O Testemunho de um Apóstolo da Ressurreição
Howard W. Hunter
Alexandre, o Grande, rei da Macedônia, discípulo de Aristóteles, conquistador da maior parte do mundo conhecido em seu tempo, foi um dos grandes líderes jovens do mundo. Depois de anos exercendo pompa e proeza militares e depois de estender seu reino da Macedônia ao Egito e de Chipre à Índia, ele chorou quando pareceu não haver mais mundo a conquistar. Então, como prova de quão efêmero é tal poder, Alexandre contraiu uma febre e morreu aos trinta e três anos de idade. O vasto reino que conquistara praticamente morreu com ele. ¶
Um líder jovem bem diferente também morreu naquela que parece uma idade tão prematura de trinta e três anos. Ele também foi rei, discípulo e conquistador. No entanto, não recebeu honras dos homens, não alcançou conquistas territoriais, não ascendeu a posição política alguma. Até onde sabemos, ele nunca empunhou uma espada nem vestiu sequer uma única peça de armadura. Mas o reino que estabeleceu ainda floresce cerca de dois mil anos depois. Seu poder não era deste mundo. ¶
As diferenças entre Alexandre e esse jovem nazareno, igualmente jovem, são muitas. Mas a maior diferença está em suas vitórias finais. Alexandre conquistou terras, povos, principados e reinos terrenos. Mas aquele que é chamado o Líder Perfeito, aquele que era e é a Luz e a Vida do mundo — Jesus Cristo, o Filho de Deus — conquistou o que nem Alexandre nem qualquer outro jamais puderam derrotar ou vencer: Jesus de Nazaré venceu a morte. Contra as medalhas e os monumentos de séculos de vitórias passageiras dos homens, ergue-se o único monumento necessário para assinalar o triunfo eterno — um túmulo vazio em um jardim. ¶
Na semana passada, nós e todo o restante do mundo cristão celebramos a Páscoa. Nesta grande conferência geral da Igreja, hoje prolongamos a estação pascal para nos lembrarmos dele e honrarmos este acontecimento crucial na vida de toda a humanidade. Assim como a Páscoa, no Hemisfério Norte, anuncia um despertar de vida após a esterilidade do inverno, também a ressurreição de Cristo anuncia a bênção da imortalidade e a possibilidade da vida eterna. Seu túmulo vazio proclama a todo o mundo: "Não está aqui, mas ressuscitou." (Lucas 24:6.) Essas palavras contêm toda a esperança, a segurança e a fé necessárias para nos sustentar em nossa vida desafiadora e, às vezes, repleta de aflição. ¶
A Páscoa é a celebração do dom gratuito da imortalidade concedido a todos os homens, restaurando a vida e curando todas as feridas. Embora todos hão de morrer como parte do plano eterno de crescimento e desenvolvimento, ainda assim todos podemos encontrar conforto na declaração do salmista: "O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã." (Salmos 30:5.) ¶
Foi Jó quem formulou o que poderíamos chamar a pergunta dos séculos: "Morrendo o homem, porventura tornará a viver?" (Jó 14:14.) A resposta de Cristo ecoa através do tempo até esta própria hora: "Porque eu vivo, e vós vivereis." (João 14:19.) ¶
Mesmo com a lógica da regeneração da natureza e mesmo com o testemunho daquele túmulo vazio no jardim, ainda há os que sentem que a sepultura é um destino final. Mas a doutrina da Ressurreição é a doutrina mais fundamental e crucial de toda a religião cristã. Ela não pode ser demasiadamente enfatizada, nem pode ser desconsiderada. ¶
Sem a Ressurreição, o evangelho de Jesus Cristo se torna uma litania de sábios ditados e de milagres aparentemente inexplicáveis — mas ditados e milagres sem triunfo final. Não; o triunfo final está no milagre final: pela primeira vez na história da humanidade, alguém que estava morto ressuscitou a si mesmo para uma imortalidade viva. Ele era o Filho de Deus, o Filho de nosso Pai imortal nos Céus, e seu triunfo sobre a morte física e espiritual é a boa nova que toda língua cristã deveria proclamar. ¶
A verdade eterna é que Jesus Cristo ressuscitou da sepultura e foi as primícias da Ressurreição. (Ver 1 Coríntios 15:23.) As testemunhas desse maravilhoso acontecimento não podem ser desacreditadas. ¶
Entre as testemunhas escolhidas estão os Apóstolos do Senhor. De fato, o chamado ao santo apostolado é o de testificar ao mundo a divindade do Senhor Jesus Cristo. Joseph Smith disse: "Os princípios fundamentais de nossa religião são o testemunho dos Apóstolos e Profetas, a respeito de Jesus Cristo, de que ele morreu, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, e ascendeu ao céu; e todas as demais coisas que dizem respeito à nossa religião são apenas apêndices a isso." (History of the Church, 3:30.) ¶
Pedro, um dos Apóstolos escolhidos pelo Mestre durante Seu ministério, fez estas declarações a respeito do papel dos Apóstolos como testemunhas da morte e ressurreição de Jesus: ¶
"Saiba, pois, com certeza, toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo." (Atos 2:36.) ¶
"Mas vós negastes o Santo e o Justo, … e matastes o Príncipe da vida, ao qual Deus ressuscitou dos mortos, do que nós somos testemunhas." (Atos 3:14–15.) ¶
"E nós somos testemunhas acerca dessas palavras, e também o Espírito Santo, que Deus deu àqueles que lhe obedecem." (Atos 5:32.) ¶
O Apóstolo Paulo comentou o que Pedro havia declarado a respeito de os Apóstolos serem testemunhas da morte e ressurreição de Jesus. Estas são suas palavras: ¶
"E havendo eles cumprido todas as coisas que dele estavam escritas, tirando-o do madeiro, o puseram na sepultura; ¶
"Porém Deus o ressuscitou dos mortos: ¶
"E ele por muitos dias foi visto pelos que subiram com ele da Galileia a Jerusalém, e são suas testemunhas para com o povo." (Atos 13:29–31.) ¶
No Areópago, em Atenas, Paulo disse: "Deus deu certeza a todos …, ressuscitando-o dos mortos" (Atos 17:31), e diante do rei Agripa fez esta pergunta: "Por que se julga coisa incrível entre vós que Deus ressuscite os mortos?" (Atos 26:8.) ¶
Paulo voltou a dar seu testemunho apostólico da Ressurreição em sua carta aos santos de Corinto: ¶
"Não sou eu apóstolo? Não sou livre? Não vi eu a Jesus Cristo, Senhor nosso? Não sois vós a minha obra no Senhor? … porque vós sois o selo do meu apostolado no Senhor." (1 Coríntios 9:1–2.) ¶
"Mas agora Cristo ressuscitou dos mortos, e foi feito as primícias dos que dormem. … em Cristo todos serão vivificados." (1 Coríntios 15:20, 22.) ¶
Testifico humildemente do privilégio que tenho de portar o santo apostolado e de trabalhar diariamente com um moderno Quórum dos Doze Apóstolos, que são discípulos do Senhor Jesus Cristo. Devemos ir ao mundo como "testemunhas especiais do nome de Cristo no mundo todo." (D&C 107:23.) E assim os Apóstolos sempre testificaram. ¶
Em nossos dias, Apóstolos e profetas continuam a obra de testificar ao mundo de Jesus Cristo. Se me for permitido o privilégio, desejo repetir o que o Presidente Marion G. Romney, Presidente de nosso atual quórum apostólico, disse a respeito da ressurreição de Jesus. Não faz muito tempo, ele fez esta declaração a uma conferência geral da Igreja: ¶
"Nesta época pascal, sou grato por esta oportunidade de testificar da ressurreição de Jesus e de expor, ao menos em parte, a base sobre a qual esse testemunho se apoia. ¶
"'Já ressuscitou, não está aqui.' (Marcos 16:6.) Estas palavras, eloquentes em sua simplicidade, anunciaram o acontecimento mais significativo da história registrada, a ressurreição do Senhor Jesus — um acontecimento tão extraordinário que até mesmo os Apóstolos, que haviam estado mais intimamente associados a Jesus em Seu ministério terreno e que haviam sido cuidadosamente ensinados a respeito do acontecimento vindouro, tiveram dificuldade em compreender a realidade de todo o seu significado. Os primeiros relatos que chegaram a seus ouvidos 'lhes pareciam como desvario' (Lucas 24:11), e bem poderiam parecer assim, pois milhões de homens haviam vivido e morrido antes daquele dia. Em cada colina e vale, os corpos dos homens apodreciam no pó, mas até aquela primeira manhã de Páscoa, nenhum havia ressuscitado da sepultura. … ¶
"Que toda a sua vida mortal se encaminhava para essa consumação, ele repetidamente ensinou. Isso foi prenunciado em sua declaração sobre entregar sua vida e retomá-la novamente. À aflita Marta, ele havia dito: 'Eu sou a ressurreição e a vida' (João 11:25); e aos judeus: 'Derrubai este templo, e em três dias o levantarei.' (João 2:19.) … ¶
"A evidência de que Jesus ressuscitou é conclusiva." (In Conference Report, Apr. 1982, pp. 5–7; ou Ensign, maio de 1982, p. 6.) ¶
Ao testemunho do Presidente Romney e aos testemunhos de meus Irmãos, acrescento meu próprio testemunho apostólico de que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo; de que ele nasceu na mortalidade e cumpriu seu ministério conforme relatado nas escrituras, que registram seu nascimento, sua vida, seus ensinamentos e seus mandamentos. ¶
Ao ensinar seus Apóstolos, Cristo lhes revelou "que era necessário que o Filho do Homem padecesse muito, e fosse rejeitado pelos anciãos e principais dos sacerdotes, e pelos escribas, e que fosse morto, e depois de três dias ressuscitasse." (Marcos 8:31.) E assim foi. Ele foi crucificado e colocado no túmulo. Ao terceiro dia, ele ressuscitou para viver novamente — o Salvador de toda a humanidade e as primícias da Ressurreição. Por meio desse sacrifício expiatório, todos os homens serão salvos da sepultura e viverão novamente. Este sempre foi o testemunho dos Apóstolos, ao qual acrescento meu testemunho, em nome de Jesus Cristo, amém. ¶