Ele Ressuscitou
Howard W. Hunter
Neste belo e sagrado fim de semana de Páscoa, certamente nenhuma doutrina será tema de mais sermões nem objeto de mais louvor do que a do sacrifício expiatório e da ressurreição literal do Senhor Jesus Cristo. E assim deve ser na Páscoa e em toda outra época do ano, pois nenhuma doutrina no cânone cristão é mais importante para toda a humanidade do que a doutrina da ressurreição do Filho de Deus. Por meio dele veio a ressurreição de todos os homens, mulheres e crianças que já nasceram — ou ainda nascerão — no mundo. ¶
Apesar da grande importância que damos à Ressurreição em nossa doutrina, talvez muitos de nós ainda não tenhamos vislumbrado plenamente seu significado espiritual e sua grandeza eterna. Se o tivéssemos feito, maravilhar-nos-íamos com sua beleza como Jacó, irmão de Néfi, e estremeceríamos diante da alternativa que teríamos enfrentado se não tivéssemos recebido esse dom divino. Jacó escreveu: ¶
“Oh! A sabedoria de Deus, sua misericórdia e graça! Pois eis que se a carne não mais se levantasse, nossos espíritos estariam à mercê daquele anjo que caiu da presença do Eterno Deus e tornou-se o diabo, para não mais se levantar” (2 Néfi 9:8). ¶
Certamente a Ressurreição é o centro da fé de todo cristão; é o maior de todos os milagres realizados pelo Salvador do mundo. Sem ela, ficaríamos, de fato, sem esperança. Tomo emprestadas as palavras de Paulo: “Se não há ressurreição de mortos, … é vã a nossa pregação, … e somos considerados falsas testemunhas de Deus, pois testificamos de Deus, que ressuscitou a Cristo. … Se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados” (1 Coríntios 15:13–15, 17). ¶
Voltemos no tempo até aquelas cenas finais na Terra Santa. O fim da vida mortal de nosso Senhor se aproximava. Ele havia curado os enfermos, ressuscitado os mortos e explicado as escrituras, inclusive as profecias sobre sua própria morte e ressurreição. Disse ele a seus discípulos: ¶
“Eis que subimos a Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos principais dos sacerdotes, e aos escribas, e condená-lo-ão à morte, ¶
“E o entregarão aos gentios para que dele escarneçam, e o açoitem, e o crucifiquem; e ao terceiro dia ressuscitará” (Mateus 20:18–19). ¶
Ali em Jerusalém, os saduceus o abordaram e o questionaram a respeito da ressurreição. Haviam conspirado para armar-lhe uma cilada, mas ele lhes ensinou as verdades simples do evangelho vivo. ¶
“Não lestes o que Deus vos declarou?” perguntou ele. ¶
“Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos. ¶
“E as multidões, ouvindo isso, ficaram maravilhadas da sua doutrina” (Mateus 22:31–33). ¶
Mais tarde, ao se reunirem para celebrar a Páscoa, Jesus e seus apóstolos participaram dos emblemas sacramentais que ele instituiu naquela última ceia juntos, e depois caminharam até o Monte das Oliveiras. ¶
Mestre até o fim, ele prosseguiu seu discurso sobre o tema do cordeiro sacrificial. Disse-lhes que seria ferido, e que eles se dispersariam como ovelhas sem pastor (ver Mateus 26:31). “Mas depois de eu ressuscitar,” disse ele, “irei adiante de vós para a Galileia” (Mateus 26:32). ¶
Nas horas que se seguiram, suou gotas de sangue, foi açoitado pelos próprios líderes que se diziam guardiões de sua lei, e foi crucificado na companhia de ladrões. Foi como profetizou o Rei Benjamim no Livro de Mórmon: “E eis que sofrerá tentações e dores corporais, fome, sede e cansaço maiores do que o homem pode suportar sem morrer; eis que sairá sangue de cada um de seus poros, tão grande será a sua angústia pelas iniquidades e abominações de seu povo. … ¶
“… vem aos seus para que a salvação seja concedida aos filhos dos homens; … e mesmo depois de tudo isso, considerá-lo-ão um homem e dirão que está endemoninhado; e açoitá-lo-ão e crucificá-lo-ão” (Mosias 3:7, 9). ¶
Devemos ao profeta Alma o conhecimento da plena medida de Seu sofrimento: “Ele seguirá, sofrendo dores e aflições e tentações de toda espécie; e isto para que se cumpra a palavra que diz que ele tomará sobre si as dores e as enfermidades de seu povo. ¶
“E tomará sobre si a morte, para soltar as ligaduras da morte que prendem o seu povo; e tomará sobre si as suas enfermidades, para que se lhe encham de misericórdia as entranhas, segundo a carne, para que saiba, segundo a carne, como socorrer seu povo, de acordo com suas enfermidades” (Alma 7:11–12). ¶
Pensai nisso! Quando seu corpo foi retirado da cruz e apressadamente colocado num túmulo emprestado, ele, o Filho de Deus sem pecado, já havia tomado sobre si não apenas os pecados e as tentações de toda alma humana que se arrependa, mas também toda a nossa enfermidade, aflição e dor de toda espécie. Ele sofreu essas aflições como nós as sofremos, segundo a carne. Ele as sofreu todas. Fez isso para aperfeiçoar sua misericórdia e sua capacidade de nos erguer acima de toda provação terrena. ¶
Mas ainda restava mais um conjunto de cadeias a ser rompido antes que a Expiação pudesse ser completa: as ligaduras da morte. Os profetas do Antigo Testamento haviam ensinado que a Ressurreição seria certa e universal. Também os profetas do Livro de Mórmon ensinaram a doutrina da Ressurreição com grande clareza. Néfi escreveu: ¶
“Eis que eles o crucificarão; e depois de permanecer numa sepultura pelo espaço de três dias, levantar-se-á dentre os mortos, com poder de cura em suas asas; e todos os que crerem em seu nome serão salvos no reino de Deus” (2 Néfi 25:13). ¶
E Samuel, o Lamanita, profetizou aos nefitas: ¶
“Pois eis que ele certamente deverá morrer para que venha a salvação; sim, cabe-lhe morrer e isso é necessário para levar a efeito a ressurreição dos mortos, para que assim os homens possam ser conduzidos à presença do Senhor” (Helamã 14:15). ¶
A Enoque foi mostrado em visão o dia da vinda do Filho do Homem: ¶
“E o Senhor disse a Enoque: Olha; e ele olhou e viu o Filho do Homem levantado na cruz, segundo o costume dos homens; ¶
“E ele ouviu uma alta voz; e os céus foram cobertos; e todas as criações de Deus choraram; e a Terra gemeu; e as rochas partiram-se; e os santos levantaram-se e foram coroados à direita do Filho do Homem, com coroas de glória; ¶
“E todos os espíritos que estavam na prisão saíram e puseram-se à direita de Deus; e o restante foi retido em cadeias de trevas até o julgamento do grande dia” (Moisés 7:55–57). ¶
Ao raiar daquele terceiro dia, Maria Madalena e “a outra Maria” haviam ido ao sepulcro em que fora depositado seu corpo sem vida. Antes, os principais sacerdotes e os fariseus haviam procurado Pilatos e o haviam persuadido a pôr uma guarda à porta do sepulcro, “não seja caso que os seus discípulos vão de noite, e o furtem, e digam ao povo: Ressuscitou dos mortos” (Mateus 27:64). Mas dois poderosos anjos haviam removido a pedra da porta do túmulo, e os que deveriam montar guarda haviam fugido apavorados diante da cena. ¶
Quando as mulheres chegaram ao túmulo, encontraram-no aberto e vazio. Os anjos haviam esperado para lhes dar a maior notícia que jamais chegou a ouvidos humanos: “Não está aqui, porque já ressuscitou, como tinha dito” (Mateus 28:6). ¶
A ressurreição de Jesus foi seguida imediatamente pela ressurreição de outras almas justas. Mateus registra que “abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados, ¶
“e saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos” (Mateus 27:52–53). ¶
Nos dias que se seguiram à sua ressurreição, o Senhor apareceu a muitos. Mostrou-lhes suas cinco marcas especiais. Andou, conversou e comeu com eles, como que para provar, além de qualquer dúvida, que um corpo ressuscitado é, de fato, um corpo físico de carne e ossos tangíveis. Mais tarde, ministrou aos nefitas, a quem ordenou: “Levantai-vos e aproximai-vos de mim, para que possais meter as mãos no meu lado e também apalpar as marcas dos cravos em minhas mãos e em meus pés, a fim de que saibais que eu sou o Deus de Israel e o Deus de toda a Terra e fui morto pelos pecados do mundo. ¶
“… a multidão se adiantou e meteu as mãos no seu lado e apalpou as marcas dos cravos em suas mãos e seus pés; e isto fizeram, adiantando-se um por um, até que todos viram com os próprios olhos, apalparam com as mãos e souberam com toda a certeza, testemunhando que ele era aquele sobre quem os profetas escreveram que haveria de vir” (3 Néfi 11:14–15). ¶
É responsabilidade e alegria de todos os homens e mulheres, em toda parte, “buscar esse Jesus sobre quem os profetas e apóstolos [testificaram]” (Éter 12:41) e ter o testemunho espiritual de sua divindade. É direito e bênção de todos os que buscam humildemente ouvir a voz do Espírito Santo, dando testemunho do Pai e de seu Filho ressuscitado. ¶
Como alguém chamado e ordenado para dar testemunho do nome de Jesus Cristo a todo o mundo, testifico, nesta época pascal, que ele vive. Ele tem um corpo glorificado, imortal, de carne e ossos. Ele é o Filho Unigênito do Pai na carne. Ele é o Salvador, a Luz e a Vida do mundo. Após sua crucificação e morte, apareceu como um ser ressuscitado a Maria, a Pedro, a Paulo e a muitos outros. Mostrou-se aos nefitas. Mostrou-se a Joseph Smith, o jovem profeta, e a muitos outros em nossa dispensação. Esta é a Sua igreja; ele a lidera hoje por meio de seu profeta, Ezra Taft Benson. Disto testifico em nome de Jesus Cristo, amém. ¶