Regozijem-se Nesta Grande Era de Construção de Templos
Gordon B. Hinckley
Meus amados irmãos e irmãs, sinto-me profundamente grato pela fé de apoio e pelas orações dos Santos dos Últimos Dias. Estar diante de vocês nesta condição é uma responsabilidade das mais sérias e sagradas. Não reivindico nenhum talento especial. Espero que todos vocês percebam que não estou aqui por escolha própria. Não busquei esta responsabilidade. Ela foi colocada sobre mim pelo profeta do Senhor. É uma responsabilidade da qual não posso me esquivar. ¶
Sou impulsionado por duas resoluções. A primeira é servir ao Senhor da melhor forma que eu puder. Penso que compreendo, ao menos em pequena medida, o que isso significa. A segunda é servir a Seu profeta escolhido, o Presidente Spencer W. Kimball, e aliviar de seus ombros todo fardo que eu legitimamente puder. Considero essas obrigações sagradas e vinculantes, e mais importantes do que todas as demais considerações. ¶
Sou profundamente grato a meus Irmãos do Conselho dos Doze Apóstolos, que consistentemente e sem exceção têm atendido a cada pedido e a cada designação que lhes é dada. Eles têm sido de grande apoio. O mesmo se aplica aos membros do Primeiro Quórum dos Setenta e ao Bispado Presidente. Repito o que já disse antes deste púlpito, que há unidade perfeita entre os Irmãos. Eles não são homens que apenas concordam. Cada um é um homem de entendimento, de convicção, de grande capacidade comprovada. Cada um é também um homem de humildade, com disposição para subjugar todas as considerações pessoais e colocar em primeiro lugar a obra do Senhor. ¶
Minha constante associação com esses Irmãos capazes e dedicados é, para mim, um milagre que se desdobra continuamente. Lidamos com muitos problemas de natureza séria, com muitas forças que afetam a solução desses problemas. Cada homem é encorajado e tem liberdade para dar sua opinião e expressar seu julgamento. É algo verdadeiramente notável e maravilhoso testemunhar como, sob a influência do Espírito Santo, há uma fusão gradual de julgamentos, que invariavelmente leva a uma decisão unânime. ¶
Nenhuma política de importância, nenhuma ação de consequência, é adotada sem consideração nos mais altos conselhos da Igreja e sem unanimidade de sentimento quanto às decisões alcançadas. Nenhuma ação dessas é tomada sem oração fervorosa e sincera e sem um apelo ao Todo-Poderoso por orientação e revelação, e, além disso, sem a aprovação do Presidente da Igreja. ¶
Alguns se perguntam quem está dirigindo a Igreja. Dou-lhes meu solene testemunho de que a inspiração do alto é recebida e de que é nosso Pai Celestial e Seu Filho Amado, o Redentor do mundo, que estão guiando e dirigindo esta igreja para levar a efeito Seus propósitos eternos em favor dos filhos e filhas de Deus. ¶
Estes são dias importantes e vitais na obra do Senhor. Por exemplo, estamos vivendo uma das épocas mais significativas e importantes da história da Igreja e da história da obra de Deus entre Seu povo. Estamos vivendo a maior era de construção de templos já testemunhada, e é sobre isso que desejo falar por alguns minutos. ¶
Canto com convicção nosso grande hino dos Santos dos Últimos Dias: "Nós te agradecemos, ó Deus, por um profeta, para nos guiar nestes últimos dias." (Hinos, 1985, n.º 19.) Canto-o em apreço e homenagem ao Profeta Joseph Smith, por meio de quem o alicerce desta obra foi revelado nesta dispensação da plenitude dos tempos. Canto-o também em apreço e homenagem àquele a quem hoje honramos como nosso profeta, o Presidente Spencer W. Kimball. ¶
A construção e a dedicação de templos têm ocorrido em tal ritmo nos últimos anos que alguns prestam pouca atenção e sentem que é de pequena importância. ¶
Mas o adversário não tem sido alheio a isso. A construção e a dedicação desses edifícios sagrados têm sido acompanhadas por uma onda de oposição de alguns poucos inimigos da Igreja, bem como de críticas de alguns de dentro. Isso me traz à mente uma declaração de Brigham Young em 1861, enquanto o Templo de Salt Lake estava em construção. Ao que parece, quando alguém com experiência anterior foi convidado a trabalhar no Templo de Salt Lake, ele respondeu: "Não gosto de fazer isso, pois nunca começamos a construir um Templo sem que os sinos do inferno começassem a repicar." ¶
Ao que Brigham Young respondeu: "Quero ouvi-los repicar de novo. Todas as tribos do inferno se porão em movimento, se descobrirmos as paredes deste Templo. Mas o que vocês acham que vai resultar disso? Vocês sempre viram no que resultou." (In Journal of Discourses, 8:355–56.) ¶
Sim, nestes últimos tempos temos sentido muita oposição, mas também temos notado a frustração daqueles que tentaram deter esta obra. Temos sido fortalecidos e avançamos sob a promessa do Senhor, que disse: "Não permitirei que eles [o inimigo] destruam minha obra; sim, mostrar-lhes-ei que minha sabedoria é maior do que a astúcia do diabo." (D&C 10:43.) ¶
Em pouco mais de dois anos e meio, dedicamos dezesseis novos templos e rededicamos o restaurado Templo de Manti. Antes do fim do ano, dedicaremos ao menos mais um, de modo que teremos dedicado seis em 1983, seis em 1984 e seis em 1985. Esse grande impulso na construção de templos foi dado pelo Presidente Kimball sob revelação do Senhor, de quem é esta obra. A obra sagrada e importante que se realiza nos templos deve ser acelerada, e, para que isso aconteça, é necessário que os templos sejam levados mais perto do povo, em vez de o povo ter de viajar tão longe até os templos. ¶
Gostaria que qualquer pessoa que tenha alguma dúvida quanto à força e ao poder desta causa pudesse ter tido as experiências que tive nos últimos meses nesses serviços de dedicação, nos Estados Unidos, na Ásia e na Austrália, no México, na América Central e na América do Sul, na Europa e na África. Tenho olhado nos rostos de dezenas de milhares de Santos dos Últimos Dias. Suas peles são de cores e tons variados. Mas seus corações batem como um só, com testemunho e convicção quanto à verdade desta grande obra restaurada de Deus. Tenho ouvido seus testemunhos proferidos com sinceridade. Tenho escutado suas orações. Tenho-os ouvido erguer suas vozes em hinos de louvor. Tenho visto suas lágrimas de gratidão. Tenho conhecido seus sacrifícios feitos em apreço pelas bênçãos que lhes têm chegado. ¶
Seus idiomas têm sido muitos, mas eles têm falado como que com uma só voz, em testemunho da verdade divina e eterna restaurada à Terra. São homens e mulheres que amam o Senhor, que compreendem Seu plano eterno, que estão imbuídos de um desprendimento que os impele a um serviço dedicado, sem esperar agradecimento ou recompensa. Tem sido o mesmo em todos os lugares onde estivemos. Gostaria que houvesse tempo para falar das experiências em cada um desses muitos serviços de dedicação de templos. Só posso tocar levemente em três ou quatro. ¶
Tenho estado no México diversas vezes, ao longo de muitos anos. Antigamente, nosso povo ali parecia tão pobre, sua educação tão escassa. Pareciam seriamente limitados em muitos aspectos. ¶
Agora, recentemente, quando o Templo da Cidade do México foi dedicado, eles vieram aos milhares. Estavam limpos, seus rostos radiantes e sorridentes, suas roupas cuidadas e atraentes. Traziam todas as marcas de educação e refinamento. Havia algo de grandeza evidente neles. A maioria tem o sangue de Léhi em suas veias. As algemas das trevas caíram de seus olhos, como prometido pelos profetas do Livro de Mórmon. Tornaram-se "um povo puro e agradável." (2 Néfi 30:6.) Que experiência maravilhosamente edificante foi estar com eles e testemunhar o poder milagroso de Deus em suas vidas. ¶
Não consegui conter as lágrimas quando estivemos nas Filipinas. Tive o privilégio de participar da abertura da obra missionária naquela terra em 1961. Naquela época, não tínhamos nenhum edifício de espécie alguma, e tínhamos apenas um membro nativo da Igreja de quem tínhamos conhecimento. Em 1984, apenas vinte e três anos depois, tivemos o privilégio de dedicar um belo templo do Senhor em uma área privilegiada da grande metrópole de Manila. Olhei nos rostos daqueles milhares de Santos dos Últimos Dias esclarecidos e fiéis, sobre os quais o Senhor está derramando Suas bênçãos de maneira maravilhosa e admirável. Em menos de um quarto de século, a partir do único membro nativo que encontramos em 1961, a Igreja cresceu para bem mais de cem mil. Estes são meus amigos, o povo que amo, entre o qual trabalhei e a quem ensinei o evangelho. A abertura do templo representou, para eles, a plenitude da oportunidade do evangelho, o há muito desejado cumprimento de seus sonhos. ¶
Em Freiberg, na Alemanha, neste último mês de agosto, dedicamos outra bela e sagrada casa de Deus. Antes da dedicação, quando o edifício estava aberto para visitação pública, pouco menos de noventa mil pessoas vieram adentrar seus recintos. Muitas ficaram na chuva por horas. ¶
Os santos fiéis sacrificaram seu dinheiro, suas joias, seu conforto para ajudar a construir aquele templo. ¶
Um deles, que compareceu à dedicação, escreveu: "Havia um silêncio solene, e não havia olhos secos. O sol brilhava depois de muito tempo. … Podia-se sentir alegria e entusiasmo e o desejo de uma harmonia sem fim. … Lágrimas, risos e alegria; tudo estava presente." ¶
Ao reconhecer as diferentes filosofias políticas sob as quais vivemos, expresso sincero apreço às autoridades do governo daquela nação por sua ajuda em tornar possível este edifício sagrado, para a bênção de nossos irmãos e irmãs naquela terra. ¶
Recentemente retornamos de Joanesburgo, na África do Sul. Aqui nos Estados Unidos, vemos na imprensa pública e na televisão muito conflito naquela região. Mas na casa de Deus, aquele belo Templo de Joanesburgo, havia paz, a paz do Senhor, a paz que "excede todo o entendimento." (Filipenses 4:7.) Misturando-se como irmãos e irmãs, unidos por convênios eternos com o Todo-Poderoso, estavam pessoas de raízes diferentes. Entre elas, havia os descendentes dos holandeses que há muito tempo foram para aquela terra, os descendentes dos britânicos que haviam lutado contra os holandeses, e também os que provinham dos povos nativos da África. Havia companheirismo, havia amor, havia unidade e respeito mútuo entre todos os reunidos na casa do Senhor. ¶
Experimentamos muito regozijo nessas ocasiões sagradas, não apenas nos templos que mencionei, mas em todos os demais também. Após a dedicação de cada um desses templos, a realização das ordenanças foi iniciada, e tem avançado sem impedimento nem obstáculo, para a bênção de milhares deste lado do véu e de dezenas de milhares do outro lado do véu. Se há alguma obra em todo o mundo que demonstre a universalidade do amor de Deus, é a obra desprendida que se realiza nessas casas sagradas. ¶
Jesus Cristo, o Filho de Deus, deu Sua vida na cruz do Calvário como expiação pelos pecados da humanidade. Foi um sacrifício vicário por cada um de nós. Por meio desse sacrifício veio a promessa da ressurreição para todos. Isso veio pela graça de Deus, sem esforço da parte dos homens. E, além disso, por meio das chaves do santo sacerdócio conferidas aos Doze pelo Senhor quando Ele andou entre eles, chaves essas que foram restauradas nesta dispensação por aqueles que as detinham antigamente — por meio delas vieram grandes bênçãos adicionais, incluindo aquelas ordenanças singulares e notáveis administradas na casa do Senhor. Somente nessas ordenanças se realiza o exercício da "plenitude do sacerdócio." (D&C 124:28.) ¶
Presumo que não haja cristão algum que não reconheça a necessidade e a importância do batismo "de água e do Espírito." Ninguém poderia legitimamente negar essa necessidade, tendo em vista a declaração dada pelo Mestre a Nicodemos: "Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus." (João 3:5.) ¶
Serão os incontáveis milhões que morreram sem batismo privados das bênçãos do reino de Deus por terem sido inocentes quanto a essa exigência? ¶
É inconcebível para mim que alguém possa acreditar que o Deus que é o Pai de todos nós discriminaria assim entre Seus filhos quanto às suas bênçãos eternas. ¶
Não; deve haver oportunidade universal, se é que há de haver justiça universal. ¶
A pergunta de Paulo aos santos coríntios oferece confirmação escriturística da prática do batismo vicário em favor dos falecidos: "Doutra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos, se absolutamente os mortos não ressuscitam? Por que se batizam eles então pelos mortos?" (1 Coríntios 15:29.) ¶
A palavra de Jesus a Nicodemos não permitia exceção. Em cada um dos templos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias há uma fonte batismal onde procuradores vivos podem ser batizados em favor dos mortos. Não gosto de me referir a eles como "os mortos." Creio que, sob o grande plano de nosso Pai Eterno e por meio da expiação de Cristo, eles estão vivos. Embora tenham morrido quanto a seus corpos mortais, mantiveram sua identidade como indivíduos. São personalidades tanto quanto o somos nós, e tão merecedores das bênçãos pertinentes à vida eterna quanto nós. Serei eu mais digno dessas bênçãos transcendentes do que meus antepassados, por meio de quem me veio minha herança? ¶
A casa do Senhor é uma casa de pureza. Aqueles que ali servem se vestem de branco imaculado. Participam de ordenanças sagradas. São instruídos no plano eterno do Senhor. Fazem convênios que exigem moralidade e retidão pessoais, desprendimento e serviço. Suas atividades antecipam aquela cena descrita por João, o Revelador: "Estes que estão vestidos de vestes brancas, quem são, e de onde vieram? … ¶
"Por isso estão diante do trono de Deus, e o servem de dia e de noite no seu templo; e aquele que está assentado sobre o trono estenderá o seu tabernáculo sobre eles. ¶
"Não mais terão fome, nem mais terão sede; nem sol nem calor algum cairá sobre eles. ¶
"Porque o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará, e lhes servirá de guia para as fontes vivas das águas; e Deus enxugará de seus olhos toda lágrima." (Apocalipse 7:13, 15–17.) ¶
Aqui, nestas casas sagradas, maridos e esposas são selados uns aos outros sob aquela mesma autoridade que o Senhor deu a Seus Apóstolos antigamente. "Chegando Jesus às partes de Cesareia de Filipe," Ele conversou com Seus discípulos, e dessa conversa surgiu a comovente declaração de Pedro: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo." (Mateus 16:13, 16.) ¶
O Salvador então falou do poder da revelação por meio do qual aquele conhecimento havia vindo, e daquele princípio de revelação sobre o qual Sua igreja deveria ser edificada. Ele então prosseguiu, dizendo a estes, Seus irmãos escolhidos: "E eu te darei as chaves do reino dos céus; e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus." (Mateus 16:19.) ¶
O casamento, solenizado nos templos da Igreja, é realizado com a autoridade desse mesmo santo sacerdócio, não apenas para esta vida, mas também para a próxima. ¶
A separação de entes queridos pela morte é sempre carregada de tristeza. Seria carregada de desesperança se não houvesse alguma alternativa à finalidade do pronunciamento "até que a morte os separe," presente na maioria das cerimônias de casamento. ¶
Não precisa ser assim. A razão negaria que o Pai que a todos nós ama despedaçaria o mais sagrado relacionamento de toda a experiência humana e baniria o companheirismo do casamento entre aqueles que se amam, se honram e se respeitam mutuamente. Mas deve haver regras. Deve haver cumprimento. Deve haver obediência. O caminho é claro, tornado assim pelo exercício do santo sacerdócio nestes templos sagrados. ¶
Outro dia, sentei-me ao lado de um amigo que havia perdido sua amada companheira. Ele chorava em solidão, agora privado de uma união de mais de meio século que havia sido o próprio baluarte de sua vida. Mas, brilhando através de suas lágrimas e superando suas dúvidas, havia a certa convicção de que o casamento realizado muitos e muitos anos atrás fora unido por uma autoridade cujo poder alcançava além do véu da morte e que seria tão eficaz ali quanto havia sido aqui. ¶
Não é de admirar, meus irmãos e irmãs, que, com a abertura desses novos templos, eu tenha visto as lágrimas de homens fortes que abraçaram suas esposas junto aos altares nessas casas sagradas. Tenho visto as lágrimas de pais e mães ao abraçarem seus filhos nesses mesmos altares. Por meio do poder ali exercido, eles vieram a saber que nem o tempo nem a morte podem destruir os laços que os unem. ¶
E assim como esses laços são eficazes para os vivos, também o são para os mortos, quando procuradores vivos ocupam seu lugar para receber essas ordenanças. Essa obra, dada desprendidamente em favor daqueles do outro lado, aproxima-se mais da inigualável obra vicária do Salvador do que qualquer outra que eu conheça. A grande e importante obra de ensinar o evangelho de Cristo ao povo do mundo é, na melhor das hipóteses, incompleta se não prover também esse ensino àqueles em outra esfera, e não disponibilizar a eles as ordenanças do evangelho exigidas de todos, para que possam avançar no caminho da vida eterna. ¶
Esses templos estão ali para serem usados, e aqueles que os usam colherão uma bênção de harmonia em suas vidas. Eles se aproximarão mais do Senhor, e Ele Se aproximará mais deles. ¶
Há aqueles poucos que zombam de nossa obra do templo. Podem zombar da linguagem, mas não podem zombar do Espírito, nem podem zombar da verdade. Testifico da universalidade do amor de nosso Pai, da universalidade da salvação da morte que veio por meio do sacrifício do Salvador, da universalidade da oportunidade, para todas as gerações de homens e mulheres, das grandes bênçãos de nosso Pai, que disse: "Pois eis que esta é minha obra e minha glória: Levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem." (Moisés 1:39.) Assim testifico, em nome do Senhor Jesus Cristo, amém. ¶