¶
Responderam-me: "Ah, sim. Nós o vimos logo cedo hoje, quando ele veio para a conferência." ¶
Perguntei: "Onde ele está sentado neste dia em que a estaca será dividida?" ¶
"Não sabemos exatamente", responderam. A resposta foi razoável, pois o prédio estava lotado. ¶
Fui até o púlpito e perguntei: "Clifton Rooker está na plateia?" Lá estava ele — lá atrás, no salão de recreação, quase fora da vista do púlpito. Senti a inspiração de dizer-lhe publicamente: "Irmão Rooker, temos um lugar para o senhor na tribuna. O senhor poderia vir até a frente, por favor?" ¶
Com todos os olhos voltados para ele, Clifton Rooker fez aquela longa caminhada desde os fundos do prédio até a frente, e sentou-se ao meu lado. Tornou-se minha oportunidade de convidá-lo, um dos pioneiros daquela estaca, a prestar seu testemunho e dizer ao povo que ele amava que ele era, de fato, o beneficiário do serviço que havia prestado a seu Pai Celestial e aos membros da estaca. ¶
Após o encerramento da sessão, eu disse: "Irmão Rooker, gostaria de vir comigo até a sala do sumo conselho e me ajudar a designar as duas novas presidências dessas estacas?" ¶
Ele respondeu: "Isso seria um ponto alto para mim." ¶
Fomos até a sala do sumo conselho. Ali, com suas mãos unidas às minhas mãos e às mãos da presidência de estaca cessante, designamos para seus chamados as duas novas presidências de estaca. O Irmão Rooker e eu nos abraçamos enquanto ele se despedia e ia para casa. ¶
Bem cedo na manhã seguinte, depois que eu havia voltado para minha casa, recebi um telefonema do filho de Clifton Rooker. "Irmão Monson", disse ele, "quero lhe contar sobre meu pai. Ele faleceu esta manhã; mas, antes de fazê-lo, disse que ontem foi o dia mais feliz de toda a sua vida." ¶
Ao ouvir aquela mensagem do filho do Irmão Rooker, fiz uma pausa para agradecer a Deus pela inspiração que me veio de convidar aquele bom homem, enquanto ainda estava vivo e capaz de desfrutá-los, a vir até a frente e receber os elogios dos membros da estaca a quem havia servido. ¶
A todos aqueles que servem ao Senhor servindo a seus semelhantes, e àqueles que são os beneficiários desse serviço abnegado, o Redentor parece falar-lhes quando declarou: ¶
"E quando o Filho do Homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; ¶
"E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas, ¶
"E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes, à esquerda. ¶
"Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; ¶
"Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; ¶
"Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me. ¶
"Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? ¶
"E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos? ¶
"E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? ¶
"E respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes." (Mateus 25:31–40.) ¶
Que cada um de nós possa qualificar-se para essa bênção de nosso Senhor é minha oração, em nome de Jesus Cristo, amém. ¶