"Chamados e Preparados desde a Fundação do Mundo"
Neal A. Maxwell
E se, nos jornais de amanhã e na televisão, estudiosos anunciassem, entusiasmados, que dezenas de páginas de escritos surpreendentes e significativos, entre eles os de Enoque, Abraão e Moisés, haviam sido encontrados? Esses surpreendentes escritos nos informam, entre muitas coisas importantes, como o Senhor instruiu Moisés, falou-lhe de outros mundos e, então, em régia resposta, disse a Moisés por que Deus criou e povoou este planeta. (Ver Moisés 1:4–6, 8, 10, 30, 37–39; Isaías 45:18.) Esses escritos indicam que Abraão e outros foram escolhidos em concílios pré-mortais, assim como Jeremias, muito antes de nascerem. (Ver Abraão 3:23; Jeremias 1:5.) Entre esse distinto grupo estava o décimo terceiro futuro Presidente de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, o Presidente Ezra Taft Benson. De fato, aprendemos que todos os homens fiéis do sacerdócio foram "chamados e preparados desde a fundação do mundo" (Alma 13:3), ainda que, segundo critérios seculares, sejam "as coisas fracas do mundo." (D&C 133:59.) ¶
Essa nova informação sobre Enoque é dezoito vezes maior do que a que consta na Bíblia. Além disso, aprendemos com ela que uma utopia humana já foi de fato alcançada, ao recebermos um retrato de um povo especial, a Cidade de Enoque. (Ver Moisés 7:17–19.) ¶
Essas tremendas descobertas também nos mostram que o evangelho de Jesus Cristo foi ensinado e suas ordenanças administradas nos dias de Adão, na aurora da história humana. (Ver Moisés 5:58–59.) Além disso, Adão reuniu sua posteridade justa três anos antes de sua morte. Ele os instruiu, os abençoou e profetizou a respeito do futuro. O próprio Senhor apareceu naquela reunião familiar tão especial. (Ver D&C 107:53–57.) ¶
Diante de descobertas tão sóbrias e libertadoras, não ficaríamos nós e muitos outros profundamente impressionados e muito atentos? Não haveria um alvoroço muito, muito maior do que aquele que acompanhou a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto e de outros escritos antigos? O mundo secular, é claro, daria apenas uma atenção passageira e logo voltaria às preocupações prementes do mundo. ¶
Como já sabem, esses "achados" são apenas uma parte da abundante Restauração, refletindo o notável ministério do Profeta Joseph Smith, por meio de quem houve tal derramamento. Percorrer essas verdades exige mais do que um passeio casual por suaves colinas; elas nos levam, isso sim, pelos cumes de tirar o fôlego da realidade até um Everest de entendimento. Em um dia claro, podemos enxergar para sempre! ¶
A Bíblia, em seu formato atual, totaliza pouco menos de mil e seiscentas páginas impressas, de múltiplos autores. A essas se somaram quase novecentas outras páginas impressas de escritura por meio do Profeta Joseph Smith — mais do que todos os escritos de Moisés, Paulo, Lucas e Mórmon combinados, tais como estão disponíveis hoje — ilustrando a significância quantitativa daquilo que nos veio por meio da Restauração. ¶
Citados nestas breves observações estão apenas alguns versículos, o equivalente a apenas três ou quatro páginas impressas em nossas escrituras atuais. Mas que enorme significância qualitativa é representada! ¶
Antes da Restauração, o vazio era muito real. Antes de conhecer Joseph Smith, Brigham Young disse que teria rastejado ao redor da Terra, de joelhos, para encontrar alguém como Moisés que pudesse lhe contar qualquer coisa "a respeito de Deus e do céu." (In Journal of Discourses, 8:228.) Por meio de Joseph Smith, temos páginas adicionais de Moisés a respeito de Deus e do céu. Basta-nos apenas estender a mão à estante de livros ou ir a uma reunião do sacerdócio. Talvez o caminho seja quase fácil e simples demais; talvez déssemos mais valor a ele se estivéssemos de joelhos. (Ver 1 Néfi 17:41.) Somente pesquisando as escrituras, e não usando-as ocasionalmente como livros de citações, podemos começar a compreender tanto as implicações quanto as declarações do evangelho. ¶
Por exemplo, três versículos de Alma, que tratam de preparações e chamados pré-mortais, romperam oficialmente séculos de silêncio a respeito da existência pré-mortal da humanidade. (Ver Alma 13:3–5.) Em 1833, veio uma confirmação adicional. Não apenas Jesus estava "no princípio com Deus," mas "o homem também estava no princípio com Deus. A inteligência, ou seja, a luz da verdade, não foi criada nem feita nem verdadeiramente pode sê-lo." (D&C 93:29.) ¶
Podemos, assim, cantar "Ó Meu Pai" (Hinos, 1985, nº 292) com real intenção e certezas de real pertencimento. ¶
Em 1832, Jesus, que foi visto nessa arrebatadora ocasião, foi acompanhado por uma voz que testificava que Jesus havia criado este e outros mundos, cujos habitantes são filhos e filhas gerados para Deus. (Ver D&C 76:23–24; João 1:3; Hebreus 1:2.) ¶
Irmãos, como podemos verdadeiramente compreender quem somos, a menos que saibamos quem fomos e o que temos o poder de nos tornar? Como pode haver identidade real sem história real? Como alguém pode compreender sua pequena trama individual sem conhecer, ainda que um pouco, os grandiosos planos galácticos do Pai? ¶
Em 1833, também veio informação indicando que Jesus cresceu "de graça em graça" até receber uma plenitude. (Ver D&C 93:13.) Isso é muito útil, especialmente à luz de como o Pai e o Filho nos têm incentivado, mais uma vez, a nos tornarmos mais como eles, desenvolvendo em nossa vida as qualidades exigidas. (Ver Mateus 5:48; 3 Néfi 12:48; 27:27.) O que Jesus ensinou em Seu Sermão da Montanha sobre lutar por essa grandiosa meta foi dito com toda a seriedade. Além disso, tendo sido aconselhados a nos tornarmos como crianças, somos firmemente informados dos atributos específicos necessários. (Ver Mateus 18:3; Mosias 3:19; Alma 7:23; 13:28.) ¶
Ao assim se esforçar, cada homem do sacerdócio amará sua esposa e abençoará seus filhos. Ele será um verdadeiro patriarca, tendo a autoridade do exemplo, assim como a autoridade do santo sacerdócio. ¶
Aprendemos, por meio de versículos concisos, que não somos vítimas indefesas e infelizes do "pecado original." Somos responsáveis por nossos próprios pecados reais e individuais, não pelo de Adão, a quem o Senhor perdoou há muito, muito tempo. (Ver Moisés 6:53–54; D&C 93:38; Regras de Fé 1:2.) De fato, "por que Adão caiu, existimos" (Moisés 6:48), e "os homens existem para que tenham alegria." (2 Néfi 2:25.) ¶
Tendo recebido o mandamento de escrever essas verdades, Moisés também foi informado de que muitas das coisas que escreveria seriam mais tarde tiradas. Não obstante, elas "outra vez estariam ao alcance" dos filhos dos homens nos últimos dias. (Ver Moisés 1:40–41.) ¶
Meus irmãos, essas verdades "outra vez estão ao nosso alcance." Possuímos essas preciosas verdades! Agora elas precisam passar a nos possuir! Devemos pesquisá-las, meditar sobre elas, senti-las e vivê-las! ¶
Elas não são apenas sutilezas teológicas e notas de rodapé filosóficas. Precisamos meditar sobre suas implicações, bem como crer em suas declarações a respeito da vida diária e da vida eterna. ¶
Ninguém pode ter fé adequada em um Cristo que não conhece adequadamente, "que lhe é estranho e que está longe dos pensamentos e desígnios de seu coração." (Mosias 5:13.) Em vez disso, ao deixarmos de lado "todo impedimento" do mundo e o pecado "que tão facilmente nos rodeia," ao olharmos para Jesus e nos banquetearmos com Suas palavras, poderemos avançar com vigor intelectual e espiritual. Do contrário, como disse Paulo, podemos ficar cansados e desfalecer em nossa mente. (Ver Hebreus 12:1–3; ver também 2 Néfi 31:20.) Quando compreendemos o que foi revelado a Adão — "[meu] plano de salvação para todos os homens" (Moisés 6:62) —, essas doutrinas se tornam intensamente relevantes para a provação de amanhã, a tentação de terça-feira, ou o surto de autopiedade do mês que vem. Afinal, o castigo, a provação de nossa fé e a paciência fazem parte do plano. (Ver Mosias 23:21.) ¶
Tudo isso é tão maravilhosamente centrado em Cristo. Seja na estrutura do átomo ou das galáxias, seja nas verdades sobre os templos e as famílias, para aqueles que têm olhos para ver, todas as coisas, "desde o começo do mundo" (2 Néfi 11:4), "prestam testemunho de [Deus]." (Moisés 6:63.) Elas são planejadas para nos apontar a Cristo, tipificando-O, para que possamos segui-Lo, ter fé n'Ele e guardar Seus mandamentos. ¶
Se buscadas com fé (ver Romanos 9:30–32), essas doutrinas da radiante restauração nos envolvem em propósito divino durante nossa peregrinação nesta "terra distante." Como o filho pródigo que "caiu em si," assim recebemos a perspectiva e a direção necessárias, ao passo que também começamos a "levantar-nos e ir ter com [nosso] Pai." (Ver Lucas 15:11–32.) ¶
O trabalho inicial que temos de realizar em relação a essas doutrinas é apenas olhar (ver 1 Néfi 17:41), desviando firmemente nosso olhar dos relativos cortiços do mundo secular, com sua ganância e sordidez. ¶
O evangelho, de fato, nos dá vislumbres do horizonte distante, revelando um brilho vindo das luzes da Cidade de Deus. É um lugar de semblantes felizes, onde justiça e misericórdia, bem como retidão e verdade, são companheiras constantes. Ali, a mansidão e a generosidade prevalecem, "sem medidas coercivas." (D&C 121:46.) A grosseria e o egoísmo são desconhecidos, pertencendo a um lugar anterior e primitivo. Ali, a inveja seria um constrangimento certo. Os vizinhos são estimados como a si mesmo. Essa cidade, onde todos os residentes guardam o primeiro e o segundo grandes mandamentos, é uma comunidade de indivíduos notáveis, de um só coração e uma só mente. ¶
Não seremos estranhos na Cidade de Deus. Já estivemos lá antes, quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam e os filhos de Deus jubilavam diante das perspectivas desta severa, mas necessária, existência mortal. (Ver Jó 38:4–7.) O que cantamos então foi, sem dúvida, um cântico de louvor muito maior do que o "Coro Aleluia," mais glorioso do que o cântico de Moisés e de Israel depois de atravessarem o mar Vermelho. (Ver Êxodo 15:1–2.) ¶
Maravilha se soma a maravilha à medida que os templos e as escrituras nos falam de ainda outros mundos — de um universo impregnado de desígnio divino, com, por assim dizer, "primos" espirituais no cosmos. ¶
Quando vemos as coisas como realmente foram, realmente são e realmente serão (ver Jacó 4:13; D&C 93:24), as dispensações são apenas estações, novas amizades são apenas relacionamentos retomados, e profetas enviados em suas missões pelo Senhor refletem associações que se arqueiam através das eras, ao se reencontrarem mais tarde em cumes de montanhas e colinas, em bosques, campos, matas e até mesmo em cadeias. (Ver Moisés 1:1–2; Mateus 17:1–7; Joseph Smith—História 1:14, 48–50; Atos 23:11.) ¶
Ainda não estamos prontos para todas as coisas que o Senhor preparou na Cidade de Deus para os que O amam. (Ver 1 Coríntios 2:9.) Nossos olhos atuais não estão prontos para coisas que ainda não viram, e nossos ouvidos não estão preparados para os sons e a música transcendentes daquela cidade. ¶
A jornada será provadora e árdua. Fé, paciência e obediência são essenciais (ver Mosias 23:21; Abraão 3:25), mas aquele que completar a jornada com êxito receberá um acréscimo imensurável. (Ver Abraão 3:26.) E aquele que não a completar terá subtraído da soma de suas possibilidades. ¶
Quando chegarmos ao lar, estaremos cansados e machucados. Mas, finalmente, nossas dolorosas saudades cessarão. Enquanto isso, nossos retornos ao lar mortais são apenas tênues prenúncios daquele grande Retorno ao Lar! ¶
Irmãos, essas doutrinas claras e preciosas, restauradas em nossos dias por meio do Profeta Joseph Smith, pulsam de perspectiva e são tão intensamente luminosas, como materiais radioativos, que devem ser manuseadas com grande cuidado. ¶
Às grandes perguntas da vida sobre identidade e significado vêm as respostas retumbantes da Restauração. Acompanhando esses afirmativos "Sim, sins!" estão as regras orientadoras ou os necessários "Não, nãos!" Essas verdades restauradas não são misteriosas, mas maravilhosas. Essas verdades não representam a fofoca das galáxias, mas, sim, os segredos simples e estonteantes do universo — tais como os que Deus compartilhou com Enoque, Abraão, Moisés e Joseph Smith — alguns dos quais mencionei aqui. Nada poderia ser mais relevante, mais resplandecente, mais verdadeiro! ¶
Louvemos o homem que se comunicou com Jeová! (Ver Hinos, 1985, nº 27.) Somos herdeiros espirituais de Joseph, chamados há eras e eras — no "lá e então" — para os deveres que nos aguardam "aqui e agora!" ¶
Homens e jovens do sacerdócio, cuidemos desses deveres como praticantes e mensageiros. A mensagem do evangelho é digna de um trabalho como o realizado por Éter, "desde a manhã até o pôr-do-sol." (Éter 12:3.) ¶
Esta obra é digna de sacrifício e coragem como os de Abinadi. Ele sofreu a morte pelo fogo, dizendo que, depois de "terminar a minha mensagem," então "não importa." (Mosias 13:9.) ¶
Os praticantes, disse Jesus, saberão que essas doutrinas são de Deus. (Ver João 7:17.) Portanto, não se surpreendam quando os não praticantes zombarem. Não se surpreendam, tampouco, se essas doutrinas incomodarem alguns. Assim foi quando os antigos Apóstolos encheram Jerusalém com suas doutrinas. (Ver Atos 5:28.) E, quando Jesus concentrou Seus ouvintes nas doutrinas, "ficaram maravilhados da sua doutrina." (Mateus 22:33.) A única cura para o analfabetismo doutrinário dos que murmuram será aprender doutrina. (Ver Isaías 29:24.) ¶
Diante da grandiosidade da Restauração, "meu coração transborda de alegria." (Alma 26:11.) Peço desculpas por minha incapacidade de falar de Jesus como Ele merece, podendo expressar apenas "a mínima parte do que sinto." (Alma 26:16.) Ainda assim, há música em minha alma hoje, um cântico para meu Rei, e Jesus, ao escutar, pode ouvir as canções que não consigo cantar. (Hinos, 1985, nº 227.) ¶
No santo nome de Jesus Cristo, amém. ¶