Segurança Espiritual
Charles A. Didier
Desde o princípio, a verdade e o conhecimento sobre nós mesmos e sobre o nosso ambiente têm sido uma busca do homem natural e o têm levado a grandes descobertas científicas, bem como a teorias discutíveis. Parece não haver limite para as suas perguntas, e as respostas propostas que podem ter sido verdadeiras ontem provavelmente mudarão hoje e novamente amanhã. ¶
Essa busca não se limita apenas à ciência, mas a todos os aspectos de nossa vida. Mais do que nunca, nossos valores e papéis como homens, mulheres e crianças estão sendo desafiados e examinados — supostamente para libertar os indivíduos da ansiedade, da escravidão, dos temores e do fanatismo, e para lhes dar uma sensação de segurança. Parece que o homem natural sempre deseja adequar suas verdades e seu conhecimento à sua própria segurança carnal. ¶
Submerso nesse fluxo contínuo de reconsideração conflitante de todo valor possível, não se deve estranhar que essas mudanças constantes tragam um estado de constante insegurança, em vez de segurança, à vida das pessoas comuns, a ponto de muitos, especialmente os jovens, terem abdicado de suas responsabilidades, e muitos até terem desistido da vida. Que paradoxo! ¶
Em nossa vida de provações e tribulações e de mudanças constantes, é evidente que todos buscamos alguma medida de segurança — algo firme e imutável a que nos apegar — e nos cercamos de todo tipo de dispositivos ou organizações que trazem a palavra segurança. Por exemplo, usamos cobertores de segurança para acalmar e confortar nossos filhos. Instalamos sistemas de segurança para proteger nossos lares e nossos bens pessoais. O sistema de Previdência Social foi criado como proteção contra as tempestades temporais. No cenário político, o Conselho de Segurança das Nações Unidas tenta manter a paz entre as nações do mundo. Às vezes nos divertimos com essa busca incessante pela chamada segurança, mas a exigimos e estamos dispostos a pagar por ela. Contudo, apesar de todos os nossos esforços, ainda não obtemos a segurança real que buscamos. Será porque depositamos nossa confiança no braço de carne? ¶
A segurança é um ingrediente essencial em nossa vida. Ela inclui o conhecimento sobre nossa verdadeira identidade e o propósito da vida, como interagir com os outros e como enfrentar nossas adversidades e desafios diários. Pode ser uma questão de vida ou morte. Todos os dias de nossa vida nos deparamos com o que é bom e o que é mau, o que é certo e o que é errado. Da infância à velhice, se não nos sentirmos seguros ou se vivermos enganados pela segurança carnal, nossas atitudes, nossos objetivos e nossos relacionamentos com os outros sofrerão. Quando obtemos uma sensação de segurança de pais amorosos quando crianças e continuamos a experimentar a segurança desfrutada ao obedecer às leis, abençoamos nossa própria vida e a vida dos outros. A verdadeira questão, então, sempre foi onde e como encontrar a segurança reta, em oposição à segurança carnal. Para nosso propósito aqui, chamaremos a segurança reta de segurança espiritual. ¶
A segurança espiritual proporciona vantagens interessantes: não é preciso pagar impostos sobre ela, ela não muda, não tira sua liberdade nem seu livre-arbítrio, e traz resultados positivos, reconfortantes, espirituais e eternos. ¶
A segurança não pode ser garantida, porque o livre-arbítrio também traz insegurança, e a segurança espiritual não suprime nem elimina automaticamente o perigo, a opressão ou a oposição. ¶
Então, como podemos obter a segurança espiritual? A resposta é muito simples — talvez simples demais para muitos: primeiro, voltar-se para o Senhor. O rei Limhi disse: "Se vos voltardes para o Senhor com todo o coração e colocardes vossa confiança nele e o servirdes com toda diligência de vossa mente, se assim fizerdes ele vos livrará do cativeiro, de acordo com a sua própria vontade e prazer" (Mosias 7:33). ¶
Segundo, confiar no Senhor. Como disse Néfi, o antigo: ¶
"Ó Senhor, confiei em ti e em ti confiarei sempre. Não porei minha confiança no braço de carne, pois sei que aquele que confia no braço de carne é maldito. Sim, maldito é aquele que confia no homem, ou seja, que faz da carne o seu braço. ¶
"Sim, sei que Deus dará com liberalidade ao que pedir" (2 Néfi 4:34–35). ¶
Voltar-se para o Senhor e confiar nele é aprender com suas revelações. A segurança espiritual vem da revelação que desvenda a verdadeira natureza da Divindade. O tipo de Deus em quem cremos geralmente determina o tipo de pessoas que somos e nos tornaremos. Sem a revelação sobre a verdadeira natureza da Divindade, o homem natural andará "em seu próprio caminho e segundo a imagem de seu próprio deus, cuja imagem é à semelhança do mundo" (D&C 1:16). ¶
A segurança espiritual deriva da revelação que descreve um plano de salvação para o nosso benefício. "Deus conversou com os homens e revelou-lhes o plano de redenção que havia sido preparado desde a fundação do mundo" (Alma 12:30). O plano de salvação dá uma direção a ser seguida, um modo seguro de nos fortalecermos contra as armadilhas do mundo. ¶
A segurança espiritual é a revelação que nos fala sobre a fonte do plano de salvação: Jesus Cristo. ¶
"E falamos de Cristo", disse Néfi, "regozijamo-nos em Cristo, pregamos a Cristo, profetizamos de Cristo e escrevemos de acordo com nossas profecias, para que nossos filhos saibam em que fonte procurar a remissão de seus pecados" (2 Néfi 25:26). A fonte é identificada, esclarecida e confirmada. Não precisamos buscar em nenhum outro lugar. ¶
A segurança espiritual vem da revelação que alivia a ansiedade da morte. "Há, porém, uma ressurreição; portanto, a sepultura não tem vitória e o aguilhão da morte é desfeito em Cristo" (Mosias 16:8). Como é reconfortante saber da realidade não somente da Ressurreição, mas também da vida eterna. ¶
"E o que é que deveis esperar? Eis que vos digo que deveis ter esperança de que, por intermédio da expiação de Cristo e do poder da sua ressurreição, sereis ressuscitados para a vida eterna" (Morôni 7:41). ¶
A segurança espiritual é fortalecida como resultado da revelação que promete um modo de vida imutável, permanente e eterno. ¶
"Porque não lemos que Deus é o mesmo ontem, hoje e para sempre e que nele não há variação nem sombra de mudança?" (Mórmon 9:9). Não há necessidade de revisões ou reconsiderações angustiantes e diárias de nossos valores. ¶
A segurança espiritual aumenta porque a revelação nos ensina sobre nossa verdadeira identidade e nosso relacionamento com Deus. Desde o princípio isso foi revelado a Adão: "Eis que tu és um em mim, um filho de Deus" (Moisés 6:68). Depois, foi revelado a outros, como Moisés: "E eis que tu és meu filho" (Moisés 1:4). "Tu és à semelhança de meu Unigênito; e meu Unigênito é e será o Salvador" (Moisés 1:6). Em nossos dias, isso também foi revelado a Joseph Smith, a Oliver Cowdery e a muitos outros: "Eis que eu te digo, meu filho" (D&C 9:1). ¶
Saber quem realmente somos nos prepara para usar esse conhecimento a fim de enfrentar as tentações, resisti-las e depois agir com retidão. Moisés, sabendo que era filho de Deus, conforme lhe fora revelado, disse a Satanás: "Vai-te, Satanás, não me enganes; pois Deus me disse: Tu és à semelhança de meu Unigênito" (Moisés 1:16). O resultado não tardou, quando o Senhor o chamou, dizendo: "Bendito és tu, Moisés, porque eu, o Todo-Poderoso, te escolhi; e serás mais forte que muitas águas, pois elas obedecerão a teu comando como se fosses Deus" (v. 25). A segurança espiritual torna-se evidente quando o Senhor acrescenta: "E eis que estou contigo, sim, até o fim de teus dias" (v. 26). ¶
A segurança espiritual é edificada pela revelação que descreve os papéis de homens e mulheres. Depois da Queda, o Pai Celestial dirigiu-se a Adão e Eva pessoal e diretamente e os instruiu sobre seus papéis. Relacionamentos, gênero, comportamento, casamento — todos os assuntos relacionados a homens e mulheres foram e continuam sendo claramente definidos para nos fortalecer em nossos papéis divinos. ¶
A segurança espiritual é fortalecida pela revelação que explica os resultados de obedecer aos mandamentos. "E ainda mais, quisera que considerásseis o estado abençoado e feliz daqueles que guardam os mandamentos de Deus. Pois eis que são abençoados em todas as coisas, tanto materiais como espirituais; e se eles se conservarem fiéis até o fim, serão recebidos no céu, para que assim possam habitar com Deus em um estado de felicidade sem fim" (Mosias 2:41). ¶
Por fim, a segurança espiritual é reforçada passo a passo pela revelação, e essa segurança se torna poder à medida que recebemos, uma a uma, as ordenanças de salvação. As ordenanças de salvação representam convênios com o Senhor. John A. Widtsoe disse: "Quando as ordenanças são realizadas, recebem-se bênçãos que dão poder ao homem, poder que pertence tanto aos afazeres cotidianos desta vida quanto à vida futura. Não é mero conhecimento; não é mera consagração; não é apenas um rótulo, por assim dizer; mas a efetiva concessão de um poder que pode ser usado todos os dias" (The Message of the Doctrine and Covenants, ed. G. Homer Durham, Salt Lake City: Bookcraft, 1969, p. 161). ¶
As revelações de ontem deram segurança ao povo quanto à vinda de Jesus Cristo e a garantia de que as palavras do Senhor, proferidas pelos santos profetas, sempre se cumprem. As revelações de hoje, contidas no Livro de Mórmon, ao qual me referi propositalmente, trazem a mesma promessa. O Presidente Ezra Taft Benson declarou: "Deus espera que usemos o Livro de Mórmon de várias maneiras. Devemos lê-lo nós mesmos. … ¶
"Devemos usar o Livro de Mórmon como base para o nosso ensino. … ¶
"Devemos aplicar a nós as escrituras do Livro de Mórmon, 'para nosso proveito e instrução' (1 Néfi 19:23). ¶
"Devemos usar o Livro de Mórmon para lidar com objeções à Igreja. … ¶
"[Nós] devemos ser … os relatores e as testemunhas do Livro de Mórmon até os confins da terra" (em Conference Report, abril de 1975, pp. 95–96; ou Ensign, maio de 1975, pp. 64–65). ¶
Por causa de sua mensagem para os nossos dias, o Livro de Mórmon nos ajuda a responder ao chamado de Deus e de um profeta vivo para nos tornarmos parceiros no plano de salvação e para construirmos a segurança espiritual, ajudando-nos a resistir e combater os falsos conceitos e as influências malignas de nosso tempo que trazem insegurança, infelicidade e a destruição de nossa ética e de nossos valores morais. ¶
Voltar-se para o Senhor e confiar nele por meio da revelação ajudará qualquer pessoa, em qualquer tempo, em qualquer parte do mundo, a compreender e interpretar corretamente e com retidão as experiências da vida a partir da única perspectiva verdadeira, que é a perspectiva do Senhor revelada ao homem. Voltar-se para o Senhor e confiar em suas revelações é viver de tal maneira a resistir às enchentes e aos ventos da dúvida e da incerteza. ¶
É verdadeiramente o alicerce de nosso compromisso de servir e de fazer as escolhas certas. Também traz a verdadeira segurança e estabelece as promessas feitas por Jesus Cristo quando vamos a ele. Seu jugo de fato se torna suave e seu fardo, leve. ¶
Testifico do poder da revelação pessoal e das escrituras em minha vida. Sei que Deus vive e que o Presidente Ezra Taft Benson é um profeta vivo. Em nome de Jesus Cristo, amém. ¶