Alguns Têm Compaixão, Fazendo a Diferença
Robert D. Hales
As pessoas de cada dispensação têm recebido o ensinamento e a admoestação dos profetas viventes para cuidar umas das outras. ¶
Os filhos de Mosias “desejavam que a salvação fosse declarada a toda criatura, porque não podiam suportar que qualquer alma humana se perdesse; e até mesmo a ideia de que alguma alma tivesse de sofrer o tormento eterno fazia-os tremer e estremecer” (Mosias 28:3). ¶
Esse espírito de estar ansiosamente engajado em cuidar daqueles que não estão participando das bênçãos do evangelho não se limita aos que são chamados como pastores, mas deve permear a vida de todos os filhos de Deus. ¶
Verdadeiros pastores nutrem e cuidam de cada membro do rebanho e os mantêm em memória. Eles não se limitam a contá-los. Os pastores conhecem e cuidam de seu rebanho. Um pastor não pode descansar quando sequer uma ovelha do rebanho está perdida. ¶
Há alguns anos, quando eu era jovem, tive a oportunidade de trabalhar nos verões em um rancho com meu sábio tio Frank, que me ensinou uma importante lição sobre o pastoreio. Ele me descreveu como os cordeiros são atraídos e afastados da segurança do lado de suas mães e do rebanho que os ama e cuida deles. ¶
Coiotes astutos mandam seus filhotes brincar perto do rebanho — correndo, saltando, rolando — parece tão convidativo aos pequenos cordeiros. Os filhotes brincalhões parecem estar se divertindo tanto que os cordeiros são atraídos a se afastar do ambiente protetor do rebanho e do lado carinhoso de suas mães. Em sua inocência, eles não percebem que os coiotes adultos estão se movendo em círculo, prontos para atacar e isolá-los do rebanho, matando-os e devorando-os por fim. ¶
Esse também é o caminho de Satanás. Ele usa nosso arbítrio para nos atrair com aparentes “bons momentos”. Em pouco tempo podemos ficar presos e, se não formos trazidos de volta ao rebanho, não poderemos ir ao templo, fazer os convênios e receber as ordenanças necessárias para alcançar a vida eterna, para que possamos viver na presença de Deus, o Pai, e de Jesus Cristo. ¶
Alguns de nós já se desviaram em algum momento. Alguns se arrependeram e voltaram; mas alguns, por um motivo ou outro, ainda estão à espera do momento certo, da pessoa certa ou do conjunto certo de circunstâncias para voltar. ¶
Como pastores membros do rebanho de nosso Pai Celestial, não devemos julgar por que alguns se desviaram, mas sim nos esforçar incessantemente para trazê-los de volta ao aprisco, sabendo que Jesus pode curá-los quando mais ninguém pode. ¶
Em 1829, o Senhor nos instruiu, por meio de seu primeiro profeta dos últimos dias, Joseph Smith, a “lembrar-vos de que o valor das almas é grande à vista de Deus; … E quão grande é sua alegria pela alma que se arrepende!” (D&C 18:10, 13). Precisamos ser como Leí, que disse, nos tempos do Livro de Mórmon: “Não tenho outro objetivo que não seja o eterno bem-estar de vossa alma” (2 Néfi 2:30). ¶
Nesta, a última dispensação, temos profetas para nos guiar e dirigir com seus conselhos. ¶
Uma proclamação significativa foi dada pela Primeira Presidência na época do Natal de 1985. Foi um convite para voltar. Por causa da importância dessa mensagem especial dos profetas em nossos dias, permitam-me compartilhar algumas das principais admoestações que se aplicam a cada um de nós ao servirmos uns aos outros. ¶
A mensagem da Primeira Presidência dizia, em parte: ¶
“Estamos cientes de alguns que estão inativos, de outros que se tornaram críticos e propensos a encontrar defeitos, e daqueles que foram desassociados ou excomungados por causa de transgressões graves. ¶
“Encorajamos os membros da Igreja a perdoar aqueles que possam tê-los ofendido. Àqueles que deixaram de ser ativos e aos que se tornaram críticos, dizemos: ‘Voltem. Voltem e banqueteiem-se à mesa do Senhor, e provem novamente os frutos doces e satisfatórios da comunhão com os santos.’ ¶
“Estamos confiantes de que muitos têm desejado voltar, mas se sentem constrangidos em fazê-lo. Garantimos-lhes que encontrarão braços abertos para recebê-los e mãos dispostas a ajudá-los. … ¶
“Sabemos que há muitos que carregam pesados fardos de culpa e amargura. A esses dizemos: ‘Deixem-nos de lado e deem ouvidos às palavras do Salvador: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. ¶
“‘“Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para a vossa alma. ¶
“‘“Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve”’ (Mateus 11:28–30). ¶
“Nós lhes suplicamos. Oramos por vocês. Nós os convidamos e recebemos com amor e gratidão” (Ensign, mar. de 1986, p. 88; itálico acrescentado). ¶
Para você e para mim, como membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, nossas responsabilidades são claras; devemos: ¶
Devemos fazer como Judas, irmão de Tiago, admoestou: ¶
“Tende compaixão, fazendo a diferença” (Judas 1:22; itálico acrescentado). ¶
Existem princípios que nos ajudarão a “ter compaixão, fazendo a diferença”. Esses princípios estão contidos em Lucas, capítulo 15, onde Jesus usou três parábolas para nos dar exemplos da importância que Ele atribuía a encontrar os que estão perdidos e a prestar “compaixão, fazendo a diferença”. ¶
Na parábola da ovelha perdida, o pastor foi atrás da ovelha perdida e procurou até encontrar o cordeiro perdido. Em seguida, voltou, regozijando-se (ver versículos 4–7). ¶
Na parábola da moeda perdida, a viúva acendeu uma candeia, que deu luz, e varreu cada canto para encontrar a moeda perdida. Ela se regozijou ao encontrá-la (ver versículos 8–10). ¶
Ambas as parábolas são exemplos de ações tomadas para procurar, iluminar as trevas e varrer até que um bem precioso ou uma alma perdida seja encontrada e devolvida a um lar que se regozija. ¶
Por outro lado, na parábola do filho pródigo, um pai amoroso esperou pacientemente que seu filho “caísse em si” (ver versículos 11–32). Ele proporcionou em casa um ambiente de amor para receber seu filho de braços abertos e mãos dispostas, para que pudessem se regozijar juntos. O segredo é que o filho sabia que, ao voltar, seria amado e bem-vindo em casa por seu pai. ¶
Voltar para casa também pode ter seus desafios. Quando o filho pródigo voltou para casa, seu irmão fiel teve ciúme da atenção dada ao irmão arrependido. O irmão fiel era crítico e não havia se desenvolvido espiritualmente o suficiente para se regozijar com o retorno do irmão. O pai teve de reassegurar seu amor ao filho fiel. ¶
Agora o filho pródigo que voltava teve a oportunidade de praticar, para com seu irmão ciumento, a mesma atitude de perdão e aceitação que estava recebendo de seu pai. Aqueles que voltam precisam ter uma atitude de perdão para com as falhas dos outros, ou o arrependimento completo não é possível. ¶
Se quisermos que o Senhor e os outros perdoem nossas falhas, devemos ser tolerantes com os outros. Aqueles que “voltam” não devem ser críticos, mas devem lembrar que nenhum de nós é perfeito também. ¶
Como membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, como podemos desenvolver, em nossos lares e capelas, um ambiente de cuidado que dê conforto àqueles que querem voltar, sabendo que serão recebidos e amados ao retornar? ¶
Um bom exemplo de compaixão e serviço fazendo a diferença é o exemplo de Don e Marian Summers, que representa as experiências de muitos outros casais missionários. Enquanto serviam na Inglaterra, foram convidados a servir os últimos seis meses de sua missão no Ramo Swindon, para ensinar e ajudar a reativar membros. Havia oitenta anos que Swindon era um ramo com poucos fiéis e com muitos bons membros se tornando menos ativos. ¶
Don e Marian recentemente me escreveram, relembrando o seguinte: ¶
“Nossa primeira visita ao Ramo Swindon foi um pouco desanimadora, pois nos reunimos com os santos em um salão alugado e frio. A congregação contava dezessete pessoas, incluindo o Presidente e a Irmã Hales e quatro missionários. Ainda com nossos casacos de inverno, todos nos amontoamos ao redor de um aquecedor pequeno e insuficiente enquanto ouvíamos uma aula da Escola Dominical.” ¶
A carta continuava: ¶
“Um membro do ramo se aproximou de mim um dia: ‘Élder Summers, posso lhe dar um conselho? Nunca mencione a palavra dízimo aos membros de Swindon; eles realmente não acreditam nisso, e tudo o que você vai fazer é aborrecê-los.’” ¶
O irmão Summers disse: “Nós ensinamos o dízimo e todos os outros princípios do evangelho. Com o exemplo e o incentivo de um presidente de ramo, houve uma mudança de coração, e a fé e a atividade começaram a aumentar. Os registros de membros foram totalmente atualizados à medida que visitávamos o lar de cada membro. Quando os líderes começaram a se importar, os membros começaram a responder, e um espírito totalmente novo permeou o ramo. Os membros voltaram a se entusiasmar com o evangelho e em ajudar uns aos outros. ¶
“Realizamos serões em nossos lares e trabalhamos de perto com a estaca e outros missionários de proselitismo. Fizemos uma promessa ao Senhor de que não deixaríamos nenhum membro novo ou reativado cair na inatividade enquanto estivéssemos em Swindon. ¶
“Um casal jovem teve uma adaptação difícil, pois seus costumes, modos e vestimentas eram diferentes. Eles se ofenderam com as sugestões de mudança. O casal escreveu duas vezes ao bispo [já que, àquela altura, era uma ala] pedindo que seus nomes fossem removidos dos registros da Igreja. Na última carta, proibiram que qualquer membro os visitasse; então Marian e eu fomos à floricultura e compramos um belo vaso de crisântemos e o mandamos entregar ao casal jovem. Era um simples bilhete: ‘Nós os amamos; sentimos sua falta; precisamos de vocês. Por favor, voltem.’ Assinado, Ala Swindon. ¶
“O domingo seguinte foi de reunião de jejum e testemunho, e nosso último domingo em Swindon. Havia 103 membros presentes, comparados aos dezessete de seis meses antes. O casal jovem estava lá e, ao prestar seu testemunho, o marido agradeceu à Ala Swindon por não ter desistido deles.” ¶
Cada um de nós pode ter experiências semelhantes em nossas alas e ramos locais, trabalhando com aqueles que estão menos ativos e amando-os. Que alegria é oferecer “compaixão, fazendo a diferença” àqueles que talvez estejam prontos para se encontrar e, então, queiram voltar. ¶
A respeito daqueles que não estavam contados entre Seu povo, Jesus disse aos nefitas: ¶
“Não obstante, não o expulsareis de vossas sinagogas nem de vossos lugares de adoração, pois junto a esses deveis continuar a ministrar; porque não sabeis se eles irão voltar e arrepender-se, e vir a mim com toda a sinceridade de coração, e eu irei curá-los; e sereis vós o meio de levar-lhes salvação” (3 Néfi 18:32; itálico acrescentado). ¶
Irmãos e irmãs, que possamos deixar esta conferência com uma determinação renovada, por meio de nossas orações de fé e “compaixão, fazendo a diferença”, para trazer de volta pelo menos uma alma preciosa à salvação e à exaltação. Que a oração de Alma também seja a nossa oração: ¶
“Ó Senhor, conforta-me a alma e faze com que eu tenha êxito, assim como os companheiros que estão comigo. … ¶
“Concede-lhes forças para suportarem as aflições que lhes advirão. … ¶
“Ó Senhor, permite que tenhamos êxito em trazê-los novamente a ti, em Cristo. ¶
“Eis, ó Senhor, que sua alma é preciosa, e muitos deles são nossos irmãos; portanto, dá-nos, ó Senhor, poder e sabedoria para trazermos esses nossos irmãos novamente a ti” (Alma 31:32–35; itálico acrescentado). ¶
“Nós os amamos; sentimos sua falta; precisamos de vocês. Por favor, voltem.” Voltem para ir ao templo, fazer os convênios e receber as ordenanças da salvação eterna. Em nome de nosso Salvador e Redentor, Jesus Cristo, amém. ¶