Vá em Frente!
Thomas S. Monson
Irmãos, vocês são um espetáculo inspirador de se contemplar. É extraordinário perceber que, neste exato momento, em milhares de capelas ao redor do mundo, seus irmãos portadores do sacerdócio de Deus estão recebendo esta transmissão por satélite. Suas nacionalidades variam, e suas línguas são muitas, mas um fio comum nos une. Fomos confiados para portar o sacerdócio e agir em nome de Deus. Somos os recipientes de uma confiança sagrada. Muito se espera de nós. ¶
Há muito tempo, o renomado autor Charles Dickens escreveu sobre oportunidades que aguardam. Em seu clássico intitulado Grandes Esperanças, Dickens descreveu um menino chamado Philip Pirrip, mais conhecido como "Pip". Pip nasceu em circunstâncias incomuns. Era órfão. Nunca conheceu sua mãe ou seu pai. Nunca viu uma fotografia deles. Ainda assim, tinha todos os desejos normais de um menino. Desejava com todo o coração ser um erudito. Desejava ser um cavalheiro. Desejava ser menos ignorante. No entanto, todas as suas ambições e todas as suas esperanças pareciam condenadas ao fracasso. Vocês, jovens, às vezes se sentem assim? Nós, que somos mais velhos, alimentamos esses mesmos pensamentos? ¶
Então, certo dia, um advogado de Londres chamado Jaggers procurou o pequeno Pip e lhe disse que um benfeitor desconhecido lhe havia legado uma fortuna. O advogado colocou o braço em torno dos ombros de Pip e lhe disse: "Meu rapaz, você tem grandes esperanças." ¶
Esta noite, ao olhar para vocês, jovens, e perceber quem são e o que podem vir a ser, digo-lhes, como aquele advogado disse a Pip: "Meu rapaz, você tem grandes esperanças" — não como resultado de um benfeitor desconhecido, mas como resultado de um Benfeitor conhecido, o próprio Pai Celestial, e grandes coisas são esperadas de vocês. ¶
Todos nós, antes do período conhecido como mortalidade, vivíamos como filhos espirituais de nosso Pai Celestial. Em Sua sabedoria, Ele nos deu um registro, no livro de Abraão, que nos conta algo dessa existência: ¶
"Ora, o Senhor mostrara a mim, Abraão, as inteligências que foram organizadas antes de o mundo existir; e entre todas essas havia muitas das nobres e grandes; … ¶
"E estava entre eles um que era semelhante a Deus; e ele disse aos que se achavam com ele: Desceremos, pois há espaço lá, e tomaremos destes materiais, e faremos uma terra onde estes possam habitar; ¶
"E assim os provaremos para ver se farão todas as coisas que o Senhor seu Deus lhes ordenar; ¶
"E os que guardarem seu primeiro estado receberão um acréscimo; e os que não guardarem seu primeiro estado não terão glória no mesmo reino que aqueles que guardarem seu primeiro estado; e os que guardarem seu segundo estado terão um acréscimo de glória sobre sua cabeça para todo o sempre." (Abr. 3:22, 24–26.) ¶
Ao caminharmos pela mortalidade, lembremo-nos de onde viemos; sejamos fiéis à confiança que nos foi conferida. Lembremo-nos de quem somos e do que Deus espera que nos tornemos. ¶
Ned Winder, amigo de toda a vida e antigo secretário executivo do Departamento Missionário, conta um encontro divertido e humilhante que vivenciou. ¶
Duas das Autoridades Gerais, acompanhadas pelo Irmão Winder, desciam uma escadaria à vista de uma mãe e seu filho, que estavam sentados em um sofá de frente para a escadaria. Ao ver os irmãos se aproximarem, o menino perguntou à mãe: "Quem é aquele primeiro homem?" ¶
Ela respondeu: "É o Élder Marvin J. Ashton, membro do Conselho dos Doze Apóstolos." ¶
O menino continuou: "Quem é o homem ao lado dele?" ¶
A mãe respondeu: "É o Élder Loren Dunn, do Primeiro Quórum dos Setenta." ¶
Então o menino concluiu: "Quem é o outro homem?" ¶
A mãe falou mais baixo, mas ainda assim audível ao Irmão Winder: "Ah, ele não é ninguém." ¶
Lembrem-se, meus jovens amigos, vocês são alguém! Vocês são um filho da promessa. Vocês são um homem de vigor. Vocês são um filho de Deus, dotado de fé, agraciado com coragem e guiado pela oração. Seu destino eterno está diante de vocês. O Apóstolo Paulo fala a vocês hoje como falou a Timóteo há muitos anos: "Não desprezes o dom que há em ti. … Ó Timóteo, guarda o que te foi confiado." (1 Tim. 4:14; 6:20.) ¶
Ao definirem suas metas e planejarem sua realização, ponderem este pensamento: o passado ficou para trás — aprendam com ele; o futuro está adiante — preparem-se para ele; o presente está aqui — vivam-no. ¶
Às vezes, todos nós permitimos que esse inimigo da realização — o próprio culpado, a autodestruição — diminua nossas aspirações, sufoque nossos sonhos, obscureça nossa visão e arruíne nossas vidas. A voz do inimigo sussurra em nossos ouvidos: "Eu não consigo fazer isso." "Sou pequeno demais." "Todos estão observando." "Não sou ninguém." É nesse momento que precisamos refletir sobre o conselho de Maxwell Maltz, que declarou: ¶
"A mais … realista autoimagem de todas é a de conceber-se como 'feito à imagem de Deus'." Você não pode sinceramente sustentar essa convicção sem experimentar um novo e profundo senso de força e poder. (Psycho-Cybernetics, Englewood Cliffs, N.J.: Prentice-Hall, 1960, p. 245.) ¶
Isso é um bom remédio para todos nós — jovens e velhos. Afinal, os homens nada mais são do que meninos crescidos. Certa esposa disse de seu marido, ao vê-lo contemplar admirado seu novo barco: "Quanto maior o menino, maior o brinquedo!" ¶
A vida nunca foi projetada para consistir em um excesso de luxo, ser um percurso fácil, ou repleta apenas de sucessos. Há aqueles jogos que perdemos, aquelas corridas em que chegamos por último, e aquelas promoções que nunca vêm. Tais experiências nos dão a oportunidade de demonstrar nossa determinação e de nos erguermos acima da decepção. ¶
Li outro dia sobre um atleta que é membro da equipe de luta da Universidade LaSalle. Devido a um acidente com arma de fogo ocorrido muitos anos atrás, ele tem apenas uma perna. Ele reclama? Ele amaldiçoa a Deus? Ele desiste da luta? Pelo contrário, ele compete com os melhores. Seu histórico este ano é de dez vitórias e oito derrotas. Um colega de equipe disse dele: "Ele nos inspira." ¶
Como alguns de vocês, sei o que é enfrentar decepção e humilhação na juventude. Quando menino, joguei softball em equipe no ensino fundamental e no ginásio. Dois capitães eram escolhidos, e então eles, por sua vez, selecionavam os jogadores que desejavam em seus times. Naturalmente, os melhores jogadores eram escolhidos primeiro, depois segundo e terceiro. Ser selecionado em quarto ou quinto lugar não era tão ruim, mas ser escolhido por último e relegado a uma posição remota no campo exterior era simplesmente péssimo. Eu sei. Eu estava lá. ¶
Como eu esperava que a bola nunca fosse rebatida em minha direção, pois certamente eu a deixaria cair, corredores marcariam pontos, e os companheiros de equipe ririam. ¶
Como se fosse ontem, lembro-me do momento em que tudo isso mudou em minha vida. O jogo começou como descrevi: fui escolhido por último. Segui meu caminho pesaroso até o bolso profundo do campo direito e observei enquanto o time adversário enchia as bases de corredores. Dois rebatedores então foram eliminados por strikes. De repente, o próximo rebatedor deu uma tacada poderosa. A bola vinha em minha direção. Estaria além do meu alcance? Corri para o ponto onde pensei que a bola cairia, fiz uma oração silenciosa enquanto corria, e estendi minhas mãos em concha. Eu me surpreendi. Peguei a bola! Meu time venceu o jogo. ¶
Essa única experiência fortaleceu minha confiança, inspirou meu desejo de praticar e me conduziu daquele lugar de último a ser escolhido a me tornar um verdadeiro contribuinte para o time. ¶
Podemos experimentar essa explosão de confiança. Podemos sentir esse orgulho de desempenho. Uma fórmula de três palavras nos ajudará: Nunca Desista. ¶
A oposição está sempre conosco. A tentação de desviar-se do caminho escolhido é, às vezes, um confronto diário. Joseph L. Townsend escreveu a letra de um hino que cantamos com frequência. Em resumo, os versos dizem o seguinte: ¶
Escolha o que é certo sempre que uma decisão se apresentar diante de você. ¶
No caminho certo, o Espírito Santo o guia; ¶
E sua luz brilha para sempre sobre você, ¶
Quando seu coração confia no que é certo. ¶
("Choose the Right," Hymns, 1985, nº 239.) ¶
Um pai sábio, falando a seu filho, colocou a questão da escolha em termos diretos. Ele aconselhou: "Filho, se algum dia você se encontrar em um lugar onde não deveria estar — saia de lá!" Bom conselho para um filho. Bom conselho para um pai também. ¶
Com demasiada frequência, tendemos a colocar a culpa em Lúcifer por toda tentação que enfrentamos ou todo pecado que cometemos. As palavras do Apóstolo Paulo colocam esse pensamento em perspectiva. Aos coríntios, Paulo aconselhou: ¶
"Não vos sobreveio tentação, senão humana; porém fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também meio de saída, para que a possais suportar." (1 Cor. 10:13.) ¶
Como portadores do sacerdócio, temos a responsabilidade de "levantar-nos e sermos contados." Anos atrás, quando David Kennedy foi nomeado Secretário do Tesouro, um repórter tentou pegá-lo de surpresa com a pergunta: "Sr. Kennedy, o senhor acredita em oração?" ¶
A resposta foi: "Acredito." ¶
Então veio a pergunta astuta: "Sr. Kennedy, o senhor ora?" ¶
Veio a firme resposta: "Acredito em oração, e eu oro!" ¶
Justamente no mês passado, um enorme jato 747, ao sobrevoar o Pacífico, sofreu um rasgão gigantesco em sua lateral, lançando nove passageiros para a morte e ameaçando a vida de todos. Quando o piloto, Capitão David Cronin, foi entrevistado, após trazer a aeronave de volta em segurança a Honolulu, perguntaram-lhe: "O que o senhor fez quando o avião se rasgou? Como o senhor conseguiu lidar com isso?" ¶
O Capitão Cronin respondeu: "Orei, e depois fui trabalhar." ¶
Meus irmãos, este é um plano inspirado para cada um de nós seguir: orar, e depois ir trabalhar. ¶
Na competitividade desenfreada da vida, há uma tendência de pensar apenas em nós mesmos. Ceder a essa filosofia estreita nossa visão e distorce uma visão adequada da vida. Quando a preocupação com os outros substitui a preocupação consigo mesmo, nosso próprio progresso é ampliado. ¶
Esta noite testemunhamos a mais alta honraria que o Escotismo é capaz de conferir, outorgada ao nosso Presidente, Ezra Taft Benson. Esse reconhecimento não é resposta a um único feito ou a um compromisso temporário de serviço. Pelo contrário, reconhece uma vida inteira de serviço constante e altruísta à juventude. Disse-se de nosso Senhor: "Andou fazendo o bem." O Presidente Ezra Taft Benson exemplifica diariamente esse exemplo do Senhor. ¶
Na reunião de fevereiro do Conselho Executivo Nacional do Escotismo, foram reconhecidos jovens que haviam salvado vidas de outras pessoas durante o ano anterior. Um dos homenageados foi um portador do Sacerdócio Aarônico — Thomas T. Nelson, de quinze anos, de Lacey, Washington. Tom havia resgatado dois meninos de um rio violento que poderia tê-los levado à morte. Adoro sua resposta humilde, porém poderosa, ao reconhecimento: "Eu pulei e os puxei para fora!" ¶
Milhares de escoteiros se tornaram heróis ao abençoar a vida de outras pessoas durante a campanha conhecida como "Escotismo pela Comida". Em determinado sábado, com a campanha previamente divulgada, pediu-se às donas de casa da América que contribuíssem com alimentos enlatados para alimentar os famintos. Os escoteiros se tornaram os facilitadores desse objetivo. Centenas de toneladas de alimentos foram coletadas, armazenadas e distribuídas. Os que deram foram abençoados. Os que receberam foram alimentados. Aqueles escoteiros que ajudaram a alcançar o objetivo jamais serão os mesmos. Andaram fazendo o bem. ¶
Servindo ao redor do mundo há uma grande força missionária que anda fazendo o bem. Os missionários ensinam a verdade. Dissipam as trevas. Espalham alegria. Trazem almas preciosas a Cristo. ¶
Há poucas semanas, na Cidade da Guatemala, Guatemala, testemunhei um milagre moderno — o próprio resultado da orientação de Deus dada a Seus servos e da bênção de Seu povo. ¶
Em uma conferência regional, quase doze mil membros encheram o Estádio do Exército, o estádio de futebol local. O sol banhava com seus raios a grande multidão, enquanto o Espírito do Senhor enchia cada coração. Foi um dia de ação de graças, marcando o quadragésimo segundo aniversário da chegada dos primeiros missionários àquela terra. John Forres O'Donnal falou à vasta multidão. Foi ele quem, em 1946, permaneceu sozinho como o único membro da Igreja naquela nação. Rogando pessoalmente ao então Presidente George Albert Smith, o Irmão O'Donnal facilitou a entrada dos primeiros missionários. Sua esposa, Carmen Gálvez de O'Donnal, tornou-se a primeira conversa e foi batizada em 13 de novembro de 1948. Naquele dia de conferência, como ao longo dos anos de seu casamento, ela sentou-se ao lado do marido. ¶
Enquanto o Presidente O'Donnal falava, meus pensamentos voltaram aos muitos missionários que vieram a esta terra e às dificuldades que suportaram, aos sacrifícios que fizeram e às vidas que abençoaram. A experiência de um descreve a devoção de todos. Embora já tenha mencionado, em ocasião anterior, a experiência deste missionário, após minha recente visita à Guatemala senti-me impressionado a compartilhá-la novamente com vocês. ¶
Enquanto servia na Guatemala como missionário de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Randall Ellsworth sobreviveu a um terremoto devastador, que arremessou uma viga sobre suas costas, paralisando suas pernas e danificando severamente seus rins. Foi o único americano ferido no terremoto, que ceifou a vida de cerca de dezoito mil pessoas. ¶
Após receber tratamento médico de emergência, o Élder Ellsworth foi transportado de avião para um grande hospital perto de sua casa em Rockville, Maryland. Enquanto estava internado ali, um repórter de telejornal realizou com ele uma entrevista que testemunhei através do milagre da televisão. O repórter perguntou: "Você consegue andar?" ¶
A resposta: "Ainda não, mas vou conseguir." ¶
"Você acha que conseguirá completar sua missão?" ¶
Veio a resposta: "Outros acham que não, mas eu vou conseguir. Com o Presidente de minha igreja orando por mim, e através das orações de minha família, meus amigos e meus companheiros missionários, eu vou andar, e vou voltar para a Guatemala. O Senhor quis que eu pregasse o evangelho ali por dois anos, e é isso que pretendo fazer." ¶
Seguiu-se um longo período de terapia, pontuado por uma coragem silenciosa, porém heroica. Pouco a pouco, a sensação começou a retornar aos membros quase sem vida. Mais terapia, mais coragem, mais oração. ¶
Por fim, Randall Ellsworth embarcou no avião que o levou de volta à missão para a qual havia sido chamado, de volta ao povo que amava. Deixou para trás um rastro de céticos e uma multidão de incrédulos, mas também centenas maravilhados com o poder de Deus, o milagre da fé e a recompensa da determinação. ¶
Na Guatemala, Randall prosseguiu com suas responsabilidades. Andava com o uso de duas bengalas. Seu andar era lento e cuidadoso. Então, certo dia, ao ficar diante de seu presidente de missão, Randall Ellsworth o ouviu proferir as palavras quase inacreditáveis: "Você foi o recipiente de um milagre. Sua fé foi recompensada. Se você tem a confiança necessária, se você tem fé perseverante, se você tem coragem suprema, coloque essas duas bengalas sobre minha mesa — e ande." ¶
Lentamente, Randall colocou uma bengala e depois a outra sobre a mesa do presidente de missão, virou-se em direção à porta e ao seu futuro — e andou. ¶
Hoje, Randall Ellsworth é um médico em exercício. É um esposo firme e um pai amoroso. Seu presidente de missão não era outro senão John Forres O'Donnal — o homem que ajudou a trazer à Guatemala a palavra do Senhor, o líder que, no domingo, 5 de março de 1989, discursou à multidão reunida para a conferência regional. ¶
Forres O'Donnal visitou meu escritório não faz muito tempo e, à sua maneira modesta, relatou sua experiência com Randall Ellsworth. Então me disse: "Juntos, testemunhamos um milagre. Guardei uma das duas bengalas colocadas sobre minha mesa naquele dia em que desafiei o Élder Ellsworth a andar sem elas. Gostaria que você ficasse com a outra." Com um sorriso amistoso, deixou o escritório e retornou para casa, na Guatemala. ¶
Esta é a bengala que me foi dada. Ela serve como testemunha silenciosa da capacidade de nosso Pai Celestial de ouvir nossas orações e abençoar nossas vidas. É um símbolo de fé. É uma lembrança de coragem. ¶
Irmãos do sacerdócio, como Philip Pirrip, a personagem de Charles Dickens, temos grandes esperanças. A meta da vida eterna nos aguarda. Que possamos lutar inabalavelmente por sua conquista. Na linguagem dos jovens aqui reunidos esta noite: "Vamos em frente!" Em nome de Jesus Cristo, amém. ¶