Vida Após a Vida
Russell M. Nelson
Neste púlpito hoje, sinto-me verdadeiramente honrado por suceder ao Presidente da Igreja, Presidente Ezra Taft Benson. Eu o sustento como um profeta vivo de Deus! Ele foi ordenado Apóstolo em 1943, antes de eu ingressar na faculdade de medicina. Agora ele é o Apóstolo mais antigo na terra, e tenho o privilégio de acrescentar minha gratidão por um profeta e por sua mensagem de instrução e inspiração. ¶
Ele nos ensinou sobre o ministério do Senhor ressuscitado aos habitantes da América antiga. Este precioso conhecimento registrado no Livro de Mórmon é de transcendente importância para todos os povos. Verdadeiramente, o Livro de Mórmon é outro testamento de Jesus Cristo! ¶
Enquanto o Presidente Benson falava, meus pensamentos retornaram momentaneamente, alguns anos atrás, a uma conversa que tive com um editor de livros. Ele estava interessado no tema da possível continuação da vida após aquilo que conhecemos como morte. O editor perguntou se eu poderia contribuir com relatos de pacientes que haviam chegado perto o suficiente da morte para experimentar o outro lado e, ainda assim, sobreviveram para compartilhar esses relatos. Percebendo o interesse do público nesse assunto, ele intitularia o livro Vida Após a Vida. ¶
Ao considerar aquele pedido, lembrei-me de muitos incidentes desse tipo que me haviam sido confidenciados em segredo ao longo dos anos. Mas esses pareciam sagrados demais para serem compartilhados de maneira mundana, especialmente em benefício de um empreendimento comercial. Além disso, qual seria a validade de relatos isolados de vida após a vida sem testemunhos de apoio de testemunhas? ¶
Para mim, muito mais lógico e convincente seria um estudo de evidências bem documentadas e cuidadosamente testemunhadas de vida após a vida. ¶
O Presidente Benson falou de um desses registros inestimáveis. As atividades do Cristo vivo na América seguiram-se à sua própria ressurreição dentre os mortos. Muitas testemunhas, em muitos lugares, viram o Senhor ressuscitado, antes, durante e depois do relato ao qual o Presidente Benson se referiu. ¶
Aos Associados na Terra Santa
A primeira pessoa mortal que se sabe ter visto o Salvador ressuscitado foi Maria Madalena (ver João 20:16–17). ¶
Outro aparecimento registrado do Senhor ressuscitado foi a outras mulheres. Testemunharam esse acontecimento Maria (mãe de Tiago), Salomé (mãe de Tiago e João), Joana, Susana e muitas outras (ver Marcos 16:1; Lucas 8:3). ¶
Jesus apareceu a Simão Pedro (ver 1 Coríntios 15:5), o Apóstolo mais antigo, que detinha então as chaves da autoridade do sacerdócio na terra, assim como o Presidente Benson a detém agora. ¶
Mais tarde, no mesmo dia, Cleofas e presumivelmente Lucas, enquanto viajavam pelo caminho de Emaús, foram encontrados pelo Senhor ressuscitado. O Salvador partilhou alimento com eles (ver Lucas 24:30, 33). ¶
Ele também se revelou aos Apóstolos em um cenáculo. Mostrou-lhes as mãos e os pés. "Então eles apresentaram-lhe parte de um peixe assado, e um favo de mel; o que ele … comeu diante deles" (Lucas 24:42–43). ¶
Oito dias depois de assim ter aparecido aos Apóstolos, Jesus veio novamente a eles. Desta vez, o cético Tomé estava presente (ver João 20:26–28). Cristo disse a Tomé: "Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram, e creram" (João 20:29). ¶
No mar de Tiberíades, Jesus apareceu a sete dos Doze, que haviam pescado a noite toda e nada haviam apanhado. O Mestre então fez com que suas redes se enchessem de peixes. Mais tarde, Pedro foi instruído a apascentar o rebanho de Deus (ver João 21:1–24). ¶
Talvez a maior congregação na Palestina a testemunhar o Senhor ressuscitado tenha ocorrido no monte próximo à costa da Galileia. Ali ele foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez! (ver 1 Coríntios 15:6). ¶
Mais tarde, o Mestre novamente levou os onze para "o monte que Jesus lhes tinha designado." Ali ele deu aquele encargo eterno a seus Apóstolos: "Ide, portanto, ensinai todas as nações" (Mateus 28:16, 19). ¶
Então Jesus foi visto por seu irmão, Tiago, que se tornou um de seus discípulos especiais (ver 1 Coríntios 15:7). ¶
Paulo acrescentou: "E por último de todos, foi visto também por mim" (1 Coríntios 15:8; ver também Atos 9:4–5). ¶
Antes de sua ascensão do Monte das Oliveiras, Jesus despediu-se dos líderes de sua Igreja na Ásia e profetizou: "ser-me-eis testemunhas … até os confins da terra" (Atos 1:8; ver também Marcos 16:19, Lucas 24:50–51). ¶
Quando Estêvão foi apedrejado como mártir junto ao portão de Jerusalém, ele "fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus" (Atos 7:55). ¶
Aos Nefitas
- O ministério do Senhor ressuscitado aos nefitas que viveram no hemisfério americano foi tratado tão eloquentemente pelo Presidente Benson. Ele nos disse que ali pelo menos duas mil e quinhentas almas (ver 3 Néfi 17:25) ouviram sua voz, sentiram as marcas dos cravos em suas mãos e pés, e meteram as mãos em seu lado (ver 3 Néfi 11:7–17). Tenho a impressão de que muitos deles molharam seus pés com lágrimas de alegre adoração.
Aos Mortos
- O ministério pós-mortal do Senhor continuou em outros domínios. Jesus ministrou aos mortos no mundo espiritual pós-terreno (ver 3 Néfi 23:9–10). Pedro testificou que "para isso foi o evangelho pregado também aos mortos, para que, na verdade, fossem julgados segundo os homens na carne, porém vivessem segundo Deus em espírito" (1 Pedro 4:6; ver também 1 Pedro 3:19–21).
João também ensinou sobre isso: "os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão" (João 5:25). Em nossos dias, escrituras adicionais foram acrescentadas que atestam o ministério do Senhor vivo entre os mortos (ver D&C 138). ¶
Às Tribos Perdidas
- No Livro de Mórmon lemos que Jesus haveria de visitar as tribos perdidas da casa de Israel — para fazer por elas, presumimos, o que fizera pelas demais (ver 2 Néfi 29:13; 3 Néfi 17:4; 21:26).
Aos Desta Dispensação
Após quase dois mil anos, novas testemunhas da ressurreição de Jesus acrescentaram seus testemunhos a essa verdade transcendente. ¶
O Profeta Joseph Smith foi visitado em 1820 por Deus, o Pai, e seu Filho, o Senhor ressuscitado (ver Joseph Smith—História 1:17). Joseph os viu e ouviu suas vozes. Ele recebeu um testemunho pessoal da filiação divina de Jesus do próprio Pai. Joseph aprendeu que "o Pai tem um corpo de carne e ossos tão tangível como o do homem; o Filho também" (D&C 130:22). ¶
Doze anos depois, o Salvador novamente se revelou a Joseph Smith e a Sidney Rigdon. "Nós o vimos," exclamaram eles, "sim, à direita de Deus; e ouvimos a voz testificando que ele é o Unigênito do Pai" (D&C 76:23). ¶
Em 3 de abril de 1836 (151 anos atrás, ontem), com Oliver Cowdery no Templo de Kirtland, o Profeta Joseph viu o Mestre mais uma vez: ¶
"Vimos o Senhor de pé no parapeito do púlpito, diante de nós; … ¶
"Os seus olhos eram como uma labareda de fogo; os cabelos de sua cabeça eram brancos como a pura neve; o seu semblante resplandecia mais do que o brilho do sol; e a sua voz era como o ruído de muitas águas, sim, a voz de Jeová, que dizia: ¶
"Eu sou o primeiro e o último; sou o que vive, sou o que foi morto; eu sou o vosso advogado junto ao Pai" (D&C 110:2–4). ¶
Sim, a ressurreição de Jesus Cristo é um dos acontecimentos mais cuidadosamente documentados da história. Mencionei muitos desses aparecimentos, mas outros exemplos foram registrados. ¶
Ainda mais notável é o fato de que sua missão entre os homens — a Expiação, a Ressurreição — estende a cada um de nós privilégios de redenção do pecado e uma ressurreição gloriosa! De alguma forma maravilhosa, plenamente compreendida apenas pela Divindade, esta é sua obra e sua glória — "levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem" (Moisés 1:39). ¶
Os professores da Igreja assim instruem tanto os idosos quanto os jovens. Às vezes os resultados são cômicos. Um líder compartilhou comigo esta história: ¶
Certo dia, um menino voltou da Primária para casa, e sua mãe lhe perguntou o que ele havia aprendido. Ele respondeu: "Minha professora me disse que eu costumava ser pó e que voltaria a ser pó novamente. Isso é verdade, mamãe?" ¶
"Sim," respondeu a mãe. "As escrituras nos dizem isso: 'Porquanto és pó, e ao pó retornarás' (Gênesis 3:19)." ¶
O menino ficou maravilhado com isso! Na manhã seguinte, ele corria de um lado para outro se aprontando para a escola, procurando seus sapatos. Engatinhou por baixo da cama. E eis que viu ali bolinhas de pó. Correu até sua mãe, maravilhado, dizendo: "Ah, mamãe, tem alguém debaixo da minha cama, e ou está chegando ou está indo embora." ¶
A Natureza da Ressurreição
Sim, compostos derivados do pó — elementos da terra — combinam-se para formar cada célula viva de nosso corpo. O milagre da Ressurreição só é igualado pelo milagre de nossa criação original. ¶
Ninguém sabe precisamente como duas células germinativas se unem para formar uma só. Tampouco sabemos como essa célula resultante se multiplica e se divide para formar outras — algumas para se tornarem olhos que veem, ouvidos que ouvem, ou dedos que sentem coisas maravilhosas ao nosso redor. Cada célula contém cromossomos com milhares de genes, assegurando quimicamente a identidade e a independência de cada indivíduo. Nosso corpo passa por constante reconstrução segundo receitas genéticas que nos são exclusivas. Cada vez que tomamos banho, perdemos não apenas sujeira, mas células mortas e moribundas, que são substituídas por uma nova geração. Esse processo de regeneração e renovação é apenas um prelúdio do prometido fenômeno e fato futuro de nossa ressurreição. ¶
"Morrendo o homem, porventura tornará a viver?" perguntou Jó (Jó 14:14). Em fé, ele mesmo respondeu à sua pergunta: ¶
"Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra: ¶
"E depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus" (Jó 19:25–26). ¶
Por ocasião de nossa ressurreição, assumiremos nossos tabernáculos imortais. Corpos que hoje envelhecem, se deterioram e se decompõem não estarão mais sujeitos a processos de degeneração: "este corpo mortal se revista da imortalidade" (1 Coríntios 15:53). ¶
Este grande poder do sacerdócio da ressurreição está investido no Senhor deste mundo. Ele ensinou que "é-me dado todo o poder no céu e na terra" (Mateus 28:18). Embora tenha suplicado a seu Pai por ajuda na hora derradeira, a vitória final sobre a morte foi conquistada pelo Filho. Estas são suas palavras: ¶
"Por isso o Pai me ama, porque dou a minha vida, para tornar a tomá-la. ¶
"Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai" (João 10:17–18). ¶
Esse poder ele proclamou sutilmente quando disse aos judeus: ¶
"Derrubai este templo, e em três dias o levantarei. … Porém ele falava do templo do seu corpo" (João 2:19–21). ¶
As chaves da Ressurreição repousam com segurança em nosso Senhor e Mestre. Ele disse: ¶
"Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá: ¶
"E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá" (João 11:25–26). ¶
Mas a obediência aos mandamentos de Deus é indispensável para que alguém seja ressuscitado com um corpo celestial. As leis que conduzem à glória celestial serão discutidas nesta conferência. Nosso desafio é aprendê-las e vivê-las. ¶
Agradeço a Deus por seu Filho, Jesus Cristo, por sua missão na mortalidade e por seu ministério como o Senhor ressuscitado. Ele realizou sua própria ressurreição. Testemunhos de milhares, de tempos antigos e modernos, atestam a verdade de que o Jesus ressuscitado é o Salvador da humanidade. Ele efetuou uma ressurreição universal: "assim como todos morrem em Adão, assim também em Cristo todos serão vivificados" (1 Coríntios 15:22; ver também Mosias 3:16). ¶
Seu sacrifício e sua glória asseguram que "o espírito e o corpo serão novamente reunidos em sua perfeita forma; os membros e juntas serão restaurados à sua devida estrutura, tal como nos achamos neste momento" (Alma 11:43). ¶
Com gratidão e convicção, afirmo que há vida após a vida, primeiro no mundo espiritual e depois na Ressurreição, para cada um de nós. Sei que Deus vive e que Jesus, o Cristo, é seu Filho. Ele é "a ressurreição e a vida" (João 11:25). Ele vive. Ele é meu Mestre. Sou seu servo. Com todo o meu coração, eu o amo e dele testifico, em seu santo nome — o nome de Jesus Cristo, amém. ¶